Notas iniciais
Bem, eis aqui uma persona não grata voltando para vocês, primeiro eu queria pedir milhões de desculpas pela demora, eu sei que está parecendo ladainha de politico eu dizer que as coisas vão melhorar e só acabam ficando piores. Mas eu juro que não é por maldade, é por falta de tempo mesmo. Mas eu juro que estou me esforçando ao máximo para conseguir agilizar, mas agora eu estou no fim do ano, entrei pra liga dos betas e ainda tenho Leis de um sacrifício pra escrever, mas o próximo capitulo está na metade na próxima semana, se nada me bloquear, eu posto o próximo e um extra: As lagrimas da Imperatriz. Um capítulo todo de flashes do passado sobre a relação Klaus-Rebekah.

"Heranças Sangrentas."

Há muitos anos, quando ainda humano, ou quando ainda tinha humanidade, Klaus fora frágil, vulnerável e sentia medo, na verdade sentia... Tudo. Amor, pela mãe e irmãos, medo pelo desconhecido e obscuro, mas acima de todos os sentimentos presentes, estava a busca desesperada pela aceitação do homem que mais admirou em sua vida humana, seu pai.

Sempre soube que havia algo diferente consigo, não só pelos ferimentos de cura instantânea, mas também pela maneira com que seu pai lhe olhava; com nojo, vergonha. Como se Klaus fosse algo podre, um fruto doente dentre os saudáveis. E por mais incrível que possa parecer, Klaus amava Mikael de tal maneira que buscava incansavelmente sua aprovação, seu apreço, seu carinho e nunca o conseguia. È impossível até mesmo imaginar o quão horrível deve ser para uma criança ser desprezada por quem mais lhe deve amor.

MIKAELSON, Rebekah.

“Vidas passadas.”

Klaus despertou num rompante, sentindo-se como se suas têmporas pudessem explodir a qualquer momento, tamanha a pressão em seu crânio. Sentou-se na relva seca, apoiando a cabeça contra os joelhos, mal conseguia manter os olhos abertos. A dor lancinava seu raciocínio, fazendo seus pensamentos formarem um emaranhado confuso e demente.

Aos poucos a sensação de queimar foi esvaindo-se. O que diabos está acontecendo comigo? Foi o que perguntou a si mesmo. Porém, antes que pudesse obter qualquer resposta, o som de vozes lhe chamou a atenção. Levantou-se, ainda com dificuldade e seguiu até onde os ruídos nasciam e tamanha foi a sua surpresa ao fitar de quem se tratava.

A jovem carregando um cesto de palha trançada vestia algodão grosso, os longos cabelos louros estendiam-se em uma trança de fios soltos enfeitada com flores em raminhos espalhados por toda a sua extensão.

A garota tinha a estatura franzina, aparentando cerca de quinze anos, levava pela mão um menino de no máximo dez anos.

–Vamos, Henrick. Mais rápido ou vamos chegar atrasados. – a voz um tanto aguda de Rebekah era inconfundível, não importando qual fosse a situação ou até mesmo a época, Klaus nunca se esqueceria das peculiaridades da irmã favorita. Mas de Henrick Klaus já não se lembrava com tantos detalhes quanto desejava e vê-lo assim, anos antes da tragédia de sua morte. Fez o peito do hibrido apertar-se em uma melancólica culposa. Ponderou por um momento perguntando-se até onde seus pesadelos o levariam. Então, sentindo que não tinha saída decidiu por segui-los.

Andou humanamente até próximo dos irmãos, que adentravam depressa a aldeia, que, embora ainda fosse extremamente cedo, já estava quase toda de pé. Homens cortavam lenha ao norte, estocando-a em pilhas para secar ao sol que já se anunciava mais intensamente. Ao sul, as casas rusticas em madeiras brutas, erguiam-se em circulo, nada de cercas ao redor dos terrenos, tudo que era cultivando ali era de consumo coletivo, as hortas de couve e repolhos graúdos estendiam-se pelos “quintais” e em sebes de madeira roliça longos ramos de abóbora d’água e chuchu. Havia um longo canteiro onde se plantava espinafre, alecrim e sálvia, entre outras ervas da cozinha e da magia, cuidar desses espaços era trabalho feminino. Os homens cuidavam das lavouras e da caça. Uma das casas atraiu mais a atenção do hibrido, construída em madeiras escuras e amarrações exatas, parecia mais firme que as outras, e maior também, tinha um grande jardim onde violetas cresciam em meio aos pés de pimenta rosa e uma roseira brava lançava seus galhos sobre o alicerce do alpendre que abrigava sacos de linho abarrotados com o trigo e a cevada empilhados um sobre o outro.

Rebekah andava a passos largos, fazendo Henrick tropeçar nos chinelos de corda para acompanha-la. Klaus os seguiu até que chegaram ao centro da aldeia, varias pessoas transitavam por ali. Crianças corriam afoitas, mulheres carregando jarros de água ou lenha para os fogareiros. Klaus estancou a caminhada, receando ser visto pelos aldeões. No entanto, tomou logo tal raciocínio como sendo estúpido, aquilo tudo não passava de uma alucinação alcoólica, por que deveria se preocupar? Seguiu a garota até a grande casa, adentrando-a logo depois de Henrick, antes que Rebekah fechasse a porta.

