Reencontros e Recomeços
8 07 - Sobre deixar o passado aonde ele pertence
Notas iniciais

“Quem você é não é o que você fez
Você ainda é um inocente.”
(Innocent — Taylor Swift)
Os raios do sol escaldante batiam na pele molhada de Sam fazendo-a brilhar, enquanto ela relaxava na água gelada da piscina. Um contraste encantador na opinião de Freddie, que a observava com o mesmo olhar apaixonado de sempre.
Ele estava do lado de fora da piscina, sentado em uma das espreguiçadeiras. Não sentia muita vontade de nadar no momento, preferindo apenas observar a namorada sendo uma sereia naquela água, -tão azul quanto os seus olhos-. Ao mesmo tempo em que tentava prestar um pouco de atenção no livro em sua mão.
Era incrível como Samantha sempre o hipnotizava!
Já fazia alguns dias desde o acontecimento no quarto. E por incrível que pareça, Sam se encontrava um pouco mais calma, ela sentia que havia feito a coisa certa ao escolher se abrir com Freddie sobre o bebê. Por outro lado, a preocupação do rapaz para com ela permanecia a mesma. Havia vezes em que ele nem ao menos conseguia dormir direito. Nesses momentos ele aproveitava para velar o sono da namorada, ou apenas pensar, principalmente em tudo o que ela havia lhe contado.
Para Freddie era difícil lidar com o fato de que a amada havia sofrido tantas provações, a ficha ainda não havia caído, e ele sempre se pegava pensando se as coisas não teriam sido diferentes para Sam se ele estivesse ali com ela, principalmente em relação ao aborto.
Se eles estivessem juntos, a gravidez ainda teria ocorrido?
E se aquele bebê fosse deles?
Teria sido doloroso de qualquer forma, mas pelo menos Sam não estaria sozinha nessa, ele estaria ali com ela, segurando sua mão, chorando junto...
E eram exatamente nessas horas que sua mágoa com Carly e Gibby aumentavam.
Já havia pensado em perdoá-los, na realidade já havia perdoado Gibby há tempos... mas quando sua mente repassava a reação do amigo durante a conversa séria que tiveram, algo dentro de si se revoltava. O mesmo podia ser dito sobre Carly, tendo em vista que a amiga havia escondido certos detalhes não antes contados, e novamente, a revolta aparecia.
Sorriu quando viu Samantha sorrir pra ele enquanto saia da piscina. Ele, por sua vez, desistiu de tentar lutar contra a falta de atenção e fechou o livro, o deixando de lado na mesa.
A loira parou a sua frente e ele a abraçou, descansando o rosto na barriga da namorada, que aproveitou para fazer carinho em seus cabelos.
—Devia entrar comigo, a água tá tão boa... -disse, e ele levantou a cabeça, olhando pra ela.
—Eu entro depois, ainda são oito da manhã a água tá muito gelada...
Sam riu.
—Bobão! -deu um selinho nele e se sentou em sua frente na espreguiçadeira.
—Sou mesmo, principalmente por você, baby.
Freddie disse em um tom sedutor e ela revirou os olhos mas foi inevitável não sorrir um pouco.
—Estou aliviada por aquele clima chuvoso ter passado, nunca vi a temperatura abaixar tanto em pleno verão...
—Pois é, mas isso é por causa das mudanças climáticas que são causadas pelas emissões de gases de efeito estufa que encobrem a terra e retém o... -Sam o interrompeu.
—Freddie, amor... olha, eu acho um tesão quando você começa a fazer seus discursos nerd, mas nós estamos na área externa de uma pousada em plenas férias...
Freddie deu uma risadinha.
—Verdade amor, foi mal... eu prometi que ia relaxar, né?
Ela assentiu, e aos poucos suas expressões descontraídas foram tomando uma forma mais séria.
—Eu... preciso falar uma coisa com você.
Freddie franziu o cenho, preocupado e pegou uma de suas mãos, enlaçando seus dedos.
—Pode falar, amor, estou te ouvindo.
Sam fechou os olhos e respirou fundo, parecia estar organizando os pensamentos. E então os abriu novamente, apertando a mão de Freddie.
—Desde aquela nossa conversa, eu tenho pensado muito em começar um tratamento psicológico... -Freddie arregalou os olhos surpreso, e a loira continuou- Eu andei pesquisando terapeutas em Los Angeles... e encontrei uma especialista em perda gestacional... eu marquei com ela, assim que eu voltar, vou começar a terapia. Eu percebi que eu preciso curar esse trauma... eu sei que eu nunca vou esquecer o meu bebê, isso é impossível, e eu nem quero. Ele é parte de mim! Mas, se eu quero mesmo ter filhos no futuro, não posso me lembrar do bebê que eu perdi sempre que olhar para a criança, não posso associar a perda a vida. -suspirou- E também não posso deixar que a minha perda me impeça de realizar o que eu quero, e eu quero muito formar uma família com você!
O moreno terminou de ouvir a tudo atentamente, e foi inevitável um sorriso não se formar em seus lábios.
Se sentiu aliviado com a decisão da amada, parte de sua preocupação para com ela pareceu sumir instantaneamente. E, claro, a felicidade ao saber que ela estava determinada a seguir em frente e investir em seu sonho ao mesmo tempo em que planejava um futuro com ele... era inevitável!
—Eu fico muito feliz e orgulhoso ao saber disso, amor. E eu quero que saiba que eu vou estar junto com você, te apoiando a cada etapa da terapia.
Ela sorriu.
—Obrigada, meu amor. Seu apoio é muito importante, eu sou mesmo muito sortuda por ter você!
—Não, Sammy, eu é que sou mesmo muito sortudo por ter uma mulher tão incrível e tão maravilhosa como você.
Ela lhe roubou um selinho.
—Nosso futuro vai ser lindo!
—Vai sim! -ele concordou e lhe beijou a testa.
E tão rápido como ondas se chocando na encosta, Sam se levantou e o puxou pela mão.
—Agora, vem cair nessa piscina comigo!
—Sam... -ele disse, rindo.
E o que quer que ele havia pensado para se recusar a nadar junto com ela, se tornou inútil quando ela o empurrou na água gelada e pulou em seguida. Freddie ficou surpreso com o gesto da namorada, mas começou a rir e a segurou quando ela caiu na água.
Havia um número considerável de pessoas no lugar, mas isso não os impediu de se beijarem avidamente quando ela se virou para encará-lo.
Quando namoraram na adolescência, muitos os criticavam por cometerem, o que consideravam, "demonstrações excessivas de carinho em público". Mas era inevitável não cometerem esse delicioso erro sempre que estavam juntos, a conexão que os unia era forte demais para dar algum lugar a razão.
{...}
Haviam passado a manhã inteira se divertindo como duas crianças na água gelada e quentinha da piscina, saindo apenas para tomarem banho antes de irem almoçar em um restaurante no centro, do qual servia a melhor comida japonesa de Lynnwood.
Sam se sentia extremamente feliz, não apenas pela viagem, mas por ter tido coragem de tomar uma decisão tão importante como aquela. Entender e aceitar que precisava de ajuda, foi o pontapé inicial para que sua fé no desejo de ser mãe voltasse a tomar forma dentro de si.
E claro, ter Freddie ao seu lado a proporcionando toda a confiança, carinho e proteção que ela precisava era simplesmente maravilhoso! Um combo duplo de felicidade, se isso não fosse muito brega de se dizer.
As vezes olhava para o namorado e se pegava pensando em como será quando eles tiverem o bebê deles. Ela tinha certeza que ele seria um pai incrível, disso não tinha dúvidas. Mas, como ele reagiria quando ela desse a notícia? Como seria se olhar no espelho e acompanhar o crescimento do bebê dentro de seu ventre? E qual nome eles escolheriam?
Eram tantos sonhos em apenas um... e ela mal podia esperar para realizar cada um deles.
No entanto, havia algo a preocupando.
Faltava apenas alguns dias para retornarem a Seattle, e isso significaria voltar a realidade.
Ainda não havia conseguido pensar em nada sobre o motivo que os levara até ali... apesar de, passado o choque, conseguir enxergar a situação com mais clareza.
Havia decidido que queria muito, conseguir perdoar os amigos, -principalmente Carly-, e seguir em frente. Mas a mágoa ainda era presente, e seu orgulho gritava para que ela não cedesse o perdão, pelo menos não tão facilmente.
Sentia que precisava conversar com Freddie sobre isso, não sabia ao certo se ele também já estava pensando sobre, mas era necessário.
