Rehabilitating A Heart
9 Understanding the misunderstood.
Notas iniciais
Stiles acordou sozinho. Mas no fundo, não estava tão surpreso assim. E tanto podia, quanto tinha mais que o direito de começar com toda aquela velha melancolia. Mas não o fez. A única prova de que não era sonâmbulo e aquilo não foi um sonho, foi uma jaqueta que não deixava o frio judiar tanto de seu corpo como queria. Vestiu aquela jaqueta sem muita cerimônia, aproveitou o ar frio da manhã para lhe fazer companhia enquanto voltava para casa, contando os passos, torcendo para não ter nenhuma viatura esperando-o em casa. Conhecia seu pai, provavelmente as viaturas da cidade inteira estariam com uma foto dele procurando por aí, mesmo que em segredo.
Parecia besta, mas checou seu bolso. Sentiu uma aparente felicidade ao ver que estavam lá. Claro que não achava que Derek havia roubado. Era só algo que passou por sua cabeça. Nem mesmo olhou-o para ver se havia alguém ligando. Provavelmente umas cem chamadas de seu pai, apenas o usual e o de sempre.
Havia perdido o horário para a aula de hoje. Sua roupa estava um pouco mais suja do que o normal, mas ele não se importou. Deixou muita coisa para lá, ainda estava com aquela ideia fresca sobre o que realmente aconteceu na noite anterior em seu estômago, tentando digerir e aproveitar aquilo lentamente.
Quando dobrou a esquina de sua casa, nada muito diferente o aguardava. O carro de seu pai não estava por lá. A casa parecia intacta. Uma velha gorda que morava na casa do lado o cumprimentou com um sorriso simpático enquanto regava as flores mortas e secas que ficavam em vasos pequenos na varanda de sua casa.
Quando entrou em casa, com a chave que ficava escondida em uma pequena fenda perto da porta, teve a certeza: tudo estava bem. Não havia ninguém em casa. Seu pai devia ter dormido fora, ou dormido no trabalho. Ou não teve tempo para voltar para casa, falta de tempo como sempre. Subiu as escadas, e pode finalmente perceber que suas costas doíam. Não sentia fome, nem tampouco frio. Apenas uma dor nas costas que incomodava. Provavelmente porque dormiu encostado em uma árvore.
Deitou-se em sua cama, de bruços, caiu no sono em seguida.
*~*~*~*
– Acho que não preciso nem falar que quero te matar, não é? – Disse Allison, assim que se aproximou, com uma expressão que chegava a dar medo. Com certeza ela conseguia aparentar assustadora quando queria.
– Allison! Oi... bem...
– Bem nada! Juro que quase estava colocando a NASA pra te rastrear. Onde está aquele “oi, cheguei em casa, não me sequestraram e venderam meus órgãos” – tentava falar baixo, mas a voz da garota no vestiário parecia mais alta, mais aguda e ainda mais irada pelos ecos do lugar vazio.
– Derek não é assim! – Defendeu automaticamente, nem se dando conta.
– Claro que não. Nem um pouco, vocês se conhecem desde a infância, e tudo mais... – começou outra vez. – Olha Stiles, isso não tem um ponto, na verdade. Mas você não pode simplesmente sumir assim. Foram quantos dias sem responder minhas chamadas ou vir na aula?
– Só uma semana – sorriu amarelo para a garota, que não retribuiu.
– Só uma semana – deu ênfase – só uma semana... Tá, e aí? Foi como? Acho que por todos esses dias se isolando... – Sentou no banco, do lado de Stiles, deixando que sua mão pousasse suavemente no ombro do garoto. – Sinto muito... acho que não foram bons dias, não é?
– Nunca são, mas estou acostumado, sabe? – Riu, tentando demonstrar alguma força misteriosa que no momento não se encontrava em excesso por lá.
– Por que não estava vindo à aula? – Perguntou cuidadosa, enquanto alguns garotos entravam no vestiário. Stiles era sempre o último, não gostava da ideia de tomar banho com outros caras olhando para ele. Até porque não tinha tantos músculos, era magrelo, tinha certo constrangimento.
– Meu pai não estava na cidade, não tinha ninguém pra me obrigar e... – de repente todos os olhares estavam pairando sobre Allison. Talvez porque ela fosse uma intrusa ali, ou talvez estranhando por uma garota como ela estar tão próxima de Stiles.
– Vamos sair daqui, ok? – Disse, puxando-o pela manga da blusa, assim que Scott entrou no vestiário.
