Recomeços

22 Look with you heart


Notas iniciais
Um capítulo intenso a frente. Fortes emoções. Foi difícil escrevê-lo, mas também muito gratificante. Foi uma semana inteira dedicada a escrever e reescrever, corrigir, chorar, achar que estava péssimo, apagar e começar do zero, enfim... Então espero que realmente gostem. Eu imagino o relacionamento deles como algo muito complexo e delicado. Complexo pelo passado que tem em comum, e delicado porque é muito genuíno. São duas pessoas muito sensíveis, apesar de sempre segurarem a barra dos outros: Severo literalmente salvando todo mundo e comprometendo a própria alma; Hermione se mantendo firme e forte para manter a racionalidade para proteger o Harry e o Ron. São mal compreendidos em muitos momentos, e ambos tem um coração muito capaz de amar - embora sejam um pouco inaptos para demonstrar sentimentos (especialmente, claro, o Severo). Tentei, então, fazer jus a personalidade de ambos os personagens, e espero ter feito um trabalho satisfatório. Boa leitura! ♥

Hermione desaparatou em segurança alguns metros antes de chegar na vila. Ela havia pego a chave de portal de volta para a França pouco depois do encontro desastroso com o Ron n'Toca. Ela tentou se recompor para não fazer uma cena no Natal, mas fora praticamente impossível ficar mais tempo enquanto a tensão negativa entre eles era palpável. Hermione não queria estragar o Natal adorável que tivera até então, e pretendia fechá-lo da melhor maneira possível — o que não incluía os olhares de culpa, remorso e julgamento do Ron.

Assim, ela se desculpou com todos e conseguira adiantar o horário para viajar de volta. E era estranho voltar ... Porque antes tudo parecia um sonho, um lugar distante e adorável que ela de repente se vira morando, mas agora era ainda mais real. Voltar para a França não era mais uma fuga, era uma escolha.

Hermione sabia que era uma questão de tempo até que outros membros da família Weasley soubessem onde e com quem ela realmente estava. E incrivelmente, todos foram muito cordiais e educados para não mencionar o assunto — com a exceção óbvia do George, que não resistira a uma ou duas piadas de mal gosto, que Hermione tentara a todo cost não achar achar, mas era impossível.

Ela confiava em todos que estavam n'Toca, especialmente a Luna e o Neville. Ela não estava realmente preocupada que o paradeiro do Severo caísse em bocas não conhecidas. Não, todos ali demonstraram que queriam o seu bem e a sua felicidade. Hermione ficara tocada, realmente. E culpada. Tinha os evitado por tanto tempo imaginando que de alguma maneira havia desapontado, quando na verdade estava preocupados com ela.

Se ela soubesse que poderia ter sido tudo mais simples desde o começo ... Mas o passado era o passado, e mesmo ela sabia que mexer com o tempo não era sábio. Haviam coisas que ela gostaria de mudar, voltar atrás e consertar, mas cada caminho evitado levaria a outro, e apesar de todos os pesares Hermione amava cada pedacinho da própria vida.

Aonde ela errara, tentaria reparar. O que ela perdera, tentaria recuperar. Nem que isso custasse cada pedacinho do seu coração. Ela preferia mil vezes errar tentando fazer que viver uma meia vida.

E o que ela estava sentindo agora, com uma perspectiva de vê-lo ... Hermione estremeceu só de pensar no toque dele. Como ela queria sentir a pele dele na dela, seus beijos avassaladores, suas mãos firmes e grandes a segurando, a voz de barítono soando bem próximo ao seu ouvido. Deuses .

Hermione olhou no relógio e viu que ainda eram três horas da tarde. Ele a buscaria as 19h, mas era tempo demais. Pensando em suas opções, ela decidiu que tomaria um banho na pousada, vestiria o seu melhor vestido e o melhor casaco, e iria até ele.

Ela já tinha esperado tempo demais. Ela o veria em breve, e com sorte, todos os outros dias que se seguiriam. Sempre.

...

Hermione havia dirigido pouquíssimas vezes em toda a sua vida, e era o suficiente. Mas ela queria tanto vê-lo que estava disposta a pegar o carro do Sr. Bernard emprestado para chegar até lá. Estava muito frio para ir a pé, e ela não queria arriscar uma aparição. Do jeito em que estava, era capaz de ir parar no mar congelado se tentasse. Além disso, a Sra. Janet estava lançando vários olhares curiosos para ela na esperança de encontrar a primeira oportunidade para perguntar onde ela havia dormido antes da sua pequena viagem para a Inglaterra, então o melhor seria parecer tão trouxa quanto possível — mesmo que isso envolvesse dirigir do outro lado do carro e na neve.

— Hermione, querida. Fiquei tão feliz quando ligou. Estou tão empolgada! — a Sra. Valérie riu, batendo palmas. Ela contornou o balcão do café, que em breve estaria oficialmente fechado para um descanso merecido de dois dias. Ela parecia cansada do movimento intenso do Natal, mas estava tão elegante e altiva como sempre.

— Muito obrigada por me receberem aqui em pleno Natal. Deve ter sido uma manhã cheia. Não sei como agradecer.

— Bobagem — o Sr. Bernard fez um gesto com a mão, tranquilizando-a. Suas bochechas estavam vermelhas de tanto assar tortas, e Hermione sorriu com o elemento adorável parecia com um suéter de renas. — Você é a única capaz de desvanecer o mal humor daquele homem. Precisa ver como ele fica quando fala de você.

