Uma viagem. Uma viagem nem tão rápida, e nem tão curta. Uma viagem mais que suficiente para poder se manter estável. Era assim que eu me sentia quando íamos juntas de trem as vezes.

O dia parecia ameaçar a chover, mas ao mesmo tempo parecia que o sol iria brilhar mais do que eu normal, eu geralmente a esperava e quando nos encontrávamos, surgia assuntos aleatórios. Aquela vez foi diferente.

Eu estava esperando como de costume, olhando para o relógio da estação inúmeras vezes e pensando loucamente aonde ela poderia estar, esperava ansiosamente por sua chegada. Enquanto não avistava ninguém, pensei em toda conversa durante o trajeto, assim eu me preveniria de falar qualquer coisa idiota. Cada minuto que passava era terrível, eu me sentia sozinha. Eu não a via desde o final da semana, e aqueles dois dias de folga de tudo era realmente chatos sem ter ela por perto, eu já não estava mais sentada, havia passado tempo suficiente sentada, e estava com pressa. Foi quando eu a avistei. Ela subiu as escadas e me encontrou, deu um leve sorriso. Jogou sua bolsa e tudo mais que carregava consigo, no chão e me abraçou com força. Naquele abraço pude sentir a saudade e o alivio. Depois daquele momento surpreendente, ela recolheu tudo e seguiu em frente sem dizer uma palavra, eu a segui como sempre fazíamos.

Entramos no trem, trocando poucas palavras, e foi quando sentamos que os assuntos aleatórios vieram, percebi o quanto era gratificante passar meu tempo ao lado dela, cada segundo era especial.

Chegando na metade do caminho o assuntos terminaram, eu estava cansada então resolvi dormir. Abaixei a cabeça encostando em seus ombros, ela também abaixou, e ficamos nessa sincronia. Minha mão estava desesperada para segurar a dela, ambas estavam muito próximas apoiadas na perna, quando ela virou a palma para cima, era um convite. Claramente aceitei, e nossas mãos se encaixaram. O gelo corria por todos os meus dedos, enquanto os dela eram aquecedor. Não soltamos nenhum segundo, ambas já estavam prestes a suar de tanto calor trocado, a única coisa que fazíamos era acariciar com os dedos encaixados. Sua pele era tão macia... me perguntava se ela era assim por inteira, sentia que um dia iria descobrir.

Naquele momento sabia que a maioria dos olhares estavam voltados para nós, tentei não pensar nisso, e consegui. Meu único foco era abrir meus olhos de vez em quando, não conseguia dormir de verdade. Tinha vezes em que ela virava a cabeça tentando me olhar, e consequentemente, seus lábios acabavam encostando em mim. Minha vontade era de erguer a cabeça e poder descobrir o que a boca dela me diria se eu a tocasse com a minha.

O tempo passa para todos, e o nosso tinha chegado. Era o fim da linha, literalmente. O clima teve de ser cortado, e juntas seguimos para a próxima viagem, que eu desejava não acabar nunca.

No fim de verdade, nos despedimos e cada uma seguiu seu caminho, milhões de pensamentos circulavam na minha mente, mas o principal era ela. Quanto mais ia me afastando, indo embora, meu coração palpitava. Sorri, pois sabia que nos veríamos em breve, assim, Respirando fundo.