Reparo
1 Capítulo Único
A magia poderia ser maravilhosa, mas não tanto quanto Newt queria. Em suas mãos era útil e lhe servia bem, poderia sim ter envolvendo-se em algumas confusões corriqueiras ao chegar na América, algumas alarmantes e que resultaram em ferimentos de trouxas, mas não por magia lançada de sua varinha e sim pelos interesses de outra pessoa.
Também haviam ferimentos que ele não poderia curar, a magia não era tão milagrosa a tal ponto em suas mãos, não era tão habilidoso a esse ponto, mas tentava, sempre tentava dar o máximo de si em ajudar, como fazia agora com Credence.
Não apenas estudava uma forma de diminuir a presença do obscurus a mais de um ano em que estava ali na América, mas como transformar o medo de Crendece, a sua raiva em uma magia própria. Tentava alguma auxiliar o outro nessa questão, mas enquanto não tinha uma varinha para ele, não tinha opções a não ser deixa-lo ficar consigo na "mala".
Ele estava arrumando uma poção, o melhor que podia e chegava perto de um remédio trouxa para as dores físicas nas costas de Credence. Tina lhe contou o detalhe a mais sobre o garoto e pela postura que ele tinha e como ficava curvado, Newt não precisou juntar os pontos para saber ainda mais. O peso da responsabilidade ficava maior para si.
Na entrada da "mala", a bagunça de quando tentou apagar as memórias de Jacob voltaram. Sentiu uma nostalgia, um sorriso melancólico surgiu em seu rosto ao lembrar do amigo, mas nada deveria parecer com o que Queenie deveria estar sentido, a irmão Goldstein mais nova os ajudou e viu o outro sumir na sua frente, suas lembranças e esquecendo quem ela era mesmo depois de um ano.
Com Credence não precisou ser assim, se voltasse a perder suas memórias o obscurus ficaria mais forte, o destruiria e machucaria qualquer um ao seu lado. Newt agradecia por ter tê-lo encontrado com a ajuda de suas novas amigas.
Um barulho de algo caindo acabou por atrair sua atenção, deixando o frasco que continha a poção quase pronta de lado e seguindo caminho adentro.
Batia as mãos em sua roupa para limpar o pó das ervas que usou, sorrindo durante o curto caminho paras as criaturas que cuidava e ali estavam, chegando enfim a pequeno lugar onde dormia e guardava suas coisas, seus pertences e que eram em sua parte poucos.
— Credence? Alguma coisa de errado? — Perguntou, tendo apenas o silêncio como resposta.
Não precisou abrir tanto a porta para ver o outro com o rosto corado e agarrado ao familiar cachecol de Newt. As cores amarelo e preto com o símbolo da casa Lufa-Lufa nunca seriam esquecidos por ele, mas se perguntava brevemente o porque do cachecol parar nas mãos do outro.
Erguendo-se de forma rápida e quase voltando ao chão, Credence negou. Newt suspirou e se aproximou devagar do outro. Não gostava quando ele recuava com medo, sentia uma culpa que não era necessária e que a ajuda apenas se via mais necessária com o outro.
— Vejo que encontrou meu cachecol — Sorriu fracamente, o pegando e de soslaio, pode ver a curiosidade de Credence — É da minha casa, Lufa-Lufa — Contou.
— Desculpe mexer em suas coisas... — Desculpou-se e Newt negou, sorrindo ainda que fracamente.
— Tudo bem, Credence — Falou — Podemos não estar na Inglaterra, mas tenho certeza que a Ilvermorny será uma boa escola para você.
Seria uma boa escola caso o aceitasse, coisa que Newt temia não acontecer. Não tinha mais Dumbledore para lhe pedir favores como aceitar um garoto mais velho que todos, não sabia como leva-lo até mesmo para comprar uma varinha e não perguntou como funcionava a escola Ilvermony.
— Quando poderei usar magia como você e a Tina? — Perguntou e Newt teve que se esforçar em ouvi-lo com clareza.
