Reflexo
2 Encontros… Que não são encontros!
Notas iniciais
Reflexo
by Lily hime
Fanfic UA
Akashi Seijuurou x Kuroko Tetsuya
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Akashi já estava no ponto quando Kuroko chegou no local, poucos minutos depois do combinado. Pontual. Imperador sempre ralhava com Tetsuya dizendo que ele devia ser um pouco mais pontual, não que ele costumasse chegar muito atrasado. 10 minutos fora o seu recorde.
— Desculpe, esperou muito? — Kuroko perguntou. Mas, checando o relógio notou que eram apenas 14:05. E ele tinha quase certeza que o ruivo tinha chego a 5 minutos atrás.
— Estou aqui a uns 5 minutos. Não é nada de mais. — Akashi respondeu. É, eu estava certo. Concluiu em pensamento, e sorriu para o outro garoto. — Onde fica o parque?
— A duas quadras daqui. — O “fantasma” disse — Vamos a pé, tudo bem? O ônibus daria uma volta muito grande.
— Tudo bem, vamos.
Depois de uns minutos em silêncio, e com Kuroko já não mais aguentando isso, ele decidiu começar uma conversa.
— Murasakibara-kun perguntou aonde você ia?
— Sim. E ele pareceu surpreso. Agora, não sei se era porque estava saindo com você, ou se era porque estava indo ao parque. — Akashi respondeu. Sua voz era grave e suave.
— Ele com certeza não estava surpreso com o fato de eu estar indo a um parque. — O azulado comentou
— Você vai muito lá? — Akashi parecia genuinamente curioso com isso.
— Na realidade, não tanto quanto gostaria. — Explicou Tetsu — Mas ele, assim como Momoi-san e Aomine-kun são os únicos que sabem o quanto eu gosto de parques. Imperador também, claro.
Não levou muito tempo para que eles chegassem ao parque. A conversa continuou normalmente, sem nenhum dos dois tocar no assunto dos Dimons enquanto esperavam na fila para comprar os ingressos. Espectro e Imperador simplesmente se calaram, vendo seus mestres interagirem tão bem.
— Aonde você quer ir primeiro? — Seijuurou perguntou assim que entraram no parque.
— Eu sei onde eu quero ir por último. Pode escolher o primeiro. — Tetsu falou, sorrindo.
E o sorriso de Tetsuya era realmente muito lindo, constatou Seijuurou. E depois ele se repreendeu por isso. O que ele estava pensando?
— Bem… O que acha da montanha-russa? — Sugeriu, vendo o brinquedo que não estava muito longe dali.
— Ah… Pode ser. — Kuroko não ia comentar, de forma alguma, o pavor que ele sentia naquele brinquedo. Não mesmo.
Os dois então seguiram para a fila, que milagrosamente não estava tão comprida, do brinquedo.
— Você está fazendo faculdade, não é? — O ruivo perguntou assim que eles pararam na fila.
— Sim. Faço pedagogia na TokyoU. — Respondeu Tetsuya — E você?
— Administração na Universidade de Kyoto. Vou herdar a empresa do meu pai.
— Ah! — Só então Kuroko lembrou de onde ele já tinha ouvido o nome do ruivo. Se sentiu meio estúpido.
— Você trabalha em algum lugar? — Akashi perguntou
— Faço estágio na Seijyou, no jardim de infância. — Kuroko desviava o olhar ainda meio constrangido. — Eu provavelmente vou continuar por lá depois que me formar.
— Você deve gostar de crianças…
— Eu adoro. — E Kuroko sorriu, um sorriso pequeno e gentil.
Mais um lindo sorriso. E Akashi novamente se repreende por pensar isso. Quando finalmente chegou a vez dos dois entrarem, Kuroko impediu que Akashi os levasse para se sentar muito na frente do trem.
Antes mesmo que o brinquedo começasse a se movimentar, Tetsuya já se sentia apavorado. Mas não demonstrava… quase. Suas mãos tremiam e estavam fortemente agarradas às travas de segurança. Quando começou a se mexer, o azulado fechou os olhos numa tentativa de se acalmar. Não que tenha obtido êxito nisso.
