Red Eyes
7 Purificar
Notas iniciais

Foi um golpe forte e fez Lin cuspir sangue. Suas costas doíam tanto quanto seu abdômen. Levantou-se o mais rápido que pode. Limpou o sangue dos lábios com as costas da mão e se forçou a manter a postura, por mais que quisesse abaixar-se por conta da dor no abdômen. A áurea em torno da paladina mudou, um circulo azul que fez ou outra parecia sumir. Lin não esperou por outro ataque por parte dela, foi ao seu encontro. Não conseguia invocar os ventos, tão pouco os selos que usava graças aos poderes da deusa. Na verdade, mal entendia seus novos poderes, mas deixou que seus instintos e vontades a guiassem; se entregou ao abismo negro, mas com a certeza que podia voltar.
Atacou com ferocidade, desferindo golpes corporais; esses que foram defendidos pela paladina que usou o cabo do martelo para tal ato. Holy recuou, porem tomou um impulso para atacá-la novamente. Por um momento Lin achou que seria arremessada novamente, porem notou que a paladina estava mais lenta e assim pode esquivar de um futuro golpe. Deu alguns passos para trás, esquivando do martelo que era girado em sua direção. Lin agora usava o leque para ataques corporais, ato que nunca fizera antes; mas estava indo bem.
Entregava-se aos poderes e podia sentir seu corpo em chamas. Em um determinado momento sentiu uma energia sobre si e foi coberta por uma espécie de energia rubra. A cada golpe, mesmo que defendido, Lin podia sentir seu corpo mais rápido e as dores passando. Holy recuou o máximo que podia, evitando os golpes incessantes da sacerdotisa.
–Parece que controla bem – sussurrou mais para si do que para sua inimiga. — Punição! — deu um impulso, tentando acertá-la, Lin esquivou; por sorte dela.
Quando Holy tentou avançar novamente, Lin recuou com um deslizar e uma espécie de clone feito de sombras foi deixado para trás. O martelo acertou o clone, o fazendo se desfazer em uma pequena explosão escura; foi o suficiente para fazer a paladina perder a visão por meio segundo. Lin aproveitou, se concentrando ao máximo, avançou sobre ela com toda a velocidade e força que tinha.
Foi uma força sobre humana e empurrou Holy para longe. Lin sorriu ao ver a rival caída na lama; seu vestido, que outrora era branco, agora estava manchado. Foi um triunfo efêmero, porem. Holy girou o martelo a sua volta:
–Golpe poderoso – E fez Lin cair também.
Ambas, sem pensar ou hesitar, se confrontaram novamente. Golpes eram desferidos, embora a maioria deles fossem defendidos pela parte oposta. Só se afastaram quando Holy girou o martelo novamente. A sacerdotisa esquivou por pouco. Lin se sentia cheia de energia, mas podia sentir que o mesmo se aplicava a paladina. Aquela áurea azul parecia aumentar sua energia, percebeu, embora tivesse abaixado sua velocidade; mas isso era uma vantagem que Lin sabia usar. Sempre que se afastava um pouco, podia ver brechas nos ataques da paladina e, usando uma dessas brechas, a atacou. Acertou alguns golpes e esquivou do martelo que descia em sua direção.
Holy já podia sentir o peso dos golpes que lhe acertaram. Algumas dores musculares já eram presentes e já estava ofegante. De nada adiantaria usar aquela áurea, resolveu por fim:
–Eu subestimei você – disse quando estava afastadas o suficiente para se recompor. A morena parecia ter se regenerado; Holy já ouvira falar daquela habilidade maligna que absorvia dos golpes a cura que o usuário precisava. Decidiu por fim mudar de áurea e de tática.
–Glória – sussurrou. As dores passaram e seu corpo foi curado; mesmo a técnica das sombras não era tão eficazes quanto uma técnica de cura de uma paladina. Por fim alterou a áurea; ataque.
E voltou a atacar. Logo nos primeiros golpes, Lin percebeu que a velocidade e força aumentaram; também percebeu que o roxo que outrora marcava o braço da rival, agora já havia sumido. Já não haviam brechas. Na verdade, Lin nem se quer conseguia chegar perto dela, apenas esquivava; mas não de todos. Alguns golpes a acertaram; um deles acabou lesionando a mão que segura o leque. E tudo que conseguia fazer era esquivar.
