Release

1 One-Shot.


27 de fevereiro de 2010

O inverno estava no seu auge, e o frio permanecia forte e formando leves camadas de geada no exterior do prédio. Não nevava a um bom tempo em Nova York e nesse inverno podíamos sentir os flocos caírem sobre nossas mãos abertas em resposta aos céus. O telhado das casas parecia estar protegido por um cobertor branco e felpudo do qual não víamos há tempos, e nossos corpos pareciam congelar mesmo abaixo de toneladas de roupas. Eu estava sentado na cadeia de balanço em frente à enorme porta de correr da varanda da casa do Ray, observava a neve caindo em flocos se acumulando cada vez mais lá fora. A cadeira balançava e eu mergulhava no branco com pensamentos e inundações de lembranças boas e ruins de alguns anos atrás. — Ora Frank! Pare de olhar abobalhado lá para fora e venha nos ajudar! Precisamos de você aqui! – Gritou o homem de cabelo encaracolado e macio que caia sobre as orelhas pequenas em forma de molas. Seus cachinhos eram de um caramelo que me encantava toda vez que olhava e seu sorriso quase sempre aparecia com facilidade sem um motivo aparente. Seus braços eram fortes e ficavam sempre a mostra com a camisa presa ao corpo, sempre me perguntei se ele não se sentia desconfortável e porque não comprava em tamanho maior, até que cheguei a conclusão que a escolha de camisas pequenas era proposital. Seus olhos eram tão verdadeiros a ponto de me transmitir uma sensação que nem que quisesse passaria a qualquer pessoa; a confiança. Levantei-me da velha cadeira de balanço e ouvi o ruído da mesma se chocando contra o assoalhamento do apartamento revestido pelo piso laminado que brilhava e cheirava a manteiga. Dei passos longos com direção a saleta com a porta comprida em creme que me lembrava à velha casa dos meus avôs com a pintura corroída pelo tempo, a maçaneta em forma de cilindro combinava delicadamente com a parede do corredor em Ocre e grafiato.Observei logo na entrada uma copia barata do quadro Dora Maar au Chat de Pablo Picasso, eu particularmente achava aquilo um horror, mas Ray tinha um pequeno gosto pela arte e tinha capacidade de ver dezenas de significados em uma obra tão simples e desengonçada. De qualquer maneira naquele momento não liguei tanto para seu gosto artístico e sim para o que eu iria fazer. Dei um empurrão na porta e adentrei na sala.
Logo a minha frente Mikey me encarava sentado na primeira cadeira. Sua pele estava num tom alvo quase tão branco quando a vestimenta em moletom que ele tinha sobre o peito magrelo, suas costeletas estavam por fazer e seu cabelo já estava maior desde a ultima vez que o vi no fim do ano passado. Seus olhos estavam fortemente marcados por olheiras, o café não haveria de ter lhe feito muito bem nos últimos dias. Suas pernas estavam à mostra do joelho para baixo, vestia uma bermuda em jeans lavado. Continuava com as mesmas feições de sempre, se não mais magro, sem demoras mostrou seus dentes a mim em um sorriso.
- sente-se Frank! necessitamos da sua ajuda com determinadas coisas aqui... – ele continuou falando, mas eu nem lhe dei ouvidos, meus olhos correram para a única cadeira vaga entre ele e Bob.
Bob manteve seus olhos azuis focados em um monte com papeis a sua frente, claramente com ombros tensos e fisionomia cansada, mantinha o cabelo dourado e a barba comprida como sempre vi. Assenti para ele e para Mikey, o Way sorrio para mim outra vez e deu uma piscadela, Bob pareceu nem notar que eu havia entrado.
Sentei-me e mantive meus olhos sobre a mesa em madeira Sucupira e cor carmim, não encarei Gerard desde que entrei. Meus olhos só correram em sua direção uma vez ou outra e somente para me certificar que ele estava mesmo ali. O recinto permaneceu quieto, até que a voz de Ray anular o silencio.

