Resilience
30 Resiliência.
Notas iniciais
A plateia aquecida e a música ao fundo, anunciavam a chegada da apresentadora.
É o programa de maior audiência em todos os Estados Unidos e em vários países e estar nele é garantia de sucesso.
Nada melhor que dar uma entrevista no Ellen Show, para esclarecer e acabar com todos os boatos que podiam interferir no seu relacionamento com Quinn, pensa Rachel.
Ellen, um dos ícones televisivos, causou furor ao se assumir lésbica em seu seriado, lá pelo século XX. Pagando um preço caro por isso e depois se tornando a personalidade mais poderosa da TV.
Ela, mais que ninguém, saberia entender e mediar à história de Rachel e Quinn. Já que seu casamento com Portia estava perto de completar quinze anos e era respeitado e amado por seus fãs de todo o mundo.
Quando Rachel foi indicada ao prêmio, soube imediatamente que caso ganhasse, faria uma entrevista com Ellen, por isso, quando planejou pedir Quinn em casamento, imaginou que a “prestação de contas” seria ao vivo, para todo o planeta. Mas ela é Rachel Berry, tem seu amor e nada no mundo abalaria a sensação de ter finalmente a mulher que amava como sua esposa.
Sorriu ao ouvir as palavras de Ellen anunciando sua entrada:
__Tantos adjetivos para apresentar essa pessoa que me falta palavras. Vamos falar de sua carreira de sucesso, causas que apoia dicas de beleza e finalmente da pergunta que não quer calar, quem é Lucy?
__Senhoras e senhores, com vocês, a pequena dama, com o maior coração e as pernas mais bonitas do mundo do entretenimento, Rachel Berry!
Ela entra dançando ao som da sua canção de maior sucesso This Time.
This time no one's gonna say goodbye
I keep you in this heart of mine
This time I know it's never over
No matter who or what I am
I'll carry where we all began
This time that we had, I will hold forever
A plateia vai ao delírio, ovacionando de pé a diva por vários minutos, algo que nunca havia acontecido na Ellen.
Ellen a conduz de forma elegante para a poltrona e senta-se ao lado. Continua segurando a mão de Rachel, transmitindo segurança e tranquilidade.
__Meu Deus, Portia, morra de inveja, estou segurando a mão de Rachel, diz uma Ellen com olhar maroto, arrancando risadas da plateia e um sorriso tímido da pequena diva. O bastante para ela relaxar.
__Você quer beber algo Rachel, um chá ou um suco verde, temos aqui os melhores produtos vegans do mundo, tudo que uma estrela de primeira grandeza como você merece.
A menina, ainda está intimidada, essa é a grande Ellen, mas a apresentadora é tão agradável que é impossível não sorrir.
__Obrigada Ellen, aceito um pouco de chá de camomila, afinal estou com uma lenda mundial do entretenimento, é quase impossível não ficar nervosa. E quanto a Portia, me sinto lisonjeada, ela é uma grande atriz e uma bela mulher, não é por acaso que vocês estão juntas até hoje, fazendo um lindo casal. Diz a menina, desarmando a apresentadora por um instante e provocando um grito fofo da plateia.
Ellen é avisada por um dos seus produtores que os níveis de audiência estão altos, e resolve fazer um breve intervalo, precisa deixar seus patrocinadores felizes.
__Agora faremos um breve intervalo e na volta, Rachel conta tudo sobre carreira, família e sucesso, temos muito que conversar e tenho certeza que a plateia também está louca para fazer perguntas. Fora as surpresas que iram acontecer ao longo do programa, não deixem de assistir.
O Programa sai do ar e imediatamente Ellen pergunta se a menina está bem e confortável.
Rachel lança um sorriso e diz:
__Sou uma resiliente, posso balançar dobrar, mas não quebro. Só é uma grande responsabilidade falar para milhões de pessoas, contar minha história e de Lucy... Mas ela é o amor da minha vida, se conseguir ajudar outros com nossa história, tudo terá validade, fala a menina, suspirando em seguida.
