Red Angel - Sonho de um anjo

16 Capítulo 16- Amizades importantes


Notas iniciais
Yo! Amei escrever o final deste capítulo!! Sério! Amei muito!! Boa leitura!

Malina

Os gémeos e o Mamoru mal chegaram ao campo, tiraram os uniformes escolares, revelando o equipamento de ambas as equipas por baixo. Por uma vez essa ideia do meu primo de só o tirar o equipamento apenas em casa serviu de algo. E parece que os gémeos tinham feito o mesmo. Todos já estavam nas suas posições; o Mamoru na baliza e os irmãos a meio campo.

—Rapazes, isto vai ser muito interessante.- Não entendia como o Tsutomu podia achar uma coisa dessas.

—Estamos à espiar, mas isto acabou por se converter num duelo.- O Masaru e o irmãos eram assim tão cruéis?

—Como tal vamos ensinar-vos de uma vez o nosso tremendo poder!

Os três começaram a correr lado a lado, sendo o Masaru quem levava a bola nos pés. O Mamoru estava concentrado e parecia pronto para tudo. Não pretendia perder contra eles e eu assim esperava; que ele vencesse. Aqueles três estavam demasiado convencidos e alguém tinham de os parar.
De repente, o Masaru levantou a bola bem alto e o Tsutomu saltou logo a seguir começando a rodar no ar, fazendo umas chamas azuis aparecerem. Eu conhecia aquele movimento... Era impossível!

—Esse é...

—Não pode ser!

—É o Fire Tornado?- o Kidou também se apercebera disso.

—Não! Está a girar ao contrário.- O Goenji tinha razão. Era um pouco diferente da sua técnica.

—Esta é a nossa técnica que supera o Fire Tornado!- deu um pontapé na bola com o calcanhar- Back Tornado!- então esse era o nome.

O Mamoru fez a Bakuretsu Punch para tentar deter o remate e conseguiu! Não importava as imitações baratas da técnica do Goenji, o meu primo iria para-las a todas. Porém, os outros dois irmão tiraram outras duas bolas do saco desportivo sem nos apercebermos e fizeram a mesma técnica, ao mesmo tempo, fazendo as bolas entrar na baliza, apanhando o meu primo e todos nós desprevenidos.

—Pois, parece que já te marcamos um golo e tudo, completamente.- Como é que eles podiam considerar sequer aquilo?

—Esperem lá! Não há quem pare isso. Não se pode rematar três bolas diferentes ao mesmo tempo.

—É batota!- eles não me deram ouvidos, nem ao Mamoru.

—Queres dizer que é porque não podes parar três remates de uma só vez?

—Claro que não. E jogar com três bolas ao mesmo tempo não sei que desporto é, mas não é futebol!

—Quer dizer que será capaz de parar um só lançamento, não?- que sorrisos eram aqueles do Masaru e dos irmãos? Tinham algo preparado.

—Parem!- olhei para as escadas que davam para o campo e vi que fora o Kazemaru quem gritara. Estava acompanhado pela Aki, o Ichinose, Shido e o Domon- Alto! Quietos! Parem!

—Rapazes?- o que estariam ali a fazer? O Kazemaru desceu as escadas a correr, preocupado.

—Não, Endou, não lutes com eles!

—O quê? Eu? Lutar?- do que estava ele a falar?

—Não vais lutar?- o Domon também?

—Contaram-nos que ia haver um duelo.

—Quem vos disse isso?

—É que como ouvi que lhes iam fazer algo e estão todos com cara de chateados, pensei que fosse haver uma luta.- O Mamoru agarrou numa das bolas e endireitou-se.

—Enganaste-te um pouco, Shido. É um duelo de futebol.

—O quê? De futebol?- ele pensou mesmo que eles iriam lutar? Obviamente que eu não iria deixar se quer isso acontecer.

—Afinal viemos a correr para nada!- pobre Aki.

—É verdade.- Olhei de novo para as escadas. Agora era a Natsumi?- Que escandalo se fez.- Sorriu- Mas enfim, é o que acontece sempre com vocês.

—Mas o que se está a passar? Tu também?- ri. Pobre Mamoru.

—Estou encarregada de cuidar da reputação do Instituto. Além disso se acontecesse algum tipo de conduta pouco desportiva, todos vocês ficariam sem poder jogar futebol. Suponho que os da Kidokawa também não querem nenhum escandalo, verdade?

—Só viemos cumprimentar um velho amigo.- O Tomo ainda era capaz de dizer aquilo- O do duelo de futebol coisa aqui do colega.

—Bem, parece que agora temos mais publico que antes.

—Vamos ensinar-vos...- e começaram novamente a correr.

