Rehabilitating A Heart
11 Loving can mend your soul
Notas iniciais
Lentamente, o garoto se espreguiçava na cama, olhando para o relógio despertador ao seu lado. Ainda faltava uma hora antes do seu horário para acordar, porém a ansiedade falava mais alto. Ainda podia ver as estrelas pela janela de vidro, e as luzes da rua estavam todas acesas.
Não demorou muito e ouviu o barulho da porta do andar de baixo batendo, alguns minutos depois, pode ouvir também a viatura saindo. Muito mais cedo que o normal. Rolou na cama, tentando dormir por alguns minutos, o que foi em vão. E novamente começou a pensar sobre o beijo da última noite.
Não era como se alguma coisa tivesse mudado, mas algo estava muito diferente. Algo o tirava o sono, e dessa vez não eram apenas problemas e preocupações. Claro que estes sempre estariam presentes, talvez por todo o resto de sua vida, mas havia algo maior que isso. Que bloqueava totalmente as preocupações.
Pensou por tanto tempo na mesma coisa, que acabou por cair no sono. Não durou muito, logo foi despertado pelo barulho irritante do despertador. Enquanto desligava e começava a trocar de roupas, criou uma teoria sobre os despertadores: quanto mais chato for o toque, mais rápido você levanta. Nem que seja pra atirar a caixa infernal com o barulho mais detestável do mundo com toda a delicadeza sobre o chão e depois saltar em cima várias vezes até que tudo que sobre sejam minúsculos pedacinhos.
Passou pelo banheiro, fazendo sua higienização de todas as manhãs e desceu para a cozinha, vestindo apenas sua cueca. Dormir pouco é ruim, mas ficar dormindo e acordando durante a noite toda era pior ainda. Era quase uma resaca, a única diferença é que ele estava realmente disposto para começar o dia. E fez isso com a maior xícara que tinha, cheia de café preto e forte, como seu pai gostava. Assim que estava voltando para o quarto, a campainha tocou. Olhou pelo olho mágico da porta e viu Allison tentando olhar pelo mesmo local para dentro da casa. O que era inútil, isso só funcionava pelo lado de dentro. Abriu a porta.
– Tô quase pronto – resmungou, cambaleando em direção às escadas.
– Nossa, está devidamente vestido – comentou, levando a mão até a boca para suprimir a risada. Suas costas, talvez por serem brancas demais, estavam todas marcadas de vermelho, em linhas irregulares feitas pelo lençol, destacando algumas poucas, quase nada, pintas escuras em suas costas.
– Ah – olhou para si mesmo –, desculpe-me senhora que já me viu de sunga, que é a mesma coisa – rolou os olhos, subindo as escadas. – Tem café na cozinha, procure alguma coisa de comer nos armários se quiser também.
– Se fosse a mesma coisa, você poderia nadar de cuecas – riu mais uma vez, indo até o sofá e sentando, deixando sua blusa do lado. – Vou esperar aqui, já tomei café em casa.
Não demorou muito e Stiles desceu, já com a roupa de ir pra escola, que era basicamente a que ele usava pra tudo. Desceu de vagar, com tudo que a preguiça permitia, enquanto Allison o encarava, sentada no sofá, que ficava no cômodo abaixo da escada.
– Por que chegou tão cedo? – Stiles perguntou, quando se aproximou do sofá.
– Bem... eu costumava passar em um lugar antes... – Olhou pra baixo e encolheu um pouco os pés contra o sofá.
– Scott? – Chutou. Pela expressão dela, havia acertado em cheio. – Eu ainda não entendi bem. Mas acho que a briga tem mais a ver com vocês dois do que comigo.
– Na verdade, não – ela disse. – Ele brigou comigo por sua causa...
– O beijo? – Indagou com uma sobrancelha erguida.
– Também... – tirou uma mecha de cabelo que caia sobre o seu rosto. – Bem, vamos?
– Vamos... – disse desconfiado. – Vamos falar sobre isso no caminho, certo? – Perguntou, olhando cuidadosamente para a garota. No dia anterior ela parecia bem segura de que Scott não faria falta. Agora, parecia ter um pedaço do corpo dela faltando.
No caminho, tentaram conversar. Mas Allison apenas aumentou o volume da música e começou a cantar junto, ignorando tudo. E logo quando estavam chegando na escola, ela perguntou sobre Derek, mesmo já sabendo. Ela gostava de ouvir Stiles contando sobre Derek. Ele realmente falava coisas boas do rapaz. Como se no meio de toda aquela escuridão e bagunça, Stiles só enxergasse as frestas de luz que ele transparecia. E assim que saíram do carro, o garoto insistiu de novo no assunto, agora proibido.