Ellen olha a menina que poderia ser sua filha e fica orgulhosa por ter sido pioneira, numa época tão difícil. Seu exemplo ajudou a dar coragem para outras pessoas, como Rachel. Deu um abraço apertado na menina e falou ao seu ouvido.
__Divirta-se e aproveita Rachel. Felicidade é contagiante e muda posturas, faremos a entrevista no seu ritmo, com calma e principalmente respeito, pense na pessoa que espera você depois daqui, na sua família, nos seus amigos mais uma vez, quem você ama irá precisar da sua força e determinação.
A menina compreende e instantaneamente relaxa, deixando a profissional assumir e fazer o show.
__Obrigada Ellen, estou preparada, podemos prosseguir com o show.
O programa recomeça e Ellen diz:
__Voltamos com a estrela mais quente da atualidade do show business, Rachel Berry.
A loira sem dar tempo, lança uma pergunta.
__Ouvi dizer que você foi concebida para ser uma estrela, desde a fecundação. Não tinha como não ser, sua mãe é maravilhosa, com uma voz inesquecível. Eu e Portia vimos o musical em que ela também ganhou o Tony. Por sinal merecido, para quem não sabe, Rachel é filha da atriz Shelby Corcoran...
Quatro anos atrás...
__Mas mãe chegou a hora de você voltar aos palcos. O mundo merece ouvir sua voz, Beth precisa ver você atuar e tenho o musical perfeito para isso. Diz a menina com olhos de cachorro pidão, o que deixa a força de vontade da morena mais velha, ainda mais fraca.
__Já conversei com a Cassie e ela topou deixar de ser minha agente por um tempo e passar a bola para Santana, enquanto dirige você. E Beth pode ficar comigo e Quinn, enquanto você se dedica ao papel, diz que sim, por favor, Shel?
Ela sabia que estava perdida, assim que a filha começou a falar. Sua vida finalmente tinha entrado nos eixos, depois do pesadelo de quase perder Rachel. Morava com a mulher que amava e cada dia as duas estavam mais apaixonadas. Suas filhas estavam felizes e ela pensava em aumentar a família, o que mais poderia esperar da vida? Finalmente o passado tinha ficado para trás, sua família grande e disfuncional, funcionava.
Em seis meses, ela estreou o musical If/Then, onde protagonizava um pequeno dueto com a filha, mas Rachel tinha deixado claro, que o musical era dela. Só fazia uma pequena participação, por não querer perder a oportunidade de fazer um dueto com a mãe. Na época, muito se especulou sobre a semelhança das duas, mas elas não confirmaram e nem negaram o fato.
O musical ganhou o Tony de melhor peça, melhor diretor, consagrando uma jovem promessa, Cassandra July, melhor figurino para Kurt e finalmente melhor atriz para sua mãe.
E ali, criou-se uma dinastia poderosa na Broadway.
Cassandra foi responsável por dirigir o musical que deu a ela o segundo Tony. A história foi escrita por Quinn e se chamou Resiliência. Depois o roteiro foi comprado por Hollywood, se tornando o filme que levou a judia ao seu primeiro Oscar...
Rachel voltou ao presente, quando a mão da apresentadora, tocou a sua.
__E agora, uma surpresa para você, dê uma olhada ali na tela Rachel.
A menina vê aparecer na tela sua mãe, linda poderosa. Em seguida, ela ouve as palavras, não segurando as lágrimas que caem.
__Podia falar várias coisas sobre minha filha, mas a principal é dizer que ela salvou minha vida de todas as maneiras possíveis. Que o seu dom do perdão e coração generoso, nos fazem repensar atitudes. Minha vida começou quando decidi num ato de amor, concebê-la para seus pais. Desde então, vivemos uma grande aventura, onde aprendo a cada dia com você. Amo-te e tem outras pessoas que querem dizer o mesmo para você, diz Shelby, puxando duas crianças e sua esposa.
Na tela, aparece Nina e Tito, irmãos gêmeos de quatro anos, adotados por Shelby e Cassandra a cerca de dois anos.
__Rach, mama Shel e mama Cass disseram que você, Beth e Q estão vindo à nossa casa, amos vocês e queremos que cante nossa música.
