Notas iniciais
Essa fanfic está sendo minha salvação nas últimas semanas. Estou adorando escrevê-la, e espero que estejam gostando de lê-la. O capítulo ficou bem grandinho, e no final tem duas imagens. Nas notas finais explico um pouco sobre elas.

— Matthew. – Severo cumprimentou.

— Olá, Sr. Snape! – o jovem rapaz respondeu de volta por trás do balcão – O que vai ser hoje?

— Na verdade, vou levar o almoço para comer na loja. Vou entrevistar um possível candidato, e não quero me atrasar.

— É alguém da vila?

— Não – Severo aceitou o café — pedi uma velha amiga para indicar alguém especializado na área química.

Para o vilarejo, Severo era um professor de química que se aposentara muito jovem para abrir o próprio negócio. Ele costumava dizer para o Sr. Bernard que 10 anos de sala de aula valiam 40 em qualquer outra profissão, e que por isso ele não tinha se aposentado jovem demais, mas no tempo certo. De certa forma, não era uma mentira. Severo nunca havia tido paciência para o ensino. Talvez, se ele pudesse ter lecionado para adultos, a experiência pudesse ter sido diferente, mas ele sinceramente não tinha o menor interesse em descobrir nessa altura da vida.

A botica, como todos chamavam – porque não tinha um nome – fazia cada vez mais sucesso entre turistas com seus produtos ‘milagrosos’. Muitos começaram a visitar a vila medieval com o único intuito de conhecer a loja. Severo estava satisfeito, claro, em ver o negócio crescendo, mas ao mesmo tempo odiava ter que lidar com tantas pessoas. Ele sinceramente imaginava que um cliente ou outro entrariam durante o dia, mas jamais 30/50. E as vezes, como nessa época de verão, quase que ao mesmo tempo.

Bernard chegou a liberar o jovem Matthew algumas vezes para ajudar, pelo que Severo era grato, mas o garoto não tinha o menor tato ou cuidado com os produtos raros, ou os frascos de vidro; isso sem falar que era muito arriscado manter um trouxa tão perto de coisas que poderiam parecer... estranhas, mesmo que o Matthew ficasse na fachada atendendo clientes e jamais cruzara o limite da porta dos fundos. Isso sem falar, claro, que não era justo deixar o Sr. Bernard sozinho no café. Não, havia passado da hora de ter um aprendiz e Severo sabia disso.

Nos últimos dois anos vários aprendizes passaram, mas todos foram desastrosos. Ele não queria alguém só para atender clientes, queria alguém que também pudesse ajudá-lo no preparo das poções quando os lotes fossem muito grandes. Mas foram todos inúteis. Então ele não teve escolha a não ser confiar a decisão para única pessoa que sabia onde e o que ele fazia: Minerva.

Já havia quase seis meses que ele havia pedido esse pequeno favor a ela, e quando ele estava prestes a mudar de ideia ela confirmara por carta que havia conseguido, nas palavras dela, “a melhor pessoa que ele poderia pedir”. Severo estremeceu com a frase, pressentindo que alguma coisa estava prestes a abalar completamente a sua vida, mas não fazia ideia do motivo.

— Severo! – o Sr. Bernard cumprimentou – Não vai almoçar conosco hoje?

— Vou entrevistar uma pessoa – Severo disse, pegando o almoço do balcão.

— Você é muito exigente. Não assuste o pobre estudante. – Bernard riu ruidosamente, colocando as mãos gordinhas na barriga proeminente.

Severo sorriu, malicioso. – Já faz alguns meses que não assusto ninguém. Acho que hoje pode ser um bom dia, afinal.

— Faça o garoto durar pelo menos até o fim do verão. A vila está muito cheia.

— Na verdade, não sei ainda se é um garoto ou uma garota. Foi indicado por uma colega de trabalho na antiga escola.

— Tomara que seja uma moça. Inteligente e com a língua afiada. Você está precisando de uma namorada.

Severo bufou, levantando do banquinho – Você está mesmo ficando gagá. – ele brincou, arrancando gargalhadas nos funcionários e clientes mais antigos do café enquanto saía pela porta. Mas algo nele clicou. ‘Namorada’, ele murmurou para si mesmo, como se a palavra em si fosse absurda.

