Ressaca do amor

11 Capítulo XI – O fim dos fingimentos.


Notas iniciais
Yeeeeap o/ Se preparem para um capítulo muuuuito amorzinho, com participação especial da tia Afrodite e um desfecho Jasiper cheeeio de referências hehehe Boa leituraaaa *--*

Domingo, o famoso dia que não passa nunca. Ele também é conhecido por te causar depressão pré segunda-feira ou no meu caso depressão pós telefonema da minha mãe.

Clarisse tinha se superado daquela vez. Quando mamãe ligou para a casa da princesa a minha procura ontem, ela decidiu que seria uma boa ideia dar uma de Thalia e dizer que eu tinha saído com o meu “namorado” e depois desligado o telefone (eu apostaria muito dinheiro que elas combinaram isso).

Se existia uma coisa que em que minha mãe e eu éramos muito parecidas e não suportávamos era que nos deixassem curiosas. Na minha vida inteira eu vi minha mãe furiosa somente duas vezes, hoje tinha sido a terceira e eu realmente desejava que não existisse uma quarta.

Ela ligou xingando aos quatro ventos e disparando castigos tão inimagináveis como meus primeiros planos para encontro com Jason e então nos convocou, sem antes deixar claro que era melhor para o meu bem que eu não inventasse nenhuma desculpa, para passar o próximo feriado prolongado em nossa casa na cidade grande de forma que ela pudesse finalmente conhecer o meu namorado pelo qual ela espera há 16 anos.

Mamãe não deu tempo para minhas explicações e não quis saber mais nada sobre nossa relação, porque de acordo com ela até que estivesse frente a frente comigo eu poderia estar mentindo e ela nunca perceberia.

Como ela podia acreditar tão fácil que em uma semana ali, a filha super desajustada dela tinha arranjado um namorado? Ou que eu esconderia aquilo dela?

Eu obviamente iria contar quando realmente tivéssemos firmado um relacionamento. A minha família não era uma muito saudável para se apresentar a um cara que você está tentando conhecer melhor e se apaixonando, porque ele provavelmente fugiria. Minha mãe com certeza fantasiaria sobre nossas vidas para quem quisesse ouvir e muito provável agora mesmo já estava pensando nos netos dela. Sim, mamãe era esse tipo de pessoa.

E agora graças a Clarisse eu estava condenada. Não seria uma simples visita em casa como tinha sido ontem com Jason, no meu caso nós teríamos que viajar juntos. Para uma casa que vivia rodeada de paparazzis dia sim outro também graças ao sucesso do meu pai...meu pai...droga, o que meu pai tinha achado daquela história? Ele não tinha ligado e mamãe não tocara no nome dele, mas eram sempre os pais que mais exageravam quando suas filhas começavam a, no caso supostamente, namorar não? Ainda que sua mãe tivesse feito um trabalho exemplar para competir.

Eu não conseguia mais pensar sobre isso, estava destruindo meu cérebro e me fazendo ficar ansiosa, o que definitivamente não faria bem para o meu corpo já que eu nunca conseguia dormir uma vez que estivesse daquele jeito. Meu coração batia tão rápido que eu não conseguia nem ficar de olhos fechados durante muito tempo, era meio torturante.

— Você parece meio tensa Pipes, precisa de uma massagem? – Clarisse se aproximou perguntando.

Eu estava à uma hora deitada na rede da sacada vegetando por causa dela e ela tinha coragem de vir falar assim comigo? Levantei da rede e entrei em casa ignorando sua presença e antes de virar na cozinha disse ainda sem encara-la:

“Se depender da minha ajuda, você ficará na seca pelo resto da sua vida aqui”.

***---*** Dois meses depois ***---***

Clarisse, Chris, Jason e eu estávamos atrasados, para variar. A diferença era que dessa vez nenhuma parcela de culpa era minha, os outros três que acharam que seria uma ideia brilhante ingerir o máximo de álcool que eles conseguiam antes de começar a passar mal para poderem se preparar para o que estava por vir.

O feriado prolongado do qual minha mãe falara tinha chegado e a hora da forca também. Clarisse e Chris viriam juntos, não por vontade própria ou alguma bondade de nos acompanhar para que fossemos mais relaxados e tivéssemos alguém conosco para nos sentirmos bem, mas porque a minha vingança tinha levado a uma intimação do querido titio, ou também conhecido por Chris como o temido sogrão.

