Respiração, foco nos sentidos!

3 Capítulo 3 - Primeiro mês


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Oito dias depois.

Mundo real: 02:04 > 06:12.

14 dias até o teste.

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Pela contagem de Katsuki, já faz uma semana e pouca que ele está no castelo infinito, oito dias mais precisamente. Ou seja, na vida real, deve ter se passado pouco mais do que quatro horas, então deve ser mais ou menos seis da manhã no mundo normal. Katsuki ainda não se acostumou com isso. O tempo é diferente, ele não passou fome e nem sede também, mas, ainda existia a necessidade de dormir. Embora, bem menos do que o normal, menos de quatro horas por dia naquele lugar.

Durante todos esses oito dias, Aurora focou em ensinar principalmente uma coisa para Katsuki. Controlar seus novos sentidos aguçados. Mais precisamente, sua audição.

Agora, eles estavam fora do quarto – que Katsuki tomou como seu – no castelo infinito. Ele estava na posição de lótus, no chão. De acordo com Aurora, essa é uma posição de meditação conhecida, e que ajudaria Bakugou a focar no que importa. Que, nesse momento, é controlar sua audição, para que ele não surte assim que sair do quarto, ou, pior, assim que sair do castelo infinito eventualmente.

Aurora estava sentada em frente a Katsuki, na mesma posição. Ambos vestiam roupas de treinamento leves. "Foque, Bakugou!" Ela fala enquanto vê a expressão desconfortável em seu rosto só de estar fora do quarto e à mercê de todo o barulho no castelo infinito.

"É fácil pra você dizer, né?!" Katsuki sussurrou entre os dentes, as pálpebras tremendo com o esforço de manter os olhos fechados. O som é uma avalanche. O farfalhar das roupas de Aurora, das suas próprias roupas, o estalo minúsculo de um grão de poeira batendo no chão. O som abafado do próprio sangue correndo em suas veias. Tudo isso em seus ouvidos. Aquilo não era meditação. Era tortura.

Como alguém convive com isso?! Eu to ouvindo até meu próprio sangue, porra!

—Olha o lado bom, ao menos você não tem mais suas explosões! Ter isso e ter aquele poder seria uma merda...

Suas explosões eram altas? Sim. As vezes isso o irritava? Com certeza. Mas era gerenciável, e eventualmente ele se acostumou a conviver com isso. Mas esse novo nível de audição é coisa de maluco. Katsuki tem a mais absoluta certeza que consegue ouvir até as moléculas do ar com isso.

—Pensando melhor, volto atrás nas minhas palavras, seria melhor você ter as explosões, assim seria ainda mais sofrível!

Cala a boca, sua merdinha!

"Aguenta... mais uns minutos e você quebra o seu recorde!" Aurora falava com um sorriso, enquanto via o timer no seu relógio passando segundo por segundo.

Depois de mais dez minutos inteiros do que Katsuki considerava nada menos do que uma tortura cruel que seria considerada crime de guerra, finalmente ele cedeu, pegando novamente os aparelhos auditivos que estavam ao seu lado, e os encaixando nas respectivas orelhas. "Chega! Não aguento mais essa merda!" Bakugou fala enquanto coloca os ditos aparelhos no ouvido, finalmente conseguindo respirar um pouco.

"Parabéns!" A maior fala enquanto clica no fim do timer. "Quarenta minutos inteiros sem os aparelhos auditivos! Boa, garoto! Isso é um novo recorde, se orgulhe disso, a maioria demoraria bem mais pra alcançar essa contagem." Aurora fala enquanto bate palmas exageradas com as mãos, tentando alegrar o mais novo, e fazê-lo se orgulhar dessa conquista. Embora, com Katsuki isso não funcione tão bem quanto o esperado.

"Até quando eu vou depender disso?" Katsuki tocou os aparelhos auditivos como se fossem algemas. Era humilhante. Ele, um dos mais fortes da 1-A, agora depende de um pedaço de metal para não surtar. "Me sinto um velho de noventa anos..."

—O velho de noventa anos ainda seria menos pior viu...

Você sabe que me xingar também significa se xingar né? Você é eu, sua idiota!

—Gosto de me ver como uma versão melhor sua.

...

Eu vou só ignorar você.

Katsuki estava usando esses aparelhos auditivos desde o momento em que ele concordou em se tornar um caçador. Eles são modificados para ao invés de amplificar sons, fazer o contrário múltiplas vezes seguidas. Assim, Katsuki consegue fazer outras coisas sem surtar. Isso é temporário, e só até ele controlar sua nova audição. Mas isso vai demorar bem mais do que Bakugou esperava.

"Até você conseguir controlar por si mesmo seus novos sentidos, até lá, você vai ter que usar isso, se acostume." Aurora fala enquanto se levanta, esticando-se levemente. "Mas não se cobre tanto com isso... lembro bem quando eu estava começando, meu sentido aguçado também é a audição." Ela aponta para os próprios ouvidos. "Mas, no meu caso, eu nasci com a marca. Então tente imaginar como foi minha infância..."

Katsuki sente uma pontada de tremor percorrer seu corpo só de pensar nisso. "Quero nem pensar em como seus pais devem ter sofrido com choro seu quando era bebê viu."

"Hehe... é, foi um sofrimento durante os primeiros anos de vida." Ela fala enquanto dá uns pulos, e estica os braços pra fazer o sangue correr no corpo. "Mas eu me acostumei com o tempo, fica mais fácil quando você se acostuma, garanto! E, até lá, tente não quebrar os aparelhos auditivos... foi caro comprar eles!"

Katsuki também levanta, e começa a se esticar junto com Aurora. "Odeio usar essas muletas de merda."

"Você se acostuma. Ou o grande Katsuki Bakugou não é capaz disso?" Ela lança um sorriso para ele, como se estivesse provocando. Aurora sabe como essas palavras deixam ele. "Mas, vamos parar de conversar agora. Hora de mais treinamento! Ou, como eu digo, a parte divertida!" Ela pega uma Katana que estava na bainha, e joga nos braços de Bakugou, que pega de mau jeito. "Você vai treinar retirar a Katana da bainha, e ficar brandindo. Hoje vamos aumentar de mil para mil e quinhentas vezes. Pode começar!"

De novo não... não vou sentir mais meus dedos daqui a pouco.

Katsuki sentiu uma gota de suor na testa só de ouvir isso, mas, ele não iria desistir ou reclamar – verbalmente – só por conta disso. Ele apenas pega a bainha, bota em uma boa posição, e começa a retirar a katana, e fica brandindo-a em seguida.

Dez, cem, duzentas, quinhentas. Aos poucos, com pouquíssimas pausas, ele retira a katana da bainha e guarda repetidas vezes, e também brande a espada mais de mil e quinhentas vezes neste dia. Felizmente, seu corpo tinha um bom condicionamento físico desde já, e estava acostumado com tamanho esforço. Logo, a parte dos músculos não crescerem ali não é um problema para ele. A própria Aurora disse isso nos primeiros dois dias em que ele estava no castelo infinito.

"Como eu tinha dito, garoto, seus músculos não irão crescer aqui. Mas, seu corpo ainda pode se acostumar com certas coisas aqui dentro, inicialmente. Ou seja, aqui, no castelo infinito, nosso foco não é treinar o corpo físico em si, mas sim aprender técnicas, acostumar o corpo, e aprimorar nossa mente." Aurora apontou para a cabeça de Katsuki após a última frase. "E, no seu caso, vamos precisar dar um foco especial na mente. Se não, você nunca conseguirá realmente fazer um bom uso dos seus novos sentidos, e, por consequência, ser um caçador."

Com isso, Katsuki também estava precisando meditar dentro de seu quarto no castelo infinito, em silêncio e sozinho, por mais de duas horas seguidas por dia. Isso iria fortalecer a mente dele, de acordo com Aurora. Obviamente, ele inicialmente achou isso uma idiotice.