Ele só não sabia se o absurdo era sequer considerar uma palavra tão juvenil para si mesmo, ou se porque no fundo de seu coração era exatamente o que ele mais desejava. Ou, ainda, se absurdo era associar a palavra ao perfume da mulher misteriosa que o salvara.

...

A vila era adorável e Hermione já estava completamente apaixonada. Por não saber onde exatamente haveria um ponto de aparição, ela preferiu desaparatar de Paris até Marselha, que ela já conhecia mesmo que superficialmente, e de lá pegar um ônibus de acesso até a entrada do pequeno povoado. Só a estrada era um espetáculo à parte: campos de lavanda, um céu azul como raramente se via no frio das Terras Altas ou na poluída Londres. Embora ela amasse seu país natal, tinha que admitir que a paisagem francesa era de tirar o fôlego.

O ônibus parou e, junto com ela, várias outras pessoas desceram: entre idosos que claramente eram locais, e outros pessoas que claramente eram turistas, a julgar a maneira como olhavam encantados para a cidadezinha de pedra a sua frente.

Para quem viveu em Hogwarts por tanto tempo era difícil imaginar que alguma outra coisa pudesse ser tão especial, mas o sentimento que tomou conta de Hermione ao entrar na cidade foi exatamente o mesmo, senão maior, que o dela quando entrou na escola de magia. Talvez não maior, mas... diferente. E saber que ele estava aqui, a poucos metros dela, dentro de uma dessas casinhas adoráveis, fez Hermione balançar nos próprios pés.

— Você está bem, querida? – uma senhora tocou seu ombro, ajudando-a a se firmar.

— Sim, eu...

— É o calor, provavelmente. Não lembro de um verão tão quente e abafado quanto esse. John, querido, ajude aqui.

— Não precis – Hermione tentou dizer, mas rapidamente murmurou um feitiço para a mala tomar o peso real.

— Imagina! Meu nome é Valerie, mas todos me chamam de Sra. Bernard.

— Muito prazer – Hermione sorriu, estendendo a mão para ela – E o meu é Hermione. Hermione Granger.

— Seus pais gostam tanto assim de Shakespeare?

Hermione riu – Pelo menos Hermione não é dos piores.

— Uma mulher doce e forte ao mesmo tempo. Você parece ser exatamente como a personagem.

— A Sra. gosta de Shakespeare?

— Fui professora de Literatura Inglesa na universidade. – ela comentou antes de cumprimentar outras senhoras que estavam paradas na porta do que parecia ser um café. – Agora, onde você está hospedada? Só tem uma pensão e um hotel na cidade, então não é tão difícil. – a senhora riu.

— Na verdade, ainda não pensei nisso. Tenho uma entrevista na botica do Sr. Snape. Você sabe onde fica?

— Claro que sim, querida! Oh, finalmente aquele homem teimoso aceitou contratar alguém. O pobre homem não é muito bom atendendo clientes, sabe. Mas é um bom homem. Meu marido, Bernard, é muito amigo dele. Vai sempre no nosso café almoçar ou tomar o café da manhã. – a senhora indicou o caminho, tagarelando sem parar sobre um Severo que parecia muito surreal para a Hermione acompanhar.

— Não parecem a mesma pessoa. – ela murmurou para si mesma.

— Bem, a loja do Sr. Snape fica na quarta rua à esquerda seguindo por aqui. É a única loja subindo as escadas.

— Qual o nome da botica?

Tanto a Sra. Valeria quanto seu filho, John, sorriram um para o outro antes dela responder: — Botica.

— O prof- digo, o Sr. Snape não deu um nome para a loja?

— Para você ver o quanto ele precisa de ajuda. Se quiser, deixe suas malas aqui. O John guarda atrás do balcão. Se tudo der certo, você pega e leva para o hotel. Se não... tenta de novo. Algo me diz que você é exatamente o que ele está esperando.

Hermione agradeceu a Sra. Bernard e seguiu pelo caminho que ela indicou, sentindo que suas pernas tremiam. Seu estômago gelava ainda mais a cada passo, e seu coração parecia querer sair do peito.

