Ressaca do amor

4 Capítulo IV - A ideia do diabo.


Notas iniciais
Boa leitura *-- Agradeço muito quem ta acompanhando viu? A gente se ve lá em baixo >.

— Como vocês se conheceram? – Perguntou Jason. Sua voz me fez tremer com as lembranças daquela noite. Balancei a cabeça tentando dispersar as imagens e senti meu rosto corar.

Graças a ideia brilhante do diabo, vulgo Leo, estávamos agora em roda com duas mesas juntas ao centro, chamando atenção do refeitório inteiro. Aquele grupo parecia ser famoso por ali porque todos cochichavam e apontavam como se fosse uma nova bomba pra uma revista de fofoca.

“Filho do dono da cidade e sua guarda particular se junta com gêmeos lunáticos, uma macaca ogra, seu namorado musculoso e monstruoso, a namorada de um dos lunáticos e a novata” Manchete exclusiva.

— Ela me emprestou o celular dela. – Clarisse respondeu sem dar atenção à pergunta.

— Eu tentei emprestar meu celular. – Corrigi.

Os olhos de todos revezavam entre nós duas esperando a continuação. Não era nada muito interessante pra falar a verdade.

— Ela parecia desesperada pra tentar falar com alguém e xingava o celular o tempo todo porque estava sem sinal, então ofereci o meu. – Contei. – E ela me ignorou e foi embora.

— No dia seguinte fomos colocadas como dupla em um trabalho, então nós discutimos sobre o que fazer...

— Brigas acendem o fogo da paixão. – Sorri tentando abraça-la. Ela desviou e abraçou Chris.

Lancei meu melhor olhar de “Ah é assim então?” tentando telepaticamente passar a mensagem de que era na casa da minha avó que ela ficaria, não do namorado e isso significava que ela dependia de mim. Não obtive resultados, mas a perdoei quando me passou parte de sua porção de batatas fritas.

Depois disso o pessoal se focou em perguntar coisas sobre a nossa cidade ao invés da nossa vida, talvez imaginando que tudo era tão sem graça quanto o nosso primeiro encontro.

Nossa amizade possuía um bom resumo de quatro itens importantes: Brigas, fogo da paixão, mais brigas e batata frita.

Evitei o máximo que pude olhar na direção em que estavam as pessoas que compareceram aquela festa e provavelmente sabiam sobre mim e sobre tudo, o que acabava por incluir ignorar Annabeth durante a janta inteira, já que esta sentava bem ao lado deles.

Eu estava nervosa esperando o tempo todo pelo momento em que um deles acabaria soltando a informação que eu tinha prometido guardar as sete chaves dali pra frente, mas ninguém comentou nada. Fiquei quieta praticamente a conversa inteira.

Clarisse tentava esconder, mas eu sabia o quanto estava feliz por estar ali com aquele pessoal, por mais que adorasse falar mal deles sempre que tivesse a chance.

***---***

— Então a gente se vê amanhã no café da manhã. – Disse um menino de cabelos escuros e olhos verdes. Era um tanto familiar.

Estávamos na divisa entre os dormitórios femininos e masculinos e era hora de se despedir e ir dormir. Foi quando eu finalmente percebi que ninguém ali tinha se apresentado, talvez por acharem que Clarisse já tivesse me interado, ou quem sabe por que não estavam acostumados a não serem reconhecidos.

Eles pareciam caminhar junto com um holofote atraindo os olhares das pessoas. Quase o mesmo que acontecia nas raras vezes que eu saia com meu pai para algum lugar público, a diferença é que aqui as pessoas não eram histéricas.

— O treino de vocês já vai começar amanhã junto com as aulas? – Annabeth perguntou a ele.

— Ahn... – O menino encarou-a com ar de dúvida e fez uma careta pensando na pergunta. Era aquilo que as pessoas viam quando olhavam para mim em um momento filosófico? – Não tenho certeza. – E sorriu pra ela, um sorriso muito bonito se quer saber minha opinião. Apagou totalmente a imagem anterior da minha mente.

Pude vê-la corar nos poucos segundos que ficou fitando-o antes de virar-se e acenar com a mão para então dirigir-se ao nosso quarto. Fiz igual e corri para alcançar Annabeth.

— Então esse é o Percy? – Sorri malandra pra ela.

Podia sentir meu rosto queimando pelo cruzamento de olhares que tive segundos antes com Jason.