"Por que eu preciso fazer isso?!" Katsuki perguntou no primeiro dia em que Aurora mandou ele meditar no quarto no mais puro silêncio e solidão. "Isso é inútil! Eu poderia passar essas duas horas brandindo mais a katana! Seria mais útil." Aurora dá um peteleco na testa de Bakugou após ele soltar essa frase. "Ei!"

—Haha! Amo essa mulher.

"Não subestime a meditação! Você precisa disso, além de treinar sua mente, também vai ajudar com seu problema de paciência e raiva. Apenas, acredite em mim. E daqui a uma semana, vamos ver se você vai querer parar." Katsuki zombou um pouco de Aurora depois que ela falou isso, mas, depois de uma semana, ele não podia negar que ela tinha um ponto com tudo isso.

A raiva talvez não tenha diminuído tanto assim. Mas, a paciência com certeza aumentou consideravelmente, isso acontece quando se fica parado por duas horas sem se mexer, tendo como única companhia o som do vento e do ar. Katsuki ficava sem aparelho auditivo no quarto, já que essas salas têm por si só uma espécie de isolamento acústico. E, com isso, ele conseguia focar nos sons específicos de sua própria respiração, e em todo o ar envolta dele. Além das partículas de poeira ou madeira que eventualmente passavam pelas paredes. Isso ajudava sua mente a focar, ajuda a ter paciência, e ainda melhorava a questão da audição. Então, Katsuki realmente não tinha porque reclamar disso.

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Quatorze dias depois.

Mundo real: 06:12 > 12:45.

14 dias até o teste.

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Agora, o controle de Katsuki sobre sua audição melhorou muito em comparação ao início. Ele consegue ficar três horas fora do quarto no castelo infinito sem que antes tenha que fazer uma pausa e por os aparelhos auditivos. Com isso, ele agora começou um novo treinamento. Aurora o fazia correr com a katana nas mãos em uma área que imitava um ambiente urbano e outro um ambiente florestal. Tudo isso com um caminho cheio de armadilhas que Katsuki tinha que ir desviando.

"Sério? Tora de madeira? Esperava mais de você, Aurora!" Katsuki gritou enquanto corria com a katana na mão, e desviava de uma tora de madeira presa em uma corda que vinha em direção a ele. Katsuki já é acostumado a correr com coisas pesadas nas mãos, afinal, suas luvas e roupa de herói antiga tinha um peso considerável. A katana ainda é diferente de carregar, mas é mais leve que suas antigas luvas, então, não foi difícil de se acostumar.

E sua nova audição estava sendo muito útil agora. Conseguindo focar no que importa – que são às armadilhas no caminho – fica tudo absurdamente mais fácil de desviar. Ele consegue ouvir o click das armadilhas no exato momento em que elas se ativam, embora, sempre tem as mais difíceis.

Enquanto corria e desviava, ele consegue ouvir o som de metal viajando no ar em alta velocidade. Click. O som foi mínimo. Quase imperceptível. Mas ele ouviu. São facas. O instinto gritou antes do cérebro. Katsuki se jogou no chão, rolando de lado, e ouviu o barulho cortante no ar acima de si. Facas. Todas reais.

"Que PORRA é essa?!" Ele fala para o nada, pensando que Aurora estava por ali observando. "Tá tentando me matar, por acaso?!"

—Essa mulher é perfeita! Podemos nos casar com ela?

Ela tem o dobro da nossa idade, sua voz de merda!

—...Não custa nada sonhar.

Ela tentou me matar!

—Exatamente.

Aurora, que estava observando tudo acima logo acima do edifícios, grita pra ele. "Isso aqui não é igual a seu treinamentozinho de herói, garoto!" Ela fala com um sorriso, enquanto desaparece novamente correndo, deixando Katsuki no escuro sobre onde ela estava se escondendo de verdade enquanto o acompanhava.

Impressionante... eu nem consegui ouvir ela se movendo!

Desde que Katsuki aprendeu a focar sua audição no que realmente importava, ele estava sendo capaz de ouvir basicamente tudo e qualquer coisa que ele quisesse, claro, ainda tinha um limite de distância. Talvez algumas centenas de metros, ele ainda não conseguiu quantificar isso bem. E, quando Aurora se moveu, ele não conseguiu ouvir uma alteração no ar sequer, é como se ela fosse mais leve que o próprio vento.

Aquilo... aquela leveza. Aquilo o assustou. Aurora estava realmente em um nível completamente diferente de poder.

Esse treinamento estava sendo especialmente fácil para Katsuki, e Aurora percebeu isso. Então, diferente do que faria normalmente, ela resolveu pegar mais pesado com o garoto... muito mais. Três dias depois desse acontecimento, quando eles estavam prestes a começar o treinamento, ela anunciou as novas mudanças.

"Eu tenho percebido a sua... facilidade nesse treinamento, garoto. E, devo parabenizá-lo por isso!" Ela cruza os braços enquanto fala, e Katsuki responde com um sorriso quase arrogante.

"Estou acostumado a me mover nesses lugares. Principalmente florestas!" Katsuki diz enquanto se lembra de seu antigo treinamento antes de ir para a U.A.

Ele treinava na floresta que tinha perto de sua antiga casa. Tinha poucos animais selvagens, era afastada o suficiente da área urbana para ele conseguir se soltar um pouco, além de ser um ambiente que em si é ótimo para aprender a correr enquanto se desvia de centenas de árvores. Bakugou treinou neste ambiente florestal por pelo menos quatro ou cinco anos, e só parou quando ele e a mãe se mudaram para a parte pobre da cidade.

Quando entrou na U.A, as coisas mudaram bastante, e ele teve que se acostumar com lugares urbanos em sua maioria. Mas, o fato dele já estar acostumado a certas coisas, o fez estar muito à frente de muitos de seus colegas. E, agora, os treinos nos ambientes florestais se mostraram verdadeiramente úteis, já que Aurora parecia dar um foco especial nisso.

Katsuki balançou a cabeça enquanto se lembrava disso, ele não pode focar no passado agora, mas sim no presente.

"E exatamente por isso que nós vamos fazer diferente agora. As armadilhas vão continuar as mesmas, mas dessa vez..." Aurora aperta um botão que tinha atrás dela. "Com barulho extra!"

Uma enxurrada de sons invadiram a mente de Katsuki, é como se centenas de tambores estivessem tocando ao mesmo tempo. Todos em um tom diferente, com um barulho diferente. E, aparentemente, espalhados por todos os lugares possíveis.

"Isso... são tambores?!" Katsuki diz enquanto tenta não focar nesses instrumentos idiotas. Mas é mais difícil do que ele esperava. Ele já treinou o suficiente para que não precise ficar tapando os ouvidos nessas situações desconfortáveis. Só que ainda é extremamente desconfortável estar nesses ambientes. Principalmente com essa quantidade de sons.

"Sim!" Um sorriso presunçoso domina o rosto de Aurora agora. Ela se diverte tanto vendo esse garoto sofrer. "Eu coloquei um bom número de tambores que ficam tocando sozinhos. Todos com um som diferente. O seu objetivo será fazer o mesmo percurso de sempre, desviando das armadilhas e segurando a katana."

"Você guarda bastante rancor não é?"

Ela tá fazendo isso porque eu tava achando tudo muito fácil... tenho certeza disso.

—Ou, porque ela gosta de te ver sofrendo.

"Talvez sim, talvez não." Aurora descruza os braços enquanto bota a mão na frente da boca, contendo um riso. "Mas, isso será importante de qualquer forma." O sorriso diminuiu um pouco, e sua voz ganhou um tom de seriedade que Katsuki facilmente reconheceu. "Em uma luta ou perseguição de verdade, sua atenção estará competindo com vários sons diferentes ao seu redor, e se você não puder focar em meio ao caos de uma batalha, você morrerá em pouco tempo."