- Bom Frank... – começou ele empurrando-me algumas folhas de papel que tomaram minha atenção — Aqui estão as letras que Gerard escreveu para o novo disco. Precisamos fazer uma análise e escolher os timbres certos, e também fazer uma seleção certa destas musicas. Gerard esteve ilustrando também algumas capas, estamos pensando em escolher algo que combine basicamente com as canções escritas, não queremos algo espalhafatoso como no ultimo álbum, ansiamos por algo que respeite o que é o rock com a cara da my chemical romance nele, certo? –

- certo. – concordei retornando meus olhos para ele, a barba parecia pinicar na sua pele, mas mesmo assim ele deixou os fiapos crescerem assim como todos na sala, menos ele, eu acreditava. – você sabe que pra mim o que decidirem estará certo Ray, minha cabeça está a mil. Jamia e os bebês chegando... Eu não sei o que achar, sinceramente... – respondi-o sem interesse pelos papeis empurrados a mim com a caligrafia delicada e manchada de Gerard, os desenhos tinham traços fortes em negrito e algumas rosas jogadas sobre um carpete vermelho manchado pela poça de sangue acumulado próximo a duas armas descarregadas, uma lareira ao fundo e um espaço no qual se encontraria provavelmente o nome do próximo álbum.
Bob virou os olhos empurrando os papeis que também se acrescentavam a sua frente para Gerard, deu um suspiro e começou a falar.
- Queridos, desculpem falar...Eu gosto pra caralho de todos vocês, e quando falo que gosto, podem ter certeza que é adorar mesmo cada membro dessa sala como se fosse um individuo da minha família, mas acho que tem muita coisa não resolvida aqui. E antes de começarem a discutir um novo álbum acho que algumas pessoas aqui deviam decidir a vida amorosa, porque sinceramente... Estou esgotado de conviver com princesas! – desabafou golpeando com força sobre a mesa que vibrou.
Encarei Gerard pela primeira vez no dia realmente, seus olhos tinham o tom cítrico que me enlouquecia e o cabelo crescia sem um corte propriamente dito, estando levemente escorrido e penteado para trás. Os lábios ligeiramente curvados demonstravam irritação, mas mesmo assim ele não abriu a boca para uma palavra. Vestia o sobretudo negro com os botões de cobre que ganhou da esposa no primeiro inverno de casados, eu não podia vê-lo da cintura para baixo mais sabia o que vestia.Era o sua calça vintage com sua bota de montaria negra sobre o jeans surrado, e a essa altura as meias deveriam estar suadas nas pontas, mas o fedor do couro molhado não impregnava o pano que revestia seus pés. Puxou o cigarro que mantinha preso atrás a orelha e o acendeu dando nele uma tragada, olhou para mim e regressou com seus olhos para Bob.
- não vejo problema algum aqui, você está vendo coisas demais Bob. – foram as únicas coisas que Gerard disse cruzando as mãos sobre a mesa, depois riu sinicamente e encarou o irmão – e você Michael... Também acha que tem algum amigo gay e seu irmão parece uma princesa fodida? – senti o tom da ironia presa em suas palavras, mas o compreendi. Aquela era a forma de Gerard de me defender, e não contestei.
- vocês parecem duas crianças mimadas, você primeiramente Gerard – Bob começou apontando a dedo para o rosto do Way que se levantou e o afrontou com os braços cruzados e o fumo na boca, com cara apática e somente escutando – nas ocasiões em que encontrava o Bert permanecia feliz como uma puta bêbada, seu brinquedinho foi embora e achou uma nova diversão não é mesmo? E o pior é que esse novo passatempo adora ser usado por você que se aproveita disso! –
- o brinquedo seria eu? – falei me fazendo de tolo e fiz uma careta pra ele, ainda me mantive sentado só observando os dois se encarem. Ray tomou parte e puxou o sobretudo de Gerard para baixo que em seguida tomou o assento.
- você só pode estar brincando né? – Bob girou pra mim e se pôs a falar – você pode ser o lerdo que quiser, e até gostar de ser usado pelas pessoas, mas isso já é idiotice... — ele deu uma pausa e encarou a mesa pensativo – me dêem licença meninos, e desculpem-me qualquer coisa que foi dita hoje. . Só estou cansado da mesma coisa com vocês dois. Estou exausto de brigas conjugais entre pessoas que nem mesmo juntas vivem Eu amo muito vocês, e se querem evidenciar o carinho de vocês, façam isso sem manchar a reputação da banda que é conhecida por muitos como ‘os viados de Jersey’ e não estamos falando de algum tipo de preconceito aqui... Só acho que antes de praticarem alguma coisa as princesas – enfatizou e formando aspas no ar com os dedos – devem se lembrar que nessa banda existem caras que não gostam de traseiros virgens! – Bob suspirou e encarou Ray mordiscando os lábios – não vou deixar vocês com uma má imagem de mim, porque eu ainda gosto de todos aqui. Só acho que existem coisas que precisam ser ditas, e essa é uma delas... Arranjem um novo baterista, estou me despedindo de vocês e da my chemical romance. – Bob terminou saindo da saleta sem mais nada pronunciar, acho eu que nem haveria necessidade de qualquer forma. Todos ficaram apreensivos, mas nenhuma palavra disseram. Gerard terminou o cigarro, e Mikey se serviu com o café na mesinha cantoneira. Ray releu os papéis outra vez e eu permaneci sentado olhando para a mesa sem uma reação determinada.
- precisamos de um baterista. – Ray embrenhou-se no silencio. E aquelas foram nossas ultimas palavras com relação à banda naquela semana.

