Refém... ou não?
11 O que é amor?
Notas iniciais
– Você falou! Ai meu Zeus, você falou! Eu queria tanto ouvir sua voz. Eu quero ouvir mais. — isso é verdade, nunca quis tanto escutar alguém falar.
"Isso foi só um imprevisto."
– Fale novamente para eu ouvir!
"Eu não gosto de falar."
– Por favor.
"Não é não."
– Mas qual é o problema? Eu sempre fiz o que você queria. Farei o que pedir. Por que não fala comigo?
"Porque eu não quero."
– Qual o seu problema? — eu disse gritando, estou inconformada.
"Medo."
– Mas qual o medo em falar comigo?
"Passado."
– Eu sinceramente não consigo te entender. Você não pode ter mais medo do passado, tem que enfrenta-lo
"Promessa."
– Poderia, pelo menos, dizer meu nome ou algo para mim?
– Camila, eu te amo. — disse me abraçando e passando suas mãos em meus cabelos. Eu finalmente escutei o que tanto queria.
– Está com fome? — Neste momento sua barriga roncou — Considerarei isso um sim.
Preparei uma comida básica, não sou uma cozinheira muito boa. Essa é a primeira vez que cozinho nessa casa, geralmente é ao contrário, sou eu quem sempre come. Por incrível que pareça, "E" comeu a comida toda.
– Uau, acho que devo fazer gastronomia. — rimos. — Como tá?
"Uma delícia."
– Não a comida. Como você está?
"Ah, eu também sou uma delícia." — rimos.
– Não nego. Estou um pouco cansada.
"Sono?"
– Não sei.
"Quer ir em um médico?"
– Não.
"Quer brincar de médico? Posso ser nas horas vagas."
– Uau, hoje você está terrível.
"Muito tempo com você dá nisso."
– Mas eu sou uma moça comportada.
"Super."
– O que iremos fazer agora?
"Dormir, amanhã iremos ver sua família."
– Ah, por favor, você ainda está nisso?
"Sim."
– Então eu ainda estou em querer ver a sua também.
"Fora de cogitação. Vamos dormir, amanhã conversamos."
Fomos então para o quarto, as luzes estavam apagadas. "E" entrou e foi direto para um lugar no escuro, sem dificuldades e sem bater em nada. Já eu, fui procurar pelo interruptor, tropeçando e batendo em várias coisas pelo caminho. Terminou que não encontrei o interruptor e "E" ligou as luzes ao escutar eu bater em tantas coisas.
– Obrigada. — falei esfregando minhas canelas vermelhas.
"Desculpe-me, eu que não deveria ter apagado as luzes."
– Tudo bem. Vou tomar banho, você poderia me arrumar uma toalha e roupas de dormir?
"Claro."
Fui para o banheiro do quarto, não tranquei a porta. Tirei minhas roupas e as coloquei num sexto. Abri o box e liguei o chuveiro, a água morna molhava meus cabelos dourados e passavam por todo o meu corpo. A hora do banho é maravilhosa. Não há melhor momento para refletir sobre as coisas da vida. Fechei meus olhos e pensei em "E", meus dias tornavam-se tão diferentes depois que essa pessoa apareceu em minha vida. Sua voz... ah, sua voz... tão bela e pouco usada. Uma voz... moderada, nem grossa e nem fina. Certamente se "E" afinasse a voz, pareceria uma mulher e se engrossasse, pareceria um homem. Mas, pelo meu ver, é uma voz que deixa-me encucada. Vejo-a como uma voz feminina. Sem dúvidas, é uma voz feminina. Se "E" for mulher? O que farei eu? Estaria apaixonada por uma mulher?
Abri meus olhos e encarei a parede, passei as mãos pelos meus cabelos e virei para o vidro do box. Assustei-me ao ver "E" senta..da sobre a tampa da bacia sanitária, encarando o chão. Vi roupas brancas dobradas ao seu lado, certamente são de dormir.
– Eu... estou tomando banho — vi aquela figura simplesmente balançar a cabeça e nem ligar para minha nudez.
