Resonantie

7 Perfect engel van het licht - Perfeito anjo de luz


Chegamos na cidade, Sandor me levou até sua casa, e eu me escondi no porão. Algum tempo depois, ouvi alguém atender a porta. Era uma voz feminina, mas não consegui ouvir o que dizia. A porta do porão se abriu suavemente, vi uma silhueta de uma mulher na sombra que havia se formado no chão, num vestido que cobria até os joelhos, e mãos delicadas que carregavam uma bandeja. Assim que ela me olhou, senti um gelo na boca do estômago, e um arrepio que de tão intenso me fez fechar os olhos. Havia visto um incrível par de olhos verdes e profundos, cabelos longos e ondulados, da cor do pôr do sol. Ela pôs a bandeja no chão, e sentou-se ao meu lado, enquanto eu ainda estava de olhos fechados. Quando eu abri meus olhos, ela sorriu e perguntou:

- Qual o seu nome?

Aquele sorriso parecia emitir uma luz angelical, que cessava qualquer dor, qualquer angústia que alguém carregasse no fundo do coração. Então eu respondi deixando escapar um leve sorriso:

- Elliot. E quem é você?

- Eu sou Licht. Filha de Sandor, meia-irmã de Nícola.

Aquele nome... Era perfeito para ela. Então eu olhei para bandeja e notei que tinham algumas frutas e uma jarra d'água. Eu peguei uma maçã, dei uma mordida e perguntei:

- Qual a sua idade? Eu não sabia que Sandor tinha uma filha tão jovem.

- 17. E você?

- Eu tenho 17 também.

Ela sorriu, ajeitou os cabelos e fez outra pergunta:

- E de onde você é?

- Uma pequena cidade na Holanda.

- Eu conheço a Holanda. É um lugar ótimo.

- Sabe como chegar lá? Estou meio que... Perdido.

Nesse momento, ouvimos um estrondo do lado de fora do porão, e preocupados com Sandor, corremos para saber do que se tratava. Assim que Licht viu que eram soldados de Lákia, me conteve para que eu não subisse as escadas, e fechou-me dentro do porão. Fiquei bem perto da porta, tentando ouvir o que conversavam. Ouvi Licht perguntar o que estava havendo, e um dos soldados disse que estava a procura de um invasor, que entrou em Lákia como um guarda, e havia passado a noite lá e alimentado seu cavalo, e que o Rei queria puni-lo pela audácia. Licht disse que não morava com ninguém além de seu pai, e que seu meio-irmão havia acabado de falecer. Os soldados insistiram em vasculhar a casa, e Licht não permitiu, e seu pai também não. Foi quando ouvi Licht gritar, e um dos soldados dizer:

- É uma ordem do Rei!

Eu estava demasiado preocupado com Licht e Sandor que tentavam impedir que vasculhassem a casa, empunhei uma espada de ferro, e tentei abrir a porta, mas Licht havia a trancado. Então a porta se abriu violentamente, me acertando em cheio no nariz, e me derrubando escada a baixo. Eu estava desmaiado, e um dos soldados me reconheceu. Eu fui carregado até uma carruagem, e levado até Lákia, onde acordei com uma imensa dor no nariz, e nas costas, pela queda. Assim que notaram que eu havia despertado, chamaram os guardas, que me levaram até uma espécie de tribunal, onde havia o Rei e a Rainha sentados em seus tronos. O Rei ordenou que as portas se abrissem, e assim que o foi feito, milhares de pessoas entraram e ocuparam os lugares. Então, o Rei começou um discurso, sobre o que estava acontecendo:

- Habitantes de Lákia! Este homem que está a ser julgado é um grande criminoso, por cometer um crime contra o orgulho de Lákia! Um plebeu passara pelos nossos portões, e houvera atravessado uma noite em nosso solo nobre e sagrado. Além de ter matado a fome e a sede de seu cavalo.

Assim, o burburinho começou. Pessoas indignadas e apavoradas, como se eu fosse um assassino ou coisa pior. Compreendi, pois se eu entrei, qualquer um que tivesse uma armadura e uma espada entraria, principalmente porque os guardas não eram tão competentes, confiavam cegamente que ninguém jamais teria a audácia de se passar por um soldado, principalmente em Lákia. Então, o Rei cessou o burburinho e continuou seu discurso.

- Tamanha audácia e desconsideração com as ordens supremas de Lákia, deve ser paga com a vida.

Nesse instante, meu corpo todo tremeu. As pessoas estavam gritando e concordando com a minha sentença. Os soldados me carregaram até a praça pública, onde se podia ver uma guilhotina, sua lâmina brilhava intensamente, havia me lembrado do sorriso de Licht. Fui levado para lá, e quando tudo estava quase pronto para minha execução, todos os soldados a volta foram flechados, e eu ouvia tilintares de espadas no meio da multidão. Os nobres ali presentes corriam apavorados para suas casas, pois não queriam manchar suas roupas com o sangue plebeu. Passado alguns minutos, uma grande campainha soou, diferente da que eu havia ouvido na noite que passei por ali. Seria o chamado de reforço. Licht me soltou da guilhotina, fiquei muito feliz por vê-la, ela logo me pediu que eu corresse para um dos portões e preparasse dois cavalos para a nossa fuga, conseguiríamos fugir com tanta multidão a volta. Então eu preparei os cavalos, e logo Licht e Sandor chegaram e montaram, eu montei junto com Licht, e saímos dali rapidamente. Sandor estava indo para o lado contrário, apenas nos dizendo:

- Sigam em frente, eu preciso voltar por Nícola.

E assim seguimos, fiquei olhando para trás, vendo Sandor desaparecer em meio a poeira que o cavalo levantara com seus cascos na estrada de terra. Antes mesmo que nos vissem, estávamos fora de lá. Tínhamos que correr, pois quando notassem que já não estávamos mais dentro da cidade, mandariam mais soldados a nossa procura.