—A nosso autêntica técnica dos Mukata Triplets!- o que se seria?

—Mamoru!

Os gémeos separaram-se, levando o Masaru a bola, antes de a passara para o Tsutomu que num passe direto, passou para o Tomo, o qual pulou com a ajuda das costas do outro irmão, fazendo a técnica. A bola tinha um rasto laranja e amarelo atrás dela, indo com um enorme força e potência na direção do meu primo.

Triangle Z!- e tornaram a fazer a mesma posse que na loja de doces.

O Mamoru não teve outra alternativa senão fazer a Bakuretsu Punch, porém, não foi suficiente para deter a bola, acabando por bater-lhe na face e empurra-lo para trás em direção às redes da baliza, fazendo-o cair no chão.

—Mamoru!- corri até ele sem pensar duas vezes, ajoelhando-me a seu lado.

—O que se passou? Só rematamos uma vez, porque não conseguiste para-lo?- aquele parvo do Masaru ainda dizia aquilo.

—E que tal?

—Esta é a nossa técnica conjunta.- Tornaram a posicionar-se num triângulo- O Triangle Z!- o meu primo começava a levantar-se, queixando-se. Devia estar dorido. Tentava ajuda-lo.

—Já deixamos claro uma coisa: o joga da semi-final está ganho.- O Tomo e os irmão não se podiam confiar tanto.

—O que estás a dizer?- fiz o meu primo apoiar-se em mim assim que se pôs de pé.

—Ainda não entendes-te?- o Masaru e os irmãos não paravam de sorrir- Mas foi o teu primo que disse que se fossemos melhores que o Goenji, que o demonstrássemos marcando um golo, não foi?

—Pois então, demonstramo-lo tal como ele pediu. Superamos o grande Goenji Shuya.- Claro que o Tsutomu tinha de apoiar o irmão.

—A Raimon jamais poderá vencer-nos ainda que tenha o Goenji na equipa. Venceremos a Zeus e seremos os melhores de todo o país!- assim que o Tomo terminou, voltaram a fazer a mesma pose.

—Nós, Mukata Triplets da Kidokawa Seishuu!- aqueles três...

—Ei, vocês!- de uma das escadas que dava para o campo, vi um homem desce-las a correr, seguido de um outro rapaz vestido com o uniforme da Kidokawa- O que estão a fazer?!- ele parecia chateado.

—Treinador.- Era o treinador deles? O Tomo foi logo para o chão.

—Um autêntico jogador de futebol sempre joga limpo no campo.

—Entendemos treinador.- Não duvidava que fossem apenas palavras vazias. O treinador deles encarou-nos.

—E também também estás de acordo com isso?- o meu primo tirou o braço de cima de mim, fitando-o.

—Sim. Sinto muito, senhor.

—Muito bem.- Apontou para os irmãos- E vocês vão agora mesmo para casa.

—Sim.- Pegaram na bola e nas suas coisas a correr, indo embora.

—Treinador Nikaidou.- Quase me esquecia que ela havia sido treinador do Goenji.

—Quanto tempo sem nos vermos, Goenji! Vi que voltaste ao torneio Football Frontier. Fico feliz por continuares a jogar futebol com tanta energia como antes.- Afinal era um homem simpático- Boa sorte.- O nosso companheiro curvou-se.

—Obrigado.- O treinador assentiu antes de voltar as costas.
Nesse mesmo instante, vi o Ichinose aproximar-se das escadas, de onde eles estavam a ir embora, a correr. Ia com um sorriso no rosto.

—Nishigaki!- o jogador da Kidokawa voltou-se logo para ele- És mesmo tu?!

—Ichinose?- sorriu- És tu, Ichinose?!- desceu logo as escadas todas.

—Mas que surpresa encontramo-nos de novo neste sitio!- troquei um olhar com o meu primo enquanto nos aproximávamos.

—Mas como?! Como é possível?- a Aki e o Domon também correram até eles- O quê? Domon? Aki?- começou a esfregar os olhos- De certeza que não voltei no tempo ou algo assim?

Acabaram por nos contar que o Nishigaki era o tal amigo que juntamente com eles fizera o Tri-Pegasus quando estiveram nos Estados Unidos. No final decidimos deixa-los a conversar uns com os outros; o treinador da Kidokawa voltou para casa, enquanto e os rapazes também nos íamos embora. O sabor da rota ainda estava bem presente. O Mamoru não parava de se lamentar e reclamar. Eu não sabia exatamente o que dizer, pedia apenas que ele se acalmasse porque agora não valia de nada. Teríamos a desforra durante o jogo da semi-final. Porém, o Goenji continuava a culpar-se. Não queria vê-lo assim.

