Regras
1 Capítulo 1
“O que eu já disse-te sobre ir contra as regras?”
“Não me enche!”
“Luciano da Silva!”Falou Afonso,totalmente irritado com o brasileiro.”Eu disse-te que não era para tocares naqueles pastéis de belém!Ainda nem comestes o teu almoço,meu menino!”Disse.
Luciano fez biquinho e cruzou seus braços.”As empregadas disseram que eu podia comer uns!Eu não fiz nada de errado!Para de ser um velho chato!”E com isso o garoto deu as costas para o português e saiu andando.
Isso irritou Afonso profundamente.
Mas,tudo bem.
Sorriu maliciosamente.
Depois o pequeno iria ver só.
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Passado as horas,Luciano voltou para casa.Tinha ido lá fora brincar com umas crianças da nobreza e subir em algumas árvores.
A razão de ter voltado?
Fome.
Pastéis de belém não eram o suficiente para uma criança que estava crescendo.Principalmente,se fossem somente 2 pastéis de belém.Era muito pouco.
Luciano abriu a grande porta da frente,lentamente…tentando não fazer barulho—Até que ele ouviu dois passos atrás dele.
“Estava a procurar-te por toda a parte.”O mais velho encarou o menino que se virou.”Aonde é que estavas?”
“Por aí.”Respondeu ele,um tanto nervoso.”Só fui dar uma caminhada para ver se você acalmava os nervos”
“Se querias que eu me acalma-se.Não funcionou,senhor Luciano da Silva.Muito pelo contrário,deixastes-me preocupado.”Falou e deu mais um passo para a frente,fazendo assim com que luciano desse dois para trás.”Tens ideia do quanto eu andei para achar-te?Tens ideia?Que tal….bastante?E também o tempo..que gastei…Que tal?Bastante tempo digo eu…”Afonso tinha um tom bastante intimidador agora.”…tempo que eu poderia ter usado para coisas utéis”
Luciano continuou a andar para trás,e Afonso continuou a dar mais passos para frente.
Passos.
Passos e mais Passos.
Até que acabou o espaço para andar.
Luciano sentiu suas costas baterem na parede,tremeu como um rato que acabara de ser encuralado por um gato.”N-Não faço a mínima ideia.Não me interessa afinal de contas…”Respondeu da mesma maneira rude de antes.
“Rude…”Afonso rolou os olhos e olhou para o pequeno brasilero.”Deverías tomar cuidado com essa tua língua mal-criada.”Disse ao mover seu rosto mais perto do outro.”Eu deveria lavá-la com sabão para ver se ela melhora.”
Afonso só queria assustar o outro um pouco pelo o que ele fez mais cedo.Ele jamais faria isso com Luciano.Ele o amava afinal.E quando se ama alguém,por mais irritante e mal-educado que seja,jamais machucas a pessoa amada.
“….”Luciano ficou em silêncio e tentou ver uma oportunidade para fugir.Mas,não dava.
“Que silêncio repentino é esse,meu boca suja?O gato comeu a tua língua?”Riu e continuou sorrindo daquela forma um tanto maléfica.”Agora eu só preciso do sabão…acho que tenho um no meu bolso…ahá!Aqui!”Puxou um sabão do bolso,claro que Afonso não carregava sabões no bolso.Ele só tinha colocado alí porque já havia planejado fazer isso.
Os olhos so brasilero ficaram grande,tentou mover-se para longe.
Não dava.
Tinha uma maldita parede nas suas costas.
Afonso riu até que um de seus messageiros o interrompeu.”Sim?O que se passa?”Virou-se e recebeu uma carta. O messageiro disse-lhe umas coisas.
Rapidamente o sorriso do Português desapareceu,acenou com a cabeça e dispensou o messageiro.”Obrigado por avisar-me.”Disse antes de dispensá-lo.
“…?”Luciano piscou umas vezes ao notar a mudança tão brusca de humor do outro.”O que foi?”Perguntou,um tanto de preocupação estava alí presente em sua voz.”Algo ruim aconteceu?”
