Ressaca do amor
8 Capítulo VIII – Oportunidades.
Notas iniciais
Queimada na educação física me faz relembrar daquele antigo ditado “Quem nunca jogou queimada não sabe o que é descontar seus problemas pessoais brincando”. Era exatamente o que aconteceria ali naquela quadra.
O primeiro jogo seria o das mulheres, então os garotos estavam esperando sentados na arquibancada. Leo sorria tanto que parecia na expectativa de que fosse rolar sangue naquele jogo. E talvez estivesse certo, já que a divisão de times tinha nos colocado contra Drew e ela nos encarava com o que parecia fome pra mim, mas podia ser também o olhar de morte dela.
Clarisse se empolgou com a declaração muda de guerra e pediu ao professor que começássemos jogando com duas bolas, então ele fez a boa e acrescentou mais duas ficando com três.
Leo deveria ter subornado-o, só podia.
Com três bolas não tinha outro resultado que não um jogo super frenético. Em cinco minutos tinha sobrado metade das pessoas que começaram o jogo, e a maioria eliminada era do outro time. Eu não podia dizer com orgulho que tive grande participação naquilo porque estava o tempo todo preocupada em me desviar das bolas do outro time que graças a uma ordem de Drew, me tinham como alvo único.
Clarisse estava praticamente com o trabalho todo não dando nem chance para o resto da equipe tentar. Eu chutava às vezes a bola em sua direção para que agilizasse um pouco e ela não tivesse que se dar ao trabalho de desviar até onde elas estavam caindo.
— Você deveria aprender a se colocar no seu lugar e ficar longe dele. – Drew me disse quando cheguei perto do meio da quadra para pegar a bola que parou ali.
Nessa altura do campeonato só tinha sobrado ela no time, e o nosso além de mim e Clarisse tinha mais duas meninas.
— E você tem que aprender a jogar se pretende ganhar. O que você esperava que aconteceria com seu time inteiro mirando em mim? Nada muito diferente do que vai acontecer se você continuar obcecada por uma só pessoa como faz com o Jason. – Sorri. – Você vai perder.
Mirei e taquei a bola que atingiu com tudo seu rosto. Ela tinha ficado tão em choque com minha ultima fala que nem desviar conseguiu.
— Ele não quer nada com você, então vá procurar alguém que quer e não encha mais o saco. De nenhum de nós. – Disse enquanto estendia a mão para ela e fingia ajudar para o professor que vinha correndo do outro lado com cara de preocupado. Talvez o sangue descendo pelo nariz dela não tornasse a situação melhor.
Ela ignorou minha mão e continuou me encarando possessa, só se levantou quando o professor apareceu.
— Eu vou leva-la a enfermaria, vocês vão beber uma água e peçam para que os meninos tirem um time e comecem a jogar. Daqui a pouco eu volto. – O professor avisou para então sair de lá carregando Drew.
Ouvi palmas atrás de mim e quando me virei Clarisse e Leo estavam com sorrisos zombeteiros no rosto, mas ambos pareciam muito orgulhosos. Orgulhosos com a desgraça alheia vale ressaltar.
— Ótimo trabalho Rainha da beleza. Não sabe quanto tempo eu esperei para ver isso...sabe, Annabeth me desapontou um pouco quando resolveu o problema anterior, você foi bem melhor. – Fez um joinha com a mão para então me abraçar fingindo segurar lágrimas de felicidade.
— Deveria ter jogando outra bola nela ao invés de oferecer a mão pra ajudar, mas ainda assim estou orgulhosa. – Clarisse disse me dando tapinhas nas costas.
Sério...qual é o problema desses meus amigos?
Eu só sei que não conseguia ficar sem rir.
— Não sou muito a favor da violência, mas se depois disso ela tiver desistido eu me tornarei seu fiel servo Rainha da beleza. – Jason brotou de algum lugar desconhecido com seu sorriso mágico arrasador de corações.
— Você. Também. Não. – Disse meio exasperada, mas as pessoas sem nenhum medo da morte riram de mim. – Querem uma bolada também? Eu posso providenciar rapidinho, garanto que a mira continua ótima. – Ameacei mesmo sabendo que só causaria mais risadas.
— Agora é hora do nosso jogo, observem bem como os mestres vão acabar com isso muito mais rápido. – Leo disse se encaminhando para o meio da quadra e procurando por alguém que quisesse tirar time com ele.
— Essa é a nossa deixa. – Clarisse disse se virando para ir para as arquibancadas.
— Boa sorte! – Disse me aproximando para dar-lhe um beijo na bochecha, mas antes de conclui comenti o erro de olhar em seus olhos e fiquei ali, parada, que nem uma tonta admirando-o.
Jason sorriu parecendo achar graça e acabou com nossa distância me dando um selinho leve que deixou em pane todas as terminações nervosas do meu corpo. Quando nos separamos ele estava corado e eu sorrindo que nem boba, então sem saber o que acrescentar a situação me virei para acompanhar Clarisse.
— Só para esclarecer, eu vi aquilo. – Minha amiga comentou quando cheguei perto.
***---***
Clarisse e eu estávamos atrasadas...de novo. Tínhamos tido a brilhante ideia de adiar o banho um pouco de manhã e quando percebemos o almoço já tava quase no fim e como nenhuma das duas queria ir fedida ao refeitório, ainda mais depois daquela aula de educação física, fomos tomar o banho em cima da hora. O resultado foi que acabamos por comer com as tias na cozinha e não tive a oportunidade de ver ninguém.