Saíram em silêncio, mas Stiles percebeu certa distância da parte de Scott quando passou por eles. Nem mesmo um olhar, ou uma emoção. Nada, como se não se conhecessem, ou nunca tivessem sido amigos.
Chegaram ao refeitório. Ainda faltava um pouco para as aulas começarem. Algumas pessoas sentavam-se às mesas e aproveitavam a free zone de wi-fi, enquanto outras apenas andavam, conversavam. Stiles tentou conter a curiosidade, mas aquela era uma ótima forma de pular o assunto sobre Derek e focar mais em Allison.
– Por que o Scott não te cumprimentou? – Indagou de imediato, assim que se sentaram à mesa.
– Porque ele é um idiota – disse naturalmente – mas e então, o cara lá, o que conversaram? Ou... fizeram – um sorriso enorme, maldoso e cheio de segundas intenções se abriram no rosto delicado de Allison.
– Nada. Dormimos. Conversamos, não me lembro... – disse, tento um leve flashback – mas e o Scott?
– Eu tenho aulas de humanas agora, e depois um pouco de exatas. Vai ficar na escola pra me ver na natação? Você bem que podia entrar no clube, é bem legal. E se eu conversar com a treinadora, podemos te encaixar no grupo misto, garotas e garotos e vamos poder ficar juntos na piscina! Vamos, eu te ajudo, vai ser legal e... – continuou falando. Até que Scott, novamente, passou por eles. Dessa vez, dirigiu um certo olhar que aparentava com fúria e nojo para Stiles.
– Você contou pra ele? – Stiles sussurrou, assim que ele deu as costas para os dois.
– Contei – assumiu.
– Como assim? Você não pode sair por aí contando coisas da minha vida particular pra qualquer um! – Disse, ainda sussurrando, mas alterado.
– Não posso contar quem eu beijo para meu amigo? Achei que ele gostaria de saber... amigos são pra isso, sabe?
– Ah... então...
– Não, eu não contaria sobre “aquilo” – disse –, mas e a natação, como fica?
– Ah... não gosto de esportes que mostrem muito o corpo...
– Qual é?!! Vai ser legal. E você não tem muitas coisas pra esconder. Mostre pra eles o que tem atrás dessas roupas largas, não pode ser mais horrível que a treinadora de maiô – riram daquilo exageradamente, até que o sinal da primeira aula tocou.
– Temos a quarta aula juntos, senta do meu lado. Me salve da Lydia, por favor! – Pediu, indo em direção aos armários.
– Lydia? Estão conversando? – Se assustou com aquilo. Não esperava que Allison o trocasse, novamente, tão rápido.
– Não exatamente. Mas somos amigas. E ela terminou com Jackson e...
– Ela o quê? – Uma semana sem aparecer na escola parecia ser bem mais do que aparentava.
– Longa história, posso te contar depois. Mas não quero ficar consolando alguém chorando e tudo que eu posso dizer é “ele é um idiota”...
*~*~*~*
As aulas passaram como sempre passam: lentas e tediosas. Não era como se mal pudesse esperar pra saber como o “perfeito” Jackson conseguiu terminar com Lydia, mas conversar com alguém depois de tanto tempo em casa parecia algo precisamente bom.
Quando finalmente o quarto horário começou, correu direto para a sala, pegando um lugar próximo a janela, deixando a janela para Allison, claro. O professor o cumprimentou, até mesmo o convidou para sentar mais a frente, mas ele preferiu ficar por lá. Quando Allison chegou, a pessoa a seu lado realmente dava sentido a expressão “olhos inchados de tanto chorar”, o rímel a deixava como um panda com linhas pretas e borradas descendo pela bochecha. Parecia que chorava tinta, que descia em seu rosto como uma gota de tinta negra descia por um papel branco. Allison sentou-se à janela, juntamente com Stiles, e Lydia logo à frente. A ruiva se abaixou na carteira, chorando, novamente.
– Não sabia que estava tão mal assim... – Stiles comentou para Allison, que sorriu. Foi um comentário maldoso, afinal. Porém nada mais refrescante que ver uma pessoa que sempre te colocou pra baixo, para baixo.
Mas no interior de Stiles, foi como beber um copo com cacos de vidro triturados. Foi engraçado na hora, mas... qual a graça no sofrimento alheio? Como alguém consegue lidar com essa sensação de remorso? Por alguns instantes, quase pediu desculpas para Lydia, mesmo sabendo que ela não tinha ouvido.