“Não sei ainda.Provavelmente…”Disse o outro ao por o sabão sobre uma mesa que estava alí perto e ao andar até uma das amplas salas do palácio imperial,só que esta era seu escritório.Sentou-se e abriu a carta.”….”
Franziu a testa e colocou os pés sobre a mesa.”….Raios”Falou para si mesmo enquanto seus olhos ainda terminavam de ler a carta.
“O que é que está acontecendo?”Perguntou luciano,novamente.
“Revoltas….”Colocou uma mão sobre o rosto e suspirou profundamente,”Sabes….Os franceses já foram…derrotados…..”Falou,fez-se uma pausa.”…..Querem que eu volte.O rei precisa voltar.Isso que disse a carta.”
“….Então,quer dizer que vou voltar a ser uma colônia?Não existirá mais o Reino unido de Portugal,Brasil e Algarves?”Perguntou,bastante aflito.Não queria voltar a ser uma colônia.Isso significaria que tudo voltaria a ser,literalmente,uma bosta.Os portos seriam fechados e todas as leis que eram impostas voltariam,todas aquelas malditas leis coloniais.
“Vou ser sincero:Não sei se é isso que vai a acontecer.”Falou suavemente. e suspirou,”Estão ocorrendo protestos no porto…”Sussurou,desfazendo o rabo de cavalo e rapidamente o refazendo.”O rei não quer voltar,sabes muito bem disso…Ele gosta daqui.É longe de todos os outros europeus..longe dos problemas..pestes…pragas….guerras…”Falou,seu olhar agora estava distante.Como se estivesse a recordar de toda a Europa agora.Lembrou-se de tudo,como se tivesse vivido todas aquelas guerras e problemas ontem.Passando uma mão nos cabelos,Afonso fechou os olhos.”…..O que diabos vou a fazer agora”Estava perguntando-se.
“….”Luciano olhou para o Português,conseguia ver que,pelo menos agora,Afonso não sabia ao certo o que fazer.”V…Vai ficar tudo bem”Disse ao chegar perto do outro e dar um soco leve em sua cabeça.”Tenho certeza de que você irá fazer a escolha certa.Você sempre a faz”
“….Achas mesmo que vou a fazer a escolha certa?”Olhou para o brasileiro que tinha um caloroso sorriso em seus lábios.”…Obrigado.Sempre ficas ao meu lado…Obrigado Luciano”
“De nada!”Deu mais uns tapinhas de leve nas costas do mais velho e sorriu,”Agora…você vai esquecer sobre o que aconteceu hoje cedo?”
“Não mesmo,vais a comer só bacalhau por um mês.”Encarou o brasileiro,que já estava fazendo aquela carinha de ‘cachorro sem dono’.”Está bem…”Suspirou e sorriu,afagando-lhe a cabeça.”Vais a comer somente bacalhau por uma semana.Estou de bom humor.Mas,prometa-me que jamais vais a agir dessa forma mal-educada novamente.”
Os olhos de Luciano cintilavam de felicidade,uma semana era pouquinho tempo!Passaria bastante rápido!Acenou com a cabeça,”Está bem!Nunca mais!”Afastou-se e sorriu,seu sorriso era amplo.”Obrigado!”E com isso,o mais novo saiu correndo pela porta.Estava feliz que não teria que comer bacalhau por um mês inteirinho.
Afonso sorriu e soltou um suspiro.”….Este Rapaz”Riu baixinho e levantou-se,andando até a janela e olhando o lado de fora.
Não havia dúvidas o ‘por quê’ da relutância do rei para voltar.
Tinha gostado do clima.
Das belezas dessa terra.
Até mesmo Afonso,mesmo tendo vivido mais de 100 anos naquelas terras do Norte,já estava começando a sentir-se como seu rei.
Não queria ir embora.
Não só pelo fato de ser longe dos problemas da Europa.
…Mas,
Também por causa que havia alguém muito especial para ele alí.
Alguém que teimava e fazia pirraça,mas que ele amava.
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