A casa era simples, havia uma mesa de madeira roliça e seis cadeiras de Nogueira talhada. Sobre uma bancada de pedra grosseira jaziam um alguidar, três cuias e uma terrinha de cerâmica queimada com pêssegos róseos e nectarinas rubras, no cesto que Rebekah trazia havia batatas doces, cebolas e alecrim em ramos. Numa espécie de varanda, sobre o grande fogareiro, uma caldeira fumegava ardente, fazendo os aromas e a fumaça inundarem todo o ambiente, no ar o cheiro era de cravo e gengibre, lembrando á Klaus as comemorações da aldeia, onde a mãe lhe servia grandes porções de sopa de batatas e postas de cordeiro embebidas em um caldo que tinha exatamente esse cheiro.

Rebekah correu até a cozinha, gritando para a mãe que trouxera as ervas e as batatas, Esther respondeu de longe para que a filha as deixasse sobre a mesa.

O som da voz da mãe tornara toda a situação ainda mais tensa para Klaus, ver seu irmãozinho, cuja culpa da morte nunca lhe abandonara, ainda vivo e lembrar-se de épocas felizes em sua vida, o faziam agonizar por dentro, como um veneno que corrói a carne e destorça a alma. Aquele cheiro nostálgico lhe causava náuseas, tudo ali lhe causava um mal nefasto e cruel, do qual sabia que não podia fugir, pois a culpa, o remorso e a solidão sempre estavam ao seu lado, dividindo o mesmo travesseiro e o mesmo copo, impregnando sua carne feito sangue, lhe sendo infinitamente letal, matando-o lentamente, aos poucos sem nunca chegar ao fim, estendendo o sofrimento pelos confins da eternidade.

O hibrido decidiu sair dali, se não conseguia acordar, iria tornar as coisa um pouco mais difíceis para sua consciência ou o que quer que estivesse causando aquilo tudo, mas sentiu sua atenção ser desviada pela movimentação suspeita da irmã.

Rebekah obedeceu às ordens da mãe, e certificando-se que estava só, correu até uma porta na lateral da casa. Klaus sabia exatamente aonde a porta iria levar, lembrava-se muito bem, havia um pequeno corredor de terra batida que separava a casa grande de uma extensão menor, pelo corredor havia mais jarros de barro e feixes de feno amarrados. Rebekah apressou o passo, Klaus acompanhando seu ritmo. O cômodo estava escuro, sendo iluminado apenas pelos raios de sol que adentravam pelas frestas na madeira da construção. As mãos pequenas empurraram as janelas duplas, fazendo a luz inundar por inteiro e de supetão o ambiente. Numa esteira de madeira forrada com uma grossa camada de palha, peles de cervo e mantas de lã pesada, Niklaus se remexeu incomodado com a luz.

Levantou-se cobrindo os olhos com o braço, Rebekah não se abalou pelo incômodo causado ao irmão, atravessou o quarto depressa pegando um pesado jarro de água e despejando em uma bacia de barro fosco. Niklaus levantou-se devagar, sentindo os ossos estralarem e os músculos contraírem-se em espasmos doloridos. Havia caçado na noite anterior e ainda sentia os olhos pesados do cansaço. O Klaus atual lembrava-se claramente o quanto se esforçou aquele dia, na tentativa de capturar um cervo para o pai, tarefa que não fora fácil, mas Niklaus era significativamente mais rápido que os outros caçadores. Depois de passar quase oito horas armando tocaia, conseguira alcançar seu objetivo, abatera um cervo adulto e grande, os outros homens admiram-se do feito do menino ainda tão jovem, mas Mikael apenas lhe dissera que aquilo não era uma gloria e sim um dever. Então as risadas calaram-se e Niklaus fora obrigado a carregar sozinho, a caça extremamente pesada até a aldeia, como punição por sua soberba e arrogância, segundo Mikael. Niklaus sequer sabia o significado de tais palavras.

A expressão do hibrido endureceu-se ao ver Rebekah sentar-se a frente do seu eu jovem, o sorriso pidão nos lábios. Finalmente lembrara-se do dia em questão, fora talvez um dos mais terríveis de toda a sua vida, lembrava-se pouco, bloqueara boa parte das lembranças amargas dessa época, lhe restando apenas flashes dos rostos de Tatia e de Henrick. Mas lembrava-se o suficiente para saber que aquilo nem de longe seria um sonho nostálgico e saudoso, não queria ver aquilo, mas algo dentro de si o impedia de fugir. Sem escolha, decidiu ficar sem maiores relutâncias e no fundo havia uma pequena ponta de curiosidade, Klaus nunca seria complacente com algo, se realmente não o quisesse fazer.

Rebekah afastou as cobertas para longe do irmão, apressando-o a levantar-se.

–Vamos irmão, depressa. — Exclamou puxando um Niklaus sonolento pelo pulso. – O sol já se levantou há tempos, o que está esperando? Que a noite chegue novamente?– Rebekah insistira em seu discurso tendencioso.

Finalmente cedendo aos pedidos já quase chorosos da mais nova, Klaus levantou-se.

–O que faz aqui Bekah? Sabe que papai não quer você na casa dos homens. – a voz do hibrido soou embargada, mas a critica ás atitudes da irmã fora clara.

