Reparação
25 Decisões
Notas iniciais
Não foi algo fácil de dizer, muito menos de admitir, mas parecia que uma parte do peso que carregava todos esses dias, por negar isso para si, havia diminuído de tamanho. Entretanto, foi só por um momento. Ele não podia sentir isso por ninguém, muito menos por Sakura. Ela era a irmã de Sayumi, e aquilo era uma traição sem tamanho. Trocar uma irmã por outra, desde quando ele era tão baixo a esse ponto? Estava casado com a mais nova, mas no início era com a intenção de fazê-la sofrer e agora… agora ele não sabia como ficariam as coisas entre eles. Bagunçou os cabelos com força e sorriu amargurado. Como se alguma vez já tivesse existido algum “eles”. Sabia que o seu relacionamento com Sakura estava mais tranquilo, mas era apenas por causa da missão. Quando voltassem a Konoha ela voltaria a se afastar, voltaria a temê-lo, como temia quando chegaram até a Vila da Cachoeira.
E o pior era que ele começava a se importar com isso.
Naruto apenas encarava o amigo sem saber ao certo o que falar. É claro que ele estava feliz em ouvir isso. Saber que Sasuke finalmente estava seguindo em frente e que teria a chance de ficar junto de Sakura, quem também merecia alguém bom ao seu lado, era algo que o deixava tão feliz que o sentimento quase não cabia dentro de si. Porém, ele percebeu que a questão não era tão simples quanto parecia. Sasuke ainda não conseguira se libertar totalmente do seu passado com Sayumi e isso o fazia se sentir culpado por desejar outra mulher, em especial por desejar aquela que era para ser somente a sua cunhada, se as coisas não houvessem mudado.
Além disso, devia pensar em Sakura também e nos sentimentos da garota. Depois de tudo que Sasuke fizera, talvez não fosse tão fácil para ela sentir algo por ele. E por mais cruel que fosse, Naruto também desejava que Sasuke sofresse um pouco pelo que fez com sua amiga. Balançou a cabeça para tentar organizar os pensamentos. Ele não sabia ao certo o que dizer, mas algo dentro dele dizia que as ações do amigo seriam guiadas pelas próximas palavras dele.
Depois de alguns minutos em completo silêncio, o que era uma novidade para Naruto, ele finalmente achou algo que poderia ser dito. Respirou fundo, pronto para dar o seu conselho, quando notou uma movimentação mais atrás de si. Olhou em direção ao barulho e em seguida voltou o olhar para o moreno que também estava atento ao redor.
— Sasuke… – murmurou e o Uchiha apenas aquiesceu antes de se levantar. Naruto copiou o gesto do amigo e separaram-se para averiguar a área.
Sasuke ativou o sharingan e tratou de esquecer, mesmo que momentaneamente, seus problemas e focou no que estava acontecendo a sua volta. Não era para ninguém estar ali além dele e Naruto. A área era completamente desabitada e os moradores não costumavam sair para as fronteiras da vila. Uma ideia permeou sua mente e retirou uma kunai de dentro da camisa que vestia. Olhou para o outro lado e viu Naruto que observava o entorno. Poderia ser um animal, mas algo dentro de si se recusava a crer nisso.
Margearam a grande árvore e ele notou que algo brilhava perto de um dos galhos, avisou o Uzumaki e em seguida o amigo mandava um clone mais a frente, já prevendo o que seria. Uma armadilha. Diversas armas ninjas foram lançadas contra o clone que foi atingido em diversos lugares antes de explodir. E, então, eles souberam que haviam, finalmente, encontrado o que tanto procuravam.
—*-
Tentava se distrair como podia. E ficava irritada por não conseguir. Não entendia o que estava sentindo, ou talvez soubesse e não queria admitir. Não se permitia admitir. E como um raio, a lembrança do beijo de Idate e das palavras dele vieram a sua mente:
“Eu não quero que ele me afaste de você novamente”
“Eu gosto de você, Sakura, mais do que pode imaginar. Então me prometa que irá se cuidar nessa missão, não deixe que ele te machuque e… pense em mim”
Suspirou. Mesmo que tivesse prometido que pensaria nas palavras de Idate, não era para isso acontecer agora, muito menos começar a compará-los, mas era inevitável e ela se recriminava por isso. Idate, apesar de lhe irritar tanto quanto Sasuke quando era mais nova, sempre a viu como alguém forte, sempre a ajudou nas missões dentro da Vila, por mais que reclamasse. Mas ela tinha que admitir, Sasuke também sempre esteve ao seu lado, ele havia a treinado e acreditado em si quando lutara contra o pai, a diferença era que com o tempo a visão dos dois sobre si ficou diferente. Idate passou a enxergá-la mais do que uma simples amiga, enquanto Sasuke só tinha olhos para sua irmã, como ele mesmo afirmara, e ficou cego a tudo a sua volta.
Foi tirada de seus pensamentos confusos ao ver a figura de Naruto e de Sasuke irromperem a porta. Arqueou a sobrancelha ao ver o estado dos dois.
— O que aconteceu? – indagou diretamente para o loiro que tinha algumas partes da roupa chamuscada e rasgada.
— Nós encontramos o esconderijo do Kabuto, Sakura-chan! – falou animado, abraçando a amiga que ainda digeria a informação.
— Encontraram? Como assim? – disse ao se recuperar.
— Fui até a fronteira da Vila e ouvimos alguns ruídos. Investigamos e descobrimos algumas armadilhas espalhadas por lá – Sasuke se manifestou pela primeira vez e Sakura foi forçada a encará-lo, ela só não esperava que ele fosse virar o rosto para evitá-la.
Bufou, e chamou-o de infantil em sua mente. E decidiu, pela milésima vez, que não perderia o seu tempo para tentar entendê-lo ou o que aconteceu no campo de treinamento. Ele sentia-se ridículo por estar fazendo isso, mas ter dito em voz alta para Naruto que estava se apaixonando por Sakura, e ter que vê-la momentos depois, estava mexendo consigo, deixava-o envergonhado e desconfortável. Envergonhado devido aos sentimentos que cresciam em si, envergonhado pois não era para ser daquela forma e, principalmente, envergonhado pelas palavras que dissera a ela. Ele queria apenas ficar um tempo a mais sem ter que conversar com Sakura e sobre o que sentia.
Naruto, que observava ambos, conseguia entender melhor o desconforto do amigo e teve que se esforçar para não rir na cara dele e, assim, chamar a atenção da amiga que não parecia muito contente.
— Mas vocês viram o Kabuto? Tem certeza de que era ele? – Sakura tornou a questionar.
— Sim, nós o vimos junto com alguns shinobis com o manto da Akatsuki – dessa vez foi Naruto quem respondeu e ela agradeceu mentalmente, seria difícil manter uma conversa com Sasuke – Mas não ficamos muito tempo, já que eles poderiam perceber que as armadilhas foram desativadas.
Sakura vibrou com a informação de que Kabuto estava ali. Poderia ter uma chance de capturá-lo e quem sabe ainda descontar a sua raiva naquele traidor. Cerrou os punhos com força, determinada a fazê-lo pagar pelo o que fez a si e a sua irmã. Sasuke apenas observava a garota e como se adivinhasse o pensamento, voltou a falar:
— Iremos entrar em contato com Tsunade e aguardar novas ordens. Enquanto isso Naruto e eu continuaremos vigiando – informou e Sakura arregalou os olhos, sem acreditar no que ouvia.
— Mas Sasuke, essa é a nossa chance e...
— Tsunade foi bem clara ao dizer que não deveríamos nos meter até que fosse ordenado – e cruzou os braços decididos.
— Mas tudo mudou agora, não percebe a chance que temos? – tentou persuadi-lo, mas aquilo serviu apenas para irritar o Uchiha.
— Essas são as ordens, não ouse questionar! — interrompeu Sakura que bufou antes de dar meia volta e sair da sala a passos duros.
— Muito bem – Naruto foi irônico – É dessa forma que se conquista uma mulher.
Sasuke mordeu a língua para não retrucar, ao invés disso, preferiu ir tomar banho e descansar, deixando o amigo só. Muita coisa havia acontecido em um único dia. E Naruto suspirou pesaroso ao ver que ainda teria muito trabalho com aqueles dois.
—*-
Andava de mãos dadas com Takashi, mas a vontade que tinha era de se afastar o mais rápido possível. Não entendia por qual motivo tinham que continuar com aquela farsa, afinal já haviam encontrado Kabuto. Haviam o encontrado e Sasuke se recusava a capturá-lo. Aquilo era ridículo e infundado, na sua opinião. Não poderiam perder aquela chance, mas Sasuke parecia mais disposto a brincar de casinha ao invés de agirem de uma vez. Seja o que fosse ela estava determinada a não mostrar o quanto estava frustrada com ele e com tudo o que havia feito, mesmo que o achasse um idiota.
— Sakura-chan! – ouviu a voz de uma senhora e ela sorriu alegremente ao ver uma chance de separar-se de Sasuke.
O moreno apenas suspirou ao ver o comportamento da mais nova. Ele realmente não a entendia. Dois dias haviam passado desde que mandara à Tsunade a descoberta que ele e Naruto fizeram, e desde então as coisas estavam mais do que estranhas entre eles. Passou as mãos nos cabelos, agora, castanhos. Ela havia se afastado novamente, não fazia mais as refeições ao seu lado, conversava apenas o necessário, porém o que mais o incomodava era a indiferença dela perante tudo. Ela não mais tocou no assunto do beijo, nem insistiu em saber mais sobre a missão, e ele sentia-se incomodado com isso.
Talvez, no fundo, esperasse que ela voltasse a incomodá-lo como sempre fazia, fosse fazer alguma brincadeira e tentar saber o que ele sentia de novo. Não sabia porque fazia isso consigo mesmo, ele não pretendia falar nada sobre os sentimentos que começava a desenvolver por ela, então era idiotice esperar que ela tocasse no assunto, afinal o desfecho seria o mesmo. Ele não iria trair Sayumi, nem mesmo sua lembrança. Focou seu olhar novamente na rosada que sorria abertamente para uma idosa e resolveu se aproximar, escutando a conversa.
— Muito obrigada querida, se não fosse por você meu sobrinho não estaria curado. Suas mãos são mágicas! – disse com um sorriso gentil e Sakura apenas negou, enquanto Takashi franziu o cenho com o que ouvira.
— Não foi nada, mas lembre-se de mandá-lo passar o remédio durante a semana para que ele se recupere por completo – recomendou e, dessa vez, ele não conseguiu ficar calado.
— Sakura, sobre o que estão falando? – indagou tentando mostrar indiferença.
— Ah sua esposa é incrível! – a velha senhora impediu que a garota falasse primeiro – Ela conseguiu curar o meu sobrinho que estava com um problema nos pulmões! – disse encantada e Sasuke teve que forçar um sorriso para concordar. – Ah meu sobrinho também quer agradecer, espere um instante, vou chamá-lo! – e correu para chamar o mais novo, deixando o casal a sós.
— Você usou ninjutsu médico para salvar o garoto? – foi a primeira pergunta de Sasuke. Ele não podia acreditar que ela fora tão irresponsável a ponto de fazer isso.
— O quê? Não! – exclamou Sakura surpresa.
— Então como o curou? – mas antes que ela pudesse responder, a senhora voltara ao lado de um rapaz loiro um pouco acanhado.
— Sakura-san... – disse baixo e corou ao ver a garota a sua frente sorrir de forma gentil.
— Vejo que está se recuperando bem – elogiou o fato dele já estar de pé em tão pouco tempo. Quando o vira pela primeira vez, o rapaz nem ao menos conseguia respirar direito.
— S-Sim, graças a você... – murmurou envergonhado enquanto olhava para sua salvadora que sorriu novamente.
— Você que é muito forte e um ótimo paciente – e o rapaz corou ao ouvir tais palavras.
Sasuke apenas observava a cena se desenrolar a sua frente, incomodado. O rapaz franzino devia ser um pouco mais novo que Sakura, mesmo assim era bem mais alto, ele estava visivelmente nervoso e desconcertado na frente da Uchiha, mas ela parecia não se atinar a isso, conversando normalmente com ele sobre o que teve e como poderia se curar mais rápido. Mas Sasuke percebera a intenção do garoto, o fascínio estava estampado nos olhos azuis e a forma como cada palavra proferida pela esposa parecia ser absorvida, deixava claro os sentimentos do mais novo.