O que você está fazendo, Hermione?

Mas ela não voltaria atrás.

Rápido demais ela encontrou a quarta rua à esquerda. Era calma, aparentemente residencial, e haviam pouquíssimas pessoas na rua. Andando alguns metros, mais próximo ao final da rua, ela viu a escadaria e seu coração parou. Ela lindo.

A rua se afunilava até a escadaria. No fim dela, a rua também acabava, não tinha saída. De um lado, era um muro de pedras largas, muito provavelmente seculares, e do outro, a Botica. A parede da loja estava quase toda tomada por folhagens verdes e algumas flores rosas e vermelhas, delicadas, que se alinhavam muro acima. O engraçado é que o lugar era totalmente trouxa, mas completamente mágico.

Ela acenou para duas crianças que brincavam no passeio e seguiu seu caminho, sentindo o cheirinho gostoso de brisa fresca e flores. Segurando a respiração, ela levantou os ombros, arrumou o cabelo, engoliu o nervosismo e entrou antes que mudasse de ideia.

A porta de vidro fez um barulhinho indicando sua entrada e ela olhou rapidamente ao seu redor. A loja era pequena e pouco convidativa. Apesar da fachada adorável, o interior era muito diferente. Não era ruim, Hermione pensou, mas era bastante austero. Havia um balcão separando a clientela do interior da loja, e em cima dele, alguns produtos com preços que pareciam desatualizados. Nas laterais, haviam várias prateleiras que se estendiam do chão a poucos palmos do teto. Em todas elas, muitos frascos. Eles estavam, claro, muito bem etiquetados e devidamente organizados, mas Hermione vagamente reparou que não havia nada que os identificasse ou os remetesse à loja: nem uma marca, slogan, nada. Apenas o nome do produto e informações legais necessárias.

A loja estava impecavelmente limpa, Hermione percebeu, o que fazia sentido. Snape parecia um homem organizado e meticuloso. No canto esquerdo havia uma pequena mesa e, sobre ela, alguns panfletos de eventos que a cidade oferecia. Todos desatualizados. Também havia uma garrafa de café velha que muito provavelmente servira com o propósito de tornar a loja mais convidativa, mas estava vazia.

Hermione olhou para o relógio e viu que já passava quase dez minutos da hora combinada com Minerva. Ela pensou em sair e entrar de novo, para fazer barulho ou qualquer indicação que ela estivesse presente, mas exatamente no momento em que virou as costas a voz calma e aveludada a alcançou:

— A Sr.ª deve ter sido a candidata indicada pela professora McGonagall. Perdoe-me, acabei me distraindo com uma poção e...

Hermione se virou, sentindo que seu corpo trabalhava em câmera lenta. Seu coração batia tão rápido que ela tinha medo que ele fosse capaz de ouvir.

— Boa tarde, Prof. Snape.

Para um homem que passou a vida toda escondendo seus sentimentos, Severo parecia bastante fora de prática – ou ele simplesmente não se importava, porque ela viu cada uma das emoções que passaram pelo seu rosto: choque, surpresa, indignação, descrença, choque novamente e, finalmente, raiva:

— O que você está fazendo aqui? – seu tom era gélido.

— Eu- bem, a prof. McGonagall me disse sobre vaga e eu aceitei. Quero dizer, se o senhor-

— Isso é algum tipo de brincadeira, Granger? Porque se for, não vou mais tolerar isso.

— Não, eu-

— Como você me encontrou?

— Eu disse: a professora McGonagall me falou sobre a-

— Pedi especificamente a ela que me indicasse alguém competente e discreto, e sinceramente Sr.ª Granger, não acho que tenha nenhuma dessas qualidades.

— Eu sinto muito? – Hermione rapidamente passou do tom inseguro e comedido para a indignação, qualquer sombra de receio sendo deixada de lado.

— Não preciso de alguém que siga as malditas instruções todo segundo. Preciso de alguém que pense por si próprio. Além disso, estou espantado que não tenham repórteres na minha porta. Diga, Granger, para qual dos seus amigos você já contou sobre o meu paradeiro? Não está satisfeita em atormentar minha vida por seis longos anos, quer impor sua presença insuportável por mais tempo?