Entretanto... não havia problema em adiar essa conversa e esses problemas por mais um tempinho, não é?
—Tudo bem, amor? -ele perguntou, segurando a mão dela.
Haviam saído do restaurante há poucos minutos, e agora andavam de mãos dadas pela rua, o clima da cidade era mesmo mágico, sem toda aquela agitação de Seattle.
—Tudo sim... sabe, eu estava pensando que a gente podia ir no cinema mais tarde, tem uns filmes bons em cartaz e a gente não vai em um desde a adolescência.
Freddie sorriu e passou o braço pelo pescoço dela.
—Pode ser, qual filme você quer ver?
—Hum, tô dividida entre Oppenheimer e The Crime Is Mine... mas não faço ideia de qual é melhor!
—Qualquer um que você escolher está bom pra mim. -deu um selinho nela, que sorriu.
—Ok... até a noite eu decido.
Caminharam mais um pouco e quando deram por si, estavam em uma feira literária na praça do centro. Havia vários livros espalhados em mesas e prateleiras. Crianças sentadas em puffs com livros infantis, adultos folheando algumas páginas de vários exemplares e adolescentes conversando sobre os romances clichês que queriam encontrar ali. Uma tenda azul cobria a atração, protegendo todos os presentes de eventuais chuvas que poderiam vir a cair.
Sam e Freddie se entreolharam e entraram na feira. Sam não era muito chegada a leitura, mas amava alguns livros escritos por Taylor Jenkins — Reid. Já Freddie, apesar de estar mais por dentro dos livros sobre empresas nos últimos tempos, tinha uma enorme paixão por literatura clássica; Charles Dickens e Machado de Assis eram seus autores favoritos.
Passaram um bom tempo ali, folheando alguns exemplares, conversando com algumas pessoas que ali se encontravam, Sam se ofereceu para pagar um livro para uma menina que não havia levado dinheiro suficiente. E no final, o casal saiu com duas sacolas cada um.
Ao saírem da tenda, perceberam uma outra feira acontecendo ali; uma de artes. Havia um homem tirando fotos analógicas de algumas pessoas e cobrando apenas cinquenta dólares pelo trabalho.
Sam olhou para Freddie como uma criança que tenta convencer os pais de uma boa ideia. Freddie retrucou várias vezes dizendo não ser confiável deixar que estranhos tirassem fotos deles.
—Ah, qual é Benson!
—Sem chance, Sam! A gente não conhece esse cara, vai que ele é um maníaco que usa fotos alheias pra vender pra esses sites bizarros?
A loira revirou os olhos.
—Ok se você não quer ir, eu vou!
E saiu andando em direção ao fotógrafo.
Freddie revirou os olhos mas seguiu a namorada, que estava na fila atrás de um casal com dois filhos.
Quando chegou a vez dela, Sam assinou um formulário preenchendo informações pessoais como; nome completo, telefone, email e endereço. E abusou das caretas nas fotos, como adorava fazer desde pequena. Mas também investiu nos "carões", fazendo poses mais sérias.
Freddie não pôde deixar de se divertir com a situação, seu sorriso alargava cada vez que ela fazia uma nova pose. De repente lhe passou pela cabeça que talvez sua recusa em participar da sessão não fosse apenas por questões de segurança, mas também porque talvez tenha se sentido enciumado por Sam estar posando para as lentes de outro fotógrafo, considerando que desde que reataram, só ele havia tirado fotos dela assim, de forma profissional -ou quase-.
Fez uma nota mental de que precisaria aprender fotografia analógica assim que possível.
—Deu tudo certo! Ele disse que em menos de um mês as fotos serão enviadas. -ela disse, ao retornar para perto do namorado.
—Que bom amor, só espero que essas fotos realmente sejam exclusivas suas.
—Elas são sim, o Harry é um fotógrafo sério, eu dei uma leve pesquisada enquanto eu estava na fila. Ele está no mercado há dez anos, é amigo da filha do prefeito daqui, tem mais de cinco mil seguidores no Instagram, perfil cinco estrelas no LinkedIn e nenhum processo no site da Suprema Corte.
Freddie se permitiu cair na gargalhada ao ouvir a "defesa" da namorada.
—E você chama isso de "leve pesquisada"? -fez aspas com os dedos.
Sam revirou os olhos, no entanto um sorriso se fazia presente no canto de sua boca.
—Sim, "leve pesquisada" -imitou o gesto dele.
—Ainda bem que você escolheu a carreira jurídica, amor, seus clientes e as causas deles estão seguros em suas mãos.
—Eu sei. Agora vamos logo, porque eu já estou me sentindo cansada com esse sol escaldante, quero descansar antes de ir para o cinema mais tarde.
Ele apenas assentiu enquanto ela segurava em sua mão e eles corriam juntos pela praça, prontos para voltarem para a pousada.
Não sem antes, claro, parar para comprar sorvete.
{...}
—FREDDIE, ME AJUDA AQUI.
Sam estava de frente para o espelho do guarda-roupa, terminando de se arrumar. Ela trajava um vestido solto de verão da cor preto e scarpins da mesma cor nos pés. Os cabelos estavam soltos, com a franja penteada para o lado direito.
—O que foi, amor? -Freddie, que há poucos minutos escovava os dentes no banheiro, se aproximou dela, parando ao seu lado.
—Fecha o zíper pra mim, por favor.
Ele assentiu e fez o que ela pediu; subiu lentamente o zíper do vestido, deixando um beijo em seu pescoço no final.
—Nerd... -ela sussurrou, fechando os olhos em aprovação.
—O que? -ele perguntou, no mesmo tom de voz usado por ela.
Ela apenas se virou pra ele e enlaçou seus braços em seu pescoço.
—Por que você sempre faz isso?
—Isso o que?
—Não perde uma oportunidade para me seduzir, ou para tentar...
Ele arqueou a sobrancelha.
—Você parece gostar disso, Cuteness...
Ela lhe lançou um olhar, do tipo que diz "responde logo", e ele deu uma risadinha, divertindo-se com isso.
—Mas, respondendo a sua pergunta: eu não resisto a você! E se eu não estou enganado, você também não resiste a mim, Princesa.
Sam caiu em gargalhadas.
—Mas como você é metido, Benson...
—Eu sou realista. Você também não perde uma única oportunidade para me atentar.
—Ah é? Então se isso é verdade, me cite três exemplos de quando eu fiz isso...
Ele assumiu uma expressão pensativa e ergueu o dedo indicador.
—Um: quando você me olha com esse olhar penetrante e sedutor que você sempre usa comigo, principalmente naquelas horas. -ergueu o dedo médio- Segundo: quando você me toca e me beija. -ergueu o dedo anelar- Terceiro: quando você usa essa boquinha linda para me chamar por apelidos -que apesar de eu ter passado boa parte da vida negando-, eu gosto.
Sam sorriu e segurou nas mãos dele.
—Ah, então o nerd pateta gosta dos apelidos, é?
—Você não faz ideia do quanto!
Ela deu um selinho rápido nele.
—Pois então eu vou usar isso contra você sempre que eu tiver oportunidade!
—Eu não esperaria diferente, amor.
Permitiram-se cair em gargalhada juntos e após as risadas cessarem, Sam segurou a mão de Freddie com mais força.
—Agora assume que você não resiste a mim.
A loira revirou os olhos em divertimento.
—Vamos logo seu bobo, antes que o filme acabe...
{...}
—Então, vai ser Oppenheimer mesmo? -perguntou Freddie.
Estavam na bilheteria do cinema, haviam chegado há poucos minutos e Sam passou o caminho inteiro da pousada para o cinema listando os prós e os contras dos dois filmes da qual sua escolha se encontrava dividida. O que a causou estresse, é claro, odiava ficar indecisa, considerava sua capacidade de escolha devidamente acertiva, uma de suas maiores qualidades.
Por fim, decidiu ir na onda das críticas especializadas.
—Sim! -ela confirmou, e ele quase levantou as mãos em sinal de agradecimento, o rapaz já estava começando a se sentir impaciente pela indecisão da namorada.
As duas adolescentes com blusas temáticas da Barbie na frente saíram da fila com seus dois ingressos e o casal deu mais um passo, agora assumindo o primeiro lugar na fila.
—O que vai ser? -a vendedora do outro lado da bilheteria perguntou.
—Dois ingressos para Oppenheimer, por favor. -respondeu Sam.
—Dinheiro ou cartão?
