Red Dead Robin

4 Deixe-me te Contar uma História.


Notas iniciais
Bruce e Alfred tentam ajudar Tim com seus problemas pessoais.

Alfred desce as escadas da Bat-caverna, o arsenal de artes marciais está vazio e tudo que se ouve são os movimentos rápidos de Tim.

Alfred: Patrão Timothy, gostaria de um pouco deste delicioso e relaxante ch---.

Tim: Camomila concentrada e maracujá, já não é a primeira vez que faz isso, se me quiser por pra dormir Alfred, coloque Éter no duto de ventilação.

Alfred: Lamento, só estou preocupado com o senhor, é claro que ---.

Tim: Não é necessário, Alfred, sério, estou bem, estou tentando reestabelecer a conexão entre meu corpo e minha mente, e não é dormindo que vou conseguir isso.

Alfred: Olhe pra você mesmo patrão Timothy, está com mais cabelos brancos do que o próprio patrão Bruce.

Tim: Connor está certo, você fala demais a palavra “patrão”.

Alfred: Eu apenas, meu preocupo com o senhor, somente, da mesma maneira que me preocupei com o patrão Bruce, o patrão Richard e o Patrão Jason, bom, antes de ele... Você sabe.

Tim abaixa a cabeça, e Alfred percebe que ele está quase que chorando.

Alfred: Patrão Timot---

Tim: POR QUÊ? – Ele quebra o bastão de madeira ao meio – Eles salvaram Jason, mas não puderam trazer meu pai de volta, isso não é justo. Eu fiquei feliz em saber que Jason estava vivo, claro que fiquei, é como um irmão pra mim, mas e eu? E quanto a mim? Tudo que os outros sabem dizer é: Vá dormir, vá se alimentar, para de trabalhar, e por que ninguém me pergunta como eu me sinto em relação ao resto?

Alfred: Patrão, todos nessa mansão estão terrivelmente preocupados com o senhor, e não é pelas pilhas de papel que o senhor prega nas paredes, e sim pelo o que o senhor esconde dentro de si, pelo o que está sofrendo em silêncio, talvez, se nos deixasse ajudá-lo, iria perceber que gritar com um homem velho, não vai fazer seus problemas sumirem e muito menos trazer seu pai de volta.

Tim: Alfred, eu ---.

Alfred: O senhor precisa voltar ao treino, claro, eu entendo, vou deixá-lo em paz.

Alfred sobe as escadas.

Tim se senta no banco perto do ringue.

Bruce: Parabéns.

Tim: O quê? Há quanto tempo está aí?

Bruce: Alguns minutos, mas consegui ver o problema, você.

Tim: O que estou fazendo de errado?

Bruce se senta ao lado dele.

Bruce: Deixe-me te contar uma história, tudo bem?

Tim: Claro.

Bruce: Certo. Olhe Tim, quando meus pais morreram, eu tinha o Alfred e apenas o Alfred, e nunca deixei de contar nada a ele, incluindo tudo, dores, medos, garotas, ele sabe mais sobre mim do que eu mesmo, e de qualquer jeito, ele era o único da qual eu podia confiar.

Tim: Aonde quer chegar? Sei que fui rude e estúpido com o Alfred, mas ainda não entendi.

Bruce: Olhe ao seu redor, eu só tinha o Alfred, você tem o Connor, Dick, Rose, Megan, Bart, Alfred, a Cassie, e principalmente, você tem a mim. Sei o quanto sente a falta de seu pai, ele era um bom homem, mas agora, você precisa seguir em frente, assim como eu fiz.

Tim: Você nunca seguiu em frente.

Bruce: O que disse?

Tim: Você passou os últimos 15 anos se fantasiando de morcego pra dar pancada em vagabundos drogados e bandidos pelos becos de uma cidade desalmada marcada pela violência, tudo pra que pudesse vingar a morte de seus pais. É isso que chama seguir em frente?

Bruce: É exatamente por isso, não quero se torne algo igual a mim, tem que ser mais forte que eu. Você pediu que eu o treinasse, e eu o fiz, mas não deixe que o meu jeito doentio e estúpido de lidar com meus problemas afete a sua vida.

Tim: Ensinou-me tudo que eu sei.

Bruce: Não tudo, agora, por favor, pode me contar tudo, começando pela Cassie.

Tim: Do que infernos você está falando?

Bruce: Eu já fui adolescente, garoto. Já tive 17 anos e sei como as garotas mechem com a cabeça de um soldado, lembro-me de quando Dick e Bárbara começaram com aquelas trocas de olhares medonhas, naquele momento eu percebi que havia perdido dois soldados, mas os perdi para algo muito mais precioso e muito maior do que tudo pelo qual eu luto, a única coisa, que pode nos ajudar a seguir em frente, o Amor.

Tim: Nossa, meu pai falando pra mim sobre Amor, que esquisito, não tem nada acontecendo aqui, tudo bem? Eu não estou afim da Cassie.

Bruce apenas olha para Tim, sem se mexer ou falar.

Tim: O que foi?

Bruce: Você... Acabou... De me chamar de “Pai”.

Tim: Talvez, eu esteja afim dela, talvez, eu tenha medo de aceitar que meu pai morreu, talvez, e ainda tente quebrar a minha cabeça em crimes complicados pra não ficar pensando em como a Cassie é maravilhosa e como eu sinto falta do meu pai. --- Por que isso está acontecendo, Bruce?

Bruce: Quando assinei no cartório que te adotaria, sabe que eu não me arrependi de nada, não sabe?

Tim: Sei sim.

Bruce: Pois aí está, estou aqui pro que der e vier, por que posso não ser o seu pai, mas Timothy Drake... Você é, sem sobra de dúvidas, o meu filho.