Hermione corou, e a Sra. Valérie estalou a língua enquanto olhava para o marido. Eles pareciam de mundos totalmente opostos, e ainda sim perfeitos um para o outro. — Vá ajudar o Matthew, querido. Quero trocar algumas palavrinhas com a Hermione.

Bernard assentiu enquanto sorria para ela, dando um abraço caloroso de Feliz Natal. — Boa sorte, querida. Você fez muito bem a ele.

A respiração de Hermione engatou, e ela teve vontade de rir e chorar com a quantidade de sentimentos que a invadiram. Ele fez muito mais por mim , ela quis sussurrar de volta, mas não conseguiu.

— Valérie, não queria trazer tantos problemas em pleno Natal. Sei que estão com vários pedidos no café, e com toda a família em casa esperando e-

— Bobagem, querida! Não foi trabalho algum. O Bernard terminou todas as entregas a trinta minutos, e em breve estaremos em casa.

— E o carro? Como vão voltar?

— Não se preocupe, Matthew nos deixará em casa. Agora vamos, conte! Queria muito ter essa conversa com calma, mas como o tempo é curto apenas diga! Como foi? Quero saber de tudo! Foi logo depois que saímos? Quem beijou quem? O Bernard se recusou a falar comigo, acredita? E eu disse a você que deveria seguir o seu coração, não disse? Tem que confiar na minha intuição.

Hermione riu da empolgação da Sra. Valérie. — Sim, você estava certa. Eu fiquei para ajudá-lo com a louça, começamos a conversar no sofá, perdemos a hora... e bem, uma coisa levou a outra.

— Não acredito que você vai ser tão reticente quanto o Severo! — ela colocou as mãos na cintura, impaciente, e Hermione franziu a testa.

— Como assim?

— Impossível tirar qualquer coisa daquele homem.

Hermione tentou segurar um sorriso. — O que quer dizer que vocês tentaram.

A Sra. Valérie não pareceu nem um pouco arrependida. — É claro! — ela exclamou, conduzindo Hermione pelo braço até um canto mais reservado. Apesar do feriado de Natal, era um dos dias dos anos que mais tinham entregas, portanto, era impossível fechar. Tinham vários clientes esperando por encomendas feitas em cima da hora.

Hermione pegou um café no balcão antes de ser praticamente arrastada pela senhora altiva que agora ela chamava de amiga para uma das mesas próximas a janela.

— E então? — a Sra. Valérie exigiu.

— Bem – Hermione deu de ombros, incapaz de parar o rubor que atingiu o seu rosto – Nós nos beijamos, dormimos juntos e-

Dormiram juntos ?! — a Sra. Valérie praticamente gritou.

— Sim, mas foi só isso. Nós não... você sabe. — Hermione fez um gesto inespecífico com as mãos.

— Não, não sei. — Valérie foi direta. — Não fizeram o que? Le sexe ? Le coit ?

— Sim, e fala baixo. — Hermione sussurrou para ela, olhando em volta para saber se tinha alguém por perto.

Mon dieu , tinha esquecido como os ingleses eram pudicos. — a senhora revirou os olhos – E por que não?

— Estamos indo devagar. Nos conhecendo melhor.

— Devagar para onde? E vocês já se conhecem! Meu Deus, esse homem é lento.

Hermione sabia que a Valérie era uma mulher independente e direta, e que se importava genuinamente com o Severo. Hermione via o carinho que tanto ela quanto o Sr. Bernard tinham por ele, que se preocupavam com o bem-estar e felicidade dele e por isso ela seria eternamente grata. Por saber que não lhe faltaram amigos quando ele tentou recomeçar do zero.

— Ele só está tentando ser comedido. E carinhoso. É bem fofo, na verdade. — Hermione se perdeu em pensamentos quando lembrou de como ele era atencioso, e de como o seu beijo a tirara completamente do chão, mas foi forçada a voltar para a Terra com o grito indignado da Sra. Valérie.

— Fofo? — ela bufou — Você, minha querida, está subindo pelas paredes que eu sei.

— Valérie. — Hermione repreendeu suavemente, sibilando para que ela falasse baixo.

— Olha, vocês dois estão claramente atraídos um pelo o outro. A meses. É até desconfortável ficar perto quando estão juntos no mesmo cômodo. Tem tanta tensão sexual que parece que vai esmagar a todos nós. Então nos façam um favor e transem logo!

— Eu não vou sugerir nada disso. Que absurdo! — ela cruzou os braços sob o peito, achando tudo aquilo muito surreal. Depois, pensando melhor, ela perguntou – E é verdade? É tão visível assim?

A Sra. Valérie relaxou os ombros, colocando a xícara na mesa enquanto olhava diretamente para a Hermione.

— Por favor, Hermione, aquele homem olha para você como se fosse despi-la a qualquer instante.

— O que? — ela engasgou, chocada. Como ela nunca havia percebido? Não poderia ser, a Sra. Valérie estava enganada.

— Nunca reparou o olhar dele? — ela bufou — Vou ter que tirar uma foto. Quando está distraída ele te olha como se... — ela buscou o jeito certo de transmitir a ideia.

Hermione engoliu em seco, seu coração disparado. — Como?

A Sra. Valérie a olhou dividida entre impaciente e divertida. — Como se ele pudesse adorar o chão em que você pisa se tivesse a chance. Aquele homem é louco por você, querida.