— Hunf, idiota – murmurou consigo, porém foi o suficiente para atrair a atenção do rapaz que só então se deu conta que não estava sozinho com a rosada. Corou ao ver que estava sendo mal educado.
— Er... desculpe, não o vi aí – disse sem graça e Sasuke teve vontade de bater nele. Odiava que o ignorassem.
— Sakura, é melhor irmos – fez questão de não responder ao mais novo que se encolheu ao ver o semblante fechado de Takashi.
Sakura ainda abriu a boca para falar algo, mas Takashi apenas a puxou de lá, sem dar chance de que ela retrucasse. Quando estavam mais longe dos dois civis, Sakura puxou o braços com brusquidão e fuzilou o outro ao seu lado.
— Quer parar? Takashi!
— Você está sendo irritante – murmurou de volta e Sakura pode visualizar Sasuke muito bem ali.
— E você idiota. Se eu não te conhecesse muito bem diria que está com ciúmes – debochou e o Suzuki franziu o cenho. – Qual o problema? – falou de forma mais calma.
— O problema? Eu que pergunto, qual o seu problema? – rebateu sem parar de andar e em seguida diminuiu o volume da voz – Estamos em missão e você usa os seus poderes aqui?
— Do que está falando? – olhou confusa para o rapaz que parara de andar e voltou o olhar acobreado para ela.
— Estou falando de curar aquele rapaz. Você não é uma kunoichi e não pode usar ninjutsu! Ainda mais aqui! – tentou fazê-la entender e Sakura sentiu os músculos tencionarem.
— Posso não ser uma kunoichi, como você insiste em dizer – falou o mais calma possível – Mas nem tudo se resolve com chakra, eu também conheço ervas que podem servir para curar várias doenças. Então, não me subestime e nem ao meu poder – disse de forma superior e antes que ele pudesse falar algo, voltou a andar na frente dele.
—*-
— Você fez o quê? – gritou Naruto, sem acreditar no que o amigo lhe contara.
— Quer parar de gritar? – Sasuke falou entredentes.
— Teme, você é um idiota! – bradou novamente e o moreno teve vontade de bater no Uzumaki. Já não bastava a vergonha que ele estava sentindo por ter agido daquela forma com Sakura, ainda tinha que ouvir sermão do Naruto? Do Naruto? – Você tem que se desculpar!
— O quê? – arqueou a sobrancelha, sem acreditar no que ouvira.
— Isso mesmo! Vá falar com ela! – começou a empurrar o Uchiha em direção ao quarto da ex-Haruno.
— Você ficou maluco, Naruto? Eu não vou fazer isso! – contrapôs e parou de andar.
— Teme, quando brigamos com alguém que gostamos, nós fazemos as pazes – falou como se fosse um sábio e Sasuke praguejou por ter contado ao loiro sobre os seus sentimentos. Ele não o deixaria em paz nunca mais. – Você não pode deixar a Sakura-chan achar que você a subestima, quando, na verdade, só estava com ciúmes.
— Eu não estava com ciúmes – disse entredentes e o Uzumaki suspirou.
— A negação é normal, meu amigo, mas você precisa passar por essa fase e aceitar que...Oe, onde você está indo?
— Se eu for falar com ela, você vai ficar calado, não vai? – e olhou para o loiro que sorriu, assentindo – Então é melhor acabar logo com isso.
— Isso aí Temeee! ‘ttebayo! – comemorou.
Sabia que estava apelando, mas se deixasse Sasuke fazer as coisas do jeito dele, nunca que aquilo iria para frente. Sasuke era racional demais, pensava demais, fechado demais e estava muito preso ao passado, e ele precisava entender que não podia mais agir daquela forma com Sakura. Ela tinha sentimentos, estava envolvida naquilo e o mais importante, ele queria saber como ela se sentia com tudo e, talvez, essa conversa pudesse ajudar os dois a se entenderem. Ou foi o que pensou até ouvir um grito feminino.
Arregalou os olhos com medo do que poderia ter acontecido em tão pouco tempo e foi em direção ao quarto onde viu Sasuke sair apressado de lá e fechar a porta com força. O cabelo cobria-lhe a face, mas o pescoço e as orelhas estavam vermelhas, confundindo o Uzumaki. O que havia acontecido? Antes que pensasse em perguntar, os orbes vermelhos lhe encaravam com fúria e ele teve medo. Medo do que poderia ter feito a sua amiga e quando deu por si já corria, abrindo rapidamente a porta do quarto de Sakura, rezando para que ela não estivesse machucada, mas estancou ao vê-la parada no meio do quarto enrolada apenas em uma toalha, tão perplexa quanto ele.
— Sa-Sakura-chan... – murmurou sem saber ao certo o que dizer e, inconscientemente, esquadrinhou o corpo delicado e, agora, com mais curvas da garota, enquanto essa fechava os punhos com força.
— Na.ru.to! — disse entredentes, para chamar atenção e em seguida gritou com o punho erguido – SAÍ DAQUI AGORA, SEU PERVERTIDO!
E quando deu por si já se encontrava fora do quarto, as costas doíam pelo impacto e o rosto ardia pelo soco que recebera, perguntava-se se não tinha deslocado o maxilar. Fechou os olhos com força ao ouvir a porta bater, agora entendia o motivo de Sasuke ter saído naquele estado, deveria ter visto a mesma coisa que ele ou até algo mais, então a fúria que vira era direcionada unicamente para ele que o obrigara a entrar no quarto de Sakura quando ela acabava de tomar banho. Sorriu, talvez isso tivesse sido melhor do que planejara.
—*-
— Ai Sakura-chan, isso dói! – reclamou enquanto ela lhe curava.
— Eu só estou encostando, Naruto! – e bufou irritada – Além do mais a culpa foi sua de qualquer jeito, aguente as consequências!
— E como eu ia adivinhar que você estava sem roupa? – e fez um bico, irritado, deixando a garota constrangida.
— E-Eu estava de toalha! – defendeu-se envergonhada.
— Pensei que o Teme tivesse te machucado pela forma como ele saiu correndo daqui – voltou a falar e Sakura sentiu o rosto aquecer ainda mais ao recordar que Sasuke também a vira só de toalha. – Na verdade, porque ele agiu assim se vocês são casados? – perguntou de forma inocente até se dar conta de algo – Não vai me dizer que vocês não...
— Isso não lhe diz respeito, baka! – e forçou a mão no rosto do loiro que gemeu de dor.
Sabia que podia confiar em Naruto, ele não contaria que ainda era virgem para ninguém do clã. Mesmo que fosse muito escandaloso, quando era algo sério ele sabia ser discreto. Porém, não era um assunto que gostaria de discutir com o amigo, era algo muito íntimo para si.
— Desculpa, eu só não entendi o que aconteceu – murmurou de forma hesitante, com medo que Sakura se zangasse com ele de novo.
A verdade era que nem ela entendera. Em um minuto estava saindo do banheiro enrolada na toalha e no outro Sasuke estava no seu quarto, encarando-a um pouco espantado. Ela notou quando ele perscrutou o seu corpo todo e ficara assustada por vê-lo ali e pela forma como ele a encarava, por causa disso, em um ato reflexo, ela gritou. O rosto esquentou ao lembrar como fora boba, o que ela achava que ele fosse fazer? Parecia uma garotinha boba, mas não estava acostumada que a vissem sem roupas. Ainda lembrava-se da vergonha que sentiu na sua “noite de núpcias”.
Mas atentou-se que Sasuke também não agira de forma normal, quando se casaram ele nem ao menos se importou com o fato de vê-la somente de roupas íntimas, mas, dessa vez... Balançou a cabeça, devia estar imaginando coisas, preferia pensar que ele apenas teve a decência de respeitá-la ao sair correndo pelo quarto.
— Sakura-chan? – chamou Naruto, tirando-a de seus devaneios – Você gosta do Teme? – ele foi direto e ela teve que piscar duas vezes antes de conseguir compreender o que o amigo estava perguntando.
— O quê? – indagou ainda confusa. Devia ter entendido mal.
— Perguntei se gosta do Teme? – questionou novamente, era agora que teria as suas dúvidas sanadas.
— Que droga de pergunta é essa? – franziu o cenho, querendo evitar essa conversa.
— Eu sei que vocês não começaram da melhor forma, mas, ultimamente, eu vejo os dois e...
— Naruto – interrompeu a Uchiha – Não confunda as coisas.
— O que quer dizer? – foi a vez do loiro ficar perdido, ela suspirou, realmente não queria falar sobre isso, mas também sabia que deveria conversar com alguém, e Naruto era a sua melhor escolha ali.
— Quando eu era criança eu admirava muito o Sasuke – disse de forma nostálgica – O Sasuke-kun que eu conheci quando criança era incrível! Corajoso, forte, destemido, sempre protegendo os outros – e um sorriso triste se formou em seus lábios. – Depois do meu pai, ele era o shinobi que eu mais me espelhava, eu buscava o reconhecimento dele. E por causa disso eu adorava ficar junto com ele, mesmo que ele ficasse na maior parte tempo comigo por causa de Sayumi.
— Eu não estou entendendo, Sakura-chan... – Naruto interrompeu a garota que deu de ombros.
— O que eu quero dizer é que é impossível eu não gostar do Sasuke que eu conheci. Ele foi muito importante para mim e para que eu continuasse a tentar alcançar o meu sonho de ser uma kunoichi.
Sorriu e lembrou-se da época em que Sasuke a ajudara a treinar para ganhar do seu pai, ou quando tinha alguma missão de genin na vila e ele, de alguma forma, sempre a auxiliava para facilitar a sua tarefa. Mas logo o seu sorriso morreu e voltou a encarar o Uzumaki de forma séria.
— Porém isso faz parte do passado. – e Naruto arregalou os olhos – Sasuke mudou muito e eu quase não o reconheci mais depois da morte de Sayumi. O homem que eu admirava se tornou um monstro aos meus olhos e depois teve o casamento...
— Mas Sakura-chan, o Teme mudou quando se casou com você – não aguentou esperar mais, tinha que falar algo – Você deve ter notado, principalmente agora, ele...
— Naruto, eu também pensei assim. Sabe, mais do que a promessa que eu fiz à Sayumi, eu queria poder ver novamente o Sasuke que eu sempre admirei. Eu queria ajudá-lo, eu queria reparar o mal que achava ter causado a ele – sentiu os olhos ficarem marejados, mas piscou rapidamente para evitar que lágrimas caíssem, tinha que parar de se culpar pelo o que aconteceu à irmã. – Eu insisti, tentei ser a melhor esposa que poderia ser, e nunca era o suficiente. Então eu tentei ser eu mesma novamente e eu vi algo mudar, pensei que, talvez, finalmente tivesse o alcançado, talvez ele estivesse vendo outro lado meu, talvez tudo pudesse ser diferente, mas novamente eu me iludi.
— Como assim?
— Tudo isso é falso, Naruto – e apontou para o local onde estavam – Uma ilusão por causa de uma missão. E eu não passo de uma substituta da minha irmã, de uma sombra, de um modo para Sasuke se vingar de mim pela morte da Sayumi. Porém, eu realmente estou cansada disso. – suspirou, limpando os olhos que insistiam em acumular lágrimas, mas ela não choraria.
— Sakura-chan, eu... – tentou falar, mas foi interrompido pela garota que só queria colocar para fora tudo o que sentia.
— Nada do que eu fizer vai conseguir tirar a escuridão do coração de Sasuke. E eu estou cansada de pensar que ele mudou e ser humilhada no final. Estou cansada de pensar que, talvez, ele possa gostar um pouquinho da minha companhia e que, talvez, esse casamento arranjado possa melhorar um pouco – sorriu angustiada e passou a mão no rosto como se pudesse se livrar de tudo o que sentia – Eu gostaria de ter alguém que me apoiasse, alguém que confiasse em mim e nas minhas habilidades. Mas eu insisti nessa ideia de ajudar o Sasuke... – e recordou-se das palavras de Idate – Devia ter ouvido quando disseram que isso só traria sofrimento para mim.
— Você... fala como se já fosse apaixonada por outra pessoa. – Naruto disse de forma hesitante, tinha medo da resposta que iria ouvir.
— Não... mas eu gostaria de me apaixonar. Saber como é. – recordava-se da época em que sua irmã vivia suspirando pelos cantos e como ela parecia feliz ao ver Sasuke e, por um momento, quis saber como era sentimento também.
