Remember me
4 Brigas incertas, pré-festa, querida familia e copos d'agua
Notas iniciais
just want you to take a second, hear me out
Don't think I'm happy cuz I smile when you see me out
Assim que acabou a aula fui para o refeitório acompanhando Percy, por incrível que pareça. Sentei-me a mesa onde as meninas e os meninos estavam, faltavam poucos.
Assim que Thalia se sentou ao meu lado com uma bandeja de comida peguei a única coisa saudável ali, a maça.
– Ei! – reclamou – Aprendeu a roubar na Califórnia é?
– Para de reclamar, cara de pinheiro, duvido que você ia comer isso mesmo.
Deu de ombros concordando. Avisto o cara da aula de história, Noah.
– Quem é? – pergunto apontando com a cabeça discretamente.
E como uma perfeita discrição (Olha a ironia) as meninas se viram para a entrada.
– Já podem contracenar como exorcistas, flores, virar a cabeça em 360° já sabem – Digo revirando os olhos.
– Se pelo menos tivesse um rosinha naquelas roupas – Silena fala fazendo careta, o que me faz rir da sua inocência.
– Vão me responder ou não, lerdezas?
– Calma ai estressadinha – Bianca fala rindo enquanto pega um sanduiche.
– Aquele lá é Noah Cohen – Clarisse começa.
– Ok ok, agora me diz algo que eu não sei – digo sem paciência.
– Mais conhecido como O babaca – Percy fala revirando os olhos enquanto se encostava.
– No caso só o Percy chama ele assim – Grover esclarece
– Já senti cheiro de briga, me contem mais – Falo com um breve sorriso
– Nem olhe para mim! Tudo o que sei sobre a briga desses dois ai é que aconteceu a muito tempo – Leo fala em sua defesa.
– E coloque tempo ai – Nico completa pegando uma batata frita do prato de Thalia e recebendo um tapa na mão de resposta – Não sei onde cabe tanta comida no seu corpo, garota
Com esse maravilhoso comentário Thalia dá um tapa na cabeça de Nico que reclama baixo, o que me faz rir e o resto rir da minha risada.
– Então, já ficaram sabendo? – Luke fala se referindo a mim e Bianca.
– Do que? – Bianca fala distraidamente enquanto come seu sanduíche.
– Da festa que vai ter ué! – Chris fala exasperado.
– Uau, já vai ter festa? Nem completou um dia ainda! – respondo.
– Aqui é assim, vão se acostumando, californianas – Nico fala piscando no final.
Reviro os olhos.
– Como se fossemos ET’s e fosse a primeira vez que ouvimos falar em festas!
– Somos mais populares que você, mané – Bianca fala estalando os dedos como se fosse “metida” e rindo logo em seguida.
– Tão se achando muito – e copiando o mesmo ato de Bianca, Luke completa – Californianas
Já deu pra imaginar né? A cena ficou completamente não-hetéra , já podia confundir com uma garota.
Situação: Todo mundo rindo da cara do Luke fazendo aquilo até dar o sinal e todos terem que ir para suas salas.
–--
As próximas três aulas se passaram rapidamente, algumas apresentações, caras de professores chatos, a velha Sra Dodds que por algum motivo me odiava e ainda me odeia, alguns olhares trocados, nada demais.
Assim que o sinal bateu fui para o estacionamento para ir direto para casa, estava com Bianca ao meu lado. Ela iria pegar sua mala no porta-malas e ir com Nico para sua casa, enquanto eu ia para minha. Assim que cheguei ao estacionamento vejo Calypso agarrando Percy, estava literalmente se jogando nele, chegava a ser nojento ver aquilo.
Assim que me viu se separou da loira aguada e veio com sua incrível paciência e tom doce (só que não) me falar:
– Vou ter que te levar para a casa?
Arqueio as sobrancelhas.
– Nem acredito no que estou ouvindo, pensei que teria que morrer para ouvir o que você falou. Percy Jackson se preocupando em levar Annabeth Chase para casa! O mundo está definitivamente virado ao contrário.