"Não vou ver nada, prometo" — ri pela ironia de sua cegueira.
– Não me preocupo com isso. Ta tudo bem?
"Sim?"
– Isso é uma pergunta?
"No que estava pensando?"
– Em você. — não menti — No que estava pensando? — repeti sua pergunta.
"Em você. O que você pensava sobre mim?"
– Ah, eu estava pensando que você poderia vir aqui e tomar banho comigo. — brinquei. — O que você pensava sobre mim?
"Pensava que eu poderia entrar aí e tomar banho com você" — ela entrou na brincadeira.
– E por que não vem?
"Não sei."
– Eu não me importaria.
"Não quero te assustar."
– E se eu quiser me assustar?
"Camila, não me desafie."
– Eu duvido — desafiei.
"E" escreveu alguma coisa, escondeu atrás de suas costas e levantou-se. Meu corpo estremeceu com o que poderia acontecer. Deu alguns passos. A distância entre nós era bem pouca. Não conseguia me mover, simplesmente sentia suas mãos passarem pela minha nuca e levarem meu rosto para perto do seu. Estávamos a ponto de um beijo, quando senti meu rosto ser sujo pela sua mão, que antes estava escondida.
"Ta meio sujo aí" — "E" ria muito
– Hahaha, super engraçado. O que é isso?
"Tinta da minha caneta."
– Não acredito — joguei água em "E", que continuava rindo.
"Odeio acabar com o clima." — confesso que ri
– Estraga prazeres. Olha só, parece que alguém se molhou. — joguei mais água — Seria uma pena se eu demorasse bastante para sair do banho.
"Queridinha, tem mais dois banheiros nessa casa"
– Estraga prazeres ao quadrado.
"Mas confesso que não memorizei-os direito."
– Parece que o jogo virou.
"Confesso também que não seria uma péssima ideia tomar banho com você." — calei-me, sinto que queria aquilo. Por isso, ajudei-a entrar no box.
Fiquei olhando em seus olhos azuis, enquanto os mesmos, na escuridão da cegueira, encaravam os meus cor de mel. Dei-lhe um selinho e segurei suas mãos. Coloquei-as em meu rosto e, como minhas mãos sobre as suas, desci pelo pescoço, ombros, clavícula, seios, barriga e pelo restante do corpo. Fiquei de costas e coloquei suas mãos sobre meus cabelos molhados, tirei minhas mãos e deixei-a fazer o que lhe viesse em mente. Fechei os olhos e senti sua mão percorrer pelos cabelos, nuca, costas, bumbum... Continuei de costas e esperei um pouco...
– Gostou do que sentiu?
A resposta que veio foram beijos, uma trilha de beijos, começando do meu ombro direito, subindo pela lateral do pescoço e até o topo da cabeça. Depois um abraço. Senti em minhas costas suas roupas, ainda secas, serem encharcadas pela água. Seus enormes ombros sobrepondo os meus. Seus braços enlaçando meu corpo. Mais uma vez, eu estou presa, mas não quero sair dessa aconchegante prisão. Seu queixo encostou em meu ombro, que antes haviam beijos. Até que escutei sua doce voz.
– Você já sabe, não é?
– Você é mulher.
– Isso te perturba? — pensei um pouco sobre a pergunta...
– Nem um pouco.
– Bom.
Ela me virou para si e começou a beijar-me. Se antes eu tinha dúvidas, agora não tenho. Eu me apaixonei por essa alma esplendorosa, não me importa se é homem ou mulher, eu me apaixonei, e essa é a resposta. Não ligo para outras coisas...
– Você faria amor com uma pessoa que nem sabe quem é?
– Sim.
– Então é sua vez de me conhecer. — ela fechou a água do chuveiro, segurou minha mão e me levou até o quarto.