—Dinheiro.
A loira abriu a bolsa, retirando da carteira o valor total dos dois ingressos; vinte dólares. No caminho ela e Freddie combinaram que eles dividiriam as despesas do cinema; ela pagaria pelos ingressos e ele pelas guloseimas.
—Bom filme! -disse a moça após efetuar o pagamento e entregá-la os ingressos.
—Valeu. -o casal disse em uníssono e se dirigiu para a fila da pipoca, da qual estava enorme.
—Qual é... -choramingou Sam, e Freddie deu uma risadinha.
—Calma amor, já já chega a nossa vez.
—Espero mesmo...
Ele a abraçou pela cintura e ela sorriu.
A fila durou cerca de quinze minutos, e então a vez do casal finalmente chegou. Haviam optado por dois baldes de pipoca já que Sam queria a sua mesclada e Freddie apenas salgada. Já as bebidas, foram escolhidas um suco de pêssego e um suco de uva, a primeira opção sendo de Freddie e a segunda de Sam.
A loira também havia escolhido algumas balinhas e chocolates, deixando Freddie preocupado com a quantidade dos itens escolhidos e com o valor final da conta.
—Amor, precisa mesmo de tudo isso? -ele perguntou, e Sam revirou os olhos.
—Não é possível que você ainda é mão de vaca, Benson... mas se for um problema pra você, tudo bem, eu pago os doces.
Ele revirou os olhos.
—Não precisa, nosso combinado foi que eu pagaria por todas os itens alimentícios.
Ele disse, com um leve tom de ironia, e pegou o cartão, o colocando na maquininha, da qual havia passado em débito.
Sam colocou os doces na bolsa e segurou seu balde e seu suco, Freddie fez a mesma coisa.
Sam entregou os ingressos para o funcionário e entraram na sala, a segunda maior do cinema.
O Cine Lynnwood era o mais antigo cinema da cidade. Seu tamanho era adequado, nem muito grande e nem muito pequeno. Comportava cinco salas, sendo três delas enormes e no andar de baixo, as outras duas eram menores e ficavam no andar de cima, sendo destinada especialmente a filmes infantis.
Sam e Freddie escolheram se sentar na penúltima fileira de cadeiras. O moreno perguntou se ela tinha certeza se queria mesmo se sentar ali, considerando o grande número de pessoas que se sentaria na frente deles e possivelmente os impediria de ter uma boa visão da tela. Mas Sam o tranquilizou dizendo que as últimas fileiras possuem um certo "degrau", e por isso são um pouco altas.
Fora que, sentados no fundo, teriam mais privacidade para algumas carícias...
—Eu não entendo como você ainda é pão duro... tem um cargo excelente na maior loja de aplicativos do país, recebe um salário incrível, uma vida confortável... -disse Sam, enquanto abria a latinha e colocava o canudo dentro.
—É verdade... mas é porque eu fui ensinado a guardar dinheiro desde pequeno, e também nunca gostei de gastar muito, vai que surge uma emergência?
—Entendo amor, mas você tem que usufruir do que você conquista também... não é como se você fosse gastar todo o salário do mês, mas uma parte dele pelo menos... do jeito que você fala até parece que precisa contar centavo pra almoçar.
Ela deu uma risadinha, da qual ele também se viu contagiado.
—Eu sei... vou tentar ser mais "mão aberta". -fez aspas com os dedos e eles riram, trocando um selinho longo.
—Aí, lembra da primeira vez que a gente foi no cinema? -perguntou Sam, e Freddie ergueu os lábios em um sorriso.
—Sim... foi nosso terceiro encontro oficial como um casal!
Ela assentiu.
—Se eu não me engano o filme que a gente foi ver era um dos Vingadores...
—Capitão America!
—Sim! Só você pra me fazer querer assistir alguma coisa nerd...
Riram juntos por mais alguns segundos e então um breve silêncio reinou entre eles.
—Mas sabe que eu não me lembro de nada do filme? -perguntou ele, em tom malicioso.
—É mesmo? -ela retrucou, mantendo um falso ar de surpresa.
—Sim... uma certa loira maluca não me deixou concentrar!
Os lábios de Sam se entreabriram e suas sobrancelhas se levantaram, em uma falsa ofensa.
—Ora, acho que você esqueceu de mencionar que a loira maluca teve sua atenção roubada por um certo moreno nerd que não parava de beijar o pescoço dela!
As bochechas de Freddie se enrubesceram, em um claro sinal da vergonha que sentia. Sam tinha um efeito tentador sobre ele e sempre que ela dizia algo do tipo, era inevitável não se sentir exposto.
Não que fosse ruim, mas com certeza era sempre inesperado.
—E que culpa o moreno nerd tem se a loira maluca é tão irresistivelmente linda?
Bingo!
Agora eram as bochechas de Sam que estavam ruborizadas, e Freddie não podia deixar de se sentir vingado pela provocação.
Aquilo era um jogo, do qual amavam jogar, mas odiavam ter de perder.
Ainda tomado pelo bem-estar da vingança, o Benson se inclinou um pouco para a frente e roçou levemente os lábios nos lábios rosados de Sam, que por sua vez suspirou profundamente pela segunda provocação cometida.
—Você tá brincando com fogo, Benson... -ela murmurou, ainda com os lábios contra os dele.
—Talvez eu queira me queimar, Puckett!
Ela fechou os olhos, tentando se manter lúcida e racional, tentando lembrar a si mesma de que eles estavam em público na sala lotada de um cinema, prestes a assistirem o lançamento de um filme. Não era hora e nem lugar para qualquer coisa libidinosa que estivesse passando por suas mentes.
"Mas desde quando vocês precisam de lugar e hora adequados para se engolirem?"
Uma vozinha em tom acusatório se fez presente na mente de Sam, causando arrepios por todo seu corpo, suas bochechas aumentando o rubor.
Agarrando-se as últimas forças que lhe restavam, ela ignorou qualquer sensação despertada pelas provocações do namorado, e se afastou dele, erguendo as sobrancelhas em sinal de vitória ao ver a expressão decepcionada dele.
As luzes se apagaram e o branco do telão deu lugar aos trailers. Sam pegou o óculos 3D que estava no colo e o posicionou nos olhos.
—Bom filme, amor.
Freddie pensou em protestar, mas desistiu. Tinha de admtir que era sempre prazeroso perder para Sam.
Principalmente porque, ele tinha certeza que ela iria mudar de ideia assim que chegassem ao quarto.
{...}
—O que achou do filme? -Sam perguntou, andando pé ante pé na calçada, enquanto segurava a mão direita de Freddie, que rezava para que ela não caísse.
—Achei legal... nunca pensei que eu fosse gostar de um filme sobre bomba atômica.
Eles riram, a loira balançou as mãos unidas do moreno na sua, como uma criança.
—Tenho certeza que vai ganhar o Óscar de melhor filme e o Cillian Murphy de melhor ator no ano que vem.
—Seria mais do que justo.
Ela assentiu, concordando.
Sam deu um pulinho para descer da calçada assim que chegaram na fachada da pousada. Entraram e se dirigiram ao elevador.
Quando a porta se fechou, Freddie se pôs a observar a namorada. Sam estava linda, como sempre, mas nessa noite em específico ela irradiava uma luz diferente. Seus cabelos, tão dourados quanto a luz das estrelas que enfeitavam o céu, contratavam perfeitamente com o vestido tão escuro quanto a noite, -do qual ele pensou ser prazeroso de tirar e se perguntou se o tecido dele deslizaria fácil pela pele alva de Samantha.
Como uma vigilante, Sam captou seu olhar e o devolveu, sorrindo de canto, sedutoramente. Ela também umedeceu os lábios e parecia ler cada um dos pensamentos do namorado.
No entanto antes que qualquer um dos dois pudesse dizer ou fazer alguma coisa, a porta do elevador se abriu, e eles saíram a fim de entrarem no quarto.
A primeira coisa que a Puckett fez quando adentraram o recinto foi fechar a porta e ligar as luzes do abajur.
—O que você está fazendo, amor? -Freddie perguntou, se surpreendendo um pouco com as ações da namorada. Normalmente ela acenderia as luzes do quarto e reclamaria estar cansada, se jogando na cama em seguida.
Mas hoje ela estava... diferente, no mínimo.
