Notas iniciais
Infelizmente a história de halloween mesmo eu vou ter que dar uma atrasada. Peço desculpas, mas amanhã eu crio e já posto, já tenho uma ideia do que farei^^

Era manhã do dia 21 de outubro, faltavam 10 dias para o Halloween. Eu estava indo para a faculdade quando vi um lindo lobo cinza, ele estava ferido e assustado.

Havia uma corda em seu pescoço e focinho formando uma mordaça e sua pata esquerda dianteira estava com um ferimento feio, como se alguém tivesse enfiado uma face e a girado. Eu me aproximei devagar e ele deu um leve rosnado.

‘Shhh, está tudo bem, eu só quero ver o estado da tua pata.’ Fiz um carinho no topo de sua cabeça. Arriscado? É, foi sim, mas eu podia ver que por baixo do rosnado de aparente raiva estava o pavor e a dor.

Peguei sua pata e ele arreganhou os dentes da melhor forma que podia antes de rosnar novamente.

‘Deixe-me ver, eu só quero ajudar’ Parece que ele entendeu, pois parou de rosnar. ‘Provavelmente você não vai me entender, mas mesmo assim, rogo-te que não se esquive ou tente me ferir, ok? Eu terei que pegá-lo no colo e levá-lo para minha faculdade, lá será mais fácil ajudá-lo. Eu tenho amigos na área de enfermagem e veterinária.’

Eu o peguei com calma e cuidado e ele não demonstrou resistência. Levei-o para a faculdade, eu já estava a poucos passos dali. Quando entrei com ele, percebi que ele estava assustado com a quantidade de pessoas que havia ali. Então chamei um amigo que estava sentado no bar com varias mulheres a volta, só para variar. Mas o que esperar de um estudante de medicina, não é mesmo?

‘Ronald!’ Não sei como ele me ouviu com aquele monte de gente falando com ele.

‘Emily, como está?’

‘Sem tempo para ser simpática, preciso urgentemente que faça algo para mim.’

‘O que você quiser, é só pedir.’ Esse é o Ronald, sempre prestativo.

‘Preciso agora mesmo de soro fisiológico, gaze, fita crepe, algo afiado para cortar a corda e que peça pra Daphne algum analgésico para um cão de mais ou menos 35 kg.’

‘Para onde quer que eu leve tudo isso?’

‘Você sabe para onde, esperar-te-ei lá.’ Ele já estava indo pegar as coisas quando o chamei mais uma vez. ‘Ronald! Só mais uma coisa, avise a professora Pérola que eu vou chegar atrasada na aula, sala 204.’

‘Está bem!’

Ele se foi e eu então levei o lobo para o meu lugar preferido. Era uma espécie de mini bosque dentro da faculdade, muitas árvores, tranquilidade e paz. Havia um caminho de flores ocultas que levava ao núcleo daquele labirinto verde florido. Apenas Ronald e eu conhecíamos aquele caminho, nós o criamos, esse era o nosso lugar secreto.

Ajoelhei-me e coloquei-o no chão com calma. Depois de me ajeitar pus a cabeça dele em meu colo. ‘Você vai ficar bem, ok? Eu vou cuidar de você.’ Naquele momento uma lágrima minha caiu em seu focinho e pela primeira vez, ele me olhou como se não pudesse me compreender.

‘Cheguei!’ Gritou Ronald que aparentava estar bem fadigado.

‘Ótimo, primeiro vamos remover essa mordaça.’

‘Aqui! Eu ia te dar de presente de aniversário, mas achei que seria útil hoje.’

Era uma adaga linda, com um cabo todo feito de esmeraldas com pedras de diamantes. Peguei-a e o lobo se mexeu como se quisesse fugir. ‘Ei calma, eu só vou cortar a corda.’ Cortei a corda e ele continuou me olhando.

Quando vi que ele ia lamber a ferida, delicadamente o impedi. ‘Eu sei que a vontade é grande, mas não se lamba, preciso limpar a ferida.’ Ele baixou a cabeça.

‘Quer ajuda para contê-lo?’ Ronald me perguntou.

‘Não precisa.’ Respondi rapidamente ao notar que o lobo o encarava com um olhar demoníaco. ‘Só vai me alcançando as coisas conforme eu for pedindo, ok?’

Ronald suspirou. ‘Está bem Emily, como queira.’

‘Talvez doa um pouco, mas você precisa confiar um pouco em mim, ok?’ E por um momento tive a impressão de que o lobo havia piscado para mim.

‘Soro fisiológico.’

‘Aqui está.’

