Resident Evil: Revelations
3 Guns And Roses
CAPÍTULO 2 – GUNS AND ROSES
[...]
Embarcamos no helicóptero. Enquanto sobrevoávamos, meu olhar se perdia na paisagem lá fora, imaginando o que estava acontecendo em Raccoon City. Já estava anoitecendo e o cenário estava lindo lá de cima. Percebi que Leon estava aéreo que nem eu. Também pudera, com uma notícia daquelas dada pelo Presidente dos Estados Unidos, qualquer um ficaria angustiado. Fizemos um bom vôo, apesar de não estarmos tão confortáveis e tranquilos com a situação. Pousamos.
_ Estão entregues. Quando precisarem de nós de novo, chamem pelo rádio e vamos levá-los de volta! – o piloto avisou.
_ Ok! – Leon respondeu.
O piloto deu a partida e o helicóptero ganhou o céu. O lugar estava deserto, o que era de se estranhar. Nenhum tipo de segurança do lado de fora ou movimentação. O portão de ferro estava aberto, como se alguém tivesse saído com pressa e esqueceu-se de fechar o mesmo. Varri o local com os olhos e uma sensação estranha tomou conta de meu estômago. Algo me dizia que o negócio era realmente sério.
_ Isso não é bom! – exclamei.
_ Realmente... Tá muito quieto – olhou ao redor.
_ Quieto demais. Tem alguma coisa errada aqui, Leon. Eu to com um mau pressentimento...
_ Espero que esteja enganada... Bom, como vamos entrar afinal?!
_ Eu tenho um cartão de acesso que meu pai me deu anos atrás.
_ Ótimo! Vamos lá então.
Adentramos na sede. Primeiro andar sem nenhuma viva alma.
_ Ah, não to gostando disso...
_ Entre pro clube! – Leon ergueu as sobrancelhas.
_ Tenho que achar meu pai.
_ Primeiro temos que descobrir o que aconteceu aqui.
_ Sim, claro, mas se acharmos meu pai, ele vai saber o que houve.
_ Certo.
_ Ele fica no último andar... – entramos no elevador – Espero que ele esteja bem.
Alguns segundos até chegarmos ao último andar. A porta se abriu revelando vários corpos caídos no chão.
_ Meu Deus... – havia um homem de jaleco no chão corredor, o examinei – Ah, não é ele! – suspirei aliviada – Mas olha só o estado da pele dele, parece que está em decomposição... – Leon apertou os olhos.
Continuamos andando. Leon estava logo atrás de mim. Ouvi um barulho, quando me virei de costas, o homem de jaleco estava agarrado à perna de Leon. Chutei a cabeça do homem que imediatamente soltou Leon. Aos poucos ele se levantou e veio em nossa direção com os braços erguidos, como se quisesse nos agarrar. Ele andava cambaleando lentamente, seus olhos eram de uma cor estranha, quase brancos e sua boca estava coberta de sangue. Empunhei minha arma.
_ Afaste-se! Não chegue mais perto! – avisou Leon.
O homem pareceu não escutar, e continuou a se aproximar. Ele partiu pra cima de Leon o agarrando novamente. Meus reflexos foram rápidos e não falharam, acertei um tiro na cabeça do desgraçado. Ele estava estrangulando Leon, não poderia ficar ali parada e ver meu amigo e parceiro morrer desse jeito. Conheci Leon quando entrei pra academia de polícia, nos demos bem logo de cara e desde aquele dia nos tornamos grandes amigos. Essa era nossa primeira missão juntos, como parceiros.
_ Na mosca... Valeu! Esse filho da mãe tava atracado em mim – passou a mão envolta do pescoço.
_ É, eu vi!
_ Te devo uma.
_ Tá legal... Acho que era disso que o presidente tava falando, o que aconteceu com ele? Agora acho que a culpa disso é mesmo do composto que meu pai tava elaborando. Eu já vi como isso fez efeito em animais... Mas ele não faria isso, aplicar em humanos, nos próprios colegas! Não, isso não.
_ Acha que acabamos com ele? – se referindo ao homem estatelado no chão.
_ Espero, não queremos mais nenhuma surpresa com esse daí...
_ Eu que o diga! Senão, o próximo a botar uma bala na cabeça dele sou eu!
_ Vamos andando, a sala do meu pai ta perto... – demos alguns passos.
_ Ouviu isso? – Leon segurou meu braço. Estanquei abruptamente. Som de vozes, grunhidos.
_ O que é isso? – passos atrás de nós. Nos viramos. Eram as pessoas que vimos caídas quando saímos do elevador – Santo Deus! Isso tá mesmo acontecendo?
_ Parece que sim... Temos que atirar, não podemos hesitar. Você viu o que aquele doido ia fazer comigo...
_ Estão totalmente fora de si...
_ São eles ou nós.
_ Entendido! – alvejamos os alvos e percebemos que eles caíam mais rápido com tiros e golpes na cabeça. Era seu ponto fraco – São como... ZUMBIS! Vírus, canibalismo, tiros na cabeça, decomposição... Tudo o que víamos nos filmes está se tornando realidade – estava atônita.
_ Definitivamente são zumbis! – afirmou assustado.
_ Céus... E saber que meu pai contribuiu pra criar zumbis... ZUMBIS! Monstros...
_ Não foi a intenção dele, você sabe disso muito bem. Ele só tava fazendo seu trabalho, só queria ajudar – Leon pousou a mão em meu ombro, no intuito de me confortar.
_ Eu sei...
_ Além do mais, não foi ele que infectou os outros, tenho certeza disso.
