Relatos de uma Suicida

4 OS Relacionamentos


Hoje vou contar a história do meu grande amor. Mas para que vocês entendam todos os problemas, temos que voltar um pouco nas histórias. Meu histórico de relacionamentos não é dos melhores. Sempre sonhei com um grande amor e me entreguei de qualquer jeito para os garotos e homens da minha vida. Em 2015 eu estava destruída após um relacionamento totalmente tóxico, minha vida estava um caos; eu tinha apenas 16 anos na época. Nesse tempo eu tive que sair da minha antiga escola por conta de um relacionamento com uma pessoa totalmente errada, meu psicológico estava um lixo.

Foi quando eu conheci o Lucca e o Leonardo. Conheci os dois na mesma época e decidi jogar limpo com ambos: disse que estava conhecendo os dois e escolheria o que me fizesse sentir melhor. Obviamente escolhi o cara errado de novo. O Lucca estudava na escolha da minha melhor amiga e já tinha ficado com ela e a feito sofrer, mas claro que eu pensei que comigo seria diferente; eu sai com o Lucca em um fim de semana, fomos à Av Paulista. Foi um passeio ótimo, andamos de metrô e ficamos horas conversando no Trianon-Masp. Eu realmente tive a ideia de que ele seria a pessoa ideal, porque tínhamos a mente muito parecida.

No outro fim de semana fui ao cinema com o Leonardo. Foi bom também, ele foi super carinhoso comigo, mas como sempre eu não optei pelo carinhoso. Na volta pra casa ele passou o tempo todo abraçado comigo no metrô, mas mesmo assim eu escolhi o Lucca.

Eu achava que tinha feito a escolha certa. Nós criamos um programa de passeio pela cidade de São Paulo, para conhecer 150 pontos turísticos, e eu amava isso. Entretanto, nossa relação íntima não era das melhores. Ele começou a parecer muito estranho desde então, ele sempre saía para almoçar com uma amiga da escola dele, e minha melhor amiga que era da sala dele me alertava sobre a índole do rapaz. Com o tempo ele foi ficando distante e frio, e eu que já estava com o psicológico abalado, sofri demais quando descobri que ele estava saindo com a tal garota.

Eu como sempre, não consegui colocar fim ao relacionamento mesmo sabendo da traição. Ele me levou ao nosso lugar, um terreno baldio que tinha uma vista linda pra cidade e lá ele confessou tudo e terminou comigo. Eu chorei muito e fiquei numa fossa horrível. E decidi ficar sozinha de novo. Mas a vida tinha outros planos pra mim.

Eu comecei a me relacionar com outro rapaz, que não deu em nada e o Leonardo voltou pra minha vida em 2016. Voltamos a sair com os amigos dele e eu comecei a ter sentimentos por ele. Com poucos meses de namoro, já ficávamos vários fins de semana juntos e ele me deu uma aliança de presente de aniversário. Fiquei com o pé atrás com isso porque nunca havia sido tratada dessa maneira, mas entrei no relacionamento mesmo assim.

Em 2017, eu estava fazendo cursinho para entrar no Exército e o Leonardo me deu muito apoio a estudar. Mas ele não gostava de estudar e passou o ano inteiro sem trabalhar e estudar, enquanto eu estudava mais de 12 horas por dia. Ao passar no concurso nós todos ficamos muito felizes e em 2018 eu ingressei às fileiras do Exército. E aí começou o problema: com o Exército, eu quase não tinha tempo para nosso relacionamento, eu saía muito com as minhas amigas e amigos e o ciúme começou a tomar posse da relação. O Leo sempre dizia que eu não era mais a mesma, e realmente não era. Ele sentia muito ciúme porque eu era uma de 40 mulheres no meio de 400 homens da minha turma, e seria uma de 100 mulheres num universo de 1200 cadetes. Nossa relação esfriou muito e terminamos e voltamos várias vezes. Até que em agosto terminamos.

