Regret

1 Back In The Picture...


Notas iniciais
As partes em itálico são pensamentos, unicamente de Mana. No fim do capítulo há um trecho da música do The Rasmus que dá nome ao capítulo. Enjoy it (or not).

Não era possível imaginar um céu olhando para aquela imensa tela cinza-esverdeada lá em cima. Imediatamente pensava-se em uma grande nuvem de chuva que parecia cobrir o Japão todo... quem sabe o mundo todo. Não se conseguia pensar que atrás daquela camada escura de cores da tarde podia brilhar um sol... que horas seriam? Ainda haveria sol? Um clima depressivo... Talvez no verão a aparência daquele parque fosse diferente.

As árvores eram nada mais que enormes troncos escuros de aparência grosseira. Os galhos, completamente desnudos devido ao inverno intenso, formavam emaranhados que mais assemelhavam-se a enormes teias de aranha.

Incrível como tudo parecia tão morto naquele lugar. Bem ao gosto da pessoa que por ali caminhava, despreocupada... feliz.

Passos curtos, leves, sem pressa. As rajadas de vento em seu rosto mais pareciam tapas. Inspirou, sentiu a traquéia congelar. O nariz, anestesiado, de que cor estaria? Vermelho? Azul? Abraçava o próprio corpo, arrependido por ter dispensado mais um casaco apenas por não combinar com o restante das roupas. Faria diferença? Era tudo de uma cor só. Muito preto, apenas preto — e vale ressaltar que também estava maquiado naquele dia. O lápis de olho não fora economizado, e menos ainda o batom que lhe garantia um desenho tão perfeito na boca pequena e delicada. Se a pele não fosse tão branca, poderia ser facilmente confundido com alguma daquelas árvores. Em tamanho reduzido, mas ainda assim, poderia.

Ergueu o rosto para o alto, encarando a massa cinzenta acima de sua cabeça. A cor do céu lhe agradava. Para ele, não havia nada melhor do que estar ali, àquela hora, ouvindo as folhas secas estalando sobre as plataformas das botas negras e o assovio de um ou dois passarinhos que atreviam-se a enfrentar aquele frio insuportável. Gostava de estar sozinho, perdido em seus próprios pensamentos. Ora, ninguém vive apenas de trabalho, nem mesmo um homem de tanta importância quanto Mana.

Um golpe do vento bagunçou-lhe os cabelos. Retraiu os ombros, levemente trêmulo. Os lábios finos moveram-se num sorriso de canto.

- O tempo nesse lugar é sempre ruim assim. — Pensou em voz alta. Não contava com um comentário precedente ao seu.

- E seu gosto para roupas também.

Subitamente parou de caminhar. Não era necessário virar-se para ter certeza de quem era o dono daquela voz tão masculina e daquela piadinha sem graça. Além do mais, era praticamente impossível que uma árvore ou animal tivessem-no respondido.

- Klaha.

Ouviu um risinho bobo.

- Boa tarde, Mana.

Virou-se, socando as mãos nos bolsos na calça. Oh, mas que surpresa...

... desagradável.

- O que faz aqui? — indagou, deixando vísivel o desconforto em seu tom de voz.

- Passando o tempo... E você?

- O mesmo.

O vocalista não esperava um abraço ou um sorriso. Sabia que, após tanto tempo, o máximo que poderia conseguir era um "olá" rancoroso, ou mágoas nos olhos. Bom, já tinha conseguido mais que duas frases, era de certa forma uma vitória. Sobre Mana, não era preciso muito para se perceber o tamanho do incômodo que a presença do outro lhe causava. Queria dar meia-volta e ir embora, deixando-o ali. Não o fazia por ter, infelizmente, boa educação e um enorme senso de ridículo.

- Já faz um bom tempo, não?

- Sim. Dez anos.

O olhar do moreno voltou-se para uma árvore qualquer. Mana acompanhou.

- Foi aqui que o Malice Mizer acabou, há dez anos. Nesse mesmo lugar, com esse mesmo clima horrível.

- É.

- Isso lhe incomoda, Mana?