— Você está bem? — Seijuurou perguntou vendo o estado em que o rapaz estava.
— Claro — A resposta saiu num fio de voz que o ruivo quase não ouviu.
Era inacreditável para Imperador o quão ridículo, e engraçado, aquilo era. Kuroko Tetsuya, o menino fantasma, um dos melhores jogadores de basquete do ensino médio, que não tinha medo de desafiar ninguém que ousasse se opor a seus ideais, amava entrar numa roda-gigante… Mas tinha pavor de entrar numa montanha-russa. Obviamente, o problema não era a altura.
O trem estava chegando ao final da subida, e logo ele iria começar a descer. Tetsuya ainda não tinha aberto os olhos, mas se abrisse, veria que Akashi estava sorrindo minimamente, achando engraçado o pavor que o garoto estava sentindo. O trem começou a descer, e antes mesmo que ele estivesse completamente imerso da descida dos trilhos, Kuroko se encolheu mais dentro do carro e em seguida gritou. Gritou de pavor, morrendo de medo.
Akashi ainda sorria, e não esboçava nenhum outro sentimento além de achar graça do desespero do azulado. Durante todo o passeio, que consistia em três — horríveis, na opinião de Tetsuya — voltas, o azulado permaneceu naquele estado. Quando finalmente o carro parou, e as travas de segurança subiram, ele suspirou aliviado.
Pequenas lágrimas havia se acumulado em seu olho, e suas mãos tremiam. Pelo menos ele não estava sentindo vontade de vomitar, como da última vez.
— Hey, Tetsuya — Akashi chamou, estendendo a mão para o menor, para ajudá-lo a sair do brinquedo — Vamos. A menos que você queira dar outra volta.
A resposta foi imediata. Tetsuya agarrou a mão de Akashi e o ruivo o puxou para fora do brinquedo. Já fora da área da montanha-russa, Tetsuya ainda tentava se acalmar e Akashi ainda sorria.
— Calma, já acabou — Seijuurou bagunçou os cabelos de Tetsuya
— Hey! É difícil deixar ele baixo! — Resmungou, arrumando o cabelo.
— Se tinha tanto medo, podia ter me avisado. Eu escolhia outro brinquedo — Ele sorria minimamente para Kuroko, e o garoto podia ver a diversão nos olhos do mais alto.
— Você nunca veio a um parque. E eu disse para você escolher o brinquedo. — Falou como se isso explicasse.
Ele já havia se acalmando, então respirou fundo, olhando em volta, a procura de algum outro brinquedo, em que eles poderiam ir.
— O que acha de ir no carrinho de bate-bate? — Sugeriu vendo que eles não estavam tão longe assim da atração.
Akashi confirmou e eles foram até lá. Após alguns minutos de fila, eles entraram no brinquedo. Kuroko fez questão de bater mais no carro em que Seijuurou estava do que em qualquer outro que havia ali com eles, e o ruivo não deixou por menos. Quando saíram da atração, Kuroko ria, e Akashi apenas sorria.
— O que quer fazer agora? — Seijuurou perguntou
— Você tem boa pontaria? — Indagou
— Sim. Por quê? — Kuroko agarrou a mão de Akashi e o puxou até uma área onde haviam diversas barracas, parando em frente a barraca de tiro ao alvo.
Só quando chegou lá que notou o que fazia. Soltando a mão do ruivo imediatamente e corando.
— Vamos ver quem é melhor. — Kuroko falou, tentado ignorar seu constrangimento.
— Está me desafiando? — Akashi arqueou uma sobrancelha — Saiba que eu nunca perdi na minha vida.
— Então eu trarei a sua primeira derrota hoje. — Kuroko sorriu.
Depois de pagar por alguns tiros, os dois começaram do desafio. Kuroko era muito bom. Acertou vários dos patinhos que apareceram. Mas Akashi conseguia ser melhor. No final dos 30 tiros que cada um recebeu, Kuroko tinha acertado 24, e Akashi, todos os 30.
— Bem, acho que hoje não foi seu dia de sorte Tetsuya. — Akashi soou presunçoso, mas seu olhar era de diversão.