Era engraçado pensar que há pouco tempo ela nunca se importou com coisas como amor ou em se apaixonar por alguém, mas depois que Idate foi sincero consigo e com seus sentimentos, ela se perguntou como seria gostar verdadeiramente de alguém. Ela teve algumas experiências com Sasuke, ele foi o seu primeiro beijo, foi o primeiro que a viu em trajes íntimos, era com quem mais se relacionava quando era menor, porém muitas das suas experiências também foram negativas. O olhar de Sasuke nunca era voltado para ela, Sakura, apenas para sua irmã. E, mesmo agora sendo casados, ainda não era, pelo menos pensava assim até ver a forma como ele lhe encarara a pouco. Balançou a cabeça, negando, por que seu coração insistia em dizer que Sasuke estava diferente? Que não deveria desistir dele?
— Sakura-chan... – Naruto voltou a falar, chamando a atenção da rosada, mas nada saiu. Ele mais uma vez não sabia o que dizer a um amigo seu.
Se Sasuke tinha medo de amar Sakura e esquecer Sayumi, Sakura tinha o coração machucado e estava cansada de sofrer por um casamente arranjado. Ele viu que independente do que falasse sobre o amigo, Sakura dificilmente o escutaria. Ela tinha convicção de que Sasuke não a suportava, estava com ela apenas para humilhá-la e fazê-la sofrer. Porém, mais do que isso, ele também percebeu que a garota não estava disposta a permitir Sasuke entrar em seu coração, ao menos não enquanto o Uchiha não mudasse sua postura e, por Kami, Naruto tinha que concordar com ela.
— Eu sei que vai conseguir ser muito feliz Sakura-chan – e acariciou a mão da menina que não esperava aquelas palavras – Você sempre lutou pelo o que queria, sempre ajudou os outros e mais do que ninguém merece ficar com alguém que te ame. Eu vou te apoiar em tudo que decidir! – e sorriu da forma mais sincera que pôde, abraçando a amiga que se aconchegou no peito de Naruto em busca de conforto.
Ela tinha pensado bastante nas palavras da mãe quando soube o que passara no passado. Sua mãe acreditava que Sasuke poderia fazê-la feliz, que eles se completariam de alguma forma e, por um breve momento, enquanto ele era Takashi, ela começou a pensar que alguma coisa poderia mudar, que talvez o seu destino não fosse tão cruel e infeliz quanto imaginara. Mas ela somente se enganou e, o pior, enganou o seu coração, deixou que ele criasse expectativas que nunca se concretizariam. Sorriu de forma irônica ao recordar que sua mãe fora enganada no passado por um homem chamado Takashi e agora ela também era enganada por alguém que usava o mesmo nome. Talvez fosse a sina das Harunos, pensou com desgosto. Mas não deixaria que a enganassem novamente. Sasuke ou Takashi não mais a machucaria, prometera a si mesma.
Depois de se despedir da amiga, fechou a porta do quarto, deixando-a descansar e encarou a outra pessoa escorada na parede em frente ao quarto com os braços cruzados.
— Espero que tenha ouvido o suficiente – disse sério, mas Sasuke nem ao menos se mexeu. – Espero que agora tenha decidido o que fazer com relação a vocês dois. – tentou novamente.
Mas o Uchiha parecia perdido em pensamentos e aquilo enfureceu Naruto que se aproximou do amigo a passos largos e agarrou a camisa de Sasuke para fazê-lo lhe encarar. Queria ter certeza de que ele havia entendido a conversa que tivera com Sakura.
— Maldito! Está me ouvindo? – chacoalhou o moreno que franziu o cenho para se afastar, mas o Uzumaki não permitiu – Se você não mudar a forma como trata a Sakura-chan, vai perdê-la para sempre! É isso que você quer?
— Me solta Naruto! – falou entredentes, sua paciência no limite, mas o Uzumaki não se importou e continuou a falar:
— A Sakura-chan merece ser feliz e, eu juro por Kami, Sasuke, se ela encontrar alguém que a faça feliz eu vou ser o primeiro a ajudá-la a se livrar de você!
— Então por que você mesmo não se voluntaria? – vociferou com raiva.
— Porque eu desejo o melhor para você também e sei que ela te fará feliz! – tentou se acalmar e virou-se em direção a porta para ver se não estava falando muito alto – Entenda de uma vez que se você não mudar, irá perdê-la. Você já está a perdendo.
Foi a última frase que Sasuke ouviu antes de se livrar do agarre de Naruto e sair dali a passos pesados. Naruto suspirou, esperava que Sasuke caísse em si antes que fosse tarde demais.
—*-
Suspirou. Ele sabia o que, teoricamente, tinha que fazer. Ouvira a conversa de Naruto com Sakura, e tinha ficado mais do que mexido com aquilo. Ele ficara preocupado. Com medo de que ela se afastasse e o deixasse, mas será que ele estava pronto para deixar todo o passado para trás? Deixar Sayumi? Tinha medo. Medo de voltar a se permitir sentir o que sentia com Sayumi e depois perder tudo novamente. Ele havia se acostumado com a solidão, com aquela dor pungente que o adormecia aos poucos. Por que mudar agora? Deitou-se na cama, enquanto milhares de pensamentos sobrevoavam a sua mente cansada, até cair no sono.
— Sasuke-sama... – ouviu lhe chamarem, mas ele não conseguia enxergar nada a sua volta – Sasuke-sama... – virou o rosto em direção ao som, porém somente a escuridão estava ao seu lado. Quem lhe chamava?
— Sasuke...sama...
A voz era melodiosa e tinha certeza que a conhecia, mas por que não se lembrava? A cada vez que lhe chamavam sentia seu coração pesar e ele não entendia o motivo daquela dor.
— Sasuke-kun! – outra voz se fez presente, essa era mais animada e de forma inconsciente lhe fez sorrir de canto. – Sa-su-ke-kun! – cantarolou a voz e conforme essa voz lhe chamava, a dor que sentia dentro de si se esvaía. Caminhou em direção para o som.
Sempre foi assim, ela sempre o fazia se sentir bem, sempre estava sorridente ao seu lado e, mesmo que seu humor não fosse dos melhores, ela conseguia melhorá-lo com tão pouco.
— Sasuke-sama! – ouviu novamente e parou de andar. Agora vultos se tornavam evidentes para si, havia uma luz azul ao seu lado. A luz era fria, calma e triste, e do seu outro lado estava o vulto na cor vermelha.
— Sasuke-kun! — o vulto vermelho se manifestou. A luz, assim como a cor, era quente e lhe trazia um aconchego que queria sentir novamente. Porém, parecia que ele não conseguia se aproximar dessa luz, sempre indo em direção contrária.
A luz vermelha continuava a chamá-lo, mas cada vez mais fraca, e ela parecia desaparecer lentamente diante de seus olhos. Ao final ele vira o sorriso de Sakura, não o feliz que ela costumava dar a todos, mas um triste. Os orbes deixavam escapar lágrimas e ela balbuciava uma frase enquanto ele se afastava para o frio. Algo que ele não pode ignorar.
“Independente de quem esteja do seu lado, não desista de viver. Me prometa...que vai ser feliz” e em seguida viu Sakura cair, os olhos opacos e sem vida enquanto o frio e a escuridão tomavam conta de todo o local.
Acordou ofegante e passou a mão no rosto para afastar os fios que grudavam no seu rosto. Um sonho. E ele sonhara com Sakura e Sayumi. Fazia tempo que não sonhava com Sayumi e nunca daquela forma. Geralmente seus sonhos com Sayumi eram lembranças dos raros momentos que tinham juntos, mas desde que se casara com Sakura eles haviam diminuído e ele sentia-se mal por esquecer a Haruno que tanto amou.
Mas era a primeira vez que ele sentia-se daquela forma com relação a ex-noiva, era a primeira vez que ela lhe trouxera a sensação de... solidão, de medo. Ao contrário do que sentiu ao ouvir a voz de Sakura, mas esses sentimentos já eram algo que conhecia desde sempre. Ela sempre fora como aquela chama que a representava, quente e acolhedora, era normal sentir-se bem perto dela. Contudo, o que o fizera acordar assustado fora o final do seu sonho, as palavras de Sakura, tão parecidas com as que Sayumi lhe dissera em seus últimos momento, o fato de não conseguir alcançá-la e ter sua vida tomada pelo frio e a escuridão lhe assustaram mais do que gostaria de admitir. Ele a perdia no seu sonho, ele a perdia e seu mundo ficava mais solitário do que nunca, pois ele não conseguia sair do lugar, porque ele era incapaz de seguir outra chama que não fosse a do passado. Fechou as mãos em punho.
“Entenda de uma vez que se você não mudar, irá perdê-la. Você já está a perdendo.”
Não queria que isso acontecesse. Mas era algo incontestável, ele a perderia. E teria que se conformar com um mundo solitário e frio como seu sonho. Ele não sabia o que fazer a respeito disso. Estava cansado de ter que viver daquela forma, de ter que escolher entre o seu passado e algo que poderia ser o seu futuro. Se ele se libertasse do seu compromisso com Sayumi, ele estaria errado? Seria errado ele seguir com a sua vida e esquecer alguém que amou? Ele conseguiria se dar uma chance de ao menos tentar ser feliz com outra pessoa?
Fechou os olhos com força e sua mente foi preenchida por olhos gentis e cabelos rosados e ele teve uma resposta.
—*-
Ajeitava algumas roupas no varal enquanto observava o movimento do lado de fora da casa. Estava entediada, queria que essa missão terminasse de uma vez, já que agora não tinha mais um motivo de estarem ali. Quer dizer, eles esperavam uma resposta de Konoha sobre como proceder com a missão após a descoberta de Kabuto, mas enquanto isso Naruto e Sasuke ficavam encarregados de fazer rondas no local onde o traidor da vila fora visto e ela permanecia em casa, quase fazendo parte da decoração. Bufou, era melhor quando pelo menos podia treinar com Sasuke. Balançou a cabeça ao recordar do beijo, não, era melhor ficar como estava.
Ouviu suas vizinhas falando sobre algo e levantou a cabeça, curiosa, e ficou confusa ao ver Takashi se aproximando. Não era para ele estar com Naruto? O que fazia ali naquela hora? E carregando um buquê de rosas? Sem entender nada esperou que ele chegasse perto de si e notou um certo nervosismo no moreno. Olhando de esguelha pode ver as duas senhoras com quem, às vezes, conversava encantadas e sussurrando palavras como “que romântico!”, “que sortuda!” enquanto observavam Takashi.
Arqueou uma sobrancelha para o Suzuki que não lhe dirigiu a palavra, apenas colocou o buquê na sua direção para que pegasse. Ela não fez movimento nenhum de que receberia as rosas, pelo contrário, olhava para elas como se não soubesse o que era aquilo e Sasuke começava a se sentir nervoso ao ver a garota franzir o cenho, mas ao final ela pegou as flores para si e agradeceu de forma superficial antes de se retirar para dentro da casa, pouco se importando com as roupas do lado de fora.
No outro dia a mesma cena ocorreu, Takashi lhe trouxera outro buquê de rosas e Sakura, de forma relutante, aceitou as flores. Mas quando isso se repetiu no terceiro dia, Sakura aproximou-se de Sasuke, para a alegria das duas vizinhas que não paravam de observar o casal, e murmurou apenas para o marido:
— Elas já viram o ótimo marido que é, não precisa me trazer flores todos os dias – disse com um sorriso claramente forçado.
— Não faço isso para que pensem assim. – falou um pouco ofendido que ela pensasse dessa forma de si, mas Sakura não ficou calada e retrucou:
— Então para quê? – e olhou para as pétalas vermelhas, refletindo – Rosas eram as flores favoritas de Sayumi. – e encarou o rapaz que parecia confuso – Se não quer parecer um bom marido, é para me menosprezar? – falou com mágoa antes de dar meia volta e sair do jardim.
Sasuke apenas bufou irritado e passou a mão no cabelo. Ouviu cochicharem ao seu lado e fuzilou as duas velhas fofoqueiras com o olhar, que imediatamente fingiram não ter visto nada. Saiu dali a passos rápidos, envergonhado e irritado, pensando o quanto era idiota por tentar fazer algo daquela espécie. Ele não devia ter dado ouvidos a Naruto quando disse que ele deveria tentar se aproximar de Sakura, para melhorar o convívio entre eles, muito menos ter achado a ideia de comprar flores algo que a garota gostaria.