Katsuki não podia falar nada contra isso. Ele já esteve em muitas batalhas no pouco tempo que esteve na U.A. E a coisa mais constante entre todas elas, incluindo as que eram apenas treinamento, é o caos sensorial. No meio da luta, não só a visão está constantemente recebendo informações, como todos os outros sentidos também ficam sendo bombardeados com tudo que é possível. Talvez, dos cinco sentidos, a audição seja a que mais nota as coisas em pessoas comuns. Ou seja, em Katsuki isso se multiplica cem vezes, no mínimo.

"Agora, o que está esperando? Pode começar!"

Bakugou não esperou nenhum sinal a mais, e começou a correr pelo ambiente. Aquilo foi mais difícil do que ele esperava. Agora, ele estava caindo em boa parte das armadilhas. Focar em coisas específicas com todos aqueles sons, enquanto corre com a katana na mão, não é algo muito possível.

Enquanto corria em meio a árvores, ele pulou uma armadilha de cordas. E, alguns passos depois, ele tentou focar nos sons das armadilhas à frente, mas no meio dos clicks, havia centenas de sons se infiltrando no meio.

"Tump" "Bang" "Tump"

"Bang" "Tump" "Bang"

"Ah! Que inferno! Essas coisas não param não?!" Katsuki pisou em um chão falso e caiu no buraco abaixo dele. Por sorte, não tinha facas... dessa vez. "M-merda" Ele deu um pequeno gemido de dor, a altura era considerável, e isso o fez se desconcentrar por alguns momentos. Agora, dava pra ouvir até os átomos e o vento. De novo.

Devagar, Katsuki se sentou, ainda dentro do maldito buraco.

Porra... esses tambores estão me atrapalhando mais do que eu esperava.

Aproveitando o momento sem armadilhas imediatas para matá-lo, ele se senta, tentando se concentrar em qualquer coisa que não seja o barulho constante de... tudo. Fechando os olhos e tentando se concentrar nas partículas de poe-

"Tump!"

Caralho... Um, dois, três...

"Bang!"

...Quatro, cinco, se-

"Tump!"

Desgraça... Seis, sete, oit-

"Bang!"

Oito, nove, de-

"Tump!"

PORRA! Porque é tão difícil as coisas ficarem em silêncio?!

Katsuki estava tentando, muito. No entanto, todo o ambiente parecia gritar com aqueles tambores. Quando ele treinava sua audição com Aurora na frente do seu quarto, as coisas eram muito mais fáceis. Ele já havia se acostumado com o barulho que todo corpo humano fazia, das roupas, da poeira, das falas das pessoas, dos sons que as katanas e armas faziam. O som do metal em geral.

Agora, tambores? Todos fazendo um barulho diferente? Isso era novo, alto, e incômodo além do limite conhecido por Bakugou.

Não dá para só focar em uma coisa! Em todo lugar tem um barulho diferente, merda!

Como alguém foca assim? Não dá!

—...

A relação entre Katsuki e essa voz interior nessas três semanas tem sido altamente voltada a falas irônicas e desmotivadas por parte dela. Bakugou respondia na mesma medida, ignorava, ou só xingava como resposta a isso. Então, ele não pode conter a surpresa quando ouviu ela falando isso.

—Foque no ar.

Katsuki abre os olhos com isso, olhando para cima, pensando que talvez Aurora tivesse dito como um conselho, mas não tinha ninguém ali. Ele não esperava que aquela... voz tivesse realmente dito isso. Ele olhou ao redor, apenas para checar, mas não tinha ninguém, até porque ele estava sentado dentro de um buraco.

Você... está me ajudando?

A voz ficou um tempo sem responder, mas logo disse algo.

—Eu só estou garantindo que você não vai morrer! Isso...

—Isso não é ajudar! É garantir a minha própria sobrevivência!

A boca de Katsuki se curva por um segundo, como se estivesse ameaçando um sorriso irônico.

Depois de tanto tempo meditando todo dia, ele notou algumas coisas, e uma delas é o quanto essa voz é realmente parecida consigo. Assim como ele, a voz nunca admitiria quando fizesse algo para ajudar alguém. Se bem que a lógica dela não está errada, afinal, se Bakugou morrer, ela também morre. Então ela pode estar fazendo isso realmente por sobrevivência, nunca se sabe.

Humph...

Por que o ar?

—...

Cinco minutos inteiros se passaram, e nada da voz responder. Katsuki apenas suspirou com isso. Idiota presunçoso. Ele fechou os olhos em seguida, não custava nada tentar. Não é como se ele tivesse muitas ideias também.

Bakugou começou a respirar devagar. Aurora tinha dito que isso poderia ajudá-lo muitos dias atrás, então ele tentaria. Começou a focar no ar ao seu redor, no ar em todos os cantos. No ar que ele estava inspirando e expirando de si. No... vento, principalmente.

Por algum motivo que Katsuki desconhecia, ventava bastante ali. E, esse vento chamou sua atenção. E, com sua atenção presa a isso, ele relembrou... o ar está em todos os lugares. Todos os lugares – praticamente – que não são preenchidos por líquidos, coisas sólidas e outros gases. Bakugou sempre soube disso, isso é ciência básica, mas agora ele pode ouvir isso.

Ele consegue ouvir o ar em movimento em todo lugar, as correntes de ar. O vento batendo nas árvores, no solo, nos próprios tambores que ele agora odeia.

Abrindo os olhos com a coragem renovada, ele se atira para fora do buraco, segurando a katana com a mão direita, e começa a correr novamente. Mas, ao invés de tentar focar no click que as armadilhas faziam quando eram ativada, ele agora vai focar na alteração no ar que elas fazem quando ativadas, quando facas vem voando até ele, quando o tronco vem para atingi-lo, tudo isso gera pequenos níveis de alteração que Katsuki consegue ouvir.

Um tronco vem em sua direção, ele desvia com precisão, enquanto, em seguida, se impulsiona com um pulo para frente, passando por cima das armadilhas de corda que ele podia ver. Katsuki ainda podia ouvir os tambores ao fundo, mas dessa vez era mais como se fosse um ruído. Um ruído que ele conseguia ignorar. Na maioria das vezes.

Algumas centenas de metros à frente.

Ele estava conseguindo desviar de tudo muito bem. Mas, sem que ele percebesse, seu foco se desviou por alguns poucos segundos, um tambor gerou um barulho especialmente forte.

"POW!"

Bakugou foi atingido bem na nuca por outra tora de madeira. Uma igual a que ele tinha desviado minutos antes. Fazendo-o cair no chão mais uma vez, e rolando um pouco em toda aquela grama falsa.

Quantas vezes eu ainda vou ter que cair, porra?!

—O máximo que puder, por favor!

Ele não vai se abalar com isso, e, mais uma vez, se levantou e continuou a correr.

Eu vou passar dessa merda... você vai ver, voz de merda!

—Não tem nenhum nome melhor não? Me chamar de 'voz de merda' vai cansar até você em algum momento...

—E não é como se eu tivesse a escolha de não ver, seu idiota!

...

A gente decide seu nome depois. Só pode existir um Katsuki nesse mundo, e ele sou eu, não você!

—Nós dois somos a mesma pessoa.

Você sabe que acabou de se contradizer né?!

—Você fez o mesmo, então agora estamos quites!

...

Idiota.

—Idiota.

Katsuki também continuava fazendo os outros treinamentos, mas, de forma mais otimizada e rápida. E, dias depois, ele está aprendendo a cortar coisas de verdade.

"Armas em geral, e especialmente katanas são muito fáceis de quebrar, garoto." Aurora fala enquanto Katsuki segura uma katana em sua pose de combate. "E, embora hoje em dia os caçadores usem armas mais diversificadas de modo geral, a nossa arma principal e mais básica possível, principalmente para vocês iniciantes, ainda é a katana." Eles dois estavam em uma área cheia de bambus artificiais que tinha no castelo infinito, quando Aurora apresentou esse treinamento pela primeira vez.

