Notas iniciais
espero que gostem...
Marcas! É a primeira coisa de que me lembro. É a minha primeira lembrança e a única coisa de comum em todos os meus sonhos esquisitos, mas não são marcas comuns é como se fossem runas de alguma civilização esquecida que de alguma maneira ficam voltando na minha cabeça. O ultimo sonho que eu tive teve as “marcas” claro, mas teve algo a mais, um anjo porem não era qualquer tipo de anjo que você encontra nas igrejas esse tinha uma armadura e nas mãos ele carregava um cálice e uma espada seu corpo era cheio dessas runas e eu tinha a sensação que ele olhava diretamente para mim. Faz uns dez anos, que comecei a sonhar com essas runas e nunca mais teve um sonho normal novamente, só que agora eles estão mais frequentes tenho vislumbres dessas marcas ate quando estou acordada, tenho medo de estar ficando louca.
Já pesquisei tanto em bibliotecas como na “net” e não encontrei nada a respeito dessas marcas, estou começando a realmente achar que tem algo de errado comigo, na verdade eu não sei quem eu sou!
Quando me olho no espelho vejo cabelos de um loiro metálico, olhos azuis, pele clara, um corpo magro de músculos finos e uma marca de nascença em forma de estrela nas costas, porém eu não sei quem realmente eu sou. Hoje eu me chamo de Valentina Rodrigues, mas eu nem sei se realmente meu nome era Valentina. Pelo que minha mãe conta eu fui deixada na escadaria de um orfanato em Nova Orleans com pouco mais de um ano. Fui adotada pelos meus pais logo em seguida e nós nos mudamos para Nova York. Não sei quem foram meus pais biológicos ou por que eles me abandonaram na escadaria de um orfanato numa noite qualquer, não sei o que aconteceu com eles e muito menos sei seus nomes. Só sei que sinto falta de pessoas que eu nem mesmo conheci. Quando ando nas ruas de Nova York eu me pego olhando para alguns casais pensando se algum deles são “eles”, mas eu sinto pode ser coisa de órfãos que um dia mais cedo ou mais tarde a gente vai se reencontrar e tudo vai ser esclarecido. Mas enquanto isso não acontece, eu ainda tenho que ir para a escola.
– tchau mãe! Estou indo para a escola – já estava quase na porta quando ela falou.
– tchau meu anjo, conseguiu dormir direito essa noite?
– consegui sim – eu odeio quando a minha mãe vira a mãe protetora
– você nunca conseguiu me enganar Valentina – minha mãe olha para mim tentando manter a conversa.
– mãe eu não quero falar sobre os meus sonhos agora.
– você nunca quer.
– está vendo, você já sabe. Estou indo – sai de casa antes que ela me pergunta-se mais alguma coisa.
No caminho para escola encontrei alguns amigos no metrô entre eles minha amiga Laura, ela estava se agarrando com algum novo menino. Na verdade eu parei de tentar acompanha o ritmo dos namoros dela. Eu não gostava muito do novo pessoal com que a Laura estava andando, mas ela era a minha amiga mais antiga e esse era nosso primeiro ano no ensino médio então eu precisava dela.
Quando descemos na ultima estação Bruce me esperava como de costume, já estava juntos há quase dois anos e nesse momento era a única coisa certa que eu sabia que era real na minha vida. Nós passamos as férias de fim de ano longe um do outro já que ele tinha ido para Londres e eu não pude ir.
– Bruce! – corri em direção a ele
– ih começou a melação. Eu ainda escutei Laura dizer.
– como foi às férias Tina – Bruce me perguntou enquanto me abraçava.
– chatas, passei elas inteiras com mamãe e papai. – eu respondi dando lhe o beijo.
– kkk... A minha foram melhores. – ele me respondeu rindo no meu cabelo.
– quero saber de tudo.
– nós podemos ir para a escola não quero me atrasar no primeiro dia. –disse Laura ainda abraçada ao menino desconhecido.
Juntos subimos as escadarias do metrô e fomos em direção a escola, todos os meus amigos estudavam na mesma turma então ficava mais fácil para compartilharmos as estórias de nossas férias. Mas eu não conseguia me concentrar em nenhuma estória minha mente estava muito longe naquele momento.
