–Acorda sua inútil! – Levo uma bengalada na cabeça – Já era para ter acordado faz tempo.

– Mas vovó, hoje é sábado. – Levo outra bengalada – Eu já estou a par dos meus estudos!

Ela levanta a bengala novamente, antes que possa levar outro golpe, me levanto. Mas o que foi aquele sonho? Vovó geralmente diz que sonhos são avisos, mas o que eles queriam me avisar? Fique longe de gatinhos de cabelo prateado que usam magias de fogo?

Conjuro uma magia de aparência, logo estou vestindo meu uniforme de jovem feiticeira. Não gosto de fazer este feitiço, sempre que o faço meu cabelo fica destruído. Passo 5 minutos penteando e ajeitando no meu rabo de cavalo de sempre.

– Antes que eu lhe passe o ensinamento de hoje, quero que você entregue estes potes de geleia para os seus vizinhos- vovó me estende uma bandeja – só não entregue para gloria, odeio aquela mulher.

– Então por que aqui tem quatro? – pergunto à vovó- só vou entregar à três pessoas mesmo.

– Um é pra você – Vovó tosse – Neta burra.

–Obrigada vovó! – corro para abraça-la. Com um simples gesto na mão dela, estou com a cara no chão.

– De nada. – ela sai resmungando – Criança estupida.

Saio de casa com a bandeja em mãos, enquanto atravesso a rua algo esbarra em mim. Me viro para me desculpar por estar no caminho, mas não havia ninguém lá. Estranho.

Entrego os potes para a dona Clarisse, pro senhor Hugo e quando estou perto da casa da senhorita Melo, percebo que só me resta um pote. Cadê o meu?!

–Fui roubada! – Berro após soltar um grito agudo.

Um aglomerado de pessoas fica ao meu redor, querendo saber o que aconteceu. Um patrulheiro da cidade tenta passar pela multidão, com dificuldade ele consegue.

Eu explico a situação para ele, ele disse que vai tentar resolver. A senhorita Melo saiu de sua casa para ver o que estava acontecendo, aproveito para entregar o último pote para ela.

Volto para casa, digo o que aconteceu para a vovó. Outra bengalada. Eu devia parar de falar tudo para essa mulher.

–Vamos para a biblioteca – Ela começa a caminhar – Hoje você vai estudar sobre a grande deusa Ártemis.

Me animo, sempre gostei da história da deusa. As vezes finjo que ela está me observando e guiando para que faça as decisões certas. Mas devo estar enganada, só tenho azar nessa vida.

Vovó abriu um pergaminho e começou a ler.

Este mundo foi gerado pela deusa Ártemis, em seus primórdios era um local habitado apenas por mulheres. Era um lugar pacifico, então ela conheceu Órion. Se apaixonou pelo gigante e com isso, gerou homens no mundo de Khlanis. Mas com o tempo isso mudou. Órion se rebelou contra Ártemis, trazendo ódio e forças malignas para o mundo, ele foi morto pelo irmão de Ártemis, Apolo. Ela o perdoou e em sua homenagem criou uma constelação. Com o mundo em caos, Ártemis criou os Emissários, poderosos guerreiros que tem o dever de proteger o mundo de forças malévolas. A maioria dos Emissários são do sexo feminino, mas homens de coração puro são designados como Emissários e carregam grandes poderes...

Eu estou maravilhada com a história, é tão romântica e infelizmente uma tragédia. Vovó encerra os ensinos de hoje e vai para o seu quarto, sempre me perguntei o que ela fazia enquanto estava lá.

Vou para o meu quarto e observo o porto, que fica logo atrás de nossa casa, pela janela do quarto. Fico brincando com uma bola de fogo em minhas mãos e acidentalmente disparo ela. Com medo de ter feito algum estrago, corro para o porto.

Uma brisa faz meus cabelos voarem, estou caindo. A imagem de uma jovem dama aparece em minha mente, quem é ela?