Remember Me
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Capítulo 2
— Hey loiro… — Começou Astoria, que, diferente dos outros dias, entrara no quarto do rapaz naquela manhã sem o habitual sorriso no rosto e carregava, dessa vez, um vasinho com flores plantadas ao invés das costumeiras colhidas no jardim.
Aplicou as medicações rotineiras apenas olhando para o rapaz.
— Você sabe que não é um adeus, certo? — Disse ela. — Afinal, Oxford e Londres são a cerca de uma hora de distância e a benção da minha irmã ainda está aqui, então posso voltar às vezes para batermos um papo, trocar as plantas da sua janela… Ah, por falar em plantas, trouxe uma plantada na terra dessa vez, assim vai durar mais um tempinho, ok? Não sei se sua nova enfermeira vai te ajudar a cuidar, então faça-me o favor de tirar essa bunda da cama e cuidar dela por si próprio! … Isso sem falar na sua barba terrível, que cresce igual capim! — Brincou ela.
Ajustou a cama e se permitiu olhar por um segundo mais para o loiro à sua frente.
— Teimoso do jeito que você é, tenho certeza que vai esperar eu virar as costas para abrir esses olhos novamente! — Disse ela, sentindo os olhos marejarem. — Mas pode anotar aí, vou estar esperando você me visitar em Londres! Aí podemos visitar a Casa do Sherlock Holmes, comer uma pizza na Antica Pizzeria da Michele e, de sobremesa, ainda comprar um Donuts Strawberry Froasted no Dunkin’ Donuts, tudo na mesma rua, fechado? … E vê se não demora porque você sabe que eu estou doida para conhecer esse museu e vou ser legal em te esperar para isso!
Em sua cabeça, Astoria imaginou como seria aquele momento se ele abrisse os olhos, se dissesse que a visitaria na semana seguinte e que cuidaria da plantinha na janela… Como seria se ele tivesse respondido às suas provocações sobre sua barba, sobre os filmes que ela assistia e fazia questão de contar toda a história e acabar com o final contando todos os spoilers ou sobre os comentários aleatórios do seu dia… Como seria?
Quando terminou os afazeres, segurou a mão do rapaz, que ainda estava com os olhos fechados na cama, e se aproximou um pouco dele, falando baixo, porém com a voz firme:
— Draco Malfoy, estou falando muito sério com o senhor… É melhor você sair desse sonho que já está durando tempo demais e voltar para a realidade. Você tem uma vida aqui, você deveria ter um emprego ou estar na faculdade, não sei, você não tem o costume de responder minhas perguntas… Sua mãe precisa de você, o mundo precisa de você… E eu… Bem, eu preciso conhecer meu confidente de quase dois anos, não é? — Astoria segurou uma lágrima marota que insistia em querer escorrer por seu rosto. — Então, se comporte na minha ausência, tudo bem? Nos vemos em breve.
Londres era Londres, repleta de pedestres e ônibus vermelhos, metrôs cheios e britânicos carregando seus guarda-chuvas mesmo num dia de sol, pois a qualquer momento a água podia desabar dos céus.
Astoria havia se instalado em um prédio antigo, numa viela a alguns quarteirões do Hospital St. Mungus. Assim, para chegar ao hospital, bastariam alguns minutos a pé passando por um parque e uma cafeteria que, ela descobriu no primeiro dia, tinha um capuccino delicioso em tamanho extra grande.
O Hospital St. Mungus, por sua vez, era majestoso. Suas colunas eram grandes e abrigavam uma porta de entrada feita em vidro que ia do chão ao teto. Astoria podia sentir seu coração batendo descompassado quando passou ali pela primeira vez e, por um segundo, deixou de sentir as próprias pernas quando recebeu o crachá de interna de pediatria.
Sua turma, composta por cinco internos, era formada por pessoas dos mais diversos lugares. Ana Abbott, uma jovem loira e de olhos muito escuros, foi a primeira pessoa com quem Astoria teve contato; morava com o pai no interior de Londres e sempre chegava alguns minutos atrasada por conta do metrô e das baldeações.
