Redenção
38 POV Sophie - 10 anos depois
Notas iniciais
Quanto tempo hein amores?
Saudades de estar aqui com vocês ^^
Será que ainda tenho leitoras de Redenção por aqui?
Bem, nesse capítulo vamos dar uma olhada no futuro da nossa bonequinha.
Enjoy ♥
–Abby e Noah, definitivamente vocês não irão me enlouquecer hoje. – sibilei com um sorriso sarcástico.
Eu conheço bem o jogo dessas duas pestes, primeiramente eles vêm com aquelas carinhas inocentes, com aquelas bochechas rosadas parecendo dois anjos de candura, os olhos com um brilho intenso e as mãozinhas unidas em seus queixos. E quando dou por mim, lá estou eu, no meio das parafernálias deles no jardim, aquilo que o tio Ed chama de parquinho, que de parquinho não tem nada, aquilo lá está mais para ala de tortura do tio Saw (Jogos Mortais) isso sim, pois toda vez que eu me aproximo daquele local, saio um joelho rasgado, uma testa cortada ou algo parecido.
Tio Ed gosta de dizer que tenho as habilidades motoras da mamãe, a própria afirma que isso é culpa do meu pai, que ficava em cima de mim o tempo todo quando eu estava aprendendo a andar e por isso não me desenvolvi muito bem, esse último comentário eu nem levo em consideração. Já Thomas afirma que isso faz parte do meu charme...
Ah Thomas!
Pensar nele faz com que cada...
–Tatá você vem ou não? – perguntou um Noah todo marrentinho. O menino é muito lindo, seus cabelos fazia uma bagunça de fios chocolates espetados para todo lado, seus olhos brilhavam em um azul profundo, a pele marfim e as bochechas rosadas eram meros destaques. Não é me gabando não, mas o garoto era minha cópia, em nada puxava ao pai. Ele era todo minha mãe e eu.
–Não vou pequeno príncipe. – era assim que eu o chamava desde bebê – A tatá está muito cansada hoje baby, preciso esticar meus pezinhos neste sofá e relaxar por alguns minutos.
Joguei-me no sofá e fechei meus olhos tentando acalmar meus pensamentos. Eu tinha que resolver tudo ainda hoje, deixei a situação se alastrar por muito tempo, mas agora de nada adiantava lamuriar. Sempre fui forte e determinada, sempre corri atrás de tudo que almejei, matei um leão por dia para chegar até aqui, uma autora de romances muito prestigiada – obrigado. Então explique, por favor, como cometi tantas falhas nesse campo, aquele em que seu coração está em jogo? Não que “ele” não seja um cara perfeito. Não que eu esteja duvidando dos seus sentimentos. Não que eu me arrependa de cada segundo.
O fato é que, estou morrendo de medo da reação de toda a minha família, e quando eu digo toda, isso inclui no pacote Isabella e Edward, Jacob e Nessie, e se abusar eu teria que lidar com a tia Tânia e o tio Tyler também.
Oh Céus, eu estava ferrada.
Senti algo fofo fazendo cócegas em meu ventre e abri meus olhos, um emaranhado de cachos louros pesava em minha barriga, olhos azuis disparavam em minha direção.
–Pode dizer Abby – acariciei seus cabelos tão macios – O que queres pequena?
–Nada não tatá, só quero ficar aqui pertinho de você. – eu já disse que tenho os melhores irmãos do mundo? Pois é, eu tenho, e olhem que a penca é grande viu.
–Então vem cá – abri espaço no sofá – Deita pertinho de mim vem.
Rapidamente ela se aconchegou e ficamos assim, juntinhas cochilando a tarde toda.
Acordei sentindo minha cabeça zonza, Abby já não estava mais em meus braços e a casa estava toda em polvorosa.
Levantei seguindo as vozes e parei encostada na porta, observando a minha família.
–Acordou princesa. – disse minha mãe andando em minha direção. Aproximou-se e beijou minha bochecha – Estou te achando tão pálida filha.
–Você está se alimentando direito pequena? – tio Ed nunca perdia o tato.
–Amor o que foi? – esse foi o papai, sempre todo dengoso comigo, nos aproximamos infinitamente mais durante os últimos anos.
–Sophie querida, sente-se um pouco. – e essa foi à tia Tânia. Isso mesmo, a própria ex-namorada do tio Ed que agora é casado com a mamãe. Ela se aproximou muito da nossa família depois do casamento da mamãe com tio Ed, o principal motivo fora Thomas, mas agora ela era muito carinhosa e acreditem ou não, muito próxima da mamãe. Estranho né? Parece mesmo visto por fora, mas quem disse que minha família é normal?