"Então, se eu um dia quiser usar outra arma, eu poderei?" Katsuki perguntou enquanto olhava para sua katana como se fosse a coisa mais comum do mundo de se estar segurando.

"Sim, e isso é recomendado. Depender de só uma arma é perigoso, e te impede de aprender coisas novas. Mas, não vamos acelerar as coisas, você primeiro precisa aprender a lutar bem com uma katana antes de considerar lutar com outra arma. Por isso, hoje vou te ensinar a cortar de forma certa, e sem risco de quebrar a lâmina."

"Quebrar... a lâmina? E tem como uma katana quebrar?!" Disso katsuki não sabia, e isso porque ele pensava que já estava próximo de ficar bom usando essa arma.

"Oh, e se tem como viu." Aurora pega a sua própria katana, retirando-a da bainha. "Elas são fortes quando a lâmina está na vertical. Mas, é fraca na lateral. Por isso, é preciso aplicar a força diretamente ao longo da lâmina. A direção da lâmina, e a direção na qual você aplica a força devem ser exatamente as mesmas. Assim." Aurora exemplifica cortando um bambu que estava perto dela, perfeitamente. "Tente você agora."

Katsuki assentiu, segurando sua katana com as duas mãos firmes. Ele pensou em como Aurora fez, em como dava pra quase ver seus músculos aplicando a força necessária na direção certa. Ele fez o mesmo. Claro, com suas diferenças. Diferente de Aurora, ele tentou um corte reto, focando mais na velocidade do que na força em si.

E com um corte seco, o bambu é repartido no meio. Aurora vendo isso começa a bater palmas, e carregar um sorriso singelo consigo. "Boa, Katsuki!" Ela fala enquanto quase tenta abraçar ele, mas lembra que o garoto não gosta que invadam seu espaço pessoal, então apenas dá um tapinha encorajador nas costas.

Bakugou normalmente se afastaria de qualquer toque assim que não viesse de sua mãe, mas, Aurora estava respeitando seu espaço, mesmo que fosse ali no castelo infinito. Então... ele deixava ela fazer essas coisas, e também, ele respeita essa mulher, ela o salvou. E Katsuki nunca esqueceria algo assim.

—Oh...! Tá ficando mansinho agora?

"Agora, mais quinhentas vezes!" Aurora diz como se fosse a coisa mais simples do mundo, e Katsuki já consegue sentir o suor na testa e as bolhas nas mãos começando a surgir.

Merda. Ele pensa enquanto segura a katana novamente em sua pose, e se prepara para cortar muitos bambus.

Nessas mesmas duas semanas, ele também começou outro novo treinamento... cair. A voz na mente de Katsuki gostou muito desse.

Aurora dizia ser um treinamento para Katsuki aprender a cair sem se machucar, amortecer a queda, rolar, e se levantar de qualquer posição. Mas, Bakugou acreditava que isso era só uma forma dela mostrar ser fisicamente superior e mais forte em todos os pontos possíveis em comparação a ele, porque a forma que esse treinamento estava ocorrendo é muito estranha e humilhante.

Katsuki empunhava sua katana, e ia correndo em direção a Aurora em toda a velocidade, atacando ela como se quisesse matá-la. E Aurora mostrava o porque ela é mais forte que ele. Já que de mãos nuas ela conseguia render Katsuki, e jogá-lo no chão com muita força, força até demais às vezes.

"Você tá tentando me matar ou me jogar no chão por acaso?!" Bakugou fala enquanto se levanta para pegar sua katana novamente, e tentar atacar a maior mais uma vez. Sem sucesso, afinal, existem motivos para ela ser a treinadora e Katsuki o aprendiz nessa situação.

"Isso é importante. Você ainda vai cair muito nessa vida, e aprender a amortecer essa queda, e conseguir se levantar não importa a posição em que esteja vai ser muito importante nesses momentos!" Aurora fala com um sorriso, enquanto mais uma vez rende Katsuki e o joga no chão. Ela realmente ama isso. "E é melhor você se acostumar, vamos fazer isso por pelo menos um mês."

Essa mulher é insana!

—Essa mulher é maravilhosa!

Katsuki confirma esse pensamento a cada dia que se passa, pela intensidade desses treinamentos. Nem Aizawa chega perto do que Aurora manda ele fazer. Bem, talvez isso faça sentido quando se pensa que ela está treinando-o para matar onis, e não para prender vilões. Mas, mesmo assim.

Depois de alguns poucos dias após o começo do treinamento de cair. Veio a parte que Katsuki mais estava esperando começar. Respirações. E, como em todo começo de uma aula, Aurora resolveu começar contando um pouco da história das respirações. O que não era comum, já que ela costumava focar muito mais no treinamento em si na maioria das vezes.

"As técnicas de respiração surgiram junto com a Marca do Caçador. E toda e qualquer derivação que exista hoje em dia tem origem em especificamente duas. A respiração do sol, e a respiração da lua." Aurora fala frente a Katsuki, ambos sentados no quarto do próprio.

"Então, essas duas são a origem de tudo? As fodonas? As mais fortes, pelo que entendi?"

"Basicamente!" Por escolha, Aurora resolve ignorar completamente o linguajar sujo de Katsuki. "Todas as outras centenas de variações que existem hoje em dia tem origem em alguma dessas duas, ou, em alguma que se originou dessa. Ou seja, para praticidade da coisa, não seria errado falar que toda e qualquer respiração é o resultado de alguém tentando fazer a do sol ou a da lua, e falhando miseravelmente."

Katsuki fica meio possesso com isso. Isso significa que eu vou estar aprendendo uma cópia de algo?! Ele já estava prestes a verbalizar isso para Aurora, mas ela o parou antes, como se pudesse ler sua mente... de novo.

"E antes que você pergunte, não existe nenhum registro histórico em qualquer lugar sobre como se usa qualquer uma dessas duas técnicas, então tentar aprender elas não é uma opção. Principalmente para você que está no início e precisa começar por algo fácil. Por isso, eu trouxe isso aqui." Aurora pega um pequeno livro que tinha guardado no bolso, e entrega para Katsuki, que o pega rapidamente.

Bakugou analisa o livro, o nome é só "Respiração" e mais nada. A imagem é de uma pessoa qualquer brandindo uma katana, e o livro é todo preto fora isso, e parece ser relativamente antigo, mesmo que essa impressão seja nova. "O que é isso?" Katsuki tinha uma ideia, mas, esse lugar em que ele está é estranho, então nunca se sabe o que pode acontecer. Por via das dúvidas, é melhor perguntar do que ficar no escuro.

"Inicialmente, as técnicas de respiração eram passadas boca a boca, ou seja, isso tornava o processo de aprender excessivamente lento."

Ele pode imaginar isso. Ter que ensinar tudo na base da voz? Isso parece um pesadelo. Além de ser extremamente limitado.

"Com o passar do tempo, o mundo foi avançando, os onis foram aumentando exponencialmente em quantidade também, os caçadores não podiam ficar para trás, então, nós resolvemos aumentar nossa quantidade de caçadores de maneira expressiva." Aurora fez uma pausa. "A quantidade de técnicas de respiração também estava aumentando, então isso acabou se mostrando necessário." Ela apontou para o livro na mão de Katsuki "Nesse livro, tem todas as técnicas que conseguimos quantificar e explicar até os anos mais recentes. Além de uma explicação básica de como alcançar a respiração de concentração total, que é a base para fazermos qualquer técnica."

Katsuki ouve tudo com atenção, querendo pegar até os mínimos detalhes, e não deixar nada de fora. "E quanto a marca?" Ele toca brevemente a sua própria marca no pulso. "Esse livro seria inútil sem uma marca, então, como vocês conseguiram crescer mesmo com essas limitações?"