- Talvez.

"Incomoda muito", pensou. "Depois de dez longos anos sem contato, te encontro do nada no meio do lugar onde mais gosto de estar sozinho. Você me fala sobre algo que está morto e enterrado, e ainda pergunta se me incomoda? Francamente, Klaha, vá se ferrar."

- E você continua com essa frescura de falar pouco. Estava caminhando, não? Bom, continue.

"Frescura é o..." Conteve o restante da frase no fundo da garganta. Muitas coisas haviam mudado em dez anos, ele não era mais aquele homem vestido de mulherzinha dos tempos de Malice Mizer que se irritava por qualquer coisa. Para que brigar? Aquilo não era o Malice Mizer. Nenhum dos dois pertencia ao Malice Mizer...

... Não havia mais Malice Mizer.

O vocal virou-se na direção oposta, retomando o caminho por onde viera. Nos lábios rosados, um fraco sorriso que Mana não podia ver. Um sorriso esperançoso em sua simplicidade; oh sim, ele pensava em algo. O guitarrista manteve-se parado em seu lugar, também pensando. Não era de todo um egoísta, por mais que adorasse aquele parque sombrio, tinha plena consciência de que não lhe pertencia. Não poderia culpar Klaha por estar ali no mesmo dia e na mesma hora que ele... mas não aceitava que ele tivesse tido a coragem de deixá-lo para trás daquela maneira rude, sem ao menor se despedir. "Onde estão seus modos, Klaha?" A imagem do homem aproximando-se do horizonte fê-lo arquear a sobrancelha esquerda por um instante. Aquele falso jeito aristocrático de andar...

No fim, pôs-se a caminhar atrás dele. Firme, incomunicável e sem qualquer alegria visível.

Notando a pálida figurinha a seu lado, o sorriso morreu nos lábios de Klaha, porém seu interior ria histericamente. Tinha plena certeza de que Mana o acompanharia. Já esperava.

Além do mais, não faria mal a nenhum dos dois ter uma companhia no passeio.

Passeio?

Não era esse o nome certo para o que estavam fazendo. Duas pessoas de preto, caminhando em silêncio há vários minutos. Se houvesse mais pessoas ali, poderia ser chamado de marcha fúnebre. Não se encaravam, olhando sempre em frente ou dando atenção a um ou outro detalhe qualquer no ambiente, embalados pelo som das respirações dificultadas pelo frio e o barulho das folhas se partindo sob seus pés, andando sem um rumo definido. Rumo... como se fosse possível planejar um entre tantas árvores iguais, dispostas por aquela imensidão.

- Cale a boca, Mana. — O tom grave vindo de repente ecoou no espaço entre os dois corpos. — Sua voz já está me irritando.

O guitarrista não se manifestou.Balançou a cabeça em negação, aprofundando mais as mãos no interior dos bolsos à procura de um calor inatingível.

- Sempre a mesma piada. Estou começando a achar que só tem essa.

- Estou tentando puxar assunto.

- Não há nada a se conversar. Pelo menos nada que valha a pena.

- Este lugar possui memórias suficientes para que tenhamos tanto assunto quanto duas pessoas normais.

Mana deu de ombros.

- Memórias não me servem de nada.

- Porque você não tem sentimentos.

Silêncio repentino. O vocalista parou de andar, voltando-se na direção do menor. Espantou-se com a visão que tivera do outro: a cabeça e o corpo erguidos, os ombros aprumados, os punhos cerrados. O olhar azul e gélido fixo em seu rosto, encarando-o como se pudesse ver o que pensava... estava indignado... Klaha conhecia bem aquela pose. Engoliu em seco. Mana era imprevisível, podia estar armado e matá-lo ali mesmo.

- ...

Esperava por um comentário agressivo ou até um soco, mas não obteve nenhum dos dois. Apenas aquele olhar severo, que o perturbava tanto... mesmo após dez anos, ainda não conseguia manter-se firme diante daquele azul repreensivo? Lançou-lhe um olhar arrependido, que entristecia sua expressão por completo.

