Reel - O Dom
1 Prólogo
Notas iniciais
Passei a mão por seus ombros e soltei um suspiro.
- A partir de agora, você é a coisa mais importante para mim, á coisa mais bonita, a mais valiosa. – disse.
5 anos depois.
Olho para o ambiente em volta. Totalmente vazio, escuro e cheio de espelhos. Quando eu era pequena, isso parecia ser um lugar agradável, agora, que não tem as garotinhas, o rádio e a professora francesa, parece ser um lugar assustador.
- E então, nós vamos ou não? – perguntei.
- Claro que não! – respondeu Jessy, levantando os óculos.
- Vamos, por favor, não posso ir sozinha! Anne? – olhei para ela com um ar de esperança.
- Eu topo! Vamos, com toda certeza!
- Ah gente, estão falando sério? Depois daquele acontecimento passaram a falar que este lugar é mal assombrado, não queremos arriscar, certo?
- Queremos.
Ela fechou os olhos. Parecia tremer.
- Você não está realmente acreditando nessa história, está?
- Estou! Mesmo a ciência não tendo provado isso, muito menos estar na palavra de Deus, sempre dá um pouco de medo!
- Bom, já que não está na palavra de Deus e também a ciência não provou, pra que ter medo?
Ela suspirou.
- Tudo bem... vamos entrar.
- Isso! – exclamei.
Começamos a andar passo por passo em direção á porta. Certo dia, uma professora que dava aula foi assassinada por algo bizarro, junto com todas as suas alunas. Depois disso, houveram boatos de que a professora e as garotinhas, sempre que alguém entra na sala, começam a culpar as pessoas que entram dizendo ‘’ Por que você fez isso? ‘’ ou ‘’ Vai queimar pelo que fez!’’.
Dez de então, ninguém entrou mais lá.
Abrimos a pesada porta. Lá dentro, a única coisa que podíamos ver era cantos com teias de aranha e bastante pó. Comecei a espirrar descontroladamente.
- Nossa, eu não esperava isso... – falou Anne.
- Nem eu... – respondeu Jessy, um pouco desapontada.
Ouvi um barulho vindo de longe.
Virei-me, dando de encontro com um garoto. Loiro, usando calça jeans e suéter. Ele tinha o olhar aficionado em mim. Começou a se aproximar vagarosamente, até que, quando já estava quase chegando, desapareceu junto com a brisa que veio logo depois. Não deveria ventar num lugar fechado.
- O que foi, Lorry?
- Nada... você não ouviram um barulho vindo dali? – falei apontando para o canto em que o garoto estava.
- Mas é claro que não, será que Lorry está ficando louca? O que você acha, Jessy?
- Não sei não...
- Ah, fala sério, só pensei ter ouvido um barulho, fazer o que?
- Hi hi hi, vamos logo, não tivemos nenhuma surpresa aqui.
Eu tive.
- Ah, Gente, vocês vão me deixar aqui, sem entender nada?
- Ai, ai... vamos de uma vez! Antes que algo nos coma...!
Jessy saiu correndo.
- Eu é que não quero! Vou é sumir daqui!
Após fechar a porta, fiquei parada diante dos espelhos.
- O que foi? – perguntou Anne.
- Nada não, vou ficar mais um pouquinho aqui, pode ir indo junto com Jessy...
- Como quiser.
Ela saiu. Comecei a andar sobre a madeira, passando a mão nos apoios, deixando-a suja de pó. Senti algo tocar meu ombro esquerdo. Soltei um grito.
- Shhhhhh.
Olhei para trás e me deparei com o mesmo garoto loiro.
- Quem é você?
- Me chame de Reel.
- Reel? Isso é nome?
- Não é um nome, é um dom, um dom que você pode adquirir, com o tempo.
- Que dom é esse?
- Não tenho tempo para explicar agora, te espero no parque ‘’Louiz’’ hoje, a meia noite de Lua cheia, até lá.
Em segundos, já não sentia seu toque em mim, nem sua respiração, ou até mesmo seu cheiro. Tudo havia sumido, junto com ele. Peguei minhas coisas, cujo havia deixado no chão perto da entrada.
- Voltou? O táxi já está chegando.
No caminho para casa, fiquei pensando. Eu devo ir, a meia noite, ao parque para encontra-lo? Um sujeito que diz ter um dom? Eu tenho que ir. Seria impossível alguém desaparecer, então, com toda certeza, tem alguma coisa com ele.
- Ei, o que acha de dormirmos todas na casa de Jessy? – perguntou Anne.
- Não dá. – falei.
- Por que não?
- Eu tenho um compromisso á noite.
- O que é?
- Nada demais...
- Então podemos ir com você? – perguntou ela, um pouco desconfiada.
- Não, o táxi já chegou em minha casa... – comecei a sair.
- Espere!
- Até amanhã! – falei, ignorando-a.
Peguei meu molho de chaves e abri a porta de casa.
- Mãe, cheguei!
Nada.
- Mãe! – esperei mais um pouco. – Mãe, para de brincadeira, cadê você?!
Joguei minhas coisas no sofá e subi as escadas em direção a seu quarto.
- Mãe?
Encontrei seu corpo esparramado no chão e uma mancha de sangue em sua roupa. No espelho de seu quarto, escrito com sangue dizia ‘’ Você é minha! Hahahaha! ‘’.
Me ajoelhei aos seus pés. Eu sentia uma dor profunda no peito, algo inimaginável, algo sobrenatural. No espelho, já um pouco borrado, pude ver. Meus olhos, que antes eram castanhos, agora estavam de um tom azul florescente.
Senti algo queimar minha cabeça com uma dor atordoante. Soltei um grito, fazendo algo se libertar, um dom, mais conhecido como Reel.
Notas finais
Flw, Sarah
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