– Qual foi o motivo? – Perguntou baixinho no ouvido de Allison, tapando a boca com as mãos.
– Não são todos os dias que alguém descobre que o namorado é gay... – Allison sussurrou de volta, com uma risadinha abafada.
Stiles realmente tinha perdido muita coisa. Ou muita coisa tinha acontecido, justamente, na semana em que ele não foi à aula. Não era grande coisa, até por que, talvez, Jackson teve uma coragem que Stiles ainda não tinha. Se ver como o que era, e dizer a todos que era assim. Ainda mais pra namorada.
– Nossa! – Foi o melhor que conseguiu encontrar para falar.
– Sim, e ela encontrou-o no flagra! E está um “panda”, desde então... – explicou.
– Por um acaso não é com Scott, é? Só o que falta e...
Allison ficou em silêncio por alguns instantes, olhando para baixo. Stiles a encarou forçando o máximo que podia seu semblante pra cima, enquanto seu queixo caia, pensando naquilo. Não, não podia. Não era possível. Não existia possibilidade para aquilo. Era difícil até de pensar.
Então, ela riu. Gargalhou, o que pareceu fez o choro de Lydia ficar ainda mais alto, como se ela quisesse ser notada. Depois de um tempo rindo, Stiles começou a rir sozinho, quando a garota já havia parado. Não era tão impossível assim, porém, não poderia ser justamente com Jackson. Não o Scott que ele sempre conheceu.
A aula não demorou muito, e logo a aula que tiveram juntos acabou. Não haviam prestado atenção em nada, mas deram boas e raras gargalhadas, totalmente únicas. Stiles foi para a próxima aula, ainda pensando nisso. Não que fosse grande coisa, até porque, ele mais que ninguém, entendia como Jackson se sentia. E talvez ele precisasse de um apoio, assim como Allison foi para Stiles. Mas desistiu da ideia ao se lembrar da personalidade “super agradável” do loiro.
Na aula seguinte, pra sua surpresa, Lydia se sentou do seu lado. Seu rosto estava inchado, assim como seus olhos. Ela não parecia muito bem, tanto aparentemente, quanto psicologicamente, afinal, em sua sã consciência, nunca sentaria ao lado de Stiles.
– Me empresta depois? – Ela pediu, apontando para as apostilas de Stiles.
Foi algo meio inédito ter Lydia tão frágil do seu lado, chorando, e ainda sim, tratando Stiles como um colega. A impressão que ela passava, era que sempre que o visse, queria arrastar a cara dele em todos os corredores da escola. Mas naquele dia, ela simplesmente pediu algo. Balançou a cabeça, assentindo, enquanto tentava não olhar muito. Ela abaixou a cabeça em seguida.
– Se quiser alguém pra conversar – começou, já sentindo que se arrependeria –, acho que Allison e eu podemos...
– Me chama se o professor olhar pra cá. Se ele perguntar, estou doente – ela disse, colocando os fones de ouvido.
– Ok – bufou, porém ela não parecia mais estar ouvindo.
A aula não demorou muito, o professor também não deu a mínima para Lydia que parecia implorar para que alguém notasse o quanto ela estava sofrendo e o quão alto ela podia chorar. Claro que todos ouviam, mas ninguém dava a mínima. Era como se a rainha tivesse caído do trono, e agora, como plebeia, não tinha mais um reino todo a seu favor.
A aula, novamente acabou. A ruiva nem ao menos se moveu, apenas suspirava entre os choros, como se cada vez que chegasse no refrão de uma música que estava repetindo desde que a aula começou, ela começasse a chorar de novo. Deixou a apostila em cima da mesa e saiu. Allison teria aulas de natação, então, foi ao ginásio onde as piscinas ficavam para esperar a garota.
*~*~*~*
– Não senhora! – Respondeu, balançando a cabeça.
– Tem certeza? – Perguntou a treinadora com um olhar de cão selvagem.
– Sim! – Balançou a cabeça.
– Ótimo! Se uma, uma que for, das minhas nadadoras reclamarem de alguém apalpando suas bundas, eu te expulso desse ginásio e você vai pra casa de sunga! – Gritou, enquanto observava a expressão assustada de Stiles.
– Bem... – Allison começou – acho que você deveria se preocupar mais com as nadadoras, porque Stiles é gay – disse, naturalmente.