Tetsuya fez um biquinho extremamente fofo para todos que viam a cena. Akashi recebeu o prêmio por ter acertado todos os tiros, um Totoro que devia ter uns 50 cm de altura. Kuroko, por um tiro não entrava na mesma classificação de prêmio e por isso ganhou uma caneca do parque.
Akashi parecia constrangido por carregar um bicho de pelúcia tão grande, e Kuroko realmente achava graça nisso.
— Você é bom. — Tetsuya comentou — E eu adoro o Totoro…
— Eu nem sei que personagem é esse… — Confessou o ruivo.
— É de uma animação: Meu vizinho Totoro. É bem bonitinho.
— Quer ficar? — Akashi falou olhando para Kuroko — Eu realmente não sou do tipo que gosta de pelúcias…
— Ah… Mas foi você que ganhou, e ainda vai ficar sem seu prêmio…
— Podemos trocar. Uma caneca eu posso usar, mas eu realmente não sei o que fazer com isso.
No fim, Kuroko acabou ficando com o Totoro e Akashi com a caneca.
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Haviam ficado por horas passeando pelo parque, e Tetsuya tinha puxado Akashi até a fila da roda gigante.
— Eu achei que você tivesse problemas com a altura — O ruivo perguntou
— Não tenho "problemas" — Disse fazendo aspas no ar — com a altura. Eu só não gosto de montanhas-russas.
Kuroko cruzou os braços, como uma criança que faz birra, e arqueou a sobrancelha. Seijuurou controu-se para não rir da cena. O azulado realmente podia ser infantil, exatamente como Espectro... Claro, afinal, Espectro era o Dimon dele! Pensar isso era tão estranho...
Quando a fila andou e os dois enfim entraram na apertada cabine da roda gigante, Akashi se sentia estranhamente nervoso com a situação.
— Você mora muito longe daqui? — O ruivo perguntou, tentando restabelecer uma conversa.
— Na realidade não. — Respondeu Tetsu — Fica a uns 20 minutos do parque... Eu só não venho mais aqui por conta da faculdade.
— Entendo... Eu realmente gostaria de ter mais tempo para mim mesmo...
— Administração é muito difícil?
— Não realmente — Akashi olhava pela janela da cabine, vendo ficarem cada vez mais alto — Só que eu já trabalho com meu pai, então, além dos trabalhos da escola tenho as coisas da empresa.
— Deve ser complicado, mas... Deve ser confortável, de alguma forma, saber o que fazer do futuro. — Tetsuya suspira cansado.
— Hum? Como assim?
— Bem, você não tem que se preocupar em correr atrás de um emprego para se manter, já que tem um garantido. — Akashi encarou o menor a sua frente, que parecia perdido em pensamentos. — Sabe... Eu escolhi Pedagogia por querer trabalhar em escolas, com as crianças, mas esse emprego não dá exatamente um bom dinheiro, e é difícil achar um lugar para trabalhar. Meu pai queria que eu fosse médico como ele, ou que eu tivesse aceitado ser jogador profissional, na vez em que essa chance apareceu. Mas eu não quis, eu escolhi deixar o basquete de lado para estudar Pedagogia, eu não quis medicina como ele, ou moda como minha mãe, mesmo que goste tanto de desenhar modelos quanto ela... Meu pai ainda está meio chateado com isso e as vezes me pergunto se essa realmente foi a escolha certa.
— Meu pai não me deu escolha. — Soltou Akashi — Eu fui educado, treinado desde criança para herdar a empresa do meu pai. Meu pai exigia que eu fosse perfeito, sempre as melhores notas, nunca me foi permitido errar ou perder. O único prazer que eu tive foi o basquete... E também me deram a chance de ser jogador profissional, e a tentação foi grande, mas meu pai cortou a opção o mais rápido que pode...
O silêncio voltou a cabine, e Kuroko encarava Akashi sem saber o que dizer. O ruivo sorriu minimamente.
