Reparo. {hiatus}
37 36. Morsmordre.
Notas iniciais

• Morsmordre.
Encantamento usado para conjurar a Marca Negra.
| 36 |
Tom Riddle era um enigma difícil de resolver, e Hermione sabia que não podia confiar totalmente nele, ela percebia isso por que uma calmaria como a que estava vivendo em seu relacionamento com ele só poderia ser sinal de um forte desastre que poderia vir a acontecer mais tarde.
Lembrava-se de quando estavam comemorando o Natal juntos como prometido, no lugar que ela menos esperava estar numa ocasião como aquela, ainda mais com Thomas.
Um café trouxa, na Londres trouxa.
Um café trouxa que ele mesmo a levou para.
Era uma passo grande demais para um homem que discursava fervorosamente sobre como os trouxas eram inferiores há algumas semanas.
Como Hermione poderia não desconfiar?
— Eu devo me sentir ofendido com o seu silêncio?
Hermione pegou a xícara com as duas mãos na tentativa de aquecer seus dedos frios, o o olhou por debaixo dos cílios.
— Ainda estou tendo problemas para saber como lidar com a sua atitude pouco convencional. — ela colocou a xícara em cima da mesa que os separavam.
— Oh? — ele exclama baixo e suave. — O café deste lugar é surpreendente bom, vim aqui um par de vezes.
— Um café trouxa. — ela provocou, sorrindo.
— Não havia outras opções, eu trabalhei numa loja há algumas esquinas daqui. — ele desviou o olhar, parecendo quase incerto com a revelação, Hermione percebeu que o assunto parecia ser um pouco mais sério do que aparentava.
— Momentos difíceis?
— Momentos difíceis. — ele fechou sua expressão vagarosamente. — Temo que existam certas coisas que não sejam tão fáceis de esquecer.
— Então, vamos simplesmente deixar de falar delas. — roçou o polegar na alça da xícara. — Você está se formando, Thomas, ainda que com menos do que os demais você teve mais iniciativa que eles, deixar as lembranças incômodas de lado é o primeiro passo para admitir que não pode mudar o que passou, mas pode tornar o amanhã melhor que o hoje.
— Isso foi uma tentativa de me consolar, Hermione? — ele finalmente ri. — Parece que adiantou de qualquer maneira.
— É uma das minhas muitas habilidades. — disse divertida. — Difícil mesmo é acreditar que o homem que gostaria de se tornar o senhor das artes das trevas gosta de café com creme.
— Bem, Srta. Granger, um homem ainda que seja das artes mágicas tem o direito a uma bebida quente em um dia frio com sua Lady.
Hermione ergueu uma sobrancelha.
— Sua Lady? — maneeou a cabeça. — Não vamos chegar tão longe, Thomas.
— É impressionante que você se sinta tão ofendida com um elogio, somente me mostra o quanto você é difícil de agradar.
— Eu me agradei que me trouxe aqui.
— Ora, me desculpe se não notei, mas é que você mostra tão pouco seu contentamento em relação ao que faço que deixei passar.
— Não seja dramático, eu fiquei apenas surpresa, já disse. — falou erguendo o queixo. — Você e um café trouxa parece muito ímpar.
— Fico feliz por ter conseguido arrancar alguma satisfação da sua parte, Hermione. — disse depois de bebericar o café dentro da xícara.
Ela levou as mãos para baixo e apertou a bolsa em seu colo, sentindo-a pesar um pouco mais, estava constrangida pelo o que havia comprado e com medo de parecer sentimental demais ao dar a ele. O continuou olhando, enquanto os olhos dele vasculhavam o lugar, ele não parecia relaxado em estar ali, nem relaxado nem confortável.
Certamente, Thomas não gostava de trouxas.
— Thomas... — começou hesitante.
Ele voltou os olhos verdes para ela.
— Hm?
— Eu comprei algo, — molhou os lábios. — Algo para você.
Thomas ergueu as sobrancelhas.
— Algo para mim?
Hermione não conseguia saber qual era a verdadeira expressão dele no momento, havia uma branco em seus traços angélicos.
Sem se importar com isso, ela abriu a bolsa e tirou de lá uma pequena caixa negra em que um laço verde escuro vinha de suas extremidades, e colocou em cima da mesa empurrando para que a outra parte tocasse as pontas dos dedos dele.
Thomas pegou a caixa, puxando o laço com delicadeza e tirando a tampa da caixa.
O relógio de bolso era prateado, mas tinha uma detalhe muito bem entalhado para ser comum: uma cobra tomava toda a circunferência do relógio e em sua frente ela mordia o próprio rabo.
— É Jormungand. — ele desviou seu olhar do relógio que segurava pelo cordão e se voltou para ela. — A serpente do mundo, filha de Loki, deus da trapaça. Diz a lenda que ela era tão extensa que podia rodear a terra toda e morder o próprio rabo, me pareceu algo sombrio e grandioso... Eu me lembrei de você.
Ele passou os dedos pelo entalhe do relógio, muito quieto fazendo com que Hermione se sentisse um pouco constrangida.
— Eu não lhe comprei nada. — disse ele franzindo a testa.
— Não é uma presente de Natal. — ela sorriu. — É um presente de formatura.
Ele deu um sorriso, aquele típico sorriso bastardo, afastou a xícara para o lado da mesa e ergueu-se e se inclinou, depositando um beijo mais suave do que esperado nos lábios da Corvinal.
Ele voltou a sua posição anterior, e fechou os dedos ao redor do relógio.
— Irei pensar numa maneira de te recompensar apropriadamente.
Aquela foi a última vez que saíram juntos, depois houveram uma junção de situações onde ela o beijava e perguntava-lhe se ainda escreveria para ela, e ele dizia que escreveria todos os dias.
Ele prometeu o que disse que faria.
Hermione acordava com a coruja impaciente batendo na janela, e depois de um mês inteiros de cartas ela não precisava mais se perguntar quem as mandava.
— Dá-lhe Grifinória! — Charlus a abraçou no corredor. — Eu nem preciso perguntar se você vai ao jogo, não é?
— Não estou me sentindo muito disposta hoje, Charlus.
— O que melhor que uma agitação para melhorar o estresse? — Septimus apareceu, já vestido com o fardamento do Quadribol. — Aposto que todo esse mal estar é falta do Riddle.
— E por que eu ficaria indisposta pela falta de um homem se eu tenho mais dois aqui? — colocou um braço no pescoço de cada um. — Vocês são uns chatos.
— Também te amamos, querida colega azul. — ela riu de Septimus. — Que tal demonstrar todo esse amor torcendo por nós?
Hermione deu de ombros, e seguiu em direção ao campo junto com os outros.
Fale com o autor