- ...Desculpa.

"Pode me olhar desse jeito o quanto quiser. Com inimigo não se negocia."

Inalterável, o menor retomou a caminhada, passando por ele e seguindo em frente. Exalava um pequena quantia de ódio, quantia que aumentou consideravelmente quando Klaha segurou-o pelo pulso. A cabeça do guitarrista voltou-se bruscamente na direção de quem o prendia, os olhares encontraram-se como dois caminhões que se batem de frente numa estrada.

- Mana...

Fora um movimento impulsivo. Perguntava-se de onde viera aquela coragem repentina para tocar o pulso do menor, e porque tal coragem havia ido embora depois de conseguir segurá-lo. Tinha muito a falar, mas preferiu ficar quieto. Sabia que não conseguria controlar sua mandíbula. Gaguejaria palavras e misturaria sílabas. Os olhos de lentes revelavam um carinho e uma tristeza, ambos em um sentimento infinito.

Um nó formou-se na garganta de Mana ao tempo em que o coração perdeu o compasso de uma batida. Droga, por que tantos arrepios? Por que aquele maldito frio na barriga? Tinha de dizer algo. Qualquer coisa... qualquer coisa...

- A última vez que estivemos juntos nesse lugar, foi no dia em que você me deixou... e é exatamente aqui que estamos nos reencontrando. Chega a ser irônico.

"Eu não deveria ter dito isso!"

Ambas as respirações pararam ao mesmo tempo. O vocal abaixou a cabeça por um instante; o remorso pesando sobre seus ombros. Deixar... céus, como aquele verbo doía. Mas a culpa não era toda dele! A separação fora necessária, Mana também sabia!

O guitarrista brigava consigo mesmo. Como fora tão imbecil a ponto de deixar escapar aquela revelação? Deixar... " Mana, seu idiota!" Klaha não devia saber da falta que fazia! O que aconteceria a partir dali? Um puxão em seu braço, e o braço alheio a abraçar-lhe a cintura fina. Um choque entre os baixos ventres, causando um mútuo arregalar dos olhos e da boca. As sobrancelhas bem-feitas elevaram-se. Surpresa.

- E você se lembra da última coisa que eu lhe disse naquele dia?

Klaha sabia que ele não seria capaz de dizer. Era orgulhoso demais para repetir.

Mana já via o desfecho daquela cena. Borboletas dançavam em seu estômago... Borboletas? Não, era um batalhão de soldados, chocando-se violentamente na batalha entre a razão e a emoção. Um segundo... dois...

"Eu jamais esqueceria..."

A razão havia perdido.

Balançou a cabeça horizontalmente, negando. Queria ter o prazer de ouvir aquilo saindo dos lábios dele mais uma vez... fechou os olhos com o posicionameto do rosto rente ao seu, estremecendo por dentro ao toque da respiração quente em seu ouvido e daquelas palavras que o teriam derrubado se não estivesse nos braços do outro.

- Eu te amo...

"Droga...!"

A frase o atingira como um soco na boca do estômago. Os lábios contraíram-se fortemente, enquanto duas lágrimas fugiram de seus olhos ao mesmo tempo. Para que continuar com aquele teatro? Podiam não ser mais companheiros da mesma banda, mas ainda eram pessoas comuns. Pessoas que amavam. Pessoas que, dez anos antes, guardaram segredos dentro dos camarins, salões de ensaio e quartos de motel. Eram apenas Mana e Klaha, compartilhando os mesmos pensamentos, a mesma angústia... o mesmo amor.

Havia uma grande diferença entre estarem longe do Malice Mizer...

...e estarem longe um do outro.

- Klaha...

O rosto do maior voltou a ficar frente ao seu, a míseros e torturantes centímetros de distância. As lentes azuis o encaravam com ternura, penetrando o interior de sua alma, envolvendo seu coração num calor agradável. A mão direita subiu até sua face, secando com delicadeza o caminho feito pelas lágrimas, em seguida deixando que o indicador pousasse sobre os lábios trêmulos.

- Não...

