Notas iniciais
Voltei, foi mal não ter postado frequentemente durante as férias, é que eu me desviei um pouco do caminho de um escritor.

A cabana estava em chamas, e os gritos de socorro do Felipe e da Malu podiam ser ouvidos de fora da cabana.

Aragão encarava aquela situação com muita tranquilidade, como se ele já espera-se por isso, ele encarou a cabana em chamas por alguns segundos e em seguida agarrou o meu braço e me levou correndo até a entrada de um porão na lateral da cabana, eu nunca tinha entrado naquele porão, estava completamente proibido para mim entrar naquele porão, em hipótese alguma eu deveria entrar lá, mas agora eu estava correndo por tuneis estreitos abaixo da cabana. As paredes eram de mármore e algumas lanternas abastecidas com gás iluminavam o caminho, facilitando a movimentação dentro dele, o chão era de uma pedra extremadamente preta, mas era polida, então era possível ver nele seu próprio reflexo, mas enquanto corríamos, eu notei graças ao chão lustrado, que no teto estavam presos crânios humanos.

Aquela cena tinha me assustado, mas algo dentro de mim gostava daquilo, algo dentro de mim queria que quem tivesse causado aquelas mortes tivesse sido eu, algo dentro de mim sofria, por não ter torturado mais aqueles miseráveis dentro daquele labirinto infernal, algo dentro de mim despertava, mas eu não sabia se eu deveria temer ou amar esse “algo” que despertava dentro de mim, mas de uma coisa eu tinha certeza, isso era perigoso, pois mesmo sem saber a magnitude do que nascia dentro de mim, de uma coisa eu sabia, ele estava sedento por sangue.

Depois de alguns minutos correndo, chegamos até uma pequena escada que subia, de acordo com os meus cálculos, até a cozinha da cabana,(você pode pensar, “Po*#a, eles correm por tuneis e perdem minutos preciosos para acabar na cozinha da cabana? Qual o tamanho dessa cabana?”, o problema é que fazia tanto tempo que meu “protetor” assim por dizer, não entrava naqueles tuneis, então ele se perdeu no caminho e ficamos andando em círculos. Ai, aquele leitor perspicaz e atento na história me pergunta: “Se a cabana não era tão grande, como vocês se perderam?”, e a resposta é muito simples, aqueles tuneis são catacumbas que ligam todas as cidades importantes do mundo, e também permite uma rápida movimentação dentro de qualquer uma das 10 cidades, isso se você não se perder).

Quando achamos a porta que nos levaria para a cozinha, algo que eu não havia notado até o momento, eu estava tão distraído com o nosso “passeio” pelas catacumbas, que eu não notei que os gritos de socorro de Felipe e Malu, tinham cessado.

Um desespero agonizante inundou meus pensamentos, o que teria acontecido com eles? Na melhor das hipóteses, eles conseguiram escapar, e na pior, eu nem queria pensar sobre isso. A entrada que nos levaria até a cozinha, estava trancada com um cadeado que parecia ser bem sólido, algo que mostrava ser impossível de abrir sem a chave do mesmo. Aragão estava procurando a chave em seu bolso, mas estava demorando demais para conseguir encontra-la e nós não tínhamos tempo a perder, a vida de Felipe e Malu estavam em jogo, e algo me dizia que estávamos atrasados.

Os 5 minutos que viram a seguir da abertura da porta foram os mais traumatizantes de toda a minha vida, eu jamais esquecerei a imagem dos corpos dos meus amigos em chamas ou de seus gritos que imploravam por socorro e demonstravam extrema agonia, ou do meu “avô”, que tentando me proteger, saltou em frente de um projétil que se dirigia em minha direção, os 15 minutos após a abertura da porta, foram eles que me mudaram, foram eles que me transformaram em um monstro sedento por sangue.

Assim que a porta se abriu, eu me encontrei com Malu e Felipe, mas não foi uma reunião feliz, seus corpos estavam em chamas, era possível ver a carne deles, partes de seus corpos estavam negros, graças ao tempo que estiveram expostos as chamas intensas, manchas de sangue se espalhavam por todo o chão do local em que estavam, seu cabelos tinham sido completamente queimados e tinham partes do cranio que estavam expostas. Quando me aproximei de seus corpos, eles quase que instantaneamente ganharam vida e começaram a se contorcer pela dor das queimaduras que tinham sofrido, e entre seu gritos de agonia, se encontrava apelos e pedidos de socorro, mas no momento em que fui ajudá-los, Aragão me impediu, argumentando que eles já estavam mais mortos do que vivos, e se eu realmente era amigo deles, eu deveria executá-los.

Com apenas um movimento da lamina do meu bastão, eu cortei fora a cabeça dos meus 2 primeiros amigos, as suas cabeças rolaram pelo piso em chamas da cabana, eu conseguia ver o meu reflexo nos olhos mortos da Malu, e para a minha surpresa, mesmo depois de tudo o que aconteceu, de tudo que eu tinha visto, eu estava com um sorriso enorme no rosto.

Tinham se passado 5 minutos após a nossa entrada na cabana, e em 5 minutos, eu tinha perdido os meus 2 únicos amigos, mas eu não me sentia triste, mas também não me sentia feliz, eu me sentia vazio, mas também sentia que precisa de mais sangue em minhas mãos, a sede que senti antes, agora era muito maior, eu quase não conseguia controlá-la, mas, antes que eu tivesse a menor chance de me descontrolar, Aragão pulou em minha direção e me abraçou, mas aquela sensação não estava certa, eu senti a vida de seu corpo se esvair, suas mãos, que antes estavam agarrando as minhas costas, estavam caídas e sem vida, seu corpo começou a amolecer e caiu no chão da cabana, nesse momento eu notei algo em suas costas, havia uma flecha em suas costas. Seu sangue banhava as minhas mãos e uma sensação de êxtase cresceu dentro de mim, eu não estava com medo, mas sim com felicidade, prazer, eu nunca tinha sentido isso antes, eu me sentia leve, sentia que podia fazer qualquer coisa, e sentia que precisava de mais sangue, eu não queria que aquela sensação se fosse, queria tela para sempre.

Eu precisava de mais sangue, sangue daqueles que mataram os meus amigos, eu não estava apenas com sede de sangue, como também queria vingança.

Mas de uma coisa eu tinha certeza, aquilo que eu senti antes dentro de mim, tinha acordado, e estava faminto.

Notas finais
Espero que não tenham achado esse cápitulo muito violento, já que mais para frente pode chegar a piorar. Comentem, comentários me incentivam a escrever mais.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.