—Achou que que fosse mesmo te deixar na vontade, gatinho? -ela desceu do elegante scarpin e foi até ele, que percebendo suas intenções, abriu seu clássico sorriso de lado, do qual ele sabia, ser capaz de fazer as pernas da loira bambearem. Ela se virou de costas e ergueu o cabelo, como fizera mais cedo. -Abre pra mim, por favor?
Ela disse com uma voz manhosa e Freddie sentiu vontade de gargalhar.
Será que ela realmente não percebia o quão era adorável?
—É claro.
E repetindo os gestos daquela tarde, ele abriu lentamente o zíper do vestido, e quando finalizou o processo, depositou beijos em toda a extensão do pescoço e costas da namorada, que extasiada, se virou para encará-lo; seus olhos azuis escuros pelo desejo.
Nesse momento não lhe restou mais nada a não ser descer as finas alças, -comprovando que sim, aquele tecido era fácil de se deslizar-, até que o vestido fosse apenas um pedaço de pano encostados nos pés da moça. Ele a encarou profundamente; o castanho de seus olhos denunciando o mesmo desejo que os azuis. Não importava quantas vezes visse Sam com roupas íntimas ou até mesmo sem nada, para ele era sempre como se fosse a primeira vez.
As marquinhas de nascença e do biquíni contrastando com a pele tão clara... era tão delicado e tão sexy ao mesmo tempo. Principalmente se for considerar o rosto angelical e as expressões serenas contidas nele. E o cabelo... era uma moldura protegendo aquela obra de arte.
Sam era uma obra de arte. A mais linda, mágica e encantadora.
E ele se sentia sortudo por ser o único a apreciar essa obra.
Com o sorriso ainda mais largo e apaixonado, ele a beijou profundamente, a abraçando pela cintura como sempre amou fazer, e sentiu quando ela introduziu a língua, correspondendo de forma ansiosa e tão apaixonada quanto ele à aquele beijo.
Também sentiu quando ela começou a abrir os botões de sua camisa, o que fez com que o beijo fosse cessado. Quando ela finalizou a tarefa, passou as mãos sob suas costas, o arrancando suspiros. E foi quando ela começou uma trilha de beijos que ia de seu pescoço até o tórax.
—Sammy... -ele gemeu, e isso a fez sorrir de forma marota. -Você está brincando com fogo!
—Talvez eu queira me queimar, Benson!
Ouvi-la repetir a mesma frase usada por ele no cinema o fez perder o restante da sanidade que ainda se fazia presente em sua corrente sanguínea, e em um movimento brusco, ele a pegou no colo. Sam deu um gritinho pela surpresa do movimento, mas enlaçou as pernas na cintura dele, o abraçando pelo pescoço em seguida.
—Cama? -ele perguntou, aos sussurros enquanto se perdia no azul dos olhos dela.
—Não precisamos ser tão tradicionais... -ela respondeu, no mesmo tom, e notando a expressão confusa dele, apontou com a cabeça para... o tapete no chão?
Freddie franziu o cenho, ainda mais confuso.
—Sem chance, a cama é bem mais confortável!
A loira revirou os olhos.
—Ah, fala sério... você não pensou nisso quando transamos naquele chuveiro dias atrás, até quis repetir a dose mais vezes.
Ele ruborizou com a fala da namorada, odiava quando ela tinha razão nesses casos.
—Fora que... -ela continuou- O tapete é bem confortável, já andei descalça nele algumas vezes... e também não vamos fazer direto nele né, podemos colocar um lençol por cima, sei lá. E ir pra cama depois, afinal, o que eu menos vou fazer essa noite é te deixar dormir, meu amor!
O moreno se enrijeceu ainda mais com os planos e a sugestão da namorada.
Não sabia porque ainda tentava argumentar com ela, principalmente nessas questões. Afinal, era sempre bom inovar um pouco, não é?
—Tudo bem, eu pego o lençol.
Ele a deixou novamente no chão e ela bateu palminhas em comemoração enquanto um sorriso se abria em seu rosto.
E, quando ele fechou o guarda-roupa após ter pêgo o bendito lençol, ela correu e pulou em suas costas, o que causou surpresa nele, que quase deixou o objeto cair no chão devido o choque do acontecimento. Mas logo um sorriso se abriu e ele segurou uma de suas pernas em volta de sua cintura.
Sam abaixou um pouco a cabeça, o inebriando novamente com sua respiração descompassada.
—Eu te amo. -sussurrou em seu ouvido, e ele sorriu.
—Também te amo, meu amor.
{...}
O relógio se aproximava das três da tarde. Sam penteava o cabelo no banheiro, ao passo que sua mente estava longe; em Seattle, precisamente.
Faltava apenas três dias para o retorno... e ela sentia que dessa vez, não haveria escapatória.
Ela e Freddie precisavam urgentemente sentar e conversar sobre tudo que isso implicaria.
Fechou os olhos, suspirando profundamente e largou a escova na bancada. Saiu do cômodo e entrou novamente no quarto; Freddie estava sentado na mesa mexendo em seu notebook com suas câmeras de filmagem e fotografia ao lado, havia também cartões de memória.
Sorriu. Ele ficava ainda mais atraente envolvido em sua "tecnologia nerd."
Se aproximou e ao notar a presença da loira, Freddie sorriu, chegando a cadeira um pouco mais pra trás para que ela se sentasse em seu colo.
—Ei... -ela disse, o abraçando. -O que você está fazendo?
—Estou colocando o cartão da câmera no notebook pra ver o resultado das fotos e dos vídeos. Vou passar as melhores para as pastas.
Ela beijou sua bochecha.
—Legal, me mostra?
Ele assentiu e então clicou em uma foto aleatória. Na imagem, Sam estava distraida com o celular na mão ao lado da porta do quarto.
—Ei! Não acredito que você tirou foto disso! -em meio a risadas ela dava fracos tapinhas no braço do namorado, que apenas se divertia com a situação.
Na ocasião, Sam e Freddie estavam chegando de mais um passeio quando a loira recebeu uma mensagem de sua amiga Cat, a noticiando de algo "extremamente urgente".
Ela havia descoberto que unicórnios não existem.
Samantha se enfurecera com a ruiva por tê-la preocupado "a toa", mas conseguiu se acalmar e digitar uma mensagem de conforto para a amiga, a dizendo que quando ela chegasse em Los Angeles elas passariam um final de semana inteiro juntas assistindo filmes e séries clichês.
Cat conseguiu se acalmar e enviou um áudio de quinze minutos agradecendo e dizendo o quão era feliz por ter Sam como a irmã mais velha que ela nunca teve. O que arrancou um sorriso sincero da loira.
—Ah amor, que culpa eu tenho se você estava tão atraente concentrada?
Ela levantou as sobrancelhas.
—É sério! Você fica extremamente sexy e até mesmo fofa, como consegue esse feito?
A loira apenas conseguiu rir da fala do namorado e se inclinou para dar um selinho rápido em seus lábios.
—Amor... você se importa em dar uma pausa rapidinho? Tenho que falar uma coisa com você...
Freddie olhou profundamente dentro das íris azuis, de alguma forma ele sabia exatamente o que ela estava querendo dizer, pois também estava pensando nisso ultimamente.
—Claro, pode falar. -colocou uma mecha de seu cabelo atrás da orelha, e ela sorriu.
—É que... falta três dias pra gente voltar de viagem... -ele assentiu- não acha que a gente precisa resolver aquele assunto de uma vez?
Ele desviou o olhar por alguns segundos e segurou sua mão direita, apoiada na coxa.
—Acho, acho sim.
Ela então, por sua vez, deu um meio sorriso e se levantou. Segurou a mão de Freddie e o puxou para que se sentassem no sofá da janela, um de frente para o outro. E respirou fundo, antes de começar a falar.
—Eu percebi que... eu quero muito, conseguir perdoar a Carly e o Gibby. -fez uma pausa e olhou fundo nos olhos de Freddie, aonde ela pôde ver compreensão. -Eles são nossos amigos... a Carly é a minha melhor amiga, Gibby é seu melhor amigo, eu peguei muito pesado com ele no passado... mesmo que o que ele fez seja nojento, ele teve os motivos dele. A única coisa que me puxa para trás nessa decisão é o fato da Carly ter mentido sobre as motivações dela quando eu a questionei, ela só acabou falando a verdade porque o Gibby pressionou...
Freddie analisou as palavras da namorada e respirou fundo.
—Isso é algo importante a levar em consideração, não é?
—Sim... e você, chegou a pensar nisso?
