Reescreva
1 Capítulo único
Beijou-a com tamanha ternura, concedida apenas naqueles dias de sol calmo e nuvens rosadas, erguendo os olhos ela o fitou curiosamente, como se perguntasse a razão daquele gesto tão atípico, ele segurou sua mão e juntos atravessaram o sinal.
Despediram-se no portão sem falar nada, uma despedida fria diferente daquele beijo na testa. Fechou os olhos não podia pedir nada dele, de certa forma, por mais que não quisesse aceitar a possibilidade ínfima de que ele sentisse algo por..., ou até mesmo ela, contudo, tudo estava tão estranho, tão calado, tão longe... Mais uma vez as lágrimas insistiram em vir a tona, contudo,olhando para o céu ainda azul, como se risse daquela dor que pulsava no peito, por algum tempo impediu que elas caíssem, por algum tempo.
Enxugou as duas lágrimas na manga da blusa e entrou, sorrindo um sorriso falso e foi para o quarto, ligou o som, ouviu um cd qualquer com algumas músicas eletrônicas antigas, entrou no banheiro pequeno despindo-se, fez tudo calada, apática, sem vontade, lutando contra a água que caía pelo corpo como se disse se: — Deixe a dor sair. Mas, ela sabia que isso não iria mudar nada, resistiu. Terminou o banho, se vestiu , tirou o cd, sintonizou na rádio; Olhou ao redor do quarto ainda iluminado pela luz do sol, olhou de relance, não queria olhar para o relógio bem a sua frente pendurado na parede rosada do quarto, não precisava saber que ainda era quatro horas da tarde, ou seja, muito cedo para que ela ainda estivesse em casa, jogou o corpo na cama:
Como se você fosse uma droga
Como se você fosse um demônio que eu não pudesse me livrar
É como se eu estivesse presa
Como se eu estivesse correndo pra você todo o tempo
E eu sei que eu deixei você ter todo o poder
E como se você fosse o único
Eu vejo toda a miséria ao lado
É como se você fosse uma droga sugando toda a vida de mim
É como se eu não pudesse respirar
Sem você perto de mim
E eu sei que eu deixei você ter todo o poder
E eu realmente sei que eu nunca vou deixar você do nada
É como se eu não pudesse respirar
É como se eu não pudesse ver nada
Nada além de você
Eu estou viciada em você
É como se eu não pudesse respirar
Sem você perto de mim
E minha alma e meus sonhos
Você está tirando de mim
É como se eu não pudesse respirar
É como se eu estivesse perdida
É como se eu estivesse me dando devagar
Como se você fosse um fantasma me assustando
Deixe-me paz!
E eu sei que estes pensamentos na minha cabeça não vão me deixar sozinha
E eu sei que eu nunca vou mudar meus caminhos deixando você
É como se eu não pudesse respirar
Como se não pudesse ver nada
Nada além de você
Estou viciada em você
É como se eu não pudesse respirar
Sem você perto de mim, em minha alma, nos meus sonhos
Você está tirando de mim
É como se eu não pudesse respirar
É como se eu não pudesse respirar
É como se eu não pudesse respirar
Como se não pudesse ver nada
Nada além de você
Estou viciada em você
É como se eu não pudesse respirar
Tocava a música no rádio, fechou os olhos se lembrando do terno beijo quente na testa, lembrou-se do sorriso, dos outros dias que não tinham sido assim, mas, agora estava tudo acabado, ele disse que estava cansado de tudo aquilo, que precisava de um pouco de “ar”. Não deu tempo para pensar muito, ele logo pegou sua mão e a fez atravessar aquele sinal, aquele sorriso... Sentiu saudade, mas agora não havia por que sentir saudade do que não voltaria, não iria chorar, não! Prometera á ele, mas o que era promessas agora que ele se foi?!
O que faria agora, não era uma pergunta, teria que erguer a cabeça e seguir em frente, contudo sabia se guardasse aquela dor um dia a mais ou a menos ela saíria, de todas as formas possíveis, começou a ter raiva das falsas promessas e malditas juras de amor, jurou a si mesma que não faria mais juras, que não acreditaria mais, que não se deixaria levar, que não, que não...! Que ele era só mais um, não, ele não era só mais um, ele era o único a prestar atenção naquele vaso vazio, naquela expressão fechada, a lutar pelo maldito amor dela, que amor?! Que amor ela tinha AGORA?! Quem era ele para fazer tudo aquilo, conquistar sua maldita confiança restrita a tão poucos, quem era ele para destruir e reconstruir sua auto estima?! Quem era ele para que... Ela quisesse tanto lutar por aquilo que não queria perder.
Contudo a ideia de lutar por algo que não estava interessado nela era tão vulgar, risível, humilhante...
A música acabou.
Mas outra começava.