Vendo isso, Aurora sente seus olhos brilhando, ela ama pessoas curiosas. "Essa é uma ótima pergunta!" A voz sai animada, feliz, e cheia de expectativa. "Eu não sei todos os detalhes sobre isso, já que não sou uma estudiosa focada em história dentro dos caçadores, mas, como sou uma pessoa curiosa, procurei saber sobre isso já também. Os caçadores de mais alto escalão – incluindo eu – são encorajados a sempre despertar a marca em outras pessoas que estejam dispostas a lutar contra onis. E sim, mesmo sendo poucas, nós conseguimos nos manter assim."

"Isso não me parece ser muito eficiente..." Katsuki murmura para si mesmo baixinho, não querendo tomar um apavoro de Aurora, ela parecia interessada demais nisso para ser retrucada.

"Você disse o que ái?"

"Nada!" Bakugou respondeu rapidamente, tremendo levemente a mandíbula. Ele sabe muito bem como essa mulher pode ficar quando está com raiva, e ele não quer complicar sua vida ainda mais, com mais treinamento extra. "E então, o que eu vou fazer? Vou ler, escolher uma técnica e pronto?" Katsuki fala, querendo voltar logo ao seu aprendizado.

"Oh! É um pouco mais complicado do que isso..." Ela suspira um pouco enquanto fala. "É menos questão de escolher. É mais como... ser escolhido."

Agora sim Katsuki sentiu a cabeça dando um nó. "Hein?!" A voz saiu alta, e cheia de dúvidas. "A porcaria da respiração que tem que escolher a gente?" Aurora dá outro cascudo na sua cabeça por conta disso. "Ei! Eu disse o que de errado dessa vez?!"

—Você chamou a respiração de 'porcaria'.

Eu poderia ter dito muito pior!

—Por que você não testa? Amaria ver ela te batendo mais.

Sádica de merda.

—Eu ser assim diz algo sobre você, não acha?

...

"Não é a respiração que tem que te escolher. É a marca que decide essas coisas." Ela gesticula para o próprio braço, mostrando sua marca de chamas que cobre ele por inteiro. "Eu, por exemplo, é muito óbvio que sempre tive domínio pelas chamas. Mas, eu também sei mais duas além dessa respiração!" Agora, isso sim surpreende Katsuki. Ela nunca tinha sequer citado isso antes.

"Tem como ter mais do que uma?!" Ele pergunta incrédulo, boquiaberto mais uma vez.

"Sim!" Um sorriso se abre no rosto de Aurora, em direção a Katsuki. "Tudo isso depende de um simples fator. Se você tem individualidade ou não, e, como você bem sabe, a maioria dos caçadores não têm individualidades." Sim, isso é um fato.

Katsuki vê muitos caçadores todos os dias quando está treinando, ou só fora do quarto observando o ambiente do castelo infinito. E, quase nunca aparece alguém com individualidade, não é que não exista, ele vê as vezes alguns treinando também usando a quirk, mas, isso é relativamente raro.

"Uma das limitações que as individualidades trazem pra quem tem a marca é essa, a pessoa tem que se restringir exclusivamente a uma só respiração, como os caçadores mais antigos faziam no passado. O corpo deles não aguentariam ter mais do que uma técnica de respiração..." Katsuki tem certeza que viu o olhar de Aurora se entristecer falando disso, mas, sumiu tão rápido quanto veio. Ele fez uma anotação mental para perguntar sobre isso depois.

"Mas, pra gente que não tem quirk, temos nossa respiração principal, e a possibilidade de ter mais duas respirações secundárias. Eu, por exemplo." Levantando o braço levemente mais uma vez, Aurora se concentra um pouco, respirando de uma forma específica. E, logo, a marca dela começa a brilhar novamente, porém, dessa vez em... azul? Então, uma pequena bola d'água se gera na palma de sua mão. "Legal, né? Chamas e água!"

Katsuki estava ainda mais boquiaberto com isso. Isso era muito mais poderoso do que ele esperava. Mas, um outro pensamento se passava em sua mente vendo isso.

Eu não duvido de mais nada... O nome dela deve ser Aurora Todoroki na verdade.

—Nisso eu concordo com você.

Aquela família é louca.

"E, também tenho a terceira!" Ela respira de outra forma agora, e toda a água vira gelo. "Chamas, água, e gelo! A combinação perfeita se você for me perguntar."

"...Você por acaso tem o sobrenome Todoroki em segredo?" Katsuki perguntou sem medo, de tão impressionado. Seus olhos estavam levemente arregalados, e sua mão tocou brevemente o gelo, como se fosse checar se é realmente real.

"Quê?! É claro que não! Por que essa pergunta estranha, garoto?" Aurora questiona seu pupilo, confusa pela pergunta repentina e sem sentido.

"Nada, esquece!" Katsuki diz enquanto gesticula com as mãos, como se estivesse jogando longe a pergunta boba. "Agora, me mostre! Como posso saber qual é minha respiração?" A voz sai levemente mais rápida que o comum, ele estava realmente ansioso para isso.

"Podemos começar com... a marca! Olhe para ela, com o que ela se parece?"

Katsuki olha para seu pulso direito assim que Aurora fala isso. Ele olha para a marca, tentando achar uma forma, algo que... combine. Inicialmente, nada parece fazer sentido. Parece ser só um monte de espirais e linhas aleatórias. Mas, logo ele consegue notar, tem mais coisa nisso. Olhando ao todo, parece muito com uma ventania.

"Parece... uma ventania." Aurora também aproxima seu olhar na marca de Katsuki.

—Ventania...? Você quis dizer 'leve brisa' não é?

...

Um dia vai virar uma ventania! Quando crescer...

—Quem sou eu para retirar seus sonhos idiotas né... mas não diga que não avisei.

"Hum..." Ela bota a mão no queixo, como se estivesse analisando. "Parece mais como uma brisa leve de versão. Que carrega folhas e... pétalas?" Aurora diz a parte das pétalas com uma pontada de surpresa.

"O que tem as folhas e pétalas?" Na mente de Katsuki, pareciam mais pequenos detalhes que de nada serviam, do que algo realmente importante. Era só algo estético, algo 'bonitinho' essencialmente falando.

"Bem... tem uma respiração do vento, e é nisso que eu apostaria se fosse você."

—Por que eu sinto que tem um 'mas' nisso?

Não viaja.

"Mas."

...Porra.

—Haha.

"Eu não sei o que as folhas podem querer dizer, mas as pétalas talvez eu saiba." Aurora hesita um pouco antes de continuar, embora... ela admita, está curiosa para ver a reação do garoto raivoso que parece mais um delinquente que tudo na maioria das vezes, mesmo que ele tenha evoluído bastante essa parte sua no pouco tempo em que estava no castelo infinito. "Existe uma... respiração das flores. Talv-"

"Nem pensar!" Bakugou respondeu, sem nem mesmo dar espaço para ela terminar a pergunta. "Eu não vou usar algo que se chama 'respiração das flores'!" Ele começa a folhear o livro atrás de algo, até parar na página que estava procurando. "Aqui! 'Respiração do vento', vou ir com essa. A marca brilhou em branco da última vez, então tem sentido ser isso!" Ele disse rapidamente, como se Aurora tivesse dito para ele fazer algo criminoso, de tão rápido que fugiu disso.

"Calma, garoto! Eu só estava dando sugestões." Ela levanta as mãos, como se estivesse se rendendo. Um sinal de paz. "Independente da respiração que você escolher, você vai precisar primeiro aprender a dominar a Respiração de Concentração Total. Está no início do livro!" Ela diz enquanto se levanta, como se estivesse pra ir embora.