A judia tem um sorriso brilhante no rosto, tudo que faz é enxugar as lágrimas, que se misturam com seu sorriso.
Uma Cassie imensamente grávida aparece e diz.
__Minha aluna mais teimosa e mais talentosa, você me deu o mais importante na vida, a felicidade. Eu, uma pessoa amarga, descrente. Aprendi com você que perdoar sempre é possível e que a vida é feita de recomeços. Tenho muito orgulho de chamá-la de amiga. Meus filhos, seus irmãos, tem a sorte de ter um exemplo, a ser seguido.
A loira está emocionada e Ellen acha por bem terminar o link.
__Não sei se chego até o fim do programa, diz uma Rachel emocionada. Ellen pisca para ela, falando.
__Calma, agora vem à parte vergonha alheia, diz a loira rindo.
No telão, aparece Rachel pequena, criança, em sua linda roupa de balé, competindo e ganhando prêmios.
__Quando você ganhou seu primeiro concurso, diz Ellen surpresa.
Rachel com vergonha responde.
__Eu tinha dois anos...
A plateia não acredita e uma exclamação se faz ouvir e na tela aparecem Hiram e Leroy Berry.
__Rachel sempre foi precoce, falou aos noves meses e nunca mais parou, diz o pai da estrelinha.
__Eu e Leroy ficávamos preocupados por essa ânsia de cantar e sorver a vida, mas se alguém pode fazer isso e administrar, é Rachel. Ela foi e é nosso orgulho e maior presente, somos eternamente gratos, por Shelby nos proporcionar a honra de sermos pais de uma estrela. Por isso, estimulamos e incentivamos suas potencialidades.
Hiram fica emotivo, sendo substituído por Leroy, no ato de falar.
__E quando tudo ficou difícil, ela nos protegeu da crueldade das pessoas, calando e escondendo todo bullying que sofreu na escola. Temos sorte de sermos seus pais. E agradecemos todos os dias da nossa vida por isso.
Na tela, aparecem imagens e vídeos de uma pequena Rachel Berry, sempre com o sorriso no rosto e ao lado de seus pais..
Ellen também está emocionada, e pergunta a menina.
__Seus pais são pioneiros. Em uma época em que ser gay, era condenável, como foi para você crescer com esse estigma? E teve medo de assumir sua sexualidade por isso?
A judia respira fundo, lembrando-se de todas as humilhações que sofreu todos os xingamentos e palavras de ódio que precisou escutar na vida. Lembrava-se dos anos de terapia que foi preciso fazer, mas isso a fez forte. Era uma parte de quem ela se tornou e tudo se resumia a uma única palavra.
__Eu sobrevivi!
__E quando era difícil, pensava em meus pais e em todo amor que foram capazes de oferecer. Sempre acreditei que sexualidade era fluida. Tanto que na juventude, neguei quem eu era, me envolvendo em relações onde anulava minha personalidade, em benefício do outro. Foram anos de terapia, até entender, que eu era quem era e que sempre amei Lucy, por toda minha vida.
Quando a plateia ouve essa exclamação, um burburinho se faz ouvir. Controlado por Ellen imediatamente.
__Calma, senhoras e senhores, daqui a pouco abriremos o microfone para perguntas, mas antes, preciso perguntar algo muito importante para Rachel.
Como você era na escola? Soube que seus melhores amigos e estrelas, são desse tempo.
Rachel da uma risada e diz:
__Eu era uma diva completa, rsrs.
Com isso, faz a plateia cair na risada.
__Meus melhores amigos são dessa época, meu amor é dessa época. Crescemos enquanto pessoas e hoje eles fazem parte da minha vida, de uma maneira ou de outra, gosto de manter os amigos sempre perto.
Ellen solta uma risada, e diz:
__Sabemos disso, já que recebemos um monte de vídeos deles.
A judia fica envergonhada, não sabe o que os insanos dos amigos vão dizer.
Na tela, aparecem todos reunidos. Rachel tocou a vida de cada um de uma maneira ou de outra.