–Papai não precisa saber que estive aqui. Ele está na floresta, buscando madeira para o inverno. Acalme-se covarde. – Rebekah tinha a voz carinhosa e ao mesmo tempo ríspida para com as manias delatoras do irmão. Mas ela sempre acabava por fim perdoando-o por suas traições.

–Rebekah, não fale assim comigo, sou seu irmão mais velho, me deve respeito, tenho autoridade para lhe punir. – afirmou o loiro, lavando-se na bacia que a irmã prepara há pouco.

–Me punir, você? Ora Nik, pare de tentar copiar nosso pai. Não imagina o quanto isso te faz patético. – afirmou a mais nova com segurança, colocando as vestimentas sobre os ombros do irmão.

–Rebekah, você me deve respeito. Eu já cultivo o trigo, semeio a cevada e trago carne para casa. Você me deve obediência. – Niklaus passara os braços por entre o tecido de lã que a irmã lhe oferecia. Seu olhar, embora repreendesse a irmã, permanecia dócil, como Klaus não mais se lembrava de ter tido.

–Nik, por favor. Eu não preciso lhe temer para respeitá-lo. O que gera o respeito é o amor, a admiração. Se você construir seu respeito sob as vias do medo, o medo se vai e então não restara mais nada além do desprezo. – Rebekah concluiu seu discurso beijando a face do irmão, em um gesto que fez o Klaus atual estremecer por inteiro, sentia falta da sua irmã e isso agora se tornara mais intenso do nunca.

“Culpa em memórias.”

Klaus que permanecia recostado em um canto próximo a porta, remexeu-se incomodado, questionando-se o porquê dessas lembranças há muito tempo esquecidas estarem retornando agora e com tanta intensidade. Moveu-se rapidamente, o que aconteceu a seguir, sucedeu-se em questão de segundos, Klaus aproximou-se da porta e quando seus dedos tocaram a madeira áspera, sentiu uma força descomunal arremessar seu corpo contra a parede contrária, mas ao invés de encontrar a solidez da madeira, transpassou o vazio indo de encontro ao solo ainda úmido pelo orvalho.

Levantou-se devagar, reordenando os sentidos que se aturdiram durante a queda, apertou os olhos com força tentando aliviar o desconforto causado pelo sol já alto. Analisou o espaço á sua volta, concluindo que ainda tratava-se da aldeia, ao longe pôde ver os meninos menores talhando flechas, admirou por um instante Henrick que mordia a língua concentrado em afinar mais a ponta, Klaus lembrou que tal mania irritava profundamente os irmãos mais velhos, flechas de pontas muitos finas perdia o fio depressa, pois as pontas eram frágeis demais. Klaus sorriu com as lembranças que tinha dos irmãos, de todos eles, quando ainda eram humanos e quando ainda eram, embora cheia de falhas, uma família.

Manteve-se assim, estático, refletindo sobre como o tempo é capaz de destruir tudo que se opõe a sua razão, de como os significados daquele lugar, daquelas pessoas, daquele momento perderam-se pelos caminhos de sua maldita eternidade.

Vislumbrou ao longe o seu eu jovem sendo seguido por uma Rebekah afoita, tropeçando na barra do vestido pardo. O Klaus atual seguiu os dois, aproximando-se o suficiente para ouvir a voz lamurienta de Rebekah em uma suplica chorosa, implorar por algo que ele sabia muito bem do que se tratava, embora a voz fosse inteligível.

A algumas semanas do dia em questão Klaus trouxera do bosque um casal de coelhos para irmã, de pelos alvos e limpos, ainda filhotes cabiam perfeitamente entre os dedos finos da menina. A garota ficara eufórica, grata pelo presente beijara a face do irmão com alegria e por isso fora severamente repreendida pela mãe, alegando que moças puras não devem tomar para si tais eloquências. Rebekah, como sempre, esnobara os conselhos conservadores da mãe, beijando castamente os lábios do irmão, abafando entre os suspiros um “eu te adoro meu querido”.

Mikael que havia saído em uma caçada expeditória, voltara dois dias depois, encontrando Rebekah tão apegada aos bichinhos, procurara pelos culpados. Klaus se entregara voluntariamente, levara duas bofetadas das quais nunca mais esqueceria. Mikael afirmara olhando fundo nos olhos do ainda menino, que eram tempos difíceis e que ele não poderia incitar Rebekah a brincar com a carne que poderia alimentar seus irmãos. Obrigando logo depois, Klaus a sangrar os bichinhos da irmã. Nada doera tão fundo em sua alma do que ver a mágoa nos olhos da irmã. Rebekah ficara três dias sem comer ou beber, até que Klaus prometera que lhe daria um novo coelho, que a ajudaria a escondê-lo dos pais, fazendo-a assim a consolar-se e voltar a se alimentar devidamente.

O dia que se passava diante de seus olhos neste instante era a cobrança de Rebekah, ela perseguia o irmão por toda a aldeia, alegando que ele lhe dera sua palavra, que um homem sem palavra não tem honra, entre outras coisas com fundamentos chantagiosos.

–Vamos Nik, você prometeu. Nik... – Rebekah andava a passos largos, em uma quase corrida. –Bekah não faça isso. Por favor. No bosque não é lugar para criança, muito menos para mulheres. – afirmou um Niklaus já aparentando enfado.

–Não seja ridículo Nik, eu já não sou nenhuma criança, e mesmo assim não estamos indo a nenhuma missão suicida, o dia já está claro. Não há perigo algum... – Rebekah colocara­-se a frente do irmão, impedindo seu continuar.