Existe alguma chance de que assim que tive a oportunidade de ficar a sós com o celular de Clarisse, do qual a senha eu tinha conhecimento, eu tenha entrado em seu whats e sem querer enviado uma mensagem errada para seu pai...algo do tipo:

“Chris minha menstruação está atrasada.”

“Entrei em pânico e fiz o teste.”

“Nós precisamos urgentemente conversar, porque ele deu positivo.”

“Chris?”

E então agora ela tinha que ir até lá explicar o que realmente tinha acontecido e fazer o teste na frente dele para comprovar a mentira, já que seu pai se recusara a falar com ela até que os dois fossem juntos até a casa “assumir as consequências de seus atos na frente da família”.

Clarisse se arrependeu amargamente por aquela brincadeirinha? Gosto de pensar que sim. E ah...ela recusou a massagem quando ofereci também.

Jason ainda estava esperando pela oportunidade perfeita que teria contra Thalia, mas ela dificilmente deixava alguma abertura então estava sendo meio complicado.

— Sete minutos para a partida...corre! – Gritei ajeitando minha bolsa nas costas e dando a mão para Jason antes de protagonizarmos uma linda cena de filme onde nós quatro corríamos e esbarrávamos em um monte de pessoas até alcançarmos nosso destino a tempo.

Dessa vez nós iríamos de ônibus.

— O que sua mãe faria se recebesse a notícia de que perdemos nosso transporte? – Jason perguntou quando sentamos lado a lado ofegantes.

Desde que fiz um resumo sobre o quão louca minha mãe era ele dava para perguntar como seria a reação dela diante de diversas situações, acho que testando o que poderia ou não fazer na frente dela sem ser renegado. Jason andava muito nervoso com isso ultimamente, pensando o que faríamos se meus pais decidissem não “aceitar” nosso “namoro”.

O negócio era que primeiro, embora tudo estivesse acontecendo de forma maravilhosa em nosso relacionamento – inclusive ganhei de Jason no Kart na terceira vez em que voltamos àquele lugar- nós não estávamos namorando real oficial ainda, e segundo, não existia chance alguma de minha mãe reprovar o garoto pelo qual ela esperou “16 anos para conhecer” (de acordo com suas palavras). Nem que meu pai decidisse não aceitar ela daria um jeito de convencê-lo, ainda mais que mamãe sempre teve um fraco por olhos claros o que colocava Jason no topo da sua lista. Isso para não falar que sua personalidade era maravilhosa, mesmo eu sendo meio suspeita para falar, ele era O namorado (ou seria no caso).

— Ela me acusaria de estar tentando te esconder, e então diria que nós iríamos hoje nem que ela tivesse que arranjar alguém para nos buscar e levar até lá, o que provavelmente não seria muito difícil para minha mãe fazer. – Respondi depois de um tempo.

— Eu não sei dizer se você fala essas coisas para me assustar ou se você é mesmo honesta demais. – Ele suspirou nervoso.

Clarisse e Chris pareciam se divertir demais as nossas custas.

— Acho que vocês deveriam se preocupar um pouco com vocês ao invés de ficar rindo de nós sabe, principalmente o Chris...será que morar esses meses longe dele te fez esquecer o quão bravo o seu sogro é? – Comentei olhando para trás, onde estavam sentados, com um sorriso cínico.

— Pensei que éramos amigos Piper. – Chris choramingou meio que brincando meio que sério.

— Você exagerou dessa vez Piper. – Clarisse rosnou para mim.

— Eu realmente lamento por você Chris, mas você – Apontei para minha amiga. – Colocou minha mãe na jogada...nem o seu pai vai contra ela. – Falei furiosa.

— Isso realmente não está ajudando. – Jason comentou.

Olhei para ele e quase ri. O álcool parecia já ter perdido o efeito de deixa-lo alegre e tranquilo e foi substituído por uma ressaca precoce quase o deixando com rugas de preocupação.

— Que tal deitar em mim e tirar um cochilo em? Quando perceber já vamos estar lá e eu prometo que vou te proteger da bruxa má. – Sorri para Jason. Ele revirou os olhos e deitou no meu ombro. – Porque nos sonhos entramos num mundo inteiramente nosso. – Recitei fazendo com que ele risse.

— Albus Dumbledore. – Sussurrou.

