Rehab
2 01x02 - Naty
No dia 13 de julho de 2013, um homem atacou uma turma de 32 formandos que fora passar o fim de semana em um camping afastado da cidade. Ele escapou, deixando onze sobreviventes.
EPISÓDIO DOIS: “NATY”
SALA DE ESPERA – 12 HORAS APÓS ESTHER SER ENCONTRADA
Todos estão em choque.
Naty está chorando no ombro de Lucas.
De longe, Derek observa, preocupado.
Rafael chega e vai até Derek.
RAFAEL: Cara, tem como você ser mais clichê?!
DEREK: Quê?
RAFAEL: O nerd invisível apaixonado pela queridinha perfeita? Muito previsível...
DEREK: Cala a boca.
Hector chega.
HECTOR: Bom dia. Eu soube da Esther.
DEREK: O que o senhor sabe?
HECTOR: Ela não está mais entre nós. Isso é o que importa.
Hector vai até Naty.
HECTOR: Oi, vem comigo, tem calmantes na minha sala.
Hector e Naty saem.
SALA DE HECTOR
HECTOR: Se importa se eu gravar?
NATY: Não...
Naty se senta na poltrona. Hector senta de frente para ela.
NATY: O que eu devo falar?
HECTOR: Pode começar falando o que se lembra do dia 13.
NATY: Eu e o Lucas não estávamos com os outros. Nós estávamos... Conversando.
FLASHBACK DO DIA DO INCIDENTE
Na floresta, Lucas coloca Naty contra uma árvore e a beija.
NATY: Vão sentir a nossa falta lá.
LUCAS: Acredita em mim, ninguém vai sentir a nossa falta.
Lucas se inclina para beijar Naty, mas é surpreendido pelo som de um tiro.
NATY: O que foi isso?!
LUCAS: Droga...! Vamos ficar aqui, é seguro.
NATY: Nós ficamos na floresta até a polícia chegar.
HECTOR: Entendi... Você confia no seu namorado, o Lucas?
NATY: Em que sentido?
HECTOR: Segurança.
NATY: Muito.
HECTOR: Por que você acha que foi poupada?
NATY: Sorte, eu acho.
HECTOR: Então você acredita que era para todos vocês terem morrido aquele dia...?
NATY: Sim.
HECTOR: Por quê?
NATY: O que os outros me disseram... Foi brutal...! Patrick acha que não foi uma coisa premeditada, acha que o homem só entrou lá e saiu matando todo mundo...
HECTOR: E por que você não pode ser considerada uma suspeita?
NATY: Olha pra mim. Eu estou esgotada! Três amigas minhas da torcida morreram aquele dia, e eu tenho certeza que uma parte de mim morreu com elas.
HECTOR: E quem de vocês dez você considera suspeito.
NATY: Olha, doutor, eu não me dou bem com todos, nem todos eram do mesmo grupo, mas eu não acredito que um de nós tenha feito isso.
HECTOR: Certo. Obrigado, Naty, está liberada.
NATY: O senhor não vai falar nada sobre a Esther?
HECTOR: Eu não estou bem autorizado a falar sobre isso.
Hector abre a porta para Naty.
HECTOR: Olha, Naty, mortes acontecem. Nós não temos poder algum em relação a elas. A única coisa que nós podemos fazer em relação a isso é decidir se vamos deixar que elas nos levem junto ou não. Espero que você escolha a opção certa.
NATY: Obrigado, doutor. Bom dia.
HECTOR: Bom dia.
SALA DE ESPERA
Naty chega e abraça Lucas.
TOM: E se for um de nós?
LUCAS: Ah, isso é uma ótima coisa para se falar. Obrigado, Tom!
TOM: Dane-se. Eu perdi todo o meu time nessa merda de massacre, eu não me importo se é uma coisa boa para se dizer ou não, eu quero que o assassino pague! E se ele está nessa sala, que seja...!
SUZANNA: Ok, nervosinho. Quem de nós tem cara de assassino?
Tom observa os outros por alguns segundos.
TOM: Que tal o mudinho ali?!
Tom aponta para Derek, que fica quieto, de costas.
Rafael sorri.
DAVID: Não faça acusações que você não possa sustentar.
TOM: E quem disse que eu não posso?!
NATY: Tom, por favor...!
TOM: Ele não tem nada, não tem amigos, não fala com ninguém... Só tem as notas boas! Isso é tipo de um psicopata!
Veronica fica assustada.
AMANDA: Ok, Tom, agora parou!
Tom começa a dar cascudos da cabeça de Derek, que permanece quieto.
Rafael observa.
TOM: Olha aqui pra ele. Não faz nada para se defender! Ele é um nada...! Parece que nem está escutando.
Derek levanta e se vira de frente para Tom.
DEREK: Eu estou escutando. Eu só não consigo levar nada do que tu fala a sério por causa desse cabelo estúpido.
Tom dá um soco no nariz de Derek.
Rafael levanta e separa os dois.
RAFAEL: Parou!
Rafael se vira para Tom.
RAFAEL: Sério que ele é o assassino? Quem é o único nessa sala demonstrando comportamento violento?!
Rafael leva Derek embora.
Lucas bate palmas para Tom.
LUCAS: Muito obrigado.
Todos vão saindo.
Tom se vira para Patryck.
TOM: Obrigado pela ajuda.
PATRYCK: Eu não tô pra isso, cara. Foi mal...
RUA
Lucas e Naty esperam carona.
David passa, cabisbaixo.
LUCAS: Ei, cara. Tudo bem?
