Notas iniciais
Oi! Trago aqui mais um capítulo que me deu imensa pena fazer porque nela a minha menina sofre um pouco ;-; Só um bocado mesmo, mas ainda assim parte-me o coração. Enfim, boa leitura!

Malina

—Bom dia, tia! — assim que a mãe do Mamoru me abriu a porta, entrei. Ela parecia um pouco estranha.

—Bom dia, Malina.

—O Mamoru? — ri-me – Ainda está a dormir? — olhou para mim com algum espanto. Era normal o meu primo acordar sempre tarde por isso tínhamos decidido que eu iria começar a encontra-lo em casa.

—N-Não. Na verdade está ali na cozinha.

Fiquei um pouco espantada. Não era natural o meu primo estar acordado tão cedo. Ela não disse nada mais e pareceu de repente lembrar de algo, correndo até à cozinha. Retirei os meus sapatos e adentrei a casa, dirigindo-me ao mesmo local.

—Bom dia, Malina!

—Bom dia, Mamoru. Madrugaste. — Apenas me fez um aceno de cabeça, terminando de comer, antes de se levantar.

—Mãe, nós vamos andando. — Agarrou-me pela mão antes de me puxar consigo. Largou-me apenas para se calçar, voltando de seguida a agarrar-me – Até logo, mãe!

—Adeus tia! — ouvi-a chamar-nos mas nem tive tempo de responder.

O Mamoru não parava de correr. Tentei chama-lo, pedir que esperasse, que abrandasse um pouco, mas não parecia disposto a dar-me ouvidos. Passamos pela Aki sem parar, quase nem a consegui cumprimentar direito. Só paramos na escola quando o Mamoru me pediu para equipar e fui imediatamente em direção ao wc feminino, apressando-me. E assim que o encontrei junto à porta da sede, fomos logo para a sala de treino. O Mamoru pediu-me para ligar a máquina no máximo e que iria defender todas as bolas com… O próprio corpo. Achei que era loucura, mas estava a falar com o meu primo. E como esperava, acabou por levar com imensas bolas em cima sem as conseguir defender, inclusive levou com uma na cara. Corri até ele.

—Mamoru! Estás bem? — grunhiu algo para mim, retirando a bola de cima da face vermelha.

—Endou? Malina? — nem tinha reparado que o Handa entrara na sala – O que estão a fazer? — suspirei.

—O Mamoru está a exagerar, como sempre.

—Não é nada disso. No caderno do nosso avô dizia que a chave para a Majin The Hand estava aqui, por isso estou a reforçar os músculos do peito.

—E não podia estar a referir ao coração ou aos pulmões? — fiquei preocupada ao vê-lo levantar-se de repente.

—Sim. Claro! Também pode ser isso. — Agarrou-me novamente – Vamos! — O Handa não podia ter ficado calado?

—Mas queres parar de me arrastar para todo o lado?!

O Handa ainda nos chamou, mas aconteceu-lhe exatamente o mesmo que com a Aki, sendo deixado para trás com a máquina de treinos. E perguntava… Será que a tinha desligado? Queria ir verificar, mas o meu primo pediu-me logo ajuda para ir buscar algo para encher com água e só me lembrei da sala de economia doméstica. E quando enchemos o recipiente, fomos para trás da sede do clube onde o Mamoru começou a suster a respiração, colocando a cara dentro de água e ficando lá durante o máximo de tempo possível.

—O tempo foi o mesmo.

—A sério? — assenti, mas isso só lhe deu mais determinação – Então vou continuar a tentar! — respirou fundo e voltou a tentar. Encarou-me.

—O mesmo.

—Então outra vez! — suspirei. Só que logo vi-o levantar a cabeça e olhar assustado para a frente. Fiz o mesmo assustando-me com o Jin a olhar para o nosso capitão, que saltou para trás. Desde quando ele estava ali?! — Jin! Pregaste-me cá um susto! — também a mim!

—O que estás a fazer, capitão? Porque estás a lavar a cara repetidamente?

—É que no caderno do nosso avô dizia que a chave para a Majin The Hand está aqui.

—E o Mamoru acho que tem a ver com controlar o ritmo dos pulmões.

—Com os pulmões? Poderia referir-se à respiração em si.