— Creden—.
— Sei que não posso por ser perigoso, mas de qualquer forma já sou mesmo sem usar uma varinha... — Falou, o tom triste e olhando para o que tinha derrubado, um dos frasco que Newt mantinha guardado — Desculpe...
— Não precisa se desculpar, olhe — Pediu e com a varinha em mãos, moveu a mão — Reparo.
Em poucos segundos o mesmo frasco voltou ao seu lugar anterior, intacto e como se nunca tivesse caído no chão.
— Incrível, não? — Falou e Credence concordou, olhando ainda surpreso para o frasco — Quer tentar? — Ofereceu e teve a atenção em si, incredulidade e um brilho naquele olhar.
— Não deveria, não posso... — Negou, o mesmo brilho sumindo rapidamente diante do medo, esse que ainda estava numa fase de desconstrução por Newt.
Colocando-se ao lado de Credence, Newt sabia dos riscos e também, sua varinha não atenderia ao chamado de alguém sem experiência, mas a alegria e aquele brilho de aprender algo novo, sem ambição ou malícia, Credence tinha a sede de conhecimento assim como Newt tinha pelas criaturas que cuidava.
Foi como um pedido silencioso, sua varinha foi aceita e Credence a pegou ainda receoso. Ajudando a mover a mão dele para o feitiço ser mais "efetivo", Newt pode ouvir uma risada baixa do outro, afastando sua mão e surpreendendo-se com o alvo do feitiço.
Era o próprio Credence.
— Reparo.. — Sussurrou, a varinha apontada para suas costas e então sua cabeça, mas nada aconteceu e notando isso, ficou decepcionado.
— Credence... — O chamou, ficando na sua frente e pegando a varinha delicadamente da mão do outro para então guarda-la — Você não precisa ser concertado, nunca precisou.
— Mas sou perigoso... — Tentou se explicar, a voz falhando e podendo ver as lágrimas lhe escorrendo pelo rosto.
— Não mais... — Falou, secando suas lágrimas e o puxando para seus braços.
O ouviu soluçar, agarrando a si como se quisesse ter alguma confirmação de que não fosse sumir, Newt sabia que o que ele passou não iria simplesmente sumir e se usado a magia para tirar suas dores, não seria menos doloroso por não se ter certeza que daria certo. O tempo era o melhor para se curar e Newt estaria ali para Credence.
O viu se acalmar e mesmo que não tivesse sido reclamado pelo outro, acariciou seu cabelo cortado de forma tão certinha, sorrindo para ele e com o cachecol em mãos, o passou e colocou em Credence.
— Você ficaria bem na Lufa-Lufa — Contou e o viu sorrir levemente — Pode ficar — Falou, ajeitando o cachecol, parando com o silêncio vindo do outro — Algo errado? — Perguntou, confuso com a face já sem sorriso e avermelhada de Credence.
— Não precisava... — Falou e Newt entendeu, ele estava constrangido.
— Eu insisto — Falou, lançando uma piscadela e bagunçando o cabelo dele.
— Sr. Scamander — O repreendeu, o rosto ainda vermelho e afastando as mãos de Newt.
Era isso o que Newt queria até tirar os vestígios de medo que alimentavam o obscurus, queria vê-lo sorrir e ser uma pessoa não censurada pelo seu passado, gostaria de ajuda-lo a se aceitar, de ver o brilho em seu olhar.
Poderia ensina-lo algumas coisas, usar alguns de seus livros ou deixa-lo explorar mais cada criatura que vivia na mala. Se viu rodado por um desafio a cada dia da semana que passava, mas se ocupava em preparar poções para a dor nas costas de Credence por conta do abuso que sofreu por sua mãe adotiva e lhe tirar curiosidades do mundo da magia.
Tina não o deixava ficar tanto tempo ali dentro, gostava de ronda-lo para sempre ver se esse estava bem, zelando por seu bem e o deixando acuado, desconfiado por conta da pessoa que antes tinha o título de mãe, mas sabia que poderia confiar em Tina. Já Queenie lhe contava sobre Ilvermorny e ocasionalmente sobre a irmã mais nova de Credence.