Lavei o ferimento com a solução que me foi entregue pelo Ronald, com cuidado pois não deve ser agradável a sensação do líquido caindo na ferida.

‘Analgésico.’

‘Aqui.’

‘É a quantidade correta?’

‘Segundo a Daphne, sim está minuciosamente correta a quantidade.’

‘Eu deveria saber, ok obrigada.’ Dei ao lobo e me surpreendi com a facilidade que ele teve de engoli-lo. Era como se soubesse que era necessário para o seu bem. ‘Bom garoto, agora vou colocar uma gaze e depois mais tarde pedirei a Daphne para ficar lá em casa e cuidar de ti.’ Beijei seu focinho. ‘A gaze, Ronald.’

‘Toma.’

Coloquei a gaze no lobo e ele deu uma rosnada. ‘Desculpe-me por isso.’

‘A fita crepe, Emily.’ Disse Ronald me alcançando o rolo de fita.

‘Pode fazer o favor de já me dar cortada?’ Fuzilei-o com o olhar.

‘Cla-cla-claro.’

Ele me deu dois pedaços grandes e eu pus na Gaze. ‘Vem lobo, tente caminhar sem encostar essa pata no chão.’ Falei ao soltar sua pata.

Ele tentou, mas caiu. ‘Desculpe-me por isso, venha eu levo você no colo.’ Ele rosnou e não deixou que eu me aproximasse. ‘Tudo bem, mas eu só queria ajudar.’ Ele então andou ereto usando apenas as patas de trás. Saímos do bosque, Leonard foi para a aula dele e eu fui para a minha, subi as escadas o tempo todo com o lobo vindo ereto atrás de mim e adentrei a sala. Era aula de literatura.

‘Perdão pelo atraso professora Anita.’

‘Está atrasada Emily, posso saber por quê? E quem é esse atrás de você?’

‘Um cão que eu encontrei ferido, eu me atrasei para poder cuidar da ferida na pata dele. Tem problema ele ficar?’

‘Se ele se comportar, não.’

E o lobo que antes estava nervoso, andando de um lado a outro, no meio de tanta gente, deitou-se ao meu lado.

‘Não me parece que ele vá causar problemas.’ Falei fazendo um carinho nele antes de me sentar na cadeira.

A aula foi tranquila e a volta para minha casa também, fomos de van com o lobo no meu colo. Daphne chegou uns 30 minutos depois de nós.

‘Dei uma passada rápida em casa para arrumar uma mala com tudo que eu pudesse precisar. Mas já estou aqui, agora vamos cuidar do paciente.’

‘Ele está aqui na sala. Eu os deixarei a sós e irei para meu quarto arrumar algumas coisas.’ Enquanto eu arrumava uma cama para o lobo, fui chamada aos gritos por Daphne. Corri até a sala me batendo em tudo. ‘O que foi? Aconteceu alguma coisa?’

‘Sim, teu lobo quase me mordeu, sorte que fui mais rápida.’

Eu ri. ‘Só foi mais rápida porque ele deve estar um pouco lento por conta da dor da ferida, lobos são mais rápidos que nós humanos.’ E com o olhar que ela fez pra mim eu soube que se ela tivesse uma bazuca eu já estaria em pedaços. ‘Está bem, está bem, desculpe. Vamos lobo, seja um bom garoto e deixe-a cuidar de você. Ela está estudando para isso. Tem maior conhecimento que eu, então deixe-a fazer o trabalho dela, ok? Se deixa-la fazer o trabalho dela, eu deixo você dormir no quarto comigo, que tal?’ O lobo então ergueu a cabeça e olhou bem nos meus olhos. Acho que ele viu minha determinação pois fez um barulho muito parecido com um suspiro e deitou-se novamente.

Fiquei tempo suficiente apenas para vê-la remover a gaze e dar uma limpada com o soro. Vi quando ele virou a cabeça para me ver enquanto eu ia para o quarto o encarei de forma a lembrá-lo que deveria deixar ela ajudar ele.

‘Daphne, quando terminar aí leve-o para o meu quarto. Não importa como, não deixe-o colocar a pata no chão.’

‘Está bem Emily.’

Quando eu fui dormir o lobo já estava no quarto comigo, por isso mesmo que me assustei quando ouvi um uivo forte vindo do lado de fora da casa. Tive que olhar varias vezes pro lobo para ter certeza de que ele estava lá.

Várias noites eu ouvi esses uivos. E eu dizia para o lobo ‘Vai ficar tudo bem, esses animais não vão entrar aqui.’ Dizia para ele mais querendo convencer a mim mesma que a ele.

Notas finais
Esperem pelo capítulo que publicarei amanhã, prometo que será melhor ^^