Revira os olhos.
– Quanto drama! Me responde logo que eu já ‘to indo.
– Se não percebeu, eu tenho carro, cabeça de alga! Ou você acha que eu estava arrombando a porta de um? – Disse irônica
Ele dá de ombros
– Não duvido nada de você, sabidinha – Piscou e foi embora, entrando no carro e dando partida.
Logo sai também, bom, como descrever o modo que eu dirijo? Todo mundo está acostumado a pensar que a Califórnia é o estado mais “calminho, tranquilo”, enquanto NY é agitado e é a cidade que nunca dorme, mas – pra falar a verdade — em questão de direção eles são uma lerdeza que só. Ou seja, enquanto eu dirijo extremamente rápido, eles são muito divagares. Resultado: Cheguei a casa no mesmo tempo que Percy, sendo que ele tinha saído bem antes de mim.
– Você veio correndo até aqui ou o que? – Perguntou saindo do carro e o deixando estacionado em frente à casa.
– Porque não coloca na garagem criatura?
– Porque o carro é meu e eu deixo onde ele eu quero
Levanto as mãos em rendição.
– Ok, ok, senhor o-carro-é-meu-e-não-seu, me desculpe!
Ele revira os olhos enquanto da um sorriso de lado (bom sinal, acho), pega as chaves e destranca a porta jogando a mochila sem nem se importar onde.
Minha casa não mudou tanto quanto eu achei que mudaria, continua sendo uma mansão digna de algum ator de hollywood e cheia de frescurisses .
Em sua fachada tinha portões enormes (onde certamente os carros passariam) dando entrada para um espaço aberto que seria onde os carros deveriam estar estacionados (também tinha a outra garagem, que no caso seria coberta). O lugar era contornado por um jardim, bem bonito por sinal, e possuía uma fonte bem no meio, onde estava esculpida Atena Partenos . Aos lados tinha uma pequena trilha que levava aos fundos da casa, onde estava a piscina, mais jardins, uma “área de lazer” e uma casa separada que seria uma espécie de cabana, onde tinha a maioria dos tipos de jogos, tanto de mesa quanto tabuleiro. Ainda na entrada tinha uma abertura mais ao lado que levava a garagem e dentro da mesma uma passagem que dava para a biblioteca interna.
A casa em si tinha um tom meio puxado para o creme e uns dois pilares que dava a impressão que era a sustentação da mesma. Ao entrar o hall era a primeira coisa a ser vista, escadas o contornavam com detalhes em dourado no corrimão, essa área era completamente em branca e dourado e era decorada com alguns poucos quadros e esculturas, além de vasos de plantas. Possuía uma mesa no centro com algumas revistas, provavelmente financeiras ou sobre arquitetura e barcos, mas sem cadeiras, o lustre era de longe o que chamava mais atenção. Em seguida vinha a entrada para a sala de jantar que, acho, não precisa ser detalhada né? Mesas, cadeiras, talheres, prata em quase tudo, não é realmente interessante. Logo dava lugar a sala de estar, que era como todas as outras, sofá, mesinha de centro, uma televisão enorme, a maioria das janelas eram totalmente de vidro e só se cobriam com finas cortinas, a sala era em um tom mais azulado (assim como a área da piscina). A cozinha era como qualquer outra, o tom era mais puxado para o vermelho. A biblioteca ficava logo ao lado da sala de estar em uma entrada paralela, acho que dispensa apresentações.
No andar de cima vinha os dois banheiros e quartos. Primeiro tinha o primeiro banheiro, em seguida vinha o primeiro quarto que seria o da minha mãe e de Poseidon, logo depois o de Percy que não fazia ideia de como era, e por último, ao lado do de Pers, o meu quarto (em frente ao meu quarto tinha o segundo banheiro). Acabava que como nossos quartos eram lado a lado as sacadas acabavam ficando uma do lado da outra.
Meu quarto. O mesmo que eu tinha aos 11 anos, claro que eu precisava dar uma atualizada, mas a maioria das coisas nem precisavam ser tão mudadas.