— Não me incomodo tanto. Não é como se eu não quisesse herdar a empresa do meu pai, mas se eu tivesse a chance, eu provavelmente escolheria outra coisa. — Akashi desviou o olhar, sem conseguir encarar o azulado — Não acho que você tenha feito a escolha errada. Você tem a oportunidade de escolha, então arrisque. Eu gostaria de poder fazer as minhas escolhas quanto a isso, mas não posso deixar a empresa nas mãos de pessoas que eu sei que não serão tão boas quanto eu posso no comando da empresa da minha família. Eu sinto que é meu dever, então eu o farei.
— Acho que estraguei o clima não? — Riu nervoso — Olha! Estamos no topo.
Akashi olhou para fora e viu provavelmente uma das visões mais belas da sua vida. O por do sol ao fundo fazia as cores vermelha e laranja se misturarem ao azul celeste no céu e irem gradativamente mudando para o negro da noite. A luz avermelhada entrava na cabine e coloria o cinza que era o cubículo.
Mas não era o por do sol sobre a cidade agitada que era a coisa mais bela que ele tinha visto. Até porque, vistas do por do sol era algo que Akashi já tinha visto muitas vezes. Mas a luz que atingia os cabelos azuis e o rosto de Kuroko, o brilho de alegria dos olhos azuis e inocentes, o mínimo sorriso relaxado e a expressão tranquila do menino eram a vista mais incrível que ele havia presenciado. Kuroko Tetsuya era como um anjo.
O silêncio se instalou entre os dois, mas não era desconfortável. Só depois que saíram do parque é que Tetsuya voltou a falar.
— A vista era linda, não?
— Sim. — Respondeu o ruivo — Mas você é mais... — O sussurro foi ouvido por Kuroko, por mais que esta não fosse a intenção de Akashi
— Ah, então, eu... Eu tenho que ir — Corado e nervoso, Tetsuya apenas saiu correndo em direção a sua casa, deixando Seijuurou sozinho e meio envergonhado para trás.
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Tetsuya se sentou no sofá da sua casa e suspirou. Aquele tinha sido um dia incrível. Era o 3° dia da Golden Week, e por consequência o 5° dia que Akashi estava em Tokyo e o 4° que os dois tinham saido em um encontro...
O que você está pensando?! Isso não foi um encontro! Vocês só foram trocar... Ah!
— Imperador? — Tetsuya chamou
— Sim. Vocês não nos trocaram de novo.
— Ah... Parece que esquecemos... — O azulado falou abrindo o espelho onde o Dimon residia.
— Sim, parece. — Apresar das frases soarem meio rudes, Imperador não parecia irritado...
— Né... Eu estou me sentindo estranho — O garoto falou suspirando
— Estranho como? Está doente? — Imperador perguntou, preocupado.
Tetsuya tinha a saúde muito frágil quando criança, apesar de ter melhorado conforme cresceu, o Dimon ainda se preocupava muito com o azulado.
— Não sei... Acho que tem alguma coisa a ver com o Akashi-kun
— Por quê?
— Eu me sinto muito nervoso perto dele, fico corado com facilidade e eu ando fazendo muitos desenhos dele... Sabe? Eu me distraio e quando eu vejo, o rabisco já está virando o rosto dele...
— É, você está doente... — Imperador falou depois de um suspiro
— Estou?! — O "fantasma" disse surpreso
— Sim. Doente de amor. — Ele exibiu um sorriso que beirava entre o sarcasmo e a malícia. Isso foi o suficiente para fazer o garoto corar ainda mais.
— Como? Eu só o conheço a 5 dias... — Tetsuya perguntou
— Tecnicamente, você o conhece desde os 8 anos. — Imperador falou — Eu sou uma parte dele, não se esqueça.
— Ah... Mas ele... Ele volta pra Kyoto esse domingo, eu... Eu não sei o que fazer...
— Fale pra ele, horas.
— Falar é mais fácil que fazer Imperador. Eu fico nervoso só de pensar...
— Então você pode perdê-lo.
— Mas... — Tetsu soltou um suspiro. — Acho que sou um idiota.
O celular tocou, e o garoto fantasma sabia quem era antes mesmo de olhar a mensagem.
Akashi Seijuurou: O que acha de ir no shopping amanhã?
Kuroko Tetsuya: Ok! Que horas?