– Olha, eu só não quero ficar como a Lydia, entende? Eu não vou ficar chorando por aí. Mas faz falta – ela comentou sentida, enquanto se certificava de trancar as portas com o chaveiro eletrônico.
– Ok, ok, certo, eu entendi – levantou as mãos para o alto. Mas acabou por ver algo que não queria. – Porém, acho melhor você entrar para a escola sem olhar para os lados... – disse, colocando as mãos sobre os ombros da garota e a empurrando para fora do estacionamento da escola.
– Ei! Por quê? – Olhou para trás.
– Não olha! – Empurrou mais forte. – Vem, vamos, andando...
A garota deu a volta por Stiles, olhando diretamente para trás, procurando por qualquer coisa que Stiles não quisesse que ela visse. E viu. E foi quase como se a água fria de um balde caísse em sua cabeça, em seguida o balde. A garota que levaram para o hospital uma vez, Erica, com Scott ao seu lado, a abraçando e os dois rindo. Além disso, um cara que nunca havia visto antes. Tudo que conseguiu fazer foi deixar que seu queixo caísse, enquanto via aquilo.
– Não sabia que o Scott andava com o tal do Isaac agora – comentou Lydia, chegando do lado da garota de repente. – E quem é a loira? – Perguntou, cerrando os olhos e oferecendo uma caixa de lenços para Allison.
– Não sei – respondeu seca. – Bem, vamos para aula... – Disse, puxando Stiles pelo braço, ignorando a caixa de lenços e a Lydia, que deu de ombros e seguiu os dois.
– Para uma amiga, você é bem vadia – comentou Stiles para a ruiva, assim que entraram nos corredores e Allison foi cercada pelas garotas da natação. O garoto apenas foi salvo de todas as gritarias das meninas porque precisava pegar suas apostilas com Lydia.
– Bem, eu apenas comentei – respondeu sínica como sempre. – Acho que tive uma boa dose de coração partido, e realmente precisei de lenços. Fui apenas uma boa amiga.
– Ótima definição de amizade você tem – comentou, enquanto ela pegava as apostilas no armário.
– Ah, e seu exercício de física estava errado. E o de matemática também. Eu corrigi, de nada. – Disse, enquanto entregava. – E você deveria entrar para o clube de literatura, tem bastante coisas apaixonadas escritas nas capas e contracapas das apostilas... – a voz da garota eram como cacos de vidros, passando por sua língua venenosa e cuspindo tudo para cima de Stiles. Era ótimo, ela estava bem e era a velha Lydia de sempre.
– Obrigado pelo conselho – falou, pegando a apostila e dando de ombros. Olhou para o corredor, procurando por Allison, mas não podia ver a menina em lugar algum. – Acho que vou pra aula agora, até mais...
– Espera! – Disse de repente, colocando a mão no ombro de Stiles. – Primeira aula juntos, eu vou com você – decidiu, enquanto o empurrava com a mesma mão que estava no ombro.
Os dois caminharam até a sala, passando por Scott e Isaac que riam em companhia a garota loira. Lydia fez questão de fazer sua expressão menos amigável enquanto passavam por eles, enquanto Stiles olhou para baixo, tentando evitar qualquer contato visual. Passaram por Jackson também, que teria aulas com eles. E incrivelmente, Lydia não se deu o favor nem de olhá-lo com alguma expressão. Seu rosto de repente ficou endurecido em algo indescritível. Como uma estátua de pedra. Sem expressão, sem emoções.
Chegaram até a sala. Uma garota cumprimentou Lydia e, por incrível que pareça, falou com Stiles também. Ficaram conversando por alguns instantes enquanto se sentavam e se acomodavam em seus lugares. Em todas as salas, havia cadeiras duplas, então, sempre os alunos precisavam estar em duplas.
– Aqui dá pra olhar o pessoal do futebol e do time de torcida treinando – Lydia disse, apontando para fora da janela.
– Nunca pensou em fazer algum esporte? – Stiles perguntou, recebendo um olhar nada agradável da garota.
– Acho que nunca pensei em fazer nada que soe, canse, machuque ou me dê tédio – disse. – Mal tenho tempo de escolher as roupas que vou comprar...
Isaac passou pela mesa onde os dois estavam sentados, e sentou algumas mais a frente, com Jackson. E conversaram como se conhecessem a anos, o que deixou a ruiva incomodada. Afinal, ela ainda não sabia com quem e por quem Jackson a havia trocado. A aula começou, nem ela e nem Stiles conseguiram prestar atenção, até porquê, de vinte em vinte segundos a ruiva tinha uma crise de raiva e queria pular duas cadeiras a frente. Claro que só Stiles percebia a crise, perto de qualquer outra pessoa, ela era como pedra em relação a Jackson.
