Rei Arthur
1 Capítulo 1
Notas iniciais
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Mordred o encarou. Pensou que o jovem estava blefando, que ele queria apenas se passar pelo filho de Arthur para tomar a coroa, porém, ao reparar sua face, notou a semelhança do rapaz com seu recém-falecido pai e não pôde deixar de questioná-lo:- Todos pensávamos que você tinha sido morto por Balin anos atrás.- Isso fazia parte do plano de Galahad.Mordred voltou a olhar fixamente para o rapaz à sua frente e começou a temê-lo. As palavras dele indicavam que o espírito de Galahad o tinha avisado do perigo que ele corria. O moço deve ter escapado do monastério onde estava escondido antes de Balin chegar. Naquela ocasião, Balin deu a entender que tinha matado o filho de Arthur, mas agora ficava claro que ele apenas blefou para enfurecer Arthur. Mordred voltou a indagá-lo:- Então por que ficaste escondido durante todos estes anos? Se o que dizes for verdade, terás os mesmos problemas que o nosso pai teve para assumir o reino. Ninguém acreditará em tua palavra. Te tomarão como farsante.- Fui escondido pelo fantasma de Galahad para me preparar para assumir o poder. Verás que não tenhos as fraquezas de meu pai e de seus cavaleiros.E Gwydre começou a provar que não tinha as “fraquezas” da Távola Redonda. Esqueceu da honra, que proibia que um cavaleiro atacasse alguém ferido, e deu um pontapé no buraco da barriga de Mordred. O usurpador gritou, mas já teve que se defender. Gwydre também não esperou que ele tomasse fôlego.Porém, Mordred era um experiente guerreiro e soube usar a impulsividade de seu atacante contra ele mesmo. Esperou até o último instante e se deviou do ataque de Gwydre. O jovem passou ao seu lado direito e Mordred lhe deu uma cotovelada na nuca. Gwydre ficou tonto. Mordred pegou uma lança que estava perto e a jogou em Gwydre, porém seu ferimento o impediu de jogar a arma com a força certa e ela parou perto do jovem, mas não o atingiu. Pior para Mordred, acabou dando uma arma ao oponente.Gwydre a pegou e começou a dar golpes no irmão mais velho, fazendo-o recuar. A experiência novamente serviu Mordred e ele conseguiu dar um golpe com a espada na lança de seu atacante, desequilibrando-o. Mordred se aproveitou e entrou no meio da multidão de combatentes. Pegou um dos soldados do rei Arthur e gritou para Gwydre:- Se voltar a me agredir, eu mato este´pobre que luta pelo nosso falecido pai.O [unico filho de Arthur e Guuinever parou e num rápido movimento enfiou a lança no soldado-refém, o afstou e gritou para o irmão:- Eu disse que não tenho os defeitos de meus pais e seus cavaleiros, maninho.Mordred não acreditava. Gwydre era tão terrível quanto ele e já voltava a atacá-lo. Mordred começou a se cansar. Viu um grupo de soldados seus e ordenou:- Matem este porco!- Os cinco soldados avançaram em direção a Gwydre, mas ele estava preparado. Jogou moedas de ouro na direção deles. Os guerreiros não hesitaram. Largaram as armas e que seu mestre se defendesse por si só. Mordred estava pasmo. Seu irmão subornava também? Só então pecebeu que teria de derrotá-lo diretamente. Pegou então uma pedra no chão e jogou em Gwydre, que conseguiu interceptá-la com a lança, mas ela ricocheteou e o atingiu no pé direito. Mordred avançouGwydre conseguiu se defender. Lança e espada duelavam e Gwydre aproveitou uma brecha e corttou o braço esquerdo de Mordred. O cavaleiro o provocou:- Este não é meu braço bom, mano.E Mordred se tornou mais veloz nos ataques. Foi levando Gwydre para trás e ele acabou caindo. Mordred tentou perfufurar Gwydre, mas recuou, seu irmão conseguiu lhe apontar a lança para a barriga. Um passo em falso e Mordred morreria. Gwydre se