Para bom entendedor, meia proibição basta.

O dedo dele estava tão frio... estariam os lábios na mesma temperatura? Um sorriso vindo do maior, e logo obteve sua resposta. O dedo fora retirado de onde estava, deslizando para seu queixo e, após levantá-lo de maneira delicada, aconteceu. Um selar carinhoso, tímido, como se esperasse alguma rejeição por parte do menor. Esta não viera. Era o que Mana queria... uma vontade contida que nenhuma outra boca fora capaz de tirar dele, em dez anos de separação.

Um suave entreabrir de lábios, e a língua já pedia permissão para adentrar a boca do menor, que não se deu ao trabalho de resistir. Começava então a guerra entre duas línguas ferinas que se atracavam sem qualquer impedimento, somada à troca de salivas que tanto agradava aos dois. O beijo tornava-se intenso, desesperado. As línguas aceleravam-se, gemidos baixos de ambos já eram audíveis. Estavam sedentos um pelo outro.

Alguns passos do maior forçaram Mana a caminhar para trás, promovendo o encontro de suas costas com o tronco de uma árvore. Uma perna atrevida introduziu-se entre as suas. A coxa farta e coberta pelo tecido grosso da calça escura friccionando-se sobre seu íntimo, obrigando-o a despertar... Os poucos pêlos do corpo eriçaram-se todos ao mesmo tempo com o toque gélido de cinco dedos em seu abdômen. Precisava revidar. Tocou os quadris do mais alto, fincando as unhas medianas na região empurrando o corpo contra o dele. O beijo fora quebrado para que o moreno pudesse dar um gemido breve, mas baixo e arrastado. Aquilo mexeu com os tímpanos de Mana de uma maneira deliciosa...

Sem mais rodeios.

As mãos ágeis trataram de abrir os botões do casaco do mais alto. Tinha pressa, sabia que ainda havia outra peça a enfrentar abaixo daquela. Deus, por que tinham de se encontrar num dia como aquele? Amaldiçoado fosse o frio! Empurrou o casaco pelos ombros largos do vocalista, só descansaria quando aquilo estivesse no chão. Um baque do tecido nas folhas e logo as mãos posicionaram-se nas laterais daquela segunda peça de roupa que o impedia de ver a tão preciosa pele branca de seu Klaha. Puxou-a para cima, obrigando o vocal a levantar os braços. O tecido de lã passou pela cabeça do mais alto e fora jogado ao chão, pronto — ali estava o prêmio. O tórax alvo, bem definido em linhas de pura sensualidade estava ali, mais uma vez diante de seus olhos. As pontas dos dedos delicados passearam pela região, arrepiando o maior, que não deixou por menos, colocando a mão por dentro da calça do guitarrista e deslizando o indicador indiscreto sobre o membro oculto pelo tecido da boxer branca. Mana segurou um gemido, sentindo-o arranhar sua garganta. A mão que o tocava agarrou seu sexo coberto, massageando-o com vigor, fazendo o menor desferir uma violenta mordida contra o próprio lábio inferior. As unhas desceram pelo peitoral do vocalista, marcando-o em linhas avermelhadas. Pendeu a cabeça para trás, sentindo os músculos se enrijecendo. Com a teima em segurar os gemidos, a boca começava a secar com rapidez.

- Por favor... — implorou, com voz levemente chorosa. Queria mais, precisava de mais.

Prontamente o mais alto entendeu o significado daquele pedido. Parou, Mana já ia protestar quando um sorriso de péssimas intenções surgiu na face de Klaha. A mão forte adentrou a boxer e envolveu o íntimo do menor, já se movimentando para a frente e para trás, simulando uma penetração. Claro que já havia sido tocado muitas vezes, mas ninguém possuía aquele atrevimento tão delicioso. Jamais outra pessoa fora capaz de estimulá-lo com a mesma volúpia que Klaha. Os braços passaram em torno do pescoço do vocalista, abraçando-o, puxando-o para si. O rosto fora escondido no peito dele, enquanto a perna direita ergueu-se à altura dos quadris do mesmo, firmando-se ali. Desistiu de conter os sons de seu prazer que só aumentava, entreabrindo os lábios e permitindo que seus gemidos escapassem de forma nada inocente.