Três de suas paredes eram cinza, enquanto uma tinha seu papel de parede florido. A parede em frente a minha cama era simplesmente lotada com pôsteres (que eu preciso tirar, não me julguem só porque eu gostava de ‘NSYNC), prateleiras recheadas de livros e CD’s, teria uma tarde longa tirando tudo dali. Logo vinha a parede onde estava minha cama, ali um mural de fotos enfeitava junto com um pisca-pisca (sabe aqueles de natal? Então, acho que ‘tava vendo muito DIY de decoração). Bom, resto do quarto eram uma mistura de móveis como escrivaninhas, penteadeira, estantes, quadrinhos e espelhos, além do meu closet, claro.
Assim que entrei em casa, se é que aquilo um dia foi minha casa, e Atena me viu, eu percebi como tudo estava armado. Aquele ano de longe seria o mais falso que teria. Logo ela abriu um sorriso enorme e veio de braços abertos para mim.
– Annabeth! Minha querida! – E eu com minha cara sem entender nada, ela não devia saber que eu vinha – Seu pai me ligou avisando que a promotoria te mandou para cá!
Agora sim tudo fazia sentido. Se em algum momento naqueles segundos eu pensei que a alegria fosse real, tudo se desmanchou quando ela falou aquilo. Claro, ela queria uma boa impressão com os juízes. Atena Chase, a mãe do ano segundo Forbes, não seria um ótimo titulo em um currículo?
Logo me desvencilhei de seu aperto.
– Pode parar o teatrinho, Atena, eu sei o que você quer.
Fez cara de desentendida e continuou.
– O que eu quero? Como assim, Annie? Eu quero sua felicidade, querida.
Reviro os olhos, a essa altura Percy já tinha subido.
– Onde está Poseidon?
– ‘Ta trabalhando, gostaria de alguma coisa, querida? Já sei! Vou pedir pra Marie fazer aquelas panquecas que você adorava!
– Pare de me chamar de querida, Atena.
O desespero dela de me tratar bem já estava me enchendo, se algo me fazia ficar irritada era pessoas agindo bem comigo em troca de algo, além de pena, claro. Se ela quer uma boa recomendação que seja direta, e não se faça de santa comigo, por que isso eu sei que ela não é.
Já fazia algum tempo que estava sentada no sofá (não, Annabeth, você estava sentada na mesa, claro que é no sofá) encarando a série aleatória que passava na tv, acho que era algum episódio da quinta temporada de How I met your mother. Não me levem a mal, eu realmente amo essa série, mas nessa casa eu não estava em clima pra me irritar com as burrices do Ted. Se não me engano era aquele em que Ted vê o filme do atual da sua ex baseado no romance deles.
– Annie, a comida está lá, só vou subir para chamar Perc...
– Eu vou! – digo entrando em sua frente e subindo as escadas.
Estava cansada já de ficar sentada, e claro, não podia perder essa oportunidade.
Parei em frente a seu quarto, aquela porta azul marinho, e girei a maçaneta levemente para não fazer barulho. Quando abri pude ver ele deitado de olhos fechados provavelmente escutando uma música já que estava cantando algo qualquer. Não deixaria aquela oportunidade passar, né?
Encosto a porta levemente e corro para o banheiro que ficava quase em frente ao seu quarto, pego o copo (que não sei o que fazia ali) e o encho até a metade de agua. Entro novamente em seu quarto, mas dessa vez com o copo, me aproximo da cama, acho que ele tinha percebido alguém se movimentando no seu quarto, então antes que ele resolvesse conferir jogo a agua em seu rosto fazendo com que ele levante assustado e me olhe totalmente enfurecido.
– Caralh... Annabeth? – antes que ele completasse me viu.
– “Mamãe” me pediu pra vim te chamar para o doce almoço em família – dei de ombros – Gosto de criatividade para acordar meus irmãos – dou um sorriso de lado saindo dali deixando ele com cara de interrogação com a roupa molhada.
– Chamou ele? – perguntou Atena.
– Com certeza, acho que não vai querer vir – sorri cinicamente.
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