Eu estava em cima de uma montanha, como sempre eu não sabia onde estava só sei que essa paisagem eu nunca tinha visto nem em cartões postais. Ao longe eu conseguia ver uma cidade incrível com algumas torres bastantes altas feitas de vidro a cidade inteira parecia oscilar no lugar. Do ponto onde estava eu conseguia ver uma floresta, um cemitério e um lago de onde uma marca brilhava e um anjo começava a flutuar sobre ele com um cálice e uma espada. De algum ponto dessa maravilhosa paisagem um lobo uivou.
– Tina? Você esta bem? – Bruce me perguntou estalando os dedos na minha frente.
– estou, estou sim. O que foi? – respondi atordoada.
– faz horas que a Mily lhe perguntou como foram as suas férias. –Bruce me fala preocupado.
– foram chatas. – respondi olhando para Mily – preciso ir ao banheiro já volto.
O que esta acontecendo comigo, acabei de ter um sonho no meio da sala, na frente de todos os meus amigos será que alguém percebeu que eu estou tendo problemas. Eu preciso me acalmar e voltar para a sala.
– Tina? Você está bem, você saiu correndo da sala. –Isa me perguntou entrando no banheiro.
– To sim Isa! Vamos voltar para a sala, foi só uma queda de pressão. – tentei desfaçar.
Quando voltamos para a sala, o professor já estava dando as boas vindas aos alunos novatos e para os veteranos. Sentamos em silencio, Bruce me passou um bilhete perguntando se eu estava bem e respondi que sim dando lhe um sorriso. O resto da aula se passou na maior tranquilidade, de aula em aula nós riamos, conversávamos, sentamos todos juntos na hora do intervalo parecia que as coisas nunca tinham mudado que eu poderia voltar a minha vida normalmente. Nós saímos da escola às quatro horas da tarde e com um encontro da galera marcado, iriamos nos encontrar no café musica para festejar a volta às aulas.
Fui direto ao metrô Bruce veio logo no meu encalce, já me perguntando se queria que ele fosse passar o resto do dia comigo na minha casa.
– Bruce hoje não. Estou com um pouco de dor de cabeça. Ok!
E já fui me afastando sem esperar por uma resposta dele.
– a gente se encontra no café musica.
Não me lembro de quando e nem como cheguei em casa, passei a viajem de metrô inteira pensando na visão que eu tive. Eu não sabia onde ficava aquele lugar, mas ele tinha que ser real eu não poderia estar imaginando tudo isso, não poderia. Mal percebi que quando cheguei em casa meu pai estava na cozinha com a minha mãe.
– oi filha – meu pai gesticulou para mim da cozinha me chamando para se juntar a eles.
– oi meu gato, chegou cedo em casa pai. – entrei na cozinha e fui logo dando um beijo nele.
– cadê o Bruce? Pensei que ele viria com você. –meu pai perguntou com uma cara fechada.
– pai você não sabe que é o único homem da minha vida? – meu pai abriu o sorriso
– vou me encontrar com ele e o pessoal da escola hoje a noite no café musica. – o sorriso do meu pai se apagou um pouco, mas ele já tinha se acostumado.
– estou indo para o meu quarto. –já falei me levantando da mesa.
Mas antes de sair completamente da cozinha escutei minha mãe falando com meu pai que ela estava muito preocupada comigo, que eu não estava conseguindo dormi direito e que eu não conseguia me abrir com ela.
Fui para o meu quarto e acabei dormindo como sempre sonhei mais esse eu já estava acostumada eu via o anjo vestido numa armadura com a espada e o cálice nas mãos e a sensação de que ele olhava para mim, mim atingiu novamente tão forte que me fez acordar. Eu preciso descobrir de onde vem esses sonhos se não vou acabar parando num hospício.
Meu pai fez questão de ir me deixar na entrada do café musica, não vou reclamar estava atrasada mesmo. Quando cheguei o pessoal já estava todo reunido. Bruce tinha guardado um lugar para mim ao seu lado e ao lado de Isa. Não era de se esperar que Laura já estivesse com outro menino, agora um novato da escola não sei aonde isso vai parar.