Klaha apenas sorria, aumentando a velocidade e frequência do que fazia com a mão, ondulando discretamente os quadris contra os do guitarrista. O baixo-ventre já se contraía em algumas fisgadas, e um volume característico começava a tomar forma abaixo das vestes. Engraçado como sua calça parecia tão mais apertada do que quando chegara ali...

- Olhe para mim, Mana...

O menor obedeceu, erguendo o rosto afogueado, onde via-se um rubor intenso. Não conseguia abrir os olhos... o prazer era grande demais. Vez ou outra tentava morder o lábio inferior, porém não conseguia menter-se daquele jeito por muito tempo. Preferia continuar gemendo alto, sem qualquer espécie de pudor. Queria instigar Klaha a acelerar...

Deleitado com o misto de timidez e lascívia na expressão de seu pequeno, Klaha resolveu presenteá-lo. Forçou o polegar na glande, esfregando-a, espalhando o pré-gozo que já escorria dali. Curvou a cabeça na direção do pescoço claro de Mana, sorvendo-lhe a pele fria, desferindo um forte chupão contra ela. Sabia que ele não aguentaria.

Pouco, muito pouco tempo. A cabeça tornou a pender para trás e, com um gemido alto e trêmulo, um jato quente umedeceu a boxer. Mana ofegava, baixando a perna direita que abraçava o quadril do vocal enquanto esse retirava a mão de dentro das vestes do menor. Deslizou os dedos sujos com aquele líquido viscoso pelos lábios do pequeno, que não hesitou em contraí-los, provando de seu próprio gosto.

Um risinho baixo por parte de Klaha e novamente os lábios foram colados aos dele, recomeçando a dança das línguas, agora envolvidas pelo gosto adocicado do prazer de Mana.

Não havia tempo a perder. Ainda tinha muita coisa com o que se preocupar, e a mais importante era, com toda a certeza, ver Mana livre daquelas roupas incômodas que ainda cobriam-lhe o corpo. Imponente, fora puxando a blusa de lã negra. Imaginava o frio que seu pequeno teria sentido até o momento; embora o tecido fosse quente, era um tanto fino. Levantou-o, apartando o beijo para que o dito passasse pelos braços e pela cabeça de Mana. Mais uma peça fazendo companhia às outras no chão, e o beijo fora retomado com ainda mais urgência. Os peitorais se roçavam sem parar, os mamilos avermelharam-se, já bastante sensíveis pela exposição ao frio e pelo recente contato com o corpo alheio. Um passo do maior para trás, levando Mana consigo, e aos poucos o corpo inclinava-se, deitando o menor sobre as folhas. O frio nas costas extraiu do pequeno um gemido manhoso, a consciência de Klaha já pesava por expô-lo tanto àquele clima... mas como conter o desejo que o devorava por inteiro, desfazendo todas as noções de certo e errado que poderia possuir?

O corpinho pálido encolheu-se um pouco. Os lábios quentes de Klaha desceram por seu queixo e pescoço, marcando-lhe a pele em mordidas carinhosas. Os olhos se apertaram com força ao sentir a boca envolvendo-lhe um dos mamilos, estimulando-o com algumas lambidas. Prosseguiu-se o trajeto para baixo, distribuindo beijos pelo tórax do guitarrista. Klaha ergueu o corpo, escorregando para baixo. Segurou uma das pernas de Mana, dando atenção ao zíper da bota que ele calçava. Retirou-a, jogando longe e repetindo o ato com a outra. Tornou a vir para cima, as mãos percorrendo as pernas longas, ainda cobertas pelo couro negro que o deixava tão sensual... Não, era duas vezes melhor sem aquilo. Segurou as laterais da calça e começou a puxá-la para baixo. Um abraço gelado o envolveu ao sentir o vento passar descaradamente por sua pele. Estava semi-nu, observado pelos olhos famintos de seu Klaha, que beijava suas coxas, massageando-as de uma maneira única...