– Por que não fala com ele? – Stiles perguntou, se arrependendo em seguida.
– Porque eu não me importo, não dou a mínima pra ele. Idiota. Tem péssimo gosto pra filmes, ou lugares. Beija mal e... – ficou em silêncio de repente, como se estivesse pensando. – Bem, não tenho que te passar detalhes. Mas só pra você saber, já que vamos ser amigos, não é bom falar sobre um ex com uma garota, Allison não te disse isso? – Falou, pegando um espelho na bolsa e olhando sua boca.
– “Ah, somos amigos agora” – Stiles pensou, rolando os olhos. – Bem, tudo bem então. Não temos mais aulas juntos, então...
– Mude com alguém e pegue aulas comigo – ela respondeu.
– Como? – Indagou surpreso.
– Como o quê? Troque sua ficha de aulas com alguém. Como acha que Jackson e eu sempre estávamos nas mesmas aulas? – Perguntou.
– Bem... eu realmente preciso dessa matéria... – tentou disfarçar.
– Sério? Deixa eu ver – pegou a ficha de Stiles. – Sim, física, você realmente precisa disso – falou, jogando a ficha sobre a mesa novamente. – Sophi, tem aula de física agora? – Perguntou para uma garota morena de cabelos bem curtos, bem acima do pescoço, enquanto ela passava.
– Tenho! Um saco – comentou a morena.
– Tenho aula agora com aquele que você ficou no laboratório semana passada... que tal? – Disse oferecendo sua ficha para a garota que sorriu maliciosa enquanto trocava com Lydia.
– Isso pode? – Stiles perguntou enquanto se levantava para sair da sala.
– Claro que não – respondeu. – Mas ninguém liga – disse, sorrindo e indo atrás. – Agora temos as próximas três aulas juntos!
*~*~*~*
– Ela é um monstro!!! – Comentou. – Eu não aguento mais assuntos sobre maquiagens e Jackson, e roupas, e Jackson, e festas, e Jackson, e como tudo deveria rodas aos pés dela e Jackson... – Stiles gesticulava com as mãos, enquanto Allison ria no volante do carro.
– Tenha paciência, ela é uma boa amiga às vezes... – Disse, mas realmente não se lembrava de nenhuma vez em que ela realmente foi uma boa amiga, a não ser em festas ou para fazer compras.
– E ela queria ficar no treino de natação! Me lembre de agradecer a treinadora por ser racista em relação a ruivas! – Falou, fazendo Allison rir mais ainda.
– Ela é racista em relação a todo mundo, Stiles! – Levantou a cabeça para o alto de tanto rir enquanto estavam parados no semáforo. – Até semana passada ela tinha medo de mim por achar que eu era judia...
O caminho da volta foi bem mais animado que o da ida. Reclamar de Lydia fazia bem para todos que tivessem bom senso ou conhecessem a personalidade um tanto quanto marcante da ruiva. Assim que chegaram em frente a casa de Stiles, Allison também desceu do carro. Como Stiles estava em um aparente “castigo”, a Argent decidiu ter uma conversa com o Xerife para tentar resolver a situação do garoto.
– Ele só chega às onze da noite. Tem certeza que vai esperar? – Stiles perguntou enquanto subia as escadas. A garota, novamente esperava no sofá, observando-o subir as escadas.
– Ah, não tenho nada pra fazer em casa... – disse. – Stiles, alguém está te ligando! – Avisou para o menino, que segurava o aparelho em suas mãos. Mas como estava no silencioso, apenas a tela acendeu de repente, sem vibrar ou tocar.
– Eu... não conheço esse número... seria a Lydia? – Desceu rapidamente, mostrando o celular para Allison a uma distância em que ela pudesse enxergar.
– Não... atende! Rápido!
– Alô?! – Disse, atendendo o celular.
– “Alô, garoto?” – Ouviu uma voz familiar e o mesmo tom ameaçador do outro lado da linha.
– O quê? – Arqueou as sobrancelhas. – Quem... – pensou por um momento no que falar, com a boca aberta enquanto olhava para Allison que não entendia nada. – Onde conseguiu meu número?
– “Na sua escola” – respondeu seco. – “Bem... eu queria te ver” – disse.
“Eu queria te ver”, essa frase martelou na cabeça de Stiles pelo menos duzentas vezes antes dele realmente acreditar que ouviu isso. Allison o olhava com expressão de dúvida, tentando entender o que acontecia para o garoto ficar tão pálido de repente, e demorar tanto para responder.