Newt por ser filho único, não sabia ao certo como era sofrer com a ausência de um irmão que foi uma das pessoas a ser acertadas pelo feitiço para apagar as memórias, mas como Queenie explicou tudo, toda criança que apresente um grau de magia pode receber o chamado para ir a escola Ilvermorny e a irmã de Credence poderia encontra-lo um dia.
O via sorrir mais, ainda pálido e afetado, mas era um avanço quando contava algo engraçado ou o divertia quando estava um tanto avoado na entrada da mala, melhorando gradativamente e diminuindo de uma forma surpreendente o obscurus. Ao mesmo tempo que o estudava para ajudar outras pessoas com a mesma situação, ele se aproximava de Credence para ser sua ponte caso algo errado acontecesse.
No fim de semana teve de ir ao ministério da magia da América com Tina para assuntos ligados a Credence, o não conseguindo se despedir por vê-lo ler um de seus livros. Sorriu com aquilo, pelo menos alguém não se importaria com os garranchos que escrevia na borda das páginas.
Quando voltou, encontrou o demiguise e Credence ao lado do ninho dos occamy, alguns deles nos braços de Credence e um no topo de sua cabeça dormindo. Conteve uma risada com aquilo e não precisou ajudar a tira-los de inicio do outro, o demiguise o ajudou ao poucos a colocar cada um no ninho.
Podiam estar no apartamento das irmãs Goldstein e dentro de uma mala, mas era a primeira vez que realmente via Credence interagir com as criaturas dali e sem que essas estivessem com medo e desconfiadas de outra pessoa além de Newt.
Se perguntava do porque o corar do rosto pálido e a vergonha de lhe olhar, como se Newt tivesse feito algo errado e não tinha coragem de olha-lo. Pensou em um devaneio se poderia pedir uma ajuda de Queenie sem que essa contasse o que passava nos pensamentos de Credence, mas apenas uma dica talvez o auxiliasse.
E foi o que fez, durante a noite antes se deitar, saiu da mala e perguntou se Credence estava tendo algum problema ou se Queenie poderia ajuda-lo com algo e a única coisa que ela fez foi sorrir de forma doce e dar uma risada.
— Você é mesmo um tolo — Comentou, servindo um chá preto para Newt que tomou a xícara.
Não soube o que falar da forma que foi chamado, não era uma ofensa, ele estava ali para ouvir, mas não precisava ser daquela maneira.
— Até mesmo Tina percebeu e mesmo estando tão próximo, não enxerga o olhar dele para você — Contava e Newt franziu o cenho, confuso — Você é bom para ele e ele admira você, talvez até mais do que minha irmã — Confessou.
— Ainda não entendo — Falou, bebericando o chá e Queenie bufou, um pouco impaciente.
— Claro que não entende, por isso é um tolo — Lhe sorriu fracamente — Mas lhe digo, não o assuste, mesmo estando um ano conosco, vocês tem uma harmonia que por incrível que pareça não ocasionou em um problema — Comentou.
Quando terminou seu chá e preferiu voltar para mala, todas as criaturas já descansavam e Newt também repousaria, indo a pequena cabana e notando que mesmo que fosse uma teimosia de Credence, esse repousava na cama improvisada no chão ao invés de dormir fora da mala ou até mesmo na cama de Newt.
Se trocou e mesmo que não quisesse, acordou Credence, o sacudindo levemente e o ouvindo balbuciar algo. Conteve um sorriso e voltou a sacudi-lo, o vendo coçar os olhos e num sussurro, pediu para que deitasse e dormisse em sua cama e que ficaria no chão.
Claro que Credence negou e continuou o chamando de "Sr. Scamander" novamente, mas da maneira que Newt insistiu, Credence logo deitou-se na cama dele e voltou a dormir rapidamente, ressonando de sereno e tranquilo.
