Redenção De Sangue: “A Maldição Do Herdeiro”.
2 II: “Dores crescentes.”
Notas iniciais
Bem, acho que devo uma boa explicação a cerca da demora na atualização. Pois bem, vamos lá. Primeiro: antes de tudo eu quero muito agradecer as minhas leitoras perfeitas que comentaram, awnnnnn *-*/ amei mesmo saber que vocês se importam comigo. Por que, só quem escreve sabe o quanto um comentário pode de levar do inferno ao paraíso. Obrigado, de verdade.
Aos leitores fantasmas, bem. Eu perdoo, sei como é difícil encontrar tempo para cuidar de nossas próprias estórias e leitores e ainda comentar.
AGORA EU VOU GRITARRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
DEUS, DEUS, DEUS!!!! Eu tenho uma recomendação, nem acreditei quando vi. sério. Fiquei assim meio perdida, achando que estava enganada, mas era verdade!!!! Obrigado a querida ChestnutWild6678, esse capitulo é pra você .
Bem, agora vamos a questão da demora. Eu esperei um pouco mais de tempo, pra ver se aparecia mais alguém, mas fiquei tão feliz com meus 4 comentários que não aguentei esperar mais. a partir de hoje, se tudo correr bem, será um capitulo novo toda quinta feira. Promessa.
“Lar, amargo lar.”
Ali havia um belíssimo jardim ostentando um longo gramado verdejante, arbustos bem aparados e um caminho de pedras meio tortuoso dividindo-o, havia uma casa, uma linda casa. Mas ali nunca houve um lar.
Haviairmãos... Em guerra.
Havia umamãe... Prisioneira.
Havia umpai... Insano.
“Distância necessária.”
02h00min /AM
O vento frio adentrava sorrateiro pelas longas portas de carvalho que levavam á uma pequena varanda de frente aos jardins de tulipas, Klaus estava de pé, recostado em um canto, observando o brilho pulsante da Bourbon Street inundar a profundidade do cômodo quase escuro de mais, quase. Os nós dos dedos esbranquiçados devido á pressão exercida sobre o cristal translúcido, o copo foi levado aos lábios bruscamente, de maneira quase desesperada como se o amargo nas papilas gustativas fosse apagar a pressão nos tímpanos. Não havia tanto barulho, na verdade não havia barulho algum e esse era o maior incômodo, New Orleans nunca fora tão desagradavelmente silenciosa.
A pele fina dos pés roçava contra o carpete de lã, pisando devagar, como que medindo cada movimento, primeiro os dedos, depois a planta e então os calcanhares descalços iam de encontro ao assoalho encoberto. E lá estava ele, os olhos verdes observando furtivamente por entre a minúscula fresta entre as madeiras da longa porta, não podia detalhar o quarto, já que seu campo de visão era deploravelmente limitado, mas poderia caracterizar cada parte do corpo sob seus olhos, movimentando-se lentamente, quase que em um balanço suave e preguiçoso, vestia algo entre o algodão e a seda, que lhe cobria até os tornozelos, o decote profundo rendado, ressaltando ainda mais os seios já avantajados pela maternidade próxima, a renda delicada cobria-lhe parte dos ombros, uma larga fita em um cetim mais espesso, circundava o corpo, na linha abaixo dos seios, apertando-lhe o tecido rente ao ventre arredondado cuja forma era perdida conforme o tecido afastava-se novamente do corpo, tinha os cabelos presos em uma trança que ia do alto da cabeça até abaixo dos ombros, o rosto era indistinguível em meio as meias sombras provocadas pela janela e o pequeno e fraco abajur ao lado da cama. Os braços estavam expostos ao frio, certamente a pele estava arrepiada pela brisa gelada, os dedos finos percorriam suaves sobre a superfície lisa do tecido sobre a pele, acariciando a extensão do ventre de cima para baixo e por um momento o hibrido desejou fazê-lo também, sentir sob seus dedos o pulsar que tanto perturbava seus ouvidos, “criança teimosa, que insistia em lhe tirar a paz, ou apenas agravar suas guerras.” Balançou a cabeça buscando livrar-se de tais pensamentos infames, precisava sair dali e rápido, antes que se deixasse arrastar por essa maldita força que sempre o levava aquele maldito corredor, observando aquela mesma maldita cena sempre tendo o mesmo maldito desejo.