Em julho de 2018, eu estava de serviço em uma sexta feira e haviam cadetes, mais antigos que eu na Escola Preparatória em que eu me encontrava. Entre os Cadetes estava o Cassiano, um cadete do 3° ano de formação de um total de 5 anos. Ele ficou tirando minhas dúvidas durante meu serviço mas eu não gostei muito dele de cara. No sábado, meus amigos me chamaram pra ir a uma balada e como minha relação com o Leonardo já não era das melhores, aceitei o convite. Lá o mesmo rapaz ficou no meu pé a noite toda até ele conseguir meu telefone. Ele queria que eu ficasse com ele a todo custo, mas eu não queria porque não sentia a mínima atração por ele, enrolei a noite toda até dar a hora de ir embora com o pretexto de que gostava de jogar um jogo de sedução, apenas para ele me deixar em paz.

No dia seguinte havia uma mensagem no meu celular com "Que os jogos comecem" com o remetente "Cassiano". Começamos a conversar e ficamos muito próximos, mas eu só queria a amizade dele. E meu juramento à bandeira nacional estava próximo e ele queria ir na solenidade, eu neguei, porque eu tinha comprado o convite para o Leonardo, mesmo que não estivéssemos mais juntos, era uma forma de uma última tentativa de reconciliação.

A semana da formatura chegou e minha turma treinou todos os dias embaixo de sol e de chuva para a solenidade ficar perfeita. Quem carregava a Bandeira Nacional era um Oficial mais moderno da Escola e as bandeiras históricas e o estandarte da Escola era carregada por Cadetes do Curso de Cavalaria da Academia Militar. Foi nesses treinamentos que travei meu primeiro contato com os olhos mais dourados que eu já vi.

Os olhos dourados me perseguiam e eu tentava não olhar muito já que eles pertenciam a um Cadete, porém era quase impossível não vê-los uma vez que eu por ter um metro e meio, ficava na última fileira do dispositivo e extremamente perto dos Cadetes antes da entrada no pátio. Ele era a coisa mais linda que eu já tinha visto: olhos verdes de um brilho dourado, cabelo padrão militar (mas não tão curto mais por ele estar no 4° ano de formação), botas de "Cavalariano" e seu uniforme de gala de Cadete. Ficava hipnotizada pelos seus olhos.

Um dia, no meio dessa semana de treinamentos, eu estava de serviço e sozinha no alojamento enquanto os outros alunos faziam treinamento físico. Eis que me aparece os olhos dourados acompanhados de outros olhos que até pareciam invisíveis perto dos dele. Ele tentou puxar assunto comigo perguntando se poderiam utilizar a sala de estudos dos alunos e claramente eu permiti, já que eles eram mais antigos. No mesmo dia mais tarde, outro Cadete que estava interessado em uma companheira minha, se aproximou de nós duas para conversar e claro que os olhos dourados foram junto com ele. O rapaz pediu o telefone da minha amiga enquanto eu e o dono dos olhos mais lindos que eu já vi, ficávamos em um silêncio constrangedor, o momento não durou muito tempo, mas mexeu comigo.

O dia da festa chegou e minha família toda e amigos estavam lá, inclusive o Leonardo. Na festa ficamos juntos porque estávamos tentando ficar bem. Só tinha um problema: os olhos dourados estavam lá também. Ele esperou o momento em que eu estivesse sozinha e se aproximou:

— Você está acompanhada?

Gelei e não sabia nem o que responder. Não podia dizer não, pois estava acompanhada. Mas bem que eu queria estar só. Senti meu corpo flutuar como nunca por ter aqueles olhos em mim.

—Estou sim- respondi tentando me manter firme, afinal, ele era mais antigo que eu.

— Que pena, vou ter que ficar sozinho então. -Ele respondeu, na hora eu não entendi quais eram suas intenções.

—Tem muitas outras garotas aqui hoje -Eu respondi contrariada, achando que ele não queria nada com nada.

Ele se afastou um pouco de mim, mas seus amigos já tinham rodeado a mim e minhas amigas na pista de dança e todos dançávamos felizes. O Leonardo voltou, acho que um rapaz de 1m92cm intimidou os olhos dourados, porque ele não se aproximou mais de mim.

Depois de alguns dias, recebi uma notificação de amizade no instagram. Eu reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar. Descobri naquele dia que o nome do dono dos olhos dourados era Antonio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.