Na primeira semana, entre apresentações e burocracias, Astoria teve tempo somente para pegar um lanche qualquer na cafeteria nos trajetos de ida e volta do hospital e intercalar entre tomar um banho de mais de cinco minutos ou dormir alguns minutos a mais. Por mais que estivesse realizando um sonho, percebera que aquilo lhe exigiria mais sacrifícios do que esperava.
— Acho que não vai ser sempre assim… — Ana comentou no caminho entre um estudo de caso e o acompanhamento com os enfermeiros mais experientes na UTI neonatal.
— Assim espero! — Astoria comentou. — Não sei se aguento muito mais tempo intercalando entre comer, tomar banho e dormir! — Brincou.
— Pelo menos você não perde uma hora de ida e outra de volta no metrô, chuchu! — Ana brincou.
Continuaram a andar pelo corredor, virando ora a direita ora a esquerda até chegarem na UTI neonatal. Por se tratar do maior hospital de toda Londres e cuja lista de especialidades incluía pediatria, aquela era uma das maiores alas do hospital e uma das mais movimentadas.
— Abbott, Greengrass. — Cumprimentou o enfermeiro responsável. — Vocês acompanharão o Dr. Nott e a enfermeira Sprout.
Uma senhora baixinha e gorducha, por volta dos seus cinquenta ou sessenta anos e de sorriso amigável chamou-as em sua direção, indicando um carrinho de medicamentos pré-organizado para a ronda daquele dia.
— Sejam bem-vindas, senhoritas. — Ela cumprimentou. — Podem me chamar de Pomona, ou Pom, se preferirem. O Dr. Nott estava terminando uma cesárea de emergência, já deve estar chegando! Enquanto isso, vou apresentar os casos desta manhã, ok?
Pomona pegou algumas pastas e começou a discuti-las com as internas, apresentando o paciente, o caso e os intempéries que surgiram. Encantada com aquele ambiente, Astoria absorvia cada detalhe apresentado pela mulher à sua frente.
— Ah, Theo, meu querido! — Pomona cumprimentou alguém atrás das duas internas, fazendo-as virar para aquele que deveria ser o Dr. Nott, médico responsável pelos casos apresentados.
— Pom! Tudo bem? — Cumprimentou ele.
Alto, bem alto. Moreno, olhos num verde escuro que, em alguns momentos, pareciam pretos e exalavam um charme único. O sorriso torto e a postura ereta, que transmitia confiança. Aquele era Theodore Nott.
Astoria podia sentir sua boca ficando levemente aberta com a cena que se sucedia: Dr. Nott caminhando em sua direção, sorrindo, com sua prancheta na mão e o estetoscópio no pescoço, um clássico dos filmes românticos americanos que tanto assistia. Então lembrou-se de onde estava e que, óbvio, não fazia parte de um filme, e se recompôs a tempo de esticar cumprimentar o médico com um aceno.
— Vocês devem ser Abbott e Greengrass, certo? — Cumprimentou o Dr. Nott. — Podem me chamar de Theo!
— Eu sou Ana e essa é Astoria! — A loira apressou-se em dizer, sorrindo feito boba. Talvez Astoria não tenha se saído tão mal assim, pelo menos fora melhor que Ana, pensou, rindo internamente.
As visitas aos bebês fora rápida e, ao mesmo tempo, encantadora e triste. Era lindo ver aqueles pequenos seres com dias de vida lutando para sair de lá e, ao mesmo tempo, triste pensar que já sofriam tanto com apenas alguns dias nesse mundo.
Já começava a escurecer quando Astoria saiu do hospital. Carregava consigo sua mochila com roupas para lavar e algumas pastas de casos antigos que McGonagall havia fornecido para estudar. Ironicamente, naquele dia de chuva forte, havia esquecido seu guarda-chuva em casa. Muito esperta Astoria, pensou.
Escondeu-se debaixo da cobertura do hospital, aproveitando o tempo em que esperava a chuva dar uma trégua para ligar para o hospital de Oxford.