—Isso não é verdade!- parei, assim como os rapazes, voltando-me para ele.

—Não, os gémeos tinham razão nisso. Não importam os motivos, a verdade é que falhei aos meus companheiros. É lógico que todos os da Kidokawa me odeiem.

—Mas Goenji...- o Kidou e o Mamoru entreolharam-se.

—E eu digo que isso não é verdade!- a minha opinião não via mudar. Ele não fez nada mal- Tu não fugiste do jogo, por isso eles não têm nenhuma razão para te odiar e não se fala mais nisso. Ou não é assim, Goenji?

—Malina...- pareceu ficar um pouco espantado da forma como falei, da qual só me apercebi depois ouvindo o Kidou e o meu primo rirem. Senti-me um pouco envergonhada com a situação, fazendo o Goenji sorrir, contagiando-me.

Os rapazes acabaram por sugerir irmos comer ao restaurante do treinador. Pelo menos lá o próprio poderia ficar a par de tudo o que se tinha passado nas últimas horas com os nossos próximos adversários. Cada um de nós fez o seu pedido e sentamo-nos todos. O Kazemaru e o Shido ficaram pelos bancos junto ao balcão, eu sentei-me no mesa um pouco mais longe e na última cadeira. Pensei que o Mamoru se iria sentar à minha frente, como de habitual, porém, para meu espanto, o Goenji foi mais rápido e ocupou o seu lugar, deixando o Mamoru com o Kidou na mesa da frente. Sorriu sem dizer uma só palavra e não consegui fazer nada mais que sorrir-lhe de volta. Honestamente, já pouco me importava se ele vira as minha maças do rosto ganharem alguma cor.

—A questão é como nos poderemos defender contra essa força e velocidade.- Kidou tinha razão. Talvez trabalhar a defesa?

—O Triangle Z, não é?- pois é. O Kazemaru também lá estivera.

—Nunca tinha visto uma técnica tão assombrosa.- Não concordava com o Shido! Não era assim tanto...

—Essa técnica é uma das mais fortes à qual nos enfrentamos até agora.- Não queria concordar com o Kazemaru, mas será que teria de o fazer?

—Sim. Eu diria que em questão de pura força, estaria à altura da Death Zone.- O facto do Kidou dizer aquilo não ajudava em nada.

—Acalmem-se. Hoje apanharam-me de surpresa porque foi a primeira vez, mas garanto-vos que a irei parar no jogo!

—Para-la?

—E como pensas fazê-lo?- o Kidou tirou-me as palavras da boca.

—Praticarei até cair de cansaço!- Quase me engasguei com a resposta dele. A convicção naquelas palavras foi realmente impressionante. Claro que não fui a única a ficar um pouco chocada.

—Não sei, é uma teoria muito simples.- Talvez simples demais, Kidou.

—Rapazes, o Endou não se enganou em nada do que disse.- Paramos de comer para ouvir o treinador- No mundo do futebol há algo que não se pode duvidar, que não se pode mentir. Sabem qual é?- nenhum de nós respondeu- O treino. Um só pode tirar num jogo tudo o que treinou.- Assenti, sorrindo.

—É verdade. Tem toda a razão!

—Pois a partir de amanhã, treinos especiais!- ri. Como sempre.

Terminamos de comer enquanto riamos e brincávamos com vários situações. O Mamoru foi o que mais nos fez rir. Perguntava sempre o porquê de o fazermos, mas parecia algo natural dele. Sempre nos fazia rir mesmo sem o querer. E quando saímos do restaurante, já estava a escurecer. O Shido e o Kazemaru despediram-se de nós e foram para um lado oposto ao nosso. Nós três seguimos o mesmo caminho até os rapazes terem de virar. A minha casa era mais perto que a deles.

—Espera Malina.- Voltei-me para trás.

—Goenji?- parou de correr junto a mim- Passa-se alguma coisa?

—Importas-te que te acompanhe a casa?- fiquei bastante surpreendida com as palavras dele, mas claro, muito feliz.

—N-Não. Mas não tens de apanhar o trem para ir para casa?- podia estar a ser uma tonta a tentar que ele fosse embora, mas só me preocupava com o facto dele voltar para casa.

—Não te preocupes com isso.- E começou a andar- Além disso, está a ficar tarde e pode ser perigoso para ti.- O Goenji estava preocupado comigo? Dei um enorme sorriso, antes de correr para junto dele. Não podia estar mais feliz.

O único problema é que estávamos ambos calados! Sabia bem que o Goenji não é pessoa de iniciar uma conversa, mas queria falar com ele, queria aproveitar o facto estarmos só nós dois. Tinha de dizer algo... Alguma coisa!