Hermione sentiu todo o ar a sua volta ser sugado, e de repente ela foi tomada por uma vontade ainda mais intensa de correr até ele. Se ela pudesse, aparataria ali mesmo.

— Eu – ela tentou dizer.

— Você tem que ir — Valérie assentiu, rindo suavemente — Não perca mais tempo.

Hermione praticamente correu até alcançar a porta, e quando ela estava quase saindo a voz divertida da Sra. Valérie a alcançou. — E não tenha pressa em entregar o carro!

...

Severo não estava nervoso. Não, ele estava muito calmo. Tranquilo. Sim, ele podia fazer isso. Ele era um bruxo adulto, afinal de contas. Tinha sido um maldito espião. Ele podia preparar um jantar adequado para uma bruxa, ele bufou. Ele era um mestre de poções, afinal de contas, e um cozinheiro excelente, muito obrigado . Era fácil.

Muito fácil, de fato.

Não era um encontro. Era só um jantar entre duas pessoas que estavam se conhecendo. Duas pessoas com gostos em comum apreciando boa comida. Sim, era isso. Duas pessoas que se beijaram muito nas últimas 24 horas, sim, mas não era um encontro. Ele tentou se convencer disso para que o seu coração parasse de bater tão rápido, ou para que suas mãos cooperassem e parassem de tremer como se ele fosse um adolescente esperando para ver a primeira namorada.

E ele podia até não ser um adolescente, mas Hermione era a primeira mulher que ele recebia em sua casa, que ele convidava para jantar e esperava ansiosamente pelo toque. Então ele simplesmente não podia errar. Não com ela.

As palavras do Bernard ecoaram na sua cabeça. A s coisas não tem que durar para sempre para terem importância. Ele estava certo, claro. Mesmo que isso entre eles, essa coisa delicada, frágil, mas bonita que estava crescendo não durasse para sempre, era um presente que ele guardaria para o resto da sua vida. Severo jamais, jamais , a impediria de partir, de ser feliz, mesmo que isso significasse não estar com ele.

Então era sobre isso o amor? Ele pensou, respirando fundo. Talvez fosse. Ele se sentia leve, como se mil pesadelos tivessem ido embora, como se ele fosse constituído apenas de esperança e felicidade. Severo sentia que podia aprender mil hobbies diferentes, talvez até um esporte trouxa idiota, cortar o cabelo ou qualquer uma dessas bobagens que as pessoas faziam quando se sentiam felizes.

Quando ele havia se sentido assim? Se ele fosse totalmente honesto consigo mesmo, sempre desejara esse tipo de felicidade doméstica, de esperar por alguém, de preparar o jantar, de trocar carinhos e olhares na mesa. Ele não imaginava, nem nos seus melhores sonhos, que ele teria a chance de realmente realizar isso. Ele se sentia, sim, um adolescente, e a parte mais engraçada é que ele realmente não dava a mínima. Qual foi a última vez que ele se sentiu tão à vontade consigo mesmo para se permitir sentir qualquer coisa que o aproximasse da felicidade? Talvez nunca, se ele arriscasse dizer.

Então ele pegou a melhor garrafa de vinho, colocou o seu melhor disco e estava prestes a fazer o melhor boeuf bourguignon que ele já fizera quando o telefone tocou. Suspirando, ele pegou o telefone e atendeu.

— Bernard, eu saí daí a literalmente — ele esticou a cabeça para olhar as horas – trinta minutos. O que você quer?

— Como você sabia que era eu?

Severo respirou fundo. As vezes ele conseguia ser mais irritante que a Minerva e a Pomona juntas. — Você é o único que me liga, velho. Foi você que mandou instalar a maldita coisa, esqueceu?

— E agora você pode dar o seu número para a Hermione.

— Ela não precisa do meu número, nós trabalhamos juntos. Nos vemos o dia todo.

— Não seja tão obtuso, Severo Snape.

— Hora, hora, estamos aprendendo novas palavras? — ele comentou malicioso, sabendo que isso irritava profundamente o seu amigo mais velho. — E isso seria impossível, Bernard.

Pelo suspiro do outro lado da linha Severo sorriu quando percebeu que o Bernard iria ignorá-lo. Era tão fácil irritá-lo.

— Já decidiu o que vai cozinhar?

— Sim – ele respondeu a contragosto, e teve que ouvir quase dez minutos de instruções sobre como fazer o maldito prato. O Severo de sete anos atrás já teria desligado, ele pensara com certo divertimento, mas afinal de contas esse mesmo Severo jamais moraria na França. Então... ele teve que se dar o crédito.

— E não se esqueça de-

— Reservar o bacon. Eu sei . Francamente, Bernard, o que você-

— E não esqueça de elogiá-la quando se encontrarem.

Severo parou, tirando o telefone que estava entre o ouvido e o ombro. — Elogiá-la?

Foi aqui que a autoconfiança que Severo esbanjava vacilou. Ele podia lidar com uma sala de aula lotada de alunos incapazes, podia falar sobre Poções Avançadas em um Simpósio e até estender a sua pouca sociabilidade para uma amizade ou duas. Mas flertar com uma mulher estava muito além de qualquer uma das suas capacidades.

— Sim, elogiar! O cabelo, a roupa, essas coisas. — Bernard continuou balbuciando qualquer coisa sobre como as mulheres valorizavam o quão atenciosos os homens podiam ser. Severo sabia que deveria prestar atenção, mas ele também sabia que seria inútil porque no instante em que olhasse para a Hermione se atrapalharia.