—Claro! A respiração. — O meu primo inspirou e expirou com bastante força, antes de o encarar – Muito obrigado, Jin! — finalmente parecíamos estar a chegar a algum lado, sem ideias malucas, mas foi então que me lembrei…

—Ah! Mamoru! Temos de ir treinar! — ambos nos levantamos rapidamente e corremos até ao campo, deixando o Jin para trás… Acho eu. Na verdade eram raras as vezes que o via… Ou ouvia.

Assim que chegamos ao campo, já lá estavam todos, prontos para aquecer. Alguns dos rapazes já tinham começado. O treino da manhã já devia ter tido o seu início, mas com os devaneios do meu primo, acabamos por nos atrasar. O treinador não estava, por isso teríamos de seguir um plano próprio de treino, ou seja, defesa contra ataque. Precisávamos de forçar ambas para a final, enquanto o Mamoru necessitava de conseguir fazer a Majin The Hand. No entanto, nada saía. Ele continua a esforçar-se imenso, defendia os nossos remates de usar técnicas, parecia estar a controlar a respiração, mas ainda assim… O que faltava então?

Se bem que também eu precisava de melhorar, só não sabia como. Queria ajudar o meu primo a fazer a sua nova técnica, mas também eu queria ser útil para equipa. Não apenas um peso morto ou ser lembrada como a primeira rapariga a jogar no Football Frontier. Seria bom ser lembrada assim, mas onde estaria o mérito disso? Eu queria poder fazer algo pela equipa.

Não aguentei mais. O meus pensamentos não me deixavam concentrar. Saí um pouco do campo para ir beber água, vendo as nossas ajudantes de conversar. A Haruna, como sempre, filmava o nosso treino, mas desta vez parecia desanimada.

—O Endou está como um louco. — Nisso tinha de concordar com a Aki.

—Sim, mas o que podemos nós fazer? É que ficarmos a ver sabendo que não podemos ajuda-lo, faz-me sentir um pouco…

—Frustrada?

—Sim. — De certa forma sentia o mesmo que a Haruna. Pousei a garrafa sobre o banco. O que podia fazer?

—Para além disso, vê-los esforçarem-se desta maneira sem sabermos se podemos chegar a consegui-lo…

—Ouve, Natsumi, até parece que preferias que não jogássemos.

—Isso não é verdade! — sorri.

—E se arranjássemos uma maneira de lhes facilitarmos o treino? Que vos parece?

—Ótima ideia!

—Eu também quero ajudar. — Ganhei logo a atenção delas.

—Mas estás no meio do treino. — Agradecia que a Natsumi se preocupasse, mas, honestamente, com a minha cabeça assim, não seria de grande ajuda no treino. Precisava de me distrair por agora.

—Não tem problema. Não te preocupes!

Disse ao rapazes que me iria ausentar um pouco do treino. Ele não perguntaram o porquê, mas ficaram com cara de pouca satisfação. Não os queria assim, mas também não os queria preocupar e disse à meninas para irmos andando.

Dirigimos à sala do clube e começamos a empilhar alguns dos pneus que haviam na sala, antes de colocarmos uma enorme tábua por cima deles, posando as máquinas de fazer arroz e tudo o que necessitávamos. Há muito que não fazia bolas de arroz!

—Como os rapazes ficarão cheios de fome…

—Vamos preparar-lhes bolas de arroz!

Começamos por colocar os aventais para não sujarmos a roupa. Não queria sujar o equipamento com arroz ou água. E só então começamos a ensinar-lhe como fazer as bolas de arroz. Já me tinha esquecido de como o arroz ficava sempre quente e tínhamos de ser rápidos a fazer as bolas para não nos queimarmos.

—Vá lá, Natsumi, tu também! — queria que ela participasse. Há muito que não fazia algo entre raparigas.

—Sim… Claro. — Calmamente ela pegou na colher para poder tirar arroz, acabando por sair um grande pedaço, o qual colocou na mão, antes de abanar e gritar, espalhando comida por todo o lado, até em cima de nós – Está quente!

—Ouve, Natsumi, diz-me uma coisa. Tu nunca cozinhaste, pois não? — não duvidava que a Aki tivesse razão.

—É normal. Ela é da classe alta. -

—Lamento. — Nem todos podiam saber. Além disso, a Natsumi parecia bem constrangida.

Decidimos começar por limpar tudo e isso incluía as nossas roupas e cabelo. A Natsumi também ajudou como pode. Via-se que nunca tinha feito nada daquelas coisas! Era difícil para ela, mas via-se que se estava a esforçar e era suficiente. No final, ela sentou-se numa cadeira enquanto tentávamos ensinar-lhe a fazer bolas de arroz.