Dei um selinho nele com um sorriso no rosto e me apoiei para dormir junto dele.

***---***

— Chegamos mãe! – Gritei logo que atravessei a porta.

Clarisse e Chris já tinham seguido direto para a casa dela e agora somente eu e Jason, sem espadas, adagas ou cornucópias mágicas, estávamos entrando no covil.

— Piper querida. – Minha mãe disse enquanto vinha da cozinha desfilando em nossa direção.

Estava usando um vestido preto de festa e parecia arrumada para mais um dos desfiles que tanto gostava, não um encontro casual com a filha e seu novo namorado.

— Oi mamãe. – Disse correspondendo seu abraço apertado. – Esse é Jason Grace.- Apresentei quando nos separamos.

Jason sorriu simpático sem saber como cumprimenta-la já que esta estava ocupada analisando ele de uma forma nada discreta. Quando terminou pareceu aprovar o que viu porque sorriu e o abraçou.

— Então você é o namorado de quem Clarisse me falou. – Comentou. – Já que minha filha decidiu não me contar nada. – Resmungou baixinho.

— Já disse que não é assim mamãe. – Reclamei. – Você deveria começar a escutar sua filha ao invés de supor coisas de acordo com informações de Clarisse. – Resmunguei da mesma forma que ela.

Parecíamos aquelas crianças que sempre queriam dar a ultima palavra em uma briga então deixavam para dar a resposta bem baixinho de forma que a outra não escutasse e recomeçasse tudo de novo.

— Porque não apresenta a casa ao Jason rapidinho e então se arrumem para o jantar em? Seu pai vai chegar e então sairemos para seu restaurante favorito. – Falou me ignorando.

Então ela não estava arrumada daquele jeito à toa, ela tinha planos.

Deveriam ser umas seis horas da tarde agora.

— Ahm mãe...

— Ele pode ficar no quarto vago em frente ao seu. – Disse me interrompendo e sorrindo. Era assustador como às vezes ela parecia ler minha mente.

— Obrigado por me convidar e me deixar ficar aqui. – Jason agradeceu.

Ele parecia aliviado, como se tivesse passado da primeira fase com sucesso. Fiquei encarando-o junto de minha mãe, ambas meio bobas com o jeito fofo com que tinha dito aquilo.

— Não tem o que agradecer querido, realmente não acredito que Piper tentou me esconder alguém tão doce como você – Nessa hora ela ignorou meu protesto: “mãe”. – Fique a vontade viu?

Antes que passasse mais vergonha peguei na mão dele e fui o arrastando escada a cima.

— Vocês têm quarenta minutos para ficarem prontos. – Mamãe gritou. Não respondi.

— Já pode parar de rir. – Soltei num muxoxo.

— Porque deveria? Estou me sentindo ótimo. – Falou contente. –Agora sei a quem deve seu título de Rainha da beleza.

— Eu já dei de gente elogiando o meu pai, a minha mãe também não. – Bufei.

— Não precisa ficar com ciúmes...quem eu amo é você Pipes. – Jason disse fazendo meu corpo, cérebro e coração pararem ao mesmo tempo.

— Você o que? – Perguntei atônica.

— Oh, esse é o meu quarto? – Disse apontado para uma porta. Olhei em volta ainda tonta e percebi que estávamos em frente ao meu quarto que tinha uma plaquinha com meu nome e ele apontava ao quarto oposto. – Bom, nós podemos fazer o tour pela casa depois, eu vou me arrumar para o jantar. – Falou rápido se aproximando para me dar um beijo na testa e entrando no quarto correndo batendo a porta logo em seguida.

Fiquei encarando o lugar onde tinha acabado de entrar ainda sem acreditar no que tinha ouvido, se é que tinha ouvido certo. Aquele garoto só poderia estar tentando me matar. Aquilo não era uma brincadeira que se podia fazer com uma pessoa não saudável emocionalmente como eu.

— Droga Jason. – Reclamei entrando no meu quarto.

Não era hora de invadir o seu quarto pedindo por uma explicação porque isso poderia acabar de diversas formas e em todas que eu imaginava, acabava atrasada com minha mãe na minha orelha reclamando.