A primeira que aparece é Mercedes. Se em Glee tinham uma relação de competição, com o tempo se tornaram boas amigas. Sendo Rachel e Quinn madrinhas em seu casamento com Sam.
A diva negra, solta a voz para falar da amiga.
__Quando éramos adolescentes, competíamos por tudo. Sempre havia motivo para um duelo diva. Mas, quando Rachel veio morar em New York e consolidou sua carreira, estendeu a mão e me fez realizar meus sonhos. Ela é assim, um coração de ouro e uma generosidade impar.
A diva negra está emocionada, não consegue mais falar, e passa a palavra para Sam.
__Por um tempo achei que estava gamado por Rachel, mas ela com toda paciência do mundo, me fez ver que meu amor de verdade é Mercedes. Hoje, tenho uma banda e sou agenciado pela produtora de Rachel.
E aos poucos, cada um vai dizendo a importância de Rachel em sua vida.
Tina, casada com Artie, trabalha junto com o menino cadeirante em filmes, produzidos pela baixinha, que montou uma produtora para gerenciar seus vários interesses.
Mike e Britt são agenciados pela produtora de Rachel, que tem como figura de destaque Santana.
A latina descobriu sua vocação com Cassie. Adorava manipular e conseguir contratos interessantes para quem representava. Jogava como gente grande e seu instinto e dedicação, fizeram dela um nome respeitado no mercado. Ela decidia sobre a carreira da diva judia, como total aprovação de Rachel e Quinn.
Sete anos antes.
Depois que Rachel acordou no hospital, muita coisa mudou.
Superado os três dias que a Dra Yang deu como crítico, a pequena diva, começou lentamente a se recuperar.
Quinn não saiu do seu lado em nenhum instante, era uma briga entre ela, Santana, Cassie e Shelby para ver quem cuidava da menina.
Os pais de Rachel, só sorriam de toda situação e no hospital, a menina ganhou fama de paqueradora.
Quando ao atirador, não se descobriu quem era por quase dois anos.
E apesar dos esforços da polícia, nada era esclarecido.
Rachel foi morar com Shelby, até sua total recuperação, agradando a mãe e a irmã.
Esse arranjo não agradou a latina e nem Kurt, que queriam cuidar da amiga. Quinn, não reclamava, ainda estava em Yale e ter Rachel e Beth no mesmo lugar, era uma dádiva.
Puck, após a saída de Quinn do armário, decidiu ser feliz, sem se preocupar em ser ou não o pai. Aos poucos, passou a conviver com a filha Beth, que gostava do pai militar.
Na base, ele reencontrou seu grande amor Lauren Zizes, que ensinava técnicas, de luta grego-romana para os militares. E desde então, não se separaram mais. Puck saiu da aeronáutica e juntos montaram uma agência de detetives, se envolvendo com os mais loucos casos.
Beth amava os dois, visitando sempre que podia Los Angeles, para vê-los.
Blaine e Kurt estavam casados. E depois que Quinn, Santana e Rachel tiveram uma conversa com o menino de gel, ele nunca mais sequer pensou em trair Kurt.
Blaine era agenciado pela produtora da diva e se caso tivesse algum comportamento inadequado, nunca mais trabalharia na Broadway, Santana faria isso de boa vontade.
Kurt transitava entre o mundo da moda e do canto. Atualmente estava num reality de sucesso que alcançava índices enormes de audiência, chamado Um gay em New York, onde dava dicas de o que fazer, como se vestir, o que ver. É amado pelas senhoras de casa e tem admiradores que deixam Blaine cheio de ciúmes.
Brittany resolveu largar o Mit e mudar para New York, foi viver com Santana e Kurt, não deixaria sua latina escapar. Sua vida era a dança e por mais que amasse resolver problemas complexos e criar máquinas, seu corpo flexível precisava da dança para viver.
Foi difícil reconquistar sua latina, ela precisou de muita paciência e carinho. Uma conversa entre Rachel e Santana, mudou o rumo da história, criando espaço para loira entrar novamente.
Passado um mês que Rachel levou o tiro, Santana armou-se de coragem e foi falar com a judia, como tinha prometido no hospital.
