Remember
10 Capítulo 9
Notas iniciais
Hoje a manhã havia sido cansativa, nada de interessante acontecera, entrei em meu quarto e joguei-me na cama. É sexta-feira e eu não tinha programa nenhum. É... Eu sou a única pessoa da minha idade que ficava em casa quando podia ser feliz, saindo por aí. Liguei a televisão que havia em meu quarto, começando a trocar os canais, mas nada de interessante passava, suspirei desligando-a, me levantei e comecei a andar pelo cômodo, não aguentava mais esse tédio. Estava perdida em meus pensamentos quando ouço meu celular tocar, andei até o criado mudo onde ele estava, olhei confusa para a tela, onde na mesma havia escrito número desconhecido.
– LIGAÇÃO ON —
Alô. – perguntei ao atendê-lo.
Kate? – perguntou a pessoa na linha.
Sim. – perguntei tentando me lembrar de onde conheço essa voz. – Quem é?
Sou eu... Demming. – gelei ao ouvir seu nome.
Como arrumou meu número? – perguntei com uma sobrancelha arqueada, como se ele pudesse ver.
Alguns amigos. – disse ele.
Então Demming… — Me sentei na cama sem graça. — O que você quer? — ele riu do outro lado da linha e eu corei.
Queria saber se você quer sair comigo?
Tipo… Eu e você? – engasguei.
É, pensei assim. Mas se quiser chamar uma amiga, tudo bem… — falou ele com a voz um pouco decepcionada.
Eu queria, desesperadamente. Estava nervosa. Nem o conhecia direito, estava muito insegura. Como uma típica adolescente.
Não precisa, tá tudo bem. — Meu rosto pegava fogo. – Hoje?
Sim.
Que horas?
Eu passo ai as 19:00 horas, tudo bem para você? – falou ele com a voz mais animada.
Sim, claro. — eu não tinha nada para fazer mesmo.
Me passa seu endereço por mensagem.
Certo. – respondi sorrindo.
Até mais tarde então.
Até. – falei antes de desligar a ligação.
– LIGAÇÃO OFF —
Ao desligar mandei a mensagem com meu endereço em seguida joguei o celular na cama, suspirando derrotada. A que ponto eu cheguei, eu estava usando Tom para ocupar minha mente e me impedir de pensar em Richard. Não gostava dele, nem o conhecia direito para isso, mas tenho que tentar conhecer novas pessoas, e sair mais. Ocupar minha mente.
Sentei em uma poltrona que havia ao lado da minha cama, desanimada, mas não com meu programa e sim pelo fato de ter me permitido pensar nele. E então, tudo voltou. Todos os sentimentos, as emoções. Tentei reprimir as lágrimas, mas as mesmas insistiam em cair, apesar de meu esforço. Um soluço escapou de meus lábios e as limpei rapidamente. Respirei fundo e balancei a cabeça, afastando esses pensamentos de minha mente.
Levantei-me indo em direção ao meu guarda roupa procurar algo para vestir essa noite, mas não encontrei. Comecei a me desesperar, resolvi ir ao shopping, liguei para um táxi e desci esperando-o em frente ao prédio.
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Quando saí do shopping, já eram 17:30. Peguei outro táxi, indo apressadamente até meu apartamento, tendo a desagradável surpresa de ver Richard na porta.
O que você está fazendo aqui? – perguntei baixo, mas ele ouviu. – Vá embora. – aumentei um pouco o tom de voz.
Por favor… — ele começou a falar, mas logo foi interrompido por mim.
Richard, já não basta o que você me fez? Todas as mentiras? Deixe-me em paz!
Nem tudo foi mentira! — gritou ele com agonia, me olhando ansioso. Desviei o olhar, ruborizando aos poucos. Não podia acreditar.
E o que foi verdade? Vamos, separe o que foi verdade e o que foi mentira. — falei com o travando o maxilar. Ele se calou e seus olhos abaixaram-se. Ri amargamente, balançando a cabeça. — Nem você mesmo sabe distinguir suas mentiras.
Kate… — falou ele, novamente sendo interrompido.
Não continue Richard. — Pedi entre lágrimas e ele me olhou triste, aproximou-se querendo tocar em meu rosto, mas não deixei. Entrei em casa antes que ele pudesse dizer algo.
Fui para meu quarto, tomei um longo banho, botei meu vestido, arrumei meu cabelo e me maquiei. Terminei de me arrumar em cima do horário e saí praticamente correndo porta afora. Meu pé virou e eu quase caí, mas senti braços me segurando. Levantei o rosto e sorri singelamente.
Boa noite. – falou Demming em seguida abrindo um sorriso encantador para mim.
Boa noite. — Me ajeitei e baixei o olhar.
Vamos? – perguntou ele.
Claro. – respondi começando a andar, logo sentindo seu braço rodear minha cintura.
Notas finais
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