“Rosas eram as flores favoritas de Sayumi” as palavras de Sakura lhe vieram a mente e sorriu angustiado. A verdade era que a culpa era sua e não de Naruto. Ele devia ter imaginado que não daria certo algo assim. Desde que se entendia por gente sempre teve olhos somente para Sayumi, sabia quando ela estava chateada ou triste e sabia muito bem como alegrá-la, bastava lhe dar rosas que ele conseguia arrancar um sorriso dela, e ele, de forma idiota, pensou que Sakura poderia gostar do gesto também. Mas não se tratava mais de Sayumi, e Sakura era totalmente diferente da irmã e ele não sabia como lidar com isso, mesmo que sempre tivesse sido mais fácil conversar com a mais nova dos Harunos. Perguntou-se, então, como poderia se aproximar de alguém que não conhecia direito os gostos? Foi quando uma ideia surgiu e ele sabia exatamente o que a ex-Haruno gostaria.
—*-
Ainda não acreditava que estava fazendo aquilo. Não esperava que depois do que falara ele a chamaria para algo assim. Suspirou e culpou o tédio para ter aceitado estar ali. Voltou seu olhar para a floresta, escondida no ponto onde Sasuke disse para fazer a vigília enquanto tentava imaginar onde ele estaria, mas não conseguia visualizar nada a não ser as grandes árvores. Suspirou novamente ao recordar do momento em que ele veio falar consigo.
Flashback on
— O que disse? – piscou confusa e o Uchiha parecia desconfortável.
— Eu disse que você irá fazer a próxima ronda comigo. – repetiu e ela continuou descrente do que escutara.
— E o Naruto?
— Ele irá verificar se houve uma resposta da Tsunade, enquanto isso ficaremos de vigia – explicou como se ela fosse uma criança de cinco anos.
— Por quê? – indagou novamente e Sasuke parecia a ponto de perder a paciência, algo que ela percebeu que estava demorando, já que ele não costumava responder todas as suas perguntas.
— Qual o problema? – questionou entredentes e Sakura nem ao menos se abalou ao retrucar:
— Espere pelo Naruto, não precisa de mim – foi sincera, ele mesmo já havia dito que apenas a escolhia por não ter outra opção, mas agora ele tinha, bastava aguardar o Uzumaki retornar.
— Preciso sim... – arregalou os olhos com o que ele disse e Sasuke tratou de completar — ...para completar o mais rápido possível essa missão é necessário que todos participem. – e se ela não estivesse o encarando atentamente diria que ele estava ficando vermelho, mas seus olhos deveriam estar pregando uma peça nela. Sasuke nunca ficava envergonhado.
— Tudo bem, não é como se eu tivesse escolha – e deu de ombros, levantando-se e passando por ele, e novamente se surpreendeu ao ser segurada pelo braço.
— Não... – Sasuke disse agora mais próximo dela, e Sakura recuou um passo para encará-lo melhor. Por que ele lhe observava daquela forma? – ...Você não precisa ir, se não quiser.
— Mas acabou de dizer que... – tentou contrapor, mas foi interrompida por ele.
— Eu a chamei porque preciso, mas vá somente se quiser ir – explicou e Sakura não pode deixar de se surpreender com aquilo.
Flashback off
Uchiha Sasuke havia dito que precisava dela e que ela não precisava acatar a sua ordem, será que ela ouvira direito? Entendera certo? Ainda duvidava daquilo, mas ela não conseguira mais negar aquele pedido, afinal, também queria ver onde Kabuto estava escondido há tanto tempo, e por isso estava ali há meia hora. Uma meia hora silenciosa, tediosa, mas bastante reflexiva.
— Sakura — ouviu Sasuke a chamar pelo comunicador e quase deu um pulo pelo susto, denunciando sua posição. Não esperava que ele fosse fazer contato, muito menos quando pensava nele e nas suas ações ambíguas.
— Sim – e aguardou por alguma instrução. Talvez já pudesse voltar para casa.
— Sobre o que eu disse antes... – ele começou a falar depois de alguns minutos em silêncio e ela se questionou sobre o que ele falava – ...quero que saiba que nunca a subestimei.
Arregalou os olhos com as palavras proferidas e escancarou a boca sem acreditar no que ouvia. Caíra em um genjutsu e não notara?
— Mesmo que fosse irritante... – ok, agora ela sabia que era Sasuke e não uma ilusão – ...eu sempre admirei a sua determinação.
Após pronunciar tais palavras ele ficou em silêncio aguardando alguma resposta, mesmo que nenhuma pergunta tivesse sido feita. Seu coração galopava dentro do peito e agradecia por estar a uma distância considerável para que ela não visse o quanto estava sem jeito, mas conforme o tempo passava e nenhum som era pronunciado por ela, sentia-se mais e mais idiota. “Garotas gostam de ser elogiadas!” as palavras de Naruto vieram à mente e ele quis socar a si e ao amigo. Por Kami, porque estava ouvindo os conselhos de Naruto? O ninja mais tapado de todos, que não conseguia nem perceber quando alguém gostava dele? Devia ter perdido a cabeça.
Ele pensou que chamá-la para participar da missão fosse uma forma de se aproximarem, como aconteceu quando treinaram, mas ficou tão chateado por ela achar que não era necessária, usando palavras dele próprio para contrapor a sua ideia que havia falado demais e, nervoso, tentou consertar o que dissera sem parecer tão ridículo. E funcionara. Agora os dois estavam ali, separados e em um silêncio sepulcral, mas já era um começo, ele pensou. Porém, o tempo foi passando e, apesar de estarem em missão, ele só conseguia relembrar de outros momentos em que ela o ajudou e ele havia a desmerecido e isso começou a incomodá-lo. Ela estava ali porque queria, sabia disso, mas se fosse qualquer outra pessoa, depois de tudo o que ele dissera, dificilmente mexeria um dedo para ajudar no que fosse. Sakura era altruísta, ao contrário dele. E aquilo ficou martelando na cabeça dele o tempo todo, até que tomou coragem para falar com ela.
A princípio a sua intenção era comentar unicamente sobre a missão, mas quando viu as palavras saíram da sua boca sem permissão, como se Naruto tivesse o instruído a fazer aquilo e como ele se arrependia ao ver a demorar dela responder algo. Deveria ter ficado calado, ter esperado outro momento, deveria...
— Sasuke— ouviu ela lhe chamar no comunicador e, inconscientemente, prendeu a respiração – Acho que vi alguém se aproximando.
...deveria não ter se decepcionado tanto por ela lhe ignorar daquela forma.
—*-
Naruto observava de longe os dois. Havia recebido a resposta de Tsunade e dois times já estavam a caminho para auxiliá-los na captura de Kabuto, algo que ele agradecia, pois haviam percebido a entrada e saída de muitos ninjas, inclusive da Akatsuki, e pela última experiência sabia que não iria ser fácil uma luta contra eles estando somente Sasuke, Sakura e ele. Mas enquanto esperavam os reforços preferia ficar com o seu mais novo hobby e ajudar o amigo a se acertar com Sakura. Claro, Sasuke ultimamente parecia querer fazer as coisas do seu próprio jeito, um jeito bem estranho e bem lento, mesmo assim ele ainda dava os seus conselhos de ouro – afinal seu mestre fora Jiraya e ele era um expert nessa área, apesar de pervertido – e tentava empurrar a amiga para o Uchiha.
E ele podia dizer que, mesmo que Sasuke brigasse consigo, estava contente de ver a interação dos dois, só desejava que as coisas fluíssem com uma maior rapidez. Mas pelo menos ele estava tentando, finalmente Sasuke parecia estar disposto a dar uma chance à felicidade e Naruto nem ao menos precisava conversar com o amigo sobre isso para saber, bastava observar como o Uchiha passava a olhar Sakura, como ele tentava ficar perto dela sob qualquer pretexto e como tentava iniciar uma conversa com ela, mesmo que falhasse miseravelmente na maioria das vezes e ele tivesse que intervir.
— Sakura-chan! – chamou a amiga que voltava de mais uma vigia ao esconderijo de Kabuto.
Era a quarta vez que ela ia junto com Sasuke, tanto ele quanto Naruto sabiam que era necessário aproveitar a chance enquanto seus companheiros não chegavam para finalizar a missão. Por causa disso, Naruto sempre inventava algo e deixava os dois irem sozinhos, já que notara que quando eles voltavam havia algo diferente em ambos, como agora. Sakura parecia se controlar para não rir e Sasuke estava mais emburrado do que o normal, mesmo que não estivesse exatamente irritado com algo.
— Como foi lá? – perguntou mais interessado nos dois do que na missão propriamente dita, mas logo percebeu a seriedade ao ver o sorriso da amiga desaparecer.
— O shinobi com quem eu lutei estava lá – e recordou-se do ninja das marionetes que havia a envenenado. Se ele estivesse ali quando fossem capturar Kabuto seria um problema na hora do combate. Não sabia quem era esse ninja, mas tinha certeza que ele estaria em vantagem se usasse algum tipo de veneno.
— Não precisa se preocupar, antes de qualquer movimento deles, teremos capturado todos – foi Sasuke quem se manifestou para a surpresa de ambos. Ele não costumava consolar os outros. – O que foi? – indagou sério e Sakura deu ombros, desviando o olhar, mas Naruto notou que ela parecia ter ficado feliz ao ver que Sasuke se importava.
— Afinal, quem vem? – mudou de assunto e o foi a vez do Uzumaki sorrir.
— Kakashi-sensei, Shikamaru, Ino, Kiba, Neji e a Hina-chan! – disse o último nome de forma mais animada e isso não passou despercebido pela amiga.
— Hina-chan, hein? – brincou e Naruto a olhou sem entender. Sasuke bufou e revirou os olhos.
— Esqueça, ele é um tapado – afirmou e Naruto começou a protestar com o Uchiha e ela só pode sorrir ao ver aquela cena novamente.
De repente se deu conta de algo e logo o seu sorriso morreu. Xingou-se mentalmente. Era uma tola de coração mole, havia dito que não se aproximaria de Sasuke novamente, não acreditaria em ilusões e lá estava ela, de novo, se deixando levar. A cada dia que passava via algo diferente nele, já havia reparado nisso desde Konoha, mas desde a última discussão dos dois, desde o beijo entre eles... as ações de Sasuke pareciam ser de alguém que não conhecia, ou melhor, eram de alguém que não via há muito tempo. Ele estava como no passado. Ainda era de poucas palavras, sempre sério, mas era atencioso com os outros, preocupava-se como demonstrara a pouco.
Além disso havia a vigia que estavam fazendo juntos, ela não sabia explicar o que acontecia lá, em um primeiro momento ficavam sem se falar, sempre atentos a qualquer suspeito, mas conforme o tempo passava e nada acontecia, Sasuke puxava papo com ela. Puxava papo! Ela ainda ficava assustada quando acontecia, sempre pensando que devia estar imaginando coisas, então ele começava a falar. Na primeira vez foi apenas para dizer que ele admirava o fato de não desistir, que ele não a subestimava, na segunda vez ele fez um comentário sobre a missão e falou sobre genjutsu. O motivo dele falar sobre algo tão sem nexo a deixou confusa, foi então que ela percebeu que ele apenas queria conversar com ela, mas não sabia como.
E ela podia dizer que achou aquilo engraçado e, por causa disso e por querer saber como ele reagiria, decidiu simplesmente ignorá-lo. Quando ele terminou de falar de genjutsu ela simplesmente bufou como se estivesse entediada e indagou o motivo daquela conversa. E Sakura nunca desejou tanto poder ver Sasuke quanto naquela hora, pois o silêncio dele foi constrangedor. E ao vê-lo, depois de decidirem encerrar a ronda, pode perceber o quanto ele estava chateado e com o orgulho ferido por sua resposta malcriada. Talvez, esse tenha sido o motivo de ter ficado tão surpresa quando ele voltou a tentar conversar com ela no outro dia, e, dessa vez, ele fazia perguntas diretas para ela, pois assim ela não poderia ignorá-lo.