_ Sim, mas... Na melhor das hipóteses se ele estiver vivo, vão o acusar de ter culpa no cartório... Vão prender ele e...
_ Calma, calma... – ele me abraçou – Vamos achar seu pai, ok?!
_ Okay! – caminhamos um pouco até achar o local – Essa é a sala dele – passei o cartão na leitora. “Entrada autorizada. Bem-vindo Dr. Lewis”, uma voz feminina computadorizada anunciou – Pai! Sou eu, Verônica! – ele estava caído ao lado da mesa de experimentos – Pai! Você está bem? Pai! – o virei e notei que havia mudanças em sua aparência. Como os zumbis que havíamos encontrado anteriormente – Tá me ouvindo? Pai! Droga! – o sacudi na esperança de ele acordar. Em vão – Não... Não pode ser... – fiz uma pausa, fechei os olhos – Ele é um deles... – uma lágrima percorreu meu rosto. Um aperto no coração.
_ Você está bem? – Leon perguntou preocupado.
_ O que você acha? – respondi um pouco áspera – Desculpa...
_ Tudo bem...
_ Eu não... Ah, que droga, pai! – relutava em acreditar no que estava diante de meus olhos. Abraçava meu pai como nunca havia abraçado. Que sentimento horrível – Não to acreditando nisso.
_ Calma, talvez nós possamos encontrar uma cura...
_ Não... Não existe uma cura, Leon! E mesmo que exista, onde estaria? É impossível. Perdi meu pai... Essa é a única coisa de que eu tenho certeza – a expressão de Leon entristeceu – Me diga que estou ouvindo coisas! – um som veio do corpo de meu pai.
_ Detesto te decepcionar...
_ Merda! – deixei o corpo no chão e me posicionei ao lado de Leon. Minha respiração estava ofegante. Não sei se conseguiria agüentar a barra de ver meu próprio pai daquele jeito.
_ Quer que eu faça?
_ Não... Pode deixar...
A coisa que não era mais meu pai se levantou, vindo em nossa direção. Hesitei. Leon olhou para mim como se dissesse “O que você está fazendo?!”. Mirei e fechei os olhos, puxei o gatilho. Abri os olhos e jazia no chão o corpo de meu amado pai com um tiro na cabeça, o sangue se espalhou e mais lágrimas caíram de meus olhos. A rosa branca que ele deixava em um longo vaso de vidro em cima de sua mesa, agora estava ensangüentada. A rosa que ele dizia lembrar-se de mim quando via.
_ Rosas...?!
_ Ele dizia que essa rosa era como se fosse eu... Por isso ele fazia questão de sempre ter uma por perto. Porque era a mais pura de todas, a mais sensível, de perfume mais suave... E branquela, que nem eu! – dei um sorriso choroso – Os pais sempre nos vêem como crianças! – sorri.
_ É verdade. Você está melhor? – balancei a cabeça positivamente – Que bom! – ele deu alguns passos – Esse era o computador dele?
_ Sim.
_ Hum... Pede senha, consegue entrar?
_ Claro. Pronto! O que você tem em mente?
_ Sei lá, de repente tem algo aqui que possa nos ajudar...
_ É. Ele sempre gravava vídeos dos experimentos, documentava tudo. Aqui, são os vídeos da experiência que procuramos.
“Aqui é o Dr. Logan Lewis. O experimento que nominei de T-vírus deu errado, por isso o isolei. No entanto, meu colega Dr. William Birkin pensa que este vírus pode ser uma forma de melhoramento genético quando aplicado em humanos, eu discordo totalmente. Acredito que meu colega esteja sendo influenciado por alguém, uma vez que, o mesmo concordava em isolar o composto, dias atrás. Ou ele simplesmente pode ter mudado de idéia, mas o que o faria tomar certa atitude?! Se o T-vírus cair em mãos erradas será catastrófico. Por isso irei esconder os frascos em outro lugar amanhã. Enquanto a cura... Bom, segundo meus cálculos, uma cura poderá ser feita, porém será preciso o vírus e seu antígeno, que no caso seria o sangue de uma pessoa imune ao mesmo. O que não seria fácil de encontrar. Ainda bem que não fizemos os testes em humanos, isso é o que me conforta. Seria uma missão e tanto encontrar alguém com os anticorpos. Porém, o que realmente está me preocupando é o Dr. Birkin, temo que ele possa pôr todo nosso trabalho em risco... Acho que devo avisar Albert de minhas suspeitas... Dr. Logan Lewis, desligando.”
_ Dr. Birkin... Será?!
_ É bem possível... Pelo o que seu pai disse nesse vídeo...
_ Pois é, mas é difícil de acreditar... Por que razão ele faria isso?! Isso tá estranho, tem alguma coisa por trás dos panos...
_ Também acho. Mas e esse Albert que ele mencionou?
_ Wesker, Albert Wesker, o novo maioral da Umbrella Corp. O que também me intriga, se meu pai o avisou, ele não deve ter feito nada a respeito... Ele também é suspeito.
_ Tantas perguntas e poucas respostas – Leon se debruçou na mesa.
_ Nem me fale... Vamos descobrir o que aconteceu, agora virou pessoal! Eu devo isso a meu pai... E ao mundo!
_ Nós devemos! – Leon sorriu confiante, o que me encorajou.
Pedi a Leon que me ajudasse a enterrar meu pai nos fundos da empresa, com a dignidade que ele merecia. Depois voltamos a nossa missão, iríamos descobrir quem havia causado tudo aquilo de uma vez por todas.
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