— Bernard, eu não-

— Não é tão difícil, Severo. É só dizer: Você está linda! Tenho certeza que é o que pensa em noventa por cento do tempo, de qualquer maneira.

Severo revirou os olhos, separando os ingredientes em cima do balcão. Ele começou a cortar as cebolas enquanto do outro lado da linha o Bernard continuava tagarelando sobre algo que ele não estava realmente prestando atenção, muito focado na tarefa simples em suas mãos na esperança de isso o deixasse mais calmo.

— Dê flores a ela. Ou chocolates. Música costuma ajudar.

Ele fez uma careta com isso. Flores? Ele não tinha flores. Ele não achava que Hermione se importava com isso, de qualquer maneira. Mas também não faria mal se ele tivesse. Talvez até ajudasse.

— Na verdade – Bernard cortou os seus pensamentos – esqueça as flores. Só se dê a chance de um jantar agradável, Severo. Com comida de qualidade, um bom vinho e uma excelente companhia. Uma companhia que, inclusive, parece estar se apaixonando por você.

Com isso, Severo riu secamente. — Agora você enlouqueceu de vez. Pobre Valérie, tão cedo e já tem um marido senil. Hermione não está apaixonada por mim. — Que bobagem , ele pensou, bufando. Mas o seu coração deu um salto. A máscara da indiferença não alcançava os seus sentimentos porque ele não podia enganar o seu coração.

— Não diga a uma mulher como ela deve se sentir, Severo.

— Hermione é muito – Severo quase disse grifinória, mas se conteve a tempo – expressiva . Todos os seus pensamentos ficam bem estampados no seu rosto.

Severo quase pode visualizar o Bernard revirando os olhos. — A garota precisou pular no seu pescoço para você perceber, seu homem teimoso!

— Isso é totalmente diferente e-

— Severo, apenas siga o meu conselho e tenha uma noite agradável.

— Sim, Bernard. Obrigado. — Severo disse distraidamente. Não adiantaria discutir e ele tinha coisas a providenciar.

— Por nada, Severo. — Bernard disse, depois pareceu pensar melhor e completou – Mesmo que eu tenha absoluta certeza que você vai ignorar tudo o que eu disse no momento em que desligar o telefone.

— Não, foi muito útil. — Severo mentiu, deixando os ingredientes de lado – Vou pensar sobre isso. Mas agora eu tenho que desligar.

— Tudo bem – o amigo suspirou do outro lado da linha – Bom jantar!

— Adeus.

Severo desligou o telefone. Depois, limpou as mãos no avental e pensou por um momento. E então saiu para providenciar flores, música e chocolate.

...

A única estrada de mão única que dava acesso ao chalé estava coberta de neve, e Hermione estava levemente apavorada com a perspectiva de encontrar outro carro vindo em sua direção, mesmo sabendo que haviam pouquíssimas casas daquele ponto em diante. Ela dirigiu o mais devagar que pode, embora a sua vontade de ver o homem que conquistara completamente o seu coração exigisse pressa.

Ela estava dominada pela sensação dos seus lábios nos dela. Da pressão suave e urgente das mãos dele no seu corpo, seus dedos ásperos tocando a sua pele. Hermione queria se perder naquele abraço, na segurança confortável do seu colo, no tom calmante e aveludado da sua voz.

Só a mera lembrança a fez arrepiar, e as palavras da Sra. Valérie ecoaram na sua cabeça.

“Como se ele pudesse adorar o chão em que você pisa se tivesse a chance. Aquele homem é louco por você, querida.”

Era possível? Que ele se estivesse se sentindo assim a tempo suficiente para poder desejá-la? O pensamento a fez sorrir, porque de repente ela pensou que talvez esse amor até então platônico, unilateral, pudesse começar a florescer para algo real, palpável. Que ele pudesse amá-la, ou mesmo desejá-la, pelo menos um pouco do quanto ela o amava.

Não muito tempo depois ela pode avistar a casa a alguns metros, um ponto escuro no meio de toda a neve. Hermione sorriu, mesmo que a ansiedade torcesse dentro dela, porque era uma sensação de boa. Ela se sentia tão bem naquele chalé, na presença de Severo, que era quase como se reencontrar depois séculos procurando o caminho da casa.

— Calma, Hermione. — ela respirou fundo depois de estacionar o carro ao lado do dele. Ela tirou a chave e apoiou a testa no volante, tentando fazer o seu coração voltar aos batimentos normais.

E então ela começou a se perguntar se era realmente uma boa ideia chegar no meio da tarde na casa dele, sem avisar. Eles tinham passado de um relacionamento profissional e uma amizade tímida para um potencial... o que? Relacionamento? Namoro? A palavra parecia tão deslocada perto de Severo Snape. Ele era um bruxo poderoso e reservado, e com exceção do amor devotado a mãe de Harry, ela não fazia ideia de como era a vida amorosa dele.

Ele já havia saído com alguém na França? E antes disso, nos anos em que lecionara em Hogwarts? Certamente que sim, e Hermione não estava preparada para o ciúme que se apossou dela com o pensamento dele com outra mulher. Era absurdo, claro, ter ciúmes do passado, mas nada sobre o amor era muito racional. De certa forma, ela se sentiria mais feliz se ele tivesse seguido em frente em algum momento, mas de agora em diante ela queria ser a única a tocá-lo. A beijá-lo. A fazer amor com ele.