18 de março de 2010

Nas primeiras semanas posteriores ao anuncio sobre a saída de Bob o clima pesou intensamente sobre a banda. Não tínhamos certeza sobre prosseguir ou não, não tínhamos certeza nem mesmo sobre se dar início tinha sido uma boa escolha. Fizemos uma mesa redonda e debatemos sobre acabar ou não tudo de vez, e chegamos a conclusão que apesar de não termos mais nosso querido baterista, ainda tínhamos capacidade pra lutar e, além disso, tínhamos pessoas que acreditavam em nós e no nosso retorno, com ou sem Bob Bryan. Eu e Gerard trocávamos algumas palavras ocasionais necessárias, e Mikey e Ray jamais colocavam em discussão o que havia incidido no passado, acredito que para impedir conflito.Aos poucos a distancia entre nós quatro se atenuou e nos unimos para decidir o futuro da banda novamente.Gravávamos em dias separados e ficávamos acordados até tarde com xícaras de café e chá suíço no estúdio. Cada dia até mais tarde e mais tarde. Íamos embora quando o dia estava começando a alvorecer e podíamos ver a neve começando a derreter nos últimos dias. Normalmente estávamos sempre cobertos por casacos dados por nossos pais nos natal e assim podíamos ver a variedade de coisas com serventia para se dar na véspera do feriado anual sem cometer um erro. Nossos lanches quase sempre acompanhavam torrada e nutella, e nossos meio tempos eram ocupados por uma carteira de cigarros e uma xícara quente do liquido negro proveniente da Etiópia.
Nossas conversas sempre envolviam um ‘o que acha ...? Será que ficará bom assim?’ e fazíamos um teste após o outro até nos assegurarmos que daquela maneira ficaria bom. Algumas vezes levava a câmera para me divertir no estúdio. Meu amor pela fotografia se manifestou ainda mais nestes meses longe dos palcos frequentemente. Eu fotografava coisas e adorava o resultado, mesmo não sendo muito bom, era agradável fazer minhas tentativas diárias de fotografar algo inusitado e curioso como para qualquer iniciante. Minha Canon Eos 7d 18.0 M.Pixels sempre estava ali presente na maioria das gravações. Às vezes eu a esquecia em casa sobre o balcão, e em outras ocasiões Jamia a levava para mim somente para me espreitar e indagar como eu estava. Muitos indivíduos ao se casarem tentam fazer da sua esposa sua melhor amiga, tentando ouvi-la e fazendo seus desejos, no meu caso eu estava tentando fazer da minha melhor amiga minha esposa, dando a ela seus desejados filhos e tentando ser presente como um bom marido.
Gerard era pai, tinha sua linda filha que cheirava a canela em uma tarde gelada da antiga Jersey, tinha a pele branquejada igualmente ao seu gerador, e os olhos... Ah os olhos! Eram duas lagoas de um azul célico espantoso e charmoso, acho que grande parte da minha cobiça de ser pai apareceu após ter a filha de Gerard nos braços.