Foi uma meia hora pra me arrumar e acabei com um vestido turquesa com legging preta e botas de couro também pretas. Tinha meu bracelete preferido no pulso e a velha jaqueta de snowboard do papai que minha mãe prometera que estava na minha mala quando fui pra casa da princesa e acabou que tinha ficado para trás. Certeza que ela tinha feito de propósito já que nunca tinha gostado muito de me ver sempre com aquela jaqueta.

Meus cabelos estavam, pra variar um pouco, perfeitamente penteados e eu tinha uma maquiagem leve no rosto. Estava tentando me convencer de que aquela empolgação toda com meu visual não tinha nada haver com o fato de Jason ter supostamente dito minutos atrás que me amava. Eu só queria parecer bonita no primeiro encontro da minha família com o garoto que supostamente me ama.

Ok, era impossível fingir.

Eu estava a uns dois minutos parada em frente minha porta sem coragem de sair e encarar Jason. Era patético o quão em choque ele tinha me deixado com aquela simples frase. Meu coração martelava contra minha caixa torácica e eu tinha muito medo de que todos fossem ouvir quando nos encontrássemos.

— Piper? – Jason perguntou batendo na porta.

Tomei um susto tão grande que pulei para trás e meti a cabeça em uma prateleira e gemi alto pela dor. Ouvi a voz dele perguntando se estava tudo bem e pedi que entrasse. Eu estava em pé com a mão massageando a cabeça, mas não sentia que estivesse sangrando o que me deixou confusa.

— Que cara é essa? Ta ruim? – Perguntei me referindo ao machucado.

Ele parecia em pânico o que estava me deixando bem assustada. O que minha mãe faria se tivéssemos que cancelar o jantar para me levar ao hospital? Seria quase uma ofensa pessoal para ela que minha falta de sorte tivesse atrapalhado seus planos de um interrogatório completo com Jason.

— Linda – Disse Jason. – Piper, você...você está arrasando. – Seu rosto agora tinha um grande sorriso bobo e finalmente entendi o que estava acontecendo.

— Ah, era isso. – Falei desconcertada.

Ficamos nos encarando e me dei ao luxo de observar como estava vestido e meu coração retumbou. Usava uma simples calça jeans e uma camiseta roxa limpa, os tênis pareciam novos e o cabelo estava bem arrumado como sempre.

Ele não precisava de muito para me deixar sem ar.

— Piper, Jason estão prontos? Seu pai acabou de chegar querida. – Minha mãe gritara interrompendo nossa apreciação um pelo outro.

— ‘Tamo descendo. – Gritei de volta pegando na mão de Jason para irmos, mas ele não se mexeu. – O que foi?

— Estou me preparando psicologicamente. Eu estava fazendo o mesmo no meu quarto, mas te ver agora acabou com meus esforços. – Respondeu suspirando.

Sem conseguir me conter o beijei. Beijei até que não tivesse mais fôlego para continuar e ele correspondeu com inigualável entusiasmo.

— Já disse que vou te proteger da bruxa má. – Sussurrei quando nos separamos. Os lábios ainda próximos um do outro fazia com que a respiração acelerada dele batesse contra meu rosto me deixando arrepiada. – Papai vai te adorar.

— Ok, acho que mais um beijo e estarei pronto. – Comentou divertido.

— Besta. – Disse rindo.

Dei um rápido selinho e em seguida descemos as escadas correndo. Pulei em cima do colo do meu pai assim que o vi na sala.

— Pipes. – Exclamou feliz me abraçando. – Que saudades de você menina.

— Eu também morri de saudades. – Sorri enquanto recebia seus beijos na bochecha. – Esse é Jason. – Apresentei como tinha feito mais cedo com mamãe.

Papai ficou o encarando e parecia se divertir com a expressão assustada que Jason não conseguia disfarçar nem mesmo com seu sorriso maravilhoso. Cutuquei ele para que fizesse algo.

— O namorado da minha filha. – Suspirou resignado. – Eu esperava que demorasse mais uns cinco anos para ter que lidar com esse momento, mas você tem bom gosto Pipes. – Ele finalmente comentou sorrindo e assim como mamãe o abraçou. – Espero que esteja cuidando bem da minha princesa.

— É Rainha. – Jason respondeu no que pareceu automaticamente. – Quer dizer... – Tentou concertar quando viu a cara que fiz pra ele, mas meus pais já estavam rindo.

— Vocês são tão fofos. – Mamãe disse. – Agora temos que ir.