Ela não queria estar um pedestal para ele. Não, Hermione queria estar nos seus braços. Ao lado dele. Como amiga, como mulher, como... amante. O pensamento quase a deixou tonta. Todos os sonhos eróticos que ela tivera com ele a invadiram como uma tempestade de verão. Se imaginar nua, na cama, com ele em cima, pele com pele, os seus seios em contato com o seu peito, mãos entrelaçadas, beijos no escuro...

— Pare com isso, Hermione. — ela sussurrou para si mesma enquanto reunia coragem para bater na porta. Três toques depois e ela pode ouvir os passos pesados no corredor, até ficar cara a cara com ele.

Ele parecia ligeiramente confuso ao vê-la, embora estivesse longe de parecer descontente. Mesmo assim, ela temeu ter ido longe demais.

— Hermione? — Severo finalmente perguntou.

— Eu, bem – ela gaguejou em resposta, lutando contra a ansiedade. Uma garoa fina começava a cair, e ela tremeu de frio. Ou de nervosismo, ela não saberia dizer. — Sinto muito por aparecer assim sem avisar. Sei que havíamos combinado as 19h. É só que... — ela hesitou, depois decidiu pela verdade pura e simples – eu queria vê-lo.

Severo simplesmente olhou para ela, congelado no lugar, sem emitir um único som ou reação, como se ela tivesse dito alo absurdo. Hermione se sentiu boba parada ali.

— Eu peço desculpas, Severo. Deveria ter avisado. — ela exalou uma risada nervosa, suas bochechas vermelhas de vergonha. — Nos falamos mais tarde.

Ela estava prestes a se virar e caminhar envergonhada até o carro quando sentiu a mão dele se fechando em seu braço, fazendo-a se virar para ele. Eles trocaram um olhar profundo antes que o bruxo, sem emitir uma palavra, reivindicasse a sua boca num beijo intenso.

Severo a tirou do chão, girando-a no ar até trazê-la para dentro do chalé e fechar a porta, seus lábios sempre se tocando. Hermione ofegou, surpresa, quando Severo a encostou na parede e deixou seus lábios para descer pelo pescoço, queimando a pele em cada toque.

Hermione tirou o casaco enquanto ele a sustentava no ar, braços fortes e mãos firmes a segurando nas costas e na coxa. Severo aproveitou a pele livre do tecido pesado para trazer os seus lábios no limite do decote, arrancando um gemido de prazer dela. Sua língua deslizou mais abaixo, enquanto o dedo indicador descia a blusa até mostrar parte da renda do sutiã.

— Deuses, Hermione. — ele ofegou, paralisado ao ver o contraste da pele com o tecido. Seu cabelo estava cheio, cachos caindo para todos os lados, e seus lábios inchados dos beijos. Ela parecia uma deusa absoluta.

— Não aguentei esperar. Sinto muito. — suas testas se tocaram quando ela sussurrou sua confissão para ele, sentindo a sua respiração em seus lábios. Seu coração batia tão rápido que ela se sentia levemente zonza, se perguntando vagamente se o bruxo que a segurava com tanta paixão podia sentir a mesma coisa.

— Não sinta. Por favor, jamais faça isso. — a voz de Severo estava rouca, ressoando através dela em ondas de veludo. Hermione achava impossível que a voz dele pudesse atingir um novo patamar de sensualidade, mas lá estava, fazendo-a se derreter com apenas algumas palavras.

— Severo... — a voz dela era quase uma súplica. Pelo que, exatamente, ela não sabia. Era um pedido desesperado para ele ficar, para tocá-la, para abraçá-la.

— Sim – ele sussurrou no seu ouvido, espalmando uma mão na parede enquanto a outra a segurava firme.

Ela queria dizer que sentira a falta dele, mas parecia estúpido. Eles só ficaram algumas horas separados, mas pareceram semanas. Como ela poderia ficar sem o cheiro dele a partir de agora?

— Senti falta do seu toque. — ela sussurrou, tremendo com o poder da sua confissão. Não importava mais, tinha que ser dito.

— Eu contei cada minuto. Não consigo me concentrar para picar as malditas cebolas.

Hermione riu, tocando o seu nariz no dele. — Espero que não tenha arruinado o nosso jantar.

— Bruxa, eu ainda sou um mestre de poções. — ele disse num tom falsamente indignado, afastando o rosto alguns centímetros para olhar divertido para ela.

— É assim mesmo, Sr. Snape?

— Sim, Srta. Granger. — ele concordou languidamente, mordiscando levemente o lábio inferior dela, até beijá-la completamente. Depois de um tempo eles pararam para respirar, e Severo a olhou, sério, antes de falar. — Não quero soltar você. O que você fez comigo?

Hermione se afastou para olhar bem no fundo dos olhos deles, onde passavam tantas emoções que ela mal conseguia acompanhar. O mundo pareceu ficar em suspenso enquanto seus olhares se cruzavam, tentando dizer o que as palavras não traduziam. Então, antes que ela pudesse perder a coragem, ela finalmente disse. — Então não solte. Severo, eu quero você. Quero a muito tempo.

Ele parou por alguns segundos, tentando interpretar o peso das suas palavras. Poderia ser verdade? Que ela o desejava tanto quanto ele? A resposta estava nos seus olhos castanhos, tão verdadeiros, tão expressivos. Tinha tanta verdade em seu rosto que ele quase se assustou com a força que via ali. Ninguém nunca olhou para ele daquela maneira. — Hermione.