—Muito! A minha mágoa com eles tem aumentado muito a cada dia, principalmente depois do que você me contou... -fez uma pausa- eu não sei se eu vou ser capaz de perdoar eles, Sam... que direito eles acham que tinham pra se interferirem dessa forma no nosso destino? Eles nos prejudicaram não só como um casal mas de forma individual também! Podia ser tudo tão diferente... eu não me conformo, não consigo!
Sam não soube o que dizer diante da confissão de Freddie, então o abraçou. Tentou, através desse gesto, mostrar toda a sua compreensão e empatia. E quando ela o sentiu retribuir o abraço ao enlaçar sua cintura, ela sabia que ele havia entendido sua mensagem.
Findaram o abraço após poucos segundos, e quando voltaram a se encarar, o olhar do moreno demonstrava uma certa tranquilidade, ainda que essa emoção não fosse sua companheira no momento.
—Eu entendo, amor... e respeito seu sentimento.
—E eu também respeito o seu. É compreensível que você queira fazer esse esforço... só espero que eles não vacilem dessa vez!
—Eu acho que não, esse foi o único erro realmente grave deles... fora isso eles sempre foram ótimos amigos.
—É mas... quem garante que realmente não tem mais coisa escondida? Eu não vou mentir, eu até conseguiria perdoar o Gibby, mas quando eu lembro da forma como ele falou com você... não parecia que ele tinha superado, sei lá...
—Não precisa esquentar com isso, tá tudo bem... ou pelo menos vai ficar!
Freddie apertou a mão dela com mais força.
—É... eu espero!
{...}
Sam terminava de fechar a última mochila quando Freddie a abraçou por trás, cheirando seu pescoço. A loira sorriu e se sentiu enrijecer, seu corpo inteiro se arrepiando.
—Vou sentir falta daqui... passou tão rápido! -ela disse, se virando para enlaçar o pescoço do namorado.
—Eu também amor... mas vamos ter muitas outras oportunidades para viajar juntos. -deu um beijo na ponta do nariz dela.
Ela suspirou fundo e apoiou uma das mãos no peito dele, estava pensativa.
—Você vai estar comigo, não é?
—É claro, Sam, estamos juntos em todos os sentidos para sempre, lembra?
—Lembro, lembro sim. Só estou um pouco tensa...
Ele enlaçou suas mãos e beijou os nós dos dedos da namorada.
—Vai ficar tudo bem, eu garanto!
Ela sorriu e o abraçou.
Em poucos minutos estavam ambos no carro, em direção a saída de Lynnwood. Freddie dirigia concentrado e Sam tinha os olhos fechados e batia os pés no chão, sendo envolvida pela música do Fleetwood Mac que tocava, demonstrando fisicamente a agitação que sentia mentalmente.
Seus pensamentos estavam a mil, pensava que ao final da viagem ela estaria bem resolvida, sabendo muito bem como conduzir a situação com os amigos, o coração calmo e a mente tranquila. Mas na realidade, estava nervosa com a ideia de vê-los novamente. Havia decidido conversar com eles, mas não conseguia nem ao menos pensar em como essa conversa se sucederia. Apesar de tudo, sentia-se estranhamente calma, e concluiu que talvez essa deveria ser o que de fato significa ser uma pessoa bem resolvida.
{...}
A atmosfera do Bushwell pôde ser sentida assim que Freddie entrou com o carro na garagem. Ao descerem, deram as mãos e subiram juntos até o saguão, rumando ao elevador. O moreno pôde sentir as mãos da namorada suadas e sua respiração um pouco pesada. Não disse nada, mas se preocupava com o que ela pretendia fazer.
Quando finalmente chegaram ao oitavo andar, ele sentiu Sam apertar sua mão mais forte, e ele fez o mesmo, estavam ambos nervosos e apreensivos com o temido encontro. No entanto, o alívio foi tomado quando viram Spencer na porta do 8C, com algumas sacolas nas mãos.
—Oi Spencer. -cumprimentaram ao mesmo tempo, quando se aproximaram do mais velho, que imediatamente se virou para encarar quem o chamava.
—Ei galerinha!
O Shay deu um abraço nos mais novos, que sorriram com o gesto.
—Por onde vocês se meteram? Percebi a ausência de vocês e fiquei preocupado.
—Estávamos viajando, passamos duas semanas em Lynnwood. -disse Sam.
—É, não vai me dizer que não viu as redes sociais? Postamos algumas fotos de lá. -disse Freddie.
Spencer riu.
—Pois é, eu não estou tendo muito tempo de entrar na internet nos últimos dias, a nova exposição tá tomando meu tempo e a Inez esteve doente.
—Sério? E ela já está bem? -perguntou Freddie.
—Está sim, foi só uma gripe forte, acho que é por conta do fuso horário.
—É, deve ser.
—Mas que bom que ela já está bem, fala pra ela que o Freddie e eu mandamos um abraço. -disse Sam.
—Pode deixar.
—Bom Spencer agora se você não se importa, a gente precisa entrar, temos um monte de coisas pra guardar, um certo alguém se empolgou nas compras. -apontou discontraidamente com a cabeça para Sam, que percebeu a indireta e revirou os olhos em tom de divertimento.
—Ué, que culpa eu tenho se os preços naquela cidade são todos baixos?
—Tá certa, Sam.
—Viu Fredbag? O Spencer me deu razão!
Freddie apenas sorriu, e o mais velho não pôde deixar de achar graça na interação entre o casal. Desde sempre sentiu que algo iria acontecer entre eles algum dia, e quando eles terminaram anos atrás, ele simplesmente sabia que esse namoro iria ser restaurado no futuro.
Ver Sam e Freddie juntos era como ver o destino materializado, e ele se sentia como um pai orgulhoso sempre que testemunhava qualquer tipo de interação romântica entre o casal.
—Bom gente, vocês estão chegando e eu saindo.
—Ah, mas já? -reclamou Freddie.
—É, eu preciso levar esses materiais para o centro comunitário, eles estão precisando de doações.
—Pensei que não pudesse mais entrar lá. -disse Sam.
—É, mas isso foi antes da fama... de qualquer forma a expulsão só dura durante cinco anos.
—Interessante.
—É sim. Tchau galerinha, mais tarde a gente se vê.
—Tchau. -O casal se despediu em uníssono. Abraçaram Spencer e observaram ele cruzar o corredor até desaparecer de vista.
—Admito que eu estava com saudades dele. -disse Sam, ao abrir a porta.
—É, eu também.
Quando entraram foram direto para o quarto, aonde colocaram as mochilas e as duas malas de rodinhas no chão, se jogando na cama em seguida. Olharam para o teto, enquanto liberavam todo o ar presente nos pulmões, se sentiam realmente cansados. Apesar da viagem ser de curta duração, o fato de terem acordado cedo somado com o clima quente, típico do verão, era um fácil ladrão de energias.
—Seria muito chato se a gente dormisse agora? -perguntou Sam, ao bocejar.
Freddie riu, ele não podia negar que estava com vontade de fazer isso também.
—Bom, as malas não vão fugir...
Dessa vez quem riu foi a loira, que levantou o rosto para olhar para o namorado.
Eles trocaram um selinho curto antes de ela se aconchegar mais em seu peito e ambos os olhos se fecharem, os levando a uma dimensão reinada pela tranquilidade.
{...}
Sam andava de um lado para o outro na sala, em círculos, ao passo que lançava olhares furtivos ao celular em cima da mesa de vez em quando.
Já fazia dois dias que ela e Freddie haviam voltado de viagem, e nesse meio tempo havia pensado em métodos para a conversa que planejava ter com Carly e Gibby. No entanto nada lhe vinha a mente, parecia algo antinatural; perdoar, apesar de se sentir pronta para tal. O que a puxava para trás era o orgulho, tão bem conhecido e que sempre esteve ali, mesmo quando era uma garotinha.
Mas aquela garotinha havia dado lugar a uma mulher madura que preferia resolver os problemas ao invés de fugir deles, e conceder uma segunda chance a quem merecia. E bom, considerando toda a história que tinha com os amigos, talvez eles fossem sim merecedores.
Em um súbito de coragem agarrou o celular e rapidamente discou um número tão bem conhecido.
"Alô?"
A voz doce de Carly no outro lado da linha apresentava um quê de preocupação, o que fez com que Sam franzisse o cenho, confusa, mas logo permitiu que esse pensamento se dissipasse.
"Carly?... é a Sam."
Houve um silêncio, a única coisa que a loira conseguia ouvir era um pesado som de respiração, e por um segundo ela pôde visualizar os olhos arregalados da morena em profunda surpresa.