A pequena menina, ainda estava distante da cor saudável que possuía e o coração da latina apertava ao pensar que poderia ter perdido a diva.
__Rach, preciso falar o que atormenta minha alma. Fiz a promessa de falar contigo e agora vou cumprir, por mais difícil que seja...
__Eu te amo! Diz a menina com os olhos cheios d’água.
__Sempre amei, mas fui covarde e burra e por isso descontei toda minha frustração e covardia cometendo bullying e sou amargamente arrependida disso. Se pudesse voltar atrás, poderia mostrar que sou uma pessoa digna de ser amada por você, diz a latina em lágrimas.
A jovem judia, pensa bem antes de falar e quando começa, segura as mãos da latina e olhando dentro dos seus olhos diz:
__Fico muito honrada por isso San, confesso que se você tivesse sido essa pessoa incrível na adolescência, não sei se ainda estaria esperando por Quinn. A grande questão é que sempre fui apaixonada por ela, cai de amor por aquela menina aos seis anos e de lá pra cá, nada mudou. Ela é quem faz valer a pena viver, infelizmente Santana, não posso mudar isso, mas posso dar um conselho para você. Diz a menina, com o olhar triste.
__Britt te ama e no fundo, também sei que você a ama. Não deixe ela escapar por um amor platônico e impossível, você merece ser feliz. Deixe ela reconquistar seu amor, abra seu coração para ela, sei que vai valer a pena e você será feliz, assim como sou com Quinn.
A latina está devastada, já imaginava essa resposta, mas mesmo assim, ainda dói.
__E eu que sempre tive todos, não consigo quem eu realmente quero, é cruel essa vida, diz a latina, num fiapo de voz.
__Acho bom Quinn merecer esse amor, porque senão, ela vai se ver comigo Rachel. Vou pra casa curar minhas feridas e com o tempo, poderemos voltar com nossa amizade, agora só preciso de espaço.
E a latina cumpriu sua promessa, aproveitou o tempo da recuperação de Rachel para lamber suas feridas e se afastar da jovem diva. Com Britt vivendo no seu apartamento, a relação se intensificou, mas pela primeira vez a relação das duas, não foi baseada em sexo.
Britt seduzia Santana com pequenos gestos, jantares, piqueniques, tudo assessorada pela amiga Rachel, que ajudava a amiga, no que podia. E com o tempo, San caiu de amores novamente pela loira alta.
E quando finalmente tiveram sua noite de amor, não se largaram mais.
Um ano depois estavam casadas, San não deixaria sua loira solta para qualquer um. Já que a menina sempre estava em turnê com grandes astros da música. E quando a relação mais uma vez entrou em colapso, a interferência providencial de Rachel, salvou o casal. Britt agora era a coreografa oficial de Rachel e seus shows.
Fez tanto sucesso que passou a receber propostas de outros musicais e com isso, Mike foi chamado. Todos agenciados pela produtora de Rachel.
A pequena menina cuidava assim de cada amigo seu.
Ela se perdeu em suas lembranças e esqueceu completamente que estava ali, no programa de maior audiência da TV.
Na tela, aparece a figura de Will Schuester, agradecendo o apoio e a dedicação de Rachel para o Glee Club.
A menina está envergonhada, não gostaria que divulgassem suas contribuições, não é necessário, pensava a judia.
Ellen está impressionada com tudo que falam sobre Rachel e pergunta.
__Quanto você pagou pra falarem bem de você Rachel? Arrancando uma onda de gargalhadas de sua plateia.
A menina, diz tímida.
__Nada, eles só são meus amigos da vida inteira.
Ellen insiste.
__Rachel você ganhou o prêmio do 33th Annual GLAAD Media Awards, não foi por nada. Eu sei que faz altas contribuições em apoio aos jovens LGBTTs, além da militância na Peta, nem adianta negar. Já que você e Portia tem isso em comum.
A menina da um sorriso envergonhado e diz.
__Eu faço o que é preciso ser feito, quando vou doar, recebo mais que mereço. Eu e Lucy priorizamos essas ações em nossa vida. Passamos por momentos difíceis e se não fosse o apoio dos amigos e da família, não teria sido nada fácil. Agora é nosso dever devolver tudo que nos ofertaram.