—Obrigada pelo que estás a fazer.- Foi tudo o que me surgiu, mas também ainda não lhe tinha agradecido. Olhei para ele e encarou-me também, sorrindo.

—Eu é que tenho de te agradecer.- Não entendi porquê. Desvio o olhar sempre sem deixar de sorrir- Hoje defendeste-me em todos os momentos como nunca ninguém o fez. Foi a primeira vez que alguém fez isso por mim.- Tornou a fitar-me. Como amava aquele olhar doce- Obrigado, Malina.- Estava boquiaberta e sem saber exatamente o que lhe dizer. Até que me senti tropeçar no meu próprio pé- Cuidado!

O Goenji agarrou-me logo pela mão antes de conseguir chegar ao chão, puxando-me para cima. Quando dei por mim estava próxima a ele... Demasiado até. O meu rosto aqueceu a uma velocidade louca. Talvez fosse apenas a minha imaginação mas parecia que também ele estava levemente corado.

—O-Obrigada...

Olhei e reparei que ele não me soltara a mão. Eu também não pretendia fazê-lo tão cedo, mas tinha razões para tal e nem queria fazê-lo. A sua era tão cálida, tão macia, preenchia a minha por completo. Não me apertava, mas segurava-me com firmeza e delicadeza.

—Estás bem?

—Sim.- Sorri- Sabes, não tens de me agradecer.- Vi que ficara espantado- És meu amigo e és... És muito importante... Para mim.

Aquelas palavras saíram-me tão naturalmente como se não fosse a primeira vez que as dizia, principalmente a ele. O próprio Goenji mostrava-se mais admirado que eu. Talvez eu estivesse séria de mais com a situação toda, mas não sabia exatamente como reagir. Queria tanto saber o que lhe passava pela cabeça.

—Malina...- o meu coração começou a acelerar quando ele deu um pequeno passo na minha direção. Creio que acabei por lhe apertar um pouco a mão- Tu...

—Malina!

As nossas mãos separaram-se de imediato e eu quase dei um pulo com o susto e o Goenji deu uns passos atrás. Porque razão a minha mãe teve de aparece logo agora?! E há quanto tempo estava no jardim a ouvir-nos? E desde quando tínhamos chegado à porta de minha casa?

—M-Mãe?

—Oh! Olá Goenji!- aquele sorriso fez-me logo entrar em pânico. Com certeza que ela iria dizer alguma coisa que não devia.

—Sim.- Curvou-se- Boa noite, senhora Endou.- A minha mãe levou a mão à face, deliciada com ele.

—Que educado! Mas podes chamar-me de Alice!- ele encarou-me de tal forma como se pedisse auxilio. E eu só queria fugir.

—Mãe...- riu-se.

—Desculpem, vocês de certeza que estavam a conversar, não era?- e agora fazia-se de inocente. Como se ela não tivesse ouvido tudo- Eu vou para dentro. Foi muito bom ver-te outra vez!

—Igualmente.- Sorriu e voltou para o jardim. Com certeza ia entrar pela varanda.

—Lamento por ela.- Que vergonha. Ainda assim, ele riu-se.

—Não te preocupes com isso.- Acho que ele sabia que a minha mãe era mesmo assim.

—Vemo-nos amanhã nos treinos.- Corri até à porta de casa- Obrigada por me acompanhares! Bom regresso a casa.- Acenamos um para o outro antes de entrar e fechar a porta, contra a qual me encostei.

Como é que eu tinha tido coragem para lhe dizer uma coisa daquelas?! Pus as mãos sobre a face. Sentia quente e tinhas as bochechas elevadas por culpa do enorme sorriso que tinha estampado e que não sinais de querer desaparecer. Olhei para a minha mão esquerda, a mesma que havia agarrada a do Goenji. Ainda sentia o seu calor. Apertei-a contra o peito antes de, rapidamente, tirar os sapatos e correr para o meu quarto.

Ouvi a minha mãe chamar-me mas nem lhe fiz caso, fechando-me dentro da minha habitação. Joguei-me para cima da cama, gritando de felicidade! Nunca me sentira tão próxima dele, tão conecta... Tão apaixonada.

Nesse instante, ouvi o meu celular tocar dentro da mala. Me sentiu na cama e puxei a mala para junto de mim, retirando o objeto eletrónico para fora. Abriu o celular e vi que era um mensagem do Goenji. O conteúdo da mesma era algo que me fez de imediato chorar... Mas o sorriso não pode deixar de aparecer.

"O que te queria dizer antes, é que também és muito importante para mim."

Notas finais
Reviews?! Kissus!