Deixamos uma trilha de água, que encharcou o tapete do quarto. Do mesmo jeito que eu fiz com ela, a mesma fez comigo. Ela segurou em minhas mãos e as colocou em suas roupas pesadas pela água e eu as tirei. Tirei primeiro seu casaco, depois sua camiseta. Sentei-a na cama e comecei a desamarrar seus sapatos, tirando-os com as meias. Depois o cinto de sua calça e logo após a abaixei. Vi todas as queimaduras. "E" segurou minhas mãos mais uma vez e guiou para eu tocar. Todo seu lado esquerdo era queimado, todo. Seus cabelos molhados caíam sobre os ombros, passei-lhes as mãos.
– Eles costumavam ser grandes.
Observei suas costas, também queimadas, mas com cicatrizes. Passei os dedos sobre.
– O que aconteceu aqui?
– O vidro estilhaçou com o calor do fogo, alguns pedaços pegaram em mim.
Boa parte de seu lado esquerdo tem queimaduras. No lado direito, principalmente nas costas, tem cicatrizes. Sua barriga... ela é bem definida, mas tem uma cicatriz um tanto quanto peculiar...
– Essa cicatriz...
– Lucas, o bebê daquele quarto.
– Seu filho?
– Sim.
Aquele corpo... cheio de queimaduras e cicatrizes... tão bonito e tão menosprezado. Não tenho o que dizer, somente sentir. Tenho a necessidade de fazer feliz essa pessoa. Eu, mais do que nunca, quero continuar aqui e amar intensamente essa pessoa que eu nem sei o real nome.
– Seu corpo é...
– Horrendo?
– Lindo.
– Como?
– Eu vejo uma perfeita obra de arte.
– Como você consegue achar lindo um monstro?
– Como você consegue me suportar?
– Porque eu... eu te amo.
– Exatamente.
Nos beijamos como nunca antes. E, naquela noite, fizemos amor. Foi minha primeira noite com uma mulher, mas foi a melhor da minha vida. "E" sabe todos os pontos sensíveis de meu corpo, e soube utilizá-los muito bem. Essa foi a noite mais importante e especial que já tive, e me deixa feliz que tenha sido com alguém que me compreende e dá valor.
Durante a noite, conversamos um pouco sobre a vida. "E" me contou um pouco sobre André, o médico que a ajudou. E eu lhe disse sobre os bons tempos de adolescência. Cada som que saía de sua boca, me encantava cada vez mais.
Antes dessa noite, eu era tão cega quanto os olhos de "E". Eu não via o real significado do amor. O amor não pode acontecer somente entre um homem e uma mulher, ele acontece de várias formas: entre um bebê no ventre e uma mãe; um senhor que acolhe, como filha, uma jovem machucada; e, o que estou vivendo agora, duas mulheres cheias de mais amor para dar.
Mas eu não era só cega no quesito amor, era cega perante "E". No primeiro dia aqui, tudo que eu via era um sequestrador e tecidos. Seu mistério era minha cegueira.
Por mais que eu estivesse nua na frente de "E", seus olhos não poderiam me ver, agora ela sabe todos os cantos de meu corpo, pois eu a deixei me conhecer. Por mais que "E" estivesse na minha frente, eu não via o que tinha por baixo de tantos tecidos, eu era cega. Mas agora sei de todo seu corpo, pois ela me permitiu isso. Parece que não somos tão diferentes afinal.
Acordei bem tarde, já deve ser meio-dia. "E" está deitada encarando o teto.
– O que deseja fazer hoje, monamour? — estou disposta à tudo.
"Vamos ver sua família."
– Não estou disposta. — me contradigo mesmo.
"Qual é o problema?"
– Eles vão querer me fazer ficar lá.
"Você quer?"
– Não. Sem falar que vão me dar uma baita bronca por não ter dado notícias esse tempo todo.
"Ui, que coisa horrível."
– Pois é. Vai que minha mãe me dá uns tapas.
"Uau, agressão. Adoro esses filmes de ação."
– O que irão dizer quando te virem?.. — opa, errei — quero dizer... o que falarei se perguntarem sobre nós duas? — eu só pioro tudo.
"Ninguém precisa saber sobre mim. Ninguém precisa me ver."
– Sei não.. — percebo que pode ser melhor para "E" se fizermos isso. — Tudo bem, vamos.