Quando enfim ela conseguiu dizer alguma coisa, era perceptível a ausência da preocupação anterior, da qual havia sido substituída pela profunda alegria.
"SAM? AH, MEU DEUS! SAM EU... Eu não estava esperando receber uma ligação sua!"
A Puckett não conseguiu evitar um leve sorrisinho.
"Pois é, nem eu esperava ligar pra você tão cedo..."
"Como você está?"
"Estou bem. E você?"
"Estou bem também, apesar de ter sentido muito a sua falta nessas últimas semanas."
"Entendi... aqui, eu preciso conversar com você e o Gibby, pode ser hoje?"
"Pode sim, eu vou estar em casa a partir das cinco."
"Beleza. A noite eu estou aí, e vou ver se ele também pode."
"Ok então, mal posso esperar!"
"Tchau."
"Tchau, Sam."
Ao desligar o celular, Sam sentiu uma sensação calorosa no peito... era como se estivesse começado a se libertar de um peso, do orgulho que há tempos a acompanhava.
Suspirou e buscou o outro número da lista.
"Sam?"
Gibby atendeu no mesmo tom de surpresa de Carly, apesar de ter tentado encobrir um pouco os reais sentimentos.
"Ei, Gibby. Tem um minuto?"
"Caramba, quanto tempo! Tenho sim, do que você precisa?"
"Você pode se encontrar comigo e a Carly hoje a noite no apartamento dela? Preciso conversar com vocês dois."
"Posso sim, mas que horas mais ou menos?"
"Umas seis? Acho que está bom."
"Tudo bem, as seis então."
"Beleza. Tchau, Gibson."
"Tchau, Puckett."
A loira desligou a chamada e voltou a andar pela sala, dessa vez com o celular na mão.
Agora que começou não havia mais volta!
Precisava se libertar desse peso por completo, caso contrário teria de lidar novamente com coisas mal resolvidas em Seattle.
{...}
Carly abriu a porta sorrindo ao ver Sam parada do outro lado. A loira por sua vez se encontrava mais séria, no entanto forçou um meio sorriso e entrou ao receber o convite.
—Fica a vontade. Gibby mandou mensagem dizendo que chega daqui a pouco, ele pegou transito.
A morena se dirigiu ao sofá e Sam fez o mesmo.
—Ok.
—E então... o que você têm pra me falar?
—É melhor esperar o Gibby chegar, o que eu tenho pra falar é com vocês dois.
Carly franziu o cenho, sentindo a preocupação voltar, no entanto preferiu relaxar e confiar.
Por dentro ela sabia, que não tinha muito o direito de desconfiar de Sam. Então sorriu, procurando disfarçar as emoções.
—Tudo bem, então.
Sam deu um meio sorriso, e rapidamente elas caíram em um silêncio constrangedor.
A loira encarava qualquer ponto do apartamento enquanto repassava em sua mente argumentos para a conversa. A morena ora olhava para suas unhas recém pintadas, ora observava a amiga.
Havia sentido muita saudade de Sam, e era impossível não se sentir ainda mais péssima sempre que pensava na amiga. Esperava poder reconquistar sua confiança e a convivência amigável que sempre tiveram.
—Você está diferente... -ela disse por fim, quebrando o gelo e despertando Sam de seus devaneios, que olhou para ela.
—Como assim?
—Não sei... mas você me parece diferente, mais... confiante?
Sam deu uma risadinha.
—Acho que é por causa das semanas sem me ver...
—É, talvez.
A Shay queria perguntar o que ela esteve fazendo nas últimas semanas... queria perguntar como estavam as coisas com Freddie, se ela está perto de voltar para Los Angeles, se já sabe quando volta à Seattle... mas se sentia insegura, devido aos acontecimentos da última vez em que se viram. Sabia que no momento era inviável fazer essas perguntas, e não queira forçar nada.
Como que um alento ás suas preocupações, a campainha tocou, e ela se levantou para atender.
—Oi Gibby, entra.
—Com licença, Carly. Oi Sam.
A loira se virou para encarar o amigo.
—Ei, Gibby.
—Bom, estamos nós dois aqui... o que você precisava falar? -disse Carly, ao retomar seu lugar na frente da loira no sofá, e Gibby se posicionou em pé ao lado Carly.
Sam respirou fundo.
—Olha eu não vou ficar fazendo rodeios; pensei bastante e cheguei a conclusão de que eu estou disposta a perdoar e voltar a conviver com vocês dois.
Foi inevitável o alívio não se tornar visível nas faces deles; Carly suspirou e um sorriso enorme se formou em seus lábios, lágrimas ameaçavam descer. Gibby sorriu e arregalou os olhos em surpresa.
Sentindo que essa era a sua deixa, Carly segurou as mãos de Sam, que sorriu de leve e cobriu a mão da amiga com a sua outra, um claro gesto de confirmação.
—Sam... você, você nem sabe como me deixa feliz ouvir isso! -desabafou a Shay, que imediatamente a abraçou- Muito obrigada, obrigada, obrigada!
—Tudo bem Shay, não se empolga muito.
—Obrigado, Sam.
—Que isso... não vale a pena se agarrar nessas coisas do passado... pelo menos não pra mim.
As duas amigas desfizeram o abraço e Carly enxugou suas lágrimas com as mãos.
—Mas o que te fez pensar assim? -perguntou o Gibson.
—Nada demais... eu só refleti e percebi que apesar disso, vocês sempre foram bons amigos e eu senti verdade no arrependimento de vocês. Fora que eu sou a última pessoa que deveria condenar os atos problemáticos de alguém... inclusive, eu queria te pedir perdão, Gibby, por ter feito tudo aquilo com você na época.
—Tá tranquilo, Sam, já te perdoei há tempos.
Ela sorriu, mas logo retomou a posição séria.
—Mas olha, se eu souber de mais alguma coisa não dita, não vai ter volta, ouviram?
Seu tom foi repreensivo e firme, Carly e Gibby engoliram em seco, entendendo perfeitamente o que aquilo significava.
—Fica tranquila, amiga, não tem mais nada! -Carly disse e voltou a segurar a mão de Sam.
—A única coisa que a gente fez foi aquilo, pode confiar!
—E eu vou.
Um pequeno silêncio seguiu após aquilo, os três amigos ainda absorviam o que acabara de acontecer ali.
—E o Freddie, Sam? -perguntou Gibby, por fim.
—O que tem ele?
—Ele não veio com você... ele ainda está bravo?
Sam respirou fundo antes de dizer alguma coisa.
—Eu não vou mentir, ele ainda está irredutível, e eu também não vou forçar nada, nem vocês deveriam. Sei que é uma situação ruim e difícil, mas ele tem os motivos dele e essa é uma decisão muito pessoal. Se algum dia ele quiser e se sentir pronto para perdoar vocês, simplesmente vai acontecer! Não se preocupem.
Carly e Gibby se entreolharam e abaixaram a cabeça, decepcionados.
—Entendi...
—E ele... ele está ok quanto a sua decisão? -perguntou Carly.
—Está sim, ele entendeu e respeitou.
—Isso é bom... -ela disse, voltando a sorrir levemente- admiro muito a forma como vocês lidam com as coisas.
—É muito maduro. -concordou Gibby.
—É, é sim. -Sam sorriu.
—Bom... -Carly se levantou, indo em direção a cozinha- eu vou fazer o jantar, querem ficar?
—Eu não posso, combinei de jantar com o Freddie, mas valeu pelo convite. -Sam respondeu e se levantou.
—Mas eu posso, não tenho nada pra fazer mesmo.
A Shay deu uma risada irônica ao mesmo tempo em que colocava a água para esquentar, iria fazer uma macarronada.
—Obrigada pela consideração, Gibby. Tudo bem Sam, mas vem jantar comigo algum dia desses.
—Relaxa, eu venho sim. Mas agora preciso ir, tchau galera.
—Tchau, Sam. -disse Gibby.
A morena correu até a sala após ter colocado o macarrão na panela e abriu a porta, abraçando a amiga em seguida.
—Tchau, loira.
—Tchau, morena.
E então Sam deu as costas, indo embora e ouvindo a porta ser fechada atrás de si. Se sentia bem consigo mesma, era satisfatório saber que finalmente estava conseguindo se libertar de tantas amarras.
Tomou caminho até o elevador e em poucos minutos se encontrava no oitavo andar.