– Me ver? – Indagou mais para si mesmo do que para Derek do outro lado.
– “É. Conversar, pessoalmente” – disse. – “Você vem?”
– Eu... – Stiles ficou mudo por alguns instantes. Olhou para Allison que continuava sem entender nada. – Vou – respondeu, enfim.
– “Ótimo, pego você às sete e meia em frente a sua escola, tudo bem? Até lá.”
A chamada foi desligada pela outra linha. Allison levantou, não conseguindo mais ficar quieta sentada com a expressão de choque de Stiles.
– Quem era? – Perguntou enquanto chegava mais perto.
– Derek...
– O quê? Como assim, ele pegou seu número onde? – Indagou, incrédula.
– Na escola, aparentemente. E ele quer me ver – falou. Parecia algo impossível quando saiu da boca de Stiles, mas ele tinha certeza do que tinha ouvido.
– Como? Ele vai vir aqui? Pegou seu endereço na escola também? – Perguntou, olhando bem para o número que estava no celular em ‘chamadas recebidas’.
– Não, mas ele quer que eu fique em frente à escola. Às sete e meia. Allison, eu preciso ir!!! – Disse para a garota, que agora, podia entender o por quê do nervosismo. Tanto, que também começou a ficar ansiosa para isso.
– E claro que vai! Mas... – parou de repente. – E seu pai?
– Ele chega depois. Tenho tempo... – falou, começando a ir em direção à cozinha. Pegando um copo e a água na geladeira.
– E se não der tempo? Eu vou ficar sozinha? Eu vou também! – Falou, indo atrás de Stiles até a cozinha. – E já é quase seis horas, Stiles! Ótimo dia pra você decidir ficar na piscina até mais tarde!
– Eu não queria dar de cara com a Lydia! – Respondeu, assim que terminou de beber a água. – E eu não fazia ideia! E você não pode ir! – Falou.
– Por que não? – Indagou contrariada.
– Porque ele não sabe que você sabe – respondeu, puxando uma das cadeiras da mesa e se sentando.
– E tem algum problema? Algum dia as pessoas vão ter que saber, certo?
– Mas ele disse que queria falar comigo. E não podia ser por celular, talvez seja particular...
– E eu não vou te deixar sozinho mesmo! Você mal conhece ele! – Respondeu.
– Isso seria para me apoiar ou desmotivar? – Indagou, arqueando as sobrancelhas.
– Não sei. Mas Stiles... – suspirou. – Tudo bem, mas eu te levo! E te busco! E você tem que estar em casa antes das onze! – Falou, se decidindo por Stiles.
– Nossa, obrigado por se preocupar, mãe – brincou, rindo em seguida.
– Então... isso é um encontro?! – Perguntou sugestiva, com um sorriso malicioso.
*~*~*~*
– Ótimo, ele ainda não chegou – Allison disse, assim que estacionou o carro.
– Por que você teve que se arrumar e tomar banho se eu quem devia estar preocupado com isso? – Stiles perguntou. O carro todo, ou melhor, todo o caminho que percorreram para chegar até a escola devia estar totalmente traçado pelo cheiro do perfume de Allison.
– Bem, primeiro, eu precisava tomar banho. Depois, já que vou ficar por aí até você me ligar pra te buscar, preciso estar preparada... – falou, olhando-se no espelho e ajeitando o cabelo.
– Eu estou atrasado, sabia? – Perguntou, enquanto olhava ao redor.
– Ele ainda não chegou, Stiles. E você está bem “arrumadinho”, ele entenderia a demora. – Comentou, rindo em seguida.
Como seus cabelos já estavam bem mais compridos que o típico corte militar que Stiles costumava usar, Allison conseguiu brincar bastante com os cabelos do garoto, enquanto os penteava. Embora tenha ficado algo muito parecido com os que Jackson usaria, ele não achou ruim. Usava tênis, e uma calça jeans comum e preta. Uma blusa preta e seu moletom vermelho.
– E Stiles... aquele que saiu daquele carro que estava parado ali... não é ele? – Allison perguntou, apontando nada discretamente o dedo na direção do rapaz.
– Saindo do... O quê? Viu? Ele já tinha chegado! – Stiles falou, sentindo seu estômago congelar lentamente.
– Mas pelo que você me disse, ele não tinha nem casa...
– Não tinha. Mas ele estava morando com aquele enfermeiro... – lembrou.
– Vai rápido! Você tá atrasado – Allison disse, o empurrando contra a porta, quando viu Derek olhando para o celular em seguida passando a mão pelos cabelos. Típico de quem estava preocupado em “tomar um fora”.
