Res(pirando)
3 S(HE)BE(LIE)VE
Notas iniciais
Era uma quinta feira de três de janeiro, e eu voltava para casa com Felipe. No carro, haviam ainda mais um outro professor, e dois alunos, mas eu estava ao lado de Felipe na frente, e os outros divertiam-se atrás, de uma forma na qual eu sabia que eles não nos escutariam. Ele e eu conversávamos sobre muitas coisas, mas eu tinha certeza de onde eu queria chegar.
- Ei, Lipe. Quando acabar o seu TCC, você vai casar com a minha irmã, não vai? – Ele me olhou sério, assustado. Afinal de contas, os outros poderiam ouvir... Apesar disso, eu falava baixo enquanto os outros só riam e falavam alto.
- E você vai casar com o Mike, né?
- Se ele quiser... Claro. – Era a primeira vez que assumia isso pra alguém, senti o meu rosto corar.
Eu fui para minha casa, normal, como se nada estivesse realmente acontecendo na minha cabeça. Afinal de contas, que loucura era essa comigo? Eu não podia gostar do Mike. Não devia, não era certo... Passei o começo da tarde dormindo... Era bom pra mim dormir, me desligar um pouco do universo e fingir que eu não estava cometendo um super erro ao me deixar gostar dele. Afinal de contas, era bobagem. Ia passar, claro que ia. Eu não podia me permitir isso pra sempre, uma hora iria acabar, mas...
Acordei com o barulho alto do celular da minha irmã tocando. Pela empolgação, eu já podia saber quem era. Felipe. Fazia uns dias que ela falava que já não gostava do namorado, e em alguns dias antes dizia que queria casar-se com ele (?) e aquilo não fazia o menor sentido. Como alguém apaixonava e desapaixonava tão rápido assim, não fazia o menor sentido, mas enfim, agora ela recebia uma ligação de meu professor, Felipe.
Ela correu com o telefone para o meu quarto, para eu ouvir a conversa — isso sempre acontecia, até porque, quando ela precisava de uma amiga step, ela recorria à mim — e eu comecei a ouvi-la. No começo, foi entediante. Eu podia ouvir cada detalhe besta e irritante, e sentir um pouco de nojo das coisas estúpidas que ela falava. Francamente? Eu não podia entender como ela se prestava a esse papel, já que sabia que ele não podia namorar, e que ela tinha namorado também. Aquilo tudo me irritou, mas, permaneci calma.
Então eu voltei a ficar nervosa, logo quando Felipe falou à respeito de Mike. Claro. Eu não estava em condições de criticá-la, uma vez que fazia o mesmo. Digo, não. Eu não fazia o mesmo. Eu não estava praticamente me atirando nos braços dele, não estava fazendo tudo o que podia para que ele me beijasse, não queria de certa forma jogar fora meus valores de que eu só pertenceria ao meu esposo, depois do casamento. E até isso parecia distante pra mim, em um pequeno segredo no qual guardei comigo, no qual ninguém deveria saber.
Ouvi pelo telefone o Felipe dizer, que queria falar comigo. Peguei o celular e coloquei no ouvido, e conversamos por um tempo, até que ele me disse algo importante.
- Olha, Giu, eu e o Mike... Nós vamos na sua casa, amanhã.
- Ahn? Sério? Que bom!
- E outra... Eu falei com o Mike.
- Você o que?
Se ele estivesse ali na minha frente, eu teria lhe dado um soco automático. Que imbecil, como podia fazer isso comigo?
- Ele falou que gosta de você.
E foi aí que eu morri. Morri mesmo. Bati as botas. Não era assim tão fácil pra mim essas coisas, mas o complicado é que eu não havia ouvido isso do Mike, foi o Felipe quem falou... Eu não queria ter ouvido aquilo, não queria saber aquilo. Por um lado, nada estava realmente perdido, eu ainda tinha chances com Mike, e, por sorte, eu não teria que encarar falar com ele nem tão cedo.
Mas, claro, aí tudo piorou de novo.
- Quer falar com ele?
- Hehh...