"Halellujah."
– O que fará com seus animais?
"Deixarei comida e água suficiente."
– Hum.
"O que sua família diria sobre a gente?"
– Não sei, tenho receio de pensar sobre isso.
"Não quero ser um problema."
– Você é meu problema favorito — disse beijando-a.
"Você é tão carinhosa."
– Eu sei. Você é tão educada.
"É uma coisa natural."
– Quando partimos?
"Quando você quiser."
– Quanto tempo de viagem?
"Cerca de 4 horas."
– Uau, que longe. Podemos ir de tarde, quando chegarmos, nos instalamos em algum hotel e amanhã visitamos minha família.
"Você não está querendo ganhar mais um dia não, né?"
– Jamais — rimos.
Durante a tarde, arrumamos as malas para a viagem. Só concordei com isso para ver se consigo convencer "E" de me mostrar sua família.
– O que você vai fazer em ter sua família tão perto e não visitar?
"Já disse, você é minha família."
– Ah, qual é. Você não quer mesmo vê-la?
"Não."
– Por quê?
"Eles foram parte do motivo de eu estar assim."
– Nossa, isso é mágoa?
"Não, é só uma consequência."
– O que eles fizeram?
"Na infância, eu dormia na rua e não tinha ninguém."
– O que eles tem com isso?
"Minha vó deixou a irresponsável da minha mãe comigo. Ela se embebedava e me largava em vários lugares. Eu sempre a seguia para cuidar dela, porém, na madrugada, eu as vezes dormia em algum caixote de cerveja ou papelão e ela sumia. Eu andava vários km para chegar em casa."
– O que mais?
"Quando minha mãe finalmente começou à trabalhar, ela me deixava a noite toda sozinha. Eu estudava de dia e ela trabalhava de noite, então eu só a via nos finais de semana e segunda-feira, que era sua folga. Dos 4 aos 10 anos eu fiquei sozinha. Na segunda, minha mãe bebia e repetia o que ela fazia antes."
– Continue..
"Teve uma época, a partir dos 7 aos 14 anos, ela me espancava, só porque o marido mandava. Mas quando ele bateu nela, eu queria acabar com aquilo que ele chama de cara, eu tentei, juro. Eu fui pra acabar com ele, mas minha família não deixou, jogaram a culpa na minha mãe, por ela ser mulher. Ele não tinha o direito de encostar nela."
– O que ela achou sobre isso?
"Falou que ela era mesmo culpada, que ele é homem e que homens as vezes perdem o controle, que temos que relevar."
– Nossa. Sério, isso me dá nojo.
"Eu não sabia onde colocar tanta raiva que estava acumulando. Ela ter dito isso me deixou furiosa, eu não sabia qual dos dois era pior. Mas, ao mesmo tempo, eu queria que ela fizesse o que eu era capaz de fazer por ela. Queria que ela parasse de me bater por ordens dele e passasse a me proteger, ficar ao meu lado."
– Entendo.
"Mas chegou uma época que eu cansei de apanhar da minha mãe e meio que a proibi de me bater, falei pra ela parar. Resultado: ela me bateu por isso."
– Você estava no seu direito.
"Eu sei."
– O que aconteceu na adolescência?
"Tudo."
– Pode continuar.
"Eu não a deixei mais me bater. Uma vez ela veio me bater e eu a impedi, segurei sua mão com força e falei "NÃO". Mas ela me colocou pra fora de casa e eu passei uma semana dormindo nas ruas, até minha vó me levar pra casa dela."
– Quando vocês perderam contato?
"Quando tudo isso aconteceu." — disse mostrando seu rosto.
– Como aconteceu?
"Ainda não posso te dizer."
– Okay.
"Só okay?"
– Sim.
"Que fácil."
– Decidi entrar no seu jogo.
"Uau, por que isso de repente?"
– Porque seu jogo é bom. — "E" passou a mão direita meu rosto.
"E essa cara safada?" — ela me deu um beijo.
– Não é minha cara, sou eu.