Mana estava entorpecido, não sabendo se por causa do vento ou pelos toques com os quais era presenteado. O frio cortante do vento que continuava a soprar em seu rosto, contra o quente delicioso do corpo de Klaha. Da língua fogosa que queimava cada centímetro de sua pele, fazendo-a derreter. Sabia dos males que uma súbita mudança de temperatura causavam a um ser humano, e encontrava-se numa situação no mínimo preocupante. Quente. Frio. Quente... frio...

Que tudo fosse às favas. Aquela seria uma maravilhosa forma de morrer.

- Klaha...

O maior parou. Num movimento rápido, Mana assumiu o controle, invertendo as posições. Escorregou entre as coxas do amado e, com os dedos delicados, abriu o botão e o zíper do jeans grosseiro do vocal. Puxou, sorrindo com a revelação de um provocante tecido azul. Estranho... era sua cor favorita... Abandonando a vergonha, deslizou a língua da parte interna das coxas do outro para o tecido, umedecendo-o. Tratou de tirá-lo com a boca, acariciando as pernas do maior até que a boxer tivesse passado por elas e estivesse no chão junto às outras peças de roupa. O vocal remexeu-se, aliviado por livrar-se da peça. Mana mordiscou as coxas de Klaha, deslizou a ponta da língua por toda a extensão do membro já ereto e, após uma última olhadela na direção de sua face, afundou o rosto entre as pernas do moreno, cobrindo-o com a boca. Iniciou uma sucção lenta e controlada mas, afobado, não foi capaz de manter o ritmo, aumentando-o consideravelmente. Enquanto a mão esquerda arranhava a coxa alva do maior e a direita dava especial atenção à base dos testículos, enroscava a língua em torno do membro, ora subindo, ora descendo; parando sobre a glande, sugando-a com força desmedida e limitando-se a sorrir de forma breve diante dos gemidos luxuriosos que ele dava.

- Mana, assim eu vou...

O menor deteve-se, egoísta. Não podia dar-se ao luxo de deixar Klaha se desfazer ali, de jeito nenhum. Tirou-o de sua boca, erguendo o rosto e lançando-lhe um olhar de visível desapontamento. Um olhar de súplica, reforçado com o leve torcer dos lábios num biquinho implorante.

- Não...

Baixou a boxer até retirá-la por completo, finalmente estavam iguais. Um roçar entre as ereções de ambos, e novamente a troca de posições. Os dedos do vocal foram levados frente aos lábios do guitarrista, que os abocanhou, sugando com lascívia, gemendo de olhos fechados enquanto a língua travessa cuidava de umedecer bem os dedos do vocal. Céus, como ele era sublime na arte de provocar.

O primeiro dedo circundou sua entrada, forçando-se sem muita pressão. Um movimento de desconforto, dois; alguns ofegos e um discreto mover dos quadris. O segundo dedo já o invadia... uma mordida no lábio inferior conteve o gemido de aprovação... Klaha fez menção de introduzir o terceiro quando fora bruscamente interrompido pelo menor.

- Esquece o terceiro...!

Mana estava preparado, era aquele o momento. Cuidadoso, ajeitou-se entre as pernas de seu guitarrista e impulsionou devagar o quadril à frente, posicionando o membro latejante na entrada do pequeno e empurrando-o com extrema cautela.

As costas se arquearam, enquanto um longo gemido de dor perdia-se no ar, varrido pelo vento. Os músculos rijos forçaram-se contra seu corpo frágil, e um selar atencioso fora deixado em seus lábios. Inspirou e expirou algumas vezes, devagar. Não iria pará-lo. Não queria pará-lo. Klaha ergueu o corpo por um momento, contemplando a expressão de seu pequeno com um sorriso no rosto. Mana estremeceu. Aquele jeito de olhar que o fazia ir tão longe...

- Vem...

- Como quiser, Mana.

Forte. De uma só vez.

- ...!