Eu ansiava por um bebê para chamar de meu, brincar no parquinho, ensinar a tocar guitarra, qualquer coisa. E talvez um bebê pudesse fazer comigo o que o casamento não conseguiu talvez um bebê me fizesse esquecê-lo.

Meus olhos ardiam à medida que a primavera se aproximava e o sol irradiava lá fora, parecendo ser o único a ganhar quando as flores se abriam felizes e contentes para ele, eu não sentia inveja de um astro. Só me sentia muitas vezes igual ao próprio sol. Sentia o mundo todo se abrindo e voltando contra mim, fãs fotografando meu almoço de domingo, fãs no aeroporto e ponto de ônibus, o taxista me pedindo uma foto, o tatuador me elogiando e me pedindo para falar a banda que idolatrava o nosso som. Às vezes era necessário rir por fora, mas com o seu interno gritando e solicitando auxílio... Eu gosto dos meus fãs e sem eles eu não saberia ser nada na minha vida. Eu não faria sucesso sem eles, não teria minha casa, meus cachorros, meu sustento, meu carro nem ao menos uma vida. Eu não teria me formado de qualquer forma e passaria grande parte da minha vida trabalhando de faxineiro noturno em uma escola do sul, se é que isso conseguiria. Tudo que sou, tenho conhecimento que devo a eles, mas sei do mesmo modo que existem determinados momentos em que eu daria minha existência para todas as pessoas pararem de se voltarem para mim e somente uma me olhasse verdadeiramente. E essa única pessoa não parecia se importar a um certo tempo sobre o que fomos o que somos, ou o que seremos.

Nossos dias com o tempo se tornavam rotineiros, casa, estúdio, leito e assim se sucedia no dia consequente até chegar o acabamento semanário. Hora ou outra Gerard ilustrava seus comic’s enquanto Mikey fazia adaptação em alguns pontos das canções com Ray. Eu fotografava e tomava meu café em paz e fazíamos a mesma coisa na madrugada seguinte. James nos auxiliava com a bateria e após terminar o que lhe foi solicitado frequentava uma maratona de jogos com Ray no fliperama. E igualmente a mesma coisa no dilúculo seguinte.

Dia após dia nos tornamos mais próximos, eu, Ray, Gerard, Mikey e até mesmo James uma hora ou outra adentrava em nossas conversas. Nossa dedicação estava fortalecida e firme de novo. Estávamos prontos para o recomeço.