Os tópicos eram bem aleatórios, mas ele parecia tentar conhecê-la mais ao procurar saber sobre o seu trabalho no hospital. E ele não podia ter escolhido melhor pergunta, pois isso era algo que ela adorava falar e foi a primeira vez, em muito tempo, que, mesmo que ela tenha falado na maior parte tempo, sentiu-se à completamente vontade com ele. Não havia preocupações sobre como agir, nem em ter seus movimentos vigiados e controlados. O problema consistia no fato de que ao vê-lo pessoalmente todos os seus receios voltavam e ela preferia se isolar novamente. E agora, nessa última vigília, Sasuke a surpreendeu novamente ao conversar sobre os treinos dele, foi algo bem superficial que ele comentou, provavelmente tentando atiçar a sua curiosidade, o que conseguiu, mas tentou fingir que não se importava e ele irritara-se por estar sendo esnobado, fazendo Sakura ficar radiante por uma besteira dessas.
Suspirou, tinha que parar com aquilo. Tinha que focar que não queria ser mais machucada por Sasuke. Tudo aquilo terminaria em breve. E ela não desejava que Sasuke ocupassem sua mente mais do que já ocupava. Ela havia decidido.
—*-
Haviam acabado de chegar nos arredores da Vila da Cachoeira. Era de noite e parecia que tudo estava em paz ali. Era realmente um bom lugar para descansarem. Mas estavam à espera de Sasuke e Naruto para que iniciassem o plano. Ou melhor para planejar algo. E contava que Shikamaru já estivesse fazendo a sua parte pensando em algo. Suspirou e sacou do bolso o seu adorado livrinho, enquanto isso ficaria contente se distraindo com sua leitura.
— Kakashi-sensei! – ouviu a voz escandalosa de seu ex-aluno e bufou por ter que guardar o livro novamente. Mas ao virar-se surpreendeu-se ao ver Sakura entre os dois rapazes que formavam o seu antigo time.
— Desculpe a demora – pediu Sakura com um sorriso e o Hatake voltou seu olhar para Sasuke que nada dizia.
— Sem problema, acabamos de chegar e... – foi interrompido ao ver um furação loiro passar na sua frente e se jogar na rosada.
— Testudaaaa! – Ino abraçou Sakura fortemente que retribuiu o gesto – Que saudades! Como você está? Está se alimentando direito? Tem se cuidado? O Uchiha não aprontou nada com você? – disparou diversas perguntas e Sakura apenas tentava acalmar a amiga.
— Oe Ino! – e ria nervosa olhando da loira para o marido, com medo de que ele se irritasse com a Yamanaka. Porém Sasuke nem ao menos parecia notar a presença da loira, algo certamente impossível.
— Sakura-chan! Naruto-kun! Sasuke-san! – Hinata apareceu cumprimentando-os com uma leve reverência, sendo retribuída, de forma exagerada, por Naruto – Não sabia que a veria aqui – disse contente em ver a Uchiha novamente.
— Nem eu sabia! – brincou, mesmo que no fundo falasse a verdade. Ainda estava surpresa que Sasuke houvesse a chamado.
— Sakura irá ajudar na captura de Kabuto – foi o Uchiha quem se manifestou e todos os companheiros lhe encararam com assombro, afinal as leis do clã dele eram conhecidas em toda Konoha.
— O queê? – Ino foi a primeira a exclamar, mas o olhar irritado de Sasuke não deixou dúvidas de que ele falava sério e em seguida abraçou a amiga com força, novamente – Testuda essa será a nossa primeira missão juntas! – vibrou para a felicidade de Sakura que também havia pensado nisso.
— Essa é nova, uma Uchiha em campo? – Kiba, o shinobi com marcas no rosto tradicionais do clã Inuzuka, deu voz ao que todos pensaram no momento, mas ninguém tinha coragem de dizer e ouviu seu companheiro canino, Akamaru, latir, concordando.
— Acha certo deixá-la participar? – Neji disse de forma cautelosa, a ex-Haruno não sabia nada sobre estratégias de ataque ou como agir em situações de risco como eles.
— Ela conhece um dos shinobis inimigos, lutou contra ele, além disso a decisão final é minha e está tomada – foi o que respondeu, não dando margem para que o Hyuuga o criticasse.
— Ótimo, então, Sakura, venha aqui, preciso saber melhor o que estamos enfrentando para montar um plano – Shikamaru interviu ao ver que Neji não havia gostado da resposta do Uchiha.
Sakura se afastou com Shikamaru dos demais, para falarem sobre o que haviam descoberto sobre os ninjas que enfrentariam, principalmente aquele que utilizava veneno, enquanto os outros voltaram a comentar sobre como estava a situação em Konoha. Ela estava concentrada em dar o máximo de informações possíveis, tanto que nem percebeu que o olhar de certa pessoa a acompanhava a todo o momento. Entretanto isso não passou despercebido por Naruto e Kakashi que sorriram satisfeitos com o que viam.
— Oe Teme – cochichou Naruto para o amigo que o encarou – Tente ser mais discreto – brincou e o Uchiha apenas bateu na cabeça do loiro que começou a resmungar e Hinata foi ao seu auxílio.
— Me agradeça depois, Dobe – mumurou Sasuke, deixando uma Hinata envergonhada e um Naruto sem entender, porém antes que mais algum diálogo se iniciasse Kakashi resolveu se intrometer.
— Yare, yare, vamos logo com isso.
—*-
Haviam se posicionado em lugares diferentes. Sakura repassava o plano todo em sua mente, recordando das palavras exatas de Shikamaru: “O plano consiste em três grupos de ataque. O primeiro grupo será a isca e responsável por desarmar as armadilhas do lado de fora, atraindo os ninjas que ali estavam. O segundo grupo seguirá em frente, entrando no esconderijo e teriam que estar prontos para enfrentarem os mais fortes que guardariam Kabuto. Por último, o terceiro grupo ficará escondido, do lado de fora para capturar os que tentassem fugir e impedir que atacassem a Vila da Cachoeira.” Colocou suas luvas e manteve no seu posto. Ela faria parte do terceiro grupo e, mesmo que tenha se irritado por Sasuke dizer que era o grupo com menos chance de se envolver em problemas, não deixaria que ninguém da Vila ficasse machucado por sua causa.
Aquela missão terminaria hoje e ela faria o seu melhor, havia se afeiçoado a muitas pessoas da Vila, que nem ao menos tinham conhecimento do que estava para acontecer, apenas os ninjas da aldeia que ficariam responsáveis por proteger a Vila. Isso foi algo que Naruto questionara, o motivo de não envolverem os ninjas da Cachoeira no combate, afinal eles poderiam ajudar a deter os nukenins. E mesmo que não tivesse gostado da resposta, tivera que concordar com Neji ao ouvir que aqueles ninjas não os ajudariam pelo fato da vila ser neutra em questões ninjas e, portanto, não terem muitos shinobis competentes. O problema maior foram as palavras usadas, nem um pouco gentis de Neji, chamando-os de inúteis. Bufou e balançou a cabeça, deveria se concentrar. Junto com ela estavam Shikamaru e Ino, cada um em uma parte um pouco distante do outro, conectados por um pequeno comunicador.
Todos ouviram uma explosão e ela soube que o plano havia se iniciado, bastava aguardar agora.
—*-
Ela estava no mesmo grupo que Kakashi e Kiba e seu objetivo era encontrar e desativar possíveis armadilhas e enfrentar shinobis que apareceriam. Ativou o byakugan para ter uma noção melhor da área em que se encontravam. Ela seria a maior responsável para que tivessem êxito naquela etapa. Com o byakugan teria que encontrar todas as armadilhas e avisar aos companheiros para que eles as inutilizassem, somente uma seria ativada, mas tudo fazia parte do plano de Shikamaru.
— Encontrei mais uma – avisou pelo comunicador a Kiba e Kakashi.
— Onde está? – foi a voz de Kakashi que respondeu primeiro.
— Cinco metros a noroeste – informou – Uma árvore com papéis bomba.
— Certo, eu estou perto de lá, deixem comigo e o Akamaru – Kiba respondeu e foi em direção ao local indicado.
— Vê mais alguma, Hinata? – Kakashi indagou e a menina começou a procurar novamente na área.
— Tem somente mais uma, está na parte Norte da entrada do esconderijo, dez metros.
— Ótimo, vamos nos encontrar todos lá e ativar a armadilha – Kakashi informou e teve a anuência dois outros dois.
Não demorou muito e logo uma pequena explosão foi ouvida. Esperava que os shinobis da Cachoeira mantivessem a sua palavra e ficassem apenas na Vila para ajudar e acalmar os cidadãos do que estava por vir, mas logo a atenção de Hinata focou-se novamente na área, agora coberta de fumaça, e usando a sua kekkei genkai, viu quando oito ninjas saíram do esconderijo para averiguar o que tinha acontecido.
— Oito ninjas – informou e mais uma bomba de fumaça foi jogada por Kiba – Kakashi, veja a sua esquerda, Kiba à direita. Dois de cada lado.
Hinata era vital para que aquela parte do plano desse certo, pois ela seria os olhos que guiariam seus companheiros. E ela não falharia na frente de Naruto.
— Hakkeshõ Kaiten – disse antes de liberar um impulso com a palma da mão em alta velocidade enquanto seu corpo girava, formando um escudo de rotação de chakra ao mesmo tempo em que atacava. A rajada de vácuo compactado foi usada diretamente para acertar os órgãos vitais dos oponentes restantes, lançando-os para longe devido a tremenda força utilizada antes mesmo que tivessem a oportunidade de perceber que eles foram atingidos.
—*-
— Incrível! – Naruto disse admirado ao ver a fumaça se dissipar pelos ataques de Hinata. Todos os ninjas estavam inconscientes no chão. – Eu não sabia que a Hina-chan era tão forte assim!
Sasuke apenas observou a cara de embasbacado de Naruto e revirou os olhos com a lerdeza dele, mas voltou a observar o campo de batalha, mais shinobis surgiam e mais uma vez uma bomba de fumaça foi usada. Era agora que a parte deles começaria. Correndo dentro da cortina de fumaça, eram guiados por Neji que também utilizava o byakugan e conseguiram chegar ao centro do esconderijo. O local era mal iluminado, mas dava para perceber que havia sido modificado. De uma simples caverna, escondida no meio da floresta, aquele lugar se transformara em uma base repleta de caminhos diferentes, o que os fizera parar no meio de uma bifurcação.
— E agora? Para onde vamos? – Naruto indagou, coçando a cabeça em dúvida.
— Vamos nos dividir, será mais eficiente. Se alguém encontrar Kabuto, basta avisar pelo comunicador – Neji sugeriu e todos concordaram, seguindo um caminho diferente.
Naruto escolhera a passagem do meio e Neji a da direita, sobrara, então, a esquerda para si. Sasuke não perdeu tempo, e correu para dentro do túnel extenso, iluminado apenas por tochas esparsas. Aquele lugar era enorme, não entendia como havia passado despercebido pelos shinobis da Cachoeira, mas não podia se preocupar com isso no momento, tinha que capturar Kabuto. Estava irritado consigo desde o dia em que o deixara escapar, havia sido tolo em cogitar a proposta dele, Sayumi nunca mais voltaria para si e ele devia seguir em frente. Pensou em Sakura naquele momento e forçou seus pés a correrem mais rápido, iria reparar os seus erros.
Entrava em algumas portas à espera de encontrar o Yakushi, mas todas estavam vazias, falou com Neji pelo comunicador e ele também não estava tendo sucesso em encontrar o nukenin, sobrara Naruto. Precipitou-se para falar com o companheiro, mas uma explosão o pegou de surpresa. Suas vistas escureceram por um momento e não conseguia ouvir nada a sua volta, estava atordoado, seu corpo fora jogado com força em uma das paredes do esconderijo, que cedera, e por pouco não foi atingido diretamente. O que havia acontecido? Indagou-se tentando fazer sua visão focar-se em algo, mas antes que pudesse se orientar, foi acertado por trás e desmaiou.
— Desculpe, Sasuke-kun, mas não posso deixar que me capture. – Kabuto disse com um sorriso perverso.
— Posso acabar com ele, agora? – o loiro de cabelos compridos que usava um manto com nuvens vermelhas, questionou ansioso, queria explodir mais coisas.
— Não, você já fez o suficiente – respondeu irritado ao ver que tudo quase desabou por causa das bombas de Deidara – Ainda temos planos para ele.
— Fala sério, esse cara nem parece tão forte assim – e deu um chute no rapaz desacordado.