Aquela extensão generosa invadindo-o, pulsando, se movendo dentro dele... desconforto... prazer. As unhas forçando-se contra a pele das costas do maior, arranhando-o sem dó. Gemidos incessantes, despudorados, carregados de lascívia. Agudos, altos e livres por parte de Mana; graves, baixos e contidos por parte de Klaha. Os quadris que se moviam um contra o outro, o barulho do vento batendo nas folhas e dos corpos se chocando. Os ofegos do casal, aumentando, aumentando... o lugar parecia diminuir cada vez mais, não deixando espaço para mais nada nem ninguém além do casal de amantes. As pernas ladeando o corpo do vocal, apertando-o, num pedido mudo de que fosse mais fundo... O íntimo do menor, tão necessitado de atenção, roçando no abdômen do outro, tentando-o a tocá-lo. Não resistiu, envolvendo-o com a mão direita, forçando os movimentos que levaram Mana ao paraíso no mesmo minuto.

Rápido... intenso... profundo. Um toque em seu ponto mágico fazendo-o gritar.

- D-de novo...

O pedido atendido, e mais uma estocada naquele ponto. Outra, e mais outra. Um formigamento intenso...

O baixo-ventre se contraiu, ao que as costas arquearam violentamente. Um quente novo em seu abdômen... uma leve fraqueza, junto a uma maravilhosa sensação de alívio... mais algumas estocadas e sentiu-se preenchido pelo prazer de seu amado. Tão quente... tão gostoso... tanto. O prazer do maior escorreu-lhe pela parte interna das coxas, uma tentativa de equilibrar a respiração desconcertada... suspiros... sorrisos.

Klaha fez menção de sair de cima do menor, que abraçou-o com força.

- Não... fica.

O vocalista sorriu, pousando os lábios sobre os dele em seguida. Um novo beijo, roubando todo e qualquer fôlego que ainda restasse... uma rajada de vento, um abraço delicado... uma carícia amorosa na face do menor, e nada mais que o silêncio. Estavam voltando ao passado...

...Ou talvez construindo um futuro diferente.

Alguns minutos antes de levantarem-se, à procura das roupas. Novos selares, brincadeiras bobas. Entretanto, algo parecia incomodar o vocalista que, já devidamente vestido, encarava o céu, com as mãos socadas nos bolsos.

- Klaha...

- O Malice acabou por divergências musicais, mas... e nós, Mana...? Por quê...?

Era doloroso fazer a mente voltar dez anos no tempo. Ver quatro figuras excêntricas abaixo de uma árvore, de mãos unidas numa última promessa... algumas lágrimas, abraços apertados e demorados. Um adeus em uníssono, e dois amantes secretos que ficaram enquanto os outros dois seguiam seu caminho. Ele e Klaha, rompendo uma relação que poderia ter sido linda se não fosse pela vergonha de Mana em admitir que o amava...

- Por culpa minha. — Respondeu, encolhendo os ombros. A face fora tomada de assalto por um rubor violento, obrigando-o a abaixar a cabeça para não ser visto daquela forma.

O mais alto aproximou-se dele, levantando-lhe o queixo com o indicador, sorrindo de forma acalentadora. Seu olhar era tão terno que fez novamente o coração de Mana errar uma batida.

- Esqueça.

A proximidade fora selada com um abraço carinhoso, onde a mão direita de Klaha acariciava os cabelos do pequeno e a esquerda fazia uma pressão gostosa em suas costas.

- Eu voltei.

"E meu amor por você também voltou, Klaha."

- E meu amor por você também... — disse baixinho, fechando os olhos e aconchegando-se junto ao peito de Klaha.

Finalmente seu Klaha.

"There were times in my life I was down on my knees, now it'sover

Deep inside my heart I know

Simply put I've been stabbed in the back ever since I remember

And deep inside it hurt to let go

Ohhhh...

Back in the picture, back in the picture

Wonder what took so long, so long "

Notas finais
Quando acabei de escrever tava um frio do caramba aqui. Gente, que coisa horrível, agora sei como o Mana se sentiu com aquela blusa fina e nunca mais faço ele vestir isso. -q
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!