Isa também era uma das amigas mais antigas que tinha, na verdade é a primeira amiga de quem eu me lembro, mas desde que eu comecei a namorar com o Bruce ela se distanciou de mim. Já tinha comentado com o Bruce que eu achava que a Isa tinha uma queda por ele, mas ele nunca tinha concordado comigo sempre dizendo que eles eram só amigos.
Quando me sentei ao lado deles comecei a percebe que todos estavam falando da nova boate que tinha aberto na Quinta Avenida chamada Diabolic’s acho que eles estavam marcando de dar uma passada nela nesse fim de semana. Mily também estava junto da galera, enfim ela tinha conseguido burlar a tirania do pai e se juntar a nós.
Conheço a Mily faz uns dois anos. Adoro-a, nesse período é a primeira vez que ela sai com a gente durante a noite, seus pais são bem durões totalmente diferentes dos meus que basta um olhar para que eles já estejam abrindo a porta para mim. A Mily assim como eu veio de outra cidade, ela veio da Florida por isso sua pele é mais bronzeada que a da nossa, seu cabelo faz inveja a qualquer menina é de um liso tão perfeito.
Hoje no grupo tinha mais gente que o habitual, estava alguns dos novatos que a Laura tinha convidado e estavam mais alguns meninos do time de futebol, amigos do Bruce. A noite passou tranquila nós dançamos, cantamos no karaokê, comemos e marcamos de ir no sábado a noite na nova boate. Bruce estava insistindo em ir me deixar em casa, mas ia ser só contramão para ele, ele estava a dois quarteirões de casa e eu já tinha combinado com o meu pai dele vir me buscar. Eu iria com a galera até a entrada do metrô e ficaria esperando por ele lá, enfim o Bruce desistiu e partiu com dois de seus amigos para casa enquanto eu ligava para o meu pai vir me buscar.
Quando estava indo em direção ao metrô junto com Laura e alguns dos novatos percebi algo estranho na rua que me fez parar, era um garoto parecia ser um pouco mais velho que eu, ele estava correndo, correndo muito como se precisa-se sair dali o mais rápido possível, quando olhei para o motivo dele estar correndo quase desabei no chão da rua. Eram lobos, mas não lobos e sim lobisomens eles estavam correndo atrás do rapaz que estava chegando muito próximo de mim. Ao passa por mim nossos olhos se encontraram e eu vejo claramente um pedido de socorro neles. Sem perceber o que eu estava fazendo comecei a correr atrás do rapaz sem me importar em me despedir de Laura. Minutos depois o rapaz tropeça de exaustão e eu consigo me aproximar dele.
– vem você não pode ficar na rua. – falo enquanto puxo-o em direção ao metrô.
– você viu o que eles são? – o garoto me pergunta supresso.
– claro todo mundo pode vê, agora vem tem um carro me esperando e eu posso te tirar daqui. –e sem mais uma palavra nós começamos a correr em direção à entrada do metrô.
Sempre olhando para trás para termos certeza que não estamos sendo seguidos conseguimos chegar. Pela cara o meu pai ele já estava ficando preocupado com a minha demora.
– desculpa pai pela demora, já podemos ir agora. –falei rapidamente entrando no carro e botando o menino junto comigo – sim pai ele vai com a gente, ele mora lá perto é novato na escola.
– sem problema filha, mas já estava ficando preocupado vi a Laura chegar e ela não sabia nada sobre você. –ele falou enquanto entrava no carro.
Meu pai deu a partida no carro ao mesmo tempo em que o bando chegava perto da entrada do metrô, enfim consegui respirar aliviada. Olhei novamente nos olhos no rapaz e vi uma pergunta reciproca se espalhar em nossos olhos. O que tinha sido aquilo? Nenhum dos dois estava conseguindo assimilar direito o que tinha acontecido. Aquilo realmente eram lobisomens? Isso na realidade realmente existia? Eram perguntas que eu teria que fazer a esse menino de olhos verdes sem a presença do meu pai ao meu lado.
Notas finais
deixem comentários.... não vai matar ninguém.
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