23 de julho de 2010


Logo que o calendário se achega no mês de julho todos na banda sentimos uma combinação de sensações indescritíveis que talvez não faça sentido para muita gente. É somente nesse mês que chegávamos à conclusão do que fomos um dia e o que somos hoje em dia. Em 2002 a my chemical romance lançou seu primeiro CD não almejando fazer um sucesso extraordinário e muito menos envolver multidões e mesmo assim fomos grandes músicos durante todos esses anos tentando não desapontar nossos fãs. Não imaginávamos que alguém nos pediria autógrafos, ou que pagariam para que nos apresentássemos em uma casa fechada para um show só nosso, muitas das vezes até pagávamos para pegar engate em shows em andamento com a abertura ou o que quer fosse apenas para obter um numero considerável de pessoas que gostassem do que fazíamos porque sabiam que eram para elas, não tínhamos um lema, finalidade ou essa asneira toda. Fazíamos musica por amor e não desistiríamos disso com facilidade ou porque uma pessoa nos detestava, ainda tínhamos esperança de mudar pessoas e corações duros, e lá estávamos nós na estrada mudando as mesmas pessoas as fazendo crer que nada é simplesmente abandonar e tudo é somente batalhar pelo que se quer. O dia do lançamento do nosso primeiro disco me fez mergulhar em pensamentos com mais facilidade que nunca. Sentei-me no estúdio vazio com um copo de licor de agave entre as mãos, observei sobre a mesa os nossos CDs e pensei o quanto havíamos crescido durante todos esses anos, e o quanto parecíamos tolos pensando simplesmente em desistir, não imaginávamos nada disso e mesmo assim uma força divina nos proporcionou cada fã pulando e cantando nossas musicas e isso coisa nenhuma pode pagar.

- refletindo sobre o que? – perguntou a minha voz adorada, eu a conheceria a três quarteirões de distancia se necessário, tão delicada que parecia até musica para os meus ouvidos, mesmo que isso soasse como brincadeira. Vestia as mesmas calças e botas daquele inverno de março em que me protegeu, ou pelo menos tentou, contra o próprio amigo. Da sua maneira, mas defendeu.
- a banda... – dei uma pausa — Tudo. O que a gente conquistou e cogitou jogar pela janela assim, com facilidade. –
- toda banda tem seus problemas Frank – falou puxando a cadeira e tomou assento ao meu lado virando-a para mim. – todo relacionamento também – jorrou; suas palavras saíram como um murmúrio, e sua boca permaneceu entre aberta e molhada enquanto seus olhos permaneciam focados em mim.
- não acho que é uma boa hora para discutir isso, e nem entendo porque agora. Você consecutivamente evita, fugiu quando eu falei sobre tentar algo com você verdadeiramente e se casou com a Lyn-z em uma noite sem ninguém saber, a banda deu um tempo e nunca mais nos vimos a não ser de tempos em tempos ao ar livre e cercado de pessoas e câmeras para todos os lados. Você acha que é simples para mim Gerard? Dar uma fodida com você uma vez em cada três shows de turnê, dar uns amassos ali e aqui sem compromisso...? – dei uma pausa e ignorei meus olhos molhados, engoli e prossegui – eu queria ser algo com você. Eu achei que... –
- Frank, Frank. Meu pequeno Frank. As coisas não são assim tão simples. Não é só uma questão de eu ansiar ou não, ter qualquer coisa com você, tem a mídia, amigos, familiares... Essas pessoas em grande parte não iriam entender o amor mais sincero que fosse entre dois caras. — Sua voz me interrompeu – eu te amo. Amo minha esposa, Lyn-z e Bandit não tem nada haver com minhas escolhas, poderia ser qualquer garota...! Eu não te liguei porque eu achei que fosse mais fácil para você habituar-se sem mim, e por mais que as pessoas vissem nossas cenas afetivas no palco, ainda podíamos usar aquilo só como desculpa para atacar a mídia e defender o publico homossexual. Eu sinto sua falta, sinto falta do seu corpo molhado na cama pela manhã, sinto falta de beijar seus lábios macios com a certeza que vai estar sempre ali, eu tive medo de te perder, mas eu devia te deixar. –
Suas palavras não me acudiam de maneira alguma naquele momento, o mês de julho de certa forma já me deixava incrivelmente sentimental com relação ao tempo e a pessoas, e aquilo era só um estimulo para o meu masoquismo interior.
Seus olhos em prantos e suas palavras já me diziam muita coisa. Nosso amor podia continuar vivo dentro de nós, mas se ele existiu um dia ele deveria acabar. Às vezes nós não olhamos para o obvio e deslembramos o que verdadeiramente importa na nossa existência. E com um piscar de olhos tudo se altera, e nada é mais tão habitual. O acaso faz suas regras e nós devemos seguir. Seja o que for, ou para o lugar que for e com quem for sempre será desta maneira, pois o destino quis assim, e eu sabia que coisas boas normalmente acabavam, e deveria agradecer por ter-las vivido e não chorar por elas após vê-las partir.
- sabe... Bob é um cara legal! Eu sei que ele não desejava proferir o que disse com intenção de nos atingir, ele queria nos proteger... — ele deu uma pausa. – eu o admiro pelo resto da minha vida por me fazer ver coisas que eu não via e por dizer algo que todos queriam dizer, mas permaneciam quietos feito maquinas dizendo somente o que o cérebro aprovava. –
- eu também... Ele é um grande cara! — Foram as únicas coisas que consegui pronunciar.
Meus olhos se baixaram e eu não consegui dizer mais nada, a coisa toda estava esfregada na minha cara, e foi preciso algumas palavras dele para que eu enxerga-se, estava simples e feito.