Os passos apressaram-se pela extensão do corredor, dirigindo-se as escadas que levavam ao porão, onde instalara seu ateliê, mas antes que os dedos alcançassem as chaves perdidas em algum bolso do casaco, um som novo invadiu lhe a mente, lhe atordoando os sentidos, fazendo o coração falhar uma batida, enquanto seu estômago revirava-se, o gemido fora claramente audível, desesperadoramente nítido, alto e em bom tom. –Infernos! – praguejou alto enquanto apertava as pálpebras com exagerada força, buscando elucidar tal pesadelo, sim só poderia ser um pesadelo, um desgraçado e realístico pesadelo, bebera em demasia, caíra no sono e agora seus medos estavam atormentando-o nas insanas profundezas de sua mente, só precisava acordar que tudo acabaria, mas como acordar se não está dormindo? Talvez morrendo? A resposta indagativa fora perturbadora de mais para obter uma resposta. Foram-se alguns poucos e doentiamente eternos segundos, entre o primeiro alarme e o turbilhão esmagador de pensamentos que atingira Klaus neste momento, cogitara talvez ignorar, se sua consciência condenada não lhe gritasse tão alto, que se ele os abandonasse, ao amanhecer, provavelmente estariam mortos. Respirou fundo, recostando a testa na porta de mogno á frente, “não se envolva, não se deixe envolver.” A frase repetida mentalmente, era sua prece, se pegaria nisso e não se deixaria envolver, mas algo no seu íntimo lhe sussurrava baixinho que era tarde, o sentimento que nutria pela criança estava impregnado em sua carne, em seus ossos, em sua alma. E nada do que dissesse ou fizesse iria apagar essa marca poderosa que se fortalecia mais e mais, a cada dia.
02h18min AM
“Mantenha sangrando.”
01h40min /AM
O inverno se aproximava, a brisa gelada sobre a pele nua dos braços atestava isso com solidez, sentia os poros contraírem em arrepios contínuos. Os olhos âmbar observavam ao longe, a Bourbon Street incandescendo seu brilho e calor inebriantes. As almas humanas confundindo-se inertes aos prazeres da vida melindrosa que aquelas ruas ofereciam. A aurora vintage emanava seu charme sobre as pessoas, uma espécie de hipnose consentida. Tanta beleza, paixão e liberdade, que a faziam desejar mal a aqueles que o tinham, por pura inveja.
Heyley sentia-se miserável por ter tanto aos seus pés e tão pouco em suas mãos. Elijah lhe cobria de mimos; roupas em tecidos caros e marcas de renome sem ninguém para elogiá-los, joias preciosas em ouro rosa e diamantes graúdos sem ninguém para admirá-los, cuidados com a pele, cabelos e perfumes franceses em pequenos frascos de quartzo polido, sem ninguém para deseja-la. Sentia vontade de rasgar a carne de seus ossos por tentar comprar sua liberdade com futilidades que ela não dava o mínimo valor. Ele lhe sorria de lado, ela queixava-se do tédio e ele fugia com os olhos. Covarde! Pensou a loba, fechando os olhos, imaginando-se andando pelas ruas de paralelepípedos irregulares e alegrias exaltadas, tão próximas e ao mesmo tempo tão distantes, mas tudo que lhe veio foi o cheiro amadeirado confundindo-se com as notas do malte. Ele cheirava a Rum e licores ambrosia.
Klaus estava ali, do outro lado da porta, a observando, tal como em todas as noites desde que Elijah viajara. Ela não odiava, mas também não era de seu apreço ter sobre si tantos sentimentos reprimidos e confusos. Não podia repreendê-lo por invadir seu espaço, morava em sua casa e carregava seu filho, tinha mais dele em si do que de si mesma.
Caminhando á passos lentos adentrou novamente o ambiente turvo do quarto a meia luz do abajur opaco. Observou a amplitude perdendo-se nas sombras, tomando o cuidado de não olhar diretamente para a porta, onde a luz do corredor adentrava tímida e os olhares de Klaus observavam com sua rasa discrição. Ela perguntava-se se ele tinha consciência de que ela sabia de suas manias, mas desistiu de tais deduções, talvez nem ele houvesse se questionado sobre isso. Entretanto, ainda sim era perturbadora sua maneira de agir, sempre gritando aos ventos que queria a garota longe de seus olhos, que odiava sentir-se preso aquela criança, enquanto Elijah tentava, energicamente, acalmar os ânimos do irmão. Contudo ele estava ali, observando-a, por alguma razão que ela definitivamente nunca entenderia. Klaus era mais que enigmático, beirava o caótico.
A porta permanecia entreaberta por segurança, caso a garota gritasse por socorro, os gritos seriam ouvidos mais rapidamente dessa maneira. Heyley rira internamente com os conselhos da velha Loren de cenho franzido e olhos astutos. Depois de tais alegações. Elijah, por precaução, mandara instalar o sistema de interfone interligando o quarto á biblioteca onde ele virava muitas das suas noites e ao quarto de Sera que ficava do outro lado da cozinha, Heyley apelidara gentilmente o sistema de “babá eletrônica fetal.” Elijah afirmava não ver graça nas brincadeiras infames da loba, que lembravam tanto as inconveniências de Kol, Sera ria abertamente, recebendo olhares ríspidos do original, calando-se então.
