Assim que o Nathan fechou a porta do meu quarto peguei o bilhete, como aquilo realmente poderia ter acontecido, talvez fosse possível.
— Que besteira é claro que não, foi apenas uma mera coincidência. – Disse tentando convencer a mim mesmo. Nala me fitava até sair do seu cantinho e vir a minha cama. Li novamente o bilhete umas três a quatro vezes para saber se não era mesmo alucinação. “Pense se foi assim mesmo, eu te conheço, você me conhece, só não se lembra. Tente se lembrar." Guardei na primeira gaveta da minha escrivaninha e tentei dormir, adormeci rapidamente, e não demorou para os sonhos virem. Estava em uma floresta, as arvores cobriam minha cabeça e tudo em volta, me senti completamente ofegante e percebi que havia parado de correr recentemente. Procurei por algo familiar e então vi o mesmo garoto do antigo sonho – e possível mente o garoto do colégio – então ele me alcançou e disse:
— Isto é injusto, você sempre vence! – rindo cansado.
Não entendi o que estava acontecendo ali, de repente o garoto desconhecido me beija delicadamente, queria solta- ló mas não consegui, ele se virou olhando aos meus olhos com um sorriso ao canto da boca então uma mulher alta e magra nos chamou.
— Parem de se agarrar, irei vomitar aqui! — jogando os cabelos.
— Pare de olhar então – Disse o garoto rindo se direcionando a ela.
Acordei assustada com Pietro me olhando.
— O que você faz aqui? – Levantando e retirando todas as camadas de cobertores sobre mim.
— Só vim ver se você estava bem, vi você e o Nathan saindo do colégio. O que aconteceu com você?
— Nada, só me senti mal.
— Foi o garoto não foi? Eu disse para ele não fazer nada, pelo menos ainda...
— Como assim? Do que você esta falando?
— O bobão que gritou na sala de história, é meu amigo, iria te apresentar hoje.
— Como assim ele não poderia fazer nada ainda?
— Vamos sair, te explico no caminho.
Desci e saímos em direção a uma rua que eu pouco conhecia, alguns comércios estavam se fechando, uma tempestade estava a caminho. Chegamos a uma casa pequena, havia muitas folhagens no terreno e o vento soprava forte, o céu estava completamente escuro, os raios eram a única coisa que iluminava. Segurei forte em meu casaco e deixei Pietro ir a frente, meus cabelos voavam em meus olhos e me apressei para não ficar pra trás. Entramos e as conversas se cessaram, todos olhavam diretamente a mim , alguns me analisaram e uma garota sorriu com maldade no olhar.
— Bem, esses aqui são Sofia, Lisa, Dimitri e o Theo. – Todos disseram algo como oi e olá.
— Então famosíssima Nathalie, até que fim – Disse a garota que sorriu maliciosamente minutos atrás. Ela era baixa e seus cabelos eram castanhos avermelhados, como um tom mais escuro de ruivo, tinha pequenas sardas e era realmente bonita, estava com um jeans e uma camiseta comum escrita Quakers, que era de algum grupo do nosso colégio.
— Sou a Sofia, prazer.
— Sou a Lisa, esse são Theo e Dimitri. – Disse apontando aos garotos sentados próximos um aos outro, Lisa tinha cabelos curtos e escuros, seus olhos eram escuros e ela tinha pele morena. Theo era moreno parecido com Lisa, os dois tinham os olhos parecidos mas seu sorriso dizia muito de si. Dimitri estava sem espressão nenhuma, tinha cabelos escuros e estava quase todo de preto, a não ser por sua camisa de gola V azul escura.
— Eles são meus amigos, desculpe o Theo na sala hoje, não foi nossa intenção te assustar. Theo riu e balançou os ombros para Pietro.
— Você que me mandou o bilhete?
— Que bilhete? – Exclamou arquiando uma de suas sobrancelhas
— Que dizia para eu me lembrar, o que quis dizer com aquilo?
— Não enviei nada, só gritei que eles estavam errados com relação ao filme.
— Ah! Mas por que estariam errados?
— É ai que eu entro, nós estamos juntos por um motivo em comum, não acreditamos que os reiniciados sejam mesmo criminosos.
— Como pode falar algo assim?
— Calma. Eu explico.