— Recepção de traumas, boa noite. — Uma voz conhecida a atendeu.
— Hey Alicia, sou eu, Astoria. Tudo bem?
— Ei Ast, como está aí em Londres? — A mulher do outro lado da linha se animou.
— Bem corrido, devo admitir. Não consegui ligar ontem. — Ressentiu-se a morena.
— Astoria, você tem ligado praticamente todos os dias desde que está aí… É bem mais do que aqueles azedos que se dizem pais dele!
— Alicia!! — Repreendeu Astoria, rindo. — Não sabemos o que aconteceu e não podemos julgá-los, ok? … Mas me conta, como ele está?
— Do mesmo jeito, Ast. — A recepcionista suspirou do outro lado da linha. — Francis está cuidando dele, mas consigo contar nos dedos os segundos que ela passa lá dentro.
— Coitado… Tenho certeza que ela não deve nem conversar com Draco. E a plantinha?
— Consegui dar umas escapulidas da recepção e ir lá molhar para você, fique em paz. E de quebra, contei a ele que você tem ligado e me obrigado a ficar de olho nele!
— Obrigada Alicia! Ele foi meu primeiro paciente e é o mais antigo… Não ficaria em paz se não soubesse como ele está. — Admitiu a morena.
— Sei… — Foi a resposta do outro lado da linha, com um leve toque subliminar.
— Mas está certo… Preciso correr por que, pelo visto, essa chuva aqui não vai parar tão cedo. Até amanhã!
— Até, Ast!
Desligou o telefone, mais tranquila com a notícia e feliz em saber que Alicia não o estava deixando em completo silêncio. Ele ficaria bem, ela sabia disso.
Caminhou alguns passos, definindo o que priorizar, as pastas, a mochila ou as roupas que vestia. Por fim, colocou as pastas bem protegidas sob o peito, abraçando-as e caminhando rápido.
Alguns passos antes de entrar no parque, viu um carro escuro se aproximando e parando rente à calçada. Olhou, um pouco receosa e pronta para sair correndo quando o vidro do motorista abaixou e ela viu o Dr. Nott sorrindo para ela.
— Astoria, né? — Perguntou ele. — Entra aí, eu te dou uma carona!
— Não precisa… — Ela começou.
— Ah, sem essa! Está caindo o mundo! Vamos!
Entrou no carro rapidamente, ciente de que deveria estar molhando todo o banco do rapaz com suas roupas já encharcadas, e colocou o cinto.
— Eu moro bem perto daqui. — Disse ela, se justificando.
— Mesmo andar até a esquina é muito longe com essa chuva. Ainda mais sem guarda-chuva! Esqueceu que está em Londres? — Brincou ele.
— Entre dormir, tomar banho e lembrar do guarda-chuva, eu tenho optado pelas duas primeiras opções! — Astoria brincou.
— Bem-vinda à nossa vida!
— E eu que achava que o hospital em Oxford era movimentado… Não chega nem perto ao St. Mungus!
Ambos riram e, em poucos minutos, Nott já parava em frente ao apartamento de Astoria, que agradeceu enquanto pegava suas coisas para sair do carro.
— Você deu sorte, sua casa é bem perto do hospital mesmo! — Comentou ele, antes que ela abrisse a porta.
— Eu disse! Todo minuto de sono é precioso! Essa localização foi fator crucial para escolher minha nova moradia!
— Apesar desse não ser um bairro muito seguro. — Ele comentou.
— Eu me viro! — Respondeu ela, abrindo a porta do carro.
Theodore Nott apenas sorriu de lado, piscando para a morena que já se levantava do banco do passageiro.
— Muito obrigada, Dr. Nott! — Agradeceu Astoria, já fechando a porta.
— Theo, apenas. — Corrigiu ele. — Não há de quê! Até amanhã, Astoria!
Acenando uma última vez, Astoria atravessou o portal de entrada do prédio e subiu para seu apartamento. Deixou as mochilas e as pastas no balcão da cozinha, tirou os sapatos e jogou as roupas molhadas diretamente na máquina de lavar, partindo para um banho quente e deixando a água cair sobre seus músculos doloridos depois daquele longo dia.