— Cuidado com o que fala, se fosse uma luta justa não acho que teria muitas chances com ele – Kabuto disse enquanto dava meia volta e saía daqueles escombros – Vamos aproveitar que os outros estarão preocupados em ajudar o Uchiha e vamos sair daqui.
— Tsc, até parece que ele me venceria – o loiro resmungou mal humorado, mas seguiu o outro shinobi.
—*-
Naruto ficou preocupado ao ouvir uma explosão, tentou contatar Sasuke, mas ele não respondia, resolveu então ver como o amigo estava, mas foi abordado por diversos shinobis.
— Mas o quê? – ficou surpreso com a quantidade, onde eles estavam escondidos? – Kage bushin no jutsu! – e logo havia trinta clones seus que iniciaram uma batalha com os ninjas – Droga, eu não tenho tempo para ficar brincando! – bradou irritado.
— Naruto! – virou-se a tempo de ver Neji chegar para ajudá-lo – Byakugan! Hakke Rokujūyon Shō! – disse e em seguida passou a golpear rapidamente os sessenta quatro pontos de pressão por onde o chakra era liberado de dez ninjas, tornando difícil para os inimigos se moverem e controlarem o chakra.
— Neji! Onde está o Sasuke? – indagou ao se aproximar do Hyuuga que o ignorou e passou a observar os inimigos caídos e os que ainda estavam de pé. – Neji! – Naruto bradou, chamando a atenção do outro.
— Estamos com problemas sérios – foi o que o Hyuuga disse e Naruto franziu o cenho.
— O que quer dizer? – e viu mais shinobis aparecerem para enfrentá-los.
— Tem alguém controlando esses ninjas. – e ao ver que o Uzumaki continuava sem entender, explicou melhor – Esses eram pessoas como eu e você – e apontou para os ninjas inconscientes – Mas aqueles com seus clones não passam de bonecos. Estamos sendo enganados aqui.
— O quê? Mas por que?
— Não é óbvio? Para que Kabuto consiga fugir! – e foi então que Naruto lembrou-se da explosão.
— Droga! Precisamos ajudar o Sasuke! – mas foi impedido por mais um shinobi – Saia do meu caminho, idiota! – rugiu, furioso. Seu amigo poderia estar enfrentando Kabuto sozinho e ele tinha que ajudá-lo, mas antes que pudesse atacar, Neji tomou a sua frente em posição de combate.
— Eu ficarei aqui, posso ver quem são os verdadeiros inimigos – disse com o byakugan ativado – Vá atrás de Sasuke e informe Shikamaru, caso algo dê errado, ele terá que agir. – Naruto apenas aquiesceu e saiu dali, tinha confiança que Neji não perderia para um monte ninjas e bonecos. – Vai ficar nas sombras por quanto tempo? – exclamou.
O responsável por isso sorriu ao ver a kekkei genkai, talvez fosse interessante lutar contra um Hyuuga. Estava usando Hiruko dessa vez, não permitiria que outra pessoa visse sua real aparência, já bastava a garotinha com quem lutara em Konoha, mas ele tinha consciência de que ela não era mais um problema depois de usar o seu veneno. E agora esperava que pudesse se divertir um pouco com esse Hyuuga.
— Vamos ver até onde aguenta Hyuuga – disse antes de vinte bonecos se levantarem para atacar Neji ao mesmo tempo.
— Hakkeshō Kaiten – em seguida girou o corpo rapidamente para bloquear o ataque, criando um escudo de rotação de chakra em torno de si e jogando todos os atacantes próximos para longe.
— É uma boa defesa, mas Hiruko ainda é melhor – murmurou para si e preparou outro ataque – Vamos ver o quanto você aguenta.
— Danna! — ouviu o chamarem e bufou irritado, era a segunda vez que Deidara o interrompia em uma luta – Precisamos que mande seus bonecos para cá, existem alguns ninjas da Folha nos incomodando.
— Não consegue fazer nada direito, Deidara? – murmurou e viu Neji sendo atacado por um nukenin que fazia parte do exército que criavam. Deixou que ele se divertisse enquanto fazia como o companheiro pedira.
— A culpa não é minha se apareceu um cara que controla sombras com uma loira e outra de estranhos cabelos rosa! — reclamou e Sasori parou o que estava fazendo.
Sorriu ao pensar em quem poderia ser a garota com tal tonalidade de cabelo e quis se certificar se era ela, pois se fosse, ele mesmo a mataria.
— Acho que terei que acabar com isso mais cedo do que o esperado – disse, observando Neji finalizar os dois últimos shinobis que ainda eram vivos.
— Acho melhor não me subestimar – Neji disse em frente a Hiruko.
— Acho melhor não se superestimar – devolveu antes de usar a sua cauda para atacar o oponente diretamente.
Neji passou a esquivar-se o mais rápido que pode, não podia imaginar que aquela carapaça, que abrigava o shinobi do lado de dentro, poderia ser tão ágil. O seu byakugan já havia notado que se tratava de uma armadura, mas ele procurava alguma abertura para atacar, porém isso se mostrava impossível enquanto tinha que desviar dos golpes. Usou o punho para afastar a cauda de Hiruko, provocando um pequeno corte no seu braço, e decidiu começar a atacar para ver se conseguia danificar alguma parte daquela defesa e Sasori parou seus movimentos, o que fez Neji estranhar, mas nem por isso recuou seus ataques.
Usando o seu jutsu do “punho gentil” começou a acertar diversos pontos da armadura para destruí-la. Rodava toda aquela carapaça, porém os efeitos eram mínimos pelo o que podia ver. Mas não desistiu.
— Hakke Rokujūyon Shō – e começou a golpear incessantemente em todas as possíveis aberturas que achava. Ofegante, afastou-se para ver até onde atingira e surpreendeu-se com o que viu.
— Acho que fez cócegas, garoto – e riu ao ver a cara abismado do Hyuuga – A minha armadura, Hiruko, é impenetrável, você... – mas antes que pudesse concluir, ouviu um estalo e viu com assombro uma parte da sua preciosa armadura trincar e outra parte se soltar, formando um buraco perto da cauda.
— O que dizia mesmo? – Neji sorriu de forma superior e aquilo foi o suficiente para o sangue de Sasori esquentar como a areia do deserto.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!—*-
Ficaram surpresos ao ver tantos inimigos ali, provavelmente algo dera errado no plano, mas mesmo assim eles tinham que lutar e impedir que fugissem ou entrassem na Vila da Cachoeira. Ela e Ino foram as primeiras a entrar no campo de batalha, indo para a luta corpo a corpo, enquanto Shikamaru continuava a observar quem aparecia naquela área. E quando os olhos do Nara identificaram o manto da Akatsuki, não teve dúvidas de que a pessoa ao lado daquele ninja era Kabuto. Era verdade então, a Akatsuki estava ajudando Kabuto, dando até mesmo proteção para ele. Mas a pergunta certa, era: por quê?
Olhou para cima e pode ver a lua bem clara no céu, ótimo, ele não teria problemas e no instante em que eles encostaram os pés no chão, ele conseguiu atingir o seu objetivo.
— Kagemane no Jutsu! – e sua sombra se estendeu por todo o campo de batalha, prendendo também todos que ainda lutavam contra Ino e Sakura.
— O quê? – Deidara exclamou quando não conseguiu se mexer – Mas que droga é essa?
— Nara – Kabuto disse ao se dar conta do jutsu que os prendiam.
— Parece que você não esqueceu da técnica do meu clã – Shikamaru disse surgindo das sombras – Jutsu de Imitação das Sombras concluído com sucesso – se vangloriou.
— É isso aí Shikamaru! – Ino vibrou e Sakura sorriu feliz ao ver que haviam conseguido.
— Vejo que ainda continua insistindo nessa história de lutar, Sakura-chan – Kabuto chamou a atenção da ex-Haruno que franziu o cenho, toda a sua alegria se esvaindo.
— Seu miserável, por sua culpa... – tentou ir até ele, mas Ino a segurou.
— Ah, ainda com ressentimentos? Deveria se preocupar com o Sasuke-kun agora, ele não estava muito bem quando o deixei – disse e ficou contente ao ver a expressão dela mudar para o completo pavor.
— O que disse? – ela não soube dizer o que sentiu ao ouvir aquelas palavras. Devia se chamar de burra por se preocupar com Sasuke depois de tudo o que ele lhe fez, mas, ao mesmo tempo, doía para ela ouvir que ele poderia... poderia... Fechou os olhos com força – Não... – murmurou e em seguida encarou Kabuto, confiante do que dizia – Sasuke não iria perder para você.
— Sabe, a conversa está boa, e eu não entendo o que esse Uchiha tem, mas – Deidara se manifestou depois de muito tempo calado – Acho que não vamos podemos ficar, vocês tem companhia – e sorriu de forma perversa.
— O que quer dizer? – Ino disse, mas em seguida mais de trinta ninjas surgiram das árvores, iniciando um ataque – Droga, Shikamaru, você consegue prendê-los? – indagou ficando mais perto do Nara e Sakura imitou os seus passos, estavam cercados.
— Não. Todo o chakra que estou usando é para deter os que estavam lutando com vocês e esses dois. Sinto muito – e sorriu de forma nervosa. Estavam em uma situação difícil.
— Por que está se desculpando, idiota? – Ino falou um pouco irritada – Nós vamos te proteger, apenas não deixe que esses dois fujam – e em seguida encarou Sakura que sorriu, iria lutar com a Yamanaka até o final – Vamos lá, Testa de Marquise!
— Vamos Porquinha! – e ambas saltaram para lutar.
— Esse é o reforço? – Kabuto questionou Deidara que apenas ria.
— Claro que não, essa é apenas a distração. Enquanto você jogava papo furado, eu falei com o Danna e ele deve estar a caminho – e Kabuto sorriu, com Sasori ali não iriam perder.
—*-
— Sasuke! – ouviu lhe chamarem e forçou seus olhos a abrirem – Teme, não me dá um susto desses! – Naruto bradou e o Uchiha pensou que ficaria surdo devido à proximidade do amigo.
— Naruto... – disse grogue, afastando-se do Uzumaki – O que houve?
— Kabuto explodiu a área e deve ter fugido. Precisamos voltar e ajudar os outros, Shikamaru deve estar com problemas – informou rapidamente e Sasuke arregalou os olhos com a possibilidade de Sakura estar perto de Kabuto.
— Não... – levantou-se rapidamente e Naruto teve que segurá-lo para não ir ao chão novamente.
— Calma aí cara! Não pode se levantar tão rápido – brigou, mas Sasuke não lhe deu ouvidos e logo estava correndo para sair dali – Teimoso! – bufou antes de seguir o amigo.
—*-
Hinata já havia percebido que a maioria eram bonecos, mas como uma única pessoa poderia comandar tantos ao mesmo tempo? E por que ela não conseguia identificar quem os controlava? Parecia até que não estava ali. Ofegou pelo esforço, acabava de destruir mais um boneco e suas forças se esvaiam, desativou o seu byakugan, para tentar descansar um pouco. Os planos de não chamar a atenção haviam ido por água abaixo, pensou ao ver área destruída e seus companheiros envolvidos em outras lutas, esperava ao menos que ninguém tivesse passado por Shikamaru, ou poderiam ter problemas com os shinobis da Vila da Cachoeira.
Respirou fundo tentando juntar as suas forças e quando deu por si estava cercada por cinco oponentes. Começou a lutar com cada um deles, agora mais lenta, mas não desistiu. Não importava se os inimigos tinham vantagem no número, ela continuaria lutando. No entanto, cometeu um deslize e foi acertada por alguns golpes que a levaram ao chão. O ar lhe faltou por um momento e, enquanto tentava se recuperar, notou que outro inimigo vinha em sua direção com uma kunai. Tentou esquivar-se mas suas pernas não obedeciam, o golpe viria e ela não conseguiria escapar, preparou-se para o pior e fechou os olhos com força.
— HINATA! – ouviu a voz daquele que amava lhe chamar e abriu os olhos rapidamente ao sentir seu corpo ser suspenso por alguém. – Você está bem? – Naruto indagou enquanto carregava a garota, por sorte ele conseguiu chegar a tempo.
— N-Naruto-kun! – disse admirada por ele tê-la salvado e corou ao notar que ainda estava nos braços dele.
— Não se preocupe, eu vou te proteger! – disse com um sorriso inocente e a Hyuuga ficou ainda mais vermelha ao ouvir essas palavras e por tê-lo tão perto de si.
