Recomeço
6 Madorna
Vivi dias nessa madorna. Alimentava-me por algum resquício de sobrevivência. O ecrã da TV era minha mandala. O brilho azul, meu bálsamo. E a chiadeira ininterrupta me acalmava. O torpor me dominava e por vezes cochilava e sonhava com jovens me atacando. Não saberia dizer quanto tempo fiquei nesse limbo, até que uma voz irritante e contínua me puxou de volta pra realidade. A gestora da escola veio me visitar. Não sei o que ela esperava encontrar. Resmungava e me perguntava se estava bem, ao que respondia que sim. Nem eu acreditava nessa resposta. Só queria voltar para minha televisão.
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