Newt pensou nas palavras de Queenie, ainda não entendia completamente o que a Goldstein mais nova quis dizer, mas com o comportamento de Credence para quando Newt estava por perto, poderia sim ser admiração e não a suspeita de algo a mais.
Mas mesmo assim sentia a necessidade de vê-lo sorrir e principalmente bem, faze-lo vencer o medo e não sucumbi-lo. Não sabia ao certo de onde vinha essa vontade de ajudar tanto, talvez uma característica da Lufa-Lufa.
Com esses pensamentos adormeceu e quando acordou, pode ouvir o choro fraco ao lado. Ainda sonolento, se levantou e sentando na beirada da cama pode ver que mesmo chorando, Credence dormia e era rondado pelo tormento e pela dor.
O sacudiu e chamou seu nome, o acordando e assustando. Mesmo pela pouca claridade que vinha de fora, o olhar mostrava o mesmo medo de antes, quando o ajudou a voltar a si e agora, seu rosto estava envolto pelas mesmas lágrimas.
— Está tudo bem, Credence — Sussurrou, o acalmando.
— Me desculpe... — Soluçava — Eu apenas... Eu...
— Ei... Tudo bem, acabou agora — Falou, o reconfortando — Respire fundo, foi apenas um pesadelo... — Não o tocou para faze-lo se sentir seguro, apenas falou num tom baixo, poderia deixa-lo assustado e era a última coisa que gostaria.
Mesmo cansado, levantou-se para voltar a dormir, mas a mão que o segurou o deixou surpreso de inicio.
— Por favor, não me deixe sozinho... — Pediu — Não quero que tudo volte novamente... — Sussurrou.
Newt sentia seu rosto esquentar com a atitude que faria, mas não o deixaria sozinho, apenas voltaria para a cama improvisada no chão e dormiria, não o deixaria como ele temia.
Afastou o coberto e deitado na cama, cobriu-se não pensou em protestar do pouco espaço, nem de sentir-se observado ou até mesmo da respiração fraca de ambos com o silêncio que perdurou.
Nunca precisou de tanto contato com outra pessoa, Newt se mantinha recluso justamente para seus estudos como magizoologista, rodou metade do mundo por conta disso e agora que estava no fim e Credence não estava tão afetado, logo teria de voltar para Londres, teria de deixa-lo.
Mas como iria contar a ele? Sentia a necessidade de contar, mas tal tarefa se complicava em sua cabeça, embaralhava e apertava o peito, surgindo em mente o sorriso que aos poucos aparecia no rosto do outro sumir apenas por contar que partiria, já estava a quase um ano ali, não saindo da América por conta dele, não por apenas estudo, mas para não vê-lo sucumbir a algo tão trágico.
Ali tão perto conseguia ver a serenidade quando ficavam juntos, a harmonia que Queenie comentou em brincadeira, algo que Newt não conseguia entender ainda e gostaria de entender, mas faltava
Quando voltou a adormecer e acordou na manhã, sentiu o peito pesar e abrindo os olhos, viu Credence abraçado a si, mas ainda dormindo. Não tinha coragem de acorda-lo, ainda mais quando não parecia temer nada em seus sonhos, esses que agora parecia um lugar seguro.
Mas teve de faze-lo, o sacudindo levemente e sussurrando seu nome, o vendo acordar e se apoiar em Newt ainda sonolento, mas quando sua mente pareceu clarear, Newt não perdeu a conta de quantas vezes Credence pediu desculpas e que não voltaria acontecer.
Precisava fazer os preparativos e mesmo que as irmãos Goldstein estivessem fora a maior parte do tempo, o ajudaram e não falaram nada para Credence, pareciam querer que Newt o fizesse.
Quanto a Credence, o fez se acostumar ao quarto de hospedes das irmãs, lhe deu seu livro de história da magia que ele não parava de lê-lo. Não soube como reagir a tamanha alegria dele, ainda mais quando lhe contou que aquele era o primeiro presente que ganhava além de roupas nos tempos do orfanato.