—Pois bem, hoje faremos como os rapazes. — Olhei para a Aki, curiosa, vendo-a pegar em duas taças antes de me encarar – Como és jogadora, podias exemplificar. — Agarrei em ambas as taças. Já sabia do que estava ela a falar. Quando era mais nova a minha mãe ensinou-me assim a fazer bolas de arroz.

Technique of the Two Bowls! — a Haruna colocou logo um pedaço de arroz dentro de uma das taças – Fechamos com a outra taça e agitamos bem devagar. — Agitei um pouco antes de abrir – Já temos a forma e ainda por cima está mais frio. Depois só precisamos de colocar nas mãos água, sal e moldar um pouco mais. — Foi exatamente o que fez a Aki, a quem passei o arroz.

—Vês?

—Vamos, Natsumi! — estiquei-lhe as taças – Tenta tu!

—Sim… Pode ser.

Ela levantou-se ainda hesitando um pouco. No entanto, agarrou as taças e colocou lá um pouco de arroz antes de começar a agitar. Primeiro começou por fazê-lo com bastante calma, até que começou a acelerar bastante. Seria do nervosismo?

—A-Acho que já está bom. — Tinha medo que o arroz acabasse por se desfazer com a força que ela estava a fazer.

—Ah sim? — abriu as taças – Então e agora tenho que lhe dar forma?

—Sim.

—Mas não te esqueças da água e do sal. — E fez exatamente isso que lhe disse antes de colocar a bola de arroz nas mãos e sorrir, começando a dar-lhe forma.

—Consegui! — esticou-a para que a pudéssemos ver, orgulhosa. Parecia uma criança feliz – Olhem! É incrível. É a primeira vez na minha vida que preparo uma bola de arroz! — isso lembra-me da primeira vez que eu ensinei uma amiga inglesa — que também era alguém da classe alta — a cozinhar mas sabia cozinhar. Foi difícil, mas ela lá conseguir fazer algo. Sorri. Tinha saudades dela.

—Fico muito feliz!

—E então?! Vamos continuar?

—Sim! — ela foi logo a primeira a querer prosseguir.

Continuámos a fazer as bolas de arroz, acabando por encher o tabuleiro onde as iríamos levar para o campo cheio de delas. As da Aki pareciam todas tão apetitosas! Também já tinha treinado um bom bocado e estava cheia de fome. Claro que ao olhar para algumas notava-se bem a diferença de tamanho no tabuleiro da Natsumi. Algumas estavam um pouco estranhas, para dizer a verdade, mas ela parecia bastante orgulhosa do seu trabalho, ainda que por vezes se atrapalhasse um pouco. Havia uma da Haruna que era enorme! Já suspeitava para quem fosse. As minhas estavam boas suficiente. Não se comparavam às da Aki, mas espera que todos gostassem. E assim que terminamos, levá-los, cada uma o seu tabuleiro para cima do campo do campo de treino.

—Rapazes, trouxemos o almoço! — assim que os chamei, pararam logo de treino e foram correr para junto de nós.

—Sou o primeiro! — assim que o Mamoru ia para agarrar numa bola de arroz, a Natsumi bate-lhe na mão – Ei! Então? Porque me bateste? — Ela limitou-se a apontar para fora do campo.

—Primeiro lavem as mãos.

Apesar de terem começado a resmungar, acabaram por ir a correr lavar as mãos, entusiasmados por almoçar. E tal como eles, não pude deixar de ficar espantada ao ver o Kidou regressar, sozinho, enquanto secava as mãos calmamente com um sorriso. Sorri. Só podia ser o Kidou. No final, todos se apreçaram a limpar as mãos para voltar, ficando uns ao lados dos outros, mostrando as mãos para que a Natsumi as pudesse ver, deixando-os finalmente comer. E eles, claro, vieram a correr até aos tabuleiros. Já eu aproveitei para pegar numa bola de arroz e comer também. Estava cheia de fome!

—Foste tu que fizeste estes? — voltei-me para o Goenji, vendo-o pegar numa bola de arroz do meu tabuleiro. Assenti, continuando a comer a minha, vendo-o morder a ele, antes de sorrir – Estão muito bons. — Quase me engasguei com o que ele dissera, mas consegui engolir a tempo o pedaço que estava a comer, apesar de me ter custado um pouco.