Fomos para o carro e partimos em direção ao restaurante. Meus pais costumavam me levar direto para ele quando eu era menor e papai não era tão famoso, então minhas melhores lembranças estavam lá. O restaurante não era dos melhores, mas se tornara meu favorito.

Sua maior qualidade era o aconchego e o quão reservado era. No estilo familiar ninguém nunca apostaria que Tristan McLean decidiria aparecer por lá para jantar, e como os funcionários já nos conheciam era tudo tranquilo.

Como previsto minha mãe atormentou Jason com perguntas nada discretas sobre sua vida e nossa relação. Quando perguntou sobre como o pai dele e a madrasta se conheceram achei que era hora de interromper. Jason não era um grande fã dela e não gostava de tocar no assunto, e embora estivesse sorrindo para minha mãe o tempo todo, nada afetado, sabia que estava agradecido e aliviado que eu tivesse impedido aquilo.

O problema foi que depois disso ela decidiu se focar em histórias minhas.

— Uma vez quando Piper tinha seis anos a vizinha deu um iogurte pra ela que ela devorou rapidinho, então a levei para agradecer e perguntei “Como é que se diz?” esperando que ela dissesse obrigado, mas ao invés disso ela disse “tem mais um?”.

Os três explodiram em gargalhadas da minha cara.

— Pipes, então essa sua gula vem desde pequena. – Jason disse entre risadas e contou sobre nosso primeiro encontro na loja de bolos.

— Você comeu desse jeito na frente do seu namorado? – Mamãe perguntou indignada. – Você não tem jeito mesmo. – E riu.

— Ok, vocês parecem estar de divertindo demais, então acho que não faz mal que eu me divirta também né. – E contei sobre Jason ter sido uma garota quando criança.

—Eu não..isso...não acredito que Thalia contou sobre isso. – Disse em choque.

— Sem falar que ele estava incrivelmente fofo hoje também...veio o caminho inteiro para cá tremendo. – Provoquei novamente.

— Ela me disse que você era um monstro. – Jason me acusou para minha mãe.

— Oh, então é assim que você fala da sua mãe? Só quero esperar pra ver o que meu neto vai dizer de vocês dois então. – Mamãe comentou o que seria a cereja do bolo nos matando de vergonha.

***---***

— To entrando. – Jason avisou adentrando meu quarto.

Tínhamos chegado há uma hora em casa e graças a deus tudo ocorreu bem na medida do possível. O fato de nunca ter passado mais vergonha na minha vida do que naquele dia era no mínimo esperado.

Nosso plano agora era assistir um filme na netflix antes de termos que, infelizmente, nos separar para dormir. Com sua presença já estava tudo pronto, só faltava escolher um filme que era normalmente onde começávamos uma pequena discussão.

Costumava ser assim na casa dele onde sempre acabávamos passando os sábados à noite, embora nunca tivesse acontecido de eu dormir lá ainda. Minha relação com seus pais não tinha evoluído muito, era praticamente baseada em cumprimentos e conversas banais sobre meus avós na mesa de jantar.

Meu convívio com Thalia e Luke cresceu e eles nos acompanhavam às vezes em algumas das nossas maratonas, tínhamos até começado a assistir a série Grey’s Anatomys juntos.

— Eu não vou assistir nenhum filme de terror. Já vou avisando. – Resmunguei.

— Tudo bem, podemos assistir o que você quiser.

— Você sabe que eu tenho pesadelos e hoje eu vou dormir sozinha, sem Clarisse e sem Annabeth, então definitivamente não vai rolar.

— O que você preferir está ótimo.

— Nós não vamos começar essa discussão de novo e... – Eu já estava tão no automático quando o assunto era aquele que nem tinha notado o que ele falava. – Espera. “Tudo ótimo”? Você está concordando comigo de primeira? O que aconteceu?

Foi quando parei para observa-lo e notei que carregava uma caixinha na mão que não parava de tremer. Tentei medi-la com o olhar para ver se seria possível que tivesse um celular vibrando lá dentro já que para mim não parecia humano que alguém tremesse tanto.

— Não aconteceu nada. – Fez pouco caso do assunto e se sentou ao meu lado.

— Claro, e essa mãozinha chacoalhando é só seu novo charme. – Disse irônica. – O que aconteceu? Você já está a salvo, o jantar passou e nós sobrevivemos.