Então assim, seria...
Começou a garoar, tremia, apesar dos dias quentes as noites castigavam, encostada no muro espinhento esperava sua volta.
Então era daquele jeito que ela lutava por alguém? Disse a si mesma, riu ironicamente, era um pequeno gesto, mas mesmo assim, não poderia ser desconsiderado.
Começou a esfriar um pouco mais, já se passavam de uma hora da madrugada, agora ela realmente não se importava mais com nada que fossem dizer. Um dos os vizinhos do condomínio, ofereceu-lhe um pequeno cobertor velho para ela se agasalhar já que ela insistia em esperá-lo lá fora, contudo muito antes das nove o vizinho foi-se para casa.
Duas horas.
Três horas
Sentiu medo, por aquela hora ser vista como a hora que as coisas ruins vem a tona.
Quatro horas
Dormiu, sem querer.
Cinco horas
O portão aberto sem cuidado algum parece expelir o ser com cara de tacho amassada de sono que ao esbarrar no embrulho também expeliu algum tipo de palavrão.
Acordada quase que como um susto, segura a blusa como retalhos da finda esperança, sente a dor enquanto ele soca seu pulso e percebe quando as pupilas dele se dilatam ao percebê-la.
Sorri.
Ainda treme de frio...
-Por que...?Ele pergunta.
Ela não tinha preparado nada para dizer, não pensou em nada quando saiu de casa:
-Você lutou por mim. Sua garganta doía, contudo não mais que a dor qual derramava para fora e enfim começava a acalmá-la e fazê-la pensar direito, o que não queria, pois ás vezes coisas não pensadas antes apenas soltas são as certas.
Percebeu nele a dor também.
-O que você está fazendo aqui, viu o que eu fiz?! Vai arranjar problema pra mim, anda levanta vai para casa.
Ela balançou a cabeça negativamente:
-Não. Disse firme.
Ele suspirou, daqueles suspiros que dava quando estava mais do que chateado. O pulso doía mas ela tentou ignorar isso, não era importante naquela hora, contudo talvez, pudesse ser uma recordação caso não desse certo, não podia pensar desse jeito, não ainda.
-Você não me deixou dizer se queria ou não que você fosse embora, e agora eu estou aqui dizendo o que eu deveria ter dito á horas atrás! Que eu não quero que vá embora, que saia assim da minha vida sem dar as explicações, que você não tem o direito de me machucar assim, — Com certo esforço, pôs-se de pé e caminhou em direção a ele- porque um dia você, debaixo de uma chuva forte, me abraçou e disse que não me deixaria ir – O abraçou com força -e agora sou eu quem faz isso, EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊ IR! — Acalmou-se um pouco e continuou a falar:
“Então quando eu disser que a amo e a beijar, simplesmente não tenha duvidas!” Foi o que você escreveu pra mim uma vez, e desta vez você também me beijou, me deu aquele seu – não queria dizer último — beijo qual um dia você disse que se lembraria todas as vezes que o fizesse, entretanto, “Sabe, se um dia a gente tiver que partir que seja por vontade própria!” , foi o que você também escreveu... Então, — desfe-se do abraço e olhou nos olhos dele- cumpra as suas promessas garoto e se quiser volte para seu mundo preto e branco chuvoso que eu não volto para te incomodar, mas saiba que a porta, a maldita porta que você fez tanto esforço para abrir estará aberta, porque você não foi só mais um; Somos como um samurai e sua espada estivemos juntos em todas as guerras, mas o samurai não pode continuar se sua espada não quer lutar ao seu lado e um samurai sem espada...- sorriu com sarcasmo- Você entende não é?!
Um momento de silêncio. E ela continuou a falar:
-Se realmente quer isso, peço somente que me devolva todas as minhas coisas que estão com você, pois eu farei o mesmo. Contudo eu não fiquei aqui a noite inteira pra te deixar ir embora. É isso garoto, faça o que lhe der na mente, mas saiba que eu não quero deixá-lo ir. Deu vontade nela de virar as costas e caminhar a espera que ele segurasse seu pulso e tomando-a nos braços a beija-se, mas resistiu. Mais uma vez.
Esta autora numa hora dessas não sabe o que realmente o garoto faria, contudo, gostaria que fosse assim:
Então tomou-a nos braços naquele abraço, despreocupando-se com o tempo, beijando calmamente os lábios, sentindo as lágrimas quentes roçarem-lhe o rosto, o cabelo embaraçado entre seus dedos, a pele se arrepiar , foi o vento, diria ela mais tarde.
-Idiota. Disse ele.
Ela sorriu:
-Baka ne?!
Ele faltou ao trabalho naquele dia, ela não disse nada porque estava feliz, contudo ainda naquele dia encheria o saco dele por causa daquilo causando uma outra briguinha besta de casal.
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