— Escuta aqui, Snape – ela se aproximou mais do balcão, o dedo em riste – eu vim porque a prof. McGonagall me falou da vaga. Sim, ela disse para quem era, e não, eu não contei para ninguém do seu paradeiro e nem o farei. Pelo que eu ouvi no vilarejo, você precisa de ajuda, e todas as suas tentativas anteriores foram falhas. As últimas QUINZE tentativas em menos de dois anos e-

— FORA!

— O que? – ela estava ultrajada.

— Granger – ele respirou fundo, contornando o balcão para ficar a centímetros dela – eu não quero você aqui. Não vou contratá-la. Não sei nem o que passou na sua cabeça para sequer cogitar isso.

— Mas- ela tentou falar, mas ele estava muito perto. Ele tinha cheiro de sândalo, cedro e alguma coisa amadeirada. Hermione se sentiu tonta com a aproximação, incapaz de reagir a presença marcante dele. Seus olhos, sempre opacos, brilhavam com um fogo diferente: era vida, ela notou.

E então uma coisa estranha aconteceu. A expressão dele mudou de furiosa para confusa em poucos segundos, como se algo dentro dele tivesse clicado. Hermione sentiu o corpo inteiro gelar, com medo que ele tivesse descoberto alguma coisa. Mas ele logo voltou a si, ela percebeu, e as próximas palavras foram como uma faca direto no seu peito.

— Dê a meia volta para a vida infeliz que deixou para trás e, por favor, não volte mais. Não há nada aqui para você.

Os olhos negros de Severo se fixaram nos dela pelo que pareceu uma eternidade, e eles ficaram assim, suspensos na névoa de tensão que se instaurou entre eles. Hermione sentiu seu coração quebrar em um milhão de pedacinhos, mas o que ela poderia ter esperado? Mordendo o lábio inferior com força para se impedir de chorar na frente dele, Hermione assentiu quase imperceptivelmente e saiu da loja sem olhar para trás.

...

Severo estava chocado. Irritado. Possesso. Como Minerva poderia fazer algo assim com ele? Trazer aquela garota irritante até o lugar onde ele tinha encontrado um pouco de paz? Fazê-lo se lembrar dos seus piores dias, de um passado que ele queria veemente esquecer. Ainda por cima, a garota era... Não uma garota. Sua mente traiçoeira respondeu. Não mais.

O que mais o chocou não foi nem ela estar ali, mas a sua reação ao vê-la. Severo não se descontrolava assim desde a Guerra. Desde Hogwarts. Ele tivera e dispensara funcionários, claro, mas não era o bastardo que costumava ser na escola. Se ele via que a pessoa não era boa o bastante, dispensava. Claro, comentários mordazes e pontuais ainda eram a sua especialidade, mas nada como o que causara nele agora. Ele ficou chocado, sim, mas consigo mesmo.

Por que a garota estava aqui, dentre todos os lugares, ainda era um mistério. A última notícia que havia tido dela foi que ela trabalhava em algum cargo muito importante do Ministério. Direito Mágico, se sua memória não falhara com ele. Um emprego muito promissor para ser aprendiz em poções num lugar esquecido da França. O que ela estava pensando? Que ela nunca fora normal ele sabia. Mas isso... ultrapassava todas as barreias do aceitável.

E tinha alguma coisa nela que o deixava intrigado. Que o incomodava. Como se ela soubesse de alguma coisa importante que ele tivesse deixado passar. Severo detestava o sentimento.

Andando em círculos, confuso e mal-humorado, ele decidiu que a única pessoa que poderia responder estas perguntas era a própria Minerva. Ele pensou em ir até Hogwarts, mas só o pensamento de colocar os pés na escola o causou calafrios. Decidindo que um patrono teria que bastar, Severo sacou a varinha da manga, preparando para se concentrar, quando a porta da frente bateu novamente. Irritado pela pessoa não ter respeitado o sinal fechado, ele marchou com uma carranca pouco característica no seu rosto atualmente.

— Sinto muito, mas- ele parou como se tivesse levado um tapa.