–Sophie você está pálida... – essa foi à voz do tio Tyler, sim, o próprio marido da Tia Tânia, ele era uma graça de pessoa e era muito bem vindo a nossa casa também, e em dez anos, todos os dias de ação de graças era assim mesmo, casa sempre cheia, só não entendo porque a voz dele soa tão longe...
–EDWARD ELA VAI CAIR... – reconheci a voz da tia Nessie e depois não vi mais nada.
Sei que não morri, posso afirmar esse fato, pois eu ainda escuto vozes sussurrando ao meu lado e uma quentura familiar em minhas mãos.
Mas não morri "ainda", pois no segundo que eu acordar, tenho certeza que alguns aqui presentes irão planejar minha morte lenta e dolorosamente.
Entendam uma coisa, eu não planejei nada disso, exatamente nada, simplesmente aconteceu, foi mais forte que nós e para sermos sinceros....
–Acorde Sophie – ouvi sua voz sussurrar em meu ouvido – Acorde amor, eu estou aqui com você.
Agora me digam, como negar isso? Como não reagir a essa voz?
Não me achem maluca, mas é assim que funciona comigo, posso fazer tudo independentemente, mas devo ter alguma espécie de chip em meu corpo que aciona toda vez que escuto essa voz, meu corpo inteiro reage, minhas mãos suam, minhas pernas tremem e meu coração palpita tanto, que tenho medo que ele salte para fora. Sempre foi assim, desde a primeira vez que o vi em minha escola de artes. Eu estava matriculada no balé e esporadicamente eu via a turma do clube de luta. Eu o vi.
–Oi – fui recebida com o mais lindo sorriso assim que abri meus olhos.
–Oi – sussurrei com a garganta seca – Estou com sede.
–Tome. – ele estendeu a mão e me ajudou a me sentar, assim que o fiz percebi todos os olhares em torno de mim, a sala estava quente e abafada, o restante dos convidados ali já estavam também, então contem comigo, papai e a tia Nessie no meu canto direito, tio Ed e mamãe no meu canto esquerdo, Abby, Noah, Arthur e Nahuel sentados no chão a minha frente com olhinhos espantados, tia Alice, tio Jasper, tia Rosálie, tio Emmett, vovô Carl, vovó Esme, vovô Charlie e vovó Reneé todos encostados na parede á minha frente e sem contar meus primos ao lado dos pais também. Bebi a água em um rompante sentindo que meu tempo estava acabando. A bomba iria explodir.
–O que está acontecendo aqui? – perguntou minha mãe, sua voz agora passara de preocupada com algo mais. Ousei encarar seus olhos e então eu vi, ela já sabia.
–Eu não tenho passado muito bem ultimamente. – arrisquei, mas agora eu não estava mais com medo, ele estava aqui do meu lado, segurando minha mão em uma promessa muda de que estaria sempre aqui.
–O quão não muito bem você tem passado princesa? – tio Ed rapidamente se pôs de joelhos na minha frente e começou a checar meu pulso, o que acredito que ele já tenha feito mais de uma vez.
–Eu venho sentindo tonturas, desânimos, sonolência e estou vomitando muito. – sussurrei encarando os olhos analíticos do meu tio, quase pai, Dr. Edward Cullen. Se ele parasse apenas um minuto para pensar, ele entenderia perfeitamente. O que de fato não aconteceu.
–Isso pode ser uma intoxicação alimentar querida. – disse tia Nessie se aproximando mais.
Eu simplesmente neguei com um aceno de cabeça, incapaz de pronunciar minha sentença, olhei para os olhos verdes ao meu lado, cópias exatas dos olhos a minha frente e busquei uma saída.
–Ah pelo amor de Deus gente – disse Abby se levantando e colocando suas mãozinhas na cintura, sua voz saíra incrédula – Depois dizem que criança não entende nada, estou aqui com o vovô Carl que é médico, meu papai que é médico e com a tia Nessie que acreditem ou não também é médica, e só eu entendi o que a tatá tem?
Vários pares de olhos encaram a baixinha a nossa frente, eu sabia que todo aquele dengo mais cedo não era à toa, mesmo Abby sendo adotada, sempre tivemos uma conexão incrível.
–Do que está falando Abby? – perguntou meu pai aturdido, diga-se de passagem, ele já tinha entendido muito bem.
–Ela está grávida, dãh. – esse foi Noah, que além de responder para ele, bateu o punho na testa como se meu pai fosse um idiota, não vou discutir isso aqui e agora, mas se fosse em outra ocasião, Noah levaria um represália do tio Ed no ato.
Gritos abafados e sussurros desconexos eram ouvidos nesta sala, eu não podia ver isso, então fechei meus olhos e respirei fundo, tentando acalmar as lágrimas quentes que ardiam em meus olhos.
–Quem é o desgraçado? – rosnou tio Edward.