DAVID: Ela era minha irmã gêmea.
Lucas abraça David.
LUCAS: Eu sinto muito, cara.
Naty sorri e passa as mãos nas costas de David.
DAVID: Eu também.
David sai.
LUCAS: Ele não devia sair assim. Aliás, nós não devíamos estar assim, parados na rua.
NATY: Não acho que o assassino nos atacaria na frente de todos. Ia comprometer a identidade dele.
LUCAS: Você tá vendo muito Criminal Minds...
NATY: A gente podia ir pra casa, assistir uns episódios...
LUCAS: Só assistir uns episódios?
NATY: Só assistir uns episódios.
Lucas ri.
CASA DE DEREK – QUARTO – 11:30 PM
Derek joga no computador. O celular toca.
DEREK: Alô?
RAFAEL: Desliga o computador e sai de casa.
DEREK: Como você sabe que eu tô no computador? Peraí, como você sabe o meu número?
RAFAEL: Eu sei tudo, Dexter.
DEREK: É Derek.
RAFAEL: Sai de casa.
RUA – 11H45PM
Rafael e Derek caminham na rua.
DEREK: Como você sabia que eu estava no computador?
RAFAEL: Eu estava te observando.
Derek ergue a sobrancelha.
RAFAEL: No bom sentido. Eu passei na frente da tua casa e te enxerguei.
DEREK: OK. O que você quer me mostrar?
RAFAEL: Isso.
Rafael fica atrás de uma moita na frente da casa de Naty e puxa Derek para o seu lado.
DEREK: Me pergunto o que vem a seguir.
Rafael tira do bolso da jaqueta um binóculo e dá para Derek.
RAFAEL: Olha na janela de baixo.
Pelo binóculo, Derek vê Lucas deitado no sofá, por cima de Naty, a beijando.
RAFAEL: Não é puro clichê? Um assassino a solta e o casalzinho inventa de dar uns amassos...!
Derek permanece calado.
RAFAEL: Fala alguma coisa!
DEREK: Quem é mais burro, eles aproveitando a juventude, ou nós, desperdiçando ela aqui, de tocaia atrás de uma moita?
Rafael permanece quieto.
DEREK: Você me trouxe até aqui pra mostrar que ele consegue e eu não?
Rafael sorri.
RAFAEL: Observa mais um pouco.
Pelo binóculo, Derek vê Lucas levar a mão para dentro da blusa de Naty, que a tira e sai debaixo dele.
RAFAEL: Ela não deixa o soldado ir pra guerra...!
Derek sorri.
RAFAEL: Você sacou, né?
DEREK: O que eu saquei é que a gente podia estar tentando pegar um assassino, mas estamos observando uma busca frustrada por coito.
RAFAEL: Cara, ele é um adolescente com hormônios em fúria, se ela não der o que ele quer, ele vai procurar alguém que dê. E, quanto a investigação, eu ainda não tenho pistas para seguir.
DEREK: Entendi.
RAFAEL: Quer fazer algo emocionante? Podemos roubar um carro...
DEREK: Desculpa, não estou no clima hoje.
Rafael ri.
RODOVIA – 12H15 AM
O Detetive Maximillian “Mad Max” Werneck dirige em alta velocidade, ouvindo “Back in Black”.
Ele liga seu celular e o põe em cima do painel do carro.
MAX: Tá me ouvindo?!
POLICIAL (pelo celular): Pode falar!
MAX: Tô entediado! Me passa o endereço do suspeito que vocês falaram...!
POLICIAL (pelo celular): Tá bom... Mas, por favor, não dá showzinho!
Max sorri.
CASA DE NATY – FRENTE — 12H45 AM
Lucas e Naty discutem.
LUCAS: Dois anos, Naty. Dois anos! Você pode não ter notado, mas eu não sou um estuprador!
NATY: Eu sei, só que você não pode me forçar a fazer uma coisa que eu não quero!
LUCAS: Você tem dezoito anos, talvez esteja na hora de considerar um convento! Olha, quer saber? Eu tô te cabeça quente agora... A gente se fala amanhã.
Lucas sai.
Naty passa as mãos nos olhos e pega o seu celular.
NATY: Oi, faz aquele favor pra mim?
RUA – 12:50 AM
Lucas caminha. Um carro anda em baixa velocidade a uns dez metros dele.
Lucas começa a andar mais rápido, mas o carro segue perseguindo-o.
LUCAS: Droga.
Lucas começa a correr. O carro aumenta a velocidade.
LUCAS: Ah, dane-se!
Lucas começa a cortar caminho pelos pátios das casas.
O carro acelera e passa numa encruzilha, onde é batido por uma camionete.
Enquanto isso, Lucas passa no pátio de uma casa, mas é visto pelo morador, que atira na perna dele.
Na encruzilhada, o motorista da camionete vai socorrer o motorista do carro.
MOTORISTA: Você está bem?! Está me ouvindo?!
Ele vai até a janela do carro, onde leva uma facada no pescoço e cai de joelhos, jorrando sangue.
CASA DE PATRYCK – 07:15 AM
Patryck levanta, escova os dentes, cobre um machucado na testa com esparadrapo e faz o café da manhã.
A campainha toca.
Patryck abre a porta e vê Max.
PATRYCK: Posso ajudar?
Max mostra o distintivo.
MAX: Tivemos alguns avanços no seu caso. Posso dar uma olhada na casa?
PATRYCK: Não.
MAX: Então você está preso pelo assassinato de seus 22 colegas.
FIM DO EPISÓDIO DOIS.
Fale com o autor