Assim Pietro me contou seus planos e sobre suas teorias, o governo roubava os jovens para promover algo maior como uma guerra, assim que algumas pessoas que não eram criminosas descobriram ocorreu o maior conflito dos tempos. Eles acreditavam que deveriam fazer algo com o governo ou seja lá quem esteja atrás disto e acabar de uma vez por todas com a injustiça, queriam fazer experiências mentais em pessoas reiniciadas como eu, Dimitri e Sofia. Theo Lisa e Pietro eram pessoas que não participavam da ordem do governo. As experiências de Sofia apareciam quando ela sente adrenalina em seu corpo, ela disse que são curtas mas achava que tinha matado alguém afogado por defesa própria e não saberia o motivo de ser enviada ao governo. Dimitri não gostava de compartilhar suas visões passadas, disse pouco de si, apenas que não tinha cometido erro algum.
— E aonde eu me encaixo nessa loucura?
— Não é loucura, os genes são alterados sem motivos.
— E se o individuo optou esquecer?
— Improvável – Respondeu Theo
— 10% da população que participou deste processo optou o restante foi sem culpa.
— Claro, e você sabe por?
— Invadi o sistema do governo – Disse Lisa
— Claro os gráficos estavam confusos e não sabemos o motivo mas creio que seja isto. – Disse Theo
— Vocês são pirados.
— Ei, precisamos de 3 nessa, essas sessões de recuperar memórias perdidas doem e não estou afim de perder mais nenhum fio de cabelo enlouquecendo aqui sozinha. Preciso de você.
— Eu? Você tem o Dimitri, da licença.
— Escuta aqui mimadinha, esse cara ai só diz algo quando esta bêbado, você vai ficar ou te obrigaremos a ficar. – Falou agarrando meu braço
— Tira a mão de mim, e não vou ficar coisíssima nenhuma, o problema é seu e dos seus fios ruivos de cabelo perdido.
— Ei chega – Disse Dimitri com uma voz grossa
— Você fica se quiser, mas daqui a duas semanas iremos invadir a central do governo.
— Como é que é???
— Sim, consegui armas e nem foi tão difícil assim, quero resolver esse problema.
— Você é doido, que problema?
— Pense, e se Dimitri tiver uma família a espera dele e nem ele mesmo sabe.
— E se a Sofia tiver matado realmente alguém?
— Pense em você então, alguém estaria a sua procura?
Estremeci lembrando do garoto na janela, no fundo desejei que ele fosse real, saber minha história não seria algo tão ruim a ponto de algo ruim acontecer. Sai daquela pequena casa e estava chovendo forte, corri até em casa mas já estava ensopada. As ruas estavam vazias e haviam folhas em todas as partes, assim que cheguei Nathan veio abrir a porta pra mim.
— Onde você estava garota? Te procurei em todos os lugares, fui a casa daquele Pietro, a mãe dele é ridícula, disse que ele não andaria com uma assassina, se referindo a todos nós.
— Fui esfriar a cabeça.
— Agora deve estar congelando, entra antes que a mamãe te veja.
Subi tomei um banho quente e fui deitar, antes que pudesse pegar no sono novamente, vi uma mensagem. Henrique. Eu havia esquecido dele, tinha uma boa noticia para mim e eu nem liguei.
Henrique:
“Oi, obrigada por me esquecer, só queria dizer que passei em um concurso que foi mega importante para mim, vou morar na Europa.”
Eu:
“Europa? Que concurso? Não te esqueci”
Henrique:
“ Fotografia, e sim Europa, na Irlanda, recebia resposta hoje mais cedo.”
Eu:
“Que incrível, parabéns!”
Henrique:
“Vou descansar, amanhã o dia é longo, tchau.”
Eu:
“Boa sorte”
Cai no sono e assim vieram os pesadelos, eu corria no mesmo lugar, a floresta, porem desta vez ela estava sem cor, as folhas haviam caído, e tinha neve em alguns lugares derretendo. O ar estava seco e eu estava correndo novamente, alguém me seguia e percebi que estava com uma faca nas mãos. Instantaneamente me escondi e fiquei em silencio, alguém me agarrou nos cabelos gritando algo que eu não entendi bem. Eu estava sendo levada e o homem me jogou de joelhos, o impacto com o chão fez o canto da minha cintura doer assim percebi que estava ferida. O homem era maior do que eu e mais forte, gritou algo que eu não compreendi novamente e deu um tapa em meu rosto, cai de cara ao chão. Olhei para cima e ele tentou me bater com o cano de uma arma, assim acordei gritando