–Diga agora Sophie, quem foi o desgraçado que te desonrou? – essa foi à voz sibilada do meu pai. Sua voz estava ameaçadora e isso seria muito cômico se não fosse tão trágico.
Ouvi um riso familiar, logo depois transformando em uma gargalhada gostosa. Olhei espantada para minha mãe e para tia Tânia, ambas estavam até com as mãos na barriga de tanto rir. Mesmo sem entender a graça, um sorriso espalhou-se por meu rosto.
–Edward e Jacob criem vergonha nessas caras deslavadas. – disse minha mãe ainda rindo.
–Não estou entendendo seu ponto Isabella. – opa, agora a coisa ficou séria, tio Ed só chama a mamãe de Isabella quando está bravo, e eu nem me lembro à última vez que isso aconteceu.
–Eu irei te explicar direitinho meu ponto, Senhor Cullen – ela se aproximou de nós e o encarou nos olhos – Nossa filha – ela desviou os olhos por um minuto e encarou também o meu pai – Já tem 21 anos, sua maioridade já permite até mesmo, uma bebedeira. Ela é adulta, formada, vacinada e independente, concordo que ela nunca nos apresentou formalmente seu namorado, mas e daí? Tenho certeza que a criei muito bem, para ser feliz em sua escolha. – disse ela lançando uma piscadela para mim e para “ele”.
–E tem mais – disse tia Tânia se aproximando ameaçadoramente dos meus pais, leia-se Edward e Jacob – Você senhor Edward – ela voltou seus olhos para a platéia – Me perdoem por tocar nesse assunto – voltou o olhar para eles novamente – Me engravidou quando eu tinha apenas 18 anos e engravidou a Bella quando ela tinha somente 15 anos Edward, 15, entende isso? – tio Ed ficou vermelho, eu já sabia dessa história, mas pela carinha dos pequenos, alguém estará em apuros para explicar isso mais tarde.
–E você Jacob? Bella foi mãe de Sophie com quase 17 anos, ainda uma menina também, o mínimo que se espera de vocês, é apoio, pois acho que ela precisa muito disso. – finalizou tia Tânia beijando minha testa.
–Podemos conversar em particular? – pediu tio Ed gesticulando para minha mãe e meu pai.
Todos entenderam o recado e foram se dispersando pela casa, exceto pela tia Tânia e pelo Thomas.
–Tânia, o assunto agora é familiar – disse tio Ed apertando a ponta do nariz com o polegar e o indicador – Pode ir você e leve o Thomas junto.
–Eu não vou sair daqui pai – então compreensão passou pelos olhos de todos, quando ousadamente, Thomas beijou minha mão.
–Peraê – disse meu pai numa voz sufocada – É isso mesmo que estou entendendo? – perguntou retoricamente. Num movimento brusco, ele abaixou a minha frente e segurou meu rosto com suas mãos. Thomas jamais deixou a minha.
–Pai – sussurrei, nessa hora as lágrimas a muito negada, corriam livres pelo meu rosto – Eu o amo, muito.
–Eu a amo também tio Jake — afirmou Thomas segurando minha mão mais apertado – Sempre amei.
–Meu Deus Edward, como você não viu isso acontecendo. – rosnou meu pai furiosamente se levantando.
–Nossa... – bufou tio Ed, sentando-se numa poltrona – Estou sem palavras.
–Eu sempre imaginei algo assim crianças – disse mamãe com a voz suave – Mas pensei que estava em estágio inicial, que agora que ambos tinham voltado para casa, talvez começariam a se aproximar mais.
–Nunca deixamos de nos ver mãe – afirmei com a voz trêmula – Mesmo em cidades separadas por conta da universidade, nós nos víamos, nos falávamos todos os dias...
–Há quanto tempo? – questionou tio Edward, abaixei minha cabeça ao responder.
–Cinco anos. – afirmei com os olhos fechados e ouvi um suspirar pesado.
–Todo esse tempo... – sussurrou tio Ed – Debaixo dos nossos olhos Bella. – senti a dor em sua voz.
–Confesso que estou surpresa por não ter percebido antes – disse minha mãe sentando no colo do seu marido e nos encarando – Mas estou imensamente feliz por ser você Thomas, meu filho de coração, o homem da vida da minha filha.
Sem pensar, corri para seus braços e fui muito bem acolhida.
–Eu acho que é a minha hora de dizer algumas coisas. – disse Thomas após limpar a garganta.
–Passou da hora de dizer algumas coisas né Tom? – disse meu pai retoricamente me puxando do colo da minha mãe. Aconcheguei-me nele e recebi um beijo na bochecha.
–Bom... – começou ele.
–Desembucha logo filho.
–Eu falo se vocês deixarem pai. – bradou.