Katsuki já estava indo folhear o início do livro, mas para quando vê Aurora se levantando, jogando o livro na cama enquanto também se levanta. "Ei, para onde você vai?" Nesses dias em que Katsuki esteve aqui, Aurora ficou com ele em quase todos os momentos. Tirando os momentos de meditação, e os poucos em que ele dormia.

"Eu tenho algumas coisas a fazer no mundo real, então vou ficar um tempo fora. E, com isso, eu vou te dar seu primeiro verdadeiro desafio." Ela pega um anel que estava guardado em seu bolso, e dá para Katsuki.

Ele pega o anel na mão, observando e checando ele. O anel é simples, parecia um anel de coco na verdade, é bem igual, nem daria pra diferenciar. "O que é isso?"

"É um anel que todo caçador usa. E, é a forma que usamos para poder abrir uma porta do castelo infinito até o mundo real, e vice-versa."

Agora, Bakugou consegue se lembrar. Ele viu esse anel na mão de Aurora quando ele acordou aqui pela primeira vez. Ele lembra de ter achado estranho, mas não prestou tanta atenção.

Então é para isso que aquele anel serve?

Sem pensar muito, ele coloca o anel no quarto dedo a partir do polegar. E, sem que ele estivesse esperando, dá para sentir o anel furando levemente sua pele por dentro, como se estivesse se conectando à pele. A dor é mínima, mas Katsuki tenta tirar o anel por puro reflexo. "Que merda é essa?!" O anel não saia, é como se ele estivesse preso ali agora. "Esse anel furou meu dedo por dentro! Como?!"

Aurora segura seu braço assim que ele tenta tirar o anel mais uma vez. E, sem expressar nenhuma dificuldade, ela consegue fazer Katsuki parar de tentar tirar o anel. Deixando-o impressionado com tamanha força, ele sabia que ela era forte, mas nesse nível? Dava pra ver que Aurora nem estava se esforçando para segurá-lo.

Que... força.

"Não precisa ficar com medo. Ou você é do tipo que tem medo de agulha?" Aurora solta um riso com isso, tentando manter o humor alto, e despreocupar Katsuki. "O anel só está se conectando a sua rede sanguínea, assim ele saberá quando você estiver respirando em Concentração Total."

"Eu não tenho medo de merda nenhuma!" Katsuki diz enquanto a mão sofre de uma leve tremedeira inconsciente.

—Ah! Mentiroso!

...Maldito corpo.

"Mas por quê essa desgraça de anel precisa ter acesso a isso?!" Ele se solta do aperto de Aurora. Embora, seja só porque ela por conta própria deixou ele sair.

"É assim que podemos invocar aquelas portas/portais que você vê outros caçadores usando toda hora aqui. O anel sente quando você está em Concentração Total, e abre uma porta para onde você quiser ir." Aurora diz enquanto exemplifica, entrando em Concentração Total, e uma porta se abre atrás dela.

"Seu desafio será esse! Você só vai conseguir sair daqui do castelo infinito após dominar a Concentração Total por pelo menos alguns segundos para ativar isso. Eu vou ficar fora por alguns dias, vou estar ocupada caçando alguns onis importantes, e fazendo algumas investigações. Você vai estar por conta própria agora!"

"Ei!" Katsuki avançou, tentando segurar seu braço. "Isso foi muita informação, você vai me deixar sozinho aqui?!"

Sem responder a pergunta, Aurora apenas dá um passo pra trás, e sussurra para Katsuki. "Boa sorte!" Em seguida, a porta desaparece no ar, deixando Bakugou segurando apenas um vazio, agora verdadeiramente sozinho.

Ele fica ali, parado por um momento, só absorvendo tudo que acabou de acontecer.

Ela realmente... foi embora?

Não é que Katsuki fosse alguém sentimental, mas, isso foi muito súbito. E, depois de três semanas com essa mulher junto a ele, observando-o e ensinando, ficar sem assim é... estranho. Quase desconfortável. Contudo, ele não se deixaria abalar por isso, ele é Katsuki Bakugou, e não vai ficar chorando enquanto tenta aguentar a solidão... hoje pelo menos.

Balançando a cabeça, ele tenta ignorar esses pensamentos por enquanto. Pegando o livro que estava jogado na cama e ficando em uma boa posição. Estava na hora de treinar – ou ler, nesse caso – e não de ficar choramingando.

—Ora, ora! Alguém tá motivado em?

Se você não vai ajudar, fica quieto Kizu!

—...

—Você... me chamou de quê?

Kizu ué! Não foi você que disse que queria um nome?

Pronto, este será seu nome agora.

—...

A voz não... Kizu não sabia como reagir a isso. Ela nunca falou sério quando falou sobre um nome melhor. Talvez Katsuki o chamasse de mais variações de xingamentos, foi isso que ela pensou quando disse isso. Mas... um nome? Exclusivo? Pra... ela? Uma voz no fundo de sua mente que devia ser o seu 'demônio' interior?

—Haha...

Hein?! Tá rindo de quê?

—Hahahahahah...

Tá maluca?! Enlouqueceu agora?

—HAHAHAHAHAHAHA!

Agora sim Katsuki tinha a mais absoluta certeza.

Fudeu... endoidou de vez.

Dentro da sua mente. Kizu ficou rindo por muito tempo, minutos inteiros. Foi um pesadelo para Bakugou, e não era algo que ele pudesse só ignorar. Estava dentro de sua mente, tapar os ouvidos não faria a menor diferença. Independente disso, ele ainda tapou os ouvidos com força por puro reflexo.

—Ah...! Nossa, faz muito tempo desde a última vez que consegui rir tanto assim!

Agora que você se acalmou... Por que todos esses risos?!

Pensei que você quisesse um nome, porra! Eu fiquei muito tempo pensando nesse nome, sabia?!

—Eu estou agradecida, sério mesmo, é só... Porra!

—Você acabou de dar um nome para uma voz que só você ouve!

E?

—E?! E daí que isso é estranho pra caralho!

Nós estamos em um castelo infinito treinando para matar demônios.

O que não é estranho aqui?!

—...Não posso argumentar contra isso.

Então pronto! Você agora tem um nome, conviva com isso.

—Mas-

Sem mais demora, Katsuki focou sua atenção no livro, fazendo força para ignorar os protestos de Kizu. Chegou a hora de ler tudo aquilo, e aprender a... respirar direito? É, o conceito disso tudo é bem estranho até para ele, mas fazer o quê. Ele abre na página um.

—...

Kizu estava... surpresa, no mínimo. Ela parou de 'protestar' contra o nome assim que percebeu Katsuki focando no livro. Se acostumar com o fato dele percebê-la também estava sendo difícil para ela. Desde que se lembra, ela estava lá, vendo tudo que acontecia, e fazendo seus comentários. Era como se fosse uma espectadora dentro da mente de alguém, mas que nunca pode influenciar em nada, ou tomar nenhuma decisão. Mas agora... Katsuki estava ouvindo-a, e ela não sabia o que isso significava, mas, estava sendo interessante. Muito. Kizu... gosta disso. Muito mais do que quer admitir.

— — — — — — — — — — — — — — — —

Sete dias depois.

Mundo real: 12:45 > 16:20.

14 dias até o teste.

— — — — — — — — — — — — — — — —

Oficialmente, Katsuki estava sentindo seus pulmões gritando de sofrimento.

Uma semana se passou, e ele aprendeu muito lendo aquele livro. Existiam centenas de estilos de respirações hoje em dia. Tudo começava nas mais básicas, às reconhecidamente mais fáceis para iniciantes aprenderem. Chama, água, vento, relâmpago, e inseto. A partir delas – e do sol e da lua – os outros estilos foram criados. Névoa, som, serpente, pedra, magma, sangue, amor, flores, ácido, metal. Eram tantos estilos que nem Bakugou conseguiu decorar a quantidade. Com certeza tinham mais de cem.