Stiles desceu do carro e a Argent deu partida em seguida. Fez um gesto com as mãos e sussurrando para ele ligar para ela assim que terminasse. E claro que o carro chamou a atenção de Derek que apertou bem os lábios quando avistou Stiles, tentando esconder um sorriso que não deu muito certo.
O garoto se aproximou lentamente, levantando uma mão em um “pré-aceno”, enquanto se aproximava, sorrindo com os lábios crispados, tal como Derek fazia. Não soube bem o que falar, e se aproximava lentamente. Não sabia se começava com um “oi”, ou um “quanto tempo”. Mas não havia passado tanto tempo assim. Apenas um dia. Menos de vinte e quatro horas ainda. E antes que se desse conta, já estava de frente para Derek.
Se olharam por um breve instante, ambos não sabiam o que falar. Apenas se olhavam. Derek também estava usando calça jeans e uma jaqueta de couro preta, com seus cabelos jogados para o lado, apontados para cima. Sua barba, ainda grande, porém bem mais certa e “arrumada”. E antes que o silêncio se tornasse desconfortável demais, Stiles foi puxado pelos braços de Derek em um abraço. O garoto pensou em uma eternidade, que durou apenas frações de segundos, no que faria, até enfim conseguir levantar os braços e abraçar o mais velho de volta.
Um abraço apertado, onde Derek acomodou a cabeça de Stiles entre a curva de seu pescoço e seu ombro direito. E se o perfume de Allison o afogava, o garoto dessa vez queria se afogar no aroma amadeirado de colônia que vinha do corpo de Derek. Respirou fundo, tentando sentir mais aquele cheiro o máximo que pode.
– Pensei que não viria – comentou Derek, antes de soltá-lo.
– Eu... – Stiles disse, olhando para baixo, assim que se soltou do abraço. – Eu não sabia se viria também...
– Eu sei. – Confessou. – Eu não devia ter ligado assim, mas acho que as coisas... bem... ontem... eu não faço ideia do que estou fazendo aqui também.
– Você disse que queria me ver – Stiles disse, levantando os ombros.
– É. Eu disse. E você? – Indagou. – Não queria me ver?
– Eu tive alguns problemas em casa ontem – confessou. – E eu... queria te ver também.
– Que problemas?
– Meu pai... – falou. – Mas tudo bem... só preciso chegar em casa antes dele.
– Você veio escondido do seu pai? – Perguntou, não conseguindo evitar de rir.
– Vim – confessou.
– Ainda bem que veio – começou. – Porque eu senti sua falta – disse, se aproximando mais uma vez. Stiles ficou parado no mesmo lugar, erguendo o olhar, deixando seus olhos se encontrarem com aqueles verdes acinzentados que pareciam como a lua em uma noite escura.
Sentiu o hálito quente de Derek perto dos seus lábios, enquanto lentamente fechava seus olhos. Abriu lentamente seus lábios quando sentiu um toque suave sobre eles, deixando que suas línguas se encontrassem. Mesmo que não conseguisse fazer muita coisa perto do mais velho, Stiles retribuiu da mesma maneira que o recebia.
Derek deixou que suas mãos se encaixassem sobre o quadril de Stiles, e com um toque firme e suave, puxou o corpo do menor para mais próximo do seu. Sorriu entre o beijo quando finalmente sentiu as mãos de Stiles abraçar-no pelo pescoço. Respirando quase o mesmo ar, sem espaço para mais nada, aos poucos, o beijo ficava mais quente. Em chamas vivas. E queimava, cara pequeno toque de Derek pelo corpo de Stiles queimava como brasa, ascendendo o corpo do menor assim como o seu também. Ardia, mas não machucava. Pelo contrário, cicatrizava tudo por onde tocava, acabando com as inseguranças. Era assustadoramente apaixonante, a forma em que os lábios deslizavam juntos e suas línguas se encontravam. O sabor do beijo, o sentimento que os toques causavam e todo um furacão de sentimentos dentro de Stiles.
Se olharam por um longo período assim que o beijo cessou antes de alguém se atrever a dizer uma palavra. E um beijo na testa do garoto foi a prova de toda confiança que o menor precisava. Realmente, estava inseguro sobre vir, e quando chegou. Mas agora, tinha toda a segurança no mais velho. Não tinha em si mesmo, mas se seguraria em Derek, mesmo que para isso precisasse pular em um precipício.
– Preciso te falar algumas coisas – Derek disse, puxando levemente Stiles pelo braço em direção a um carro preto. – Vem comigo?
*~*~*~*
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