Com a rotina que não dava sinais de se tornar mais fácil e os extensos materiais que Astoria pegava para ler em casa, o primeiro mês em Londres passou num piscar de olhos. E não sem boas novidades!
Astoria havia se esforçado tanto a ponto de ser a primeira interna escolhida para acompanhar uma cirurgia pediátrica, o que a deixou extasiada por, pelo menos, uma semana inteira. Além disso, Ana havia conseguido alugar um apartamento no mesmo prédio de Astoria e ambas estavam se tornando grandes amigas, além de ficarem mais tranquilas quanto às caminhadas de ida e volta do hospital por estarem sempre juntas.
Mas o ponto alto daquele mês, que fez os olhos de Astoria se encherem de lágrimas pela emoção, fora o contato de Alícia, informando que os últimos exames de Draco foram positivos e que os médicos resolveram diminuir alguns remédios. Isso não só significava que sua saúde estava melhorando, como também as chances dele acordar cresciam a cada dia.
Naquela manhã de quarta-feira, após um plantão ao longo de toda madrugada, Astoria se deu ao pequeno prazer de tomar café da manhã na cafeteria em frente ao hospital, uma conhecida cafeteria da região que, apesar do valor elevado, oferecia um delicioso café colonial, opção pouco comum em Londres.
Sozinha, sentou-se em uma das mesas dos fundos, próxima a uma grande janela lateral que dava para o parque. À sua frente, separou alguns pratos que, à primeira vista, serviriam uma família inteira mas, naquela manhã, serviriam apenas à sua paz de espírito. Croissant com chocolate, ovos mexidos com bacon, cookies, muffin de frutas vermelhas, pão tostado com pasta de amendoim e geléia, sucrilhos com leite, salada de frutas e, para completar, um café preto extra grande.
— Meu Deus, como isso é bom! — Exaltou ela, para si mesma, enquanto saboreava o melhor croissant que já comera em toda a sua vida.
— É por que você não experimentou o de queijo! Uma especialidade da casa! — Ouviu uma voz à sua frente, tirando-a do seu torpor.
Theodore Nott, acompanhado de uma xícara de café e um pequeno cookie estava parado, sorrindo divertido enquanto encarava a morena à sua frente, rodeada por pratos dos mais diversos tipos e esboçando um sorriso de orelha a orelha a cada mordida.
— Será minha próxima experiência! — Respondeu ela, espontânea e nem um pouco envergonhada por ser pega em um momento tão pessoal. Afinal, comer é um dos maiores prazeres da vida, não é meus amigos?
— Você não vai se arrepender. — Ele concordou. — Tem espaço pra mim? — Ele indicou a cadeira à sua frente.
— Claro, meu amigo! Se ajeita aí entre meus pratos de comida e tá tudo certo!
— Café da manhã dos campeões? — Brincou ele.
— Com certeza! Depois de uma madrugada dessas, mais do que merecido!
— Não tenho dúvidas! … Plantões da noite ou são muito tranquilos ou são insanos. Não existe meio termo.
— Estou percebendo! Se bem que até agora só vivi os insanos! — Ambos riram. — No hospital de Oxford era muito sazonal, geralmente os plantões mais movimentados eram aqueles pós-provas da faculdade, quando o pessoal só queria encher a cara e acabava no hospital. E ainda assim, nem mesmo os dias de maior movimento chegam aos pés do St. Mungus! Isso porque eu cuido de bebês!
— Você vai perceber que bebês podem ser bem danados, quando eles querem! — Completou ele, ainda rindo.
Continuaram conversando sobre amenidades, Astoria contou sobre sua paixão por filmes de comédia e sobre como tinha o dom de sempre contar o spoiler para os amigos sem querer, acabando com a graça do filme. Theodore achou divertido, principalmente por que não era dado ao gênero de comédias e não seria afetado com seus spoilers.
