Camila POV's

Acordei desnorteada, não sei onde estou, não enxergo nada. Sinto algo em torno de meus pulsos e calcanhares, certamente uma corda. Não sei dizer direito, mas sinto que tem alguém aqui, perto de mim, sinto sua presença.

Mas onde estou afinal? A última coisa que me lembro é de estar em casa e com muito sono. Começo a me mexer para me soltar, mas sinto uma mão sobre a minha esquerda, essa mão foi subindo pelo meu antebraço, ombro, boca, bochechas e por ultimo em meus longos cabelos loiros. Não foi algo assustador, foi um toque carinhoso, mas mesmo assim, pela situação que me encontro, isso é um pouco apavorante.

— Me solta, por favor! — eu disse, mas tenho certeza que em situações de sequestros os sequestradores quase nunca fazem aquilo que as vítimas pedem. Mas, para minha surpresa e sorte, eu senti as mãos daquela pessoa tirando o nó da venda atrás da minha cabeça.

— Obriga... — O que vi não foi nada com o que esperava. Eu esperava um grande homem, com uma arma e um galpão horrível, mas, pelo contrário, era uma pessoa toda encapuzada, não dava para ver nada de sua pele, só dava para ver seus tristes olhos, ele ou ela é menor que eu, estamos sentados em uma linda cama com lençóis brancos e em um lindo quarto iluminado. Com certeza, isso não era o que eu esperava.

Essa pessoa cortou as cordas que estavam amarrando meus calcanhares, depois segurou minhas mãos, olhou para mim, olhou para a corda em meus pulsos e a cortou. Continuou segurando meus pulsos, não tentarei lutar contra ele ou ela, pois sei que não vou vencer, mesmo sendo maior, sou magricela, lembro-me de quando minha amiga Esther conseguia manter minhas mãos presas utilizando apenas uma das dela e eu não conseguia sair mesmo lutando com toda a minha força, a Esther nem fazia forças para me manter imóvel, imagina essa pessoa, se ela apertar meus braços é capaz de quebrar um osso, por isso nem vou lutar.

— Quem é você? O que você quer? Onde estou? — adoraria que "ele" respondesse minhas perguntas, mas como é de se esperar nada veio. Mas algo repentino aconteceu, algo que eu nunca esperaria de um sequestrador. "Ele" me abraçou com uma vontade que ninguém nunca teve antes. Olhei fundo na única coisa que eu conseguia ver daquela pessoa, os seus olhos azuis acinzentados. A força de seu abraço foi tão forte que caímos deitados na cama, "ele" por cima de mim e depois, ainda por cima da mim, olhou em meus olhos. Pude ver a tristeza naquele olhar e ao mesmo tempo a alegria do momento. Ele continuou olhando em meus olhos e voltou a me abraçar colocando a cabeça um pouco acima de meus seios. Ai meu Deus, será que ele vai me estuprar? Queria acreditar que não, mas nunca posso esperar nada de um sequestrador.

— O que você quer? — "ele" saiu de cima de mim e me estendeu a mão para eu voltar a ficar sentada na cama. "Ele" olhou para o chão e depois para mim e me apontou com aquelas luvas pretas o dedo indicador. Isso significa que "ele" me quer.

— Você vai me estuprar? — e por incrível que pareça "ele" riu silenciosamente e balançou a cabeça negativamente.

— Você vai me torturar ou matar? — e mais uma vez "ele" riu silenciosamente e balançou negativamente a cabeça. Oras! Então o que "ele" quer de mim?

— Então o que você quer de mim? — "ele" ficou encarando o chão, virou-se e começou a aproximar-se com a mão em mim, recuei, mas não tanto e sua mão parou em meu peito, bem no lugar onde "ele" tinha encostado a cabeça a uns instantes atrás.

— Meu coração? — "ele" fez um sinal de mais ou menos com a mão e colocou a mão em seu peito coberto por várias camadas de roupas, depois novamente a mão em meu peito e depois soletrou a palavras amor em libras.