Suas mãos afagaram a lateral da minha face e assim me fez encará-lo seus lábios tocaram os meus e eu senti vontade de congelar aquele momento para sempre, eu sentia o pulsar do seu coração, sentia sua língua adentrando na minha boca reconhecendo cada canto ali presente, sentia seu toque suave e seu puxão de cabelo. Meu ultimo beijo, tão bom quanto o primeiro, e tão inesperado quanto o mesmo fazendo-me se sentir único com um astro voltado para si.

24 de novembro de 2010

Com o nosso disco prestes a entrar nas prateleiras das lojas nossa ansiedade só aumentava, Gerard havia andado de um lado a outro na pequena sala de estar do irmão umas trinta vezes cantarolando as novas musicas considerando isso como um sinônimo de sorte. As coisas entre nós dois regressaram ao normal depois do dia vinte e três de julho, nossa distancia era significativamente amena e tínhamos belas esposas ao nosso lado ele com sua Linda filha e eu com minhas duas garotinhas aconchegadas pelos meus braços e pelos de Jamia. Meu relacionamento com ela se consolidou e me sinto tão perto dela e provido de amor como nunca nenhuma outra pessoa no mundo se sentirá. Mikey planejava ter filhos em breve e Ray pensa na idéia com Christa.
Mikey corria com o mouse impaciente esperando as notas no site oficial e a explosão dos fãs em redes sociais, Ray mudava de canal a cada minuto descontente com a televisão. Abracei Jamia e a apertei contra meu peito dando a ela tudo que merecia. Fazendo dela minha esposa e melhor amiga finalmente.
Alguns minutos depois o anuncio estava feito. Quando o relógio apontou ao meio dia nossa alegria podia ser sentida nos quatro cantos do mundo. Éramos uma banda, e tínhamos amor por ela. Crescemos juntos e acabaríamos juntos, e no final cheguei a somente uma conclusão. Eu não tinha conhecimento algum que seria tudo deste modo. Universalmente todos somos sádicos às vezes e nós nunca podemos proferir o que queremos da maneira que ansiamos sem refletir que poderá sim ferir meado de um mundo ou infinito que seja. Coisa alguma dura o período satisfatório para convivermos a amplitude do necessário. Podemos nos constituir e ser quem desejar sem que você, eu ou ninguém nos deprecie pelo simples entender de quem somos. Podem nos compreender da maneira que quiserem, mas sem formular idéias sobre o que querem que sejamos. Eu fui insignificante, fui frio e fui capaz até mesmo de me dilacerar em pensamentos imaculados. Eu era provido e ainda sou de sentimentos por ele, mas como a gente, que possui tudo, somos tão avarentos e tão tolos? Somos todos cercados de muralhas de vidro, e vivemos um agora consecutivamente com receio de um dia seguinte, e comum mantermos algum sorriso nos beiços, para que nenhuma pessoa entenda nossa amargura.

Notas finais
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