Relações Tóxicas
2 Este é Carlos
Carlos levantou, deixou sua guitarra encima da cama e bebeu mais um gole de bebida. Olhou para o relógio, quase 10 horas da noite, coçou a nuca, preocupado. Porque ela estava demorando tanto?
Colocou uma playlist de rock para tocar no computador, o som era pesado e rápido, apenas mais uma faceta da personalidade dele.
Não era o tipo que corria atrás, mas Gabriela conseguia dobrar ele ao meio, já era a terceira semana que ela não aparecia e as desculpas eram as mais variadas possíveis, ele indagava se Gabi precisava de ajuda, ela sempre dizia que não era nada, que não precisava se preocupar e que estava tudo bem.
Carlos tinha a paciência de Jó e a esperança do tamanho de um elefante, achava que era apenas uma fase ruim.
Apesar dessa fase durar mais de 3 anos.
Os amigos mais íntimos tentaram: uma, duas, três, inúmeras vezes.
— Cara, ela não gosta mais de você.
— Já está na hora de seguir em frente!
— Gabriela não é a mesma de antes.
Mais um gole, mudou de música e deitou de barriga para cima na cama de solteiro. Olhava para o teto, sem pensar em nada. Escutou seu cachorro latir, mas era o entregador de pizza na casa do vizinho. Sentou e bebeu o resto da garrafa em uma golada só. Já começava a sentir os efeitos do álcool e resolveu mexer em redes sociais.
Lá estava, Gabriela, marcada em uma foto, no meio de uma galera, com sua habitual camisa preta e o cabelo rosa. Parecia ser um show de rock, ele não conhecia ninguém além dela naquela foto. Sentiu a pressão subir, o rosto vermelho, uma gota de suor escorreu da testa. Ligou para uma amiga em comum, talvez estivesse com ela:
— Juliana? É o Carlos... — pausa — ... A Gabriela está com você?
— Oi Carlos, eu estou na casa da minha mãe, ela não está comigo não.
— Ela avisou para onde ia?
— Ela não disse nada... Você bebeu?
— Só tomei uma garrafa de conhaque.
— Uma garrafa inteira? — ela parecia preocupada.
— Sim...
— Carlos, não vale a pena fazer isso por conta dela, segue sua vi...
Ele desligou o telefone sem despedir e sem dar qualquer explicação. Jogou o celular na parede, revoltado.
As lágrimas escorriam de seu rosto, o coração em uma mistura de emoções que pioraram com a bebida.
Deitou na cama, ainda chorando. Um choro silencioso.
Mesmo sem ser correspondido, não conseguia viver sem Gabriela.
Carlos era apenas mais um, entre dezenas de Carlos que viviam de migalhas, de ilusões e falsas esperanças.
Você também é um Carlos?
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