Reinado
2 Capítulo 2
As portas se abriram com um som rouco e lento, como sempre. Assim que entrou, Aaron pressionou um quadrilátero mais comprido do que largo e todas as cortinas se abriram, deixando o sol passar pelas enormes vidraças e iluminar a gigantesca mesa ao centro da sala não muito menor.
— Pode se sentar, Isabela — ele disse, já partindo para a cabeceira do móvel, sentando-se ali e aguardando que ela o fizesse.
Não perdendo uma única oportunidade de sedução, a belíssima jovem sentou-se a esquerda dele, cruzando lentamente suas pernas até que suas coxas estivessem completamente a mostra. Aaron não conseguiu conter uma olhadela rápida, mas tentando manter o decoro ele indagou:
— E então, tinha algo a dizer?
— Gostaria que todos os outros estivessem presentes. Porém... — ela recostou-se no encosto de quase um metro e cruzando os dedos a frente do queixo ela disse — sabe o Egito?
— Sim, o que tem isso?
— Pois bem. A alguns meses que venho registrando uma estranha atividade biológica na região, intrigada, ordenei a um grupo de confiança que fosse ao local investigar e o que aconteceu me deixou assustada — ela respirou fundo e olhando a vidraça atrás de Aaron ela disse — foram encontrados os corpos de todos em meio ao deserto do Saara, estaçam destroçados, suas entranhas foram arrancadas e alguns estavam com os olhos furados, além de terem levado suas línguas e seus corações. Segundo exames médicos apresentados recentemente, os corações e vísceras foram retirados com todos ainda vivos, os pulsos e tornozelos foram imobilizados por algo muito forte e eles morreram aparentemente agonizando.
Aaron engoliu em seco, estava branco, pasmo. Nunca havia ouvido uma história tão aterrado como aquela.
— Mas... e qual é o problema de seus "enviados" terem sido sacrificados por algum povo do deserto?
— O problema, Aaron? O problema era que eles faziam parte da Elite Guerreira de meu reino, seres com as mesmas capacidades que as minhas, apenas diminuídas por muitas vezes. Nenhum ser humano, mesmo o mais treinado, era capaz de os imobilizar e matar sem que fosse morto também, era necessário que fossem cercados por centenas de mercenários para que pudessem ser mortos dessa forma e em caso de extremo risco tinham recursos para fugir. O que quer que os tenha prendido era forte e poderoso o suficiente para segurá-los e lhes arrancar o coração ainda vivos sem dificuldade. Além disso, não haviam indícios de grandes quantidades de pessoas por aquele local, imaginamos que não passem de dez com exceção dos mortos.
Aaron ficou calado por longos segundos, pensando. Ele tentava irremediavelmente encontrar uma justificativa para aqueles homicídios tão cruéis e tão facilmente executados, mas não encontrava nenhuma.
— Não faz ideia de quem possa ter isso? — ele finalmente indagou, fitando profundamente os olhos dela.
— Não. Nada poderia tê-los matado assim! Pelo menos nada que esteja sob o controle de qualquer um que integre a Suprema Monarquia.
— Acha possível que algum dos Imperadores tenham feito isso?
— Só se estivessem completamente fora de si! Sabem que eu tenho recursos e capacidades para descobrir facilmente caso um deles fizessem isso. E se o fizessem, eu distroçaria seus corpos sem dificuldades e declararia guerra a seu reino!
Nesse momento os dois ouviram passos se aproximando da porta. Isabela sorriu e recostou-se novamente na cadeira, sabia quem era. Enrique olhou os dois dentro da sala e sorriu maliciosamente.
— Os fetiches de vocês não acabam, hein? Sala do Conselho... que criatividade!
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