– Bekah não insista mais nisso, eu não posso levá-la ao bosque. Papai me mataria. ­– Afirmou o jovem Klaus, divido entre o medo do pai e o receio de magoar a irmã.

–E mesmo assim, eu prometi que lhe traria um coelho, não que eu a levaria para caçá-lo. ­– Concluiu apelativo, dando a volta na garota e seguindo seu caminho.

Klaus permanecia na beira do bosque, á uma determinada distância das duas figuras. As lembranças daquele dia em questão voltando com ainda mais intensidade. Observou o seu eu jovem afastar-se de Rebekah á passos largos, estancando sua caminhada repentinamente ao ouvir o som agudo da voz da garota espalhar-se pelo ar. Rebekah chorava copiosamente, deixando escapar entre suspiros pesados, gritos entrecortados pelos soluços. Niklaus retrocedeu seu caminho rapidamente, colocando-se junto da irmã que a essa altura tinha o rosto banhado em grossas lagrimas.

–Bekah... Bekah, não chore, por favor, não chore. – Niklaus pediu com a voz imersa em nervosismo.

­– Como espera que eu não chore? Você me fez acreditar em suas promessas e agora me diz o contrário. – Rebekah tinha a voz arrastada, abafada pelo choro incessante.

­– Bekah, eu não lhe prometi que a levaria ao bosque, como você tem coragem de me acusar de algo que eu não fiz. – Afirmou um Niklaus já aflito pela lamentação da irmã.

O Klaus atual não sabia se ria da farsa mal dramatizada da irmã, lamentava-se o tamanho de sua ingenuidade naquela época ou se se arrependia por ter permitido que o amor sentido por Rebekah se perdesse em meio á amargura de sua vida condenada.

Sabia o que aconteceria, Rebekah iria declamar injúrias e acusações direcionadas ao irmão, prometer voltar a sua greve de fome. Foram tantas lágrimas e lamurias que Niklaus, ainda provido de compaixão, cedera ao desejo da irmã.

–Está bem... – logo que a frase começara a ser proferida, Rebekah já não chorava, ria abertamente, os olhos vermelhos iluminando-se eufóricos.

–... Mas somente se Elijah permitir, sim? – Rebekah arfou manhosa ao receber a conclusão, mas já era meio caminho andado.

–Oh, sim. Mas você tem que me ajudar, peça por mim. Ele acaba sempre por fazer tudo que você quer. ­– Concluiu Rebekah seguindo, sem o menor receio¸ bosque á dentro.

–Está bem... Vamos! ­– Klaus concordou a voz imersa em insegurança e um pressentimento desanimador de que essa historia não acabaria bem.

Seguiram rumo à clareira mais ao fundo dos grandes carvalhos e pinheiros, onde Elijah aguardava. A tarefa ordenada por Mikael era que armassem as arapucas de coelhos durante a noite e que fossem desarmadas logo na primeira hora do dia. Então fizeram exatamente como mandado, agora era hora de ver o resultado do trabalho da noite anterior.

O Klaus atual os seguiu de perto, ouvindo sempre suas próprias palavras vindas de outro corpo, pedindo para que Rebekah fosse cuidadosa e olhasse por onde pisa. Esgueirou-se por entre os troncos nodosos e ásperos, até um descampado roçado a foice, o mesmo vazio onde Klaus despertara outrora. No mesmo espaço encontrava-se Elijah, ao lado de uma alta pilha de madeiras e cipós. Rebekah chegara primeiro, recebendo de imediato um olhar inquisidor por parte do irmão mais velho, Klaus chegara em seguida e ao perceber o olhar do irmão, apressou-se em explicar.

–Elijah, eu fiz uma promessa, não pude impedi-la. Sinto muito... – Klaus iniciou seu discurso, a voz insegura, já pressentindo o sermão que estava por vir.

­–Ah, perfeito. Você fez uma promessa? Deu sua palavra? E isso definitivamente não é problema meu. – Elijah interrompeu o discurso do mais novo e antes mesmo que esse intervisse em seu favor.