Annabeth passou a tarde inteira fora, fazendo deus sabe lá o que, já que tinha visto Thalia e Luke juntos da janela do meu quarto e ela não estava por perto. As minhas divagações dela com Percy me deu dor de cabeça. Essa curiosidade ainda me mataria.
Agora estávamos atrasadas para a janta porque nos distraímos jogando poker no computador. Bem típico de pessoas que não tem nada de melhor para fazer, mas ainda assim querem enrolar na hora do dever.
— Anda logo, não quero ficar só com as sobras de novo. – Reclamei.
— Aquieta esse fogo, ainda faltam quarenta minutos para acabar o horário. Tu não que é ficar sem ver o Jason de novo, não use comida como desculpa. – Clarisse me repreendeu.
— Que tipo de amiga você é? Deveria deixar passar e concordar comigo para irmos logo. – Revirei os olhos. – E eu quero ficar com todos os nossos amigos, olhar ele é só um bônus. Do jeito que fala até parece que estou desesperada.
— Algumas partes de você estão desesperadas. – Ela deu um sorriso malicioso.
— Você é um caso perdido. – Disse por fim não contendo as gargalhadas. – Esse deve ser o seu estado com quase sete meses de atraso.
— Bom, eu pelo menos posso me livrar dele já esse final de semana, e você? – Perguntou irônica.
— Eu tenho só alguns dias de atraso, aguentarei firme e forte. Agora é sério, vamos logo. – Declarei por fim saindo porta afora. Como aquela noite fazia calor estava usando uma bermuda junto da camisa do colégio, tava meio zuado, mas confortável.
Ao nos aproximarmos da mesa com nossos pratos, esta que estava completa com Percy dessa vez, todos tinham sorrisos em minha direção.
— Perdi alguma coisa? – Perguntei receosa.
— Fomos nós que perdemos. – Katie disse. – Leo estava narrando um jogo de queimada sensacional para nós agora mesmo. Bom trabalho. – Ela fez um high five comigo. Será que Drew já tinha dado em cima do Travis também ou ninguém gostava dela mesmo?
— Obrigada, eu acho.
Mandei um olhar recriminador para Leo só imaginando o quanto ele tinha aumentado naquela história, mas ele só piscou para mim. Dei um oi geral e tentei evitar ficar encarando muito Jason porque ele estava lindo como sempre e eu envergonhada como sempre.
— Itadakimasu! – Disse feliz antes de começar a comer.
— Você arranjou o seu jeito de lidar com o problema...parece que enfim aquele nariz dela foi colocado de volta no lugar. – Annabeth comentou com um sorriso um tanto quanto perverso.
Quase engasguei rindo.
— Bom, depois dessa tenho minha opinião formada. Você é muito bem-vinda na família Piper. – Thalia comentou sorrindo para mim e dessa vez eu realmente engasguei.
Não importava o quão ingênua eu podia ser às vezes, mas nem a pau que aquele comentário foi sobre o nosso grupo ser uma família. Ela estava me chamando de cunhada?
Ai meu cu.
Todos riram, claramente por dentro do comentário, incluso Jason. Pareciam ignorar completamente minhas tentativas de recuperar o fôlego.
— Eu disse que vocês eram óbvios. – Clarisse sussurrou em meu ouvido.
— De novo, que tipo de amiga você é? – Resmunguei ainda tossindo sem ter recebido NENHUMA ajuda.
Depois disso eu alimentei meu monstro interior em silencio considerando os altos e baixos de enterrar minha cabeça no concreto e ficar durante um tempo indefinido.
— Ei, eu posso falar com você? – Jason perguntou para mim quando já estávamos prestes a nos separar na divisa dos dormitórios. Eu só afirmei com a cabeça o acompanhando e me empenhando em ignorar os olhares dos meus amigos.
— Você realmente conseguiu. Ela não falou comigo, nem encarou ou me stalkeou desde que desapareceu na aula de educação física.
— Bom, eu disse que te ajudaria. – Sorri. – Só não esperava que a oportunidade aparecesse quando estávamos na frente de tanta gente, maaas....
— Quer sair comigo no sábado? – Ele perguntou de supetão. Sem me dar tempo de preparar o emocional nem nada. – Como agradecimento será tudo por minha conta. – Sorriu e parecia ser de nervoso. – Nós já tínhamos combinado então você não pode negar, ainda mais que agora apareceu a desculpa perfeita.
— Não iria negar, mas só para avisar eu como bastante sabe. – Respondi com o sorriso quase rasgando o rosto.
Eu definitivamente não sabia o que é ser discreta.
— Já percebi isso. – Comentou rindo me fazendo fechar a cara.
— Que comentário mais digno de Clarisse. – Balancei a cabeça. – Onde planeja me levar?
— Ainda não cheguei nessa parte. – Respondeu passando a mão pela nuca. Aquilo sempre acontecia nos mangás que eu lia...tão fofo. – Por isso nada mais justo que eu tenha seu número de celular não acha?
— Nada mais justo? – Brinquei.
— Você deu para o Chris, eu nunca pensei que sentiria ciúmes dele e a culpada disso é você.
Gargalhei.
— Passa o celular. – Disse estendendo a mão.
Quando terminei de anotar o entreguei de volta junto com o meu para que fizesse o mesmo e terminado me aproximei, dessa vez tomando a atitude de imita-lo como naquela manhã.
— Boa noite. – Disse me afastando e quase correndo para o quarto o deixando para trás.
Uma atitude meio infantil e que só acontecia em mangás também? Talvez, mas não estou aberta a julgamentos.
Foi só um selinho. Era o que repetia em minha mente para ver se meu coração se acalmava.
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