—O-Obrigada.

Vi alguns dos rapazes pegarem em várias das bolas de arroz que fiz dizendo que estavam deliciosas. Isso realmente deixava-me muito feliz. Nunca tinha cozinhado para ninguém a não ser os meus pais, e era bom saber que a minha comida os deixava felizes.

—Estas não se parecem tanto com as outras.

—Pois, fui eu que as fiz. — O Mamoru não podia simplesmente estar calado? Era natural a Natsumi estar zangada.

—O que importa o aspeto? No final sabem todas ao mesmo! — e então pôs logo uma bola de arroz inteira na bola, antes de fazer uma careta – Que salgada…

—Talvez tenha posto sal a mais… — É… Teve vezes que ela exagerou um pouco.

—Não, não. Assim compenso todo o sal que perdi durante o treino. — Depois começou logo a engasgar-se ao tentar engolir. Estava prestes a correr até ele, vendo-o em pânico, mas a Natsumi acabou por lhe bater nas costas, ajudando-o.

—Mas que piegas que tu me saíste. — E que ataque que me ia dando.

Todos agradeceram pelas bolas de arroz antes de voltarmos para o treino. Não podia escapar por muito tempo. Fazer bolas de arroz foi uma excelente distração de tudo o que me preocupava, ainda que soubesse que não iria durar muito tempo. Tinha de pensar em algo.

—Malina? — parei assim que o meu primo me chamou – Está tudo bem?

—Sim, porquê?

—Já antes do almoço me parecias um pouco estranha e depois saíste daquela forma do treino… — o Mamoru já tinha preocupações suficientes para lhe estar a pôr mais uma em cima. Limitei-me a sorrir.

—Estás a imaginar coisas. Estava apenas cansada e pensei que juntar-me a elas para preparar o almoço para todos me iria ajudar. Só isso. — Distanciei-me dele, indo para a minha posição – Vamos mas é treinar!

O treino durante a tarde toda. Paramos algumas vez para repor energias, beber algo e discutir algumas jogadas ou táticas. Ficava feliz quando o Kidou pedia a minha ajuda e opinião para isso. Significava que ela valorizava o meu futebol e isso era importante para mim, não sou como atacante, mas como jogadora em si. E no final do treino, pus-me a sair da escola com o Mamoru, o Kazemaru e o Ichinose. Geralmente o Domon ou o Kabeyama também nos acompanham, mas já tinham compromissos em outros locais.

Não parava de pensar no que podia fazer para melhorar o meu ataque. A maioria das técnicas que tinha eram todas em conjunto e dependiam dos outros, não apenas de mim mesma. Se não conseguisse marcar golos para a equipa, que tipo de atacante era eu? Não servia para nada. Não queria ser um estorvo para todos.

—Malina! — arrepiei-me toda quando ouvi o Mamoru gritar-me ao ouvido.

—Estás louco?! Queres deixar-me surda?!

—Surda já pareces ser. Estamos a falar contigo e tu não respondes. — Nem tinha percebido.

—Desculpa. Estava distraída.

—Mas passasse alguma coisa? — encarei o Kazemaru. Os quatro estavam com preocupação no olhar, fitando-me. Sorri.

—Não, está tudo bem.

—Tens a certeza? — agora o Goenji?

Fechei as mãos em punha sentido as unhas a tentar cravar na minha pele. Agradecia a preocupação deles, mas naquele momento era tudo o que menos queria. Dispensava as perguntas ou que dissessem algo sobre eu estar mal, triste, estranha ou o que fosse. Eu seria assim tão transparente?

—Não acham que já chega de me perguntar isso? — levantei a cabeça vendo a cara de espanto de todos eles. Também estava surpresa. Foi a primeira vez que respondi com um tom de voz tão agressivo a alguém.

—Malina…

—Eu… Eu tenho de ir. Até amanhã.

Não deixei que o Mamoru terminasse. Agarrei fortemente na minha mala e passei o portão da escola, deixando-os para trás. Sabia que não era a melhor decisão. Teria de os encarar mais cedo ou mais tarde, mas naquele momento não queria que me vissem tão frágil. A final estava a preocupar toda a gente, não só a mim e eu não queria ser um peso para eles, verem que afinal a rapariga que joga ao lado deles não passa de alguém tão frágil e que por ter levantado um pouco a voz a pessoas tão importantes para ela, já a deixa desta forma.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Reviews?! Kissus!