–Não vou pedir desculpas por nada disso para ninguém, desculpas são ditas por pessoas que se arrependem daquilo que fez, e eu acredito que esse bebê veio em boa hora, pois estou ansioso há exatos cinco anos para partilhar com vocês meu amor por Sophie Black – minhas lagrimas voltaram, e não só eu, mamãe e tia Tânia também choravam – Não o fiz antes porque a mesma pediu sigilo, ela tinha medo das represálias que viriam por parte de vocês, eu estava pouco me fodendo para o que vocês pensavam...
–Thomas. – sibilou tia Tânia.
–Perdão mãe, eu estava pouco ligando para o que vocês pensavam, o fato é que eu amo essa menina desde a primeira vez que a vi, naquela ridícula roupa cor de rosa de balé, eu amei mais ainda ao conhecer sua força ao passar por aquela terrível doença, amei ainda mais quando nos tornamos amigos e irmãos, mas o amor carnal foi inevitável quando meus olhos cruzaram com os dela assim que ela voltou de viagem, lembra quando vocês foram para a Disney tio Jake? – meu pai assentiu, olhei para ele e pude ver o rosto do homem que me deu a vida também, pele morena, seu indispensável cavanhaque e seus olhos, negros como a noite, agora banhado em lagrimas não derrubadas.
–Eu lembro Tom. – ele disse com a voz cortada.
–Aquilo foi à coisa mais difícil da minha vida – ele desviou os olhos e encarou o pai, meu tio Ed – Lembra pai como eu fiquei? Eu tive febre, isso não é normal, e então eu percebi que a amava e não tive medo de contar isso a ela – Thomas respirou fundo e me encarou limpando suas lagrimas – E qual foi minha surpresa ao saber que você sentia o mesmo?
Eu não conseguia falar, simplesmente saí do colo do meu pai e me afundei no calor dos seus braços.
–Eu te amo Sophie Swan Black – e então para acabar com meu coração de vez, ele se ajoelhou – Eu amo cada qualidade sua, amo seus cabelos, a cor deles me fascinam, eu consigo mergulhar em seus olhos e ali me perder, mas eu tenho que dizer que você na TPM fica insuportável, e eu odeio quando você ousa em usar minha escova de dentes, odeio a forma como você é bagunceira, odeio quando você se perde em seus romances e nem me dá atenção, mas eu amo o fato da minha garota ser uma escritora renomada e eu amo ainda mais, o fato de poder amar os seus defeitos. Seja minha para sempre Sophie e case-se comigo. – eu compreendo que ele não fez “a pergunta” e sim uma afirmativa, mas de toda a forma a resposta seria a mesma.
–É claro que aceito meu amor. – ele revelou em sua palma um solitário lindo e delicado, e após por em meu dedo, pulei em seus braços e sobre palmas, selamos com um beijo.
Thomas e eu sempre estivemos juntos, era muito difícil trocarmos beijos quando estávamos em casa, mas nossos pais nunca desconfiavam de nada, então como desculpa, nós íamos à semana toda no cinema, no parque, na praça.
Assim foi a transição da nossa adolescência para a fase adulta. Confesso que foi muito difícil seguir para Seattle, enquanto ele ia para Port’Angeles, mas isso foi bom, a saudade fortaleceu ainda mais nosso relacionamento.
Eu já estava decidida a contar para os meus pais e meus tios sobre isso logo, mas a pressão do curso, a entrega do meu mais novo livro, foi muita pressão para minha cabeça. Então me descubro grávida. Ali não tinha mais alternativa, era hora de assumir.
Thomas foi e é tudo aquilo que sempre desejei. Meu amigo, meu irmão, meu companheiro, meu homem. Acabou se mostrando um ótimo pai também, Emma veio ao mundo há dois anos, hoje é a princesinha da casa, mimada e paparicada por todos.
Nossa casa está pronta, mas estamos protelando para sair, o fato é, estou grávida do meu segundo filho, Andrew chega em dois meses e eu ainda vou precisar das mãos extras da minha mãe com o pequeno, e das mãos extras de Abby com Emma.
–Mas que saco hein Arthur – disse uma Abby brava com Emma no colo – Para de ficar me seguindo pela casa.
Eu só observava do sofá enquanto acariciava minha barriga enorme.
–Não estou te seguindo pirralha, só estou procurando o Noah. – Arthur estava ficando uns dias por aqui com mamãe e tio Ed, pois tia Tânia estava em uma nova lua de mel com tio Tyler.
–Então sai da minha cola. – Abby sibilou parando em frente a ele.
–Idiota mimadinha.
–Ogro presunçoso.
Isso vai longe, mas aí já história para outra fic né.
–Vem com a mamãe vem Emma – fui até eles e peguei minha pequena do colo da minha irmã.
–Cadê as minhas princesas? – ouvi a voz do meu marido e corri para seus braços.
FIM
Notas finais
Beijoooos
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