O problema ali era exclusivamente um. A Respiração de Concentração Total.

De acordo com o livro, é uma técnica de respiração que envolve expandir os pulmões para inspirar o máximo de ar possível, acelerando o fluxo sanguíneo e os batimentos cardíacos enquanto aumenta a temperatura interna do corpo. Isso resulta em um aprimoramento temporário de características e capacidades físicas, deixando aquele que o utiliza com força, velocidade, vigor e uma durabilidade sobre-humana.

Katsuki sempre treinou todas as partes de seu corpo, incluindo os pulmões, então pelo que sabia, ele já tinha todas as capacidades físicas para conseguir usar essa técnica. Ele sabe que Aurora não o deixaria sozinho se não tivesse certeza disso.

Entretanto, falar é mais fácil do que fazer.

Neste instante, Katsuki estava na 'floresta' de bambus artificiais que ele usava para treinar os cortes com katana. Tentando respirar do modo que o livro mandava, mas ele podia sentir que seu coração sairia pelo ouvido de tanta dor.

"Que merda!" Ele diz enquanto corta dois bambus que estavam na sua frente. Esta estava sendo sua principal reação sempre que falhava em usar a técnica da concentração total. É um bom jeito de treinar. Bakugou cortava eles perfeitamente, como se fosse algo automático agora, de tantas falhas que teve.

Assim que se acalmou, mais uma vez ele tentou. Respirou fundo, ficou na posição, e... parou logo que sentiu o coração quase explodindo de tanta dor.

Mais dois bambus foram cortados.

"PORRA!" Ele repetia intensamente repetidas vezes, enquanto cortava tudo que aparecia na sua frente.

"O que eu estou fazendo de errado?!" Em voz alta Katsuki repetia. Ele estava fazendo exatamente o que o livro falava, sem falhas. Então... por que não funcionava? Por que ele sentia que estava prestes a morrer sempre que tentava ficar em concentração total?

"Nada." Uma voz desconhecida por Katsuki diz, atrás do mesmo.

Por puro reflexo, Katsuki dá um pulo pra frente, se virando e empunhando a katana em uma posição de batalha.

"Quem é você?!" Os olhos de Bakugou se afiam enquanto ele passa o olho pela garota na sua frente. "Eu não te conheço!"

A garota parecia ser menor que ele. Branca, magra, e pouco musculosa. A roupa era a mesma que todos os caçadores que estavam treinando aqui usavam, incluindo ele mesmo. Porém, o que mais chamava atenção era o rosto dela, com certeza. Ela tem longos cabelos loiro-vivos, com algumas mechas vermelhas que lembram chamas. Os olhos são dourados com íris vermelhas. A idade era próxima da sua, ele podia ver isso pelas feições dela. Dezesseis. Dezessete no máximo.

"Eu me chamo... Sakeme." Ela para de falar e respira um pouco, como se estivesse prestes a falar algo ruim. "Sakeme Rengoku."

Katsuki não faz a menor ideia do que isso quer dizer.

"Idaí?" Ele mantém a posição de combate mesmo com essa informação. "Este nome não diz nada para mim!"

"Ah?!" Sakeme quase cai no chão com isso. Como assim ele nunca ouviu falar de mim?! "Você não está treinando com a Hashira das chamas?"

Ah, sim. Aurora chegou a falar desses termos uma vez. Katsuki não se preocupou em decorar a maioria, mas esse ele fez questão de fixar na mente. Hashira. O mais alto nível que um caçador pode chegar, e, Aurora é uma delas.

"Sim, e do que isso importa? Eu ainda não te conheço!" Sakeme sente uma gota de suor na testa ao ouvir isso.

"Ela... não falou de mim?"

Katsuki balançou a cabeça em negação.

Sakeme suspira com isso. É claro que ela não falou... por que falaria né? "Bem, eu sou a outra aprendiz dela... ou, fui, no passado. Antes de você." Ela aponta para ele.

Aprendiz...?

Bakugou sabia que Aurora tinha outros aprendizes, mas nunca pensou que veria outro por aqui. Pelo que ele sabia, ela preferia treinar cada um individualmente, e nesse momento, Katsuki devia ser o único aprendiz dela. Ela nunca falou de outra enquanto treinava.

"Aurora nunca me disse nada sobre você." A posição de combate se desfaz. "O que faz aqui?"

"Eu estava de passagem, e ela me ligou falando um pouco sobre você quando eu estava no mundo humano. Logo, resolvi ver como estava indo seu treinamento." Sakeme dá um olhar nele, percebendo o suor, e todos os bambus cortados ao redor. "Está tendo dificuldades pelo visto, né?"

"Humph!" Bakugou apenas bufou em resposta. "E o que você quer em?"

"Eu realmente só vim conhecer você, fiquei curiosa com o novo aprendiz da Hashira das chamas." Dessa vez, Sakemi olha Katsuki de cima a baixo. "Já vi que você é esquentadinho em..."

Katsuki não tentou negar isso, apenas respirou fundo e se virou na frente de mais um bambu. "Fala logo o que você quer. Eu estou ocupado, caso não tenha percebido!" Ele pegou a katana em mãos mais uma vez, tentando focar na respiração.

"Está com dificuldade com a concentração total né?" Sakeme se aproxima em passos lentos.

"Huh...!" Bakugou apenas grunhiu em resposta, e Sakeme entendeu isso como um sim. "Meu corpo já é forte, e eu sou bem treinado, mas..." Ele suspirou um pouco antes de continuar. "Eu sinto que meu coração vai sair pelos meus ouvidos sempre que tento essa merda!"

"Hum..." Sakeme colocou a mão no queixo, como se estivesse pensando no que falar. Aquilo lembrava um pouco ela mesma. "Você disse que já tem o corpo bem treinado, não é?"

Katsuki assentiu.

"Sendo assim, talvez não lhe falte nada!" Sakeme bate o punho na palma da outra mão, como se tivesse dito algo genial.

"Quê?!" Bakugou se aproxima um pouco, olhando para a garota como se ela fosse uma alienígena. Como assim não lhe faltava nada? "Ma-"

Antes que ele pudesse continuar, Sakeme coloca o dedo em sua boca, impedindo-o de falar.

Como ela OUS-

—Opa! Já gostei dela!

...

Sério?

Faz nem dez minutos sua maluca!

—Ela tem coragem, ué.

Eu mereço mesmo viu...

"Eu vi você respirando quando cheguei aqui. Você está fazendo a técnica de concentração total certo!" Ela retira o dedo da boca dele. "Mas, seu corpo nunca sentiu essa sensação antes, ele não se acostumou com essa dor, com o seu coração batendo nessa velocidade, com o sangue circulando acelerado assim, e com a temperatura interna alta." Sakeme coloca as mãos na cintura com isso. "Ou seja, o que te falta é acostumar seu corpo a essa dor! Aí, você vai poder manter a concentração total por ao menos uns segundos!"

Katsuki queria muito gritar com essa garota por ter o impedido de falar, ela pensa que é quem pra fazer isso? Contudo, ela tem um ponto. Talvez o que lhe falte seja realmente... costume? É possível.

"Então, você tá me dizendo que o que me falta é... treinar até quase morrer?" Ele sente o corpo reagir como se já soubesse a resposta.

"Exato!" Diz Sakeme, já se virando e se afastando com passos largos. "Boa sorte, garoto esquentadinho!"

"Ei!" A palavra saí antes que ele perceba. "Não me chame assim!"

"Mas você é esquentadinho!" Uma porta do castelo infinito abre abaixo dela.

"Você que tem o cabelo que se parece com fogo! Então você é a esquentadinha aqui!" A katana cai no chão enquanto ele se vê correndo atrás dela inconscientemente.

"Errado, você que é!" Ela cai na porta assim que diz isso, indo para o mundo humano, fazendo a discussão morrer ali mesmo.