– Ah, é mesmo? – Perguntou, analisando Stiles, que assentia em silêncio. – Pois bem, Florzinha, aqui não tem moleza pra ninguém. Temos treinos de segunda a sábado. E não quero ouvir reclamações de “o cloro está ressecando seu cabelo”, ou “a água faz mal pra minha pele”. E aos sábados de manhã, a água é aquecida, durante a semana, enquanto tiver sol... água fria. Fui clara? O vestiário feminino é por ali – apontou, enquanto dava as costas para eles gritou com as outras nadadoras – TUDO BEM SUAS BALEIAS DE ÁGUA DOCE, PRA ÁGUA TODO MUNDO!
– Acho que ele não tem problemas em usar o vestiário masculino, treinadora... – Allison tentou discutir.
– Florzinha, vestiário feminino – repetiu, olhando para Stiles –, AGORA!!!
Stiles seguiu a direção para onde a treinadora havia apontado sem nem se quer saber onde era, Allison foi atrás andando rápido, tentando encontrá-lo. Quando chegaram no vestiário feminino, as bochechas de Stiles estavam pegando fogo, mas aparentemente, nenhuma das garotas por lá aparentavam se importar com a presença de Stiles por lá.
– Estão acostumadas com gays... – Allison disse baixinho, rindo em seguida.
– Eu não! – Disse. – Allison, eu não tenho certeza e...
– Qual é! Se não fosse gay, não reclamaria de ter que ver mulheres nuas – riu novamente, enquanto pegava a sunga de Stiles. – Vamos, tire tudo e coloque.
– Er... eu não tenho problemas em vê-las nuas... mas...
– Ninguém vai olhar pra você – insistiu.
E não foi o que aconteceu. Mesmo de costas, podia sentir os olhares famintos das nadadoras sobre ele. Algumas ainda tentaram conversar com Stiles, só pra poderem ver a parte que ele tanto escondia na frente, o que o deixou mais nervoso ainda.
– E então, gatinho, tem namorado? – Uma garota morena com roupa de natação da escola perguntou.
– Eu... er...
– Tem! E ele é lindo! Melhor que os garotos da escola! – Allison respondeu, adorando ver Stiles ficando tão vermelho quanto a cor da sunga que ele vestia.
– Mesmo? Nossa! Que inveja dele...
– Ele tem carro? É rico? – Outra perguntou.
– Há quanto tempo namoram?
– Começaram semana passada – Allison respondeu de novo. – Bem, vamos antes que a treinadora venha nos buscar. Depois vocês podem perguntar, Stiles adora falar sobre o “homem” dele.
Não haviam palavras que Stiles pudesse usar para expressar o quanto odiava Allison naquele momento. Era quase como se sentisse vontade de afoga-la na banheira. Mas havia um lado bom em deixar que as garotas acharem que ele era gay, ou saberem que ele era: garotas que nunca haviam falado com ele acabariam dizendo que sempre foram afim dele.
Seguiram para a piscina. E a treinadora não demonstrou nem um pouco menos impiedosa. O aquecimento era pesado demais, Stiles não conseguia acompanhar nem mesmo aquilo, e a treinadora, sempre que ele errava, apitava e gritava “Florzinha, vai Florzinha!!!”.
Quando finalmente terminou, Stiles não tinha mais fôlego nem mesmo para piscar. Queria deitar naquela piscina e boiar. Se bem que, com o cansaço que sentia, podia muito bem afogar e pegar umas ótimas férias em um hospital.
– Stiles, vamos logo. – Allison gritou do outro lado da piscina. – Você vai comigo em um lugar depois daqui!
Stiles assentiu, sentindo todo seu abdômen, braços e pernas queimarem como se tivesse nadando em lava quente. Para um primeiro dia, a treinadora realmente deu sentido a expressão “não pegar leve”. Quando finalmente conseguiu sair da piscina, deitando e rolando na borda, um apito insuportável penetrou seus ouvidos. Ele podia jurar que ficaria surdo com aquilo.
– Se existem escadas na piscina, você deve usá-la, Florzinha – berrou, como se todos precisassem desse lembrete que foi direcionado ao calouro.
– Eu me chamo Stiles, – disse – não tenho problemas com meu nome.
– Ah, perdão Florzinha. Minha piscina, minhas regras.