Akashi Seijuurou: Meio dia? Almoçamos lá...
Kuroko Tetsuya: Perfeito. Até amanhã Akahsi-kun
Akashi Seijuurou: Até amanhã Tetsuya.
— Mais um encontro?
— Não são encontros.
— Sei.
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Quando Kuroko chegou, dessa vez bem na hora, no ponto que os dois tinham combinado, Akashi chegou no mesmo momento.
— Yo, Akashi-kun. — Kuroko comprimentou o ruivo
— Como vai Tetsuya? — Akashi sorriu minimamente para o outro — Onde vai querer almoçar?
— Naquele. E você?
— Vou no mesmo. — Akashi ainda exibia aquele pequeno sorriso que Tetsuya achava encantador.
O almoço foi tranquilo e as conversas variadas. Tetsu não sabia de onde eles arranjavam tanto assunto para falar, mas não se incomodava nada. No final da tarde, eles se despediram. Quando Tetsu chegou em casa, notou que novamente não tinha trocado os espelhos.
O celular tocou, e novamente uma mensagem de Akashi aparecia na tela do celular.
Akashi Seijuurou: Você vai no festival de sábado?
Kuroko Tetsuya: Sim. Vamos todos os anos. Vai vir também, Akashi-kun?
Akashi Seijuurou: Atsushi me convidou.
Kuroko Tetsuya: Mesmo?
Por que estava se sentindo desconfortável com isso? Era de se esperar que Murasakibara convidasse Akashi para ir ao festival… Ainda sim, eu queria ter feito isso antes…
Akashi Seijuurou: É. Apesar dele não ter dito em que templo seria…
Kuroko Tetsuya: Nós sempre vamos no Templo Tsukino. Nos vemos lá então, Akashi-kun?
Akashi Seijuurou: Sim. Até sábado Tetsuya.
Kuroko Tetsuya: Até sábado, Akashi-kun
E Tetsuya suspirou. Ele estava ansioso para sábado… Definitivamente, estou apaixonado pelo Akashi-kun…
E infelizmente, os casos de paixões de Kuroko não terminaram muito bem. A primeira vez que tinha se apaixonado foi aos 13 anos, mas depois ele descobriu que a garota tinha um namorado. Com 15, percebeu que sentia algo mais por Ogiwara do que só amizade, e foi o momento que percebeu que era gay… No entanto, o garoto deu um belo e grande fora no azulado e parou de falar com ele. Satsuki e Daiki teriam matado Ogiwara se Kuroko não tivesse impedido, apesar de Imperador dizer que ele não devia ter parado seus amigos…
A verdade? Tetsu estava com medo de dizer para Akashi o que estava sentindo. E se ocorresse com Akashi o mesmo que com Ogiwara? Não querendo comparar os dois garotos, já que Akashi não parecia ser preconceituoso como Ogiwara era, mas o alaranjado também não parecia… E…
— Eu sou um idiota… — Kuroko murmurou olhando para o teto.
— Você sempre fala isso quando começa a pensar demais em algo. — Imperador falou olhando para o azulado de cima da mesa de centro da sala.
— Por que é a verdade…
— Você está pensando sobre o Seijuurou? — O ruivo do espelho perguntou.
— Hm. — Não era como se Imperador esperasse realmente por uma resposta completa. Ele conhecia Kuroko o suficiente para saber que isso seria o máximo que conseguiria.
— Das lembranças e informações que tenho do Seijuurou, apesar do pai dele ser muito rígido, não era uma pessoa preconceituosa. — Imperador falou — Na realidade, acho que essa é uma das poucas qualidades que aquele homem tem.
— O que quer dizer com isso?
— Que mesmo que ele não sinta o mesmo que você — “O que acho pouco provável” — completou mentalmente — Ele não vai te tratar da mesma forma que aquele garoto tratou.
— Mas eu ainda vou ter meu coração partido no meio, de novo.
A campainha do apartamento de Kuroko tocou, interrompendo a conversa entre o dois. O garoto soltou um suspiro pesado antes de levantar do sofá e ir até a porta. Quem é que poderia vir a casa de alguém em plenas 8 horas da noite sem se quer avisar antes?