— Naruto! – Kiba chamou o Uzumaki ao se aproximar e este colocou Hinata no chão, foi quando ela notou que havia diversos clones do loiro lutando contra vários os inimigos – Onde está o Sasuke? E o Neji?
— O Teme foi tentar ajudar Shikamaru e os outros e Neji ainda está lutando lá dentro – disse preocupado com o outro Hyuuga que demorava – Vim para ajudar aqui.
— Quem está controlando todos essas marionetes? – Kakashi indagou enquanto deixava inconsciente um dos poucos shinobis verdadeiros.
— É aquele com quem a Sakura-chan lutou – disse e voltou preparou-se para voltar a lutar – Mas se ele pode controlar muitos bonecos eu posso fazer mais clones! ‘ttebayo! – e sorriu determinado, pronto para fazer os selos e invocar mais de suas cópias.
Hinata sorriu para a empolgação do amado e ativou novamente o byakugan, iria lutar junto com Naruto.
—*-
— Já está cansada, Testa de Marquise? – Ino perguntou ofegante.
— Claro que não! Poderia fazer isso o dia todo, Porca – retrucou Sakura, mas ela também estava chegando ao seu limite.
Em um instante diversos shinobis apareceram e ela não pode evitar a sensação de Déjà vu ao recordar que o mesmo acontecera quando atacaram Konoha pela primeira vez. Balançou a cabeça e golpeou um inimigo que ameaçava atacar Shikamaru por trás. O Nara era o maior alvo naquele momento e este parecia ter cada vez mais dificuldade de permanecer com o jutsu e se ele não aguentasse, além de perderem Kabuto, também iriam ter mais oponentes. Fechou o punho com força e ao ver Ino ser acertada no braço por uma lâmina, teve medo pela amiga
— Ino! – tentou chegar perto da loira, mas essa logo revidou destruindo o inimigo que não passava de um fantoche. Ela já sabia quem era o adversário ali, mas não conseguia localizá-lo e isso dificultava as coisas.
— É melhor se preocupar com você, Sakura. Eu estou bem! – sorriu e enxugou o suor do rosto.
— Certo, mas não esqueça de...
— Eu sei, eu sei, não irei morrer envenenada – interrompeu a amiga e voltou a combater quem mais se aproximava de Shikamaru.
— Ora, por que não desistem de uma vez? Só estão adiando o inevitável– Deidara disse com um sorriso perverso. Se Sasori somente enviando algumas de suas marionetes estava causando tamanho problema, quando ele aparecesse, não iriam conseguir detê-lo, afinal ele foi o responsável por matar um dos Kazekages.
Shikamaru resmungou com aquele comentário, seu chakra estava quase no limite, tinham que fazer algo para sair dali. Entrou em contato com Kakashi que continuava lutando, mas parecia que lá tudo estava mais controlado, então pediu por reforços. A verdade era que havia planejado tudo, mas não imaginava que a capacidade do inimigo fosse tão grande, mesmo com Sakura alertando-os. Com certeza a Akatsuki era mais perigosa do que pensara, havia os subestimados e estavam pagando por isso. — Que problemático...
Sakura arfava, mas pelo menos o número estava diminuindo, pulou para trás ao ver um shinobi com uma katana se aproximando. Esse era de carne e osso e não usava nenhum hitaiate, então deveria ser algum shinobi mercenário que estava ajudando Kabuto e a Akatsuki, haviam vários como ele ali, e ela questionava-se o que levava alguém a ajudar pessoas como Kabuto. Socou o chão com força e uma pequena cratera se abriu no lugar, engolindo alguns dos inimigos, mas o que detinha a espada conseguiu escapar.
— Droga! – amaldiçoou ao vê-lo pular sobre si e usou uma kunai para se defender do golpe que seria fatal caso a acertasse.
Começaram um embate e ela não conseguia uma brecha para contra-atacar e ao ver que estavam ficando muito próximos de Shikamaru, Sakura tentou levar a luta para longe dali. A espada do inimigo vinha pela direita e ela desviava para a esquerda, enquanto ele ia para a frente, ela tentava contorná-lo, girando os pés e mudando a direção dos dois. Ela começava a ganhar mais habilidade ao entender o estilo de luta do inimigo, bastava ela aguentar um pouco mais para dar o golpe final, porém algo que não estava planejado aconteceu: Shikamaru ficou sem chakra e seu jutsu fora desfeito.
— Finalmente! – Deidara comemorou, louco para entrar na luta, porém Kabuto o parou.
— Não é o objetivo entrarmos em combate agora – disse sério e o loiro resmungou.
— Quer fugir agora?
— Se não vier comigo, deixarei você para trás – informou sombrio. Não podiam abrir mais uma brecha para que o capturassem. Foi por um triz que tudo não havia acabado agora.
— Merda! – Shikamaru xingou ofegante ao ver que havia falhado.
— Shikamaru! – Ino foi ao encontro do Nara, para verificar se estava bem, mas antes de chegar até ao amigo teve que desviar de algumas bombas jogadas no campo de batalha.
— Ino! — o Nara gritou correu ao vê-la desacordada.
— Só mais algumas bombas e já te sigo – Deidara disse a Kabuto antes de preparar mais da sua argila explosiva. O médico nem ao menos esperou que ele terminasse de falar e já corria para longe dali – Vamos nos divertir um pouco! – sorriu empolgado pronto para acabar com os dois que estavam sob a sua mira.
— Katon: goukakyuu no jutsu! – mas Sasuke expeliu uma grande bola de fogo de dentro da sua boca, impedindo Deidara de atingir novamente os seus companheiros.
— Então você acordou, finalmente? – Deidara sorriu com a perspectiva de lutar contra o moreno, mas esse parecia mais preocupado em procurar outra pessoa no campo de batalha – Oe, eu estou aqui! – reclamou irritado, jogando algumas bombas na direção do Uchiha que foi forçado a se afastar.
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Mais adversários apareceram e ela estava cercada. Arfava, cansada e estava preocupada com Shikamaru, o jutsu havia sido desfeito, mas ele estaria sem chakra ou alguém o atingira? Havia se afastado demais e nem Ino conseguia enxergar. Era somente ela ali contra o shinobi mercenário e mais uma dezena de marionetes, mas tinha que continuar lutando, mesmo que suas forças terminassem. E seu principal objetivo era acabar com aquele que representava uma ameaça maior para si.
Do outro lado Sasuke atacava o adversário que parecia se divertir com a luta, não conseguia localizar Sakura e nem Kabuto e começava a temer que algo tivesse acontecido. Ino estava desacordada e Shikamaru lutava contra alguns bonecos, protegendo a amiga mesmo que estivesse com pouco chakra. Sasuke sabia que não podia demorar, tinha que terminar com aquilo o mais rápido possível e ajudar os outros, por isso tomou uma medida drástica, mesmo que significasse arriscar a sua vida.
Deidara aproveitou-se do que achava ser uma distração do Uchiha e moldou uma de suas argilas explosivas no formato de mini pássaros, lançando em direção ao oponente. Sasuke saltava para trás a cada bomba e quando uma se ficou perigosamente perto de si, usou a katana para cortá-la ao meio, explodindo na sua frente por consequência. Deidara riu ao ver a surpresa do Uchiha, ele não teria como escapar agora, a argila dele era moldada à sua vontade, portanto, poderia explodir quando quisesse. Estava tão confiante que Sasuke não teria escapado que surpreendeu-se ao vê-lo na sua frente, o mangekyou sharingan brilhando fortemente.
— É o seu fim – disse encarando o Akatsuki – Tsukuyomi! – e no instante seguinte o Akatsuki se contorcia e uivava de dor por causa do genjutsu.
Sasuke respirou fundo e tocou o ombro que jorrava sangue por causa do último ataque do loiro, mas ele não podia se preocupar com isso agora, ainda haviam inimigos para lutar e ele tinha que achar Sakura.
— Shikamaru! – e foi para o lado do Nara que destruía mais um boneco – Onde está a Sakura?
— Ela levou alguns inimigos para dentro da floresta, deve estar lá ainda – respondeu olhando o Uchiha que ficara em dúvida sobre o que faria a seguir e Shikamaru sorriu para amigo – Que problemático... vá atrás dela logo! – mandou.
Sasuke arqueou uma sobrancelha, hesitante, mas o Nara aquiesceu, dizendo que estava tudo bem, afinal Kakashi e os outros já estavam a caminho. Concordou e correu a fim de procurar a garota, seu coração galopava no peito e não era somente por causa da adrenalina da luta, ele sentia que algo ruim estava para acontecer, tinha um mau pressentimento e não estava disposto a deixar que se realizasse. Quanto mais corria mais recordava de Sayumi, do ataque que sofreram em Konoha e como ele não pode fazer nada para protegê-la. Cerrou os punhos com força e ouviu o barulho de lâminas se chocando, apressou o passo e prendeu o ar com a cena que viu.
Sakura. A garotinha que mal conseguia usar uma kunai e nada sabia sobre os princípios ninja, lutava contra mais oponentes do que pensara ser possível, havia uma ferocidade no olhar dela que ainda não havia enxergado. Mesmo com os diversos cortes e estando claramente esgotada, ela não parava de lutar, esquivava quando podia, usava a kunai contra o único shinobi que usava uma arma ninja e com os outros usava o próprio punho para golpear e esmagar qualquer inimigo que se aproximasse minimamente de si e tudo com uma graciosidade que ela parecia dançar em meios aos inimigos. Não hesitou em entrar no campo de batalha e começar a atingir quem estava mais perto, mas seu objetivo era chegar até ela, mostrar que estava do seu lado e ninguém o pararia.
Seu ombro doía devido ao ferimento, mas ele continuou atacando como podia, usando a Kusanagi para destruir o máximo de marionetes possíveis, mas ainda não havia alcançado Sakura. Olhou mais uma vez na direção da garota, ela não havia notado a sua presença ainda e estava preocupado que ela não aguentasse mais e quando viu o oponente com uma katana usar de alguma distração para atacá-la, temeu o pior, fazendo-o gritar:
— Sakura!
—*-
— Sakura! – ouviu gritarem o seu nome, mas já era tarde demais.
Não conseguiu desviar da katana que transpassou seu corpo. Seus olhos se arregalaram diante a dor que sentiu e cuspiu sangue enquanto encarava o seu algoz que sorria de forma mordaz para si. Com suas forças se esvaindo rapidamente, ao mesmo tempo em que a dor se alastrava por seu corpo e perdia a razão, conseguiu desferir um golpe na jugular do ninja a sua frente. Ela não iria para o inferno sozinha, pensou.
Mas logo sua mente começou a anuviar e seu corpo não mais respondia aos seus comandos, seus braços pareciam pesar dez vezes mais e sua perna fraquejou, indo de encontro ao chão se não fosse segurada a tempo por alguém. Ela sabia que estava perdendo muito sangue e a inconsciência se aproximava cada vez mais, quase não sentia mais o ferimento em sua barriga, que dava lugar a um torpor reconfortante, e nem se importava com o gosto ferroso em sua boca. Sua vista escurecia pouco a pouco, mas ela ainda conseguiu vê-lo gritando consigo algo incompreensível no momento, claramente irritado, como sempre.
Deu um sorriso fraco ao pensar que finalmente morreria, finalmente iria ver Sayumi de novo e poder pedir desculpas por tudo que fez a ela, finalmente ele iria realizar a vingança que tanto sonhara. Sasuke se libertaria e ela também. Aquele seria o acerto de conta entre os dois. Seria o modo de reparar por todos os seus erros e por fazê-lo sofrer tanto.
— Se cure! Sakura! – ouviu-o bradar.
Curar? Ela até poderia se curar se tivesse algum chakra sobrando, na verdade, mesmo se tivesse provavelmente não faria nada também. Sorriu mais uma vez com o tom de voz dele. Ele parecia furioso, mas tinha algo mais que ela não conseguia identificar, preocupação? Medo, talvez? Ela duvidava muito. Talvez fosse o fato de que ele não conseguia enxergar que aquilo era a sua libertação. Com isso ela esperava que ele pudesse sair das trevas que o consumiam, quem sabe ele pudesse recomeçar depois de tudo? Construir uma família novamente? Ela queria que ele encontrasse a paz, assim como ela estava a alcançando naquele momento.