- Tá vou passar pra ele — Então eu não queria apenas socar Felipe, como eu queria mais era matá-lo. Ver seu sangue escorrendo pela boca em grandes coágulos, tossindo, agonizando e... MALDITO!
- Oi, Giu...
- Oi... Mike.
Conversamos um pouco e... Isso foi terrível. Até porque ele não disse muita coisa, a não ser que "conversaríamos quando ele terminasse o TCC" e ficou por aquilo mesmo. Eu deveria ter esperanças? Eu deveria ficar feliz? Não sei. Talvez aquilo não seja a coisa certa a fazer, e por mais que me admirasse ver a bondade nos olhos de Mike, havia algo que me dizia que não. Que aquilo era errado. Que eu deveria voltar atrás, dizer que Felipe enganara-se, que ele confundira-se, e que nada daquilo era certo, mas... Mike parecia tão feliz. Eu estava feliz também, por vê-lo feliz. Se ficássemos felizes assim, sem cometer nenhum erro... Estava bom, não estava? Era assim que deveria ser...
Mas não ficou apenas nosso, como já se esperava de Bianca.
No dia seguinte eles chegaram pela manhã, eu já havia acordado cedo muito ansiosa, e também acordei a minha irmã. E ela ainda estava de pijama, quando a campainha tocou. Nós duas, estávamos em casa. Sozinhas.
Eu olhei pelo olho mágico, e pude ver os dois lá, esperando alguém abrir a porta. Mike estava na frente de Felipe. Eu respirei fundo e destranquei a porta. Parei um pouco, esperei, e abri. Mike me surpreendeu com um abraço repentino, e eu simplesmente não sabia o que deveria fazer. Ele me soltou, e vi que nem foi um abraço demorado. Talvez ele fosse tão tímido como eu.
Passamos algum tempo conversando, sentados. Eu estava com a minha mente tranquila. Ninguém agarrou ninguém, ninguém beijou ninguém. No máximo, Mike passou algum tempo com o braço sobre o meu ombro, e sempre que eu me afastava um pouco, ele me puxava ainda mais pra perto. Isso era... Tão bom. Eu não podia explicar o quanto estava feliz por aquilo tudo, mas, como tudo o que é bom, aquele momento durou pouco, e foi embora.
E eu fiquei só com a cena na cabeça. Sabia que aquele momento, eu nunca ia esquecer.
E então veio, claro, o medo.
Eu me vi adulta, velha, com filhas adolescentes me perguntando, quem foi o grande amor da minha vida.
E eu respondi: não foi o seu pai. Foi um antigo professor que eu tive e... Ele foi embora. Eu nunca mais o vi.
Aquele pensamento girou pela minha cabeça. Apertou meu coração, moeu-o como se fosse bisteca, pra depois simplesmente jogar tudo para o ar, como confete.
Eita vida besta.
Fui até o centro da cidade pela tarde, fiz compras por várias lojas. Em especial, eu comprei vestidos novos, e agora estava me apegando mais a eles do que aos meus casuais jeans.
Mas, uma coisa, me atraiu, em especial.
Eu e Bianca fomos à uma loja estranha, cheia dessas coisas... Místicas. Heis algo que minha irmã realmente gosta, é de coisas hippies — com exceção às roupas. Mas, esculturas, amigos e acessórios, ela simplesmente adora. E entre as coisas que lá compramos, eu escolhi algo especial. Era um pequeno pedaço de pedra transparente, um cristal pequeno e preso à um cordão de prata, em um colar. Eu o comprei e pendurei-o no pescoço.
Na embalagem, dizia que trazia sorte, equilibrava sentimentos, e, se alguém os tocasse, poderia trazer os sentimentos de um para o outro. Então eu me concentrei em dar todos os meus sentimentos àquele cristal. Talvez, depois, quando eu tivesse coragem, ele pertenceria a quem eu quisesse dedicar meus sentimentos.
Notas finais
Okay, sei que tem ótimas fics aqui sendo escritas, mas isso nao significa que 100% delas são melhores que a minha, então porque não me enviam reviews? :((((((((( ~triste forever~
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