Bem, na verdade, havia Aomine, que morava bem ao lado… Mas qual foi a surpresa de Kuroko ao ver que não era o melhor amigo que esperava a porta ser atendida.
— Murasakibara-kun? — Perguntou um pouco surpreso.
— Hum… Oi Kurochi… — Ele falou preguiçosamente como sempre. — Trouxe doces...
— O que veio fazer aqui, a essa hora? — Tetsuya falou, dando passagem para o amigo entrar no apartamento.
— Eu queria falar com o Kurochi… — O arroxeado respondeu, se sentando no sofá de Kuroko
— Falar sobre o quê? — Indagou se sentando ao lado do amigo
— Hum… Você gosta do Akachi?
— Direto como sempre… — Imperador falou num suspiro.
— Eh? Mas ser discreto cansa muito Taichi — O arroxeado murmurou para o espelho que ficava sempre no bolso de seu casaco.
Taiyou era o nome do Dimon de Atsushi, apesar do garoto só o chamar de Taichi, da mesma forma que fazia no nome de todas as pessoas. O espelho de Murasakibara era ovalado com o de Kuroko, mas era branco e tinha o desenho de uma bala em tons diferentes de roxo.
— Hum… Mas Kurochi não respondeu…
— Eu… — O olhar que o gigante lançava para Kuroko o fez suspirar. Nunca conseguiria mentir para Atsushi… — Sim. É tão óbvio assim?
— Um pouco… — Atsushi falou — Você nunca disse nada sobre isso, mas por acaso você é quem tem o espelho do Akachi, né? — A voz do garoto soava arrastada e preguiçosa como sempre
— Hum? Akashi-kun falou isso pra você?
— Ele me disse que tinha o espelho trocado com alguém, mas eu suspeitei disso quando vocês se conheceram. Akachi nunca tinha reagido daquela maneira… — É, Murasakibara era bem mais atento do que a maioria das pessoas pensava.
— É, nos temos nossos espelhos trocados, sim… mas por que da pergunta?
— Você devia falar pra ele. — O mais alto ignorou a pergunta de Kuroko — Que você gosta dele.
— Eu… não sei.
— Akachi terminou com o namorado dele a seis meses atrás. — Murasakibara falou — E ele estava bem desanimado… Claro que tentava não demonstrar, mas eu conheço ele a muito tempo pra poder notar quando ele está mentindo ou não…
— Namorado? — Kuroko perguntou, um pouco surpreso
— Sim… Akachi é gay… — O tom arrastado não deixava a voz de Murasakibara em nenhum momento — Eu trouxe ele achando que mudar de ares poderia ajudar… Mas ele ficou muito animado depois de, especificamente, começar a sair com você… Ele sempre voltava um pouco mais feliz desses encontros…
— Não são encontros! — Tetsuya respondeu automaticamente.
Murasakibara apenas encarou o azulado, arqueando uma sobrancelha. O menor soltou um suspiro e virou o rosto constrangido. É… Talvez fossem encontros.
— De qualquer forma… Eu realmente acho que ele gosta de você Kurochi.
— Ainda sim, eu não sei se conseguiria falar, na cara dele, o que eu sinto… — Kuroko disse — É muito constrangedor…
— Você devia tentar. — Murasakibara falou — Por que você tem que complicar tanto? Eu só falei para Murochi…
— Acho que é por que eu penso demais Murasakibara-kun — Kuroko falou sorrindo minimamente para o amigo
— Então pare de pensar. — Ele disse como se aquilo resolvesse todo o assunto.
E talvez resolvesse afinal. Mas parar de pesar era algo que Kuroko provavelmente não conseguiria parar de fazer.
Depois de tomar um chocolate quente que Kuroko tinha preparado a pedido do arroxeado, ele foi embora, dizendo que o chocolate quente de Tetsuya era o melhor, como sempre. Murasakibara deixou uma das três sacolas de doces na casa do menor, dizendo que tinha comprado para ele.
Depois da visita, Kuroko decidiu tomar um banho, e dormir. E inconscientemente, ele estava ansioso para sábado.
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