Sim, estava feliz daquele jeito, não havia vivido da forma como gostaria ou aproveitado tudo como queria, afinal sempre teve que lutar e passar por diversos obstáculos para conseguir seus sonhos, mas ali, enquanto esperava a luz se apagar de seus olhos, nos braços dele, ela podia dizer que mesmo com todos os erros que cometera, no final ela havia feito a coisa certa. No final, ela havia o libertado e ela também estaria livre. Ansiava que Sayumi estivesse orgulhosa de si agora, ela havia cumprido sua promessa!
Sorriu uma última vez para ele, observando o negrume daqueles olhos que a encantaram tanto e a fizeram se apaixonar contra a sua vontade, enquanto sua consciência era tragada para dentro deles.
—*-
Não! De novo não! Sua mente gritou para si e no instante seguinte a segurava em seus braços, sangue esvaía do corpo dela, a katana atravessada no seu corpo. Retirou-a com cuidado e ela nem ao menos parecia perceber o que acontecia ao seu redor. Viu quando as marionetes restantes pararam de se mover misteriosamente, mas pouco se importou. Estava irritado consigo, mais uma vez, mais uma vez ele falhara. Mas ela não era Sayumi, Sakura tinha uma chance ainda, por isso começou a falar com ela, praticamente implorar para que ela se curasse. Ela parecia cada vez mais distante e sorria para si como se fosse a última vez e aquilo o irritou profundamente. Ela estava desistindo.
— Se cure! Sakura!
Porém ela continuou lhe encarando, os orbes verdes cada vez mais opacos, e os dele cada vez mais desesperados. Ela estava indo embora e ele nem ao menos pode dizer o que sentia, nem ao menos pode aproveitar a sua chance com ela. Aquilo não era justo! Por que tinha que perder todos que amava? Já havia ficado sem Sayumi, mas duvidava conseguir seguir em frente sem Sakura, ele não aguentava mais esse sentimento de perda. Seu coração sangrava e ele nem conseguia entender o motivo daquilo. Talvez fosse a culpa batendo em si, por tudo de ruim que fizera com ela, por não ter a ajudado quando ela precisou, não conseguia relacionar que essa dor que sentia era devido ao que sentia por ela ser tão forte. Ele nem ao menos conseguia ficar irritado ou desejar vingança como acontecera com Sayumi, seu coração era somente tristeza e parecia ficar cada vez mais vazio ao vê-la fechar os olhos e não mais abrir.
— Não... – murmurou com ela em seus braços, tocando-a em busca de algum sinal de que ela não havia o abandonado – Não... – pressionava o ferimento, tentando estancá-lo. – Sakura, por favor... por favor...
Seu sonho não podia se realizar, não agora. Não quando finalmente estava tentando ser feliz novamente. Ele ainda não tinha reparado os seus erros com ela. Ele tinha prometido para si que mudaria.
— Por favor, brigue comigo... fale que gosta de trabalhar no hospital... – rasgou uma parte da sua blusa e usou como bandagens, mas estas logo se encharcaram de sangue – ...fale que quer ser uma kunoichi, que eu sou um idiota, mas fale qualquer coisa... por favor... – implorou e cada vez mais ele sentia as suas esperanças se esvaindo junto com a vida de Sakura.
—*-
Onde estava? O que estava acontecendo? Ela morrera? Olhou em volta e não reconheceu de primeira o local, havia muita claridade e isso a impedia de ver com exatidão, mas ela achava que conhecia aquele lugar. Andou um pouco a esmo e viu uma grande árvore de flores sakura a sua frente e arregalou os olhos sem acreditar no que via. Essa árvore era a sua favorita em todo o distrito Haruno, ficava no jardim da sua casa e ela adorava ficar embaixo dos galhos quando frondosos. Mas como poderia ver aquela árvore se ela ficava em Konoha? Olhou em volta tentando enxergar mais alguma coisa que confirmasse o lugar onde estava e novamente se surpreendeu.
Não podia ser. Bem diante de seus olhos, ela surgiu de trás da árvore. Ofegou, sem acreditar no que via, mas o sorriso gentil estava ali e quando ela abriu os seus braços não importava mais onde estava, pois ela só queria estar naquele abraço.
— Sayumi-nee... – falou com a voz embargada enquanto a abraçava o mais forte que podia – Sa-Sayumi-nee-chan...
— Sakura-chan... – ela respondeu correspondendo o carinho. E quando sentiu que ela havia se acalmado um pouco, afastou um pouco a mais nova, sem largá-la, e observou a caçula que tinha o rosto banhado em lágrimas. Lentamente começou a enxugar uma por uma aquelas lágrimas – Você cresceu tanto... – Sayumi disse com carinho e Sakura voltara a chorar.
— Você... você continua mesma – disse sem saber ao certo o que falar e Sayumi sorriu.
— Teoricamente você não muda mais quando morre, Sakura-chan – brincou e ela parecia tão natural que Sakura somente sorriu também – Mas você, eu me lembrava de você sendo um pouco menor do que eu e agora já está do meu tamanho. Tão crescida... é uma mulher agora! – e aumentou o sorriso ao ver sua irmã corar.
— Sayumi-nee! – resmungou, mas em seguida voltou a abraçar a mais velha – Estou tão feliz de te ver de novo – murmurou.
— Eu também – sussurrou de volta.
— Eu tenho tanto que te pedir desculpas que nem sei por onde começar – Sakura voltou a falar.
— Do que está falando? Você não me deve desculpas por nada – Sayumi disse confusa, mas Sakura negou.
— Por minha culpa você... – porém foi interrompida ao sentir a irmã colocar um dedo nos seus lábios.
— Você nunca teve culpa, eu fiz aquilo porque te amava e faria de novo se precisasse – disse séria e Sakura viu sua irmã tão forte, tão decidida e diferente do que lembrava que por um momento pensou que era uma ilusão – E eu sou real, boba – e a mais velha revirou os olhos ao imaginar o que a caçula pensava.
— Você pode ler mentes agora? – questionou surpresa e Sayumi riu.
— Claro que não, mas ainda conheço a irmãzinha que tenho. – e novamente Sakura sentiu as bochechas esquentarem. Parecia que os papéis estavam trocados ali.
— Mesmo assim, o que aconteceu depois, eu... – tentou falar de Sasuke, que havia casado com ele no lugar da outra, mas não conseguiu continuar, então desviou o olhar para um dos galhos da árvore, observando as flores de sakura.
Ouviu a irmã suspirar e voltou a encará-la, mas Sayumi apenas sentou embaixo da árvore, chamando-a para ficar ao seu lado. E ao sentar ouviu a irmã dizer:
— Eu sei, Sakura-chan. Não precisa ficar assim... – disse para a surpresa da mais nova – Sabe, eu sempre pensei que você formaria um par melhor do que eu para Sasuke-sama – comentou um pouco triste.
— Isso não é verdade, eu... – mas novamente foi calada por Sayumi que voltara a falar:
— Não precisa ficar alarmada, isso é algo que sempre observei. Vocês dois sempre tiveram algo que nunca consegui ter com o Sasuke-sama – e revirou os olhos ao se dar contar de algo – Vê? Nem consigo chamá-lo pelo nome e eu nem estou mais viva. – tentou brincar, mas dessa vez Sakura não riu.
— Sayumi-nee, ele te ama, sempre te amou – disse tentando confortá-la, mesmo que isso de alguma forma doesse em si.
— Pode ter amado, mas foi diferente – e Sakura começou a ficar confusa com o que a irmã dizia – Agora eu vejo bem e vejo que ele ama vo.cê – cantarolou o final, deixando a mais nova abismada.
— Não, ele não ama! – retrucou teimosa e Sayumi bufou, conversar com Sakura às vezes era bem difícil, quase esquecera disso – Ele só pensa em você, vive pela sua memória e...
— Já faz um tempo que não sou a dona dos pensamentos do Sasuke-sama e fico feliz com isso – disse deixando a outra rosada boquiaberta.
— F-Fica feliz?
— Sakura, eu morri. – falou o óbvio – E o que eu mais queria era que Sasuke fosse feliz, por isso pedi que cuidasse dele – explicou pacientemente – Acho que, no fundo, já imaginava que vocês ficariam juntos – e sorriu de forma carinhosa.
Voltou a encarar a caçula que ainda tentava processar tudo e acariciou o rosto da menor.
— A única coisa que fico triste é que não estou lá para ajudar você... – e sentiu os olhos ficarem marejados — ...não estou lá para ouvir você falar dele apaixonada, nem para dar conselhos ou brigar com você por ser uma cabeça-dura e não aceitar o que sente... – falou o final com um pouco dificuldade devido ao nó que se formou na garganta.
— Sayumi-nee... eu não, eu e ele, não... – Sakura fungou e tratou de se acalmar, estava chorando demais e ela não queria ficar triste agora, então abraçou novamente a cintura da irmã, nunca se cansaria disso – Isso não importa mais, eu vou ficar ao seu lado agora.
Sayumi apertou a mais nova com força, seu tempo estava se esgotando e, provavelmente, teria que contar a verdade em breve, mas permitiu-se ficar ao lado de Sakura um pouco, dando-lhe o carinho que foi negado depois que se fora.
— Prometa-me Sakura-chan – disse com a voz suave, ainda abraçando a irmã e impedindo que ela visse o seu rosto – Prometa-me que dará uma chance ao seu coração, que não deixará que mágoas impeçam que algo lindo floresça dentro de si.
— O que está dizendo? – Sakura afastou-se sem entender.
— Apenas prometa, Sakura-chan... – e deu um beijo no rosto da mais nova que sentiu um estranho frio com o beijo.
— Eu não entendo porque tenho que prometer isso, eu não tenho mais nada e...
— Não, você ainda tem que lutar, Sakura-chan. Não posso deixar que termine assim.
Sakura arregalou os olhos ao ver que a irmã começava a desaparecer na sua frente e agarrou-se fortemente a Sayumi.
— Eu não entendo, eu morri! Por que não posso ficar com você? – falou aos prantos e Sayumi novamente a acalentou.
— Porque você não morreu. Ainda não é a sua hora... – sussurrou e Sakura a olhou chocada.
— O q-que? – sentiu as mãos frias de Sayumi no seu rosto e tremeu, sem entender o que estava acontecendo.
— Eu te amo, Sakura-chan, nunca se esqueça disso – encostou a testa na menor que a olhava aturdida – Eu sempre vou desejar a sua felicidade e a do Sasuke – e sorriu ao ver que conseguira chamá-lo pelo nome ao menos uma vez.
— Eu também te amo, Sayumi-nee, mas...
— Nada de mais, ouça sua irmã e prometa se cuidar e não se meter em muitas encrencas, não posso salvá-la sempre – e riu baixinho com a própria piada, mas Sakura não conseguia corresponder – E lembre-se de cuidar do Sasuke, dessa vez não por mim, mas por vocês mesmos.
Sakura abriu a boca para falar algo, mas Sayumi não permitiu e tocou na barriga da irmã, onde deveria ter a marca do ferimento que a matara, mas não havia nada ali e mesmo assim sentiu uma dor lancinante que a fez dar dois passos para trás para evitar o contato.
— Quase esqueci de dizer, mas isso você já deve saber – e deu um passo em direção a mais nova que tentava se recuperar. Sayumi cada vez mais parecia prestes a sumir, diversas luzes a rondavam e um brilho emergia de todos os cantos, deixando todo o local muito claro e forçando Sakura a semicerrar os olhos – Eu sempre estarei com você, então não chore mais. Tenho certeza que tudo vai ficar bem a partir de agora – e novamente ela tocou na barriga de Sakura que não aguentou e gritou com todas as forças, enquanto uma forte luz tomava conta do lugar.
Abriu os olhos rapidamente e sentiu tudo girar ao seu redor. Fechou novamente os orbes, tentando organizar seus pensamentos e se recuperar da dor que se alastrava por todo o seu corpo. Recordou-se da luta na Vila da Cachoeira e como tinha sido atingida mortalmente e também... Sayumi. Ela vira a irmã, por um breve momento, mas vira, e ela própria estava morta, tinha certeza disso. Mas o que estava acontecendo? Respirou fundo e voltou a observar onde estava, agora de forma mais calma. Um hospital. Estava novamente em um hospital. Pensou em verificar se tinha alguém ali, mas achou desnecessário, sabia a resposta, não havia ninguém. Nunca havia. Talvez por isso tivesse ficado tão surpresa ao ouvir aquela voz tão perto de si.
— Sakura?
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