RedHeads - Floresta de Sangue

4 Um presente da minha avó…


Notas iniciais
Olá, Espero que gostem do novo capítulo, a história seguirá um ritmo diferente a partir desse capítulo, enfim... Boa leitura~

Capítulo 4:

Naquela mesma madrugada, o som da fogueira estalava na floresta silenciosa, o forte fogo iluminava o rosto de Alice destacando seus cachos ruivos e dando a Leõ uma visão deslumbrante.

–E foi assim que vim parar aqui... –Contava Alice meio desanimada.

–É muita informação para mim – Tentava se explicar enquanto se distraia com a bela visão que tinha. –Eu tenho muitas perguntas... Como você fez aquelas chamas? E o que significa aquela história do Contrato? E principalmente, como alguém vive uma vida inteira trancada numa cabana sem saber de nada sobre o mundo exterior?

–Eu tinha meus pais para cuidar de mim e eu sei muito sobre o mundo, meu pai me trazia vários livros durante as suas viagens — Dizia ela com uma expressão nostálgica. –E sobre os meus poderes… ainda não os entendo, são partes de um instinto. Preciso achar a minha avó, ela deve saber o que sou. Por isso lhe contratei.

Leõ ficava cada vez mais curioso, quando percebeu que continha uma informação que podia ser importante.

– O homem velho que você falou, eu sei quem ele é...

A aura de Alice mudou novamente, em um piscar de olhos a expressão dela se tornou ameaçadora. A fogueira se enrijeceu numa chama cor de vinho e Leõ já não sabia se a fogueira estava iluminando ou sugando a luz a sua volta. Mesmo sentado suas pernas tremeram.

–Me diga… quem é e onde posso encontrá-lo?! –Perguntava ela demonstrando todo rancor que guardava.

Leõ hesitou por um segundo, gostaria evitar dizer, mas algo dentro dele o forçava a responder:

–Ele é o nosso líder, sabemos pouco sobre sua história, mas ele foi o responsável pela morte do seu clã… e dos seus pais.

–Sabe como encontrá-lo?

–Nem pensar, ele é tipo um Rei, apenas os mais fortes ficam em sua presença.

De repente Alice se deu conta de quem estava ali, na sua frente. Quase havia se esquecido de que Leõ era um Werwolf, um servo do homem que quer se vingar.

–“Nosso líder”, você diz. –Ela diz com um ar de interrogadora. – Acho que você me deve algumas explicações, Lelon. O que fazia no lago atrás da cabana naquela manhã? E afinal, quem é você?

Leõ entendeu o significado daquela pergunta, ela precisava saber se ele era um aliado, mas a questão é que nem ele ainda sabe responder de que lado estava.

–Primeiramente, é Leõ! E eu sou um órfão, assim como você. A minha mãe foi morta por um caçador há algum tempo atrás e o meu pai desapareceu antes mesmo de eu nascer. Naquele dia eu estava seguindo uma pista do caçador, também busco vingança.

Alice refletiu sobre aquilo, havia a possibilidade de que seu pai fosse o tal caçador, mesmo assim ela decidiu esconder esse fato e voltou às perguntas:

–Parece que entramos em um dilema… Eu quero matar seu líder, mas preciso da sua ajuda para encontrar a minha avó…

Leõ refletiu por um tempo, queria ajudá-la, mas tinha medo de desafiar Warwick. Já ouvira histórias sobre traidores e sabia bem o que aconteceria com ele caso fosse pego.

–Quem imaginaria… uma RedHead dizendo que precisa de um Werwolf –Dizia ele tentando quebrar a tensão.

–Ainda não sei nada sobre esse negócio de RedHead, estão tentando me matar por causa disso! –Ela demonstrava certa irritação infantil – E então, irá ou não me ajudar?

–Claro que irei, não é como se uma garotinha fosse sobreviver na floresta sozinha. Irei te acompanhar até você se encontrar com a sua avó, depois pego meu rumo — Dizia ele aparentando estar feliz em ajudar – Não tenho ninguém me esperando em casa… posso sumir por uns dias.

Alice pulou para ficar em pé, voltando para aquela aura infantil e demonstrando bastante irritação.

–Quem disse que não consigo sobreviver sozinha na flores...

Antes que pudesse terminar, ela foi lentamente caindo na areia fofa. Seu corpo leve mal fez barulho ao se chocar com o chão. A fogueira apagou e Alice havia desmaiado.

O dia já estava claro quando Alice despertara, ainda estava meio atordoada, mas se recordava com exatidão da noite passada. Ela estava deitada perto dos restos da antiga fogueira que fizera, seu manto vermelho estava dobrado e sendo utilizado como travesseiro. Próximo dela havia uma espécie de cesta improvisada com folhas e galhos secos, dentro dela havia algumas frutas como bananas, maçãs e amoras. Ela hesitou por um minuto, mas logo já estava atacando as frutas, não havia comido nada desde a morte de seus pais, esse deve ter sido o motivo do desmaio da madrugada passada. Como um choque ela percebeu que estava faltando algo… Leõ!

–Le...lon?! Garoto lobo? Cadê você? – Perguntava ela em alto tom, procurando pelo garoto.

Não recebendo nenhuma resposta, os olhos de Alice se encheram de lágrimas e ela parecia a garotinha indefesa que acabara de perder os pais novamente. Foi quando atrás dela se ouviu sons de passos. Virando rapidamente, pôde reconhecer o cabelo cacheado e os olhos amarelos do seu contratante, ele estava mais limpo do que na noite anterior e carregava um par de coelhos nos ombros.

–Ora, ora… depois eu que sou a bela adormecida! – Disse Leõ, após derrubar os coelhos no chão próximo à fogueira. –Ainda bem que comeu as maçãs, você parece ter desmaiado de fome… Pera… estava chorando?

Rapidamente Alice enxugou as lágrimas e se recompôs.

–Claro que não, garoto lobo. Espero que não tenha feito nada estranho enquanto estive dormindo!

–Estranho tipo... – Ele corou após perceber, respirou fundo e voltou a dizer – Nós temos outras preocupações agora… Um bando de Werwolfs encontrou o estrago que você fez no outro dia, precisamos ir andando e sair da floresta. Não é seguro.

Alice confirmou demonstrando certo receio, nunca havia conhecido outro lugar além da floresta, para ela aquilo sempre fora seu mundo e agora esse mundo estaria prestes a mudar, se expandir. E as palavras de Leõ não saiam de sua cabeça “Não é seguro”.

–Ah, e outra coisa… — Acrescentou Leõ após uma longa pausa – Você precisará esconder esse seu manto vermelho, não queremos uma multidão atrás da última RedHead…

Ela agarrou seu manto vermelho como se fosse uma criança e, lutando com todas as suas forças, o guardou dentro de sua cesta debaixo de suas frutas.

–Sabe… Mamãe dizia que esse capuz foi um presente da minha avó… — Dizia ela enquanto guardava e se aprontava para partir.

Notas finais
Obrigado por ter lido até aqui, hehe Até uma próxima :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.