O nome dela foi dito em oração. Foi a única coisa que ele conseguiu dizer antes de envolvê-la com mais força para levá-la para a sala. Ele não queria ser tão presunçoso a ponto de levá-la para a cama, embora ela não parecesse nem um pouco relutante.

Ele a soltou gentilmente quando alcançaram o tapete, tão delicadamente que era como flutuar. Tudo estava suspenso, parado no tempo, e os únicos sons que Hermione conseguia identificar era o da própria respiração em contato com a dele. Ela mal se deu conta quando eles se ajoelharam, o olhar dele nunca deixando o seu enquanto ele se sentava e a trazia para o seu colo.

— Tem muitas coisas recomeçando na minha vida, Hermione. Inclusive isso. — ele disse, um pouco tímido.

Hermione sorriu. — Não precisamos fazer nada hoje, Severo. Temos todo o tempo do mundo.

Muito gentilmente, ela levantou a mão para segurar a sua bochecha e sentiu ele tremer com o toque. Ele parecia um homem faminto por contato, tão inclinado a suavidade da mão dela que Hermione sentiu seu coração se expandir no peito. Ela o acariciou com toda a ternura, deslizando as costas dos dedos pela bochecha. Severo parecia tão espantado que mal sabia o que falar ou fazer, totalmente à mercê dela.

Quando ele abriu os olhos, o rosto dela estava no mesmo nível do dele, cheio de compaixão e alguma outra coisa que eles tinham muito medo de nomear ainda.

— Também senti falta do seu toque. — ele finalmente disse, tão baixo que parecia um sussurro. — Ninguém nunca me tocou assim.

A vulnerabilidade das suas palavras a atingiram com tanta força que ela precisou de um momento para se recompor. Hermione sentiu os olhos lacrimejarem com a força dessa confissão, e ela distribuiu beijos delicados pelo rosto dele esperando que ele pudesse sentir o que ela ainda não podia dizer.

— Eu quero tocá-lo... por favor, Severo, eu-

Seus lábios se tocaram com reverência. Toda a urgência anterior fora esquecida para dar lugar a uma quietude, uma calma. De repente, era tudo sobre a leveza de um amor tranquilo, calmo como um lago na primavera. Havia calor por toda a parte, sim, mas eles estavam tão assustados com o conhecimento de seus sentimentos que suas mãos tremiam.

Nunca havia sido assim, para nenhum dos dois.

Severo olhou para ela como se pedindo permissão, e Hermione assentiu com um aceno quase imperceptível. Sim, por favor, me ame. Me toque. Eu quero sentir você. O toque dele foi gentil enquanto ele arrastava a mão pelo corpo dela, descendo pelas costas, passando pela lateral dos seios, e pousando em segurança na sua cintura. Ele parecia hesitante em tocá-la mais intimamente, então Hermione pegou a mão dele e trouxe para o seu coração.

Severo prendeu a respiração com o contato, sentindo o formato daquele seio perfeito que ele tinha visto apenas um vislumbre meses atrás. Ele queria perguntar, queria saber se seu toque seria bem-vindo, mas as palavras mal conseguiam sair da sua boca. — Hermione, eu não- ele molhou os lábios — não presumo, não poderia.

Hermione o silenciou com a ponta dos dedos, buscando o olhar dele. Depois, lentamente, ela segurou a barra da camisa e a puxou até a cabeça. Os olhos dele ainda estavam firmemente em seu rosto, mas sua respiração ficou ofegante. Hermione deu um sorriso enquanto suas mãos buscavam o fecho do sutiã nas costas, mas ele a parou, quase bruscamente.

— Deixe-me. — Hermione estremeceu com o som da voz dele, rouca de desejo. Ela apenas fechou os olhos em antecipação quando sentiu as mãos dele deslizarem da cintura até alcançar o tecido nas costas, parando apenas por um segundo como se ele ainda esperasse que ela mudasse de ideia. Hermione quase riu do pensamento absurdo, porque a última coisa em sua mente era recuar.

Ele pareceu entender seu gemido abafado e soltou a peça rendada com facilidade, deslizando suavemente as alças pelos braços dela. Hermione ficou nua da cintura para cima, sentindo a pele queimar por onde o olhar dele percorria. Ela se sentiu exposta, mas não de um jeito ruim. Ela queria isso, queria o olhar dele no seu corpo, desejando-a. Queria que ele a visse como uma mulher, e não apenas uma parte danificada do seu passado obscuro.

Então ele a tocou e foi tudo e nada como ela imaginava. Hermione conseguiu imaginar que ela se sentiria em chamas, conseguiu antecipar os tremores que o seu toque enviaria por todo o seu corpo. Mas ela jamais, jamais poderia imaginar isso , essa paixão, esse ardor, que o mero toque da palma da sua mão pudesse causar. Severo segurou os seus seios com reverência, deslizando o polegar pelos bicos numa fricção deliciosa. Hermione ofegou, deixando a cabeça cair para trás enquanto seus dedos eram substituídos pelos seus lábios.

— Deuses! — ela ofegou quando a ponta da língua deslizou pelo mamilo, sugando suavemente até Hermione sentir que poderia gritar de prazer apenas com o estímulo. Mas ela queria senti-lo também, ela precisava disso. Se forçando a abrir os olhos, Hermione passou os dedos pelo cabelo dele, segurando as mechas finas e escorregadias, enquanto ele voltava a atenção para o outro seio.