A plateia aplaude enlouquecida a pequena judia. Ela os tem na palma da mão.
__Antes de falar finalmente de Lucy, já que você tocou no assunto momentos difíceis. Sei que a cerca de sete anos atrás, você levou um tiro, gostaria que falasse a respeito.
A menina respira lentamente, controlando a ansiedade e faz sua narração.
__Aquele tiro não era para acertar em mim, mas sim na minha mãe.
Ellen demonstra surpresa, mas nada diz, deixando a menina falar.
__Resilience e musical e o filme é baseado na história da minha mãe, em minha própria história e na história de Lucy. O grande vilão de resilience é a intolerância, homofobia e o preconceito.
__Aquele tiro, foi dado pelo irmão mais velho da minha mãe, o mesmo que entregou sua namorada na época, para meu avô, um pastor cruel e intolerante.
__Por muito tempo Shelby fugiu deles e até abriu mão de conviver comigo para isso, mas não adiantou nada. Segundo o depoimento prestado por meu “tio”,Shelby merecia morrer, porque era uma pecadora e tinha destruído a família. Rachel suspira ao terminar a história.
Ellen aproveita para pedir o comercial, enquanto providência um copo de água para menina.
__É um absurdo que isso ainda aconteça Rachel. Agora entendo sua total dedicação às causas LGBTTs. Ninguém merece passar por isso, diz uma Ellen indignada.
A menina balança a cabeça concordando e diz.
__Lucy e eu, também tivemos nossa cota de barbaridades, o pai e a mãe de Lucy são católicos conservadores e fizeram da nossa vida um inferno por bastante tempo. Até Lucy estar confortável com sua sexualidade, demorou muito. E ela retalhava fazendo bullying comigo. Mas, esse tempo acabou, agora pertencemos uma a outra, diz Rachel sorrindo.
Ellen pega novamente na mão da judia e pergunta se ela está confortável para falar de Lucy, a menina diz que sim.
__Voltamos com o programa e depois de conhecer a trajetória surpreendente de Rachel Berry, finalmente faremos a pergunta que milhões de pessoas se fazem, quem é Lucy?
A menina sorri e diz.
__Lucy é o amor da minha vida. Estou apaixonada por ela desde os seis anos. Passamos por muita coisa e estou muito feliz que ela aceitou meu pedido de casamento. Fala a menina com um sorriso de mil watts.
Na plateia se ouve aplausos tímidos e depois mais vigorosos, saudando e celebrando amor.
__Não pense que vai escapar assim Rachel, sabemos que Lucy é uma figura importante na indústria, você mesmo disse que ela escreveu resilience e por ele levou um Oscar, mas lembro de que você a representou no dia...
__Sim, eu fiz. Ela é tímida, não gosta de ter sua privacidade invadida, fala Rachel pra Ellen.
A loira da um sorriso maquiavélico e diz para menina e plateia.
__Mas não essa noite, veja quem deixou um depoimento para você.
E na tela, aparece alguém, que Rachel duvidava fazer isso um dia, Lucy Quinn Fabray.
Ela está na penumbra, seu rosto não aparece só sua voz altamente sexy.
__Rachel Berry é o amor da minha vida, levei muito tempo para tomar coragem e admitir isso. Ela e nossa filha são os meus tesouros mais importantes e por ela sou capaz de até aparecer num programa de televisão e dizer que minha vida não teria o menor sentido sem você, tenho muito orgulho de ser sua companheira e da nossa relação.
A morena chora, sendo consolada por Ellen e nem repara que sua loira, mostra-se gloriosamente, saindo do armário, uma brincadeira da Ellen.
A loira aproveita e não perde a piada.
__Literalmente tirei Quinn Fabray do armário.
A loira arqueia a sobrancelha, num gesto característico Fabray. O que encanta Ellen, que tenta, mas não consegue. Sendo consolada por Rachel que diz:
__Nem tente, é algo Fabray. Apenas ela, Beth e sua irmã Frannie conseguem...
Ellen tenta um pouco mais, desistindo em seguida.