"Vamos logo terminar isso. Tem certeza que quer levar essa?" — ela disse levantando uma camiseta.
– Tenho sim, essa é pra você.
"Sou mais camisas."
– Então troque.
"Você é meus olhos."
– O que você gosta de vestir?
"Camisas e calças largas. Cores: Escuras, xadrez, amarelo e azul."
– Escuro é normal pra mim. Xadrez até que é aceitável. Mas amarelo e azul?
"Eu gosto."
– Qual a diferença para você? Nem vai ver mesmo — poxa, acho que peguei pesado.
"Posso não ver, mas quem está em volta sim. Quero parecer apresentável."
– E se eu te vestisse de palhaço?
"Não ouse."
– Não se preocupe, não te farei passar vergonha.
"Agradeço muito."
Arrumamos tudo. E pegamos um carro que há muito parece não ser usado.
"Sabe dirigir?"
– Muito mal.
"Ótimo, você dirige. Tente não bater." — ela estendeu a mão com a chave
– Tudo bem, tentarei não nos matar. — peguei a chave e entramos.
A viagem foi bem calma. Minha mala é basicamente as roupas que eu achei legais. Como na casa não tinha nenhuma roupa minha, estou usando todas as de "E". São roupas bem grandes, comparando ao meu magricela corpinho. Sério, preciso fazer exercícios, tenho que ter um pouquinho disso que chamam de músculos. Não quero ser bombadinha, mas comparada a "E", eu sou só um saco de ossos, até mesmo nas roupas. Apesar das queimaduras, ela tem o corpo bem bonito e definido.
– Você malha?
"??"
– Tens o corpo definido.
"Ah, não muito, raramente. Só pego uns pesinhos as vezes."
– Como consegue?
"Deve ser algo hereditário. Mas eu também procuro me alimentar bem."
– Uau.
"K forte?"
– Bom saber que você conhece esse meme da Xuxa.
"Eu sou um centro de referências, baby."
– E eu sou o Capitão América.
"E" foi me dizendo para onde ir. Por incrível que pareça, ela sabe todo o caminho.
– Como você conseguiu me trazer?
"Ainda tenho alguns amigos que me ajudaram."
– Não é ilegal ajudar a levar uma pessoa sem consentimento e desacordada?
"O que o dinheiro não faz?"
– Você é terrível.
Chegamos por volta das 8 da noite. Nos instalamos em um hotel até que bom para a nossa cidade.
Ah, esqueci de comentar, mas encontrei outro diário. Este estava num canto do guarda-roupas. Irei terminar de ler o outro antes deste.
No momento, "E" está resolvendo alguns papéis sobre a hospedagem. Eu deveria estar colocando as malas nos devidos lugares... deveria... como eu sou eu, estou xeretando a vida de minha parceira.
O restante do primeiro diário fala sobre a vida de "E" na casa e como ela se culpa pela morte de seu bebê. Pelas suas palavras, André serviu-lhe como um paizão, ela é muito grata por tudo que ele fez por ela.
Afinal, por mais que "E" tivesse perdido sua pele e seu filho, ela ainda assim estava feliz, pois André estava sendo a família que ela jamais teve. Ele dava-lhe a proteção que ela jamais tivera de algum familiar, também curava-lhe suas feridas e dava-lhe conselhos e força.
Até que mais uma vez a vida dela apagou-se novamente. André foi comprar medicamentos para queimaduras, e acabou sendo assassinado numa tentativa de roubo.
Pelo que li no diário, ele escreveu uma carta passando toda sua herança para a única pessoa que o mesmo tinha como família, a filha que o destino lhe deu, e pediu apenas uma coisa para sua filha amada.
André cuidou e amou uma pessoa tão machucada. Em troca, ela deu-lhe a oportunidade de ser pai, mesmo que por poucos anos. Ele deu-lhe suas terras, casas, posses e tudo mais. Seu único pedido foi para que ela fosse em busca de alguém que lhe fizesse feliz da mesma forma que ele a fez e que a mesma aguentasse firme tudo o que acontecesse. Por fim, ela pensou em mim.
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