Por que parecia lhe magoar quando o outro estava tão alegre? Queria que ele ficassse feliz, mas até o momento se sentia culpado por tal sentimento egoísta.
Era final da semana, uma tarde para terminar os preparativos para partir e tinha a ajuda de Tina para isso, aproveitavam que Credence não estava por perto para isso. Tina negava falando que isso era errado, mas mesmo assim ajudava Newt, teimando até mesmo quando ele falava que não precisava.
— Você tem certeza que não pode contar a ele sobre isso? — Tina lhe ajudava com algumas caixas, tendo um dos tronquilhos em seu ombro e olhando séria para Newt.
Ela o culpava por ir embora e ele não tirava essa razão, mas tinha um dever a cumprir com Dumbledore e com a carta que recebeu sendo entregue por Queenie, não poderia falar com sinceridade que gostava de tal escolha, não só de comparecer e ser responsável como ter de deixar Credence com as irmãs Goldstein. Confiava em Tina para tomar conta do garoto e proteger de longe a irmã mais nova dele quando entrasse para a Ilvermorny, mas não confiava em si mesmo para contar ao outro sobre sua partida.
— Dumbledore precisa de mim e alonguei demais minha estadia, ocupando e tomando espaço de vocês, não serei mais um incomodo — Se desculpava, levitando outras duas caixas e arregaçando as mangas de sua blusa branca.
— Não acredito que ainda pensa dessa forma — Tina resmungou, colocando-se ao lado de Newt e tocando seu ombro na intenção de ter sua completa atenção — Ele precisa de você, fique mais um pouco — Pediu e Newt negou.
Queria ficar, faze-lo sorrir e sentir-se seguro, mas não poderia ser um porto seguro para o outro sempre, não poderia estar sempre ao lado dele quando precisasse. Gostaria de leva-lo para Londres, mas tira-lo de onde estava acostumado e expô-lo a outra sociedade, uma que Grindelwald estaria por perto para caça-lo seria demais, o perigo era maior.
Mas a dor de deixa-lo também, mesmo que fosse diferente, Newt se notava egoísta de ambas com a desculpa que era para a segurança de Credence.
— Não posso... — Sussurrou, o peso de consciência parecia abate-lo de forma maior naquele momento, como se Tina fosse uma voz de sua consciência em carne ao seu lado, tentando lhe orientar — Ele ficará melhor sem mim, acredite — Sorriu fracamente, o olhar focando-se em outra coisa para o assunto morrer, mas Tina não deixou, teimou em continuar e o acompanhou.
— Não acredito, porque ele não apenas acredita, o admira e aprecia sua companhia, mas gosta de você — Contou, séria e fazendo Newt parar para encara-la — Ele gosta de você, mais do que pode imaginar — Falou, o olhar sincero e Newt se viu acanhado com aquelas palavras, como se ela estivesse falando dele para outra pessoa — E você sente o mesmo... — Sussurrou, o olhar convencido de que conseguiu algum resultado da conversa — Gosta dele e ainda vai deixa-lo...
— Não quero ser egoísta, apenas não seria justo com ele ou comigo, mas seria melhor para ambos — Falou por fim, coçando a nuca em sinal de nervosismo — Ele merece conhecer mais pessoas do que se agarrar a mim.
— Do que adiantaria se você também se agarrou a ele? — Riu fracamente — Newt, ele usa o cachecol de Hogwarts com orgulho, olha para você quando você não o está olhando com um brilho no olhar — Contava e Newt ainda negou — Sabe o que eu acho? Acho que não é apenas ter se afastado da mãe abusiva e do Grindelwald que o obscurus se foi, esse ano inteiro que você ficou aqui na América tomando conta dele e ficando conosco fez uma coisa nova crescer nele — Falou, solidaria e Newt se negava a ouvir e dar razão, mesmo que pequena a Tina — Você nega dizendo que é para o bem dele, mas está machucando a si mesmo...
