Londres, 1923.

Os criados de Westforf House corriam de um lado para o outro, cheios de tarefas. As arrumadeiras, esbaforir-se, esfregavam o chão da grande mansão, espanavam os opulentos lustres e arrumavam os múltiplos quartos, sempre sob a minuciosa observação da sra. Moore, a governanta. Enquanto isso, os lacaios poliam a prataria, checavam o funcionamento dos preciosos relógios e faziam toda sorte de tarefas que o severo mordomo lhes incumbia. A razão de toda esse trabalho? O jovem marquês de Westforf estava finalmente voltando para a Inglaterra, após passar uma longa temporada na Dinamarca, três anos ao todo, desde o fim da Grande Guerra. E não voltava sozinho! E trazia sua nova -e desconhecida, diga-se de passagem- esposa com ele. Todos estavam ansiosos para conhecer sua nova senhora.

—Essa foi a lua de mel mais longa da história! Eles casaram logo no final da Guerra e só agora que voltam para a Inglaterra?!- exclamou a arrumadeira Agnes, com sua voz amassadas é ligeiramente estridente, enquanto encerava o piso da pomposa sala de jantar.

—Não cabe a você opinar nessas questões, senhorita Agnes. Sua Senhoria fez como achou melhor. Agora concentre-se nesse piso- respondeu severamente a governanta.

—Será que ela é bonita?- perguntou animadamente outra criada.

—Para ter conquistado o marquês, ela deve ser mais bonita que a Lily Elsie!- Agnes sussurrou maliciosamente- todas vocês sabem da fama dele.

—Vocês lembram daquela corista de Picadilly?- outra arrumadeira comentou, distraindo-se da espanação de uma enorme pintura.

—Já chega!- repreendeu a governanta, exasperada- se eu ouvir mais uma palavra sobre esse assunto...

—Sra. Moore, o quarto de Sua Senhoria já está pronto?- o mordomo a interrompeu, enquanto entrava no grande cômodo.

—Ora essa, mas é claro que sim, sr. Mcwhorter- ela respondeu, um pouco ofendida.

—Ótimo, ótimo... Mas acho que seria bom espirrar um pouco mais de eau de lavande por lá, não acha?- estava ansioso para agradar e impressionar seus patrões.

—Mal não vai fazer- e deu de ombros.

De acordo com o telegrama, o marquês e a nova marquesa chegariam no início da noite, a tempo de jantar. Ou seja, o dia também foi bastante corrido no subsolo da mansão, a "área dos criados", onde ficava a cozinha. Lavava-se a louça, descava-se todo tipo de legume e as carnes eram preparadas com esmero. A cozinheira comandava suas ajudantes com mais firmeza e a eficiência que qualquer grande general, além de se certificar que os patrões tivessem um jantar delicioso e reconfortante depois de uma longa viagem, ela queria desejava impressionar sua nova senhora com seu talento e competência.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.