— Ela se sentiu úmida e aquecida, sentindo o desejo dele mesmo através das roupas. Ela desabotoou os quatro primeiros botões da camisa dele e deslizou as mãos pelo peito, sentindo a pele macia estremecer sob a ponta dos seus dedos. Ele gemeu com o seio em sua boca quando Hermione terminou com os últimos botões, deslizando a camisa pelos braços pálidos e fortes. Por mais que ela estivesse ansiosa por mais contato, Hermione levou todo o tempo do mundo para trazer a boca dele para a sua, num beijo languido e apaixonado.

O contato da pele com a pele fez os dois gemerem, seios suaves contra o peito magro e forte. Era demais, e ainda sim, insuficiente. Hermione o abraçou por completo, beijando qualquer parte do corpo dele que ela pudesse alcançar: boca, pescoço, nuca, ombro. Sua unha arranhou levemente as costas dele, tentando pegar tudo que ela podia, não deixar nenhum pedaço de pele descoberto de carinho.

— Sua pele é tão macia. — ela o ouviu murmurar, sentindo as mãos quentes nas suas costas. Hermione sorriu contra a boca dele, afastando um pouco para olhar para ele. E o que ela viu lá, naqueles olhos negros, quase a fez chorar. Tinha tudo aquilo que ela queria ver e nunca imaginou que fosse realmente possível, mesmo que o seu coração tão profunda e secretamente desejasse isso. — Você realmente quer isso? — ele perguntou suavemente, acariciando a sua bochecha.

Hermione sorriu, mas seu coração ficou pesado com a pergunta. Como ele ainda podia duvidar? — Eu quero, Severo. Mais que tudo.

Ele assentiu quase imperceptivelmente, e Hermione decidiu assumir o controle para deixá-lo mais confortável. Ela se desvencilhou do seu abraço para ficar de pé, estendendo a mão para que ele a seguisse. De pé, Hermione alcançou o cinto da calça dele, sempre medindo com cuidado a sua reação; suas calças vieram em seguida, e ela fez questão de se abaixar bem lentamente para ajudá-lo a tirar. Hermione o salvou de seu escrutínio quando viu que todo o seu pescoço e bochecha estavam vermelhos, então ela se voltou para a própria calça jeans para aliviá-lo da pressão de estar sem roupas.

Quando só as roupas íntimas os separavam do contato completo, Hermione se aproximou mais dele, puxando-o para um beijo. Desta vez, suas bocas se procuraram avidamente, necessitados de contato, urgentes. Hermione estava prestes a puxá-lo para o sofá quando Severo a surpreendeu, colocando-a no colo e aparatando direto para o seu quarto.

— Você é uma grande fã da minha cama – ele disse enquanto a colocava cuidadosamente no centro do colchão — então não poderíamos desperdiçar a oportunidade.

Hermione sorriu, abrindo as pernas para acomodá-lo. — Você sempre tem as melhores ideias.

Os olhos dele brilharam divertidos, seu próprio nervosismo sendo deixado de lado com o tom brincalhão dela. — Eu tento.

Hermione o beijou novamente, cruzando os pés na cintura dele para senti-lo. Ele estava duro e pronto, e ambos gemeram com a sensação. Hermione não aguentou mais e deslizou as mãos para além do elástico, apertando a bunda dele.

— Você tem certeza? — ele perguntou ofegante pela última vez, e Hermione assentiu, decidindo mostrá-lo ao invés de dizer.

— Sinta. — Hermione disse, pegando a mão esquerda dele e levou para dentro da calcinha. O dedo médio deslizou pelas dobras com facilidade; ela estava escorregadia, tão molhada que era impossível não acreditar agora o quanto ela o desejava.

Severo se sentiu mais confiante quando torceu suavemente o dedo dentro dela, alcançando um ritmo que a fez ofegar, arqueando os seios para a boca dele. Severo sugou com mais força um mamilo, raspando levemente os dentes no pequeno nó intumescido pela atenção, enquanto ele continuava estimulando o seu clitóris.

— Severo, por favor – Hermione implorou, entrelaçando os dedos no cabelo dele enquanto pedia por mais contato. Severo tirou o dedo e ela reclamou, frustrada; Severo sorriu com a carranca adorável, seu orgulho masculino vencendo o melhor sobre ele. Então, ele deu um beijo suave em sua boca antes de escorregar para fora da cama, trazendo-a para a borda. Hermione se inclinou sob os cotovelos, confusa, quando a percepção a atingiu.

Severo tirou a calcinha dela lentamente; tão lentamente que ela rosnou de frustação. — Severo, pare de me provocar.

Ele olhou para ela, uma risada baixa e rouca a atingindo em ondas de sedução. — A paciência é uma virtude, Hermione.

— Maldito sonserino. — ela xingou baixinho quando a peça passou pelos seus pés. Ele se ajoelhou na altura da sua boceta, e ela fechou as pernas automaticamente, de repente tímida pela exposição.

— Não. — ele a impediu, segurando os seus joelhos — Não se esconda de mim. Você é linda, Hermione. Perfeita. Nunca vi nada mais bonito.

Ela gemeu quando ele sussurrou a última frase na parte interna da coxa, sua respiração a incendiando. Depois, ele soprou aquela região que escorria de desejo, implorando por contato, e Hermione desistiu de pensar, soltando o corpo na cama. Ela era dele, e não havia nada que pudesse fazer sobre isso.

— Perfeita. — ele sussurrou novamente, colocando uma das pernas sobre o ombro para ter mais acesso. Hermione corou ainda mais com a percepção remota que ele estava vendo partes dela que nenhuma outra pessoa vira, nem mesmo o Ron.