–Rebekah volte para casa, agora. – Ordenou o mais velho sem titubear – A floresta não é lugar pra virgens. E quanto a você Niklaus, para quem busca tanto o apreço de nosso pai, você está se mostrando um tanto quanto leviano... – Parou por um instante, abaixando-se para pegar as cordas aos seus pés. –Ora essa, me diga o que crianças entendem de honra. – Elijah Sussurrou para si mesmo, seguindo rumo à parte mais densa da floresta. –Eu posso até não entender de honra, mas entendo de lealdade. Eu fiz uma promessa a nossa irmã, Elijah. Se não cumprir, estarei sendo desleal não só com ela, mas comigo também! – Klaus afirmou e alto e bom tom, para que o irmão mais velho compreendesse de uma vez por todas que não voltaria atrás de sua decisão. Rebekah já se arrependia de ter causado tal discórdia entre os irmãos, não havia nada que lhe causava mais mágoa do que as brigas entre seus irmãos, brigas essas que se tornaram cada dia mais frequentes, desde o surgimento da maldita Tatia Petrova na vida dos dois. Desde que a garota “de olhos de demônio”, como dizia Esther, surgira na vida da família os dois já não concordavam em mais nada e viviam em constante confronto. –Já chega! – Bradou uma Rebekah com as faces manchadas de rubro, enfurecida. – Nik esqueça isso. Eu definitivamente não quero que a minha presença seja pavio para mais uma recha entre vocês. Querem se enfrentar feito dois ogros selvagens? Certo, mas eu não vou ficar aqui e presenciar tais absurdos. Ora essa. Julgam-se tão adultos e comportam-se feito duas crianças imbecis e mimadas. – Rebekah prosseguia com seu discurso indignado, dirigindo-se a passos largos para fora da aldeia, mas antes que a garota alcança-se o fim da vereda, algo a atingiu, fazendo-a abaixar-se bruscamente, levando as mãos ao tornozelo esquerdo. Os irmãos sobressaltaram-se, correndo até a garota, Klaus que já desenvolvia suas habilidades lupinas, pôde ver o rastro marrou deslizar por entre as folhas, a serpente desapareceu de seu ponto de vista, tão logo aos seus tímpanos chegaram os gemidos da irmã. ­–Uma cobra, Elijah foi por ali. –O loiro apontou na direção em que vira a víbora a ultima vez. –Isso não importa mais, vamos leva-la para Ayanna. Ela vai saber o que fazer... – Mas, Elijah. – Interviu, Klaus tentando alertar o irmão de que era preciso saber qual era a serpente, para poder se aplicar o feitiço certo. – CALE-SE! Está satisfeito agora? Veja o que a sua fraqueza causou. Seu covarde. – Elijah empurrou Klaus para longe de si, impedindo-o de continuar seu apelo. O mais velho segurou a loira em seus braços e sem olhar para onde Klaus estava, seguiu depressa rumo á aldeia. – Parem... Por favor... – Antes que Rebekah pudesse concluir sua suplica, o corpo magro fora tomado por tremores, o suor escorrendo sobre a pele alva, desfalecendo em seguida. O Klaus atual estremeceu ao fitar a imagem de Elijah adentrando a aldeia com Rebekah inconsciente em seus braços, imagem tão semelhante á do dia em que Henrick fora atacado. Sentiu o aperto tremendo lhe tomar o peito ao ver sua versão jovem cair aos prantos, tomado pelo medo de perder a irmã, sentiu que poderia chorar também, se seus olhos não estivessem tão vazios de sentimentos e seu coração tão cheio de mágoas. Viu Elijah gritar por Ayanna, pela mãe, desesperado por ajuda. Por mais que o irmão mais velho fosse cheio de defeitos incontáveis, de uma coisa Klaus tinha certeza, ele sempre estaria ali, para dar auxílio aos irmãos. Sempre e para sempre.

“Sangue é poder.”

Tão logo Elijah adentrou a aldeia Ayanna lhe veio socorrer, assustando-se ao ver o que acontecia.

–Minha nossa! O que houve? – Indagou a bruxa, guiando Elijah para dentro de sua casa. O rapaz mal conseguia respirar, o pavor assolando sua face. – Deite-a aqui. – Ordenou, preparando sua cama para que Elijah deitasse a garota que convulsionava em seus braços, tão pálida quando a flor de sal. – ANIR! Gritou por seu filho mais novo que corria próximo aos canteiros de menta e alecrim. –Sim mamãe? – Indagou a criança franzina. – Vá chamar Esther, diga que se apresse. Que temos uma emergência. – Virou pra Elijah que preparava compressas para baixar a febre da irmã. –. VÁ, VÁ! Depressa. – Mal a bruxa terminou de falar e o menino já saiu em disparada rumo aos campos de batatas onde Esther estava. Ayanna então se virou para Elijah. –Dei-me isso, ande! ­– Ordenou tomando as compressas das mãos do menino. –Agora vá até os fundos e me traga malva de sangue... – Elijah obedeceu depressa, mas foi interrompido por uma Ayanna afoita. – Espere criança louca! Antes me diga o que houve!­– Elijah que a essa altura tinha as mãos trêmulas respirou fundo antes de explicar o acontecido. ­–Cobras? Na aldeia? Mas isso é impossível. – Ayanna estava tão incrédula com o fato de uma cobra ter adentrado na aldeia devido a existência de mandrágoras em quase todos os jardins do lugar, a força mística da erva repele todo e qualquer tipo de réptil, dai vem a lenda de que a poção da Mandrágora cura os males causado pelo Basilisco, rei das serpentes. – Não na aldeia. No bosque. Ela... – Antes que o jovem terminasse sua sentença, Esther adentrou a porta aos prantos, as faces pálidas e a respiração ofegante.