Theodore, por sua vez, falou sobre sua família, que sempre morou em Londres e sobre como tinham o costume de visitar pontos turísticos e descobrir coisas novas na Terra da Rainha como se fossem turistas. Astoria adorou a ideia, afinal, na sua percepção, Londres escondia tantas coisas que mesmo morando lá a vida toda, jamais se esgotariam.
Ambos tiveram um bom momento naquele café da manhã, descansando a mente da rotina corrida que viviam e apenas aproveitando para comer uma boa comida e desfrutar de uma boa conversa.
Quando por fim terminaram de comer, pagaram a conta e já estavam de saída da cafeteria, prontos para partir para um longo dia de sono, quando Theodore começou:
— Confesso que por um segundo eu achei que você não fosse dar conta de toda aquela comida!
— E perder de experimentar esse buffet maravilhoso? … Nem pensar! Há tempos não tenho um café da manhã que não seja um lanche da cafeteria perto do parque. — Respondeu, rindo. — Muito obrigada pela companhia, Theo!
— Disponha! — Respondeu ele, com aquele clássico sorriso de lado e uma piscada.
Astoria já se virava em direção ao parque, com o novo foco de chegar em sua cama o mais rápido possível e se jogar nela sem pensar duas vezes, quando ouviu Theodore Nott a chamando novamente.
— Hey, Tori! — Chamou ele, e por um segundo ela estranhou o apelido. — Já que você é nova em Londres e, aparentemente, não conhece nada a não ser o caminho do seu apartamento para o St. Mungus, o que acha de eu te apresentar alguns pontos turísticos no seu próximo dia de folga?
— Bom… Eu pretendia ir a Oxford na minha próxima folga… — Respondeu ela, sem jeito pela primeira vez e logo percebeu o olhar decepcionado do rapaz. — Mas não recuso uma próxima.
— Está marcado então!
Antes de se virar rumo ao apartamento, Astoria percebeu um pequeno sorriso brotar dos lábios do rapaz, que a acenou e partiu para o outro lado.
Como era de costuma, Astoria adotou o final da tarde como horário oficial para entrar em contato com o hospital de Oxford. Por isso, naquela tarde de sexta nublada, encostou-se em uma das pilastras do St. Mungus enquanto digitava o número que já havia decorado.
— Recepção de traumas, boa tarde! — Uma voz preguiçosa a atendeu, muito diferente da que estava acostumada.
— Hã… Boa tarde! Por gentileza, a Alícia está? — Respondeu ela, incerta.
— A Srta. Finnigan não faz mais parte do nosso quadro de funcionários, senhora. Em que posso te ajudar?
Sem entender nada, afinal, no dia anterior havia conversado com Alícia, que não havia dito nada sobre demissão. E o pior, sequer sabia seu telefone pessoal para entender o que acontecera.
— Entendi… Como é seu nome?
— Aqui é Cho, em que posso ajudá-la?
— Cho, muito prazer! Meu nome é Astoria Greengrass, fui enfermeira aí por dois anos e queria saber o desenvolvimento de Draco Malfoy, paciente do quarto 152, Ala B.
— Você é parente do enfermo? — Perguntou ela, sem demonstrar qualquer interesse.
— Não, mas…
— Não podemos fornecer informações sobre qualquer enfermo. — Cho a cortou, parecendo impaciente.
— Entendo, porém eu…
— Posso te ajudar em mais alguma coisa? — Ela cortou novamente. A má vontade era nítida.
— Existe uma lista de parentes pré-definida? — Perguntou ela, quem sabe ela pudesse se passar por uma prima distante… Precisava de notícias do loiro.
— Não posso te fornecer essa informação. Algo mais?
Ódio. O sangue de Astoria fervia com a má vontade da mulher do outro lado da linha. Num momento de raiva, desligou o telefone sem responder mais nada, algo que estava bem longe de seu comportamento usual. Aquela era sua pequena vingança pela má vontade da atendente, mas, pensando bem, talvez a tal Cho tivesse adorado não ter que responder mais nada.
— Você é patética, Astoria. — Disse para si mesma, colocando o celular no bolso e voltando para dentro do hospital.
Como faria para ter notícias de Draco novamente?
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