__Minha primeira pergunta para você é, porque Lucy?
As duas meninas se olham e trocam um sorriso.
__Conheci Lucy aos seis anos, mas quando seu pai descobriu que eu tinha dois pais, ele fez um escândalo, causando um trauma superado só com terapia. Não lembrava que Quinn era minha Lucy e depois que lembrei, ficou algo nosso. Quinn Fabray é um nome de sucesso, mas em casa, ela é somente Lucy, minha Lucy, fala a menina com um sorriso brilhante e amoroso.
Ellen comenta.
__Entendi! Agora vamos a Quinn Fabray, ganhadora de um Oscar com Resilience. Autora de sucesso, além de diretora de vários documentários premiados e respeitados no mundo inteiro. Eu tenho aqui o novo casal poder do show business, diz Ellen com reverência.
Quinn solta uma risada melodiosa e diz.
__Somos apenas duas garotas que cresceram juntas e se amam loucamente, você e Portia, são um casal de sucesso. Tudo que queremos é sermos repeitadas e mostrar que histórias de amor podem dar certo. Amor é amor, não importa a cor, o sexo ou a posição social. Diz Quinn.
__Demorei muito tempo para aceitar, devido a minha criação cheia de preconceitos e hipocrisia. Se não fosse por Rachel, ainda viveria uma vida de mentiras e falsidade.
Ellen aplaude a loira e diz.
__Você fala da sua família, como eles estão com sua sexualidade hoje.
A loira sorri e diz.
__Minha família consiste na minha irmã Frannie, ela mostrou-se uma grande pessoa, é o apoio que preciso. Minha mãe e meu pai, não falam comigo, uma pena, porque deixam de participar da vida da neta e perdem a chance de recomeçar.
Ellen sorri, quando a loira fala sobre a filha.
__Eu soube que Beth é muito parecida com você, isso é verdade?
As meninas sorriem, trocando um olhar e Quinn responde.
__Beth tem minha aparência e a personalidade de Rachel. Nossos amigos brincam que misturamos o DNA, fala a loira dando uma risada. Além de ser completamente apaixonada por Rach, a competição é dura, diz a loira orgulhosa.
Rachel diz orgulhosa.
__Ela canta como um anjo, será uma estrela, tem talento para isso, diz a “mãedrasta” orgulhosa.
O programa estava com o tempo estourado e Ellen faz a pergunta final.
__O que vocês esperam para o futuro?
Quinn e Rachel trocam um olhar repleto de amor e ternura e Rachel fala, sendo completada por Quinn.
__Tudo que quero, já tenho, agora é casar com essa loira e ser feliz. Estar com os amigos, viver em família e retribuir com amor, todo ódio que ainda possa existir.
Quinn sorri sua judia é muito especial.
__Com Rachel aprendi que é possível perdoar e recomeçar, e que somos o resultado daquilo que passamos, é preciso ser resiliente, criar casca e não desistir.
Os creditos sobem e Ellen diz:
__Senhoras e senhores, com você o casal Faberry. Guardem o nome, vão ainda ouvir falar muito deles.
Resiliência
A vida por vezes me bateu. Quis dela, mais do que poderia me oferecer. E quis de mim, mais do que poderia ser. Houve dias de desespero. Houve noites de sol. Houve vazio na alma. Compreendi algumas coisas, outras ainda não. Respondi algumas perguntas. Não tive respostas para outras tantas. Fugaz, foram os meus dias. Nas decepções, encontrei a rudeza do cotidiano. Na descoberta, a resiliência da minha alma. Tornei-me descobridor de mim mesmo. Dos meus caminhos, e de minha lucidez. Das minhas fraquezas, e de minha eterna força. Deparei com os meus limites, e minha sensatez. Descobri que não poderia ser além do que eu era. Encontrei os meus limites. Adaptei ao meu tamanho. “sem abandonar o sonho” E a vida que por vezes me abandonou. Fez de mim o que sou. Nem mais, nem menos, me fez assim... Ari Mota
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