Notas iniciais
Espero que gostem.
Boa leitura.

Jaime Lannister nunca sentira remorso de nenhum de seus pecados mais imperdoáveis. Ele não sentira remorso ao assassinar o rei ao qual era juramentado, ou quando teve filhos com sua própria irmã. Ele vivera quase uma vida inteira sem arrependimentos e sem preocupações em relação aos seus atos...

Mas agora, enquanto observava Brienne de Tarth partir, ele se sentia destruído por dentro.

Ele ainda conseguia ouvir a donzela de Tarth chamando-o de Regicida, dizendo-lhe para andar mais rápido e para permanecer silenciado durante a viagem de volta a Porto Real.

Ele ainda se lembrava da vez em que a salvara daquele urso. Tão forte, e ao mesmo tempo tão indefesa...

...Esta era Brienne de Tarth, filha de Selwyn de Tarth.

E seu nome ficava gravado na mente de Jaime Lannister, filho de Tywin Lannister, como uma maldita tatuagem.

Como. Uma. Maldita. Tatuagem.

...

Regicida. Era assim que ela o chamava. Um nome sem honra, um nome que qualquer um teria vergonha de carregar. Regicida. Regicida. Assassino do Rei, homem sem honra... Tantos significados para um único nome.

Um único nome abominável.

Brienne o chamara assim por quase toda a viagem até Porto Real. Talvez ela quisesse deixar claro que o desprezava totalmente. Jaime queria acreditar que também a desprezava, mas esta era uma das situações mais difíceis que fora obrigado a enfrentar nos últimos tempos.

Regicida. Regicida.

Aquele nome não saía de sua mente.

Aquela mulher não saía de sua mente.

Regicida. Brienne. Regicida...

Brienne. Brienne de Tarth. Brienne, a Bela. Brienne, a Azul. A Donzela de Tarth.

Cersei.

Não.

Cersei não estava incluída na lista de pensamentos que dominavam sua mente nos últimos dias.

Mesmo que ele quisesse que ela estivesse.

Ele só conseguia pensar em Brienne, e porque havia deixado-a.

Brienne.

Ele não queria se esquecer dela. Não queria se esquecer de Brienne.

Não queria se esquecer de como seus olhos azuis eram tão parecidos com duas pedras preciosas que brilhavam no escuro.

Não queria se esquecer de seu olhar de desprezo que ao mesmo tempo transmitia algo mais.

Não queria se esquecer de seus lábios murmurando a palavra que ele mais odiava no mundo, mas que parecia tão bela quando proferida por Brienne:

Regicida.

Ele queria Brienne. Ele precisava de Brienne. Ele precisava olhar dentro de seus olhos azuis e saber que ela o amava, beijar seus lábios rachados pelo frio e dizer que a amava, e que não se contentaria em passar o resto de sua vida sonhando com ela, sem nunca poder alcançá-la.

Ele precisava ouvir sua voz novamente. Precisava ouvi-la dizer aquela, e nenhuma outra palavra:

Regicida.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e por favor, comentem o que acharam.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!