— Por favor, só me deixe falar. Apenas isso. Prometo que falo tudo em menos de cinco minutos, e depois vou deixá-lo e você nunca terá que me ver novamente.

Severo cruzou os braços sobre o peito, claramente irritado, mas cedeu mesmo assim. Num gesto silencioso, ele assentiu para que ela continuasse.

— Obrigada. – Hermione respondeu, tentando esconder o choque por ter conseguido convencê-lo de alguma coisa. — Eu conheço os seus métodos. Sei o tipo de pergunta que te irrita, sei quando posso falar e quando devo ficar calada. Sei como organiza os ingredientes. Além disso, sou boa em poções. Fiz poções complicadas durante meus anos em Hogwarts. Quantos alunos podem dizer que fizeram o mesmo? Eu sei - ela se antecipou, dando alguns passos hesitantes para dentro da loja – que não foi certo e eu sinto muito. Foi estúpido e desrespeitoso, mas eu fiz. E funcionou.

— Além disso – ela continuou antes que ele tivesse a chance de dizer qualquer outra coisa – sou discreta. Ninguém sabe exatamente onde eu estou, além da Minerva, claro, e vai continuar assim. Não quero ser encontrada tanto quanto você, pode ter certeza. Revelar o seu paradeiro – além de estúpido, absurdo e ilógico, revelaria o meu, e não quero que isso aconteça.

Enquanto eles se olhavam, dois turistas, completamente alheios a tensão entre eles, entraram na loja. Eles falavam em espanhol, Hermione vagamente notou, e apontavam num francês ruim o que era cada frasco e quanto custava.

— ¡Buenas tardes! ¿En que puedo ayudar? – Hermione se viu perguntando vagamente consciente do olhar em choque de Severo.

Com uma agilidade que ela mesma desconhecia, tentando se concentrar mesmo com o olhar pesado de Snape sobre ela, Hermione conseguiu atender muito bem os turistas. Ela havia aprendido espanhol com os pais a muitos anos e finalmente tivera a chance de usar, mesmo que estivesse bastante enferrujado.

Quando o último turista balançou o sino na porta, indicando sua saída, Hermione olhou para ele. — Eu honestamente não sei o que quero fazer da minha vida, e isso me assusta. Sempre tive um plano, e dessa vez... não tenho nenhum. Mas aqui parece ser o lugar perfeito para recomeçar. Só estou pedindo o que você deu aos outros: uma chance. Se não der certo... – ela deu de ombros, tentando parecer indiferente – você me despede e seguiremos nossos caminhos como se isso nunca tivesse acontecido. Mas agora... você tem todo o mês de julho e agosto para aguentar, e a vila não ficará mais vazia. Então... o que vai ser?

Pareceu uma eternidade até que Severo falasse novamente. Hermione já havia suspirado resignada e se preparava para sair quando a voz dele finalmente chegou até ela.

— Esteja aqui as 10h. Não vou tolerar atrasos.

— O que? – ela piscou, confusa.

— Se chegar as 10:05 não precisa mais entrar. Você seguirá as minhas ordens sem questionar, e controlará o seu hábito irritante de saber tudo.

— Claro. – ela finalmente conseguiu dizer.

— Você tem uma semana, Granger. Uma semana para não estragar tudo.

Hermione assentiu rapidamente, sabendo que era a sua deixa. Ela saiu da loja em poucos segundos, ainda com medo dele mudar de ideia ou fazer perguntas pelas quais ela não estava pronta para responder.

Antes mesmo que ela percebesse já estava parada em frente ao café para recuperar suas malas, porque por mais surreal que fosse ela havia acabado de ser contratada.

E por ninguém menos que Severo Snape.

...

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Notas finais
TAN TAN TAN!!! O que será que vai acontecer, hein? Apenas explicando algumas coisas: eu quase nunca coloco fotos/imagens nos capítulos das minhas fanfics, e deixo a imaginação dos leitores correr solta. Mas para quem tiver curiosidade de saber onde me inspirei, as fotos seguem acima. Na primeira, seria a loja do Severo; na segunda, a vila. Imagina morar com o Severo num lugar desses? Sortuda hein, Hermione?!