*~*~*~*
Após passarem na casa de Allison e esperar a garota se arrumar para, aparentemente, nada, entraram no carro da garota para poderem ir para a casa de Stiles. E era até engraçado, porque Allison morava um pouco mais longe que a casa dele, então, sempre o deixava na volta, primeiro em sua casa, por ser parte do caminho. Mas naquele começo de noite, ela insistiu que o garoto fosse com ela em sua casa primeiro.
– Eu odiei, não vou voltar nunca mais!!! – Stiles berrou no carro de Allison, enquanto a garota gargalhava tanto que Stiles se questionava se era seguro deixá-la dirigindo.
– Vamos lá, não pode ter sido tão ruim assim! – Rebateu, tentando se controlar da crise de risos.
– “Ninguém vai te olhar”, porque aquelas garotas sempre vem conversar comigo olhando pro que tem no meio das minhas pernas? – Indagou, gesticulando e apontando para o meio das pernas. – Não sabia que eram tão “foguentas” assim. E aquela treinadora? É o demônio!!!
– Ela gosta de pegar no pé dos novatos. Mas vai por mim, quando estiver calor, vai me agradecer eternamente por te fazer entrar – comentou, virando a esquina.
– E que história é essa? Agora a escola toda sabe que sou gay! – Tapou o rosto com as palmas da mão, abafando um grito.
– Não é grande coisa, saberem agora é melhor, até porquê, Jackson vai ofuscar todos com seu brilho fora do armário – gargalhou novamente – melhor agora, porque todos estão ocupados demais comentando de Jackson, você não vai chamar tanta atenção...
– Vestiário feminino? Florzinha? – Indagou a si mesmo. – Não, eu me nego, não acredito nisso!
– Vamos lá, ela me chamava de lula sem quatro membros – relembrou, rindo. – Florzinha não é pior que Lula sem quatro membros. Qual é, ela disse que além de eu ser uma lula, era defeituosa!
Pensando por esse lado, até que Allison tinha razão. Não parecia pior que uma Lula paralítica. Mas não era lá seu melhor apelido. Seu nome já era em si um perfeito exemplo de ódio dos pais, que pra colocar um nome daqueles, tem odiar demais o filho. Tanto, que preferia não revelar, e pela pronuncia complicada, todos aderiram chama-lo por Stiles.
– Tá, a rua que leva a minha casa ficou pra trás há dois quarteirões – Stiles comentou, agora já rindo, para Allison.
– Não acha que por ser seu primeiro dia, vai passar em branco, não é? Enquanto você ficava boiando, literalmente, as meninas organizaram uma surpresa – respondeu.
– Uma surpresa que Allison-sou-fofoqueira Argent vai me contar – disse ironicamente.
– Não sou fofoqueira – deu um tapa de leve na coxa de Stiles –, mas só por me chamar disso, vamos a uma pizzaria.
Bingo. Garotas eram fáceis de manipular. Pelo menos não era uma festa do pijama louco, onde várias garotas com o que se pode chamar de “fogo no rabo” fazendo perguntas sobre o suposto “namorado” de Stiles. E não era por maldade que ele não responderia, e sim, porque ele também queria saber sobre as respostas.
Allison estacionou. Stiles estava com sua roupa reserva e nova, que Allison comprou; aparentemente e, para a surpresa de todos, as roupas de Stiles apareceram encharcadas e exatamente nesse mesmo instante, a Argent apareceu com roupas novas.
As garotas rodearam Stiles assim que saíram do carro. E gritaram um “surpresa” bem animado, antes de agarrarem-no pelo braço e o arrastarem pizzaria dentro. Mesas já estavam reservadas, e Stiles sem nem mesmo uma carteira no bolso. Entrando pizzaria a dentro, com os olhos tapados por algumas adolescentes, Stiles seguiu até a mesa. Depois de se sentarem e começarem uma conversa onde Stiles não conseguia comentar por não estar tempo o suficiente no time de natação, avisou que iria ao banheiro.
Até mesmo seu celular estava molhado. Natação era uma coisa molhada, mas ele preferia suas roupas e objetos bem secos. Ao entrar em uma divisória que formava o corredor dos banheiros, Stiles foi em direção ao masculino, olhando para o celular alguma coisa qualquer, não havia nada de interessante no aparelho.
Bateu de frente com algo grande mas não tão duro. Não duro o suficiente para ser uma parede, mas não percebeu o que era, até ser segurado pelos braços, que evitaram de deixar o garoto voltar para trás e cair sentado. Quando olhou para cima, a cor sumiu de seu rosto e seu queixo caiu.
– D-Derek?
*~*~*~*
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