Quando abriu a porta do 8D, Freddie estava assistindo Celebridades Embaixo D'água na televisão, sorriu. Ele virou o rosto em sua direção ao ouvir o barulho da porta.
—Ei amor, como foi lá?
Sam se sentou ao lado dele e encostou a cabeça em seu ombro, que por sua vez passou o braço por suas costas, a abraçando.
—Foi tranquilo... voltamos as boas e eu pedi perdão para o Gibby pelo o que eu fiz com ele naquele época, e ele me perdoou, disse que tinha me perdoado há tempos.
—Isso é bom, fico aliviado em saber que deu tudo certo.
—Deu sim. -ela ergueu a cabeça afim de olhar nos olhos do namorado- E, eles também perguntaram de você.
Freddie franziu o cenho.
—De mim? Como assim?
—Eles perguntaram o porquê de você não ter ido comigo... e deduziram que você ainda está bravo. -suspirou- E eu confirmei, disse que você tem seus motivos e que eu não iria forçar, pedi para que eles fizessem o mesmo.
Ele sorriu aliviado.
—Obrigado, amor. -enlaçou seus dedos.
—Você não tem que me agradecer, eu é que tenho que te agradecer por estar me apoiando nisso, apesar da sua posição em relação a eles.
—Não tem não Cuteness, você também tem os seus motivos, e a gente não precisa concordar com tudo, está tudo bem.
Ela sorriu e deu um selinho rápido nele.
—Te amo.
—Também te amo.
Dessa vez foi ele quem deu um selinho nela, e ao findar dele, Sam se levantou, o puxando pela mão para que ele se levantasse também.
—Mas agora vamos jantar, que eu estou morrendo de fome!
—Novidade... -ele ironizou e Sam deu um soquinho em seu ombro, o que o arrancou risadas.
A loira se dirigiu ao quarto para pegar sua bolsa e quando voltou, Freddie abriu a porta para que saíssem.
{...}
—Essa é a minha linda namorada. O nome dela é Samantha e ela tem um oceano nos olhos.
Freddie estava com a câmera de filmagens posicionada na direção do rosto de Sam, ela se encontrava sentada em sua frente no lado oposto da cama, ao passo que ele estava encostado na cabeceira. A loira por sua vez tinha as bochechas ruborizadas pela vergonha prazerosa de estar sendo filmada, usava uma almofada para cobrir seu rosto as vezes.
—Para, Freddie! -ela pedia, entre risadas.
Era a tarde de um sábado, Sam e Freddie aproveitavam o sol que entrava pela janela, descontraídos, tinham acabado de fazer amor há poucos minutos, o que permitia que as roupas íntimas fossem as únicas presentes em seus corpos.
O Benson pegou a câmera logo após ela ter mudado de lugar na cama afim de ficar mais próxima das rajadas de sol, seu simples movimento de prender o cabelo e seus olhos fechados foi o que bastou para que ele quisesse registrar aquele momento.
—E por que eu pararia?
—Porque sim!
—Porque sim não é resposta. -ele cantarolou de forma irônica e Sam jogou a almofada nele, caindo na gargalhada em seguida.
—Olha só você... toda envergonhadinha, já te disseram que você fica fofa assim? Suas bochechas ficam vermelhinhas e você começa a sorrir igual uma criança. -ele declarou de repente e as risadas de Sam foram cessando aos poucos- Tão delicada com esses fios escapando do coque e a franja jogada para o lado... o sol fazendo seu cabelo e seus olhos brilharem mais ainda... e o contraste da lingerie preta; você absorvendo e ao mesmo tempo refletindo calor... é pura poesia! Como eu não vou registrar isso?
A única reação que Sam teve ao ouvir aquelas palavras foi sorrir, gostaria de ser capaz de proferir alguma coisa para externalizar o quanto ela amava essas declarações, mas nunca as encontrava, parecia que nenhuma palavra, por mais linda que fosse, jamais seria capaz de traduzir todas as emoções que Freddie a fazia sentir. Ele sabia como chegar no mais profundo de sua alma, sempre fora assim, e ela achava maravilhoso ter alguém em sua vida que a amava e a conhecia tão intimamente.
Achava mais maravilhoso ainda, esse alguém ser Freddie.
Olhava dentro das íris castanhas e se perdia na imensidão delas, era como se pudesse assistir toda a história, toda a trajetoria deles sempre que olhava nos olhos do amado. Amava isso. Amava todo o fio do destino que os permitiu chegar aonde chegaram!
De crianças implicantes à adultos apaixonados... era impossível não sentir orgulho dessa história.
Sorriu largamente, ainda com os olhos úmidos pela emoção, e engatinhou até Freddie, -que seguia filmando cada movimento da namorada-, se sentando em sua frente e inclinando-se para agraciá-lo com um selinho.
—Te amo. -disse, por fim.
—Também te amo. -ele respondeu, acariciando o rosto dela com uma mão enquanto segurava a câmera apontada para eles com a outra.
—Mas, -ela disse, se afastando- está na minha vez de te filmar!
Ela pegou a câmera e a posicionou na frente do rosto do namorado, que por sua vez não escondeu a surpresa, levantando levemente as sobrancelhas.
—É sério, amor? -perguntou, estava acostumado a tietar a namorada, mas não o contrário.
—É sério sim! Você vive fazendo isso comigo, por que eu não posso fazer isso com você também? Você é lindo, amor!
Dessa vez fora Freddie quem tinha as bochechas ruborizadas, mas não evitou achar graça na situação, rindo em seguida.
—E essa risada? Sempre me hipnotizou! É tão fofo seus olhos se fechando por causa das risadas, parece até um garotinho travesso!
—Ok Puckett, já chega!
Ele a puxou pelo pé direito, a fazendo deslizar pela cama até estar bem próxima dele, o que a arrancou risadas. No entanto ela não parou de filmar, ao invés disso se sentou ao seu lado e posicionou a câmera para eles.
—Vamos falar alguma coisa para os nossos futuros filhos!
—E o que exatamente vamos falar? -a abraçou pela cintura.
—Humm... que tal sobre como o pai deles é nerd?
Ele riu ironicamente.
—Engraçadinha. Imagina se eles descobrem que a mãe deles era valentona na época da escola?
Ela olhou para ele por meros segundos, e depois voltou a olhar para a câmera.
—Ah, mas nenhuma dessas coisas é novidade se a gente parar pra pensar... uma hora elas iriam descobrir, principalmente a primeira.
—Como assim?
—Ué amor, eu tenho certeza que você vai introduzir eles nos seus assuntos nerd desde cedo, já aceitei que vou ter pelo menos mais um nerdzinho na minha vida!
Ele riu e beijou o topo da cabeça dela.
—Tá vendo meus amores? Como a mãe de vocês é? Ela fala essas coisas mas ama meu lado nerd, a prova disso é que ontem nós fizemos uma maratona dos três primeiros filmes de Guerra nas Galáxias, e a ideia foi dela!
A loira deu um tapa nas costas dele enquanto gargalhava.
—BENSON! Não me expõe desse jeito para os nossos filhos, eu ainda tenho uma reputação a zelar!
Eles ficaram alguns segundos imersos em gargalhadas até que elas cessaram e eles voltaram a olhar para a câmera.
—Agora falando sério meus amorzinhos, -Sam continuou- a mamãe ama muito vocês! Mesmo sem conhecê-los ainda. Eu mal posso esperar para ver seus rostinhos e saber seus nomes, penso todos os dias na vida maravilhosa que nós vamos ter pela simples presença de vocês nela. Quando assistirem a esse vídeo, tenham em mente que vocês sempre foram imensamente desejados e imensamente amados! Nunca se esqueçam disso! -olhou para o moreno ao seu lado- E nunca se esquecam também que, apesar do que lhes foi mostrado aqui, os pais de vocês se amam infinitamente, e que é por causa desse amor que vocês nasceram! Nós apenas temos um jeitinho um pouco... peculiar de demonstrar.
Freddie sorriu emocionado pelo discurso da amada.
—É isso aí meus amores, ouçam bem as palavras da mamãe, vocês já são muito amados por nós. Saibam que somos um casal muito feliz pelo fato de sermos os pais de vocês, mal podemos esperar para finalmente conhecê-los! O papai ama muito, muito vocês e tem muito orgulho de cada um, não importa o que aconteça!
O casal se olhou, ambos emocionados, e logo retornaram para a câmera.
—Amamos vocês! -disseram em uníssono, e em seguida desligaram a câmera.