Eram golpes fortes e rápidos. Lin tentou outro clone das sombras, mas não surtiu efeito, já que Holy foi mais rápida, contra atacando com um golpe ascendente. A sacerdotisa se sentiu pressionada. E quando percebeu que estava sem saída, era tarde de mais.
A paladina deu um salto, quebrando o chão a sua volta:
–Martelo demolidor! — girou, fazendo o martelo acertá-la em uma velocidade e força incríveis.
Lin fora arremessada novamente. Quando encontrou o chão, suas costas receberam o golpe. Fora um ataque certeiro e estava perto de mais, a força do impacto a fizera cuspir sangue novamente e agora tinha o corpo dolorido; todos os músculos pareciam doer, principalmente os do abdômen. Até mesmo respirar se tornava uma provação.
–Desista – disse a paladina, já ciente de sua vitória.
Tentou levantar, porem falhou miseravelmente. Ficou um tempo, deitada de barriga para cima, tentando ignorar a dor que parecia aumentar com qualquer movimento; por mais mínimo que fosse.
–Não é nada pessoal – começou a paladina; uma parte dela tinha pena da figura caída sobre a lama – Eu estou apenas fazendo aquilo que me foi dito e, alem do mais, você se tornou um perigo para si e para todos então... Isso vai ser o melhor para todos – tudo aquilo era mais para si do que para a sacerdotisa; tentava se convencer de que aquilo era o certo a fazer
–Poupe-me da sua pena – respondeu Lin
–Não é pena – respondeu indignada – Eu só-
–Vá pro inferno – retrucou sem pensar
Mas aos olhos da paladina, aquele foi um insulto imperdoável. Levantou uma das mãos:
–Nêmeses! — Os azuis viram algo se formar sobre si e, antes que o relâmpago pudesse cair sobre seu corpo, Lin simplesmente se teletransportou para o lado.
Durante o tempo que Holy ficara discursando, Lin acumulava energia em sua mão; era a mesmo coisa que fazer selos, porem nenhum selo de luz sairia, ao invés disso, pode usar aquela energia para se deslocar. A paladina ficou sem entender; como pode se deslocar tão rápido?
Usou todas as forças que ainda tinha para se manter de pé e, a muito custo, Lin conseguira. Estava ofegante e sentia que as pernas lhe falhariam a qualquer momento, porem fazia o melhor para se manter o mais firme que podia.
–Por que não desiste simplesmente? — sussurrou Holy
A paladina segurou o martelo com força. Lin saiba que, apesar de seus esforços, tudo inútil; estava perdida, fraca e cansada. Não sabia como a paladina pode reverter às coisas tão facilmente. Em um minuto estava ganhando e transbordando de energia, no seguinte se encontrou derrotada; então esse era o poder de uma paladina. Mas não podia desistir, não depois de tudo o que passou. Ainda sentia um pouco de energia em si; tinha de usá-la da melhor forma. Quando Holy foi a seu encontro, Lin já tinha algo em mente – arriscado e com grandes chances de dar errado, porem parecia ser sua última saída. Antes que o martelo a alcançasse, Lin invocou todo o poder que tinha o acumulando em si. Algumas pedras se levantavam e Holy parou de imediato quando sentiu aquela energia:
–Impossível – o corpo da paladina ficou pesado, como se aquela energia a prendesse; sentia seus músculos rígidos como pedra
A sacerdotisa levitou e a energia se transformava em luz: O julgamento celestial.
Foi uma explosão de energia forte o suficiente para fazer Holy ser jogada para longe; nem se quer tivera tempo de reagir, tão pouco forças para resistir à repulsão causada pela energia maciça. A paladina caiu desacordada e quando a luz se desfez, duas assas eram ostentadas nas costas da jovem morena; uma negra e outra branca. Lin se sentiu tonta e suas pernas não a sustentaram quando tocou o chão. Caiu e tão logo perdeu a consciência.
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