– Ayanna, o que houve? – Indagou a mulher estendendo a mão sobre o peito inquieto. –acalme-se Esther¸ vai ficar tudo bem. Mas você tem que se controlar. – afirmou Ayanna, levando Esther em direção ao cômodo onde Rebekah estava. –Esther não teve tempo sequer de questionar sobre o ocorrido, logo que seus olhos fitaram Rebekah. –AH, PELOS CÉUS, MINHA FILHA ESTÁ MORTA?! – Esther atirou-se no chão, a histeria lhe tomando a calma, grossas lagrimas inundando os olhos. – Acalme-se mulher insana, sua filha está viva. Esther não seja louca. – Ayanna censurou as atitudes da mulher que arranhava os braços e arrancava os cabelos, debatendo-se em desespero. ­ – Tu não compreendes, por que nunca sentiste a dor da perda de um filho, EU JÁ! Meu pobre Aaron partiu ainda moço. OH morte cruel, se levares minha menina, leve também a mim. ­– Esther estava descontrolada, O Klaus atual que adentrara a casa ao mesmo tempo em que Elijah e Rebekah, apenas observava a cena, enojado com o teatro mal interpretado pela mãe. Desde que Esther tentara matar a ele e aos irmãos, nunca mais acreditou no amor de Esther, nem mesmo o demonstrado antes de serem vampiros. Para ele Esther não passava de um monstro asqueroso, serpente mais letal do que a que ferira sua irmã á pouco. Ao mesmo instante que tomava tais pensamentos sobre sua mãe, lhe vieram outros sobre si mesmo, não estaria ele repetindo as mesmas monstruosidades que seus pais, ao desprezar seu filho? As respostas foram claras e diretas. Mas Klaus ainda não se convencera de que a criança que Hayley carregava, merecia seu apreço. Embora algo dentro de si lhe afirmasse que ela já o tinha. Depois de alguns minutos de escândalo, Esther havia se tranquilizado ao ser convencida de que Rebekah iria sobreviver. Ayanna explicou a mulher o ocorrido com Rebekah, o que fez com que a rasa calmaria existente ali se extinguisse de imediato, Elijah que havia ido buscar ervas para o unguento da irmã, votara o mais depressa que suas pernas trêmulas lhe permitiam.

Logo que o rapaz adentrou a casa, foi surpreendido pelo ataque da mãe que lhe bateu a face com tanta força que o fez perder o foco diante seus olhos. –Mãe, por favor... – Suplicou o rapaz levando a mão à face dolorida pela bofetada. –SEU BASTARDO MISERÁVEL! Não me chame de mãe, se minha filha morrer, eu te renego, eu juro que te renego! ­– Esther avançara contra Elijah como uma besta selvagem avança contra sua presa, com sede de sangue. –Ayanna segurou firme nos ombros de Esther que agredia Elijah de maneira furiosa, e com força a atirou em um canto, fazendo com que as costas da mulher se chocassem violentamente contra a parede. – Você vai se acalmar e me ajudar a curar a menina, ou eu vou jogar você para fora da minha casa! – Ayanna bradou severamente, o olhar faiscando entre ela e Esther. Nos últimos tempos, Esther andava desequilibrada, apavorada e com um medo da morte que não era natural á uma bruxa. – Então, o que você prefere? – Esther respondeu a indagação com um leve movimento de cabeça em afirmação, o que Ayanna entendeu como uma concordância a cooperação. No instante seguinte Finn adentrou a casa, uma expressão confusa no rosto. –O que houve, eu soube que Bekah... – Mal o rapaz iniciou sua fala, Esther desabou novamente em prantos atirando-se nos braços do filho mais querido. Atitudes que fizeram o Klaus atual que ainda assistia a cena imóvel, revirar os olhos com nojo. Ayanna ordenou que Finn levasse Esther para casa, histérica como ela estava. Só iria atrapalhar. Mesmo relutante, Esther se deixou levar porta a fora.

Ayanna seguiu rumo ao cômodo vizinho, onde Rebekah estava. A pele da garota adquira um tom azulado e olheiras arroxeadas se formaram sob os olhos. Elijah que também parecia estar doente tamanha sua palidez, segurava entre as mãos trêmulas uma compressa de agua fria com a qual tentava baixar a febre insistente da irmã. ­–Me dê isso aqui menino. – Disse Ayanna tomando as compressas das mãos do jovem. –Acalme-se criança, sua irmã vai ficar boa. Agora me diga, você viu a serpente que feriu sua irmã? – Indagou a bruxa se parar com o que estava fazendo. – Eu... Eu não consegui ver. Mas... – Elijah parou no meio da frase, ponderando se revelava ou não sobre a presença de Klaus no bosque, as consequências para o irmão seriam maiores e mais pesadas do que para si mesmo. –Mas eu vi. – O jovem Klaus adentrou a casa num rompante, os olhos inchados e vermelhos pelo choro de outrora, trazendo nas mãos a serpente de tamanho médio, o animal enrolava-se contra o pulso do rapaz, enquanto este tinha os dedos firmes sobre o pescoço da víbora que exibia suas presas peçonhentas.

Elijah assustou-se com a chegada do irmão, ainda mais com o que ele trazia consigo. Não se surpreendia com a façanha da captura, desde que entrara na mocidade Klaus vinha apresentando comportamentos anormais, como uma inexplicável força, agilidade e também rapidez, além é claro da costumeira vitalidade, Klaus nunca adoecia como as demais crianças. Esther dizia que não havia nada de errado com Klaus, que ele era saudável e forte como todos os seus filhos. Então não havia mais perguntas a serem feitas.

Ayanna levantou-se depressa ao ver a serpente e correu logo para tomá-la das mãos de Klaus.

­–Oh céus! Criança, tu não tens medo? – Indagou afoita, recebendo apenas um aceno negativo vindo de Klaus.