levantou ainda com a arma apontada para o estômago do irmão e gritou para que todos ouvissem:- Parem de combater! Mordred se rendeu.A mensagem se espalhou e aos poucos, as brigas cessaram. Gwydre voltou a falar:- Bedwyn, traga a abdicação de meu irmão!O idoso bispo de uma mão só apareceu com o papel e o jogou aos pés de Mordred:- Assine, milorde – gritou o sacerdote – e sua vida será poupada.Mordred assinou. Afinal de contas, depois, poderia voltar a conspirar. Foi quando veio a surpresa. Assim que entregou o documento, Gwydre o perfurou com a lança. Antes de morrer, Morded ouviu Gwydre:
- Te disse que sou diferente de meu pai e seus cavaleiros.E o homem que matou o rei Arthur também foi morto.Nos meses seguintes, a previsão de Mordred se confirmou. Graças a seu desaparecimento, Gwydre enfrentou a desconfiança de vários lordes, mas ao invés de enfrentá-los como seu pai, ele os subornou. Deu a cada um riquezas ou pedaços de terra. O bispo Bedwyn tentou organizar uma nova expedição para alcançar o Santo Graal, mas foi morto pelos soldados de Gwydre: o novo soberano deixou claro que a razão agora reinava na Inglaterra, e não a religião .Gwydre retirou as pretensõess criadas por seu pai de criar um Reino Unida com os países vizinhos, Irlanda e Escócia. Agora, era Inglaterra e ponto final.- Somos ingleses e os outros povos que se danem! Dizia Gwydre.Por falr nos outros povos se danarem... Gwydre ampliou as invasões às terras africanas e até pagou estudiosos para justificarem as intrusões:- Somos superioress a eles! Somos brancos! É papel deles nos servir, nos darem seus recursos naturais e serem nossos escravos! Falava Gwydre.Enfim, o idéial tão defendido pelo rei Arthur de igualdade entre os homens foi destruído por Gwydre.O espírito do cavaleiro Gawain vagou pela terra por um tempo e presenciou as mudanças. Quando foi obrigado a seguir para o Outro Mundo, o ex-cavaleiro condenou:- A Inglaterra está perdida.- Muito pelocontrário – reagiu Merlin – Ela crescerá tanto que se tornará um império.- Mas Arthur ao queria um império.- E veja como ele acabou. É assim que o plano terrestre é, Gawain: ou você vence ou é derrotado.- Merlin está certo, Gawain – falou o fantasma de Galahad, que era o encarregado de conduzir Gawain à sua morada no Mundo Espiritual.- Como podes concordar com esta sandicíe, Galahad? Tu, que sempre lutaste pelo bem na terra!Errado, Gawain! Não lutei pelo bem na terra, lutei pelo bem! A terra foi, é e sempre será condenada1 Jesus mostrou uum caminh para que quem está nela alcance a graça, mas ninguém pode ser verdadeiramente feliz na terra.Gawain refletiu por longos instantes e finalmente falou:- Mas e a honra, a lealdade e a justiça? Os valores que nós, Cavaleiros da Távola Redonda, sempre defendemos?- Quem és tu para falar desses valores, Gawain? Questionou Merlin – Em tua vida, tu traíste, enganasse e foste injusto, assim como todos osoutros cavaleiros.A alma de Gawain voltou a pensar:- Então foi tudo em vão? Nossas existências serão esquecidas?- Muito pelo contrário, Gawain – assegurou Galahad – Todos nós, que tivemos algum papel nesta trama, seremos eternizados. Assim como Jesus, nossos ideais serão sempre exaltados, mas nada mais que isso. Ninguém irá realmente seguí-los.Gawain baixou sua cabeça espiritual, mas voltou a levantá-la com uma última questão:- Então valeu a pena?Nota do Autor:Agradeço a todos os que acompanharam esta história, quer tenham lido um capítulo ou toda a saga. Desde que a comecei, fiz inúmeros contatos e novos amigos. Pretendo publicar livros com esta trama . Nos vemos nas livrarias,Adriano IzharObra patenteadaMaio de 2009.
Notas finais
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