Katsuki sente que não vai ser a última vez que vai encontrar essa garota, mas já não foi com a cara dela. "Huh... idiota de merda." Ele se agacha para pegar sua katana, e acaba olhando ao redor, vendo a 'floresta' de bambus artificiais. Ele suspira um pouco vendo que a garota realmente foi embora, foi legal ter... alguém, mesmo que por tão poucos minutos. Com isso, Bakugou se vê novamente sozinho... ou quase.

—Eu gostei da garota, quando vamos poder vê-la de novo?

Ah?! Você acha que eu vou saber isso?

—Considerando que agora você se chama de 'caçador'...

Cala a boca Kizu!

—Pode tentar a vontade! Duvido que tenha sucesso.

Bakugou quase se viu rindo com isso. Ele não iria admitir, mas... é divertido ter Kizu em sua mente. É uma companhia em meio a todo esse vazio. Rapidamente, deu pra perceber que embora o nome dessa dimensão fosse 'castelo infinito', também é um lugar extremamente solitário, ninguém nunca se fala ali. E, quando, porventura, ele se encontra com algum caçador, eles mal se olham.

Ele assume que é melhor assim, afinal, tem gente de todo o mundo por ali, e é improvável que alguém de outro continente saiba falar japonês. Isso não deixava as coisas menos solitárias. Principalmente por conta de... uma pessoa.

Mitsuki, sua mãe. Bakugou estava ficando com saudades dela, muita. De acordo com suas contas, faz vinte e nove dias que ele está dentro do castelo infinito, quatro semanas. No mundo real, nem sequer passou um único dia ainda. Entretanto, não dá pra evitar as saudades que Katsuki está sentindo. Ficar tanto tempo assim sem vê-la... é muito, até para alguém como ele.

Ele não pode ficar muito mais tempo dentro do castelo infinito, ele precisa conseguir sair e voltar para casa. Ir jantar com sua mãe, fingir que só saiu e ficou treinando o dia todo... o que não é mentira. Mas, ela não precisa saber dos detalhes.

Katsuki aperta o cabo da katana enquanto pensa nisso

Eu vou voltar mãe... eu juro.

—Tsk...

—Tá esperando o quê? Vai treinar, porra!

Bakugou não precisa ouvir isso uma segunda vez. Ele fica na posição, katana em mãos, e começa a respirar mais uma vez em concentração total.

— — — — — — — — — — — — — — — —

Sete dias depois.

Mundo real: 16:20 > 19:50.

14 dias até o teste.

— — — — — — — — — — — — — — — —

Mais uma semana se passou, e Katsuki estava começando a se preocupar. Muito. Os primeiros três dias foram infernais, e todo seu corpo queria gritar de tanta dor. Claro, ele não iria desistir só por conta de algo tão irrisório, comparado a sua força de vontade. Nada disso o impediu de ficar em pé de guerra com seu próprio corpo. Ele ficou fazendo os outros treinamentos que Aurora lhe ensinou durante o dia, mas, todo o resto de tempo possível, o foco estava unicamente em treinar essa técnica. Se quisesse ficar forte de verdade, precisava dominar isso.

No quarto e quinto dia, ele já conseguia sentir um pouco de evolução. Agora, ao invés de parar assim que começava a respirar em concentração total, Bakugou estava aguentando dois ou três segundos com a técnica ativa, o suficiente para fazer o que ele mais estava aguardando conseguir.

"Vamos lá, porra..." Katsuki estava com a katana em mãos, posição de combate em frente a algumas dezenas de bambus. Até mesmo Kizu estava quieta, parecia tão ansiosa quanto ele no fundo de sua mente.

Ele começou a respirar, concentração total.

Um segundo.

Bakugou pode sentir todas as veias dos seus braços e rosto saltando. Conseguiu ficar em concentração total, tem poucos segundos agora para fazer o que quer. Sem perder tempo, ele segura a katana acima da cabeça, preparando um ataque.

Dois segundos.

Ele balança a katana de cima para baixo, em um corte vertical. Sem que ele percebesse, sua marca brilhava em branco novamente. A lâmina da arma também se altera ao seu toque, um verde claro.

Três segundos.

Katsuki para de respirar em concentração total. O resultado do ataque estava na sua frente. Observe, ele esperava que o impacto do ataque fosse forte, afinal, pelo que Aurora tinha dito, a marca aumentava todos os atributos físicos a níveis sobre-humanos, principalmente ataques com armas físicas. Apesar disso, Bakugou não esperava... isso.

O bambu partiu por completo no meio de cima para baixo, junto com todos os cinco adjacentes a ele.

"C-como?" Aquilo não tinha o menor sentido, a katana era pequena demais para o tamanho desse corte... desse impacto. Katsuki olhou para sua marca novamente, percebendo o brilho. "A marca fez tudo isso?!"

—Essa marca é apelona em...

Não é pra tanto também!

Minhas antigas explosões ainda conseguiam fazer bem mais...

—E também destruiriam todo o ambiente junto!

—Ao menos a katana não destruiria nenhum prédio por acidente.

Humph... Touche.

Bakugou olhou para a katana agora, e notou a nova cor. Ele leu sobre isso no livro, a cor da lâmina muda dependendo de quem a segura. Mas verde? Sério?

"Puta merda... essa desgraça de cor realmente me amaldiçoa né?" Katsuki odeia essa coloração.

—Para de frescura! A cor é boa.

"Tão boa quanto estar doente..." Ele murmura para si mesmo, enquanto guarda a katana na bainha. Três segundos deve ser o suficiente, já estava na hora dele voltar para a casa, sua verdadeira casa.

Sem demora, Bakugou começa a se locomover no castelo infinito. Ainda não podia fazer aqueles pulos impossíveis que via outros caçadores fazendo, mas, conseguiu fazer alguns mais curtos pelo menos, e a gravidade leve do lugar ajudava com isso.

No seu quarto do castelo, ele vestiu novamente o casaco, ajustando bem as mangas. Ele iria manter a marca escondida por enquanto, quando crescesse ele inventava alguma desculpa qualquer para isso. Katsuki deu uma última checada, só para garantir que estava levando tudo que precisava. O livro estava em seu bolso, só para garantir. E a katana estava firmemente presa em seu cinto, sua mãe precisava saber com que arma ele estava treinado pelo menos, e assim ele tinha uma forma de se defender caso... algo aconteça.

Ele estava preparado, o máximo que conseguia. Aurora o mandou entrar em concentração total e imaginar para onde queria ir, e o anel faria o resto do trabalho. Bakugou vai fazer exatamente isso.

Um.

Nada.

Dois.

—Ih...

Três.

Uma porta em sua frente se abriu, igual foi com Aurora. Katsuki entra.

Notas finais
O que acharam? Próximo cap teremos mais interações com a Mitsuki e o bakusquad, então yeyyyyy. E bem, a Sakeme vai ser... importante. O que acharam dela? Como viram pelo sobrenome, ela é de uma família importante. Eu tentei o possível pra fazer o treinamento do Katsuki o melhor que pude imaginar, considerando toda a questão da audição nova dele, e do fato dele já ter um físico muito bem construído, e já ter algum bom conhecimento de luta. A Kizu. Eu sinceramente tô amando escrever essa personagem. Como deu pra perceber, fiz os nomes deles combinarem, Kizu é quase um anagrama de Katsuki, mas eu botei um z no lugar do s pra ser diferente. Tão gostando dela? E, vocês não tem ideia. Eu fiz um programa em PYTHON pra poder calcular essas datas. Obviamente, aproximei algumas coisas, mas eu tenho as datas EXATAS se precisar. Saber de programação realmente ajuda muito as vezes ksksksks. Enfim, espero que tenham gostado do cap! Mais um bem grande, como deram pra ver. To me COMPROMETENDO a deixar eles bem grandes skksksks. Tenham todos uma boa semana, e um bom dia :D.