***---***

— Famosos? Bom, eles são filhos de pessoas importantes então a atenção é meio que justificada. Jason, Thalia, Percy e Calipso eu quero dizer, o resto como eu somos agregados. – Annabeth explicava para mim, depois de Clarisse ter duramente se recusado a tocar no assunto.

“Pessoas sem cérebro tendem a seguir outras iguais.” Foi tudo que ela disse.

— Filhos de pessoas importantes? Tipo?

— O pai do Jason e da Thalia comanda uma companhia que fornece energia elétrica que pertencia aos seus pais. A sede original fica por aqui, então eles moram aqui, embora ela não se resuma mais ao contrato de abastecimento só dessa cidade, mas de boa parte do estado.

— Ou seja, muito ricos. – Conclui.

— Exato. É um ponto em comum. O pai do Percy tem uns três diplomas e vive viajando a pesquisa, mas a renda vem mesmo da mãe dele, Sally Jackson, ela é uma escritora bem famosa, acredito que conheça.

— É claro que conheço....não acredito que ele é filho dela. – Oh eu estava surpresa. Os livros dela eram incríveis. Tinha lido todos os dez no ano passado e esperava ansiosamente pelo dia que decidissem fazer uma série sobre eles na Netflix. A esperança era sempre a ultima a morrer, ainda mais com a próxima saga já confirmada.

— Você é fã também? Nós temos muito o que conversar então. – Ela sorriu. Nunca tinha conseguido convencer Clarisse a ler, seria ótimo finalmente ter alguém para conversar e criar teorias juntas. – Bom, por último a Calipso. – Ela pronunciou o nome com certa relutância. – Acho que é a única menina na mesa que você não conseguiu reconhecer. O pai dela é o prefeito da cidade e economiza o dinheiro de ter funcionários cuidando de tudo em família.

— Ele é o prefeito? Mas Clarisse disse que o pai do Jason era algo como o “dono” da cidade...achei que seria ele. – Olhei para minha amiga deitada na cama escutando música em um volume ensurdecedor nos fones que dava pra ouvir a melodia de longe. – Você mentiu para me deixar assustada? – Queria gritar e derrubar ela da cama, mas minha voz saiu baixa demais para que fosse ouvida.

— Ela não mentiu, relaxa. – Annabeth riu, possivelmente da minha cara. – Ele não é o prefeito, mas todos sabem que na verdade é ele quem da às ordens por trás dos panos. Suas doações são, digamos assim, bem generosas e tudo acaba sempre sendo do jeito dele.

— Controle através do dinheiro, saquei. – Agora as coisas faziam um pouco mais de sentido na minha cabeça. Quando chegamos ao quarto decidi fazer minhas perguntas antes que alguém pegasse no sono e me deixasse remoendo tudo durante a noite em forma de curiosidade. – Mas sendo assim Clarisse não deveria também receber toda essa atenção? – Perguntei meio confusa. O pai dela era bem famoso, tanto que havia sido chamado para trabalhar na cidade grande.

— Era assim no começo, mas ela é considerada assustadora demais agora.

A primeira explicação que fez sentido tão rápido.

— Então as pessoas na mesa eram Jason, ao lado Leo, Thalia e o menino abraçado a ela estavam do outro lado de Jason e deve ser o Luke, você, Percy, Calipso e então nós. – Organizei as informações em voz alta.

— Isso. – A voz veio sonolenta. Foi quando percebi que ela já estava na cama pronta para dormir só esperando eu parar de falar.

— Desculpa. – Pedi sem saber ao certo o que fazer. Annabeth riu e fez um gesto displicente com a mão “sem problemas”. – Boa noite. – Disse por fim.

— Boa noite Piper.

— Clarissinha...

— Vai dormir Piper.

Ela tinha desligado a música.

Notas finais
Yeeeeap o/ Mais um capítulo fresquinho que eu quase esqueço de postar hahaha To com um maldito sono, já estava deitada na cama pra acordar cedinho pra facul amanhã e de repente lembrei que tinha que postar a fic....levantei em um pulo e vim! Espero que tenham curtido, me contem o que acharam em um lindo comentário, pode ser uma linha só ou várias que vai me deixar feliz de qualquer jeito sz Queria escrever algo fofo e profundo em relação ao capítulo, mas estou mesmo destruida então já vou me despedir por aqui hahaha Até o próximo...Beijooos xD