Freddie colocou o objeto na mesa de cabeceira ao seu lado e Sam se aconchegou nele, ambos ainda encostados na cabeceira sob o apoio de travesseiros. Ficaram alguns minutos em silêncio, enquanto ele carinhosamente afagava os cachos loiros; duas mechas sendo enroladas em seus dedos. Samantha fechou os olhos, com a intenção de aproveitar melhor aquele carinho, amava esses momentos. Inconscientemente se aconchegou mais ainda no namorado, como se tentasse prolongar aquele dia por mais tempo.
—Não acredito que eu já tenho que voltar amanhã... -desabafou, tentando controlar a vontade de chorar. -Esses dois meses passaram tão rápido, não quero que as férias acabem, não quero ficar longe de você!
Freddie sorriu, enquanto passava o carinho para o rosto dela, acariciou-lhe a face e beijou-lhe a cabeça, havia esperado todos esses meses para contar a notícia que viria a seguir.
—Não se preocupe quanto a isso, meu amor.
Ela abriu os olhos, levantando o rosto para encara-lo.
—E como não vou me preocupar? Nós vamos nos separar e só nos ver de novo daqui a não sei quantos meses... -bufou- isso é tudo culpa sua, Nerd, eu não deveria ter aceitado aquela sua ideia maluca! Eu sabia que ia sair machucada...
Freddie sentiu vontade de rir, mas se conteve. "Ela nem imagina..." Pensou.
—Você não vai se preocupar depois do que eu te disser... -segurou a mão dela e entrelaçou seus dedos.
—E o que você vai me dizer?
—Resumindo: vou me mudar para Los Angeles! Vamos ficar perto um do outro e dessa vez pra valer. -beijou-lhe os dedos.
Sam se levantou em um sobressalto, sentando-se ereta na cama. Piscou os olhos algumas vezes em tom de surpresa e sentia seu coração acelerado, quase disparado.
—O-o-que? M-mas como? Freddie... Freddie eu disse pra você que eu não queria que você abandonasse a sua vida aqui por minha causa! E você fala isso com uma calma... -bufou, desviando o olhar rapidamente para a frente. Fechou os olhos por alguns segundos.
Notando o nervosismo da namorada, o moreno delicadamente segurou seu queixo para que ela olhasse para ele. Segurou suas mãos novamente e tomou fôlego, assumindo uma expressão mais séria.
—Amor, calma... eu ainda não falei nem metade do que preciso falar. Eu fui promovido, estão precisando de alguém no comando da Pear Company da Califórnia e me indicaram, -pelo meu excelente trabalho como gerente da Pear Store de Seattle-. A sede fica em Los Angeles, eu recebi o convite um mês antes de me reencontrar com você e a gente reatar. Eu fiquei de pensar porque, apesar da oferta ser ótima, eu me sentia preso a essa cidade, sei lá porque... talvez seja por causa da minha mãe, ou porque eu trabalho na Pear Store há muito tempo, foi o lugar onde eu fiz estágio, me fiz profissionalmente... acho que uma parte de mim sentia que devia algo a essa empresa. Mas agora, -acariciou-lhe a mão- eu tenho um motivo mais do que especial pra aceitar seguir em frente. Sam você, mesmo sem saber, me incentivou a isso, e só tem me incentivado positivamente, não só agora, mas desde sempre. Eu não estou abandonando a minha vida por sua causa, eu estou me permitindo viver, por sua causa!
A essa altura os olhos de Sam se encontravam marejados, e ela suspirou, aliviada. Apertou as mãos de Freddie com mais força e beijou-lhe o rosto.
—Então é por isso que você estava tão tranquilo, desde o início... foi por isso que você propôs esse plano... ah, Freddie!
O abraçou e deixou que as lágrimas saíssem como cascatas de seus olhos. O moreno por sua vez retribuiu fortemente o abraço, e enterrou o rosto nos fios dourados. Alívio sendo tomado pelos ares. Mas sobretudo felicidade, verdadeira, plena e duradoura felicidade.
—Sim, meu amor... nunca foi só um plano maluco!
Ela saiu do abraço e ele aproveitou para secar suas lágrimas com as mãos.
—Mas, por que demorou tanto para me contar?
—Porque eu quis te fazer uma surpresa... e tem mais uma coisa.
—O que?
—Eu vi essa mudança pra Los Angeles também como uma ótima oportunidade para colocar aquele plano em ação... -ele fez uma cómica expressão misteriosa e Sam deu uma risadinha, entendendo aonde ele queria chegar.
—O da sua empresa? Amor, você finalmente vai tirar ela do papel? -Ele apenas assentiu, e a loira deu um gritinho em comemoração, o abraçando rapidamente em seguida. -Meu bem, mas essa é uma das melhores noticias que você poderia me dar! Finalmente você vai realizar o seu sonho de infância!
—Sim, minha princesa. Eu fiz umas pesquisas e percebi que Los Angeles é a cidade perfeita pra isso, principalmente pelo fato de que a especialidade do turismo e da maioria dos empregos são da área das artes, as empresas do ramo da tecnologia são muito poucas.
—Ai que sexy, meu aquariano visionário!
Freddie riu.
—Desde quando você acredita em signo?
—Ah, sei lá... tô muito empolgada pra falar disso agora! Freddie você... nós... o futuro tá mesmo acontecendo!
—Ele já aconteceu, minha Princesa Puckett! Desde o dia em que a gente se reencontrou naquele corredor.
—É verdade... e quando você vai?
—Daqui há dois meses.
—Ótimo! Vou preparar tudo lá em casa, você vai morar comigo!
—Isso é um pedido de casamento, Puckett? -ergueu as sobrancelhas.
—Interprete como quiser... -enlaçou seus braços ao redor do pescoço dele- mas eu só quero juntar o útil ao agradável! Por que ficar em hotel ou alugar um apartamento tendo uma namorada linda e gostosa como eu na mesma cidade que você?
—Concordo plenamente!
Ele a beijou e a puxou para seu colo.
{...}
A atmosfera do aeroporto se apresentou familiar a Sam dessa vez, de repente já não era mais estranho a ideia de retornar a sua cidade natal. Aquelas férias a haviam mudado internamente e agora ela sabia, ela tinha certeza, de que uma parte sua viveria para sempre em Seattle.
Havia se despedido de todos mais cedo. Tomou café com Spencer e Inez, almoçou com Carly, ligou para Gibby e depois retornou ao apartamento de Freddie, afim de terminar de arrumar suas malas. Seu vôo estava marcado para ás sete, conseguiu deixar tudo pronto com três horas de antecedência e se admirou por isso.
Olhou para as suas mãos entrelaçadas com as de Freddie enquanto andavam pelo aeroporto após ter despachado as malas. Se sentia tão maravilhosamente bem por ter acertado as coisas com ele, e se sentia melhor ainda quando se lembrava que em apenas dois meses estariam juntos para sempre.
Em apenas dois meses começaria uma nova etapa em suas vidas; a definitiva!
O calor em seu peito era inevitável sempre que se lembrava disso.
—FaceTime toda noite? -ele perguntou, a tirando se seus devaneios.
—Claro que sim. As oito?
—Pode ser.
Sorriram um para o outro, e então puderam ouvir a tão aguardada e temida voz no autofalante:
"Senhores passageiros do vôo com destino a Los Angeles, Califórnia, por favor, se dirijam ao portão dez para embarcar."
Sam apertou a mão de Freddie com mais força, e juntos, eles seguiram até o portão.
—Tchau, meu amor. -disse Sam, já com lágrimas nos olhos.
O Benson beijou-lhe a testa, ao mesmo tempo em que secava suas lágrimas.
—Tchau, minha querida.
—Vou sentir saudades!
—Eu também vou, muitas! Mas pensa que em dois meses vamos estar juntos de novo, e dessa vez sem despedidas!
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Sorriram e se beijaram apaixonadamente. Durante o beijo, foi impossível para Freddie continuar se fazendo de forte, então ele permitiu que as lágrimas escorregassem de seus olhos, assim como Sam.
Ao findar do gesto, encostaram novamente as testas por questão de segundos e então foi inevitável; Sam deu as costas e puxando a única mala permitida que lhe acompanhasse durante a viagem, entrou no portão, rumo a seu destino.
Freddie observou atento, como se pudesse protegê-la até ela sumir de sua vista. Já estava sentindo muitas saudades de sua loira.
—Dois meses... -ele sussurrou para si mesmo, como uma promessa.
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