A garota caminhou pelo quarto, os pés inchados incomodavam ao serem calçados, então permanecia descalça. Não era de todo ruim, o carpete de lã era extremamente macio e fazia cócegas entre os dedos, por isso pisava devagar, sentindo lentamente cada onda nervosa subir-lhe pelas panturrilhas. As mãos acariciaram delicadamente o ventre sob o tecido cremoso, andou lentamente pelo espaço entre a cama e a porta que levava a varanda.
Pôde ver a sombra de Klaus mover-se atestando seu afastamento, pensou em dar uma olhada, mas mal teve tempo de formular tal movimento, foi tomada de assalto por uma dor excruciante lhe rasgando as entranhas. A criança remexeu-se dentro de si, forçando as paredes do útero. Uma dor aguda percorreu da bacia até a coluna, fazendo-a curvar-se em agonia, sentiu então a forte contração dilacerar seu raciocínio, fazendo a visão embaçar, as pernas falharam fazendo o peso do corpo parecer insuportável, apoiou-se na penteadeira ao lado, tentando evitar a queda, mais uma pontada no baixo ventre e reprimir o gemido fora impossível, curvou a coluna ao sentir o liquido quente e viscoso correr por entre as pernas, tocou-se sobre o tecido, olhou apavorada para o liquido escarlate escorrendo pelos dedos, mais uma pontada fez seus olhos se comprimirem com força. Gemeu mais alto. –Sera... – a voz fugira abafada por entre os lábios trêmulos. –Sera, me ajude. – implorou já aos prantos. Mais uma contração, dessa vez não pôde mais segurar-se de pé, o impacto dos joelhos contra o piso fez seu corpo sacudir-se por inteiro, as mãos levadas ao baixo ventre, sentiu o tronco ser atraído para baixo, mas antes que sua cabeça se chocasse contra o piso, sentiu-se amparada firmemente, tudo se passara tão rápido que Heyley levou algum tempo para processar tais informações. Mas ao ouvir a voz de Klaus gritar por Sera tudo foi esclarecido, sentiu o gosto amargo subir-lhe a garganta tomando-lhe o ar. Os olhos cegaram-se e então se sentiu arrastar para o submundo do inconsciente. Desmaiando em seguida.
02h20min/AM
“Distúrbios recorrentes.”
02h30min AM
Klaus não resistira ao instinto protetor que lhe gritava que devia proteger seu filho, SEU FILHO! Correu em direção ao quarto de onde os gemidos soavam, a cena encontrada o fez estancar, Heyley encontrava-se de joelhos, segurando-se a borda da penteadeira, no vestido, na região do baixo ventre, uma larga mancha rubra assinalava que a garota sangrava. Sentiu-se perdido, o desespero lhe roubando o raciocínio, lhe travando os pensamentos, mas um pai não precisa de muito para proteger sua cria, basta sentir. Moveu-se em velocidade vampiresca, segurando a garota entre seus braços, evitando que o corpo atingisse o chão. Olhou para os lados, localizando o interfone sobre o criado mudo, tentou levá-la para a cama, mas ao primeiro movimento, o corpo entrou em convulsão, engasgando-se com o sangue que brotou dos lábios empalidecidos, não lhe restara outra saída. Gritou por Sera o mais alto que pôde. Uma, duas, três vezes e nada da bruxa aparecer. Os olhos da garota perderam o foco, as pupilas dilatando-se completamente. Klaus gritou mais alto por Sera. –Hey, fique aqui. Não morra, não morra!- os batimentos da garota eram quase nulos, os da criança descompassados em uma velocidade inumana. Quando de repente cessou por completo, havia somente o falho sussurro do coração da garota, que aos poucos peregrinava rumo ao fim.
–Não! Isso não. — Klaus sacudia Heyley violentamente, o desespero em sua voz era tanto que chegava a ser palpável. Aproximou o rosto do da garota, a fim de ouvir sua respiração, nada. Suspirou alto, reclinando levemente a coluna, colocou as mãos sobre o ventre da loba, nenhum movimento da criança, comprimiu as pálpebras, se nele existisse alguma fé, essa era a hora propícia para rezar e pedir compaixão por seu filho ainda inocente e puro, cuja vida esvaia-se por entre os dedos como a fumaça em uma tempestade.
Tudo ocorrera em questão de segundos, Klaus voltou a sua postura normal, preparando-se para levantar-se, mas sentiu seu pulso ser pressionado com força bastante para quebra-lo, embora não o tenha feito. A garota morta em seus braços tinha os olhos sem cor, brancos como gesso, como se as orbitas houvessem girado sobre si. Sentiu uma pontada na nuca, uma dor lancinante tomar suas têmporas como se facas em brasas atravessassem seu crânio ao meio. Tentou desvencilhar-se do toque macabro, mas sentiu seus olhos serem inundados por uma completa escuridão. Fechou os olhos devido à dor, e ao abri-los instantes depois, não havia mais nada, nem dor, nem escuridão.
Fale com o autor