— Eu sei, eu fui apresentado a sua família como seu namorado, mas o problema é que não é verdade. Nós não namoramos. – Ele disse sério, me fazendo perceber que o buraco era muito mais lá embaixo do que estava esperando.

— Do que nós estamos falando aqui? – Perguntei nervosa.

Ele estava por acaso insinuando que não tínhamos nada? Ele teria coragem de terminar comigo na minha casa?

— Eu estou falando disso. – Entregou-me a caixinha. – Fiquei pensando em quinhentas formas de fazer isso, mas cheguei à conclusão que sou péssimo e seria impossível sozinho, então procurei por Luke, Percy e Leo que riram de mim e disseram que seria por minha conta, Chris não quis ajudar porque estava ocupado pirando por causa do pai da Clarisse, e até os irmãos Stoll se negaram para poderem se divertir as minhas custas e eu definitivamente não estava tão desesperado para pedir ajuda a Thalia, então Annabeth me ajudou com isso. E agora eu estou enrolando tentando achar um jeito bonito de falar isso sem engasgar com minha própria saliva por conta do nervosismo... – Jason fez seu discurso e então ficou em silencio, parecendo realmente pensar no que dizer a seguir.

Abri a caixinha e vi um assessório para colocar no cabelo em forma de pena, como a que eu usara algumas vezes na escola, mas muito mais bonita e delicada. Não parecia ser feita a mão como a minha que tinha vindo da Princesa, e sim comprada em uma loja no mínimo cara por causa das pequenas pedras que a acompanhavam.

— Uau, é incrível. – Disse com a voz embargada.

Não que eu fosse chorar, mas ter ganhado algo tão lindo que ele teve que pedir ajuda pra tantos amigos nossos, me fez ficar emocionada muito rápido.

— Você gostou mesmo? – Confirmei com a cabeça. – Oh graças aos deuses. – Exclamou aliviado. – Annabeth é um anjo.

— Oe. – Comentei indignada de brincadeira.

— Ainda assim não chega nem aos seus pés. – Disse com um sorriso gigante nos lábios, destacando a cicatriz pequena que tinha na boca. Thalia comentou uma vez sobre algo como ele ter tentado comer um grampeador. – Vem aqui. – Me puxou saindo para a pequena varanda do meu quarto. – Veja. – apontou para o céu.

Aquela noite as estrelas pareciam uma explosão de diamantes no céu, o que me surpreendeu levando em conta que estávamos na cidade grande e normalmente tinha tanta poluição que somente algumas eram visíveis.

— Lindo. – Disse maravilhada. Jason envolveu seu braço em mim.

— Acho que é uma cena boa para ficar na lembrança e tentar borrar o quão patético eu estou tentando fazer isso. – Ele me virou de frente para ele e uma das minhas mãos ainda segurava a caixinha com a linda pena. – Nós não deveríamos mais fingir sabe, porque como disse antes, o que foi um ato totalmente fora do roteiro já que esperava dizer pela primeira vez agora, eu te amo. – Jason passou as mãos pelo cabelo, claramente nervoso. – Você quer namorar comigo?

Por alguns segundos eu desaprendi a respirar. Ele estava mesmo empenhado em me causar uma taquicardia.

— Como se existisse alguma chance de eu dizer não. – Respondi em um sussurro.

Com isso ele me beijou. E tudo bem que nós já tínhamos nos beijado antes, mas aquele beijo foi diferente. Superando até o que aconteceu no nosso primeiro encontro, o que eu jurava que seria impossível de acontecer. Eu me senti uma torradeira, como se todas as minhas resistências estivessem vermelhas de calor. Se esquentassem mais, eu começaria a cheirar a pão queimado.

Pelos deuses do Olimpo, eu amo você. – Disse feliz demais para que o sentimento coubesse em meu peito.

Notas finais
Yeeeeeap o/ Tudo bom cocêis? Esse capítulo foi maravilhoso de se escrever, embora muuuuito trabalhoso....acabou por ser uma semana corrida, mas tamo ai com muito amor *--* Contem o que mais gostaram, se o pedido foi o que vocês estavam esperando e tudinho mais que quiserem me contar *--* Sou só ouvidos *olhos hahah* Até o próoooximo sz Sejam bem vindos os novos leitores sz e um abração pra quem ja acompanhava sz Beijooos xD