— Severo, eu- ela choramingou, desesperada pela boca dele tocando-a exatamente onde queria.

— O que? — ela não podia ver, mas sabia que ele estava sorrindo daquele jeito estupidamente sonserino.

— Por favor, eu quero a sua boca!

— Onde?

Ela deu um gemido exasperado, metade desejo, metade frustração. O que ele fazia com ela? , ela pensou vagamente. E então...

— Severo!

Os dedos dele estavam dentro dela novamente, separando as dobras, e sua língua atingiu o ponto dolorido do seu clitóris. Ele começou a lambê-la, arrastando a língua para cima e para baixo em sua umidade.

— Você é gloriosa. — Severo sussurrou, sua respiração enviando ondas de calor através da pele. Sua boca foi substituída por um dedo longo e elegante, penetrando-a suavemente e saindo, arrancando gemidos roucos de prazer num tom de voz que Hermione nem sabia que possuía.

Ela se contorcia no colchão, suas costas se arqueando no ar, enquanto ele a penetrava e chupava o pequeno nó dolorido em sua boceta. Ela estava prestes a vir quando ele saiu dela, puxando-a novamente para o centro da cama enquanto pairava sobre ela. Seus olhos se cruzaram, limpos, desejosos, abertos. Ela o queria desesperadamente. — Por favor, Severo. Me fode.

Com essas palavras, ele gemeu mais alto. Era um som alto, profundo, aveludado. Parecia vir de dentro dele, um som primitivo e desesperado. Lindo . — Hermione. — ele ofegou, incapaz de falar qualquer coisa além do nome dela.

Ele tirou a cueca apressadamente, sem sequer notar o que estava fazendo, e se deitou sobre ela. Eles estremeceram juntos, tontos de prazer, quando ele a penetrou. Lentamente. Tão devagar que ela pode senti-lo deslizando para dentro milímetro por milímetro.

Calor.

— Sim. — ela sussurrou. Finalmente. — Me diga o que sente, Severo. Preciso saber.

Ela precisava saber se era para ele metade do que estava sendo para ela. Se ele também sentia a Terra estremecendo, o mundo em suspenso. Se tudo o que ele ouvia era o som das suas respirações. Ela se sentiu sozinha por tanto tempo... ela precisava saber se isso , essa conexão entre eles, não era unilateral.

— Eu sinto – ele ofegou, escondendo o rosto na curvatura do pescoço dela — Não posso, é... muito .

— Tente. — ela implorou, seus pés deslizando pela panturrilha dele, sentindo as texturas aveludas do seu corpo.

Severo saiu e entrou nela novamente, devagar, mas profundo, e Hermione gritou o nome dele no meio da tempestade que caía lá fora.

— Sinto – ele a beijou – calor. É quente. É — ele ofegou dentro da boca dela, incapaz de continuar.

— Sim...

— Nós fomos feitos pra isso. — Severo sussurrou, trazendo uma das mãos para segurar o seu seio. E foi quando Hermione quase desabou completamente. Sua voz era tão gentil, seus olhos tão atenciosos e cheios de calor. E ele estava assim por ela . Não qualquer outra mulher, não uma lembrança. Por ela. Só ela.

E mesmo que Hermione tenha se achado patética, não conseguiu impedir que lágrimas escorregassem pelo seu rosto. Era demais.

Quando ele percebeu, parou imediatamente. — Fiz algo errado, amor? Machuquei você? Eu sinto-

— Não, não. — Hermione sussurrou, segurando o rosto dele perto do seu. Ela o beijou e o abraçou, então, espantando qualquer preocupação da sua mente. Hermione sabia como se sentia sobre ele, é claro, mas ele não. Ela o amava tão profundamente que tê-lo ali, dentro dela, era quase demais para suportar.

Hermione queria dizer a ele a tomá-la, preenchê-la, para — não torná-la inteira novamente, mas para torná-la inteira pela primeira vez . Queria dizer tudo, queria ser livre para poder amá-lo. E enquanto ela não poderia dizer, esperava que ele ao menos sentisse .

Severo buscou o seu olhar mais uma vez antes de perguntar se ela tinha certeza, e Hermione apenas levantou o quadril em busca de mais contato. E então, finalmente , ele a levou.

Não havia nada comparado a isso. Essa sensação de completude, de amor, mesmo que não dito, não proclamado. Hermione se perdeu em algum lugar a caminho do paraíso, sentindo ondas de prazer tomá-la pouco a pouco, até o núcleo. Ela riu e chorou, jurando o nome dele no ápice.

— Severo! — Sempre, sempre o nome dele.

— Hermione! — ele gemeu o dela quase ao mesmo tempo, e Hermione sentiu o seu desejo por ela jorrando. Ele tremeu uma, duas, três vezes, antes que o seu corpo finalmente cedesse e desabasse sobre o dela.

— Não vá ainda. — Hermione disse depois de um tempo, querendo senti-lo dentro dela tanto quanto fosse possível, aproveitando cada segundo.

Ele apenas assentiu, incapaz de falar qualquer outra coisa, e deu um beijo casto e carinhoso em seu ombro. Hermione beijou a bochecha dele, li-o com mais força, enquanto seus pensamentos eram tomados pelas três palavras que ela guardara por tanto tempo.

Eu amo você.

...

Notas finais
E aí, o que acharam? Dizem que se você comentar o Severo vai aparecer de madrugada na sua cama e totalmente nu. Depois não digam que não avisei, hein.