– Ora, pois devia! Veja o estado de sua irmã... Espere um pouco – A mulher interrompeu seu discurso como se tivesse se dado conta de algo importante. – você estava no bosque também? – Indagou á Klaus, um misto de preocupação e dúvida em sua expressão. –Sim, eu estava. – Klaus afirmou por fim, sabendo que Ayanna logo chegaria à conclusão real sobre o ocorrido. – Oh, céus! Não me digam que VOCÊS a levaram até lá... – Ayanna alternou um olhar severo entre os irmãos a sua frente e teve certeza da verdade quando ambos baixaram os olhos em arrependimento. – Ela implorou tanto, Ayanna. Eu não pude negar seu pedido. – Klaus interviu, numa falha tentativa de explicar-se. –Oh céus, menino. Seu pai ficará furioso. – Ayanna sustentava um olhar compadecido pela sorte cruel do menino a sua frente. Mikael era severo e castigava seus filhos de maneira até mesmo cruel, mas Klaus era o mais atingindo pela fúria do pai, Mikael parecia ter uma tendência á culpar Klaus por tudo que dava errado na família.

–Mas isso não é problema para agora, vamos tratar da sua irmã. – Dito isso, Ayanna inicio o ritual para o unguento de cura, feito om o veneno da serpente e a seiva da erva de sangue. A mistura foi aplicada sobre a picada e um bálsamo revigorante de doze ervas foi dado para a menina beber. O Klaus atual assistiu atento, o seu eu passado acariciar o rosto da irmã e os pedidos de perdão que escapavam entre os lábios trêmulos.

Elijah já estava mais tranquilo, Rebekah já não ostentava o aspecto de doença e nem a palidez excessiva, havia até uma suave coloração nos lábios da menina.

O Klaus atual limitava-se a não olhar diretamente para a irmã, apenas observava as reações do seu eu passado, de como a humanidade o fazia tangível, vulnerável e mesmo assim, estava ali uma força que Klaus nunca mais tivera outra vez, desde que descobriu Katerina e a possibilidade de quebrar a maldição e ter seu exército.

Os devaneios do híbrido foram interrompidos com o alto estrondo da porta da casa sendo aberta bruscamente. Diante de seus olhos estava Mikael e este parecia menos humano devido à fúria em sua face, lembrando uma besta sanguinária. O Klaus atual pôr-se imediatamente em posição de alerta, sem se dar conta de que era intocável. Talvez os anos de medo e fugas incansáveis houvesse imprimido em si, um instinto de autoproteção tão poderoso á ponto de ignorar até mesmo a própria realidade.

Klaus viu Elijah levantar-se depressa, o seu eu jovem ainda não havia notado a presença do pai. Mas isso não durou muito tempo, Mikael dirigiu-se á passos largos até Elijah, e num rompante de agressividade incontrolável, segurou o filho pelo pescoço, comprimindo fortemente os dedos contra a traqueia do rapaz que tentava, em vão, se libertar do sufoco. –SEU MALDITO BASTARDO! Eu partir você em dois se minha filha morrer... – Mikael permanecia alheio a tudo, até mesmo aos gritos desesperados de Ayanna ao seu lado, esta implorava para que o homem largasse o filho, que ele iria acabar matando-o. Logo que os gritos propagaram-se pelos cômodos da casa, o Jovem Klaus adentrou a sala e com um olhar aterrorizado, permaneceu sem reação, como se houvesse entrado em choque. –Não se meta Ayanna, isso é assunto de família. – Bradou Mikael, repelindo Ayanna para longe de si. – Eu não vou permitir que você mate seu próprio filho dentro da minha casa e diante dos meus olhos. SOLTE-O MIKAEL! – ordenou a bruxa lançando-se sobre o homem que parecia irredutível em suas atitudes. –Afaste-se! – Com um movimento brusco Mikael lançou Ayanna contra algum móvel e, ainda segurando Elijah pelo pescoço, dirigiu-se para fora da casa. E pela primeira vez, o jovem Klaus teve alguma reação, correu até a varanda da casa e com um grito audível, tomou a atenção do pai para si. – FUI EU, PAI! – Mikael estancou sua caminhada, e soltando Elijah que caiu de joelhos engasgando-se com o ar que entrara bruscamente em seus pulmões, virou-se para Klaus, ódio faiscando em seus olhos, mais ódio do que Klaus já vira em toda a sua vida. O Klaus atual que seguira logo atrás do seu eu jovem, observava tudo da varanda da casa, este se limitou a baixar o olhar para não encontrar o do pai. Sentiu-se um verme miserável.

Quando sentiu seus olhos vertiginarem, piscou algumas vezes buscando novamente o foco em sua visão e então avistou ao longe, Mikael carregar seu eu jovem pela nuca para dentro de casa e tão logo a porta se fechou pôde ouvir o som dos estalos do chicote sobre a carne, então se sentiu novamente aquele menino frágil e ferido, até podia jurar que sentiu novamente a dor dos açoites sobre suas costas.

Pensou em fugir, voltar para o bosque, onde não pudesse ouvir mais aquele som asqueroso e quando sua mente calculou uma possível escapada, foi surpreendido por uma Rebekah pálida e abatida irrompendo pela porta ao seu lado, Ayanna logo atrás implorando para que a garota não fosse, mas Rebekah já não ouvia mais, seguiu o mais depressa que suas pernas, ainda enfraquecidas, puderam andar. Logo que Rebekah adentrou a casa, Klaus sentiu um aperto no estômago como se suas vísceras estivessem sendo corroídas por algum ácido poderoso. Agonizante fechou os olhos com firmeza.