— Você quer o meu amor — "ele" soletrou com dificuldades a palavra novamente em libras.

— Você quer o meu amor novamente? — "ele" balançou afirmativamente a cabeça. Não entendo isso. Como "ele" pode querer meu amor novamente se nunca o teve? Pelo menos eu não me lembro de tê-lo visto alguma vez na vida. Só o olhar dele que me é familiar, mas nada além de um olhar.

— Você sabe falar? — "ele" fez um mais ou menos com a mão.

– E por que não fala o pouco que sabe? — "ele" se levantou e começou a andar com muita cautela, dando um passo mais curto que o outro, depois estendeu o braço como se tentasse alcançar algo na escuridão e abriu a gaveta da escrivaninha do outro lado do quarto. Essa é uma boa hora para fugir, mas estou em um lugar estranho, posso me perder, uma porta pode estar trancada, esse lugar pode ser no meio do nada... "ele" pegou uma caneta e um papel, voltou até mim com os mesmos passos curtos e escreveu no papel com a letra mais linda que eu já vi "Posso saber, mas posso não poder".
"Ele" saiu do meu quarto, não o escutei trancar a porta. Penso se tenho chances de escapar. Quando estou me preparando para abrir a porta escuto passos e corro de volta a cama, fingindo que nunca pensei em sair dali.
"Ele" entra no quarto com muita dificuldade trazendo-me uma bandeja com café da manhã. Café, leite, torradas, geleia de framboesa, a minha preferida, uma salada de frutas e aparentemente suco de laranja. Nunca vi um café da manhã tão bem preparado e ainda para mim. "Ele" me entregou a linda bandeja prata e sentou-se do meu lado olhando para o nada que tem na parede. Comecei a devorar aquele banquete, pois estou morrendo de fome. Quando terminei ainda sobrava o café e o leite, pois não gosto muito de café e o leite tem um cheiro estranho.

— O leite tem um cheiro estranho, acho que está estragado. — "ele" riu silenciosamente novamente.

— Aliais, acabei — "ele" levantou-se, deu a volta na cama.

— Obrigada — "ele" deu um sorriso que deu para ver mesmo pela sua máscara e seu capuz. "Ele" fez o sinal de de nada e saiu pela porta ainda com muita dificuldade. Novamente este é o momento de fugir. Acho que vou olhar pela janela para ter um pouco de certeza de onde estou. Vejo um lindo campo verde que se estende até onde meus olhos conseguem enxergar, estou no segundo andar, será difícil de fugir daqui. Enquanto faço meus planos de escapar, não vejo que algo chega perto de mim, sinto um frio na barriga ao sentir aquela mão passando pelas minhas costa e aquele rosto cheio de panos ao lado do meu, olhando para o mesmo imenso campo verde que eu. "Ele" subiu sua mão para meus cabelos, acariciando-os.

—Onde está sua família? — "ele" apontou para o chão

—Aqui? Nessa casa? — "ele" continuou olhando pela janela, mas respondeu positivamente com a cabeça. Olhou para mim e segurou minha mão, me guiou para fora do quarto, passamos por vários outros, "ele" passava a mão pela parede, senti segurando mais forte quando passamos por um quarto onde tinha um cadeado enorme, descemos as escadas e sentamos no sofá. "Ele" me deu o controle e liguei a televisão enorme da sala em um programa qualquer, "ele" me conduziu a deitar com a cabeça em suas pernas enquanto o medmo passava a mão direita em meus cabelos. Por incrível que pareça, aquele toque é tão bom que eu dormi ali mesmo

Notas finais
Oeeeeeeee leitores lindos. Essa é a minha nova fic, espero que gostem. Tive a ideia de um sonho e fui fazendo-a nas aulas mais chatas e boiadoras da escola :v Bem... comentem, deem dicas, sugestões, criticas, tudo q vier de vocês (lindos) eu aceito. Até a próxima :*