Notas iniciais
Bom dia/tarde/noite Eu tinha combinado de postar o capítulo às 15:00, mas fiquei sem internet o dia todo. De qualquer forma, aqui está o segundo capítulo. Gostaria de agradecer ao LucasLo00, à NathGomes e à Rosa de Oliva pelos comentários no capítulo I, vocês me ajudaram bastante. Boa leitura, pessoal! Vejo vocês dia 27/02, no capítulo 3.

— Despertou? Deus? Desculpe, mas eu não sei quem são vocês, o que andaram usando ou sei lá o que. Obrigado por ter me salvo, mas eu preciso voltar pra casa agora. — Respondo, desconfiado.

— Você sabe que estamos falando a verdade. Você já sentiu o despertar. Você é o deus da lua: Tsukuyomi.. Isso é inegável. — O rapaz, Raiden, argumenta. — Mas vamos dar o tempo que você precisa pra assimilar isso tudo. — Ele continua; em seguida, me entrega um cartão com um número de telefone. — Se surgir outro problema, por favor, me ligue. É importante.

Quando saio pela porta, noto que estou em um prédio, na região central de Tóquio. Vou andando em direção ao elevador olhando meu reflexo nas janelas do edifício: ainda estranho um pouco o cabelo branco e brilhante que tomou lugar do meu cabelo normal.

O elevador está vários andares abaixo e demora um pouco para chegar. “Como se eu já não tivesse responsabilidades o suficiente, descubro que sou uma espécie de deus. Era o que me faltava.”, penso enquanto assisto as luzes do elevador mudando de acordo com o andar. “Infelizmente não posso simplesmente negar o que foi dito; não depois de ver aquilo que me atacou.”, discuto em silêncio, e o elevador finalmente chega.

Quando as portas se abrem, há outra pessoa dentro: um jovem, da minha idade, com o rosto parcialmente coberto pelo capuz da blusa de frio. Entro no elevador e pressiono o botão do térreo. O tranco do elevador me força a firmar os pés no chão, mas a descida é tranquila.

Subitamente, sinto uma ferroada e levo a mão ao pescoço: sinto um pequeno objeto de vidro cravado na minha pele. Uma agulha. Fui envenenado. Quando viro para trás para atacar o jovem, minha visão escurece rapidamente e desabo no chão do elevador.

[...]

— Ele ainda está apagado? — Ouço uma voz perguntando.

— Acho que está acordando. — Outra voz, estranhamente familiar, pergunta.

Tento me levantar, mas sinto meu corpo imóvel. Quando olho para meus pulsos e pés, eles estão presos por amarras de couro.

— Quem são vocês?! — Grito, usando toda a minha força para me libertar, e sinto as amarras começando a relaxar.

— Mizuki, se acalme. Você está no dojo. — A voz soa seca. Quando foco minha visão em quem fala comigo, sinto meu coração gelar: os olhos indiferentes do ancião me encaram.

— Ancião? O que está acontecendo aqui? — Esbravejo, e consigo libertar um dos meus braços.

— Eu já mandei se acalmar. — Ele me reprime. — Isso é só uma medida de segurança. Um dos meus subordinados que estava te seguindo viu você sendo atacado, depois, seguiu as pessoas que te levaram até aquele prédio e te trouxe de volta pra cá. Você é perigoso demais pra cair nas mãos erradas.

— O que quer dizer com isso? — Questiono. — Você sabe alguma coisa a respeito de quem, aliás, do que eu sou?

— Não sei o que está insinuando, mas você está proibido de deixar esse dojo até segunda ordem. — Ele responde desconcertado, e começa a sair pela porta.

— Então é verdade que eu sou um deus? — Falo, e ele interrompe seus passos imediatamente.

— Quem lhe contou isso? — Ele pergunta calmamente, mas soa extremamente ameaçador.

— Eu não vou dizer nada enquanto estiver amarrado nessa droga! — Retruco. O ancião apenas dá de ombros e continua saindo pela porta.

Alguns minutos depois, meu pai entra. Ele olha para os lados para se certificar de que não está sendo observado e começa a desfazer as amarras rapidamente.

— Eu preciso te tirar daqui agora. Eu não queria que tivesse chegado a esse ponto, eu devia ter lhe contado antes. — Ele começa a dizer, e no lugar da gentileza habitual, ouço nervosismo na sua voz.