Sentiu a dor se esvair devagar e então os sons invadiram seus ouvidos, gritos inteligíveis aos poucos foram tomando nitidez. A voz de Esther, Elijah e Finn gritavam hora por Rebekah hora por Mikael. Concluindo por fim que ainda não havia acordado daquele maldito e massacrante pesadelo, Klaus resignou-se a abrir os olhos e a cena em sua frente fez com que cada parte de seu corpo se agitasse de maneira devastadora. Seu eu jovem permanecia desfalecido sobre uma cama, as costas nuas cobertas por lacerações feitas pelo couro do chicote, sobre seu corpo em um desesperado instinto de proteção e amor, Rebekah. A garota agarrou-se ao corpo do irmão de tal maneira que nem os irmãos mais velhos, empenhando toda a sua força conseguiram afastá-la. Mikael gritava para que a tirassem de lá ou ele iria acertar nela os golpes que eram para Klaus. Esther gritava desesperada. ­–NÃO! EU NÃO VOU SAIR. – gritou Rebekah. –Se quiser feri-lo mais terá que me ferir também. – Concluiu a garota irredutível em sua decisão. – Nós somos um só, meu querido. Um só. – Sussurrou para o irmão quase desfalecido. Rebekah comprimiu os lábios e cerrou os olhos ao ver o chicote erguer-se novamente. Um grito penetrante escapou dos lábios do Klaus atual, que sem pensar duas vezes atirou-se contra Mikael que brandia o chicote acima dos ombros. Sentiu seu corpo traspassar a matéria sólida como ar e viu-se sendo tragado para uma escuridão sem fim, um vazio imensurável. Mas ainda houve tempo suficiente para ouvir o estalar do chicote cortar o ar. Rebekah não gritara, mas Klaus ainda lembrara-se claramente das lágrimas da irmã escorrendo sobre a face do mesmo, misturando-se com as suas próprias lagrimas e ali, naquele instante houve um pacto, um laço mais poderoso do que qualquer outro. Klaus seria por Rebekah pela sua eternidade e a recíproca era mais que verdadeira.

E despertando mais uma vez. Klaus sentiu-se aliviado por encontrar-se jogado contra o chão empoeirado de seu ateliê, cercado por telas inacabadas e outras intermináveis, tinta e pinceis por todos os lados. Nunca agradeceu tanto por sentir o tão incomodo cheiro de solvente invadir suas narinas. Levantou-se rapidamente, não sentia nada, nenhuma dor ou vertigem, nada que outrora lhe acometera no tão perturbador e vívido pesadelo. Retirando o excesso de poeira das vestes, dirigiu-se a saída do lugar. Definitivamente precisa parar com os uísques noturnos, ou então necessitava de uma nova consciência, sem tanta culpa pra lhe assombrar.

Chegando a seu quarto, avistou o celular sobre a escrivaninha, este piscava e vibrava alarmante. Klaus pensou em não atender, poderia ser Elijah com suas preocupações patéticas para com o bebê e a garota. Contudo, algo, algo poderoso demais para contrariar lhe dizia que devia atender e então, perdendo completamente o controle sobre si, atendeu resignando-se.

–Alô? –perguntou ao notar o telefone mudo.

– Se ainda quiser ver o corpo da sua irmãzinha querida, Niklaus.

Venha até mim... Temos negócios a tratar. – a voz de Leah era mais familiar do quem Klaus desejava que fosse.

–O que você pensa que está fazendo Leah? Que tipo de jogo sórdido é esse?­– Klaus indagou ainda confuso sobre o que a bruxa, aliada de outrora, estava falando.

–Jogo sórdido? – A voz feminina gargalhou do outro lado da linha. –Eu não estou blefando, querido. Tenho a sua irmãzinha sob meu controle, Nik. E vou enterrá-la no meio do pacífico se você não vier até mim, nas próximas 24h. Entendeu? – Indagou a bruxa ameaçadora. –O enderenço está no seu e-mail. Ah, mandei também um belíssimo vídeo postal. ­ – e dizendo isso a ligação foi finalizada. Nos segundos que se passaram a seguir, Klaus manteve-se estático até se dar conta de que Leah provavelmente não estava blefando e que Rebekah poderia estar em apuros. Correu até o seu escritório e pegando o computador sobre a mesa de papeis, notou o e-mail recém-chegado.

Clicou no vídeo e o que viu fez sua expressão endurecer-se de tal maneira que parecia um monstro prestes a esmagar alguém, e talvez fosse essa sua vontade. Na tela, a imagem nítida, sobre um leito de hospital jazia Rebekah, mais pálida do que papel, os braços amarrados com o que parecia corda de verbena e nas artérias dos braços e pescoço, cânulas levavam para a corrente sanguínea um liquido castanho de aparência espessa. A seiva pura da verbena.

Antes que o vídeo acabar, Leah apareceu na tela. O sorriso petulante no rosto. –Então, agora acredita em mim? Tic- toc. Faz o relógio na sua parede... E cantarolando algo do tipo, Leah aproximou-se da câmera e com um movimento qualquer fez o vídeo apagar-se.

Notas finais
Bem, é isso. Se tiverem duvidas e sugestões mandem por review, eu fico muito grata se vocês me perdoarem. leticia Uchiha Bem vinda, querida.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.