— Sr. Scamander?
Ambos se assustaram com a presença repentina de Credence, olhando para esse que mantinha um sorriso doce e timido em seu rosto, o cabelo pouco crescido bagunçado e o cachecol que deu ser usado constantemente por Credence, dando razão mentalmente para as palavras de Tina sobre. Isso o fazia sentir algo além, se amaldiçoando por isso e por refletir das palavras de sua amiga.
— Atrapalho? — Indagou, receoso e olhando para ambos.
— Não, eu já estava de partida — Tina falou, olhando para Newt e virando-se para sair — Pense sobre o que lhe disse, Newt — Pediu, se retirando e deixando Credence e Newt sozinhos.
— Posso ajudar em algo? — Perguntou, indo até uma mala e adentrando a pequena cabana, a deixando lá e ficando em pé no meio dessa, vendo Credence o acompanhar em silêncio.
— Eu trouxe isso... — Sorriu fracamente, estendendo um prato e Newt notou alguns cookies de gotas — Você está tão ocupado arrumando tudo... — Falou, o rosto corando fracamente e Newt sentiu novamente a culpa — Queenie me ajudou antes de sair — Contou, deixando o prato sob a cama e ficando em pé.
— Obrigado, Credence — Lhe sorriu — Mas sabe que pode me chamar de Newt assim como a Queenie e a Tina — Falou.
— Certo... Newt? — Franzia o cenho, a pronuncia de seu nome vindo de Credence parecia deixa-lo desconfortável com a forma informal — E gostaria de lhe dar outra coisa... — Contou — Mas precisa fechar seus olhos... — Pediu.
— Oh, se for assim... — Sorriu, fazendo o que lhe foi pedido.
Newt apenas esperava o que iria ser entrego, talvez algo outra comida que Queenie o tenha ajudado para lhe dar, esperava e quando sentiu mãos segurando seu rosto, se deu conta do que seria, apenas não pensava que aquilo pudesse acontecer.
Sentia os lábios trêmulos e macios de Credence com os seus, lhe tocando apenas. O gosto de café e bolinho de chocolate tomando seus sentidos e lhe trazendo a melhor das sensações, aguçando seus sentidos.
Ao se afastar aos poucos, pode ver o olhar de expectativa em Credence, do que aconteceria a seguir e o que Newt falaria. Mas Newt não sabia ao certo o que falar, estava perdido e os poucos pensamentos em sua cabeça era que o deixaria mesmo depois daquele beijo.
— Não podemos, Credence... — Sussurrando e sentindo o pesar com o olhar decepcionado dele — Estou arrumando tudo na mala, as coisas para as criaturas porque tenho de partir, voltar para Londres... — Contou.
— Eu posso ir com você... — Sugeriu, a voz embargada pelo choro contido, mas finas lágrimas já desciam seu rosto.
— Você ficaria melhor aqui com a Tina e a Queenie, Credence — Tentou lhe tocar os ombros, mas ele o afastou, não o olhando mais — Eu sinto a mesma dor, mas você ficaria melhor na América do que em um lugar desconhecido.
— Mas ficaria com você — Sussurrou — Se sente o mesmo, a mesma dor que aperta meu peito, por favor, me deixe ficar com você... — Pediu, o olhando com esperança, o pouco que lhe restava.
— Credence... — Negou com a cabeça, suspirando.
— Por favor, Newt... Não me deixe sozinho...
A mesma proximidade e tocando seu ombro, Newt não o afastou, apenas sentiu os lábios dele tocando os seus, o sabor salgado e molhando se sobrepondo ao do café e chocolate.
Agora ele retribuía, tocando o rosto de Credence e o ouvindo suspirar em meio ao beijo. Aquele mesmo aperto em seu peito não parecia tão forte com a decisão que formulou em sua mente. Quando se separaram, Newt concordou com a cabeça, lhe falando que Credence poderia ir com ele, o que resultou em um abraço. Não iria deixa-lo sozinho.
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