“Então até meu pai sabia disso e não me disse nada? O que mais essa maldita família está escondendo de mim?”, penso.

Seguimos silenciosamente até o carro do meu pai, e assim que entramos ele imediatamente dá partida.

— Então, você pode por favor me explicar que merda é essa que está acontecendo? — Finalmente pergunto, quebrando o silêncio.

— Está na hora de você saber do dever sagrado da nossa família. — Ele responde, sem tirar os olhos do volante. — A muitos séculos atrás, o mundo estava beirando um colapso. Estávamos passando por uma guerra entre as forças do equilíbrio, e o caos estava ganhando. Foi quando um ancestral da sua mãe decidiu lutar pela ordem, e com suas últimas forças, ele prevaleceu. Desde então, nossa família luta pelo equilíbrio.

— É uma bela história, mas o que diabos tem a ver com deuses e monstros? — Pergunto.

— Tem tudo a ver, Mizuki. Os deuses são quem mantém a ordem, e os monstros, ou youkais*, são quem mantém o caos. Essa é a eterna guerra do equilíbrio. — Ele continua explicando. — Assim que souberam que você é, bem... O que é, os anciãos passaram a te vigiar, e até mesmo te prender se necessário, para não te acontecer o mesmo que aconteceu com sua mãe. Mas eu não posso deixar eles te trancafiarem dessa forma.

— Minha mãe? — Sinto um nó se formando na minha garganta — O que ela tem a ver com isso?

— Sua mãe era como você, Mizuki. Ela era uma deusa. — Ele responde; o carro vai ganhando cada vez mais velocidade enquanto se aproxima da nossa casa.

[...]

Mal chegamos em casa e meu pai vai correndo em direção ao quarto. Ele volta com uma mochila e uma caixa retangular.

— Sua mãe e eu guardamos isso desde o dia em que você nasceu. — Ele diz e me entrega a caixa. — Ela apareceu do nada no seu berço. Um presente da lua, reconhecendo seu soberano.

Quando abro a caixa, me deparo com uma katana* branca, com uma lâmina tão brilhante que franzo a testa enquanto me adapto com sua luz.

— É linda. — Comento, segurando a arma nas mãos. É extremamente leve, mas sinto como se pudesse cortar qualquer coisa.

— Agora precisamos ir. Vou deixar você com aquelas pessoas que te salvaram e tentar conversar com os anciãos. — Meu pai diz, e saímos de casa.

Quando passamos pela porta, um grupo de seis samurais do dojo nos espera, junto com os três anciãos.

— Se derem mais um passo, eles estão autorizados a atacar. — Anuncia o ancião, referindo-se aos samurais.

— Takashima, por favor! Me deixe levá-lo. Se o caos atacar novamente, ele não estará seguro no dojo. — Meu pai argumenta.

— Mesmo assim, se ele deixar a entidade se descontrolar, ele pode levar metade de Tóquio pro além. Ele precisa ficar no instituto. — O ancião retruca.

— Aquelas pessoas que salvaram ele, eles também são deuses. Eles podem ensiná-lo a controlar esse poder. Além disso, eles podem mantê-lo seguro. — Meu pai diz.

Os anciãos se entreolham por alguns instantes, e chegam a uma decisão:

— Tudo bem. Ele pode ir. Mas com uma condição. Haru! — Ele chama, e um dos samurais se apresenta. — Ele vai ser acompanhado o tempo todo por um dos meus subordinados.

O samurai é um jovem da minha idade, com cabelos pretos e olhos acinzentados. O mesmo jovem do elevador.

— De acordo. Agora precisamos ir, os youkais podem tentar atacá-lo a qualquer instante. — Meu pai diz, e entramos no carro, acompanhados pelo jovem samurai.

— Oi. Espero que não se importe de eu acompanhá-lo. — Ele diz. Sua voz é suave.

— Só se não enfiar uma agulha no meu pescoço de novo — respondo, e ele ri, desconcertado. Enquanto isso, meu pai dirige rumo aos outros deuses.

Notas finais
Glossário: Youkais: antigos espíritos japoneses. E aí, o que acharam? Lembrem-se de deixar comentários, eles me ajudam muito e vou ficar muito feliz em respondê-los. Até o próximo capítulo, beijos ♥